domingo, setembro 30, 2012

Mensaleiros em São Paulo? Fala sério!

http://www.youtube.com/watch?v=9YrRUGBbUj4 (assista e compartilhe)

Enquanto vamos todos torcendo nas partidas do Big Brother- STF, algumas coisas vão sendo engendradas e maquinadas por trás das diáfanas cortinas da política brasileira.

Costuma-se utilizar o vocábulo "maquiavélico", quando da execução engendrada de segundas intenções na Política. Formada praticamente de segundas, sendo as primeiras intenções um artesanal exercício de dourar a pílula para o povão, que gosta mesmo é de samba, novela e futebol. Porém, isso na Política de mais alto nível, dado que ela se constitui mesmo de um imenso jogo de xadrez, espacial e temporal. Agora, quando a coisa tende e se embarafusta na baixaria, coisa mesmo digna d'A LATRINA, feito a coisa brasileira, prefiro me utilizar do termo "diabólico". É mais exato e ainda preserva a imagem de um cidadão pra lá de genial, o tal de Maquiavel.
E na nossa politicalha brasileira, nada de Maquiavel. Estamos imergidos nas mais satânicas e emporcalhadas jogadas. O Ministro Joaquim Barbosa está fazendo das tripas coração, para conseguir conter os membros da quadrilha do PT infiltrados na própria Corte. Coisas apenas de lulismo brasileiro: julgar os próprios crimes. E até que está conseguindo, com a graça do bom Deus. Nosso homem forte naquele STF. Algum brasileiro mais afoito diria: que bom! Então a quadrilha do PT vai pra cadeia, finalmente? Responderia o Batman: Santa Inocência a sua!

É tragicômico como o brasileiro acredita e põe fé nessa expressão: "vai pra cadeia!". Vai nada. E, se e quando for, ficará uns dois dias e será solto por um oportuno  Habeas Corpus. Ou sairá mesmo pela porta da frente, após cooptar carcereiros e afins. Isso se não for chefe de alguma quadrilha mais organizada. Pois nesse caso é mais conveniente ficar preso, para aplacar a ira do povo, da mídia e do "Estado". Mas, claro, tem celular à vontade pra trabalhar, visita íntima, advogado que faz parte do bando, coisa e tal. Esse, o Brasil real.

Após o divagar, voltemos ao julgamento dos mensaleiros. Onde estranhamente um é condenado por lavagem de dinheiro, mas quando afiliado ao PT é Caixa Dois. Que, estranhamente, não é crime. Ou seja: em cima de uma barbaridade, estão delineando a ação parlamentar futura: criminalizar o Caixa Dois.

Para quê isso, para a felicidade geral da Nação? Claro que não. O segundo e diabólico intento é a defesa do financiamento público de campanha. Que nada mais é do que a institucionalização do Caixa Dois, que, por óbvio, não deixará de existir. Caixa Dois será então café pequeno. Os milhões lavados na privada iniciativa, serão um nada, perto de ter o próprio Erário Público à disposição, via financiamento de campanha. A custa disso, será certo que teremos mais uns cinquenta (sem trema, posto que o culto e erudito Mula mandou tirar) partidos.

Para gerir um Estado, há apenas uma maneira: ele deve atender igualmente aos anseios de cada um dos cidadãos, já que é apenas um representante e não um mandatário. Querendo ser perfeccionista, há uma outra maneira: fazer isso de uma maneira melhor do que a única. Bom, isso dizia lá o Montesquieu. Que os EUA seguiram fielmente e tem lá os seus dois partidos.

Mas no Brasil é diferente, sempre. Aqui, inventaram uma tal de "ideologia", para explicar as facções, travestidas de partidos. Haja ideologia! Na realidade, não há ideologia. Há que se criar um modo de explicar ao TSE que se quer o dinheiro público por sua via. Ser só "conservador" ou "liberal" ficou pouco. Então você diz que o seu partido vai defender as crianças, as mulheres, os idosos e os demais. Já tem? Ah, então você diz que o seu partido vai defender o meio ambiente. Já tem? Você inclui na carta-programa que vai defender o Planeta. Já tem também? Ô dinheirama difícil de descolar, essa, viu! Tá bom: o meu partido vai fazer a defesa universal. Já tem? Como assim? Ah, caramba! Se eu tivesse chegado uns dez minutinhos maiscedo que o russomano poderia ter inscrito o meu partido do reino universal!

O Estado e a Cidade de São Paulo têm resistido heroicamente às investidas  da imensa quadrilha que se formou para subjugar o Brasil aos seus anseios de poder eterno. Por isso se diz: o paulista e o paulistano não rejeitam ao candidado X, do PT. O que se rejeita é o próprio PT. Logo, o malfadad candidato mensaleiro não terá chances por esses campos de Piratininga. Sabedor disso, o também satânico Doutor Paulo Maluf vai lá e presta o seu apoio a ele, verdadeiro golpe mortal, graças aos Céus, nas funestas intenções lulistas nessa terra que preza o trabalho e a competência.

Dizia soberbamente o Montesquieu: o povo não deve votar, porque é ignorante. Já no Brasilzão, o voto, por isso mesmo, é obrigatório. No Brasil, os poucos realmente letrados se dizem afastados da Política por ser antro de podridão. Constitui-se então a ignorância explicada, assentada na mais pura razão. Mas sempre ignorância, componente essencial da permissividade que se precisa para fazer a politicalha que encontramos. Com essa triste realidade, ficamos sempre com o menos pior. E foi isso o que o satânico Maluf tinha em mente: com o seu rejeitado apoio, jogar as luzes sobre o seu apadrinhado. Um estelionatário que tem por vice o presidente da OAB. Grande Amigo D'Urso! O Maluf é certamente o grande mentor intelectual do PT. Foi com ele que o Mula e sua corja aprenderam como usurpar o Tesouro Público. E aperfeiçoaram o método de tal maneira que, hoje, o Maluf deveria ser inocentado pelo Princípio da Insignificância, entre o que roubou e o que é roubado. Esse é o seu real candidato, que ele intenta vender como o "menos pior".

E é daí que está feito o link, fechado o raciocínio. Com o Caixa Dois do jeito que sempre foi, somamos o caixa dois institucionalizado, o financiamento público de campanha. Colocado o Estado de São Paulo na "linha de produção petista" teremos então a perpetuação da barbárie nesse império colonial chamado Brasil. 

Quando Deus arguiu um profeta: indica-Me ao menos um homem justo que eu não destruirei Sodoma e Gomorra. Como o único era aquele com quem Deus falava, e estava fora da cidade, ele então as destruiu. Se houvesse apenas um motivo, Ele não o teria feito. 

Há a nos salvar, o viés paulistano e paulista em tudo isso: a absoluta rejeição ao petismo. Demostrado que Haddad e Russomano nada mais são do que facetas da mesma moeda, sobra-nos o Serra. Que, aliás, tem um grau de simpatia que passa muito longe do minimamente aceitável. Mas não o queremos como Miss Simpatia e sim como um escudo. Ele  representa essa coisa vital que temos: rejeitar o pt. É o motivo divino bastante, para ter o meu, o nosso voto.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Looping

O governo atual cria uma Comissão da Verdade para investigar os já investigados abusos de poder cometidos pelo governo anterior em seu declarado e institucional combate aos que iriam compor o governo atual por saber que eles sempre defenderam  meias verdades.

sábado, setembro 15, 2012

Porque o paulistano rejeita o câncer da esquerda

Para qualquer um, o ibope é como a cabeça do bacalhau: deve existir, mas nunca ninguém viu. Ou, no caso, foi entrevistado.Mas o que importa é que, de alguma maneira, conseguem extrapolar para uma população, aquilo que um cidadão pensa. Posso assim, com toda a autoridade, falar em nome do paulistano. 

Devido ao mau cheiro que grassa por todo esse país, faz-se muito oportuno falar sobre o perfume paulistano. Cuja essência vai inscrita no próprio Brasão que ilustra a bandeira da Cidade. Inscrito não numa paupérrima sublinguagem utilizada nas "comunidades", como se costuma dizer. Mas em bom Latim: non ducor duco.

Arrogância? Não, apenas orgulho. De uma terra toda feita de oportunidades. Boas oportunidades nunca são dadas de graça. Elas se imiscuem e se camuflam. Por vezes, até nas adversidades. E quando a caçamos, feito a um Bandeirante atrás de esmeraldas, temos a chance, jamais a certeza, de encontrá-la. Por fim, quando, e se, a encontramos, ela vem feito a pedra bruta. Nunca se nos mostra como a um brilhante, polido e embalado em uma caixa, com correntinha, coisa e tal. Encontramos o diamante em sua forma bruta. Será com o trabalho que conseguiremos lapidá-lo e encontrar a riqueza e a beleza da oportunidade conquistada. E tudo o mais que decorre disso. Por exemplo, dirigir a própria vida, sem ser dirigido. O que resume, simboliza e vai expresso na bandeira.   

Ante que possa ser tachado de nefelibata, explico: pretendia embasar a razão da ojeriza que o bom paulistano nutre pelo pt, petismo, lulismo, socialismo e outros ismos que o valha. Muito embora o malfadad partido, liderado estranhamente por quem nunca trabalhou, tenha aqui florescido e nascido, justamente por ser uma terra de oportunidades, a sua ação no poder nega peremptoriamente o seu berço. São Paulo conhece o pt dos seus românticos tempos, onde militantes vendiam brochinhos para angariar dinheiro e "crescer". Isso, quando ainda apenas  ferrenha oposição, visionários vendiam o sonho de um Brasil maravilhoso.    

O Poder corrompe mesmo. Ao conquistar a chave do cofre, tudo se transforma. Aos visionários, o aviso: o sonho acabou! E o seu Brasil mostra então a cara: uma cara até retocada por meio de cirurgia plástica. Como uma genuína estória de brasileiro, o grande mentor de toda a tramóia é um Zé. O Mula, apenas uma sua marionete, que fala bem e vende até geladeira pra esquimó. E compra, em suaves prestações, qualquer oposição. E escorraça do partido aqueles ainda possíveis sonhadores, pois já não lhes sobra lugar no verdadeiro plano. E, como em 1984 (o livro), cria o ministério da verdade, com o fim de apagar e modificar o passado. Sendo que tudo não passa de mais uma forma de encher os cofres do partido: a indústria do perseguido político. E toda a sorte de maracutaias: onde houver dinheiro público, lá estará um tentáculo do monstro que avassala o país inteiro. Mas, o pior de tudo: não aterroriza. Apenas pinta, com notas do tesouro público, o monstro, feito a uma cirurgia plástica, com cara de bom menino. 

E o paulistano continua trabalhando... Eventualmente, em algum feriado, encarando horas de engarrafamento para curtir um merecido descanso. Um escudo o protege dessa dantesca, diabólica e maquiavélica novela engendrada,  em cartaz no Cine Brasil, há doze longos anos. A novela não passa em São Paulo. Apenas a bancamos, com o nosso suor, o perfume paulistano. Eis a razão da ojeriza que o paulistano nutre pelo petismo e o seu Zé, que fez cirurgia plástica no rosto e na pretensa ideologia. 

Aquele ibope não consegue explicar a rejeição ao malfadad atual do pt. A rejeição não é a ele, mas a quem ele simboliza. Se o próprio deus fosse candidato pelo pt, teria rejeição de 100% em São Paulo. Ou melhor: não cem, mas menos uma porcentagem comprada  em mensalidades, para o apoio. Em meio a eles, alguns poucos e iludidos ainda sonhadores, anacronicos, por certo. 

Saindo da esfera filosófica e falando de realidades. Após os costumeiros acertos e malas endolaradas encaminhadas a alguma ilha do pacífico, a Dona Martaxa leva o seu ministério e passa a mostrar um deslumbramento repentino pelo candidato que lhe tomou o lugar. Em seu discurso oportunista, critica o Serra por abandonar o cargo no meio do caminho. Justo ela, que foi eleita há seis meses como senadora e abandonou o cargo, por um lucrativo ministério. Ele, que nada tem de santo, mas apenas mais um guerreiro,  o fez por uma boa causa: tentar barrar o petismo do Zé nas fronteiras de São Paulo. Guerra Santa, poder-se-ia dizer. Ela, abandona o cargo por uma lucrativa proposta. Ela, jocosamente apelidada pelo paulistano de Martaxa. Um (des)governo tenebroso nessa São Paulo que ela, não fosse vendida/comprada, deveriam bem governar. Mas os tentáculos daquele monstro, em seu tempo, chegaram por essas terras de Piratininga. O império da incompetência, mesclado com a ganância por verbas públicas. Quem não se lembra do seu lema de governar no melhor estilo "relaxa e goza"? Finalmente, coroando as suas asneira como prefeita, o troféu "Galinha Preta" oferecido quando de sua visita à Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Eis a sua experiência que empresta ao agora malfadad candidato do pt. 

São Paulo simplesmente rejeita a esquerda porque ele é pautada pelos favores, apropriação indébita, falsidade ideológica e casuísmos, quando aqui  se fala a linguagem da competência. O "perfume paulistano" contrasta com o cheiro de podridão que assola o País inteiro. Rejeita, mesmo que fosse uma esquerda genuína, defensora dos fracos e oprimidos. Que somos todos nós, cidadãos à mercê de um Estado dominado e inerte, quando convém. No caso do petismo, além da rejeição ao que possa ser esquerda, a ojeriza ficar por conta da consciência de que se trata tudo de um grande engodo. Uma mentira. Estelionato. O uso da "defesa dos fracos" apenas para justificar um discurso bonito, mas mentiroso. Não se trata de um grupo com uma canhestra ideologia rejeitada, mas de uma corja formando uma imensa quadrilha. Não é caso de rejeição eleitoral, é caso mesmo de Polícia. A ser julgado pela justiça "dos comuns", não em foro privilegiado.

terça-feira, setembro 11, 2012

Ohio, São Paulo entre Boston e Chicago!



Com esse negócio de eleições, para um bom paulistano como eu, a coisa tá cheirando muito mal! Sei que a imagem fala mais do que mil palavras, mas não posso me furtar a fazer algumas considerações. Que, acho, não chegam a mil palavras.

São Paulo é uma cidade que é um País dentro do Brasil. Isso, sem qualquer ufanismo. Aqui a população tem o estranho hábito de trabalhar. Hábito tão estranho que chega a ser motivo de chacota por parte dos vizinhos:"paulistano só sabe trabalhar!". Um conceito emitido como crítica jocosa, mas que apenas relata uma verdade. E que, com o fito de equivaler-se de alguma maneira, ufanam-se de que em sua terra o Sol brilha mais, com a média de dois graus acima da média de São Paulo. Realmente. Em Ji-Paraná a média anual é de 40ºC. Consequentemente, na ensolarada lógica deles, então uma da cidades mais progressistas, se não a mais, desse nosso Brasil.

Com essas e com outras, pelo trabalho, é uma cidade rica. Como uma terra prometida de oportunidades, seu povo em geral é bastante avesso à enxurrada de benesses criadas em nossa História recente. Um povo que tem nas entranhas o saber que é apenas o trabalho que traz riquezas. Esmolas apenas perpetuam a miséria. Dessa maneira, políticas públicas populistas de trocar votos por bolsa-alguma-coisa não pegam em São Paulo, que tem aversão a isso. Isso explica a imensa rejeição que temos, não pelas pessoas de tal malfadad candidato, mas pelo que ele ostenta na lapela. Sua estrela não brilha aqui.  Dessa maneira, o último foco de resistência em um país inteiro que se rendeu a esse modus operandi. Querem São Paulo a todo custo, o último link a fechar a imensa rede que faz do país uma republiqueta de terceira categoria.

Depois das preliminares, o que interessa: o processo eleitoral. Conforme bem acusa o mapa, São Paulo está sitiada entre Boston e Chicago. Ohio! Chicago, uma quadrilha de gangsters, chefiados por Alka Poney. Afeitos a extorquir com as promessas de proteção e algum dinheirinho, pra não passar fome. Se funcionar, bem. Se não, a metralhadora funciona. Sempre funcionando a omertá devidamente abrasileirada. A Lei do Silêncio nessas terras tupiniquins tomou a forma de eu não sei de nada. A quadrilha tomou de assalto todo o país, restando apenas São Paulo a compor o extenso meandro de tráfico de influência, desvios institucionalizados para a perpetuação do poder. A corrupção solta como bem conhecemos. Resta São Paulo como o último foco de resistência ao império da incompetência, onde basta ser amigo do rei, para galgar degraus na imensa pirâmide da felicidade que criaram. E esse é o grande nó: São Paulo prima e se orienta pela competência. Aqui se enxerga a roupa do rei. Ou a falta dela. 

De outro lado, Boston. Travestido de bom moço, verdadeiro salvador da pátria, àqueles que tem pouca memória. Sabemos todos como são os salvadores da Pátria. Já amargamos um protetor dos descamisados, cujo grande mote era explorar a então aversão brasileira , hoje exclusividade do Estado de São Paulo. Venceu por oposição e jogou o País nuim buraco. Esse cidadão de hoje veste a capa de oposição ao que ocorre por todo esse Brasil, sabendo que esse discurso soa muito bem em São Paulo. Mas, também como mostra o mapa, Ontário passa longe daqui, para o outro lado dos lagos. E associa-se a quem puder, para engrandecer seus pares. Para cativar mais fiéis, teve ate o seu encontro com Jesus. Omitindo de todos que, em tal encontro, ficou sem a carteira. Coisa pouca, para quem é afilhado de um dos maiores aproveitadores da História. O grande mago que o idealizou é o mesmo que serve também de modelo, à roubalheira descarada que se pratica agora. Tá ruço mesmo! Em ele vencendo, não teremos uma enxurrada de incompetentes pseudo-socialistas a invadir São Paulo. Veremos uma outra enxurrada de antigos extremamente competentes em expropriação do Erário Público. Pobre São Paulo sitiada!

Ambas as populações citadas estão no mesmo nível do mar. Um mar de indizível e abismal podridão, cada qual a sua maneira. Analisando o mapa, constatamos que Paulo fica em um planalto, bem protegida daqueles mares por uma serra.  A serra que nos protege, nada tem de elogiosa, sendo apenas um acidente natural. Com a qual sabemos bem conviver. A serra em si não tem valor intrínseco, mas se constitui no valor agregado pelo povo paulistano. Simbolicamente, pode ser considerada como o elemento, o fator trabalho que nos vacina contra o deslumbramento das esmolas. Trabalho esse que quando se quer ir vai mais longe, visitar mares despoluídos já que sob o mesmo Sol.

Sempre desconfiei muito das "lutas" politicamente corretas em favor de igualdades em geral. "Luta" pressupõe opostos. Não lhe parece estranho eu estar em "luta", defendendo os "direitos" dos meus opostos?  Mas sempre o discurso soa tão bem que encoberta essa incongruência paradoxal. Na mais antiga dessa imbecilidade, a luta entre pobres e ricos. Não lhe parece estranho que a liderança dos pobres na "luta" entre ricos e pobres seja a de um rico? Ou na "luta" entre homens e mulheres, a liderança feminina seja de homens? Para quem quer enxergar, a "luta" em si é forjada. Serve apenas para distrair intelectuais desocupados, que recebem lá as suas bolsas-alguma-coisa. Ou tem uma ONG. Ou é assessor para assuntos diversos de algum apaniguado eleito com votos de oportunismo. Porque pessoas e grupos por afeição são sempre diversas, diferentes, desiguais. E sempre o serão. Cidadãos sim, são todos iguais. Ou ao menos deveriam ser, caso a nossa constituição de brincadeira valesse alguma coisa. E que foi escrita por um seleto grupos que se auto-elegeu mais igual que os iguais. E estabeleceu a luta, para que todos sejam iguais. Liderados pelos mais iguais. E quem quiser enxergar que enxergue.

Enquanto isso, o povo paulistano apenas trabalha, que é mais simples. E em tempos de compra de votos fica sempre com o menos pior. Inacreditavelmente, no momento presente, entre Boston e Chicago. Que merda!

sábado, setembro 08, 2012

A Ilma. Equivocada

Brasil, o País do Futuro


Equivoca-se a dona Dilma, ao se utilizar de cadeia nacional de rádio e televisão, sob o pretexto de fazer um pronunciamento sobre a nossa ainda não-conquistada Independência. E, ao invés disso, utilizar-se dessa especial condição, para fazer palanque aos seus candidatos pelo Brasil afora. Palanque não é o seu metier: quando subiu nele, tropeçou nos degraus e nas palavras. Tente parecer inteligente e não afugente os eleitores dos seus apaniguados. Aceite a sugestão dada ao Galvão Bueno, a fim de panfletar o seu malfadad candidato. 

Equivoca-se a dona Dilma, ao afirmar que o Mula é um estadista. Ela, juntamente com tantas outras coisas, parece desconhecer o significado do vocábulo. Um aparvalhado que, em seu último ato, ao deixar a Sala da Presidência (e não Sala “do Presidente”), apropria-se indebitamente de um crucifixo que, por obvio, não lhe pertencia, não pode receber tal denominação. E, some-se a isso uma interminável relação de feitos semelhantes quando naquela função. Em linguagem popular, são atos de “gatuno”, "ladrão pé-de-chinelo”, "ladrão-de-galinhas (no caso, crucifixo)". Mesmo sob uma famigerada nova ortografia,  assinada por quem não sabe assinar, jamais se aproxima o vocábulo “gatuno”, de “estadista”.

Equivoca-se a dona Dilma ao se utilizar de tal aparato para dar resposta a um único cidadão, Fernando Henrique Cardoso, em um pronunciamento feito a supostos 200 milhões de outros cidadãos. Muito embora estivessem todos em filas quilométricas para curtir o feriado dentro do carro, mereciam uma palavrinha, equivocada que fosse. A Democracia, sua tão louvável desconhecida, pressupõe críticas. Não aja em seu posto como se presidisse uma reunião do PT, onde sabe-se ser conduzido com mãos de ferro autoritárias, que expulsa qualquer mínima oposição ao projeto de poder. Mas que,  em público, o líder-mor alegue desconhecer os meandros das maracutaias.

Equivoca-se a Dona Dilma ao querer atribuir ao seu governo, e claro, ao de seu criador, antecessor, padrinho, benfeitor e comparsa, aos avanços econômicos conseguidos pelo País. Eles decorrem de um momento histórico de globalização, cuja segunda abertura dos portos ocorreu por obra de outros, que não o seu indigesto conluio de estelionatários. Um país rico em recursos naturais, com um imenso mercado consumidor, mas que não sabe produzir por si um parafuso de qualidade, além de ser quintal de produção do dito primeiro mundo. Simplesmente as indústrias deles zeram o balanço com os lucros daqui, atenuando o prejuízo de lá. E isso, feito a uma esmola, tem sido bom para os brasileiros, acostumados já com espelhos, ao longo da História. Isso não é obra do PT e nunca nesse país se ouviu tamanha pataquada.

Equivoca-se a dona Dilma ao atribuir a si e a sua gangue a tão propalada estabilidade econômica. A estabilidade foi conseguida em gesto ousado e até heróico, mas foi duramente combatida e rejeitada pelo PT quando esse era, bons tempos de outrora, apenas oposição burra. E cuja estabilidade atual vem sendo conseguida à custa do Erário Público, maldisfarçando e bancando a inflação e tudo o mais.Muito mal comparando, os nossos "bons números" têm sido conseguidos como aquele cidadão que, atualmente desempregado, procura desesperadamente manter o alto padrão de vida, à custa de seu cartão de crédito. A conta acaba chegando. E com juros escorchantes. Sabemos todos que números de pesquisas e estatísticas são facilmente distorcidos, ao bel-prazer de que paga isso regiamente. Com lucros da Petrobrás, claro.  

Equivoca-se a dona Dilma quando afirma que ela e sua trupe “aprendem com os erros do passado”. Haja vista que ela própria armou-se até os aos dentes, literalmente, para defender um regime e sistema francamente falido, o socialismo de fachada. Tomando de assalto, também literalmente, o poder, retrocederam duzentos anos na História. Que somados aos já quinhentos amargados no feudalismo, lança o Brasil do XXI nos erros do passado, como um mero fornecedor de pau-brasil aos portugueses, digo, minério de ferro para que a China se construa como a mais nova potência mundial.  País esse que decidiu-se pela Educação exagerada, elevando o nível a qualquer custo para realizar a façanha. Enquanto aqui, falamos em cotas, para rebaixar ainda mais o quase nada existente de qualidade cultural. Fala-se aqui em mudar a letra do Hino Nacional, porque é “muito difícil”, quando o óbvio correto seria ensinar o que é “difícil” nas escolas e não a ideologia barata do partido no poder. Fato que fica claramente demonstrado em levantamento da ONU, que coloca o Brasil em 39º lugar em educação. Entre 39. Ou que coloca o Brasil em 144º em confiança em políticos. Entre 144. Uma política esdrúxula de se deixar engabelar pelas Bolívias da vida, colocando o País honrosamente em segundo lugar... no consumo de drogas. Algo até coerente, pois a nossa juventude consome a sua droga de discurso, obnubilando-lhes a inteligência e tornando-os meros repetidores de palavras de ordem anacrônicas, perdendo a própria dignidade junto ao senso crítico.   

Equivoca-se a dona Dilma quando afirma entusiasmadamente que os investimentos não afetarão as verbas destinadas aos programas sociais. É antigo, mas ainda não aprendido, o adágio "não é tirando dos ricos para dar aos pobres” que estes enriquecem. São apenas esmolas que se reverterão em votos de perpetuação no poder, aniquilando de vez o pouco de dignidade que sobrou dos que nada têm. O que precisam é de dignidade, emprego e oportunidade. Tudo o mais de riqueza advém desses elementos, utilizados com competência, vocábulo também desconhecido dos baba-ovos do poder. 

Equivoca-se a dona Dilma quando cita, também entusiasticamente, as verbas destinadas ao desenvolvimento. Sabemos todos que elas se afastarão dos seus destinos, indo compor os diversos “valeriodutos” criados, indo inusitadamente cair nas maletas, meias e cuecas dos apadrinhados, ressalvado o sagrado quinhão, pertencente ao partido, conforme notícia veiculada imediatamente antes do seu equivocado pronunciamento. O voto vencido declarou que tudo está corretíssimo, que não houve qualquer crime ou ilegalidade. Voto de um juiz que nem ao menos deveria votar, já que há pouco advogava na defesa daqueles que ora está julgando. Excrescência jurídica digna dos tristes tempos de agora, que a História julgará corretamente.

Equivoca-se a dona Dilma ao aparecer sozinha, quando deveria aparecer toda quadrilha. Sendo em Cadeia Nacional, deveria ser de segurança máxima. Seria só trancar e jogar a chave fora.  E aí sim, poderíamos comemorar a Independência.

Ao todo, um único acerto: o Brasil não é mais o "país do futuro", mas o País do Presente. Presentes que são distribuídos para comprar a oposição, para fraudar licitações, para superfaturar obras inexistentes, para assessorar incompetentes e analfabetos, para propaganda de feitos não-feitos. Presentes para tudo e para todos. Em troca de votos, empregos e cargos, trocados por modesta contribuição dizimista aos cofres do partido, cofre esse que não fica obviamente aqui, mas em alguma ilha perdida. Eis o Presente. O Futuro está bem representado na foto que ilustra o amargo desse relato.

Equivoca-se o autor destas palavras, ao se utilizar do verbo “equivocar-se”. Este possui a conotação de erro cometido com boa-fé. Quando a intenção de iludir existe, quando se declara a verdade distorcida pela má-fé, o verbo correto para "erro intencional" é “mentir”, pura e simplesmente. Portanto, resta apenas um equívoco, este declarado.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Coisa de preto no STF


O Ministro

O ministro Joaquim Barbosa deve ter sido indicado ao STF por meio de Cotas. Cota para Dignidade, Decência, Moralidade, Intelectualidade, Competência, Honradez e outros quesitos semelhantes, tão fora de moda nesse nosso Brasil de Liberdades falsamentes Democráticas e do Direito dos Mais Iguais. Esse tipo de cota todo brasileiro apoia. E que deveria ser de 100%. Talvez até como já está escrito: pessoa ilibada e de notável saber jurídico. O quesito: "ser da trupe do presidente" passou a vigorar depois e não está, por óbvio, escrito em lugar nenhum. Por isso não há provas.


A mera existência de negro tão admirável corrobora a tese de que cor da pele não deve servir para justificar coisa nenhuma, muito menos para obter benesses supletivas, a fim de preencher lacuna na competência. Cota nada mais é do que "pecha", de alguém que precisa de favores. Nenhum cidadão precisa de favor; precisa de oportunidades iguais. "Só" isso, nada mais.

A cor da pele também não pode servir de "fachada" para que um grupo de aproveitadores saia em sua "defesa", com o fim único de se locupletar, política, econômica e financeiramente. Inclusive, utilizando-se de um "mote" de seres inferiores. Os "defensores da igualdade racial" demonstram ser os maiores interessados em perpetuar a diferença econômica-social que, essa sim, existe.

Para quem precisa de esmola declarada de 20% está implícito nisso que o máximo que ele vai obter é os 20%. Quem foi que disse a esses cidadãos que ser negro é ser inferior? O nosso admirável Ministro deu prova cabal de que, se houvesse a tal "cota" para o STF, assumida ironicamente, a título de argumentação, 20% é muito pouco. Tenha certeza que hoje, cada um dos brasileiros(excetuando-se a imensa quadrilha que se formou para fazer um arrastão, dominar e dilapidar o Brasil) estaria muito feliz se a inusitada cota para negros no STF fosse de 100%, uma obrigação. Candidatos ao STF: pessoa ilibada, de notável saber jurídico e negro. Desde que o quesito "negro" se reportasse à notável envergadura moral do Ministro Joaquim Barbosa e não à quantidade de melanina que ele possui na pele.

E, no mesmo momento em que o Ministro Joaquim Barbosa dava ao Brasil essa mostra de civilidade, no Palácio do Planalto, uma branca assinava uma Lei, determinando que, de agora em diante, negros têm, no máximo, direito a 50% das vagas. E tenha certeza que tem muita gente que vai comemorar. São os interessados em perpetuar e institucionalizar a alegada inferioridade.
Por isso que o título dessas palavras, "coisa de preto" tem sido dado como uma expressão racista. Mas, afirmo aqui: precisamos que no Brasil tenha mais "coisa de preto). Pretos como o admirável Ministro, que deu mostras do que significa ser um cidadão decente. Pretos como o Pelé, a quem o Itamaraty deveria, em sua entrada, erigir uma estátua, como o nosso melhor Embaixador. Pretos como Machado de Assis, momento único em nossa Literatura quando o mundo "civilizado" reconhece que, nele, o Brasil não tem complexo de vira-latas ou de quinto mundo. E de tantos outros pretos também que, caso você não conheça, deveria conhecer. Do Brasil e do Mundo. Para poder usar a expressão com autoridade. Realmente, precisamos urgentemente de muitas coisas de preto nesse nosso lamentável país.
Pessoa ilibada e de notável saber jurídico?  Não. Ex advogado do PT. Amigo do rei. 

E precisamos também muito de menos coisas de brancos, como as que estão sendo julgadas naquele mesmo STF. Onde pelo menos um dos julgadores advogava até ontem pela quadrilha que alí está sentada na condição de réu. Ou seja, era parte da quadrilha que ora julga... inocente. Isso é coisa de branco. E outras tantas que ainda persistem acobertadas. Sempre sem provas escritas. Claro, nunca as há. Em um leilão também não. Basta um sinal qualquer para concluir um contrato. Um país inteiro não pode tornar-se refém de uma quadrilha, mesmo que ela tenha se institucionalizado.E o Ministro Joaquim Barbosa deu provas que essa libertação é possível, porque Decência não faz parte da cor da pele, mas molda o caráter.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Pindura: é tempo de dar.

Uma excelente iniciativa, a de um Workshop Pindura no Pátio das Arcadas. Com uma excelente demonstração prática apresentada pelo eminente e caro Mestre Professor Simão. 

Aproveitando a deixa, e na tentativa de colaborar para embasar histórico-juridicamente os ainda calouros em Pinduras, republico aqui algumas dicas sobre como dar, no caso, o Pindura. Deixe de lado todas as teorizações etílico-filosóficas acerca de o Pindura ser isso, ser aquilo ser aquilo outro ou muito pelo contrário. Apenas dê o Pindura. Depois a gente conversa sobre isso, ok?
Parabéns às Arcadas, por 185 anos de brilhantes Pinduras
 Pindura
o ascendere para que o calouro seja elevado à condição de franciscano.

I. O infeliz do calouro, pra dizer que é da Sanfran tem que ter dado ao menos um Pindura.
II. Pegue vários ofícios, se na salinha abandonada tiver alguém. Corrija a trova que diz “...cobrar o XI”. Não é cobrar “o”, mas “do”. É que a periferia jurídica também se arrisca em alguns penduras por ai. Como não podem dizer “do XI”, porque não são alunos, cantam “no XI”. Coisas da vida! Eu mesmo, em minhas andanças por diversas delegacias, já orientei a incautos delegados que mandassem prender pucanos, orelhas, fmuhhhs da vida que, fraudulentamente, queria se locupletar, comemorando um aniversário que não é deles. Sugiro façam o mesmo !

III. Escolha um bom restaurante. Nada de miséria. Esfiha, sanduíche, não é Pindura, é pobreza de espírito. Junte grupos com meninas e meninos, na máximo meia dúzia. Para um restaurante grande, pode juntar um, dois ou mais grupos. Adicione um veterano, para não sair merda. Ele conhece o script.Más, ó, um só, tá? Veterano é muito chato! Se em mais de um, vão querer conduzir os papos para "no meu tempo..." Boring!

IV. Entre no maior estilo. Se perguntarem se é Pindura, jure por todos os deuses que não é. Uma boa pergunta nessas horas é: que é esse negócio de Pindura?

V. Sente-se tranquilamente. Nada de ficar cochichando, olhando pros lados, ficar assustado. Aja naturalmetente.

VI. Peça pratos sem olhar os preços (já que você não vai pagar), mas não seja morto de fome. Peça apenas aquilo que deseja realmente comer. Sem exageros. Peça sempre um ótimo prato. Se for bebida, nada de cerveja. É coisa de miserável. Desculpe: de pessoas hipo-suficientes economicamente, pra ser politicamente correto.

VII. Aja como se você comesse em restaurantes de bom nível todos os dias. A gente sabe que você dá perdidos até no Bandejão, mas esqueça. Uma vez na vida, aja como se você tivesse classe.

VIII. Nem por um segundo pense Direito, não fale de Direito, de vestibulares, de pucanos. Nada. Nada. Fale de futebol, do Iraque, do cacete a quatro, mas nada de Direito.

IX. Se bebeu bebidas alcoólicas, como vinhos de ótima qualidade, saiba que você vai pagar isso. E também os dez por cento dos garçons. Esses dois itens são sagrados. Peça a conta. Separe o dinheiro da bebida e dos 10%. Mas não seja maloqueiro. Nada de se debruçarem todos sobre a conta, ficar fazendo contas e etc. Isso é coisa de pobre. Você está comemorando ser a elite, não se esqueça disso! Calculadora, nem pensar. Coloque o dinheiro na caderneta da conta, incluindo o Ofício. Chame o garçon.

X. Cantem todos: "garçon tira a conta da mesa e ponha um sorriso no rosto . Seria muita avareza cobrar do 'XI de Agosto'". Em tempo: a trova deve ter os versos repetidos, não esqueça. O orador deve se levantar e dirigindo-se ao público, agradecer o honroso convite feito pelo Restaurante, para que pudéssemos comemorar em alto estilo o aniversário das Arcadas. Afinal, não é todo dia que se comemora ter 185 anos! Ressalte também a hospitalidade e as grandes qualidades e fama daquele restaurante. Agradecer pela oportunidade de comemorar o aniversário das Arcadas naquele ótimo restaurante. Todos aplaudem. Em seguida, se não aceitaram a Festa, exija que todos devem ir para a Delegacia. Continue cantando outras trovas. Não repetir as trovas. Não dê, outra vez, uma de maloqueiro: nada de “Ô, leleô, leleô...”, nada disso. O Aniversário é das Arcadas. Cantemos as trovas! Apenas as trovas!

XI. Não pode arreglar de jeito nenhum. Eles vão querer ameaçar, dizer que é crime, que não vai poder prestar concursos e outras besteiras. Tudo baboseira. Na delegacia diga que tem o dinheiro para pagar, mas que é uma comemoração e que isso não tem preço. Por isso não vai pagar. Não faça acertos. Você não está pedindo desconto, está comemorando. Vai pagar a bebida e os 10% e só. Nada de acordos, de pagar parte, etc. Isso não é Pindura, é esmola. Agora, algo muito importante: comporte-se na Delegacia como se estivesse em uma delegacia. Lá não é lugar prá brincadeirinhas e palhaçada. Porque você, agindo assim, terá que permanecer outras boas horas lá, por perturbar a ordem pública. E isso não é Pindura! Seja sério com o Pindura: faça certo!

Pronto. Depois de algumas horas de delegacia, você estará pronto pra voltar para o Porão e contar o fato e todas as vantagens que quiser acrescentar. E reunir um outro grupo, para um novo Pindura. Mude apenas o bairro, para não cair na mesma delegacia e ouvir aquela frase conhecida : você, de novo ?
Ah, importante: guarde o Boletim de Ocorrências, para anexar ao seu Histórico Escolar Franciscano.

Algum folclore sobre o Pindura:


I - Não é Pendura. É Pindura.

I I - Começou em cerca de 1850, quando donos de Pensões, Pousadas e restaurantes ofereciam um almoço especial aos franciscanos, no dia XI de agosto. A finalidade era descolar um bom partido prá suas filhas que serviriam, no caso, de prato principal.

I I I - Depois, como não tinha tanta donzela disponível para a sobremesa, ficaram apenas com o prato principal e passaram a Pindurar a conta. E esquecê-la.

I V - Depois, com o advento de mais 800 pseudo-faculdades, a coisa agora virou putaria e o Pindura é dado como se fosse no Dia do Advogado, 11 de agosto.Não é! Oriente os delegados para que prendam aqueles worelhas. Isso é falsidade ideológica: querem comemorar o nosso aniversário, XI de agosto.

V - Boletim de Ocorrência não impede de prestar concurso. Você pode ter um BO por "n" motivos: assédio sexual no escritório, por estupro, numa batida de carro, por vomitar pela janela do XIº andar, chegando da Peruada e etc. Ou seja, não é o Pindura que poderia atrasar a sua vida, mas outras merdas que você vai certamente fazer pela vida afora.

V I - Não use a desculpa acima para arreglar na Delegacia. Se você é um cagão, assuma: não faça Pindura. Junte-se a outros franciscanos que gozam o tesão alheio, afirmando ter estado em Pinduras que não fizeram. Se você quer contar prá todo o mundo que quer ser juiz, não precisa usar essa desculpa, conta logo!

V I I - Tire uma cópia de BO e junte-o ao seu Histórico Escolar. Vai aumentar a sua média-com-pão-com-manteiga-ponderada.

V I I I - O maior Pindura foi dado em julho de 1906, quando os franciscanos apresentaram o Santos Dumont em Taubaté e foi feito um grande banquete para toda a cidade. Santos Dumont estava em Paris e mandou carta ao XI, comunicando que tinha feito o vôo no 14, 14. Alguns franciscanos aproveitaram que não tinha televisão, google, internet e fizeram-se passar pela comitiva do nosso Ícaro tupiniquim. Depois, o prefeito ficou um pouco "chateado" com a Sanfran. Mas, dado que o Presidente da República era um franciscano, resolveu deixar prá lá.

I X - O segundo maior Pindura foi o casamento feito no Maksoud, na década de 1980. Absolutamente genial !

X - O maior Pindura do século XXI foi em 2004. XXI franciscanos, no Bolinha, que alegou que também era adevogado, mas que não vinha ao caso onde tinha se formado. Esse Pindura foi divulgado em rede nacional pela Record. Um luxo, digno de franciscanos!

X I - Coloque aqui o novo recorde, no ano de 2012.O "seu" Pindura!

***********
Agora, chega de tanta falação. Vá fazer o Pindura! Não deixe que o mundo acabe, sem que você tenha tido esse prazer genuinamente nosso.

quarta-feira, julho 11, 2012

A Partícula de Deus








“Existem n imagens da Monalisa em melhores condições do que essa. Mas essa imagem é de uma foto que uma grande amigo fez, quando a visitou no Louvre. Onde é proibido fotografar a moça. Pelo delito, por se lembrar de mim, por me dedicar uma foto, dessa foto ser a Monalisa e o dito amigo ter feito qualquer tipo de analogia entre a lembrança da minha pessoa e uma obra do Leonardo da Vinci, apresenta-se-me mais como um inimaginável elogio do que um mero presente. Por isso, ei-la!”

Existe um Ser que me acompanha. Não o posso dizer imaginário, posto que tem existência real. Ou melhor, é, para mim, uma realidade. Esse Ser, que convencionei para mim mesmo que é Feminino, é irritantemente assexual, no sentido de Masculino ou Feminino. É mais ainda irritantemente atemporal. Acompanha-me pela vida toda, mas não envelhece. Nunca foi criança, nunca foi senil. É, simplesmente. Ela me ouve, pacientemente. Mas, ao final em pouquíssimas palavras, determina o que eu devo fazer. Isso, eu não chamo de uma conversa, um diálogo. É alguém bom ouvinte, mas que determina imperativamente. Ponto.
A lembrança voluntária e pessoal mais antiga que tenho é a de eu estar sentado, aconchegado, no colo de minha mãe. Eu, com cerca de três anos. Ela, sentada em uma cadeira de madeiras, dessas, da mais comum que existe. Estamos em uma sala completamente vazia. Em um ângulo diametralmente oposto há um homem em uma escada, pintando a parede. Enquanto isso, ela conversa com ele. Principalmente, dá palpites e ordens.  É uma singela lembrança. E muito simples, não fosse o fato de que essa cena, exatamente essa, aconteceu realmente, segundo ela. Só que ela ainda era gestante e eu estava muito bem acomodado em seu útero. A pintura da casa era um dos últimos retoques na casa, que seria inaugurada com a nossa mudança, após o meu nascimento. E eu ainda não existia, nessa vida extra-útero. Daí então é que a coisa complica um pouco.
Esse Ser que me acompanha está sentado elegantemente em uma cadeira, dessas de madeira a mais comum, em uma sala completamente vazia. E é nela que eu mantenho os meus monólogos e recebo as determinações, em voz alta e em bom som. Mas, a despeito de quaisquer teorias psiquiátricas que pode haver, e as há, o Ser não é a minha mãe. E a sala que ela habita não é a sala da minha lembrança. Inclusive porque, salas completamente vazias tem o incrível dom de serem muito parecidas.
Ao longo de toda a minha vida, esse foi um mistério que sempre procurei explicar. Não desvendar, coisa que me tem parecido impossível. Mas haveria de haver, no conhecimento do mundo, alguma explicação plausível para isso. Eu os obtive todos, acho que todos. Busquei e continuo a buscar. Mas há apenas o fato e a Presença, a despeito de não-explicações, explicações obtusas, outras edrúxulas, outras fantasiosas, outras ignorantes, outras simplesmente mentirosas e com segundas intenções. Eu, apenas com esse dado, poderia tranquilamente abrir uma igreja e criar toda uma teorização conveniente para os meus fiéis. No mínimo, ficaria isento do imposto de renda. 
As explicações passaram pela mais simples, a minha “consciência”. Não. Passaram também por explicações em fases freudianas. Acabei por concluir que o próprio Freud tinha lá as suas fixações e procurou estabelecê-las para todo o mundo. Algo até muito semelhante ao que parece que estou fazendo agora. Mas ele certamente tinha consciência, assim como eu, da Presença. Não,não era o meu lado feminino que um brilhante dia, numa epifania deslumbrante eu finalmente sairia do armário. Nada.
Devido às incursões pelo mundo da escrita e da Poesia, passei a considerar essa Presença como sendo a minha Musa. Num primeiro momento, tornei-a Mulher. Depois, Bela. Imensamente Bela. O seu sorriso, que não é minha criação, mas algo dela, tem um enigma que deixa qualquer Monalisa com inveja. Talvez o Leonardo tenha tido lá as suas experiências semelhantes com a Presença. Sua voz é muito suave e de uma fala compassada. Jamais alterou o seu tom de voz, para mais ou para menos. Não que ela seja inteligente; ela é imperativa. Não há a encantada Sabedoria no que diz; há uma ordem. Ordem que eu sigo. Sempre segui. E é com ela que treino ser um bom discípulo. Faço exatamente, no que me é humanamente possível. Por vezes, extrapola. E esse mundo exterior me lembra o quanto ela está sempre certíssima. Mas, apesar de fantasiar assim, ela não é uma Mulher de quem eu seja apaixonado. Eu não a amo. Ela me ama.
Nas minhas andanças pelo mundo teológico fiz-me por certo tempo, crer ser ela o Espírito Santo. Ele, entre eu, filho e Deus, Pai. Isso nos moldes em que se conhece popularmente por Deus que acreditam. Apenas com a diferença que eu a trato como Pai. Sem ser aquele filho inconveniente e incompetente. Que a ele só se dirige para pedir coisas ou para reclamar da vida. Não. Apenas sigo suas determinações e faço o que precisa ser feito. E em sendo bem sucedido, o sucesso serve-me de oferenda, em agradecimento aos seus ensinamentos. No insucesso, sinto-me envergonhado. Isso porque, em todos os casos, ocorreu porque não segui exatamente o que me foi determinado. Sempre nas minhas conversas com Ela. Não há nada e nem ninguém na sala que descrevi. Apenas Ela e eu, que chego. Não há intermediários nisso. Certa vez fiz com ela uma viagem pelo mundo da Alma humana, ou que assim a denominam.  Algo branco, imenso e ofuscante como as geleiras do Polo Norte. Sem fim. Não era a alma dela. Era a minha própria. Ela fez com que eu a olhasse nos olhos para que, em reflexo e enxergasse os meus próprios olhos. Realmente, os olhos como a porta da alma. Open up the doors.  E então, experimentei algumas vezes realizar isso com olhos outros. E eu, por mim mesmo, consegui fazer a mesma mágica viagem pela alma daqueles olhos. Algo indescritível e deslumbrante. Em função disso, passei a não querer mais olhar as pessoas no fundo dos olhos. Apenas um olhar superficial. Porque não me interessam as almas de outrem. Segundo, porque eu as visitei absolutamente iguais. Incrivelmente iguais.
Por experiências com substâncias que alteraram por vezes temporariamente, por vezes definitivamente a minha mente, cheguei a explicá-la como um Super Id, que seria superior e controlador do Ego, do Superego e de todas essas coisas. Pois que era sempre ela que me conduzia e acompanhava em viagens alucinógenas, incríveis, absurdas e por vezes ameaçadoras. Mas ela fez-me ver que aquelas coisas, visões inumanas não eram realidade, mas apenas distorções, no processo de expansão elástica da minha própria mente. Uma alma de borracha, o que temos. Rubber Soul. E os olhos, a porta da percepção.
Ainda por campos do espiritismo, eles têm lá suas explicações. Que em absoluto me interessam, por serem grotescas e esdrúxulas. Alan Kardec por certo parece que andou viajando nesse mesmo trem, conhecendo a Presença. Mas também parece que nada entenderam e enveredaram por caminhos obtusos. O mundo tem dessas coisas, ignorâncias. O ventilador foi desenvolvido e criado para fazer o ar circular. Por isso ele deve ser dirigido ao teto, posto que o ar se aquece e é esse que deve ser circulado e expulso do ambiente, para que o ar inferior suba, limpando e resfriando o ambiente. Mas as pessoas dirigem o fluxo do ventilador para a sua cara. E isso se faz em todo o mundo, em todos os tempos, depois da criação do dito cujo. Se o mundo não entende o mecanismo simples da ação e função do ventilador.,como entenderiam assuntos da Alma humana, disso que nem sei se se pode chamar Alma? A Presença. Um lampejo de Energia, a presença de Deus no Humano, para que ele seja viável. Mas insistiram em falar sobre o que não sabem. E falam asneiras, inexistentes.
Ainda nos primórdios de minha existência, quando ainda nada mais era do que uma massa amorfa, inóspita, insípida, vazia e nula, embarquei numa mágica e misteriosa viagem, cujo condutor era um ser incrivelmente humano, chamado John Lennon. Seu brinquedo genial, chamado Beatles, levou a minha mente a esferas nem mesmo alcançadas pelas viagens alucinógenas. Porém de uma elasticidade sem retorno. Alma de borracha. Rubber soul. Para fazer jus àquela genialidade tamanha dele, utilizando-me também do ar despretensioso e jocoso, passei a dar um nome para a Presença. Uma brincadeira com um nome  que já existe, apenas que se lhe modificando uma letra. Ele trocou um “e” por um “a”. Transformou o beetle em beatle. E eu troquei um “e” por um “i”. E transformei a Beatriz em Beatlis. A musa que conduz-me ao Paraíso, feito Dante, que certamente foi outro que perambulou também por essas paragens  da Presença, que procuro descrever. A Presença era então, Beatlis. A Presença: eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Beatlis, a Presença: eu sou o Carinho, a Vaidade e a Vida.
São explicações que eu tento inutilmente dar para a existência da Presença. Tive uma filha e dei a ela o nome de Beatlis, com toda a simbologia restante, na vã tentativa de ter no mundo uma pessoa humana que representasse a Presença. Para me lembrar sempre dela. Tentativa vazia, dado que a Presença me é presente durante todo o tempo. Vã tentativa, posto que a Presença não é a condensação do Nada. É o próprio Nada. Mas a Beatlis-filha existe em minha Vida. Adoravelmente.
Numa fatídica noite, pedi, implorei à Presença que fizesse com que a Presença, se é que havia, naquele John Lennon tão importante para mim , tornasse para mim aquela Presença que era minha. Como já dito, jamais pedi nada a Ela. Nem antes e nem depois disso. Ela não atende a pedidos, ela determina. Mas ela acedeu e me atendeu. E me sorriu. Um sorriso profundo, o qual jamais havia entendido e que não entenderia por um longo tempo. Como também já disse, enigmático. Mas a minha tristeza de então era tamanha que em nada estava disposto a entender um sorriso. E ela pôs-se diante de mim e fez com que eu a olhasse nos olhos, profundamente. Tão profundo a ponto de fazer aquela viagem pela alma que já havia feito e inclusive desistido de praticar outras vezes. Nessa viagem a um branco monotamente infinito, de um brilho indescritível, vi o que jamais ela me havia permitido: eu vi a Presença. Presença que não era minha, mas produto do meu pedido atendido. A Presença que havia tornado possível um John Lennon. E aquela Presença era Ela própria, sem ser ela. Absolutamente a própria. E idêntica à minha.
Com isso aprendi algo realmente fascinante: a emulação. Viajar por mentes alheias. Sendo que sempre, a anfitriã é a Presença. Não a minha, mas a do outro. Presença que é a própria minha, sem ser. Num depois, vim a saber que Aristóteles falava estranhamente em emulação. Em sendo quem é, deveria ser também um que a praticava. Com a emulação faz-se possível viajar por mentes alheias, conhecer-lhes o conteúdo, sendo que há sempre e sempre a presença da Presença. Incrivelmente idêntica à minha própria. Algo como que um clone. E me vi experimentando sair eu mesmo fora de mim. Sai realmente, sendo conduzido pela Presença, para fora do corpo. Senti um medo tamanho. Incomensurável. Help! Procurei agarrar-me desesperadamente à Presença. I wanna hold your hand. Temi desvincular-me o meu estado sei lá se de energia, em definitivo do meu corpo humano. Jamais quis repetir a experiência. Temi ser carregado pelo vento, analogia feita às coisas desse mundo daqui. Não tente fazer isso em casa!
     
Pela vida toda tentando explicar a mim mesmo o que vem a ser a Presença. Dei-lhe feições humanas, sexo, nome e tantas coisas. Porém, assim como o diagnóstico obtuso dos médicos, de “virose”, fiz muito e fiz nada. O mistério continua. Eu a conheço muito e ela sabe de tudo sobre mim. Vivo a minha vida segundo os seus desígnios. Mas nada sei exatamente sobre Ela, exceto as minhas divagações como respostas.
No maravilhoso mundo dos computadores, existe um ícone, que nos faz acionar um programa, para que realizemos algo. Mas não sabemos o Programa. Não conhecemos a sua linguagem, não sabemos “dialogar” com ele. Muito menos criá-los. E mesmo assim, fazemos uma infinidade de coisas, por meio dele, na mais completa ignorância sobre ele. Faz-me parecer que os humanos assim o são. Dada a incrível similitude que há entre o computador o e o ser humano. Inclusive já tendo, em seu início, sendo chamado de “cérebro eletrônico”. O que eu crio, a partir dele, pode e é, totalmente diferente do que outro criou. Então, a Presença poderia ser o “programa” que nos rege, fazendo eu a minha vida do jeito que tem que ser, eventualmente igual ou diferente da de outros humanos. O “Programa” é o mesmo.  O que haveria de diferente é o consciência da existência, a possibilidade de dialogar ou monologar com ele, entender a sua linguagem e até mesmo a consciência da linguagem e a possibilidade de ler e reproduzir os comandos. Uma explicação incrível, plausível. O nosso desenvolvimento, elasticidade de alma, nos levaria a essa consciência. Sim, plausível. Inclusive acessado por alguns poucos, como os nomes que já disse aqui. Mas que ainda continua a não explicar a Presença em sua amplitude.
Não vivo para explicar a Presença. Vivo-a, simplesmente. Apenas que estou aqui descrevendo os processos investigativos. E porque hoje o Martim completa os seus trinta anos de existência e precisa saber disso como deve ser. Com os conhecimentos todos que havia obtido sobre, com e por ela, a Presença, impus-me como objetivo que falaria à Presença que por certo deveria existir nele. Idêntica à minha, sem ser. Intangível isso. Não bastava que apenas nomeasse com trejeitos de genialidade, como fizera com a Beatlis. A Presença não é humana. Não pode ser. E eu a ele, Martim,  sempre me dirigi como quem se dirige à Presença. Como a Presença a mim se dirige. Condescendente, complacente, mas de uma imperatividade implacável. Mas isso não é humano. É a linguagem da Presença. Que me ama, sei disso, mas que jamais me fez um afago, um gesto humano, apesar de Ela ser a própria expressão do Amor. Quis fazer uma vida dirigida a sua Presença, para que ela, a Vida, fosse, diferentemente dos demais, elástica. Alma de borracha. Que, num depois, vai saber que um gesto, apesar de aparente beleza e cheio de significados, pode ser falso. Como geralmente o é. O Beijo de Judas.   Esse, o trecho que lhe cabe, pelo aniversário. O conhecimento que precisa, por herança e continuidade. Por expansão. Foi preciso uma disciplina rígida e implacável para transmitir a mensagem de ser Filho de Guerreiro, etmologia tupi-guarani do nome Martim. Tal rigidez de comandos, hoje vejo que na vida fenomênica prescindiu do calor humano, do gesto de carinho, do afago e tudo o mais. Tão necessários à Vida humana. Mas essa ausência não nega o Amor. Amor que transcende o Humano, posto que por dação divina. A Presença.  Isso sei que fiz em plenitude, como um bom discípulo. Se errei na dedicação humana, por pouca demonstração de Amor, peço perdão. Mas ele existe. Amo mesmo muito você, Martim. Tanto que esse bilhete, verdadeiro codicilo pode e deve representar um comando para a sua vida que se inicia. Quem me estimula a lhe passar esse comando é também o orgulho que sinto de você.

Por esses dias, andam falando sobre a “descoberta” da Partícula de Deus. A energia que gerou a matéria. Escritos hindus de há mais de cinco mil anos já afirmavam que tudo o que existe é uma mera condensação do Nada. Feito à fala da Presença, não era uma suposição ou hipótese ou algo que o valha. Era uma afirmação. Nada há de novo sob o Sol.
A Presença então é a Partícula de Deus. Tão igual e tão idêntica e tão diferente, que desconsidera o grau de percepção que dela temos, para que exista. Permite que possamos fazer qualquer coisa, qual uma extensão do que somos. Sem qualquer dificuldade, já que somos de origem comum.
A Presença

A Presença então é o nosso Anjo da Guarda, que não é nosso em particular, posto que cada qual o temos, todos idênticos, sem sexo e sem forma, como eu poeticamente tornei a minha, nomeando-a Beatlis. Algum outro, poeticamente cismou de colocar-lhe um par de asas. Pois que seja. É a Sabedoria a que se referia Salomão, anterior ao Homem e ao mundo. É o Espírito Santo de Deus a que se referem os religiosos. A fagulha de uma energia cósmica resultante do Big Bang, como o querem os astrofísicos. Para mim fica sendo como que a partícula unitária de Deus, presente em cada uma de todas as coisas, dando-lhes Vida. Positivamente não é Aquele a quem se dirigem fiéis em toscas orações vazias, por vezes intermediada por um desfilar enorme de santos. Isso não é Deus, é um clubinho.  

Leonardo da Vinci pintou-a. Daí aquele maldito sorriso que tão bem conheço, mas que desconcerta quem o vê. Ele nominou-a Monalisa e o quadro apresenta também simbolicamente os dois níveis possíveis. Os que têm e os que não tem conhecimento da Presença. Sempre lembrando que conhecê-la não significa sabermos dela, nada mais do que a Presença. Não nos é dado entendê-la, posto que somos criatura e ela faz parte do Criador. Ela portanto nos extrapola. Assim como os níveis de conhecimento nada tem a ver com o que usamos como “ser melhor”, “evoluir para”. Não. Há a Sabedoria na Matemática. Há a Sabedoria na Harmonia Musical, muito embora nela eu jamais tenha conseguido discernir. A Seqüência de Fibonaci, os produtos notáveis da Matemática são apenas indícios, entroncamentos que levam a ela, sem mostrá-la. Os meridianos de acupuntura são expressão da Presença nos humanos. Por essa razão temos seres humanos que não são “perfeitos” no sentido humano, como a Síndrome de Down e outras coisas, mas que tem um agudo senso matemático, uma memória absurda. Ou seja, há a expressão da conexão direta com a Presença, expressando-a, mesmo sem ter plenitude em outras funções. Mozart ouvia aos cinco anos uma Sinfonia e chegava em casa e a reproduzia completamente. Por vezes até corrigindo e acrescentando coisas. Portanto a Presença não cria gênios, tais quais os conhecemos, conforme os vários nomes citados. Pela razão que todos têm a Presença e não é ela quem os diferencia. O mundo naquele momento é quem os possibilita gênios, fora do normal, fora do que todos somos. Há Sabedoria, há a Presença na Natureza. Há a Presença na agricultura desenvolvida pelo Homem, posto que intervem na Natureza tal qual é, fazendo-a produzir e criar aquilo que lhe é conveniente. Há coisas que conhecemos que são impossíveis de terem acontecido por evolução, por conhecimento acumulado e etc. Então, há de ter ocorrido de um humano, há milênios atrás, sabedor e consciente da Presença, ao se identificar com a Presença existente naquele vegetal, recebeu dela a informação, a “inspiração”, de que deveria agir de tal maneira para que obtivesse “x” resultado. Se não, como explicar que se tem que espetar algo na transição entre a raiz e o caule de uma planta para que ela produza tal fruto? Foi um feliz acaso ou um sem-número de tentativa realizadas por um único indivíduo, devidamente orientado pela Presença.Há, pois, a Presença na Natureza. O mesmo Da Vinci afirmava aprender mais observando a Natureza do que um dia em uma biblioteca. A Presença ensina, informa, expões, esclarece. Há a Presença, Sabedoria na linguagem. No caso da linguagem humana por mais que tenhamos “n” idiomas e dialetos, a raiz, a origem é a mesma. A presença da Presença, na configuração da linguagem para a comunicação. Nos animais a linguagem é plena, sem modificações ou “evolução”, tal qual encontramos nos humanos, com a sua teoria da Matriz Indo-europeia para todas as línguas. Mas os animais, apesar de não demonstrarem a capacidade ou a necessidade de modificar a sua própria linguagem, conhecem a linguagem alheia. Não em seus meandros, mas como uma linguagem alheia. Por essa razão, algumas vertentes religiosas utilizam a expressão “falar na língua dos anjos”. Acaba sendo verdade, pois que é a origem da origem, a Presença. Quando criança, ao ser alfabetizado, cerca de 7-8 anos, passava horas no quintal da minha casa, com um giz roubado à escola sorrateiramente a escrever palavras na cerca de madeira que havia. Não me lembra as palavras, mas hoje sei que eram palavras criadas, inexistentes, ao menos na língua portuguesa, a que mal conheço. No meu mundo e no mundo real. Mas que devem fazer parte de algum idioma por esse mundo afora. Fazia aquilo sob a influência de estar magnificado com a descoberta das palavras e de seu significado. E ficava então a criar outras. A primeira linguagem por certo foi concedido ao humano pela Presença. Ela não evolui, mas involui ao longo do tempo, algo avesso ao uso, mas usual no comportamento humano, o emburrecer-se.   
Enfim, a Presença é sempre a mesma, já que representa a Sabedoria, que é a fagulha de Deus nas coisas. A Partícula de Deus como querem agora. O oxigênio e todas as outras partículas que existem, ao adentrar a um organismo, passam a conter a Inteligência da Sabedoria e não são iguais aos que estão fora. Agem como que comandados agora, subservientes a um Sistema que o dirige. Há uma mesma Presença, a Sabedoria regendo todas as coisas. Apenas o que muda é a “configuração” que é dada. Ao mapearem genomas diversos, concluíram que o genoma humano é 98% igual ao de um vírus. Erraram. Depois perceberão que não são 98%, mas 100%. Apenas com uma configuração diferente. Talvez até por essa razão, e dizendo-a real e verdadeira, quando leem os meus escritos os tais me tacham “o chato”, que nunca termina. Ou seja, eu, apesar de humano ajo, ao escrever, com a configuração de um chato, para quem assim pensa. Assim como eu tacho de anta aqueles que acham essas idéias uma pura viagem. Um humano que tomou contato com esses meus escritos, mas não tem a condição mental de acompanhar a minha longa viagem, age como uma anta. Somos cada qual como se fôssemos um elétron, com uma região de orbital no qual estamos. Há uma única possibilidade de mudança de orbital e ele é finito, mas a nós parecendo infinito, dado a diferença de dimensão entre nós e eles. Elétrons são todos idênticos. Algo como a imensa geleira branca que enxergo na visualização daquilo que chamei de alma humana. É o espaço orbital. Não se vê o segundo estado, posto que não há dois, mas apenas um estado de ser, em um ou outro. Não é um “espaço percorrido”. Há um estar. Quando hindus falavam sobre o que existe ser uma mera condensação do Nada explicavam corretamente aquilo que, depois de tanto tempo os nossos astrofísicos nominaram de “a partícula de Deus”. Há maneiras de agregação e elas são finitas, assim como as notas musicais entram em repetição, acima de determinada conformação. E essa agregação do Nada em forma de matéria é que vai formar os componentes químicos que conhecemos. Conformação essa que é única e que vai entrar em repetição. Por essa razão existem mesmo os universos paralelos. Não como os quer o Homem, que tenhamos uma réplica de um Luiz Gonzaga em outros universos. Não há. Isso é possível mas improvável. Haja! Não há uma repetição, mas há infinitas repetições, posto que um elétron tem o seu espaço orbital. Outro eletro, absolutamente igual tem o seu espaço orbital absolutamente idêntico. Mas que não são o mesmo. O conceito matemático de igualdade e identidade. 
 
O grande erro que é cometido é supor que a Presença atue no mundo fenomênico, criado. Não, não atua. A Presença é personalíssima, fazendo com que sejamos cada um como que água, na forma de um cubo de gelo. Uma conformação determinada que passou a existir. A morte representando nada mais do que a desconformação, voltando a ser “água”. A água toda é a Vida, a fagulha de Deus. A Vida não se extingue. No exemplo, a Presença atuou como temperatura, agregando a água. Por essa razão o universo criado pelos ditos “espíritas” nada mais é do que a tentativa de supor a Presença como algo que existe e que “toma conta de um corpo” e depois de outros e etc. Não. A Presença é a fagulha, a partícula de Deus. Não há matéria, não há forma. Ela existe em mim e deixará de existir em mim. Nesse intervalo existirá em mim a Vida, a configuração de um sistema que está em funcionamento, representado pela Presença. A Presença é o “On” de que o sistema operacional está em funcionamento. Assim como a projeção de um filme em uma tela. Não há vida na tela e nem no espaço em que a imagem é projetada. Ao deixar de ser projetada deixa de existir, existindo apenas em uma película, a origem. A vida então, como nada mais sendo que a expressão energética da fagulha, fagulha essa absolutamente idêntica em tudo o que conhecemos. Manifestando-se diferente, conforme uma “configuração”, que não me venha você perguntar como é tão diferente e ampla. Não sei.
Não se pode querer fazer equivaler o indivíduo e sua Presença com o mundo do Homem, o que o Homem criou, chamando-a “sociedade”. Enveredando por esse equívoco é que  o ser humano cria uma série de grupos, seitas, religiões, e etc, com a finalidade de tentar fazer com que aquele certo indivíduo saia da condição de desconhecedor para conhecedor da Presença, como nos dois únicos modos possíveis, retratado por Leonardo da Vinci, simbolicamente de maneira tão brilhante. Essênios, templários e outros tantos grupos, até à atualidade seguiram e seguem pelo mesmo caminho, o de "despertar" para a Presença. O despertar é interior, não se apreende de fora. Há até, em certas épocas, a existência de comuns e de nobres. Nobres sendo aqueles privilegiados que tem conhecimento e noção da Presença. Não há essa diferenciação em níveis de “qualidade de ser”. Há o conhecer e o não-conhecer. Assim como há o ligar e o desligar. Não há uma evolução, um processo. Há uma condição de estado. Como já dito, aqueles nomes citados são conhecidos como gênios, mas jamais pela atuação da sua Presença no mundo. Uma vã tentativa, por erro na essência da coisa. Não há essa evolução. Há a identificação da Presença. E não será por influência externa. Não é porque eu estou aqui há séculos falando sobre a Presença que existe em mim e que por certo existe em você, que você então dirá: “está bem, agora eu sei sobre a Presença”. Não, não será assim. Ou você se aperceberá da Presença ou não. A Presença não forma gênios. Todos a têm. Nesse exato instante, há milhares, milhões no Planeta que têm consciência da Presença. E não são gênios. Mas a consciência da Presença não atua nesse nosso mundo criado, não lhes concede ascensão na hierarquia social, intelectual, nada, nada. Não há um Caminho, uma escolha de um melhor Caminho. Há um único Caminho. Que não se ensina e que não se aprende. Portanto, seitas inválidas. Inválidas em finalidade. Podem existir quando quiserem, como um aglomerado de pessoas, com alguns convictos da Presença, outros não, independente do que aprendam. A Sabedoria não é acumulação de conhecimentos, mas mera percepção da existência da presença.
Outras tentativas há, quando falam erradamente em “temor de Deus”. Que é facilmente entendido e distorcido para o temor como estado de medo. Não. Temor é reverência, não é medo, temor, receio. A reverência como quando utilizada como instantânea, naquele momento de reverência. A Presença só se faz perceptível em estado contínuo de reverência. Por isso ela é imperativa. Ela ignora completamente o meu querer e as minhas razões. Eu devo aceitar ser ela para que ela se manifeste. Algo como quando você instala um programa em seu computador na maneira “manual” e não aquela determinada aprioristicamente por quem o elaborou. Você tem essa possibilidade. Sabendo que esse sistema é falho e nada abrangente. O “arbítrio” humano é isso: um desejo pedido de se tornar capaz de ser menos. Eu posso comandar. Mas vou me tornar uma sequência interminável de erros, por vezes incorrigíveis. A Presença exclui o meu arbítrio. Devo ser ela. Para tanto, em estado perene de reverência e aceitação.
Há na Medicina demonstrações da atuação da Presença na vida humana, de forma desconexa como resultado. Pessoas que afirmam ouvir vozes e outras coisas do gênero. E elas ouvem mesmo. E é a manifestação da Presença em suas vidas. Não há Haldol que resolva isso, por mais que assim o queiram os psiquiatras e a Psiquiatria. O que ocorre é um conflito de comandos entre os mandamentos, orientações e comandos sociais de comportamento e ações com aquele “sistema Operacional” em funcionamento para que a vida seja possível, cujo “ícone” é representado pela Presença. Certa vez, eu tinha três computadores em rede. Na central, coloquei o sistema em comando para “desfragmentar” o disco rígido. Para que isso ocorra, faz-se imperativo que não se utilizar o computador para mais nada. O que faz todo o sentido. Como se é possível verificar e corrigir um Sistema quando em funcionamento? Não o é. Faz-se então preciso que não esteja sendo utilizado. Pois bem, sabedor disso, fui para um outro computador, para continuar a escrita desses meus escritos viajantes. Quando retornava à central, o indicativo da desfragmentação acusava: 0%. Repetia a operação e ele começava a desfragmentar outra vez: 0... 1... 2%... E eu voltava para os meus escritos no outro computador. Lá pela décima primeira vez que eu voltava e estava estancado em 0%, recebi uma bronca terrível e para mim inimaginável do computador: “Por favor, decida de você quer efetuar a desfragmentação ou se pretende utilizar o computador. Não é possível realizar simultaneamente as duas tarefas”.  Eu fiquei vermelho de vergonha! Obviamente, terminei a desfragmentação. Pois muito bem: humanos estão sob o comando da Natureza por meio da Presença. Os comando da vida em sociedade, por muitas vezes iguais ou semelhantes aos comandos da Natureza, em outras conflitam com eles. A pessoa está sob comandos então distintos. Sob o comando social ela é frágil, pois desconhece ou não tem poder sob os comandos, por insuficiência, econômica, social, intelectual e etc. Por outro lado, pelas mesmas insuficiências, se ela desconhecer também e simultaneamente o sistema operacional dessa fagulha de Deus, cujo ícone é a Presença o veículo, que é o seu corpo, vai entrar em conflito e, analogamente aos computadores, vai travar. E é nesse ponto que os queridos psiquiatras vêm com os seus Haldol, Fluoxetina, Carbamazepina, Lítio e tudo o mais. Não.  Talvez então esses escritos tenham alguma utilidade. Quando eu digo que a Presença fala, tem voz, expressão enigmática e etc estou utilizando uma analogia com o nosso mundo fenomênico, onde há voz, expressão, etc. Tenho plena consciência de que não ouço vozes. Mas eu ouço a voz da Presença. Porque tenho consciência da existência dela, como algo paralelo às coisas do mundo criado pelo ser humano. Inclusive que são comandos distintos, que podem, eventualmente ser conflitantes. Por muitas vezes o são. E eu domino isso. Porque domino. Por alguma razão que desconheço, sei da Presença em minha existência. Como já dito fartamente, essa consciência de sua existência independente de qualquer cultura, conhecimento ou evolução. Existe, simplesmente. Por essa razão, essas pessoas ditas “doentes mentais” que ouvem vozes e tudo o mais nada têm de doença: tem de desconhecimento da Presença. Ou do conflito dos comandos. E entrarão em conflito real, somaticamente. Talvez lhes faça bem não tomar Haldol, mas ler essas minhas sangradas escrituras.

Essa convincente explicação me permite descansar em paz. 

11.07.2012

segunda-feira, junho 11, 2012

O fim do mundo, num dilúvio de hipocrisia

Eu tenho já a presença confirmada na Festa do Fim do Mundo, em 21 de dezembro, veiculada no Facebook. Está garantido que não haverá festa melhor. Mesmo porque, após ela, não haverá festa alguma. 

Já escrevi aqui mesmo, sobre o fim dos tempos. Só que lá, na visão, bastante ou totalmente impregnada com a descrição escatológica do Apocalipse. Visão que amedronta a humanidade há séculos, com anjos, trombetas, acerto de contas e tudo o mais. Acontece que, nesses tempos de agora, o Apocalipse virou videogame para criancinhas bem principiantes. A realidade é bem mais escatológica do que qualquer descrição futurística ou ficcional.
Os Maias preveem o fim dos tempos no dia 21 de dezembro desse nosso então derradeiro 2012. Para os judeus, cinco mil e tralalá. Para os chineses, sabe-se Deus lá quanto. Confesso que tenho certa ojeriza de escrever nos moldes de um "escrito científico". Recuso-me a citações de fontes e referências bibliográficas. Quem sabe, sabe. Quem não, que procure saber. Ora essas!  São esses alertas que sempre postergam eu iniciar a discorrer sobre algo. Mas, tendo dito, vamos a essa outra visão de fim do mundo.
A tal descrição maia refere-se ao fim de uma "era", fundamentando-se no percurso das estrelas e tudo o mais. Apesar de ser uma ideia literalmente viajante, é muito mais factível. Afirmam que, de alguma maneira, esse trânsito galáctico interfere em nossa vidinha aqui na Terra. E que, de tempos em tempos, finda-se um ciclo, iniciando outro. Isso sim é que é bem legal!
Imagine você: a nossa história ocidental conhecida é bem curta, astronomicamente falando. E é toda ela impregnada de um tom de estória da carochinha. Vai que vai e esbarra-se em uma afirmação mais inexpugnável que a Muralha da China: o conhecimento oriental. Revise aí os seus escritos e você vai constatar isso, caso não acredite no que aqui está sendo dito. É vero, creia.  Está lá falando-se do conhecimento filosófico aristotélico quando, cita-se, "seus conhecimentos adquiridos em viagens ao oriente".
Pois bem: crei para mim que o tal de Fim do Mundo será esse, o fim do império do conhecimento ocidental. Ainda bem, porque ele carece de fundamentação. Fundamentar que vem do Oriente não basta. Como é o conhecimento do Oriente?
Parece-nos então que iniciamos uma nova Era; saberemos, finalmente, em final apoteótico, como é o conhecimento oriental! Chega de intermediação!
Se você bem se lembra das aulas da dona Ermenegilda, no terceiro ano primário, o astrolábio, - recém-utilizado nas tais Grandes Navegações -, era invenção "oriental". A bússola também. A pólvora também. A Imprensa também. O Galileu também apresentou as suas novidades, com conhecimentos oriundos da famigerada "cultura oriental". E tantos outros "também", que não me lembra ou que não sei mesmo. Aos árabes coube algumas inovações na escrita e na Medicina, devido ao "seu estreito contato com o mundo oriental", em certa época. Que você vai consultar suas fontes, para saber quando. A escrita parece que chega à Grécia por meio dos fenícios em seu contato comercial com... o oriente. Aos judeus, por sua eterna andança diásporica pelo mundo afora, que certamente devem ter feito alguma clientela para o proibido além-Muralha da China.  Sempre claro, travestido de "turco", para todos os efeitos. Um vendedor nato e um agiota por consequência, num silogismo ímpar, de origem desconhecida. E não oriental. Defensores de uma estranha eugenia por se tratar de filhos diletos de deus, amargam vez por outra o sabor do próprio veneno, aplicados pelos gentios, o "resto". A distorção decorre da apreensão do conceito de casta, vindo também do oriente.
Pelo exposto, a cultura ocidental não sabe nada, nadinha. Resulta então que  nada  mais é do que uma cópia, uma tradução da "cultura oriental". Dado o ditado "tradutor traidore", ficamos com a versão acabada de algo que não temos como acessar o original, para confrontação de fidedignidade. Só sabemos agora que, após tudo devidamente copiado, foi acrescentado um novo ingrediente: o "direito autoral", que penaliza a cópia. Uma regrinha deveras engraçada: "é proibido copiar a minha cópia". Regra essa que tem se tornado difícil fazer-se cumprir, na atualidade. E, por paradoxal que possa parecer, é a "cultura oriental" que tem tornado difícil fazer valer essa regrinha da ilegalidade da cópia. E a gente compra cds e devs na esquina, a dois real, para o arrepio da indústria de som e imagem.
Diz a cultura popular, não sei se também oriental, mas "em todo mal há a semente de um bem equivalente". Isso, de certa maneira, reconforta-nos. Só não se sabe quando, nem como. Como a Justiça Divina: ela será inexoravelmente feita. Só não sabemos quando. Nem como. O que é uma injustiça desbragada!
E o fim do Mundo como o conhecemos resulta da germinação da semente, da Justiça Divina, da ação elementar da Natureza como não a conhecemos: o avesso do avesso, avesso não é. A Humanidade será regida pela cultura oriental. Eis o novo ciclo.
A nossa cultura ocidental, tudo depois de devidamente copiado, criou também outra coisa muito legalzinha: o Capitalismo. Um sistema genial, mas que confronta seriamente com qualquer outro, pois faz necessário supor a existência de um novo deus criado: o poder do dinheiro. Para o seu reinado, a existência também de uma ferramenta nova: a necessidade de adquirir algo, sempre mais, visando a um suposto conforto material. Não há mal nenhum, quando o aceitamos como um ser criado, para o nosso regozijo. Acontece que a vaga já estava ocupada, erroneamente interpretada. Já havia um deus criado anteriormente, só não se sabe se por influência de alguma cultura oriental. O fato é que já havia um deus. E, segundo esse, não há vaga para nenhum outro. Uma arbitrariedade ditatorial divina, digamos. Nada de concorrência.  Disso gerou-se o conflito. Que, como penso que bem explicitado, um erro grosseiro de avaliação.Você pode perfeitamente seguir os ditames de ambos: reze para um e compre do outro. Mas não, aquele deus criou mais um ditado: não se pode servir a dois senhores. Pode sim, senhor deus. Claro que pode! Dada a força empresarial que esse vingativo deus tem, fica então valendo o que chamamos de "reserva de mercado". Diz ele que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um servo do outro deus entrar no reino dele.

O fato é: criaram uma cultura dita ocidental, não para contrastar, mas fazendo de tudo para que ignorássemos por séculos a tal cultura oriental.

O Capitalismo é um tsunami e quer engolir tudo. E foi feita a besteira: ensinaram aos chineses a fazer a boneca Barbie (são produzidas lá, a baixíssimo custo). Eles gostaram da ideia. E copiaram o Capitalismo por inteiro. Com uma vantagem: aquele bom Capitalismo do Adam Smith, tal e qual foi criado. Sem as distorções criadas depois. Distorções que fizeram com que o preço da barbie saísse de um dólar, venda com lucro, para 500 dólares. Ou mais. Eles continuam a fazer a Barbie, com nomes tipo Parbie, só que a dois dólares. O distinto e paciente leitor dessas minhas divagações já observou que a frente dos automóveis orientais tem a "cara" com os olhos puxados? Considentando os farois como sendo os olhos, claro. Então, meu querido, os carros orientais já dominam o mundo, certo?

Com essas e com outras, chegou então o grande momento: a cultura oriental vai engolir a ocidental, com a mesma arma criada pelo ocidente, copiando o oriente. Eles copiam o ocidente, que copiaram o oriente. Enrolado isso, não?

Então: diz-se que "quando se está pronto, parece que o Universo conspira a favor". Veio um suposto Bin Laden e, com um canivete, fez desmoronar não apenas duas torres, mas o pilar maior da atual cultura ocidental: o senso de superioridade dos norte-americanos. Com a derrocada, a crise em dominó do ocidente. Com a crise, tudo fica baratinho que é uma coisa! E são de pronto arrematada... pelos orientais. Considere que a falência é de Estado e não de empresas. Com isso vão, aos poucos, tornando-se donos do mundo, materialmente.

Como queria demonstrar: sem terremotos, tsunamis, catástrofes nem Apocalipse. Apenas ingerindo do próprio veneno. Um fim de mundo paciente e silencioso, sem barulho. Coisa típica... oriental. E, seguindo os ditames das estrelas, entramos em uma nova era: a da cultura oriental. Que enfim conheceremos. Talvez o dia 21 de dezembro marque a data em que eles tomarão posse oficial de tudo. Com o seu modelo peculiar de Estado assumirão Estados em frangalhos em um sistema falido. Ah, será bem legal essa festa, viu!

Pelo pouco já demonstrado, os donos do poder ocidental tem mesmo que estar com muito, muito medo. Imagine você que é pena de morte para tráfico de drogas. Pena de morte para corrupção. Pena de morte para a traição à Pátria. E preparem-se para pagar a bala da execução! Levando-se em conta que eles não tem um deus tirano e vingativo, com uma indústria religiosa rançosa e exploradora do sentimento de culpa, isso anula o moralismo hipócrita. E se a moda pega, vai ficar difícil sobrar alguém para puxar o gatilho.

O pano de fundo que facilita e em muito as coisas para tal transferência de domínio consiste na degenerescência do paradigma do Estado ocidental(*). Ao ruir o pedestal do maior deles, os demais, ancorados neles, afundam-se em efeito cascata. Já no Brasil é em efeito cachoeira:  momento em que os três Poderes deixam de ser poderes republicanos na lição de Montesquieu e adotam o modus operandi de quadrilhas organizadas, formaradas para meramente espoliar o Estado, com exclusividade concedida pelo inocente voto daqueles que serão expoliados. Acredito até que o Fim do Mundo esteja agendado para o dia 21 a pedido de brasileiros: finalmente é sexta-feira! Mas aqui é diferente: o fim do mundo já impera há quinhentos anos.

 Como um arremedo, não custa lembrar que a cultura oriental é isenta do nefasto componente da eugenia, em torno da qual, e com o qual, erigiu-se toda a dita cultura ocidental que conhecemos e que cujo fim é recebido com tanto augúrio. Não porque a sequente possa ser melhor, mas apenas por ser dessa diferente.

Brindemos pois. Rei morto, Rei posto! Vida longa ao Rei!

* = frase atribuível a um eminente Mestre na Faculdade de Direito. 

sexta-feira, maio 11, 2012

Elegemos uma Posta?


“Pós-pronunciamento da Presidente eleita:

Meu primeiro ato como Presidente da República é pedir um favor ao povo brasileiro: gostaria de ser chamada Presidenta.

A língua portuguesa não contempla a função com o feminino, o que já tem uma representação simbólica importante do domínio masculino para o cargo. A nossa eleição engrandece ainda mais a conquista feminina na vida nacional. Não pretendo aqui praticar, portanto, o terrorismo com o idioma, a despeito de competência comprovada na área, criando um neologismo, em causa própria. A homenagem será a todas as mulheres. Nem pretendo impor um erro crasso por meio de decreto, muito embora meu partido seja exímio praticante do autoritarismo com máscara de democracia. Consciente que não sou dona do cargo e nem do País como um todo. Sei também que fui um poste eleito pelo meu antecessor, para permanecer no Planalto por um período de quatro anos e que depois terei que deixá-lo, sem levar nada, nem um crucifixo, nada. Nem mesmo aquelas metralhadoras do Exército que conheci lá e que eu gosto tanto e de que tenho tão ternas recordações.
É nessa condição que faço o pedido. Se o povo brasileiro entender o meu pedido e quiser me chamar de Presidenta, em nome do todo exposto, agradecerei. E se assim for, passarei então, somente após essa aceitação explícita e com o aval do povo que represento, a referir-me a mim em todos os documentos oficiais, como Presidenta. Se o povo assim não quiser, respeitarei a sua vontade, assim como respeitarei os limites do meu cargo e também do nosso idioma. Obrigada!”

Tivesse sido esse o discurso da Presidente, ou algo que o valha, seria eu o primeiro, acompanhado de milhões de brasileiros a acatarem o pedido da Rainha. Que mal teria, em nome do grande feito? Nenhum, ora bolas! Crie-se então o neologismo provisório: habemus Presidenta! E Camões repousaria em paz.

Mas não: “eles” têm por hábito o feito autoritário. Governam e legislam praticando atos de terrorismo, até mesmo contra a inofensiva última flor do Lácio. Uma mudança na Língua Portuguesa proposta por Lei. Existe isso? Para o PT existe. Só faltava mesmo era ser uma Emenda Constitucional. Além do absurdo linguístico, ficamos ainda com o absurdo jurídico: uma Lei com poderes retroativos. Existe isso? Claro, para o petismo existe, posto crerem que não foram eleitos, mas tomaram de assalto o Poder como algo próprio.  

Com a aprovação da Lei, tenho que providenciar algo que me é muito particular, mas que aqui acabo por ter que declarar. Acontece que o orgulho da minha família quatrocentona é o diploma de Técnico em Artes Diversas, obtido pela bisavó da minha bisavó, lá pelos idos de 1800. Pretendo, munido do texto da presente Lei, buscar o local onde foi emitido o tal diploma, que não sei se passa a se chamar diplomo, quando for para homem, para que haja essa clamorosa manifestação contra o sexismo na linguagem: a bisavó da minha bisavó era uma Técnica. E não um técnico, como lá consta. Daí está promovido o imbróglio: cadê a tal Escola? Como posso providenciar a modificação para “Técnica em Artes Diversas”? A quem devo responsabilizar isso? Ao bisavô do bisavô do dono atual da tal escola? E no caso do diplomado ter uma opção sexual grotescamente diferente daquela que a Santa Mãe Natureza lhe outorgou, qual gênero devemos escolher? E se o bisneto do bisneto, dono da escola na atualidade não cumprir a famigerada Lei? Qual será a sanção? Será ela penal ou civil?

Não por acaso que leis nunca podem ser retroativas. Mas o séquito de bajuladores busca sempre obtusamente apoiar incondicionalmente as barbáries cometidas pelos seus ditadores de plantão, com justificativas injustificáveis. Apelam sempre à famigerada obediência ao Estado de Direito, obediência essa que será cobrada quando da edição de leis esdrúxulas e absurdas, sempre em benefício próprio.   

Já o Monteiro Lobato, com dons proféticos admiráveis, além da previsão de um negro para a Presidência dos EUA, também já matutava tormentas semelhantes às minhas, com a sua personagem que nasceu por um erro de colocação de pronome. Mesmo ele, magistral em sua ficção não conseguiu prever que entraríamos o Brasil em uma Era Mintológica, cujo Rei nunca sabe de nada do seu reino de barbaridades e, a despeito disso, cria uma comissão (o “quanto” de comissão ainda a ser determinado) para buscar a Verdade, que é obviamente diferente do seu modo de fazer as coisas. Por ter aplicado um receita com todos os componentes do populismo, tornou-se a voz inquestionável desse nosso paisinho inominável. Conseguiu até mesmo, com o aparato do dinheiro estatal, que deveria ser nosso, eleger um poste. Ou, como ela quer agora, uma Posta.

Sendo assim, dona Presidenta, a sua assistenta pode deixar de ser estudanta da matéria e mandar um relatório, ou uma relatória, já que relata sandices femininas, explicando que nunca houve sexismo em linguagem ,exceto é claro ao sexo oral. Havia e há uma determinada e infensa convenção, há séculos e séculos, amém. Mas que agora há sim, não só um sexismo, mas verdadeira sodomia com o idioma, cuja violência aplicada faz presumir, conforme o nosso Código Penal ter havido um hediondo crime denominado estupro. E, como também prevê tal estamento, torna-se lícito abortar a tal lei 12.605, verdadeira anencefalia cultural e jurídica. Que foi editada em 3 de abril, mas certamente caberia ter sido editada no dia Primeiro de Abril. Aí sim, todos riríamos da brincadeira.