Sábado, Outubro 17, 2009

... e Peruada? Obas!





Quis Deus, o Destino ou a Comissão de Pós-graduação, que a Lista de Aprovados no Mestrado das Arcadas para 2010 saísse exatamente no dia da Peruada. Obassss! Assim, esse breve relato será com o tom esfuziante de um novamente feliz calouro. Eterno aprendiz. Mesmo sendo a VI Peruada. Dessa maneira, quando se ouvir por ai o “assim falou o Mestre”, agora poderá ser verdade.

Acontece que jornalistas continuam com problemas com números. Contaram 1100. Seria problema de óptica, apesar das fotos? Seria problema de cotas? O certo mesmo é que estavam errados. Éramos, no mínimo, 1108. Muito mais do que 1827. Penso que eles contaram foi o número de policiais. Ai sim, tinha mais que isso.

Para vigiar uma comemoração de franciscanos, enaltecendo a Amizade e a Alegria, não seria preciso tantos. Quando a quadrilha MST invade propriedades por esse Brasil afora, nunca tem tantos policiais. Nem mesmo Polícia tem. E, quando chamam o Choque, eles reclamam. Não é muito estranho isso? Quando na mira das lentes da TV fazem cara de coitadinhos e reclamam da truculência. Só porque eles querem invadir, roubar e matar, chamam a Polícia! Isso é autoritarismo da direita reacionária, só pode ser!

Reinava, como sempre, um clima feliz de Peruada. Se é que se pode chamar uma fina garoa de felicidade. Ainda bem que ela foi rapidinho embora. Parecia até os comunistas, com suas camisetas vermelhas. Chegam e dão uma avaliada. Como não dá prá conquistar votos em meio aquela fuzarca toda, deixam alguns “embaixadores” e vão-se embora. Não podem fazer o feio de não comparecer à nossa maior festa. Permanece apenas o capovis. Ah, isso tinha bastante! Contabilizei ali bem uns cinquenta votinhos que comunistas depositaram em suas suadas urnas, para a eleição do XI. Ainda bem que, mesmo assim, mesmo dando, ainda não vai dar. Ô sorte!

A Peruada é o exercício da Arte do Reencontro. Gentes que não vemos com tanta frequência desfilando pelos corredores das Arcadas, a gente encontra exibindo suas grotescas fantasias na Peruada. E, se até mesmo Deus ou o Diabo não são unanimidade, a recepção varia conforme o gostar de cada um. Têm os que desviam os olhos, tem as meninas que parece que temem uma roçadinha em público, tem aqueles do apenas “eae?”. E, claro, aqueles cujo reencontro é uma festa, de destilada e pura Amizade e Alegria. Tem inclusive alguns franciscanamente exagerados. Fazendo rápidas contas, parece que são mesmo XI% de Amizade e Alegria.

Os restantes 89%, atribuo a uma pucanice desvairada, descontando comunistas que de mim não gostam, gratuitamente.  Eu, que lhes quero tanto bem, repudio apenas suas idéias canhestras. Suas pessoas me são caras, por serem franciscanos, tal e qual. Só porque não gostamos que nos traiam e à confiança de todos ? Só porque não queremos que entreguem as Arcadas nas mãos de invasores? Só porque achamos  que existem meios mais honestos e dignos de arranjar emprego de assessor de vereadores–suplentes do que querer tomar o XI para conseguir apenas isso? Só porque corrigimos os seus textos, cheios de imprecisões e erros mesmo? Só porque achamos que a sua Carta-programa é pior  que o da Hebe? Só porque farejamos um comunismo de fachada e griffe (e cobertura nos jardins)? Só porque queremos a São Francisco para os franciscanos? Por ter eterna alma de calouro, desgosto de vê-los ludibriando a meninada? Porque sentimos a má-fé na “brincadeirinha” de lançar a idéia do “trote diferido” entre os quintanistas, fazendo surgir, quem sabe, alguns votinhos? Não. Mas é só comigo a mal-querença. Eu, que sempre lhes reservei espaço-VIP na A LATRINA? Mas eles não têm paciência comigo!

Como um deles, ao se aperceber da minha presença, começou a cantar alegre, mui  alegremente: “vai, vai, vai, o Gonzaga vai embora!”. Não é uma graça de criatividade? Eu achei. Mas achei também que denunciou a sua alma comunista. Eles são sabem e nem querem saber o que se passa realmente nas Arcadas. Querem apenas tomar o XI e nada mais. Ou melhor, para entregá-lo, num depois, para o DCE, MST, Gaviões da Fiel e quetais. Aquele marquistóide alienado e lesado não sabia de nada. E nem sabia agora como vou gonzagá-lo: vão ter que me engolir por mais três anos! Tudo bem que engolem (ou cospem) numa boa, embora demonstrando certa relutância...

Parem tudo que parou a música! Por que parou a música ? Por que parou? Pronto, pronto, já voltou!

Em frente à Câmara, o discurso de sempre, desgastado de sempre, inútil como sempre. Mas, tá valendo! Da peruada, como manifestação político-circense-etílica fico com o etílico, que desce mais suave.

E um impagável e crescente scrum, em pleno Largo? São coisas de coisas que vou dizer uma coisa!

Além disso, as calourinhas que queriam saber se eu era mesmo real, de verdade. Deixei-as à vontade, para demonstrar que sou inclusive palpável. Argumentei filosoficamente que penso. Logo, existo. Com isso elas abaixaram também a guarda. 

Após a passagem pelo Largo, deixo apenas imagens, impressas digitalmente. Sem palavras. Deixo o link para quem quiser saboreá-las. Outras tantas mais, impressas apenas na memória, já que eu mesmo perdi o link com a realidade das coisas. Ficaram na Peruada.


XI-H
AAArcadas, XVI de outubro, CLXXXII

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Arcadas, século XXI: compre a sua sala




Marcelo Tas, apresentador do CQC, foi o primeiro entrevistado do Roda Viva do XI. Para quem não sabe, o “programa” foi devidamente expropriado em sua forma, daquele feito pela TV Cultura. Quando estava sentado em sua cadeira giratória, no meio do palco, no meio do Pátio das Arcadas, antes de iniciar o “programa” em si, deu vários giros, admirando aquele visual ímpar. Quando parou, com a mão segurando o queixo, fez um comentário, quase que para si mesmo: isso aqui é de uma magia sem igual! Apenas ouvi porque estava sentado ali, a sua frente.

Todos sabem que essas Arcadas são motivo da visita diária de uma infinidade de pessoas que aqui vêm para contemplá-las, tirar fotos para a posteridade e também para contar vantagens por aí. Cada franciscano, em seu primeiro dia, e esse a gente jamais esquece, sabe o frio na espinha que sentiu, ao se saber agora “um deles”. “São agora também minhas essas Arcadas” é a típica frase, talvez a primeira, a inflar o ego de cada calouro, iniciando por torná-lo, o ego, muito mais largo que o Largo. Não sabemos ao certo se alma tem forma. Mas, se tiver, a do franciscano é em forma de Arcadas. Disso eu tenho certeza.

Cada uma dessas Arcadas tem o seu nome. E o nome está lá porque foi aluno dessa Academia de Sciencias Jurídicas e Sociaes. E que, num depois, foi homenageado, por algum feito, ou pela vida toda, tendo ali eternizado o seu nome, postumamente. O caminho dos atuais alunos é pavimentado e ladeado pelos antigos alunos, qual a lhes dirigir os passos.

Assim como cada uma das salas da Faculdade, leva o nome de algum aluno ilustre. Sabidamente, são muitos os alunos ilustres e poucas as salas. Por isso, escolha dos nomes a serem homenageados se cristalizava pelo tempo. Nos últimos dez anos, apenas duas: Thomas Marky e Miguel Reale. Não se encontrará em qualquer estatuto, norma, portaria, regimento ou o que seja, critérios para a escolha, ou competência para tanto. Todas as infindáveis Tradições da São Francisco são feitas de maneira consuetudinária. Nada é positivado. Muito embora cada uma delas seja seguida como se fora uma cláusula pétrea.

Todo esse contexto ocorreu ao longo dos 182 anos de memorável História, sempre dentro de um espaço físico definido e imutável. Nos dias presentes, com a ampliação física da Faculdade e também com a bem-vinda prática de doações financeiras para a ampliação e modernização, tem-se um inédito problema: quem dará os nomes às novas salas? Quem pagou pela sua criação ou reforma? Quem o mecenas indicar? Quem o santo Diretor indicar? A Congregação? Quem os alunos indicarem? Quem, quem, oh, meu São Francisco?

Sabe-se, de longa data, que franciscano polemiza até sobre a previsão do tempo. Com os nomes “saláveis” não seria diferente. Surgem então as mais profícuas defesas, os ferrenhos ataques, as adesões, os conchavos, etc e tal. Apenas para condimentar mais o tempero, não custa lembrar que as Arcadas foram criadas para serem a Inteligência brasileira e disso fez-se a sua Tradição.

Reverenciando então a Tradição, com a peculiar Inteligência, tal impasse parece resolver-se com a única solução: a sala deve mesmo conter uma “micro-placa” indicativa do mecenas, benfeitor da obra. Nada mais justo. Porém, o nome da sala é de competência exclusiva da “comunidade franciscana”, abrangida por alunos, professores, Congregação e tudo o mais.

Qualquer solução fora dessa vai levar as Arcadas a se transformar em um balcão de negócios, onde “pagou, levou”. Isso é inadmissível. As Arcadas nunca foram um local para auto-exaltação. Exceto entre os alunos, mas isso já é lá outra história...

Se fôssemos criar uma faculdade de direito hoje, poderíamos buscar patrocinadores, com cada sala recebendo o respectivo nome.. Ficaria mais ou menos assim: Sala PT, que bancaria a sala e também a atividade dos forum da esquerda, entre os alunos. Sala McDonald’s, bancando uma sala e o Bandejão. Sala Johntex, bancando a Sala dos Estudantes e as Baladas. O Porão, patrocinado pelo Jack Daniels. Assim por diante. Uma verdadeira Faculdade Hall da Fama. Não existiria problema nenhum nisso.

Mas a Faculdade que temos nas Arcadas, anexa ao Pátio, ao Porão, à Academia de Letras tem uma Tradição e uma linda História. Que seja respeitada, então.

Aquele olhar de admiração daquele visitante, citado no início, é o mesmo que o nosso, não só no nosso primeiro dia como alunos, bem como nos demais de nossa inteira vida. Olhar de admiração, de contemplação. E de orgulho.

Se querem vender nomes de salas, pois muito que bem! Podemos também então começar a vender jazigos. Julius Frank lá está enterrado. Podemos vender um espacinho do Pátio prá mais alguém, que pague mais, claro. Um cemitério com a griffe Arcadas !

Podemos construir mais Arcadas, prá vender prá outros Presidentes também. Certamente o Lula arremataria duas. Pagando com o caixa dois, óbvio.

Já que vendemos as salas, vendemos jazigos de cemitério, vendemos Arcadas, que tal vender curriculum de aluno para alienígenas? Não temos lista mesmo ! Bedéis foram aposentados! Tranqüilamente podemos enxertar nomes estranhos àqueles das listas originais do vestibular! Zé Dirceu, antigo aluno. (Ai o Mula não pode: todos sabem que ele fez senai). Os “heróis” fujões do Araguaia, antigos alunos. A Dilma, antiga aluna (e, nas horas vagas, assaltante de padarias). Faríamos assim uma nova História, a personificação da estória do Ali Babá.

Aproveitando também a grande liquidação, para os menos bem-colocados financeiramente, mas dispostos a serem abençoados com algo de franciscano, poderíamos leiloar cada pedra do Largo. Uma Simonia. Uma entrada para o reino dos céus.

Não, não e não. Se Harvard é a Faculdade mais nem conceituada no mundo da Commonwhealth, a São Francisco o é desse nosso grotesco mundinho do Direito Romano-germânico. Como tem muito franciscano, em seu eterno espírito de colônia, indo fazer a sua pós-graduação em Harvard, quer trazer de lá coisas que só cabem para lá. Nosso pseudo-capitalismo, mesclado com pitadas de feudalismo e emoldurado no rançoso obscurantismo inquisitorial católico não nos permite apenas copiar. Em Harvard, antigos alunos deixam suas fortunas como herança para o seu berço intelectual, em última análise possibilitador da primeira moeda. Uma reverência admirável como oferenda. Se isso ocorrer aqui, será uma verdadeira farra-do-boi. Há que haver o mutatis mutandis para tanto. E ele é o respeito à tradição na escolha dos nomes que farão as nossas vistas, de eternos alunos das Arcadas. Lá, os nomes dados são impregnados do ter. Aqui, nessas Arcadas, do ser. É a nossa História.

Luiz Gonzaga
AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII

Domingo, Outubro 11, 2009

Plantão Médico Extraordinário

Plantão Médico nas Arcadas
Noite de 15 de outubro de 2009

Escolhido aleatoriamente, o dia 15 de outubro verá acontecer um Plantão Médico no centro do Pátio das Arcadas. Não se trata de uma homenagem ao dia dos Professores, muito embora eles o mereçam.

Todos sabem que recentemente passamos por uma epidemia de gripe HI NI. A finalidade desse plantão é fazer a prevenção da Gripe HI XI, a Peruada!, que sabemos não é aquela porcaria da outra gripe. Essa gripe é originária do Peru, seus eventos e seus fiéis seguidores. O Peru nos vence primeiro no Grito. Por isso, queremos que todos possam segui-lo tranquilamente, sem quaisquer impedimentos burocráticos administrativos, tais como aulas, provas ou até outras atividades laborativas menos dignificantes. Que eles arranjem outro gaiato para servir o cafezinho.

Portanto, atenção! Você pode precisar.

Nim serviço de utilidade pública, relacionamos alguns principais sintomas da Gripe HI XI, a Peruada:

I - Ao contrário de todas as demais gripes, a HI XI - a Peruada - acontece em outubro.

I I - Apesar de durar apenas um dia, ela se fazer presente durante todo o ano. Uma sensação de ansiedade. Por isso, quando acontece, todos  gritam em uníssono: Peruada, oba!

I I I - Causa amnésia. Seja porque você não se lembrará de nada mesmo ou até um esquecimento conveniente. Essa a razão porquê só se fala da próxima Peruada. A passada já passou e restou apenas aquela perguntinha inconveniente: o que foi mesmo que aconteceu ali?

I V - Ocorre uma exacerbação de hormônios. Assim, toda a lascívia acumulada causará uma explosão incontida e você sairá por ai, fazendo coisas, por vezes inusitadas. Nesses casos, o melhor a fazer é cantar "deixa a vida me levar", e seja o que Deus quiser! 

V - A Peruada causa muita sede. Antes, bebia-se de graça. Hoje, o preço já não tem a mínima graça. Que não seja por isso. Não fique na sede. Beba muito líquido. Se não tiver, que seja em gel mesmo.

V I - Um espírito ecológico repentinamente se fará sentir. Os mais ávidos carnívoros, tornam-se vegetarianos. Um efeito interessante. Por isso, uma dieta rica em ervas faz muito bem e é recomendada. Essa sim, pode ser de graça. Ao chegar ao Porão, apenas inpire profundamente. Mas não pare por ai. Compartilhe.

V I I- A Peruada causa um odor característico, inclusive pelo grande número de afetados. Por isso, é comum encontrarmos muitos com perfume, que se lança desbragadamente. Aproveite. É um coadjuvante importante.

V I I I - Apesar daquele cheiro característico de aglomerados humanos, o pessoal não deixa por menos. Talvez até seja pelo perfume que se lança no ambiente. Uma tendência biológica mantém corpos bastante próximos, unidos, atados, colados. Interpenetram-se. Comum é ver casais trocando de cepas do vírus. Nem que, para isso, seja necessário sorvê-lo de onde estiver. Sabe-se que os mesmos se alojam por todas as portas de entrada do organismo. Se o próprio nome já diz que é de entrada mesmo, que se entre, então. Eis o lema. 

I X - Caso você ainda não esteja no clima, talvez porque esteja ainda desidratado. Beba mais. Ou pode ser porque foi pouco infectado e precisa de uma quantidade maior do vírus a lhe percorrer o sangue. Nesse caso, releia o item X.

X - Alguns lesados e alucinados podem até pensar: "já tive uma Peruada em minha vida  e  é o bastante". Cada qual pode pensar como queira, a gente reconhece e respeita. Mas, dessa vez você está definitivamente errado. Talvez não tenha contraído a HI XI como se deve. A Peruada causa uma dependência desconhecida. Tudo o que se sabe é que melhor que uma Peruada é só outra mesmo. Portanto, sugerimos que você compareça mesmo ao Plantão Médico. Para viver a Peruada. Depois a gente encaminha você para um psiquiatra. Relaxa! Algo de muito mal deve estar ocorrendo com você.
 

X I - Por essas e por outras que a Peruada é algo que é impensável perder. Se é que é uma doença, morra-se por causa dela. Por isso mesmo é que se montou um Plantão Médico. Para que você sobreviva e participe de mais uma epidemia. Mesmo que nada permaneça em sua memória, para contar para os netos. Eles que, se quiserem, sejam franciscanos também. Certo? 

AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Help!


O beatlemaníaco é xiita. Ele quer o que os Beatles fizeram, como fizeram e como quando fizeram. O tempo congelado na década de sessenta. Isso dizem os que costumam tachá-los, pejorativamente.

Sob a visão de um deles (de um beatlemaníaco, não de um Beatle), nada mais natural que isso. Afinal, só perduram pela genialidade do que fizeram, como fizeram e quando fizeram.

Certamente hoje, qualquer adolescente, aprendiz de guitarra, tocará melhor do que John Lennon. Porém, nem o hoje, do século XXI, nem qualquer outro século produzirá outro John Lennon.

Portanto, quando quero (e sempre quero) ouvir Beatles, reporto-me aos meus bons e velhos, porém originais, long-playings de vinil. Qualquer versão acaipirada, techno, hip-hop, zouk, ou o que seja, são puro lixo.

Palavras de um xiita.

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Sou essencialmente fundamentalista em relação às Arcadas. Pelo exposto acima, tenho prática nisso. E estou bastante longe daquele famoso adágio: “não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”. A razão, bastante também simples: busco as coisas que amo. E a elas dedico o meu amor, não porque as conquistei, mas porque busquei-as para amá-las. Uma lógica compreensível apenas a quem está acostumado a realizar sonhos.

Usando frase devidamente expropriada, posto que em domínio público: ser aluno das Arcadas é mais do que realizar um sonho. É viver um sonho. Sua insondável e inesgotável História está impregnada e se faz de uma grandeza ímpar, apenas comparável à grandeza da história individual de seus alunos, que farão a grandeza dela.

No Caminho de Santiago existe um monte, onde está, no topo de um mastro, uma cruz, símbolo do venerado percurso. Tal monte é composto de pequenas pedras. Pedras estas que foram depositadas, uma a uma, por cada um dos que ali estiveram.

Isto é Arcadas. O fundamentalismo franciscano fica por conta de aqui estar para apreender a sua grandeza para torná-la sua. E depois, ao construir a sua própria História, ser mais uma, nesse Jardim de Pedras. Fazendo parte Dela.

A analogia com os Beatles é apenas parcial. Para me imiscuir nesse sonho posso apenas fazê-lo ouvindo-os. Platéia. Aprendiz. De maneira xiita, essencial, fundamentalista, sorvendo apenas o mais puro original deles, tal qual viveram aquela mágica e misteriosa viagem, na qual fui passageiro (contemplado com um Ticket to Ride).

Para completar a analogia: ser aluno das Arcadas é como se, numa operação esdrúxula e surreal, pudesse eu me tornar um deles. Pois o real nome da Faculdade da História é Faculdade (da soma das nossas) História. Assim como cada pedra depositada no monte do Caminho de Santiago.

Por isso, para um franciscano fundamentalista toca o mais fundo do coração, ao ver passar meninos e meninas que vieram em busca da História da Faculdade. Não a encontrarão. Esqueceram de saber que lhes era condição vir apreendê-la para fazer a sua própria história, que seria dela. Aqui vieram apenas porque é uma escola muito-bem-paga-antecipadamente gratuita, que possibilita bons empregos e que é fácil passar de ano. Ah, e que aqui estudaram o Álvares de Azevedo, Fagundes Varella e Castro Alves!

Sairão dela como quem ouviu uma versão resmasterizada, adaptada, estilizada e “atualizada” de uma canção dos Beatles, em ritmo de forró, achando que conheceram a sua obra. Como diria o Batman: santa inocência!

Escrevo essas palavras ao tempo em que relançam, pela enésima vez, a coleção dos 13 discos dos Beatles. Agora estilizada, remasterizada, e o pior de tudo: “atualizada”. Para tentar acompanhar a genialidade daqueles fabulosos garotos, o cabalismo da data do lançamento: 9.9.9. Nove de setembro de 2009. Sem genialidades. A mim me lembra mais o espelho da Besta. Propala-se que, com as inovações tecnológicas, há melhora na qualidade, com eventuais correções. Desconsideram que a genialidade dos garotos fazia por superar, com o talento, qualquer inovação. Daí a maravilha da obra. Daí a permanência para todo o sempre.

Vivemos na Era do Replay. Mas com muita tecnologia. Isso sim! Obviamente comprarei a coleção. Mas, desta vez, apenas para constatar o crime que cometeram, ao corrigir as distorções geniais e propositais de Tomorrow never knows. Que Deus lhes perdoe. Não sabem o que fazem.

É garantido que, com um programa Autocad, pode-se projetar um monte muito mais belo e simétrico, naquele Caminho de Santiago, com as cores das pedras muito mais realistas do que a própria realidade. Não se duvida disso. Mas nada substitui aquele tosco pedaço de papel onde você esboçou, apenas com a ponta dos dedos, sujos de poeira e do próprio sangue, a visão do local onde você depositou a sua pedra, a compor o monte.

Por isso é que ser franciscano fundamentalista significa não apenas entrar para as Arcadas, mas ser parte integrante, atuante e criativo parcial de sua História. Aqui fica mais bem mais próprio o termo: XIita.

A consternação nessa lisérgica viagem analógica que faço, fica por conta de constatar a banalização dos genais garotos transeuntes franciscanos, tal e qual fizeram com a genialidade daqueles outros garotos, estes de Liverpool. É preciso torná-los assimiláveis ao grande público. Ao franciscano é preciso aparar as arestas da brilhante irreverência. É preciso banalizá-los, para que se tornem, tal e qual a manada subserviente, tão facilmente conduzíveis em sua passiva mediocridade.

Cruel a verdade daqueles versos: primeiro entram em seu jardim e lhe rouba uma flor... Esse foi o sentimento aflorado e germinador desses escritos: a implantação no Território Livre da bandeira que deveria ser da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas não é.

Sim. Primeiro, o Presidente do Povo providenciou a estratégica passagem das Arcadas ao domínio administrativo estadual. Depois tornou-se criatura da qual foi Criadora. Depois quiseram levá-la de seu berço esplêndido. Agora, fincaram a bandeira, possessivamente. Num depois, elegerão um franciscano para a gerência daquela. Franciscano esse não daqueles necessários, XIitas, fundamentalistas, mas um banalizado e “corrigido”. Depois, como não se disse nada, como nunca se disse nada, providenciarão a mudança das Arcadas para o Butantã. Franciscanos, que fizeram a História como atores, agora como mera platéia, estudantes de uma boa Faculdade.

E no Largo permanecerá um grande vácuo, vazio. Tal e qual o Ground Zero, depois do 11 de setembro. Talvez o prédio seja transformado em Museu. Exposto a visitantes curiosos, que nada enxergarão, além da beleza natural desse Pátio. Monitores contarão aos extasiados turistas com suas câmeras digitais sobre uma lenda que, nas sombras dessas Arcadas, existia o espírito franciscano que rondava por todo o prédio, iluminando cada aluno um brilhantismo muito especial. Certamente uma lenda apenas. Comprovado inclusive porque o espírito não saiu na foto. E sairão de lá felizes, acreditando que obviamente não existe mesmo nenhuma diferença entre aqueles Beatles intocáveis pelo tempo e os Oásis de hoje. E que franciscano é mesmo apenas um universitário como qualquer outro.

XI-h

AAArcadas, XI de setembro, CLXXXI

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Gente que tem que se acostumar com a derrota


Quando se opta por ser cronista franciscano, a coisa fica fácil: haja assunto, motivação, “inspiração”! Por exemplo: pucânus é (tem quer ser) acostumado a conviver com a derrota. Não é o mó legal? Conto:

Em um certo tempo perdido nesse diáfano manto que encobre os CLXXII anos de nossa pura e entusiasmante História, tivemos nós que acionar judicialmente aqueles perdedores contumazes. Isso porque tivemos o nosso sagrado direito ameaçado por uma pretensão resistida deles, em acatar humildemente a grandeza da Gloriosa Arcadas.

Julgada a demanda em primeira instância, é óbvio ululante que vencemos. Inclusive e principalmente porque tínhamos o próprio Direito do nosso lado. Além disso, e coincidentemente, o douto Magistrado era, como sói acontecer, franciscano da gema.

Acostumamo-nos rapidamente a ser vencedores. Vide algumas lindas canções que entoamos também em Jogos. No caso de Pindura bem-sucedido, na Delegacia encontraremos quem, como Delegado? Claro, um pucânus. Parece que está no sangue deles, talvez até no DNA esse silogismo aristotélico: se és pucânus, serás um delegado. Estranho. Com os avanços da decodificação genética talvez um dia encontremos uma resposta plausível para isso. Sendo por determinação molecular ou não, essa é a realidade real: na Delegacia, o delegado será um pucânus.

Convivemos também com diversas realidades outras. Tais como tropeçar em nossos pares da fmuhh, quando vamos licenciar o carro. Em lojas de sapatos, encontramos colegas de franca. Mack-orelhas parece que se afeiçoam em preencher vazios, deixados por franciscanos. Assim, ele será efetivado quando você, franciscano, optar por procurar coisa melhor. E assim por diante. É a vida!

Voltando das minhas divagações, à ação: sem o mínimo critério jurídico de avaliação de admissibilidade, condição de ação e outras delongas mais, não é que os ditos então entraram com um Recurso? Valha-me Deus, como são ousados os caras!

Passados alguns bons tempos, eis que chega o tal Recurso, às mãos do digníssimo Desembargador Relator. Obviamente, franciscano. Avaliados os pressupostos de admissibilidade processual da coisa, além do preparo, eufemismo dado ao pagamento necessário, seguem então os autos para a votação dos três desembargadores. Ah, sim, franciscanos, com certeza. Esperava o quê?

Após as acuradas ponderações, a votação final. Por três votos a zero, unanimidade, a rejeição do Recurso e o arquivamento do processo. Resultado semelhante àqueles que a gente costuma ver nas quadras e jogos, nos decantados Jogos Jurídicos. Por analogia e equidade. Um princípio geral do que é direito, digamos: vencemos.
Esses foram os fatos.

Acontece que temos que reformar um antigo adágio popular: “caiu na boca do povo!”. Agora dizemos: “caiu na net. Danou-se!”.
Foi o que aconteceu. Acabamos por receber uma mensagem de origem desconhecida, relatando os desencantos com a vida de pucânus. O que contrasta diametralmente com a alegria e orgulho de ser franciscano, claro.

O pitoresco fica por conta do texto enviado (que transcreverei apenas nas partes mais hilárias, sem entrar no mérito do porquê eles se tratam de “queridos”, mandam “beijos” e etc. Enviados?) por quem cuidava do caso aos seus diletos colegas:
“Queridos, (que é que é isso, minha gente!)
Cheguei ha pouco do Tribunal, ...pela nossa Gloriosa (?!) em face da decisão que julgou procedente a Ação proposta... (e ganha, aliás)
Com pesar, informo que foi negado provimento ao nosso Recurso por 3 votos a 0 ( e se eu estivesse no msn poderia assim me expressar: HUEHAUEHAUEHAUEHAUHAUEHAUAê!)
... O Relator Franciscano (claro! Mas gostei do respeito. É com maiúscula mesmo!) negou provimento, sendo acompanhado pelos seus colegas de turma (e de Arcadas também...).
Entendo que nos resta apenas aceitar a falhabilidade da Justiça (eita, pucânus! Anota aí: falibilidade).
Aceitar, sobretudo, que a derrota é algo comum (??????????!!!!!!!!!!!!! Fale apenas por você, pucânus. Dê-lhe o msn again: huauhsuahsuahsushsuahauashsueh!!!)
Eu nunca vi um recurso de apelação ter sido julgado tão rapidamente! (claro, né, pucânus! A Justiça é cega, mas não é coxa).

mimi-neiro
(puto por ter ficado na sala de julgamento e ter visto a comemoração dos Franciscanos). (é assim mesmo. Vivemos de comemorações! Nossa vida é uma eterna Peruada).
Beijos (?!?!?!)”
As minhas intromissões fiz entre parêntesis. Não dá pra 'guentar, né?
Outro prá vocês!

Luiz Gonzaga XIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXI AAArcadas, XI de agosto, CLXXXII

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Franciscântico

No blog de poetas-ecroto

http://apennix.blogspot.com
Franciscântico

Onzaga
Um fundamentalista em Arcadas

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Brasília é a nossa Neverland

Inspirado no Deputado que construiu o seu castelo, o PT arrematou e comprou TAMBÉM a Neverland, já que o Michael Jackson parou de fazer cirurgias.

Lá serão instalados o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. O Mula, em sua suprema sapiência, vê a possibilidade de grandes melhoras em seu contato com a realidade brasileira. A primeira delas, e a mais óbvia, é que ficará bem longe desse povinho que quer ficar sabendo de tudo o que eles arquitetam por lá. Um tédio isso! Além de ser uma grande calúnia! A segunda é que, aproveitando as mudanças do Acordo Ortográfico que nada acordou, serão feitas algumas mudanças nos nomes das nossas mais democráticas instituições.

Tais alterações são oportunas e necessárias, tendo em vista a adequação no tempo. Montesquieu já era! O negócio agora é o Mulismo!

O Poder Executivo passa, por Ato Institucional, ops!, por Medida Provisória, ops!, por Lei, a se chamar SEINADA. Muito embora essa evidência tenha iniciado no primeiro dia do primeiro mandato. Portanto, nem adianta ficar querendo saber de nada. O próprio nome da Instituição já lhe dá a resposta. Deixa o Mula trabalhar! Depois da cirurgia e tratamento para trocar a cor da sua pele “ideológica”, tem muito a fazer. Principalmente depois que agregou o Departamento de Compras as suas funções. Começou comprando votos de metalúrgicos, depois de funcionários públicos, depois de “artistas” (ou autistas, não sei direito), depois intelectuais. Após algumas cirurgias espíritas para adequar o perfil, foi eleito. Passou então a comprar os miseráveis e depois o Congresso. Aos empresários e estrangeiros não comprou. Apenas liberou. Ufa! Mas continua na labuta, visando a amealhar votos para se tornar o Imperador do Mato Virgem. Sempre negando isso, claro. Por isso, a capital em Neverland. Com a vantagem da mudança de direção, que o Mula não molesta criancinhas. Elas não votam. Assim, como um segundo “Pai dos pobres”, pretende assumir vitaliciamente o trono.

O Congresso Nacional passa, com o Acordo, a se chamar Compreço Nacional. Dado que alteração é homofônica e não homográfica, a regra é que se pronuncie tonicamente o “pre”, feito aos nossos compatriotas ultramarinos, pré. Tal adequação demonstra claramente a entrada oficial, no século XXI, do País no Capitalismo, iniciado no século XVIII. Do País, não. Na real, continuamos na Idade Média, no Feudalismo. Continuam em pleno vigor a vassalagem, a corvéia, a mão morta, as banalidades e etc. Claro está que são recursos que no Compreço também continuam vigorando, sendo o Capitalismo apenas adicionado a elas. O Escambo é recurso largamente utilizado. Mas se não der acordo, já que somos agora adeptos do Capitalismo, compra-se. O quê? Ora, compra-se tudo. O ser a favor, o ser contra, o abster, o ser oposição. Compra-se quem? Ora, todos, não?

O Compreço Nacional, apesar das adequações temporais e algumas alterações ortográficas, continua com suas duas Casas. Uma de Repouso e outra, um verdadeiro Prostíbulo.

O SONADO, instituição proposta pelo ultrapassado Montesquieu, devidamente atualizado e adequado às práticas atuais, é o representante do gigante povo adormecido brasileiro. Como uma legítima instituição democrática, modelito terra brasilis, seus membros não são eleitos por esse negócio ultrapassado de voto e vontade popular. São Suplentes, dos Suplentes, dos Suplentes de alguém que nunca esteve, hipoteticamente, no Amapá, mas sai candidato por lá. Melhor, cãodidato. E lá se implantam como se fosse a sala de estar de sua casa, ou melhor, terminal eletrônico bancário, e montam ali um balcão de negócios. O seu próprio bolso da esquerda, antes vazio, agora é fartamente preenchido com o dinheiro do Estado, como se fosse o seu bolso da direita. Mada mais natural que isso.

A DEPUTARIA congrega os Deputados. Como bem declara o nome da Instituição, conforme a nova ortografia, será ali erigido um monumento monumental à Patrona, Mãe Joana. A Herma do Ruy Barbosa será fundida e vendida como escória reciclável. Claro que superfaturado, para a empresa de algum apaniguado. Cansados de serem conhecidos como representantes do povo, querem agora ser representantes do Estado. Que a sua eleição seja patrocinada com os cofres públicos. Ou seja, além de engabelar você, surrupiando o voto, isso será feito com o seu dinheiro, caro eleitor. Com isso, será possível repassar a integralidade do caixa dois, que continuará óbvio vigorando, para outras contas. De preferência em outros países mais promissores, embora pequenas ilhas. Ali funciona também a Bolsa de valores, negociando Ações Escusas. O modus operandi utilizado para ser eleito é uma verdadeira Corrente da Felicidade. Você também, qualquer brasileiro, pode ser candidato. Desde que adquira, a preços módicos, uma franquia em algum dos “n” partidos políticos. Com o seu direito a candidato comprado, você empurra o de cima da Lista. Se tudo ser certo e nada der errado, um dia você também se elege, conseguindo ser aceito nessa boquinha. E será feliz para sempre.

O povo? Ora, o povo que coma brioches!
Povo, que aliás e finalmente, também foi contemplado com a mudança ortográfica, assim como o território nacional. Este passa a se chamar Picadeiro e aqueles, Palhaços. Mas com o sagrado direito de sair por aí, com faixas pela Avenida Paulista, exigindo honestidade, moralidade, estado democrático e tantas outras inócuas palavras bonitas e de efeito. Mudar não muda nada, mas que pode espernear, pode. É divertido.

Luiz Gonzaga
Arcadas, XI de julho, CLXXXII