Sábado, Fevereiro 06, 2010

Franciscântico

                                                                                       Na Sanfran, a Paixão fica na frente

(Águas de Março - Tom Jobim)

É verso, é trova, é Fagundes Varella
É Semana de Artes, é um pouco de tudo
É o Calouro, é a BAISF, o Direito
É o Pátio, é o Porão, é o Largo, é o Hall
É o futuro agora, é o passado amanhã
É o peru, Peruada, é o MMDC
É a Revolução, é Constituição
É Dom Pedro I, é o Oswald de Andrade
É o dando Pindura, é um fim-de-carreira
É o beck, é o FICA, é toda quinta-feira
É a Filosofia, é conversa fiada
É a História inteira, não me lembro de nada
É o FEMA, é a Récita, é o cochicho na escada
É a taça na mão, Castro Alves, Poesia
É uma grande Amizade, uma grande Alegria
É a Loucademia, é Primeira, é um novo partido
É os Jogos Jurídicos, é DJ, é o fim da picada
É uma mente brilhante, é um pouco esquisito
É um dom, é um prêmio, é uma rixa, é um maluco
É um deus, é o Túmulo, Batizado na Sé
É a luz do Amanhã, Carruagem de Fogo
É um bigode, é um dia, é um corpo estirado
É um ano inteiro, é sombras das Arcadas
É um caso contrário, é um eu sou mais eu
É São Paulo, é Brasil, é o mundo num grão
É o “XI de Agôsto”, Álvares de Azevedo,
É isso a São Francisco, essa é a Sanfran
É o pulso da vida tomando o seu coração.

Onzaga
um franciscano fundamentalista

Sábado, Janeiro 30, 2010

Deus me Livro!


Estava para postar um bem-humorado texto no blog, nominado “o Vampiro das Arcadas”, quando recebo uma notícia que foi um verdadeiro banho de sangue frio, digo, água fria no meu animus jocandi: o digníssimo senhor ex-diretor da Faculdade do Largo de São Francisco e atual reitor de outras paragens, depositou os livros da Biblioteca ao relento, no meio da chuva, no Pátio das Arcadas. Como se fossem entulho. Lixo mesmo.

Há quem não creia em premonição. Just like me. Nem em bruxas. Deixemos de lado então a outra estorieta sobre vampiros. Vamos a esta, tão mais real e premente.

Monteiro Lobato, um franciscano, escrevia: uma Nação se faz com Homens e Livros. Este outro franciscano aqui, complementa: em não havendo mais os primeiros, para que os segundos?

Atos humanos são recheados de símbolos. Ao interpretá-los, geralmente conseguimos atingir o âmago da verdade dos fatos, suas causas e origens. Fatos são fatos, não usam símbolos. Estes são mera criação humana.

Por isso, fica fácil depreender razões do porque livros são tratados como entulho, verdadeiro lixo, imprestáveis. Estamos no País que elegeu um analfabeto para Presidente. Analfabeto por pura opção. Que não é o caso da mãe dele e de milhões de outros brasileiros: segundo sua própria declaração, sua mãe já nasceu-lhe analfabeta. Isso porém ocorreu e ocorre como a um câncer social. Não é uma opção ao indivíduo, mas um carma. Grilhões de dificílimo desvencilhamento. Eu que o diga.

Já para o dito cidadão, Imperador do Mato Virgem, seu analfabetismo, sua inguinoranssia lhe serviu de plataforma política, estandarte real do seu povo. Ai, que preguiça! Tão real que foi eleito por uma maioria incontestável. Tão real que sua aprovação atinge níveis históricos não só nacionais, mas mundiais. Realmente, um digno e ignorante representante do seu ignorante povo. A inguinoranssa abarca milhões de dipromados também.

As Arcadas, cantada e decantada ilha de excelência intelectual e humana, fez a sua magnífica História não pela beleza do seu prédio, realmente belo, nem por decurso de prazo, pelos seus CLXXXIII anos de existência. Sim, porque, nesse nosso Brasil acima descrito, algumas coisas se tornam boas por antiguidade, realmente por decurso de prazo. Ai está o Jorge Benjor para comprovar o que digo. A excelência das Arcadas se fez por seus alunos. Que são pessoas do povo, por óbvio.

Mesmo essa blindagem de excelência mostrou-se insuficiente para impedir que até as Arcadas fossem atingidas por nefasta amostragem de nossa população inteira que elegeu e aprovou a criação do País Lula. E parece que eles almejam adentrar por esse Pátio com o fito único de desmerecê-lo, de rebaixá-lo, de vulgarizá-lo, de neutralizá-lo. De destruí-lo, enfim. Qualquer coisa que se pareça com excelência em qualquer coisa se torna nociva, no País da incompetência plena e instituída e do povo que privilegiou a ignorância, colocando-a num pedestal a ser ostentado, são coisas que precisam ser anuladas, destruídas. Nesse Brasil, tão carente de excelências, parece que as Arcadas se transformaram então em alvo único. Confesso que tentei em vão relacionar as outras excelências que temos. Não saí do número um. Da Número Um. Infelizmente única. O orgulho de ser parte Dela misturou-se à frustração de não poder continuar a lista. Não, eu não inclui na lista que somos campeões em futebol, que nossas praias são lindas, que as brasileiras têm as bundas mais lindas do planeta e nem que somos o País do futuro. A abordagem era outra.

Por isso, livros serem agora lançados ao relento é algo absolutamente coerente. Para que servem ?

Nos meus primeiros anos escolares, o que mais se ouvia, de professores, pais, adultos, a título de estímulo e motivação enfim, era que crianças precisávamos estudar e ter conhecimento. Com eles poderíamos até chegar a ser Presidentes da República, se quiséssemos! Por isso o Livro era símbolo, sempre os símbolos, do conhecimento e do acesso à oportunidade. E que essas eram a verdadeira riqueza: o conhecimento e o acesso à oportunidade. O resto são apenas vaidades...

Essa, a razão da indignação. Presenciamos uma realidade vil e desprezível. Por certo que hoje, a mais brilhante das franciscanas não obterá o êxito e o sucesso que a Geizy, da Uniboa obteve. Esse é o País Lula, o que não precisa, o que despreza livros. Que pretende mudar a letra do Hino Nacional, porque é “muito difícil”, ao invés de letrar a todos, incluindo os candidatos à Presidência, para que as palavras não lhes pareçam monstros. Existe comunicação além do “eae, cumpanhero?”. Que pretende implantar nas Arcadas cotas de insuficientes intelectuais, ao invés de preparar-lhes melhor o intelecto para que estejam aptos à Ela e a todas as outras coisas que quiser se capacitar a atingir. Não via fraude, mas por meritocracia.

Nesse indefectível País que cultua a ignorância, Tradição nada vale, pois que tradição é cultura acumulada e transmitida. A Ignorância é intransmissível. Tenho ainda que ouvir que, dos livros lançados ao relento, metade são imprestáveis, pois que ultrapassados e antigos. Isso dito por alunos das Arcadas, acredite se quiser e puder. Certamente são mesmo a escória, amostragem franciscana do brasileiro que entronou o Imperador Lula, o Mínimo. Filósofos gregos afirmavam peremptoriamente que o átomo é indivisível. Nem por isso seus escritos foram jogados ao lixo, nos escombros de Hiroshima e Nagasaki. A evolução do conhecimento é aditiva, não alternativa. Árabes, ditos bárbaros e fanáticos ignorantes, destruíam tudo que fosse cristão. Exceto suas Bibliotecas e Universidades. Hitler, erigido à anti-cristo, destruiu Paris. Mas o Louvre permaneceu intacto.
No Império do Mato Virgem, os livros das Arcadas são jogados ao lixo. Deus, onde estás, que não respondes? é alusão pertinente, desesperadas palavras de um outro ilustre franciscano

O valor dos livros da Biblioteca da Faculdade do Largo de São Francisco vai além da pequenez de serem fonte para alunos fazerem as próximas provas ou fundamentarem suas Teses de Láurea. Eles são prova da excelência das Arcadas, fundamentam a sua Tradição e testemunham a sua gloriosa História. Não são importantes porque a Faculdade é tombada. Tombamento não se aplica às Arcadas.

Tombamento é uma inútil tentativa humana de congelar no tempo feitos e glórias passadas, por falta de feitos presentes. Gregos ainda cultuam seus faraós e pirâmides; portugueses ainda aguardam Dom Sebastião, deleitando-se com os recentes versos de Camões e as peças de Gil Vicente; ingleses ainda se bronzeiam sob o Sol que nunca se põe em seu vasto espectro de império. São saudosistas de glórias passadas e faz-lhes bem tentar congelar o tempo. Mesmo sabendo que inutilmente.

Mas a magnífica História das Arcadas não é algo tombado, congelado no tempo e que nos torna saudosos dela. Sua História é algo presente. Não só a cultuamos, mas a vivemos, compomos diariamente mais uma página dela. A despeito da infiltração nela de cidadãos desse execrável País, que se utilizam do conceito de excelência das Arcadas para galgar degraus e atingir poder suficiente para destruí-la, por ser símbolo de um Poder maior.

Fica explícito então que escrevo aos que não lançam livros ao lixo. Muito menos aqueles da Biblioteca da Faculdade. Muito menos as Arcadas. Por isso estou certo que falo a poucos, posto que a população do País Lula mostra-se imensa. Para que não permitam a insanidade e protejam nossos livros. Das intempéries e da ignorância. Pois, conforme uma famosa poesia, já permitimos que estranhos se apossassem do Pátio; hoje eles lançam nosso livros ao lixo. Amanhã você será convidado para o re-re-re-lançamento da pedra fundamental da Faculdade de Direito no campus do Butantã. E ai então a Faculdade do Largo de São Francisco estará realmente tombada, transformada em Museu, com suas glórias apenas passadas e ambos apenas seremos, você e eu, saudosos de um tempo que já não existe mais.

Luiz Gonzaga
Arcadas, XXX de janeiro, CLXXXIII

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

O Estado é nóis!





Nobody told me 
There'd be days like these...
(John Lennon)



É preciso viver a vida! Viver cada dia como se fosse o último. Diz o ditado: um dia você acerta.


Por isso, preparei-me gentilmente para ir à festa. Não pode ir muito tarde, porque o Kassab mandou que os bares fechem até à uma da manhã. Mas também não dá prá ir muito cedo, porque o Serra só deixa você circular de carro, depois das 20 horas. Isso porque ele circula com carros oficiais, dos mais variados.


Espremido entre os horários, pego a Imigrantes. Estrada ótima, mas só pode ir até 90 km/h, senão leva multa.  Depois, em ruas mais estreitas, poder-se –ia até tirar a diferença. Caso não houvesse lombadas eletrônicas, onde a gente é multado a 40 km/h.


Por isso tudo, pretendo avisar os amigos que não chegarei tão cedo, ma s não posso não. Se usar o celular dirigindo, lá vem mais uma multa. Uso então os meus incríveis dons telepáticos, mas em vão. Talvez, para uma sexta à noite, até o éter esteja congestionado. Nem mesmo uma linhazinha cruzada com alguma disponível à esta hora da noite. Nada.

Depois de tudo, consigo então chegar à Vila Madalena. Fica difícil encontrar o lugar, já que o Kassab mandou retirar todos os cartazes, letreiros, outdoors e etc. Fico pensando se ele fosse candidato a Prefeito em Las Vegas ou Nova Iorque. Can you imagine?

Deduzi então o endereço. Procuro estacionar o carro. Mas cadê vaga? Se eu fosse, como sou, afro-descendente poderia pleitear uma cota para uma vaga ou algo parecido. Mas, não. Caio na mão dos flanelinhas, que cobram a bagatela de 30 “cruzeirinhos”, para estacionar na rua. O valor se refere à compra da isenção a que eles não depredem o carro. Ou o furtem.

 Entro no dito bar, após uma longa fila para pagar 20 pratas prá entrar. Finalmente encontro os amigos. E esse é um momento de alegria. Feitos os cumprimentos e as festas habituais, vamos ao bar. Outra alegria: uma cerveja. Cinco reais, mas tem que pegar com um guardanapo. Não para não molhar a mão. Para não queimar os dedos, já que a dita cuja está quente. Penso até que ela seja vendida quente, porque a gente nem pode beber. Na saída tem um bafômetro. Conseqüentemente com uma multa. Grande Kassab!

Depois de uma cerveja, claro que vem um cigarro. Não, não pode. Fumante virou criminoso, bandido, marginal e persona non grata. Como todo antigo fumante, o Serra é um atual chato. Mas, como virou governador, adquiriu o direito de institucionalizar o chato do ex-fumante. Cadê os direitos das minorias? Se quiser, tem que sair do bar. Fumar, só na calçada. Agora elas estão vazias, porque o Kassab proibiu os bares de colocar cadeiras nas calçadas. Como paguei para entrar, ganho um belo carimbo no punho e um segurança me conduz, por uma porta lateral, à gloriosa calçada. Não a calçada inteira, lógico. Com uma corda, fizeram um chiqueirinho para os detestáveis fumantes. Cerca de dois metros quadrados. Como tinha cerca de trinta pessoas ali, imagina-se a maravilha! Nem mesmo em  presídio dos piores que há por ai a concentração humana é maior.

Já a cocaína, crack, ecstasy e outras drogas mais leves, isso pode. Estão até providenciando para que traficantes seja descriminalizados. Para facilitar as transações, claro. Fumar cigarros , não. É out!

Volto então, para as mesas ajuntadas dos amigos. A essas alturas, não havia mais cadeiras. Peço uma ao garçon, que diz que vai providenciar. Volta com uma banqueta com três pernas. Uma das quais está bamba. Prefiro então permanecer em pé.  

Já que não posso beber mesmo, decido brilhantemente por uma Coca-cola. O garçon me informa então que só tem Pepsi.

Desisto! Despeço-me dos amigos e retorno para casa, pela pista da direita. A 30 km/h. Que devo reduzir, já que tenho que parar. No pedágio.

Puto da vida como estava, o melhor lugar a me dirigir, seria naturalmente a um puteiro. Mas o Kassab é mais chegado ao quibe do que à esfiha, como todos sabem. Portanto, deu-se ao direito de fechar os puteiros. Na vã ilusão de diminuir a concorrência, talvez. Caso nossa próxima prefeita seja lésbica, a regrinha passará a ser muié cum muié ? E nosoutros aqui, como é que ficamos?

Fico então pensando, já que a isso posso recorrer, sem medo de ser multado ou impedido: caso o próximo governador seja vegetariano, seremos todos condenados a morrer comendo apenas alfafa e coentro? Comer carne será proibido e sujeito a multas?

Se a nossa próxima presidenta, que era assaltante de padarias (e continua carreira, mas em Brasília), conseguir usurpar o trono, seremos proibidos de ser honestos?

Na Era Mula institucionalizou-se a ignorância. Nesse reinado do Imperador do Mato Virgem o que é Direito não vale um dedo mínimo. Já que um analfabeto apoderou-se do Planalto, qualquer um se dá ao direito de dizer o que bem entende e é dado como certo. Nos tempos da boa e velha Medicina, Pneumonia era causada por um bichinho chamado pneumococos. Hoje quem provoca pneumonia é o cigarro. Está escrito nos maços de cigarros. Pode?

Noutros tempos, o dedo do rei era a medida oficial do reino. Mas isso era um regime absurdo de absolutismo da vontade de um ou de uns poucos. Então inventaram um estado e apelidaram de democracia. Passou-se então para o reinado da vontade geral. Legal, muito legal. Mas no Brasil, peculiarmente, como sempre, passamos de um “O Estado sou Eu”, para um “O Estado é nóis!”.  


Diante de tudo isso, peço encarecidamente a você: caso queira me convidar para a sua festa de aniversário, avise-me com antecedência. Ofereço gentilmente a minha casa e pago a sua festa. Sairá mais barato para o meu bolso e muito mais para a minha paciência. Mas só que terá que ser à tarde. Porque às 22 horas começa a lei do silêncio. E seremos multados.

AAArcadas, XI de dezembro, CLXXXII


Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Salas

Sábado, Outubro 17, 2009

... e Peruada? Obas!





Quis Deus, o Destino ou a Comissão de Pós-graduação, que a Lista de Aprovados no Mestrado das Arcadas para 2010 saísse exatamente no dia da Peruada. Obassss! Assim, esse breve relato será com o tom esfuziante de um novamente feliz calouro. Eterno aprendiz. Mesmo sendo a VI Peruada. Dessa maneira, quando se ouvir por ai o “assim falou o Mestre”, agora poderá ser verdade.

Acontece que jornalistas continuam com problemas com números. Contaram 1100. Seria problema de óptica, apesar das fotos? Seria problema de cotas? O certo mesmo é que estavam errados. Éramos, no mínimo, 1108. Muito mais do que 1827. Penso que eles contaram foi o número de policiais. Ai sim, tinha mais que isso.

Para vigiar uma comemoração de franciscanos, enaltecendo a Amizade e a Alegria, não seria preciso tantos. Quando a quadrilha MST invade propriedades por esse Brasil afora, nunca tem tantos policiais. Nem mesmo Polícia tem. E, quando chamam o Choque, eles reclamam. Não é muito estranho isso? Quando na mira das lentes da TV fazem cara de coitadinhos e reclamam da truculência. Só porque eles querem invadir, roubar e matar, chamam a Polícia! Isso é autoritarismo da direita reacionária, só pode ser!

Reinava, como sempre, um clima feliz de Peruada. Se é que se pode chamar uma fina garoa de felicidade. Ainda bem que ela foi rapidinho embora. Parecia até os comunistas, com suas camisetas vermelhas. Chegam e dão uma avaliada. Como não dá prá conquistar votos em meio aquela fuzarca toda, deixam alguns “embaixadores” e vão-se embora. Não podem fazer o feio de não comparecer à nossa maior festa. Permanece apenas o capovis. Ah, isso tinha bastante! Contabilizei ali bem uns cinquenta votinhos que comunistas depositaram em suas suadas urnas, para a eleição do XI. Ainda bem que, mesmo assim, mesmo dando, ainda não vai dar. Ô sorte!

A Peruada é o exercício da Arte do Reencontro. Gentes que não vemos com tanta frequência desfilando pelos corredores das Arcadas, a gente encontra exibindo suas grotescas fantasias na Peruada. E, se até mesmo Deus ou o Diabo não são unanimidade, a recepção varia conforme o gostar de cada um. Têm os que desviam os olhos, tem as meninas que parece que temem uma roçadinha em público, tem aqueles do apenas “eae?”. E, claro, aqueles cujo reencontro é uma festa, de destilada e pura Amizade e Alegria. Tem inclusive alguns franciscanamente exagerados. Fazendo rápidas contas, parece que são mesmo XI% de Amizade e Alegria.

Os restantes 89%, atribuo a uma pucanice desvairada, descontando comunistas que de mim não gostam, gratuitamente.  Eu, que lhes quero tanto bem, repudio apenas suas idéias canhestras. Suas pessoas me são caras, por serem franciscanos, tal e qual. Só porque não gostamos que nos traiam e à confiança de todos ? Só porque não queremos que entreguem as Arcadas nas mãos de invasores? Só porque achamos  que existem meios mais honestos e dignos de arranjar emprego de assessor de vereadores–suplentes do que querer tomar o XI para conseguir apenas isso? Só porque corrigimos os seus textos, cheios de imprecisões e erros mesmo? Só porque achamos que a sua Carta-programa é pior  que o da Hebe? Só porque farejamos um comunismo de fachada e griffe (e cobertura nos jardins)? Só porque queremos a São Francisco para os franciscanos? Por ter eterna alma de calouro, desgosto de vê-los ludibriando a meninada? Porque sentimos a má-fé na “brincadeirinha” de lançar a idéia do “trote diferido” entre os quintanistas, fazendo surgir, quem sabe, alguns votinhos? Não. Mas é só comigo a mal-querença. Eu, que sempre lhes reservei espaço-VIP na A LATRINA? Mas eles não têm paciência comigo!

Como um deles, ao se aperceber da minha presença, começou a cantar alegre, mui  alegremente: “vai, vai, vai, o Gonzaga vai embora!”. Não é uma graça de criatividade? Eu achei. Mas achei também que denunciou a sua alma comunista. Eles são sabem e nem querem saber o que se passa realmente nas Arcadas. Querem apenas tomar o XI e nada mais. Ou melhor, para entregá-lo, num depois, para o DCE, MST, Gaviões da Fiel e quetais. Aquele marquistóide alienado e lesado não sabia de nada. E nem sabia agora como vou gonzagá-lo: vão ter que me engolir por mais três anos! Tudo bem que engolem (ou cospem) numa boa, embora demonstrando certa relutância...

Parem tudo que parou a música! Por que parou a música ? Por que parou? Pronto, pronto, já voltou!

Em frente à Câmara, o discurso de sempre, desgastado de sempre, inútil como sempre. Mas, tá valendo! Da peruada, como manifestação político-circense-etílica fico com o etílico, que desce mais suave.

E um impagável e crescente scrum, em pleno Largo? São coisas de coisas que vou dizer uma coisa!

Além disso, as calourinhas que queriam saber se eu era mesmo real, de verdade. Deixei-as à vontade, para demonstrar que sou inclusive palpável. Argumentei filosoficamente que penso. Logo, existo. Com isso elas abaixaram também a guarda. 

Após a passagem pelo Largo, deixo apenas imagens, impressas digitalmente. Sem palavras. Deixo o link para quem quiser saboreá-las. Outras tantas mais, impressas apenas na memória, já que eu mesmo perdi o link com a realidade das coisas. Ficaram na Peruada.


XI-H
AAArcadas, XVI de outubro, CLXXXII

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Arcadas, século XXI: compre a sua sala




Marcelo Tas, apresentador do CQC, foi o primeiro entrevistado do Roda Viva do XI. Para quem não sabe, o “programa” foi devidamente expropriado em sua forma, daquele feito pela TV Cultura. Quando estava sentado em sua cadeira giratória, no meio do palco, no meio do Pátio das Arcadas, antes de iniciar o “programa” em si, deu vários giros, admirando aquele visual ímpar. Quando parou, com a mão segurando o queixo, fez um comentário, quase que para si mesmo: isso aqui é de uma magia sem igual! Apenas ouvi porque estava sentado ali, a sua frente.

Todos sabem que essas Arcadas são motivo da visita diária de uma infinidade de pessoas que aqui vêm para contemplá-las, tirar fotos para a posteridade e também para contar vantagens por aí. Cada franciscano, em seu primeiro dia, e esse a gente jamais esquece, sabe o frio na espinha que sentiu, ao se saber agora “um deles”. “São agora também minhas essas Arcadas” é a típica frase, talvez a primeira, a inflar o ego de cada calouro, iniciando por torná-lo, o ego, muito mais largo que o Largo. Não sabemos ao certo se alma tem forma. Mas, se tiver, a do franciscano é em forma de Arcadas. Disso eu tenho certeza.

Cada uma dessas Arcadas tem o seu nome. E o nome está lá porque foi aluno dessa Academia de Sciencias Jurídicas e Sociaes. E que, num depois, foi homenageado, por algum feito, ou pela vida toda, tendo ali eternizado o seu nome, postumamente. O caminho dos atuais alunos é pavimentado e ladeado pelos antigos alunos, qual a lhes dirigir os passos.

Assim como cada uma das salas da Faculdade, leva o nome de algum aluno ilustre. Sabidamente, são muitos os alunos ilustres e poucas as salas. Por isso, escolha dos nomes a serem homenageados se cristalizava pelo tempo. Nos últimos dez anos, apenas duas: Thomas Marky e Miguel Reale. Não se encontrará em qualquer estatuto, norma, portaria, regimento ou o que seja, critérios para a escolha, ou competência para tanto. Todas as infindáveis Tradições da São Francisco são feitas de maneira consuetudinária. Nada é positivado. Muito embora cada uma delas seja seguida como se fora uma cláusula pétrea.

Todo esse contexto ocorreu ao longo dos 182 anos de memorável História, sempre dentro de um espaço físico definido e imutável. Nos dias presentes, com a ampliação física da Faculdade e também com a bem-vinda prática de doações financeiras para a ampliação e modernização, tem-se um inédito problema: quem dará os nomes às novas salas? Quem pagou pela sua criação ou reforma? Quem o mecenas indicar? Quem o santo Diretor indicar? A Congregação? Quem os alunos indicarem? Quem, quem, oh, meu São Francisco?

Sabe-se, de longa data, que franciscano polemiza até sobre a previsão do tempo. Com os nomes “saláveis” não seria diferente. Surgem então as mais profícuas defesas, os ferrenhos ataques, as adesões, os conchavos, etc e tal. Apenas para condimentar mais o tempero, não custa lembrar que as Arcadas foram criadas para serem a Inteligência brasileira e disso fez-se a sua Tradição.

Reverenciando então a Tradição, com a peculiar Inteligência, tal impasse parece resolver-se com a única solução: a sala deve mesmo conter uma “micro-placa” indicativa do mecenas, benfeitor da obra. Nada mais justo. Porém, o nome da sala é de competência exclusiva da “comunidade franciscana”, abrangida por alunos, professores, Congregação e tudo o mais.

Qualquer solução fora dessa vai levar as Arcadas a se transformar em um balcão de negócios, onde “pagou, levou”. Isso é inadmissível. As Arcadas nunca foram um local para auto-exaltação. Exceto entre os alunos, mas isso já é lá outra história...

Se fôssemos criar uma faculdade de direito hoje, poderíamos buscar patrocinadores, com cada sala recebendo o respectivo nome.. Ficaria mais ou menos assim: Sala PT, que bancaria a sala e também a atividade dos forum da esquerda, entre os alunos. Sala McDonald’s, bancando uma sala e o Bandejão. Sala Johntex, bancando a Sala dos Estudantes e as Baladas. O Porão, patrocinado pelo Jack Daniels. Assim por diante. Uma verdadeira Faculdade Hall da Fama. Não existiria problema nenhum nisso.

Mas a Faculdade que temos nas Arcadas, anexa ao Pátio, ao Porão, à Academia de Letras tem uma Tradição e uma linda História. Que seja respeitada, então.

Aquele olhar de admiração daquele visitante, citado no início, é o mesmo que o nosso, não só no nosso primeiro dia como alunos, bem como nos demais de nossa inteira vida. Olhar de admiração, de contemplação. E de orgulho.

Se querem vender nomes de salas, pois muito que bem! Podemos também então começar a vender jazigos. Julius Frank lá está enterrado. Podemos vender um espacinho do Pátio prá mais alguém, que pague mais, claro. Um cemitério com a griffe Arcadas !

Podemos construir mais Arcadas, prá vender prá outros Presidentes também. Certamente o Lula arremataria duas. Pagando com o caixa dois, óbvio.

Já que vendemos as salas, vendemos jazigos de cemitério, vendemos Arcadas, que tal vender curriculum de aluno para alienígenas? Não temos lista mesmo ! Bedéis foram aposentados! Tranqüilamente podemos enxertar nomes estranhos àqueles das listas originais do vestibular! Zé Dirceu, antigo aluno. (Ai o Mula não pode: todos sabem que ele fez senai). Os “heróis” fujões do Araguaia, antigos alunos. A Dilma, antiga aluna (e, nas horas vagas, assaltante de padarias). Faríamos assim uma nova História, a personificação da estória do Ali Babá.

Aproveitando também a grande liquidação, para os menos bem-colocados financeiramente, mas dispostos a serem abençoados com algo de franciscano, poderíamos leiloar cada pedra do Largo. Uma Simonia. Uma entrada para o reino dos céus.

Não, não e não. Se Harvard é a Faculdade mais nem conceituada no mundo da Commonwhealth, a São Francisco o é desse nosso grotesco mundinho do Direito Romano-germânico. Como tem muito franciscano, em seu eterno espírito de colônia, indo fazer a sua pós-graduação em Harvard, quer trazer de lá coisas que só cabem para lá. Nosso pseudo-capitalismo, mesclado com pitadas de feudalismo e emoldurado no rançoso obscurantismo inquisitorial católico não nos permite apenas copiar. Em Harvard, antigos alunos deixam suas fortunas como herança para o seu berço intelectual, em última análise possibilitador da primeira moeda. Uma reverência admirável como oferenda. Se isso ocorrer aqui, será uma verdadeira farra-do-boi. Há que haver o mutatis mutandis para tanto. E ele é o respeito à tradição na escolha dos nomes que farão as nossas vistas, de eternos alunos das Arcadas. Lá, os nomes dados são impregnados do ter. Aqui, nessas Arcadas, do ser. É a nossa História.

Luiz Gonzaga
AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII

Domingo, Outubro 11, 2009

Plantão Médico Extraordinário

Plantão Médico nas Arcadas
Noite de 15 de outubro de 2009

Escolhido aleatoriamente, o dia 15 de outubro verá acontecer um Plantão Médico no centro do Pátio das Arcadas. Não se trata de uma homenagem ao dia dos Professores, muito embora eles o mereçam.

Todos sabem que recentemente passamos por uma epidemia de gripe HI NI. A finalidade desse plantão é fazer a prevenção da Gripe HI XI, a Peruada!, que sabemos não é aquela porcaria da outra gripe. Essa gripe é originária do Peru, seus eventos e seus fiéis seguidores. O Peru nos vence primeiro no Grito. Por isso, queremos que todos possam segui-lo tranquilamente, sem quaisquer impedimentos burocráticos administrativos, tais como aulas, provas ou até outras atividades laborativas menos dignificantes. Que eles arranjem outro gaiato para servir o cafezinho.

Portanto, atenção! Você pode precisar.

Nim serviço de utilidade pública, relacionamos alguns principais sintomas da Gripe HI XI, a Peruada:

I - Ao contrário de todas as demais gripes, a HI XI - a Peruada - acontece em outubro.

I I - Apesar de durar apenas um dia, ela se fazer presente durante todo o ano. Uma sensação de ansiedade. Por isso, quando acontece, todos  gritam em uníssono: Peruada, oba!

I I I - Causa amnésia. Seja porque você não se lembrará de nada mesmo ou até um esquecimento conveniente. Essa a razão porquê só se fala da próxima Peruada. A passada já passou e restou apenas aquela perguntinha inconveniente: o que foi mesmo que aconteceu ali?

I V - Ocorre uma exacerbação de hormônios. Assim, toda a lascívia acumulada causará uma explosão incontida e você sairá por ai, fazendo coisas, por vezes inusitadas. Nesses casos, o melhor a fazer é cantar "deixa a vida me levar", e seja o que Deus quiser! 

V - A Peruada causa muita sede. Antes, bebia-se de graça. Hoje, o preço já não tem a mínima graça. Que não seja por isso. Não fique na sede. Beba muito líquido. Se não tiver, que seja em gel mesmo.

V I - Um espírito ecológico repentinamente se fará sentir. Os mais ávidos carnívoros, tornam-se vegetarianos. Um efeito interessante. Por isso, uma dieta rica em ervas faz muito bem e é recomendada. Essa sim, pode ser de graça. Ao chegar ao Porão, apenas inpire profundamente. Mas não pare por ai. Compartilhe.

V I I- A Peruada causa um odor característico, inclusive pelo grande número de afetados. Por isso, é comum encontrarmos muitos com perfume, que se lança desbragadamente. Aproveite. É um coadjuvante importante.

V I I I - Apesar daquele cheiro característico de aglomerados humanos, o pessoal não deixa por menos. Talvez até seja pelo perfume que se lança no ambiente. Uma tendência biológica mantém corpos bastante próximos, unidos, atados, colados. Interpenetram-se. Comum é ver casais trocando de cepas do vírus. Nem que, para isso, seja necessário sorvê-lo de onde estiver. Sabe-se que os mesmos se alojam por todas as portas de entrada do organismo. Se o próprio nome já diz que é de entrada mesmo, que se entre, então. Eis o lema. 

I X - Caso você ainda não esteja no clima, talvez porque esteja ainda desidratado. Beba mais. Ou pode ser porque foi pouco infectado e precisa de uma quantidade maior do vírus a lhe percorrer o sangue. Nesse caso, releia o item X.

X - Alguns lesados e alucinados podem até pensar: "já tive uma Peruada em minha vida  e  é o bastante". Cada qual pode pensar como queira, a gente reconhece e respeita. Mas, dessa vez você está definitivamente errado. Talvez não tenha contraído a HI XI como se deve. A Peruada causa uma dependência desconhecida. Tudo o que se sabe é que melhor que uma Peruada é só outra mesmo. Portanto, sugerimos que você compareça mesmo ao Plantão Médico. Para viver a Peruada. Depois a gente encaminha você para um psiquiatra. Relaxa! Algo de muito mal deve estar ocorrendo com você.
 

X I - Por essas e por outras que a Peruada é algo que é impensável perder. Se é que é uma doença, morra-se por causa dela. Por isso mesmo é que se montou um Plantão Médico. Para que você sobreviva e participe de mais uma epidemia. Mesmo que nada permaneça em sua memória, para contar para os netos. Eles que, se quiserem, sejam franciscanos também. Certo? 

AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII