Um autêntico repositório de sabedoria. Quanta bosteira! E então eu desenho!
terça-feira, março 30, 2010
Em mãos erradas
domingo, fevereiro 14, 2010
O vampiro das Arcadas
sábado, fevereiro 06, 2010
Franciscântico
(Águas de Março - Tom Jobim)
É verso, é trova, é Fagundes Varella
É Semana de Artes, é um pouco de tudo
É o Calouro, é a BAISF, o Direito
É o Pátio, é o Porão, é o Largo, é o Hall
É o futuro agora, é o passado amanhã
É o peru, Peruada, é o MMDC
É a Revolução, é Constituição
É Dom Pedro I, é o Oswald de Andrade
É o dando Pindura, é um fim-de-carreira
É o beck, é o FICA, é toda quinta-feira
É a Filosofia, é conversa fiada
É a História inteira, não me lembro de nada
É o FEMA, é a Récita, é o cochicho na escada
É a taça na mão, Castro Alves, Poesia
É uma grande Amizade, uma grande Alegria
É a Loucademia, é Primeira, é um novo partido
É os Jogos Jurídicos, é DJ, é o fim da picada
É uma mente brilhante, é um pouco esquisito
É um dom, é um prêmio, é uma rixa, é um maluco
É um deus, é o Túmulo, Batizado na Sé
É a luz do Amanhã, Carruagem de Fogo
É um bigode, é um dia, é um corpo estirado
É um ano inteiro, é sombras das Arcadas
É um caso contrário, é um eu sou mais eu
É São Paulo, é Brasil, é o mundo num grão
É o “XI de Agôsto”, Álvares de Azevedo,
É isso a São Francisco, essa é a Sanfran
É o pulso da vida tomando o seu coração.
Onzaga
um franciscano fundamentalista
sábado, janeiro 30, 2010
Deus me Livro!
Estava para postar um bem-humorado texto no blog, nominado “o Vampiro das Arcadas”, quando recebo uma notícia que foi um verdadeiro banho de sangue frio, digo, água fria no meu animus jocandi: o digníssimo senhor ex-diretor da Faculdade do Largo de São Francisco e atual reitor de outras paragens, depositou os livros da Biblioteca ao relento, no meio da chuva, no Pátio das Arcadas. Como se fossem entulho. Lixo mesmo.
Por isso, livros serem agora lançados ao relento é algo absolutamente coerente. Para que servem ?
Luiz Gonzaga
Arcadas, XXX de janeiro, CLXXXIII
quarta-feira, dezembro 16, 2009
O Estado é nóis!
Nobody told me
There'd be days like these...
(John Lennon)
É preciso viver a vida! Viver cada dia como se fosse o último. Diz o ditado: um dia você acerta.
sábado, outubro 17, 2009
... e Peruada? Obas!
segunda-feira, outubro 12, 2009
Arcadas, século XXI: compre a sua sala
Marcelo Tas, apresentador do CQC, foi o primeiro entrevistado do Roda Viva do XI. Para quem não sabe, o “programa” foi devidamente expropriado em sua forma, daquele feito pela TV Cultura. Quando estava sentado em sua cadeira giratória, no meio do palco, no meio do Pátio das Arcadas, antes de iniciar o “programa” em si, deu vários giros, admirando aquele visual ímpar. Quando parou, com a mão segurando o queixo, fez um comentário, quase que para si mesmo: isso aqui é de uma magia sem igual! Apenas ouvi porque estava sentado ali, a sua frente.
Luiz Gonzaga
AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII
domingo, outubro 11, 2009
Plantão Médico Extraordinário
Escolhido aleatoriamente, o dia 15 de outubro verá acontecer um Plantão Médico no centro do Pátio das Arcadas. Não se trata de uma homenagem ao dia dos Professores, muito embora eles o mereçam.
I I - Apesar de durar apenas um dia, ela se fazer presente durante todo o ano. Uma sensação de ansiedade. Por isso, quando acontece, todos gritam em uníssono: Peruada, oba!
I X - Caso você ainda não esteja no clima, talvez porque esteja ainda desidratado. Beba mais. Ou pode ser porque foi pouco infectado e precisa de uma quantidade maior do vírus a lhe percorrer o sangue. Nesse caso, releia o item X.
X - Alguns lesados e alucinados podem até pensar: "já tive uma Peruada em minha vida e é o bastante". Cada qual pode pensar como queira, a gente reconhece e respeita. Mas, dessa vez você está definitivamente errado. Talvez não tenha contraído a HI XI como se deve. A Peruada causa uma dependência desconhecida. Tudo o que se sabe é que melhor que uma Peruada é só outra mesmo. Portanto, sugerimos que você compareça mesmo ao Plantão Médico. Para viver a Peruada. Depois a gente encaminha você para um psiquiatra. Relaxa! Algo de muito mal deve estar ocorrendo com você.
X I - Por essas e por outras que a Peruada é algo que é impensável perder. Se é que é uma doença, morra-se por causa dela. Por isso mesmo é que se montou um Plantão Médico. Para que você sobreviva e participe de mais uma epidemia. Mesmo que nada permaneça em sua memória, para contar para os netos. Eles que, se quiserem, sejam franciscanos também. Certo?
AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII
sexta-feira, setembro 11, 2009
Help!

O beatlemaníaco é xiita. Ele quer o que os Beatles fizeram, como fizeram e como quando fizeram. O tempo congelado na década de sessenta. Isso dizem os que costumam tachá-los, pejorativamente.
Sob a visão de um deles (de um beatlemaníaco, não de um Beatle), nada mais natural que isso. Afinal, só perduram pela genialidade do que fizeram, como fizeram e quando fizeram.
Certamente hoje, qualquer adolescente, aprendiz de guitarra, tocará melhor do que John Lennon. Porém, nem o hoje, do século XXI, nem qualquer outro século produzirá outro John Lennon.
Portanto, quando quero (e sempre quero) ouvir Beatles, reporto-me aos meus bons e velhos, porém originais, long-playings de vinil. Qualquer versão acaipirada, techno, hip-hop, zouk, ou o que seja, são puro lixo.
Palavras de um xiita.
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Sou essencialmente fundamentalista em relação às Arcadas. Pelo exposto acima, tenho prática nisso. E estou bastante longe daquele famoso adágio: “não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”. A razão, bastante também simples: busco as coisas que amo. E a elas dedico o meu amor, não porque as conquistei, mas porque busquei-as para amá-las. Uma lógica compreensível apenas a quem está acostumado a realizar sonhos.
Usando frase devidamente expropriada, posto que em domínio público: ser aluno das Arcadas é mais do que realizar um sonho. É viver um sonho. Sua insondável e inesgotável História está impregnada e se faz de uma grandeza ímpar, apenas comparável à grandeza da história individual de seus alunos, que farão a grandeza dela.
No Caminho de Santiago existe um monte, onde está, no topo de um mastro, uma cruz, símbolo do venerado percurso. Tal monte é composto de pequenas pedras. Pedras estas que foram depositadas, uma a uma, por cada um dos que ali estiveram.
Isto é Arcadas. O fundamentalismo franciscano fica por conta de aqui estar para apreender a sua grandeza para torná-la sua. E depois, ao construir a sua própria História, ser mais uma, nesse Jardim de Pedras. Fazendo parte Dela.
A analogia com os Beatles é apenas parcial. Para me imiscuir nesse sonho posso apenas fazê-lo ouvindo-os. Platéia. Aprendiz. De maneira xiita, essencial, fundamentalista, sorvendo apenas o mais puro original deles, tal qual viveram aquela mágica e misteriosa viagem, na qual fui passageiro (contemplado com um Ticket to Ride).
Para completar a analogia: ser aluno das Arcadas é como se, numa operação esdrúxula e surreal, pudesse eu me tornar um deles. Pois o real nome da Faculdade da História é Faculdade (da soma das nossas) História. Assim como cada pedra depositada no monte do Caminho de Santiago.
Por isso, para um franciscano fundamentalista toca o mais fundo do coração, ao ver passar meninos e meninas que vieram em busca da História da Faculdade. Não a encontrarão. Esqueceram de saber que lhes era condição vir apreendê-la para fazer a sua própria história, que seria dela. Aqui vieram apenas porque é uma escola muito-bem-paga-antecipadamente gratuita, que possibilita bons empregos e que é fácil passar de ano. Ah, e que aqui estudaram o Álvares de Azevedo, Fagundes Varella e Castro Alves!
Sairão dela como quem ouviu uma versão resmasterizada, adaptada, estilizada e “atualizada” de uma canção dos Beatles, em ritmo de forró, achando que conheceram a sua obra. Como diria o Batman: santa inocência!
Escrevo essas palavras ao tempo em que relançam, pela enésima vez, a coleção dos 13 discos dos Beatles. Agora estilizada, remasterizada, e o pior de tudo: “atualizada”. Para tentar acompanhar a genialidade daqueles fabulosos garotos, o cabalismo da data do lançamento: 9.9.9. Nove de setembro de 2009. Sem genialidades. A mim me lembra mais o espelho da Besta. Propala-se que, com as inovações tecnológicas, há melhora na qualidade, com eventuais correções. Desconsideram que a genialidade dos garotos fazia por superar, com o talento, qualquer inovação. Daí a maravilha da obra. Daí a permanência para todo o sempre.
Vivemos na Era do Replay. Mas com muita tecnologia. Isso sim! Obviamente comprarei a coleção. Mas, desta vez, apenas para constatar o crime que cometeram, ao corrigir as distorções geniais e propositais de Tomorrow never knows. Que Deus lhes perdoe. Não sabem o que fazem.
É garantido que, com um programa Autocad, pode-se projetar um monte muito mais belo e simétrico, naquele Caminho de Santiago, com as cores das pedras muito mais realistas do que a própria realidade. Não se duvida disso. Mas nada substitui aquele tosco pedaço de papel onde você esboçou, apenas com a ponta dos dedos, sujos de poeira e do próprio sangue, a visão do local onde você depositou a sua pedra, a compor o monte.
Por isso é que ser franciscano fundamentalista significa não apenas entrar para as Arcadas, mas ser parte integrante, atuante e criativo parcial de sua História. Aqui fica mais bem mais próprio o termo: XIita.
A consternação nessa lisérgica viagem analógica que faço, fica por conta de constatar a banalização dos genais garotos transeuntes franciscanos, tal e qual fizeram com a genialidade daqueles outros garotos, estes de Liverpool. É preciso torná-los assimiláveis ao grande público. Ao franciscano é preciso aparar as arestas da brilhante irreverência. É preciso banalizá-los, para que se tornem, tal e qual a manada subserviente, tão facilmente conduzíveis em sua passiva mediocridade.
Cruel a verdade daqueles versos: primeiro entram em seu jardim e lhe rouba uma flor... Esse foi o sentimento aflorado e germinador desses escritos: a implantação no Território Livre da bandeira que deveria ser da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas não é.
Sim. Primeiro, o Presidente do Povo providenciou a estratégica passagem das Arcadas ao domínio administrativo estadual. Depois tornou-se criatura da qual foi Criadora. Depois quiseram levá-la de seu berço esplêndido. Agora, fincaram a bandeira, possessivamente. Num depois, elegerão um franciscano para a gerência daquela. Franciscano esse não daqueles necessários, XIitas, fundamentalistas, mas um banalizado e “corrigido”. Depois, como não se disse nada, como nunca se disse nada, providenciarão a mudança das Arcadas para o Butantã. Franciscanos, que fizeram a História como atores, agora como mera platéia, estudantes de uma boa Faculdade.
E no Largo permanecerá um grande vácuo, vazio. Tal e qual o Ground Zero, depois do 11 de setembro. Talvez o prédio seja transformado em Museu. Exposto a visitantes curiosos, que nada enxergarão, além da beleza natural desse Pátio. Monitores contarão aos extasiados turistas com suas câmeras digitais sobre uma lenda que, nas sombras dessas Arcadas, existia o espírito franciscano que rondava por todo o prédio, iluminando cada aluno um brilhantismo muito especial. Certamente uma lenda apenas. Comprovado inclusive porque o espírito não saiu na foto. E sairão de lá felizes, acreditando que obviamente não existe mesmo nenhuma diferença entre aqueles Beatles intocáveis pelo tempo e os Oásis de hoje. E que franciscano é mesmo apenas um universitário como qualquer outro.
XI-h
AAArcadas, XI de setembro, CLXXXI
segunda-feira, agosto 17, 2009
Gente que tem que se acostumar com a derrota

Quando se opta por ser cronista franciscano, a coisa fica fácil: haja assunto, motivação, “inspiração”! Por exemplo: pucânus é (tem quer ser) acostumado a conviver com a derrota. Não é o mó legal? Conto:
Em um certo tempo perdido nesse diáfano manto que encobre os CLXXII anos de nossa pura e entusiasmante História, tivemos nós que acionar judicialmente aqueles perdedores contumazes. Isso porque tivemos o nosso sagrado direito ameaçado por uma pretensão resistida deles, em acatar humildemente a grandeza da Gloriosa Arcadas.
Julgada a demanda em primeira instância, é óbvio ululante que vencemos. Inclusive e principalmente porque tínhamos o próprio Direito do nosso lado. Além disso, e coincidentemente, o douto Magistrado era, como sói acontecer, franciscano da gema.
Acostumamo-nos rapidamente a ser vencedores. Vide algumas lindas canções que entoamos também em Jogos. No caso de Pindura bem-sucedido, na Delegacia encontraremos quem, como Delegado? Claro, um pucânus. Parece que está no sangue deles, talvez até no DNA esse silogismo aristotélico: se és pucânus, serás um delegado. Estranho. Com os avanços da decodificação genética talvez um dia encontremos uma resposta plausível para isso. Sendo por determinação molecular ou não, essa é a realidade real: na Delegacia, o delegado será um pucânus.
Convivemos também com diversas realidades outras. Tais como tropeçar em nossos pares da fmuhh, quando vamos licenciar o carro. Em lojas de sapatos, encontramos colegas de franca. Mack-orelhas parece que se afeiçoam em preencher vazios, deixados por franciscanos. Assim, ele será efetivado quando você, franciscano, optar por procurar coisa melhor. E assim por diante. É a vida!
Voltando das minhas divagações, à ação: sem o mínimo critério jurídico de avaliação de admissibilidade, condição de ação e outras delongas mais, não é que os ditos então entraram com um Recurso? Valha-me Deus, como são ousados os caras!
Passados alguns bons tempos, eis que chega o tal Recurso, às mãos do digníssimo Desembargador Relator. Obviamente, franciscano. Avaliados os pressupostos de admissibilidade processual da coisa, além do preparo, eufemismo dado ao pagamento necessário, seguem então os autos para a votação dos três desembargadores. Ah, sim, franciscanos, com certeza. Esperava o quê?
Após as acuradas ponderações, a votação final. Por três votos a zero, unanimidade, a rejeição do Recurso e o arquivamento do processo. Resultado semelhante àqueles que a gente costuma ver nas quadras e jogos, nos decantados Jogos Jurídicos. Por analogia e equidade. Um princípio geral do que é direito, digamos: vencemos.
Esses foram os fatos.
Acontece que temos que reformar um antigo adágio popular: “caiu na boca do povo!”. Agora dizemos: “caiu na net. Danou-se!”.
Foi o que aconteceu. Acabamos por receber uma mensagem de origem desconhecida, relatando os desencantos com a vida de pucânus. O que contrasta diametralmente com a alegria e orgulho de ser franciscano, claro.
O pitoresco fica por conta do texto enviado (que transcreverei apenas nas partes mais hilárias, sem entrar no mérito do porquê eles se tratam de “queridos”, mandam “beijos” e etc. Enviados?) por quem cuidava do caso aos seus diletos colegas:
“Queridos, (que é que é isso, minha gente!)
Cheguei ha pouco do Tribunal, ...pela nossa Gloriosa (?!) em face da decisão que julgou procedente a Ação proposta... (e ganha, aliás)
Com pesar, informo que foi negado provimento ao nosso Recurso por 3 votos a 0 ( e se eu estivesse no msn poderia assim me expressar: HUEHAUEHAUEHAUEHAUHAUEHAUAê!)
... O Relator Franciscano (claro! Mas gostei do respeito. É com maiúscula mesmo!) negou provimento, sendo acompanhado pelos seus colegas de turma (e de Arcadas também...).
Entendo que nos resta apenas aceitar a falhabilidade da Justiça (eita, pucânus! Anota aí: falibilidade).
Aceitar, sobretudo, que a derrota é algo comum (??????????!!!!!!!!!!!!! Fale apenas por você, pucânus. Dê-lhe o msn again: huauhsuahsuahsushsuahauashsueh!!!)
Eu nunca vi um recurso de apelação ter sido julgado tão rapidamente! (claro, né, pucânus! A Justiça é cega, mas não é coxa).
mimi-neiro
(puto por ter ficado na sala de julgamento e ter visto a comemoração dos Franciscanos). (é assim mesmo. Vivemos de comemorações! Nossa vida é uma eterna Peruada).
Beijos (?!?!?!)”
Luiz Gonzaga XIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXI AAArcadas, XI de agosto, CLXXXII
quarta-feira, agosto 12, 2009
Franciscântico
http://apennix.blogspot.com
Franciscântico
Onzaga
Um fundamentalista em Arcadas
quinta-feira, julho 16, 2009
Brasília é a nossa Neverland
Lá serão instalados o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. O Mula, em sua suprema sapiência, vê a possibilidade de grandes melhoras em seu contato com a realidade brasileira. A primeira delas, e a mais óbvia, é que ficará bem longe desse povinho que quer ficar sabendo de tudo o que eles arquitetam por lá. Um tédio isso! Além de ser uma grande calúnia! A segunda é que, aproveitando as mudanças do Acordo Ortográfico que nada acordou, serão feitas algumas mudanças nos nomes das nossas mais democráticas instituições.
Tais alterações são oportunas e necessárias, tendo em vista a adequação no tempo. Montesquieu já era! O negócio agora é o Mulismo!
O Poder Executivo passa, por Ato Institucional, ops!, por Medida Provisória, ops!, por Lei, a se chamar SEINADA. Muito embora essa evidência tenha iniciado no primeiro dia do primeiro mandato. Portanto, nem adianta ficar querendo saber de nada. O próprio nome da Instituição já lhe dá a resposta. Deixa o Mula trabalhar! Depois da cirurgia e tratamento para trocar a cor da sua pele “ideológica”, tem muito a fazer. Principalmente depois que agregou o Departamento de Compras as suas funções. Começou comprando votos de metalúrgicos, depois de funcionários públicos, depois de “artistas” (ou autistas, não sei direito), depois intelectuais. Após algumas cirurgias espíritas para adequar o perfil, foi eleito. Passou então a comprar os miseráveis e depois o Congresso. Aos empresários e estrangeiros não comprou. Apenas liberou. Ufa! Mas continua na labuta, visando a amealhar votos para se tornar o Imperador do Mato Virgem. Sempre negando isso, claro. Por isso, a capital em Neverland. Com a vantagem da mudança de direção, que o Mula não molesta criancinhas. Elas não votam. Assim, como um segundo “Pai dos pobres”, pretende assumir vitaliciamente o trono.
O Congresso Nacional passa, com o Acordo, a se chamar Compreço Nacional. Dado que alteração é homofônica e não homográfica, a regra é que se pronuncie tonicamente o “pre”, feito aos nossos compatriotas ultramarinos, pré. Tal adequação demonstra claramente a entrada oficial, no século XXI, do País no Capitalismo, iniciado no século XVIII. Do País, não. Na real, continuamos na Idade Média, no Feudalismo. Continuam em pleno vigor a vassalagem, a corvéia, a mão morta, as banalidades e etc. Claro está que são recursos que no Compreço também continuam vigorando, sendo o Capitalismo apenas adicionado a elas. O Escambo é recurso largamente utilizado. Mas se não der acordo, já que somos agora adeptos do Capitalismo, compra-se. O quê? Ora, compra-se tudo. O ser a favor, o ser contra, o abster, o ser oposição. Compra-se quem? Ora, todos, não?
O Compreço Nacional, apesar das adequações temporais e algumas alterações ortográficas, continua com suas duas Casas. Uma de Repouso e outra, um verdadeiro Prostíbulo.
O SONADO, instituição proposta pelo ultrapassado Montesquieu, devidamente atualizado e adequado às práticas atuais, é o representante do gigante povo adormecido brasileiro. Como uma legítima instituição democrática, modelito terra brasilis, seus membros não são eleitos por esse negócio ultrapassado de voto e vontade popular. São Suplentes, dos Suplentes, dos Suplentes de alguém que nunca esteve, hipoteticamente, no Amapá, mas sai candidato por lá. Melhor, cãodidato. E lá se implantam como se fosse a sala de estar de sua casa, ou melhor, terminal eletrônico bancário, e montam ali um balcão de negócios. O seu próprio bolso da esquerda, antes vazio, agora é fartamente preenchido com o dinheiro do Estado, como se fosse o seu bolso da direita. Mada mais natural que isso.
A DEPUTARIA congrega os Deputados. Como bem declara o nome da Instituição, conforme a nova ortografia, será ali erigido um monumento monumental à Patrona, Mãe Joana. A Herma do Ruy Barbosa será fundida e vendida como escória reciclável. Claro que superfaturado, para a empresa de algum apaniguado. Cansados de serem conhecidos como representantes do povo, querem agora ser representantes do Estado. Que a sua eleição seja patrocinada com os cofres públicos. Ou seja, além de engabelar você, surrupiando o voto, isso será feito com o seu dinheiro, caro eleitor. Com isso, será possível repassar a integralidade do caixa dois, que continuará óbvio vigorando, para outras contas. De preferência em outros países mais promissores, embora pequenas ilhas. Ali funciona também a Bolsa de valores, negociando Ações Escusas. O modus operandi utilizado para ser eleito é uma verdadeira Corrente da Felicidade. Você também, qualquer brasileiro, pode ser candidato. Desde que adquira, a preços módicos, uma franquia em algum dos “n” partidos políticos. Com o seu direito a candidato comprado, você empurra o de cima da Lista. Se tudo ser certo e nada der errado, um dia você também se elege, conseguindo ser aceito nessa boquinha. E será feliz para sempre.
O povo? Ora, o povo que coma brioches!
Povo, que aliás e finalmente, também foi contemplado com a mudança ortográfica, assim como o território nacional. Este passa a se chamar Picadeiro e aqueles, Palhaços. Mas com o sagrado direito de sair por aí, com faixas pela Avenida Paulista, exigindo honestidade, moralidade, estado democrático e tantas outras inócuas palavras bonitas e de efeito. Mudar não muda nada, mas que pode espernear, pode. É divertido.
Luiz Gonzaga
Arcadas, XI de julho, CLXXXII
segunda-feira, junho 22, 2009
Relatório anual de greve da usp: copiar-e-colar
A São Francisco tem lá o seu vínculo burocrático-financeiro com a usp. Por isso, também anualmente, o Centro Acadêmico “XI de Agosto” faz uma enquete, consulta os alunos acerca da greve. A consulta é pro-forma, visto que feita para aplacar anseios dos líderes das greves anuais, pré-agendadas. Política de boa-vizinhança entre Centros Acadêmicos. Mas o resultado é sempre o mesmo: 60-80% dos franciscanos não quer greve, não adere e muito menos lidera greves. O apoio declarado pelos alunos é aquele, no melhor estilo “tá bom, façam lá a sua greve. Mas me incluam fora disso”. Sempre para o desalento dos grevistas, cujo sonho sempre foi inutilmente incluir a São Francisco em suas greves. O nosso sonhado cenário de “lutas sociais”. Afinal, o Território Livre é nosso quintal, todas a “grandes lutas” se travaram e se centraram em nosso Pátio. E a liderança pensante, brilhantes franciscanos. Isso tudo num glorioso tempo que nem usp havia. Era e é, como sempre, a São Francisco. Mas em vão. Arcadas, sem greve.
No transcorrer de tudo isso, acompanho com interesse renovado as longas mensagens e pequenos ensaios que se produzem na Internet, nos egroups das salas de todas as turmas. Primeiro, devo declarar que o pessoal tem tempo de sobra. Eu, para ler; eles, para escrever longas digressões acerca, inicialmente da greve. Favoráveis ou contras. Posterior a isso, o assunto descamba e passa a abranger o inimaginável. Tais como os direitos difusos, a Guerra de Tróia, os perigosos buracos negros, a recente ascensão do Corinthians, bem como o show da Susan Boyle. Canta muito bem a moça! Escrevem bem e bastante os admiráveis pares franciscanos.
Há uns cerca dez alunos da São Francisco que participam das manifestações de greve que 0,001% dos uspianos fazem, com aquela citada maçante regularidade anual. Tais alunos deixam na garagem da sua cobertura duplex no Morumbi os seus Audi, BMW e outros carrinhos populares, pegam um ônibus (argh!!) e vão para o Butantã, encontrar os seus pares de Esquerda, revoltados com a opressão e a desigualdade. Ressalte-se que, no caso desses alunos das Arcadas, ser de Esquerda não remete a qualquer ideologia, como primeiro se faz pensar, mas apenas indica em qual punho ele carrega o seu Rolex. Que deixa em casa, para se juntar ao perigoso, mas útil manipulável populacho. Esse proceder, enfadonho e renitente, faz parte da surrada cartilha para tentar inutilmente eleger esses dez alunos como Diretoria do “XI de Agôsto”. Resta lembrar que, enquanto houver um só aluno que tenha presenciado a traiçoeira palhaçada da gestão esquerda e grotesca do XI, em 2007, fica garantido que eles não serão eleitos outra vez.
O recurso chamado greve, em sua essência, sempre conteve a idéia de ser uma inesperada carta na manga, uma última arma, com a potência de um tsunami, cuja enérgica ação visava mexer com estruturas, aprimorar e equalizar algo. Isso lá pelos idos de antanho. Com o passar do tempo, pela banalização do seu uso previsível e único, num modus operandi anacrônico e repetitivo, na linguagem requintada presidencial, o tsunami passou a ser apenas uma marolinha. No máximo algumas ondinhas maiores, utilizadas para a prática salutar do surf, entre aficcionados. Que, obviamente sairão por ai, declarando em altos brados que manifestações escritas como essa que se lê, são a expressão de uma direita reacionária, fascista, pequeno-burguesa, dos opressores do maldito sistema capitalista, etc e tal. Descarregarão, como sempre, feito descarga, todo o vocabulário do kit-Marx que sobejamente conhecemos, pela repetição. Na falta de argumento convincente, utilizaram a tão criticada violência da Polícia. Com o diferencial de que esta age, quando age, por dever legal. Aqueles, por pura apelação.
Inovando, incrivelmente, dessa vez resolveram fazer uma grandiosa passeata, cujo destino era o nosso Território Livre, o Largo de São Francisco. Mas a inovação não é criatividade, é apenas o uso da fraude. Indução ao erro da mídia e do povo em geral, já que tendo o Largo como ponto final da tal manifestação, faz acreditar ao desavisado que aderimos, apoiamos e até lideramos tal greve. O que é uma mentira.
Enfim, a greve da usp: uma esquálida reencenação de edições passadas. Um show anacrônico e picaresco; inútil, porque vazio; agora, também criminoso.
Luiz Gonzaga
Arcadas, XX de junho, CLXXXII
segunda-feira, junho 01, 2009
O Direito Voluptuário
Agora será proibido fumar em locais fechados. Longe de querer defender heroicamente a saúde da população, a intenção mesmo é de criar mais uma forma de extorquir dinheiro de bares, restaurantes e afins.
Multar carros parados não impedem que atrapalhem o trânsito. Mas rendem milhões.
Vamos exigir que também sejas fiscalizados os estádios (que são fechados) e os locais de festas tipo Skolbeat (idem). Ah, e que aproveitem também para fiscalizar o tráfico de drogas, que corre solto ali.
Aproveitem também para fechar fábrica de armamentos e seu tráfico. Intoxicação por chumbo é mais letal que o monóxido de carbono do cigarro. Mata na hora.
Que fechem também as fábricas de motoclicletas, pois elas matam, por ano, mais do que a interminável guerrinha entre os diversos tipos de judeus.
Fechem também o Congresso, pois lá há os que desviam para seus bolsos o dinheiro que seria para que crianças não morram de fome, por esse Nordeste afora.
Para distrair a atenção do povo, além de futebol e sexo explícito no horário nobre, resolveram botar a culpa no cidadão por todos os problemas do mundo. Como se ele fosse o vilão e não o Estado. Assim, prendem por desmatamento um índio porque tirou casca de uma árvore, para fazer chá. Mas não prendem as “n” madeireiras chinesas que estão devastando a Amazônia, sob os olhos complacentes e corruptos dos que deveriam protegê-la.
Longe de mim afirmar que fumar faz bem, mas o que faz mais mal é a hipocrisia que tomou conta do assunto. Tudo e todos falando sobre os males que o cigarro faz. E todo o resto ai, acontecendo, como se tudo já estivesse resolvido. E o povo, ignorante como sempre, engole isso. E saem todos feito Dom Quixote, empunhando alguma bandeira imposta pela mídia.
Criam Leis espúrias e oportunistas, porém bonitinhas, sob o dogma de que o que vale é a Lei. Nossos códigos e Constituição são um primor de perfeição. Mas não sobre a realidade real que vivemos. Dizem, com toda a empáfia: vai para a cadeia! Só não completam a frase “... e será libertado meia hora depois, por um Habeas Corpus emanado pelo STF”. Ou ainda, sairá pela porta da frente do presídio, depois de todos devidamente comprados. Mas se tiver furtado um shampoo, esse está realmente condenado a passar o resto dos seus dias trancafiado. Provavelmente morra lá, antes de sair.
Penso até que toda essa campanha é patrocinada pelas fábricas de tabaco. Propaganda gratuita. Não, não. Mas falar sobre isso é Teoria da Conspiração.
Atropelaram até o único princípio que é sagrado em Medicina: NADA que ocorre no corpo humano é unicausal. Mas, com o cigarro pode. Afirmam como donos da verdade, na maior displicência e na maior ignorância: o cigarro CAUSA... Não causa! Desafio a qualquer um a comprovação das 4700 substâncias que dizem existir. Assim como desafio a comprovação da morte de apenas UM, por “fumância passiva”.
Quisera Deus que todas as doenças matassem como o faz o cigarro, depois de trinta ou quarenta anos de uso. Talvez nunca. O cidadão morre antes, por outro mal. Como a Náusea, por exemplo, diante de tanta hipocrisia.
A poluição causada por ônibus, caminhões e carros matam em questão de minutos. Se não acredita nisso, poste-se atrás de um ônibus ligado, por alguns segundos. Sulfetos, monóxido de carbono, chumbo e outras coisas estão ai, no ar, cada vez mais. Mas isso pode. Quando muito, a culpa é sua. Deixe o seu carro em casa. E tudo fica resolvido. Após claro, uma campanha televisiva custando milhões, que irão para bolsos muito bem conhecidos.
E esse Direito Voluptuário criou a Democracia, onde todos temos o direito de fazer como se manda. E o nosso rei, Monarquia Absolutista em pleno século XXI, cercado de bajuladores comprados, distribuem-se estrategicamente para também comprar a pseudo-oposição, que nada mais quer que desfrutar um lugarzinho saudável e rentoso. Para os muito ricos, os paraísos fiscais. Para os muito pobres, bolsa-família. Cada qual tem o cala-a-boca que merece. Recurso prá tudo isso? Vem das multas aplicadas sobre a espremida classe média. Que passa a vida bestamente trabalhando, para bancar o circo e pagar as multas.
Essa conversa toda poderia ser feita em uma mesa de bar, com alguns amigos, cervejas e cigarros. Mas não se pode beber, por causa do bafômetro. Não se pode fumar por causa do aquecimento global. E os amigos estão divididos, entre ser contra ou a favor de tudo isso. Talvez então conversemos pela internet, presos dentro de casa.
Claro está que alguns argumentarão: nossa! Como é que você pode defender o cigarro?
Não tendo sido afetado pelo vírus do "policitamente correto", vou morrer de overdose. Não de monóxido ou álcool, mas da hipocrisia reinante.
Luiz Gonzaga
Um cidadão




