sábado, maio 15, 2010

SALA PRIVADA "João Grandino Rodas"


Diante do inequívoco espírito franciscano ao lidar administrativamente com as coisas das Arcadas, inclusive contemplado com a ascensão ao posto de Reitor, creio ser de bom alvitre os alunos realizarem uma singela homenagem ao ex-diretor, indicando o seu nome para uma Sala, perpetuando assim o nosso eterno reconhecimento e gratidão ao seu valor e a sua grandeza.
Considerando que a oferta do número de salas é exíguo, o que encarece inclusive o preço no mercado de venda de salas homenageadas;
Considerando que as mais destacadas e nobres Salas já atingiram alto preço no leilão recentemente realizado, inclusive sob a égide do presentemente sugerido a ser homenageado;
Considerando que os méritos então considerados referem-se tanto à obra em vida realizada pelo antigo aluno quanto o vultoso valor de cotação, em transparente processo licitatório, inclusive no que concerne à esdrúxula contrapartida num ato de doação;
Considerando que a homenagem ora sugerida não levará em conta o valor pecuniário de nossas estimadas Salas, resta o atributo do valor da obra realizada pelo homenageado, na função de dirigente maior da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco;
Considerando que, em sua indigitada Gestão, o presentemente sugerido a homenageado, em relevante serviço de expansão da área da Faculdade, obteve êxito na aquisição de um Aquário;
Considerando que no conquistado Aquário insistiu por transpor os queridos e valiosos livros da Biblioteca, na heroica e louvável tentativa de higienizar os livros, após duzentos anos de manuseio pelos Alunos;
Considerando que, ciente e orgulhoso de sua inusitada contribuição, deixou um valente assecla na vice-diretoria, professor Gazella, como guardião de suas medidas, na tentativa de evitar impugnações por parte dos Alunos,
 
fica então indicada a Sala localizada no Hall dos Calouros como

SALA PRIVADA


João Grandino Rodas

Deve-se enfatizar publicamente que tal homenagem em nada tem a ver com doações em dinheiro para a obtenção da aposição de um nome em sagrado solo das Arcadas. Que a homenagem refere-se estritamente ao reconhecimento à obra em si, a placa será inscrita, não em letras douradas, que poderiam inclusive aludir ao poder do vil metal, mas com o material decorrente mesmo da obra que se realiza no interior da Sala escolhida, nas LATRINAs existentes. 

Finalizando, resta lembrar que toda a mobilização dos nobres colegas franciscanos tem sido de uma dedicação  e unidade admiráveis, mas que, a despeito de tudo, dos Atos, reuniões, votações, assembléias, depoimentos e tudo o mais, OS LIVROS CONTINUAM LÁ, sobrenadantes no Aquário das Arcadas. E que tal situação exige menos burocracias e mais ação. Tal como os alunos mesmos irem buscar os tais livros. Em qualquer lugar que os deixemos, estarão melhor do que no lugar onde estão agora.

Resta lembrar que franciscanos estão mais afeito à ferramenta do animus jocandi  no  realizar coisas. Essa a nossa principal e mais potente bandeira.

O sucesso é sempre é garantido. Tal já não se pode dizer quanto ao manuseio das leis e do Direito. Sendo assim, a empreitada de retorno dos livros deve ser feita mais com o uso do bom humor do que com petições mil. Isso já foi feito em n oportunidades, sempre com resultados altamente positivos e doces também. Como o mel que saboreamos, feito sob a herma do Álvares/Fagundes. Quem sabe agora, saciemos nossa sede de Saber, ao desfrutarmos da Sopa de Letrinhas em que se transformou a nossa Biblioteca, naquele malfadado Aquário?

A mídia é uma arma muito poderosa. Sabedores disso, colocam gente MUITO esperta para as reportagens. O nosso contato com eles deve estar à altura disso. Para não ser manipulado, como vem acontecendo.
Para quem gosta de cargos, ter um Assessor de Imprensa muito bem preparado é vital, nesses casos. 

Portanto, chamem a mídia e façamos a transposição da São Francisco. Dos livros, melhor dizendo.

AAArcadas, XV de maio, CLXXXIII
Luiz Gonzaga
Décio Pignatari - 06.05.2010



terça-feira, maio 04, 2010

Biblioteca das Arcadas: sopa de letrinhas?

Já me contaram que, para conhecer o prestimoso grupo "político" Paradilma, digo, Paradigma, é preciso ser indicado por alguém do grupo. Como se fosse fácil achar um. Depois, é preciso uma carta pedindo autorização para participar, apenas como ouvinte calado, a uma reunião. A carta, digitada e sem rasuras, deve ser em três vias. Com a assinatura devidamente autenticada e reconhecida a firma. Após isso, aguardar a vacacio legis: 45 dias constitucionais, para que o seu nome saia publicado. Se houver sido homologado o pedido, haverá a convocatória. Se não, apenas a negativa sumária. A publicação é feita no Diário Oficial dos Burocratas de Plantão da Gloriosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Não aquela Sanfran , mas a modelito grêmio estudantil, vigente após o poderoso resgate de saudosas tradições.

Ai, meu São Francisco! Com nossas mudanças climáticas, ventos estranhos sopram também pelo Largo.

O modorrento e o sempre-quase-nada-lido "jornalzinho do XI" agora faz licitação e concorrência pública para Conselho Editorial. É mole? E isso tudo é prá escrever resenha de filmes e outros quetais. Que se lê bem melhor em publicações especializadas. Franciscano quer ver, quando quer, textos inéditos de alunos, suas criações, poesias e tudo o mais. Está pouco se lixando para a visão e opinião de um outro franciscano sobre as mazelas mundias. Deixem com o Júlio de Mesquita o que é do Júlio de Mesquita. Ou do Otávio Frias, antes que ele suicide.

Uma avalanche de burrocracia. Coisa estranha nas Arcadas. Plebiscito para constatar o óbvio. Contestação do resultado pela baixa adesão, o que é sempre óbvio. Franciscano apenas adere à própria idéia. Ego de elefante, quem não sabe?

E o XI pedindo, pedindo. Lembra mais intermináveis pedidos de Moisés para o Faraó. Há que se lembrar que judeus são o povo escolhido de Deus. O resto é resto. E Ele mandou as pragas e ficou tudo resolvido. No nosso caso, a praga é bem menor, já que franciscanos são apenas semi-deuses. Menos. Alguns empedernidos alunos que ainda teimam renitentemente em acreditar que está chegando o momento em que teremos também a nossa Geyse. Valha-me Deus!

Assim, teimosamente quisemos participar do egroup que se formou acerca do famigerado assunto "Biblioteca". Uma burocracia cibernética. Melhor que nada. Ali dei a minha sugestão para a resolução imediata do assunto. Não surtiu efeito. Talvez porque não tinha assinatura digital, não estava em três vias e outras necessidades modernas.

Então transcrevo aqui a minha sugestão, desburocratizada, deslavada e fundamentalista. Mas genuinamente franciscana, sem resgate de coisa nenhuma e nem espírito de movimento-estacionário-estudantil-sócio do DCE:

Um grupo de alunos, munidos apenas de seu bom-humor e o animus jocandi que sempre caracaterizou as Arcadas deveria se dirigir ao Anexo IV e, cada qual trazendo uma caixa de livros, restituiria os livros para o local de onde nunca deveriam ter saído: a Sanfran.

Uma fila indiana-franciscana. Para que a coisa fique mais alegre, alunos poderiam vestir camisetas com as cores da Gloriosa: alternadamente, um de camiseta preta, outro de camiseta vermelha. Perdoem-me aqueles que vão optar pela camiseta preta, pela despesa extra. Já as camisetas vermelhas a gente sabe bem que já existem. Não sei se vermelhinhos topariam algo assim. Nem mesmo o São Marx previu  isso. Não está escrito n'O Capital. Então não sei. Mas não custa tentar, né?

Sendo que as caixas são pesadas, solidariamente dois carregariam uma caixa. Um de preto e outro de vermelho. Não seria bonitinho? Até seria. Bonitinho ou não, a coisa ficaria resolvida. Sem memorandos, sem plebiscito, sem intermináveis reuniões, sem resgate de coisas que se desconhece, sem movimento estudantil de nada. E DE UMA MANEIRA TIPICAMENTE FRANCISCANA.

Foi assim com a estátua do Beijo Eterno. Foi assim com a herma do Alvares Fagundes de Azevedo Varela. Foi assim com o Menino e o Catavento. Estão no Largo.

Se querem deixar mais interessante, chamem a mídia. Eles adoram isso. Usem o politicamente correto e clamem pelo absurdo que é o descaso para com a Cultura. Jamais nesse país aconteceu algo assim. Chamem a Dilma. Mas não chamem pela mãe dela não, que é palavrão. Chamem que ela vem. O Mula veio em 2002. Tinha até uma carta que ele pediu para alguém escrever, dizendo que a São Francisco é mó legal e que não sabia, entre tantas outras coisas que não sabe, que o tal santo era advogado também. Linda a cartinha.  Tem uma letra linda o asceçor dele. Só vendo! 


Os livros devem voltar para as Arcadas, antes que virem sopa de letrinhas. A Turma CLXXXIII que ainda não conseguiu ver nada, poderia fazer esse favorzinho. 

AAAcadas, V de maio, CLXXXIII

terça-feira, março 30, 2010

Em mãos erradas



 O saudosismo nas Arcadas não tem lugar, a não ser para exercitar algo inexistente em nossa tão sofrida e sofrível população brasileira: a memória. Não é como o dito popular, que diz que "é errando que se aprende". Na realidade, é o lembrarmos do erro em momento futuro que, talvez, impeça-nos de errar de novo. E tem-se História e Tradição que sobra, para demonstrar isso. Basta que a conheçamos, que a relembremos, em exercício.  Por isso, não custa aqui rememorar algumas passagens presentes, nada diferentes, na essência, dos eventos passados.

Ocorreria a festa de formatura, tão maravilhosa e tão triste. Cisma então a OAB de marcar o seu exame para a véspera. Pode isso? Não. Claro que não. Franciscano vive para comemorar, buscando diturnamente motivos para isso. A formatura é uma delas. Como então resolver tal impasse? Simples. Coube a resolução da árdua tarefa de preservar a mais pura tradição franciscana ao eternamente lembrado, prof. Goffredo da Silva Teles. Em seus garranchos pessoais, nada de computador, digitado, nada. Uma cartinha de próprio punho do professor e estava então resolvida a questão: mudar-se-ia a data da... prova da OAB. Isso é o que se pode chamar de o mais autêntico espírito franciscano. Claro que a OAB não pode querer cometer o despropósito de eventualmente estragar uma festa franciscana. Eles que arrumem outra data. Assim resolvemos as coisas. Afinal, o resto do mundo tem espaço de sobra prá se acomodar às coisas resolvidas nessas Arcadas. Cabe lembrar que, noutro ano, a tal prova coincidiu com a véspera da formatura do povo de Perdizes. Claro que eles então tiveram que remarcar a data da formatura. Comemorar o quê, pelo amor de Deus?  

Já nos dias de hoje recebemos passivamente a visita de um fiscalzinho qualquer a anunciar o fechamento do Porão. O Porão nunca foi fechado por ninguém, exceto pelos alunos. Nem mesmo um ditadorzinho que atendia por Getúlio Vargas conseguiu isso. Nem mesmo com seus vetustos argumentos de subversão, sendo o Porão um antro de alunos subversivos, orgulhosamente. Não obtendo sucesso no tal fechamento, criou uma universidade, para, com tal desculpa, deslocar as Arcadas para aquele ermo. Eles foram para lá, ele se foi, covardemente, como era de se esperar. As Arcadas permanecem no Largo, com o seu nosso Porão devidamente aberto. A despeito da subserviência de alguns, que absurdamente acham que se devem curvar aos argumentos do fiscal. Argumentam: quem o XI pensa que é?  Eu respondo por ele. A salinha do XI, em nosso indefectível Porão, albergou as reuniões daqueles então subvertidos que instituiriam a República nesse Brasil. E isso regado à muito álcool, muitos cigarros madrugada afora. Dizem até que regado também a muito ópio. Afirmação essa que refuto de pronto. Uma calúnia para com os nossos colegas da época. E foi nessa mesma salinha, com telefone ligado diretamente com a sala do Presidente da República, que se criou o Supremo Tribunal Federal. E não foi à toa que composto por XI membros. Todos franciscanos, claro. Criado inclusive com o solene compromisso de que sempre haveria nele, ao menos um egresso dessas Arcadas. Se de lá emanam Habeas Corpus  para livrar os daniel dantas da vida, que se emane então desse mesmo lá, uma contra-ordem ao fechamento do Porão. Simples assim.          

Sei que, um leitor mais mordaz, argumentaria pejorativamente que estou me remetendo a "tempos que não voltam mais". Não se aplica. São tempos que nunca se foram, para quem pensa assim. Muito embora reconheça que, nos tempos do agora, a grandeza das Arcadas mais se espelha numa boa agência de empregos, onde se é possível arranjar um bom estágio, num escritório renomado, antes mesmo do primeiro dia de aula. De calouro. Certo está que é uma grandeza também. Mas uma grandeza relativa à pequenez do nosso mundinho de lulismo e outros afins. A minha conversa é sobre a auto-estima franciscana, algo tão imenso quanto o Largo que nos rodeia e abriga.

Permitiram que se tirasse a sala da Academia de Letraz do Hall dos Calouros, onde sempre esteve, desde que a criaram, pelos idos de 1932. Por alunos medíocres e arredios, feito à Oswald de Andrade e outros mais. Mudança essa motivada pela nobreza do discurso politicamente correto de construir banheiro para deficientes. Não os há, nesse universo chamado Sanfran. Deficiente foi quem a tirou de lá. Banheiro ainda nunca utilizado. Jamais o será. Temos sim professor cego. Desde aluno, cego. Um dos primeiros em seu vestibular de ingresso nas Arcadas. E nunca precisou de banheiro para deficientes, rampa de acesso e outras hipocrisias mais. Não precisou de cotas para ser um dos melhores. Fez toda a sua brilhante carreira sem precisar dessas mesquinharias. Tinha e tem a grandeza do espírito franciscano. E muito nos orgulha, em absoluto, a possibilidade de falar dele, como um aluno exemplar. E que, por certo, jamais frequentará aquele banheiro, por recusar-se a viver das esmolas que virou moda oferecerem. Pode ser que alguém passe por lá, no melhor do animus jocandi, e faça uns versos no banheiro, mas com matéria prima local. Sob certo outro aspecto, penso estar reclamando demais sobre isso. Penso até que fizeram justiça: onde havia a ALz hoje há A LATRINA. Pensando dessa maneira, sinto-me homenageado, indiretamente.

Há os que se imobilizam diante da grandeza da tarefa. Há outros, que apenas se reposicionam para executá-la. Naquela perdida noite de uma Peruada Noturna até a Praça da República, certamente que muitos se intimidariam diante do peso de uma tonelada de granito que suportava a herma do Álvares de Azevedo/ Fagundes Varella. Mas a tarefa estava lançada: o poeta é nosso, a estátua é nossa, doada por um colega nosso. Logo, deve estar no Largo. Não nos é permitido, licitamente, isso? Ora, ora, ora. Levemo-la então. Não conta a lenda que a Montanha foi a Maomé? Então, se foi feito, ao menos uma vez, é possível de ser feito. O espírito fez o milagre. E a estátua está, orgulhosamente, postada onde sempre deveria estar: no Largo. Nosso ordenamento jurídico é imenso o bastante para conter ou comportar uma nova norma que legalize isso. Cada um cos seus pobrema. Resolvemos os nossos. Simples assim.

Essas e tantas outras coisas nos vem à mente, apenas por perambular por esses corredores e Pátio. Eventualmente, salas de aula. Por todo canto vemos escrito e inscrito alguns dos tantos incontáveis nomes que ali deveríamos ver e que falta espaço para homenagens. Lugar ímpar mesmo, essas Arcadas.  Nomes apostos de simples franciscanos que, a sua maneira, honraram seu berço, um Ninho de Águias. O nome ali aposto não o foi pelo tráfico de influência decorrente dos altos postos que galgou. Nem decorrente do dinheiro que eventualmente acumulou com isso. Uma singela e pura homenagem e reverência. Consenso entre colegas franciscanos, atuais alunos e professores. Certamente que vivemos em um submundo colonial, onde até nas lápides dos cemitérios notamos a ostentação e jactância de poder, ora repasto de vermes. As Arcadas sempre passaram ao largo desse mundanismo medíocre. Nunca tivemos salas à venda. E sempre um excesso de nomes para tão exíguo espaço. O que nem sempre foi um problema. O que se faz problema é vivermos uma época em que querem transformar as Arcadas num imenso Brasilzão, onde tudo está a venda, basta acertar o preço.       

Nosso Pátio sempre foi a imagem da pura liberdade. Eventualmente até da libertinagem. Sempre e todo sempre, aluno ou não, um local de livre expressão. Mas vivemos ventos de democracia e liberdade. Ou do espectro delas. E um professor é impedido, ou tentaram ao menos, impedir que livremente se manifestasse, num ato de autêntico autoritarismo e vilania. Não. Não pode. O Pátio foi cenário de incontáveis momentos que tantos nos orgulham. Sempre defendendo o sagrado direito da livre expresão de pensamentos. Por mais inusitados que fossem, não importa. Não pode, ou não poderia, ser maculado com uma estultície tamanha. 

Jesus Cristo afirmou que qualquer do mundo poderia fazer os milagres que fazia e ainda maiores. Bastava que tivesse o espírito. Tive e tenho a a graça de circular livremente por esse Jardim de Pedras, o nosso Pátio, nos mais diversos momentos, de alegria, de festa, de indignação por invasões alienígenas e também de puro extase, nas noites de Vigília, além do culto do ócio, da Amizade e da alegria. Sou absolutamente convencido que nesse Pátio habita o espírito franciscano, esse capaz de todas as coisas. Encontro isso, repassando folhas da vida de franciscano também, Bernardo Guimarães, pelos idos de 1847, apenas reafirmado tudo isso: "... e os estudantes formavam uma legião travessa a valer, divertida, que não temia ninguém. O Pátio e as Arcadas a sua casa". 

Nas Arcadas não cabe o saudosismo. Não vivemos de glórias passadas. Apenas que temos o recurso de voltarmos os olhos para a própria História, buscando inspiração e fundamento para darmos mais um passo, fazendo a História do Hoje. E, pela vivência do acumulado de atos, uns grotescos, outros absurdos, outros impensáveis, faz-se ver que precisamos mais uma vez buscar na essência do que é o espírito franciscano para enfrentar tudo isso. Só mesmo com a união de todos os alunos em torno exclusivamente desse espírito para vencermos mais uma vez os ataques de mediocridade e hipocrisia que assola um país inteiro, refletindo obviamente nas Arcadas. Nada extenuante como os trabalhos de Hércules, mas apenas estar atento ao que se passa nas Arcadas, impedindo o eterno assédio aos calouros dos comunistas traidores e mentirosos para ganhar o XI, repudiando atos secretos de diretores desvairados, chiliques autoritários de vice-diretores, cobrando providências sobre a Biblioteca e tudo o mais, tentando acordar o sonolento Resgate paras as realidades da vida. Isso tudo , claro,  fora do Porão, que será fechado por encomenda. Não se pode fumar ali, por causa da lei; não se pode beber ali, por causa da lei; não se pode conversar ali, pela censura imposta. Não podemos nem ao menos estar ali, posto que fechado. Graças ao bom Deus que o nosso vínculo é em espírito. E isso ainda não foi colocado em lei e ainda não tem multas pelo uso. Então, posso estar com você, em espírito.

                                                                                             

domingo, fevereiro 14, 2010

O vampiro das Arcadas


Sempre conto por aqui alguns dos incontáveis episódios pitorescos e peculiaríssimos das Arcadas. Tenho tido notícias que recentemente o negócio, a onda do momento, o in é essa invasão de vampiros que assola a Humanidade.  Nada a ver com morcegos que vagueiam na calada da noite, com seus radares móveis, que mais parecem os inspiradores dos guardas de trânsito do Detran. São vampiros vampirescos, gostam mesmo é de sangue, têm caninos de lobos, que mais propriamente deveriam se chamar lobinos. E adoram um pescoço. Confesso que um belo pescoço feminino também me atrai, muito embora não seja vampiro. Presumo. Já que minha preferência nunca foi para mordê-lo.

O que não sabem é que essa coisa toda se iniciou mesmo nas Arcadas. Não apenas o Santo Graal se encerra nesse Jardim De Pedras, mas uma infinidade de outras coisas. Inclusive vampiros. Vamos a eles.

É historicamente de domínio público que filhos de latifundiários eram mandados para essas Arcadas, com o fito de perpetuar poderes locais, localmente espalhados por esse Brasil afora.  Noutros tempos o fundamento do domínio era outro, divino até. Depois, com o Estado, ficou mais politicamente correto que fosse o Direito. Sempre sabendo que o Direito nada mais é do que uma verborragia alucinógena que faz parecer Justiça aquilo que, no mais das vezes está mui distante dela, sendo muito mais o conveniente alcunhado de “justo” Que seja. Dominando também o Direito apreendido nesses assentos centenários, adicionando–o ao tudo mais que não era direito, saíam daqui os meninos, mui espertinhos, além de brilhantes. Deixando sempre suas toscas memórias inscritas nas Tábuas. Absolutamente brilhantes. Sem comparações.

Vinham eles aos treze, doze anos de idade. Poder-se-ia até considerar um trote violento, mandar um neo-púbere ter contato com a Filosofia de Julius Frank, a Política de Líbero Badaró, a Poesia de Fagundes Varella. Sem contar as cantilenas de Direito Canônico, que, cada aula, equivalia a XI chibatadas. Eram opcionais, mas preferidas. Claro que a gurizada toda preferia as chibatadas à chatice das aulas. O Pátio era, como sempre, um encanto para os olhos, balsamo para o coração, apesar do Pelourinho. Um sofrimento útil e compensador.  O certo é que vinham cair nesse Ninho de Águias. Para tornar-se uma delas, no depois.

Futuros calouros que aportavam por essa imensa São Paulo, com suas três ruas e XI mil almas e que tivesse, por um desígnio divino, a idade de XI anos eram recebidos e tratados como um Dalai Lama. A reverência e o respeito advinham por óbvio de sua idade nesse cabalístico e sacratíssimo número redondo franciscanamente, o XI. A referência ao Dalai Lama porém, em nada tem a ver com a nossa intensa e sabida influência cultural com as Índias. As índias que conhecíamos por aqui, conhecia-mo-las mesmo era por detrás das moitas, em suas vergonhas saradinhas e sempre em flor, a descoberto.  Nas quais chafurdava-se feito beija-flores na primavera. E em todas as outras estações, que o mel é doce e a carne, fraca. Culturamente sempre muitíssimo acima da média, franciscano demonstrava-a via animus jocandi. Por isso o Calouro XI era então lançado nas poças de água do Largo, ainda sem o asfalto atual. Que, mesmo sendo atual, ainda permite algumas poças. Na Terra da Garoa, poça era o que não faltava. Consequentemente, lama. O “dá-lhe lama”, que rapidamente passou para a corruptela Dalai Lama. Coisa de franciscanos... Caso duvide, peça pro Marchi te contar a história do pic-pic... Depois de ser lançado à lama, não a do Dalai, mas ao barro mesmo, o festivo calouro era encaminhado ao Poço do Zuniga, que ficava na distante, suburbana Praça da República. Ali, o Batizado, recebendo o venerável espírito franciscano, motivo de outro capítulo dessa interminável e adorável História das Arcadas. Hoje o Batizado se faz na Sé.

Nos dias de hoje, calouros aportam nessa Sanfran devidamente acompanhado dos pais, como se fossem débeis mentais. Fica claro que os pais não conhecem a cria. Seu filhinho para poder chamar as Arcadas de “também” sua, foi melhor do que 98% daqueles que sonhavam com isso. Será que ele não sabe preencher um formulário de matrícula? Sua impertinente presença lhes impede de desfrutar das maravilhas de ser calouro franciscano. Mas dá até prá entender os velhos. Querem mesmo entrar por essas Arcadas, portando o filho como se fora seu troféu, como se fora ele próprio. Sonhos. Delírios. Freud explica isso. Acho que explica. Se não explica, deveria. 

Naqueles idos de priscas eras, calouro aportava aqui sozinho, com sua indefectível maleta. Por que o calouro sempre tem uma maleta? A despedida era feita em sua cidade de origem. Feriado Municipal. Um seu ilustre filho iria para a Capitar, estudar na Faculdade. Por isso assim, a Sanfran sem nome. Não precisava. Nunca precisou. E o garotão, na despedida tinha direito à Banda de música, nada comparável à poderosa BAISF. Tinha discurso emocionado do Padre. Emoção sorrateira e hipócrita, advinda mesmo é da perda de um dos seus meninos, maicojequisoniamente falando. Por fim, o Coronel dava a benção final, ansiando que o filhote retornasse logo, para ampliar as avenças da família e a glória da cidade. Tal pequerrucho aportava em São Paulo, montado em seu pequeno animal. Eram jumentos e burros. Caso fossem jumentos, o estacionamento deles ficava próximo ao Cemitério da Consolação, que abrigava a vívida Marquesa de Santos, Patrona das Arcadas. Parece que lá eles, movidos por um corporativismo animal, resolveram abrir uma faculdadezinha também. Se fossem burros, já o estacionamento eram mais longe, em Perdizes. Franciscanos gostavam e gostam muito de montar aquelas burrinhas. Um monte alegre até. Parece que coordenados por um agiota, também personagem de uma das estórias já contadas.

O certo é que o calouro chegava nesse Ninho de Águias sexualmente zerado. Lembrando que as próprias mãos não movem o marcador. Com o atenuante de ter os seus XI aninhos. Uma pureza. Logo, logo ele teria a sua vezinha. A necessidade faz o ladrão. Essa necessidade fez o franciscano criar a Peruada (oba!).  Outro capítulo dessa Faculdade da História e de estórias. Mas estamos aqui relatando o surgimento do calouro-vampiro das Arcadas.

Veteranos franciscanos sempre receberam muitíssimo bem os seus calouros.  Afinal, são a continuidade da estirpe. Nada menos que isso. O calouro sou eu amanhã. Por causa disso, era premente introduzi-lo na vital arte da introdução. As festas na cidade, baladas, nada! Uma dificuldade! Afora algumas esparsas cabritas ou bananeiras, restavam então as sórdidas festas nas repúblicas dos alunos. Verdadeiro exército. A santa presença feminina, apenas na fértil imaginação franciscana. Não foi à toa que ali se cultivou muito a Filosofia. Sabem todos que o Concreto nada mais é do que a materialização do Nada. Que o que mais o Homem busca na Mulher é esse vazio. Não o tendo, cria desse Nada a Filosofia. Que Nada é, pois. A busca de um Nada buscando preencher a falta de um não preenchimento de um outro Nada. Haja filosofia! Mas, para essa Festa da Penetração de Calouro era preciso resolver o assunto. E a solução para isso hoje deve causar convulsões nos politicamente corretos, mas não podemos nos esquecer que estamos em 1840, caro leitor dessas lembranças psicografadas. Havia o Mercado de Escravos, que permanece até hoje, no Anhangabaú. Não mais como Mercado. Muito menos de escravos. Mas era lá que franciscanos arrematavam, por alguns cruzados uma mucaminha, meninota, que, no depois, trabalharia em uma das repúblicas.  E o Calouro XI era então presenteado. A pequena mucama seria açoitada pelo chicote franciscano, na intimidade do seu Pelourinho alcoviteiro. Lá fora, em uníssono, calouros cantavam então, ao poderoso som da BAISF: ô, ô, Toda Poderosa Sanfran! Por isso, surge então outra expressão, tipicamente franciscana: vestir e suar a camisa das Arcadas!

E foi nesse vampiresco ano de 1869 que toda a coisa se ocorreu. Estava a menina em seus dias de reclusão. Mulher ainda não tinha conquistado o direito à TPM. A solução era o mais completo isolamento. Como todo o conhecimento desse assunto era apenas teórico, o nosso calouro XI confundiu um pouco as coisas e começou a tralha da maneira mais temperada possível: foi com a boca na botija! Não se sabe ao certo se por confusão teórica ou até inspirado pelo ano que corria, o certo é que foi o errado. Ou, ao menos, impróprio. Todo o resto lhe foi muito proveitoso. Mas, ficava-lhe mesmo na mente aquele gosto adocicado nos lábios, causando-lhe verdadeira epifania. Veteranos carregavam o Calouro XI, uma verdadeira festa mesmo, a Festa da Penetração. Desfilavam o orgulhoso calouro por todas as três ruas de que se compunha a cidade de São Paulo, terminando por retornarem todos às Arcadas.
O Calouro não compartilhou aquele estranho sentimento com os demais, mantendo-o um segredo seu. Apenas que, em todas as festas que se tornavam possíveis, as Peruadas que aconteciam toda penúltima sexta-feira de outubro, o dito Calouro, nas noites de lua cheia, elegia uma guria para lhe sugar o sangue. Porém, não mais daquele lugar originário, mas do pescoço. Local mais refrigerado e acessível. E o sangue mais delicioso e adocicado ainda, posto que fresco. Essas notícias corriam rápido pela pequenina São Paulo. Não muito rápido, pois extrapolaria as dimensões diminutas dela. Eram apenas rápidas. 

Todos queriam saber quem era o chupa cabra que abocanhava os pescocinhos das meninas da cidade. Veja lá que não havia ainda Conde Drácula, nem séries de TV, nem filmes de Hollywood. Como todo sempre, as Arcadas protagonizavam a História. Mesmo que não soubessem disso. Formaram uma comissão, grupo que resolveu caçar o nosso vampiro tupiniquim. Em algum livro de bruxarias, ficaram sabendo que vampiros morrem se lhes fincar uma estaca de madeira no coração. Ou ainda uma bala de prata. Acontece que, nesse nosso Brasilzão de ouro não se conhecia a prata e muito menos a bala. Isso era coisa de lugares onde existia  industrializadas, o que só ocorreria aqui, por volta de depois da festejada e justa queda do Muro de Berlim A proibição da indústria datava da Maria, a Louca. Coisa de uns poucos duzentos anos antes. Eita povinho devagar! Eita Rubinho, o Tá-lento! Mas, enfim, restava então a estaca. Um dia, em uma das comezinhas e insossas festas, um Baile na cidade, por fim, depararam-se com o nosso já-não-mais-calouro franciscano a se deliciar com o banquete oferecido por um lindo pescoço feminino. Não no Baile em si, mas nas escuras várzeas que circundavam a cidade. Puseram-se então a correr atrás do infeliz, sempre com a estaca preparada. Conta-se que, na correria, um dos alunos inadvertidamente aciona o gatilho de sua arma, dando um tiro no próprio pé. Isso sem a expressão simbólica da expressão de ‘dar-se um tiro no pé”. Apenas um tiro no pé. Mesmo. Ao invés de ficar chorando o leite derramado e o pé amputado, o franciscano depois escreveu Espumas Flutuantes. Belos Poemas, né? Bom, voltando. Sempre voltando de uma estória para a estória presente, a contada agora. No corre que corre, o vampirinho tropeça e cai. Por cima dele, caem também os perseguidores, Um verdadeiro scrum, muito antes de ingleses terem criado o rugby. E a estaca foi fincada. Não no coração, mas em direção a ele. Pela via mais longa: a retal. A estaca empalou o nosso pobre franciscano. E subiu, subiu, transfixando tudo, até tocar, de leve o coração. E fez-se verdade a magia. Com o simples tocar da estaca o coração, o franciscano desvampirou-se, tornou-se um simples mortal, sem essa tara sanguinolenta de sugar pescoços por ai afora. Isso deu então origem a tudo o mais que se inventa por ai.

Acontece que, ao ser empalado pela estaca, o nosso franciscano teve outra epifania. Não é que ele gostou ? Apoderou-se da estaca e deu-lhe até um nome: a Mão-de-Deus.  Tratava-a com um carinho desmedido, feito a clientes de Urologistas, a quem mandam presentes e cartões de feliz-aniversário. Como nessas estórias de vampiros, bruxas, há muita magia e coisas inexplicáveis, os poderes da estaca agora com nome, ficaram latentes, por mais de cento e cinqüenta anos. Parece até aqueles finais de filmes de terror, cuja última cena mostra um naco de terra se movendo, por sobre uma tumba. Daí vem o filme Parte Dois.

Fecham-se as cortinas e pulam-se 150 anos. Em 2005 houve uma Reforma no prédio. Na realidade o que almejavam é impedir que fizéssemos a Peruada aqui dentro. Muita inveja lá nos de fora. Nada no País dura, exceto a mediocridade e as conseqüentes maracutaias. Nada presta. Nada com que se orgulhar, os brasileiros. Diferentemente dos franciscanos, cujas Arcadas são seu tesouro maior e orgulham-se de tudo que lhes diz respeito. Invejam nossas Tradições. E, principalmente, porque temos Tradições. Querem destruí-las. Com isso, as escavações puseram à mostra uma porção de coisas que se julgava mito e lenda: o túnel do Porão até a igreja ao lado; esqueletos enterrados juntos, muito juntos. Mostrando que frades também davam as suas. As colas que o Ruy Barbosa usou nas provas; um cofre abarrotado de dólares, pertencente aos comunistas, já que o Partidão impede que canhestros adeptos demonstrem qualquer paixão pelo vil metal, embora o tenham, em profusão. Issoi foi também a origem das malas de dólares que ainda hoje utilizam, para comprar a tudo e a todos, no aparelhamento almejado e conseguido; uma carta que Karl Max enviou ao então presidente do XI, dizendo que tudo aquilo, aquelas idéias erradas eram piada e pedindo prá mandar mais ópio, prá poder continuar o segundo volume. E também um pouco mais de dinheiro, que ele estava sem. Já estava até vivendo da prostituição da filha. Era preciso sustentar o companheiro, prá surtar em mais idéias escrotas.

Afora essas e outras coisinhas, descobriu-se também a Mão-de-Deus que ressurgiu nas Arcadas. Porém, de uma maneira peculiar, nova. Ela estava muito bem guardada e saiu do armário daquele então calouro empalado. Junto com ela a epifania começou a aplicar seus resultados vários em seus estranhos poderes. Franciscanos, mestres no animus jocandi, sempre expressaram o brilhantismo de suas mentes enfaticamente brilhantes nas ações e obras. Já esses, primam pelo brilho não mais das mentes, mas das plumas, paetês e outros quetais, aparentando até que a mão possui um excelso e altivo poder de abrir todos os armários. Com isso, hoje pululam no Pátio uma escória de não mais vampiros, posto que extintos pelo toque da estaca, mas uma verdadeira reversão na mão da direção retal e na ordem natural das coisas, contrariando até a música do Raul Seixas, “Rock das aranhas”. Se antes a perereca era o prato principal do sapo, agora o é da sapa. As cobras se auto-devorando, em verdadeiro espetáculo de canibalismo. Partimos do Homo sapiens, para o Homo farbens. Agora temos o Homo homo? Depois, a extinção? Me inclui fora dessa! Eu, que sou um mero calouro da I Turma, de 1828 não entendo mais nada. Sempre fiz o meu papel, cumprindo a minha parte, ponteando a Marquesa. Ou melhor: entendo, mas dessa festa franciscana eu não participo. Pode sobrar prá mim uma dessas novidades e eu sou muito do conservador, quando o assunto é lantejoulas, purpurinas, babados e pregas. Apenas conto, como arte do ofício.

Roy Babbosa
Psicografado por Luiz Gonzaga
AAArcadas, XI de fevereiro, CLXXXIII 

sábado, fevereiro 06, 2010

Franciscântico

                                                                                       Na Sanfran, a Paixão fica na frente

(Águas de Março - Tom Jobim)

É verso, é trova, é Fagundes Varella
É Semana de Artes, é um pouco de tudo
É o Calouro, é a BAISF, o Direito
É o Pátio, é o Porão, é o Largo, é o Hall
É o futuro agora, é o passado amanhã
É o peru, Peruada, é o MMDC
É a Revolução, é Constituição
É Dom Pedro I, é o Oswald de Andrade
É o dando Pindura, é um fim-de-carreira
É o beck, é o FICA, é toda quinta-feira
É a Filosofia, é conversa fiada
É a História inteira, não me lembro de nada
É o FEMA, é a Récita, é o cochicho na escada
É a taça na mão, Castro Alves, Poesia
É uma grande Amizade, uma grande Alegria
É a Loucademia, é Primeira, é um novo partido
É os Jogos Jurídicos, é DJ, é o fim da picada
É uma mente brilhante, é um pouco esquisito
É um dom, é um prêmio, é uma rixa, é um maluco
É um deus, é o Túmulo, Batizado na Sé
É a luz do Amanhã, Carruagem de Fogo
É um bigode, é um dia, é um corpo estirado
É um ano inteiro, é sombras das Arcadas
É um caso contrário, é um eu sou mais eu
É São Paulo, é Brasil, é o mundo num grão
É o “XI de Agôsto”, Álvares de Azevedo,
É isso a São Francisco, essa é a Sanfran
É o pulso da vida tomando o seu coração.

Onzaga
um franciscano fundamentalista

sábado, janeiro 30, 2010

Deus me Livro!


Estava para postar um bem-humorado texto no blog, nominado “o Vampiro das Arcadas”, quando recebo uma notícia que foi um verdadeiro banho de sangue frio, digo, água fria no meu animus jocandi: o digníssimo senhor ex-diretor da Faculdade do Largo de São Francisco e atual reitor de outras paragens, depositou os livros da Biblioteca ao relento, no meio da chuva, no Pátio das Arcadas. Como se fossem entulho. Lixo mesmo.

Há quem não creia em premonição. Just like me. Nem em bruxas. Deixemos de lado então a outra estorieta sobre vampiros. Vamos a esta, tão mais real e premente.

Monteiro Lobato, um franciscano, escrevia: uma Nação se faz com Homens e Livros. Este outro franciscano aqui, complementa: em não havendo mais os primeiros, para que os segundos?

Atos humanos são recheados de símbolos. Ao interpretá-los, geralmente conseguimos atingir o âmago da verdade dos fatos, suas causas e origens. Fatos são fatos, não usam símbolos. Estes são mera criação humana.

Por isso, fica fácil depreender razões do porque livros são tratados como entulho, verdadeiro lixo, imprestáveis. Estamos no País que elegeu um analfabeto para Presidente. Analfabeto por pura opção. Que não é o caso da mãe dele e de milhões de outros brasileiros: segundo sua própria declaração, sua mãe já nasceu-lhe analfabeta. Isso porém ocorreu e ocorre como a um câncer social. Não é uma opção ao indivíduo, mas um carma. Grilhões de dificílimo desvencilhamento. Eu que o diga.

Já para o dito cidadão, Imperador do Mato Virgem, seu analfabetismo, sua inguinoranssia lhe serviu de plataforma política, estandarte real do seu povo. Ai, que preguiça! Tão real que foi eleito por uma maioria incontestável. Tão real que sua aprovação atinge níveis históricos não só nacionais, mas mundiais. Realmente, um digno e ignorante representante do seu ignorante povo. A inguinoranssa abarca milhões de dipromados também.

As Arcadas, cantada e decantada ilha de excelência intelectual e humana, fez a sua magnífica História não pela beleza do seu prédio, realmente belo, nem por decurso de prazo, pelos seus CLXXXIII anos de existência. Sim, porque, nesse nosso Brasil acima descrito, algumas coisas se tornam boas por antiguidade, realmente por decurso de prazo. Ai está o Jorge Benjor para comprovar o que digo. A excelência das Arcadas se fez por seus alunos. Que são pessoas do povo, por óbvio.

Mesmo essa blindagem de excelência mostrou-se insuficiente para impedir que até as Arcadas fossem atingidas por nefasta amostragem de nossa população inteira que elegeu e aprovou a criação do País Lula. E parece que eles almejam adentrar por esse Pátio com o fito único de desmerecê-lo, de rebaixá-lo, de vulgarizá-lo, de neutralizá-lo. De destruí-lo, enfim. Qualquer coisa que se pareça com excelência em qualquer coisa se torna nociva, no País da incompetência plena e instituída e do povo que privilegiou a ignorância, colocando-a num pedestal a ser ostentado, são coisas que precisam ser anuladas, destruídas. Nesse Brasil, tão carente de excelências, parece que as Arcadas se transformaram então em alvo único. Confesso que tentei em vão relacionar as outras excelências que temos. Não saí do número um. Da Número Um. Infelizmente única. O orgulho de ser parte Dela misturou-se à frustração de não poder continuar a lista. Não, eu não inclui na lista que somos campeões em futebol, que nossas praias são lindas, que as brasileiras têm as bundas mais lindas do planeta e nem que somos o País do futuro. A abordagem era outra.

Por isso, livros serem agora lançados ao relento é algo absolutamente coerente. Para que servem ?

Nos meus primeiros anos escolares, o que mais se ouvia, de professores, pais, adultos, a título de estímulo e motivação enfim, era que crianças precisávamos estudar e ter conhecimento. Com eles poderíamos até chegar a ser Presidentes da República, se quiséssemos! Por isso o Livro era símbolo, sempre os símbolos, do conhecimento e do acesso à oportunidade. E que essas eram a verdadeira riqueza: o conhecimento e o acesso à oportunidade. O resto são apenas vaidades...

Essa, a razão da indignação. Presenciamos uma realidade vil e desprezível. Por certo que hoje, a mais brilhante das franciscanas não obterá o êxito e o sucesso que a Geizy, da Uniboa obteve. Esse é o País Lula, o que não precisa, o que despreza livros. Que pretende mudar a letra do Hino Nacional, porque é “muito difícil”, ao invés de letrar a todos, incluindo os candidatos à Presidência, para que as palavras não lhes pareçam monstros. Existe comunicação além do “eae, cumpanhero?”. Que pretende implantar nas Arcadas cotas de insuficientes intelectuais, ao invés de preparar-lhes melhor o intelecto para que estejam aptos à Ela e a todas as outras coisas que quiser se capacitar a atingir. Não via fraude, mas por meritocracia.

Nesse indefectível País que cultua a ignorância, Tradição nada vale, pois que tradição é cultura acumulada e transmitida. A Ignorância é intransmissível. Tenho ainda que ouvir que, dos livros lançados ao relento, metade são imprestáveis, pois que ultrapassados e antigos. Isso dito por alunos das Arcadas, acredite se quiser e puder. Certamente são mesmo a escória, amostragem franciscana do brasileiro que entronou o Imperador Lula, o Mínimo. Filósofos gregos afirmavam peremptoriamente que o átomo é indivisível. Nem por isso seus escritos foram jogados ao lixo, nos escombros de Hiroshima e Nagasaki. A evolução do conhecimento é aditiva, não alternativa. Árabes, ditos bárbaros e fanáticos ignorantes, destruíam tudo que fosse cristão. Exceto suas Bibliotecas e Universidades. Hitler, erigido à anti-cristo, destruiu Paris. Mas o Louvre permaneceu intacto.
No Império do Mato Virgem, os livros das Arcadas são jogados ao lixo. Deus, onde estás, que não respondes? é alusão pertinente, desesperadas palavras de um outro ilustre franciscano

O valor dos livros da Biblioteca da Faculdade do Largo de São Francisco vai além da pequenez de serem fonte para alunos fazerem as próximas provas ou fundamentarem suas Teses de Láurea. Eles são prova da excelência das Arcadas, fundamentam a sua Tradição e testemunham a sua gloriosa História. Não são importantes porque a Faculdade é tombada. Tombamento não se aplica às Arcadas.

Tombamento é uma inútil tentativa humana de congelar no tempo feitos e glórias passadas, por falta de feitos presentes. Gregos ainda cultuam seus faraós e pirâmides; portugueses ainda aguardam Dom Sebastião, deleitando-se com os recentes versos de Camões e as peças de Gil Vicente; ingleses ainda se bronzeiam sob o Sol que nunca se põe em seu vasto espectro de império. São saudosistas de glórias passadas e faz-lhes bem tentar congelar o tempo. Mesmo sabendo que inutilmente.

Mas a magnífica História das Arcadas não é algo tombado, congelado no tempo e que nos torna saudosos dela. Sua História é algo presente. Não só a cultuamos, mas a vivemos, compomos diariamente mais uma página dela. A despeito da infiltração nela de cidadãos desse execrável País, que se utilizam do conceito de excelência das Arcadas para galgar degraus e atingir poder suficiente para destruí-la, por ser símbolo de um Poder maior.

Fica explícito então que escrevo aos que não lançam livros ao lixo. Muito menos aqueles da Biblioteca da Faculdade. Muito menos as Arcadas. Por isso estou certo que falo a poucos, posto que a população do País Lula mostra-se imensa. Para que não permitam a insanidade e protejam nossos livros. Das intempéries e da ignorância. Pois, conforme uma famosa poesia, já permitimos que estranhos se apossassem do Pátio; hoje eles lançam nosso livros ao lixo. Amanhã você será convidado para o re-re-re-lançamento da pedra fundamental da Faculdade de Direito no campus do Butantã. E ai então a Faculdade do Largo de São Francisco estará realmente tombada, transformada em Museu, com suas glórias apenas passadas e ambos apenas seremos, você e eu, saudosos de um tempo que já não existe mais.

Luiz Gonzaga
Arcadas, XXX de janeiro, CLXXXIII

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O Estado é nóis!





Nobody told me 
There'd be days like these...
(John Lennon)



É preciso viver a vida! Viver cada dia como se fosse o último. Diz o ditado: um dia você acerta.


Por isso, preparei-me gentilmente para ir à festa. Não pode ir muito tarde, porque o Kassab mandou que os bares fechem até à uma da manhã. Mas também não dá prá ir muito cedo, porque o Serra só deixa você circular de carro, depois das 20 horas. Isso porque ele circula com carros oficiais, dos mais variados.


Espremido entre os horários, pego a Imigrantes. Estrada ótima, mas só pode ir até 90 km/h, senão leva multa.  Depois, em ruas mais estreitas, poder-se –ia até tirar a diferença. Caso não houvesse lombadas eletrônicas, onde a gente é multado a 40 km/h.


Por isso tudo, pretendo avisar os amigos que não chegarei tão cedo, ma s não posso não. Se usar o celular dirigindo, lá vem mais uma multa. Uso então os meus incríveis dons telepáticos, mas em vão. Talvez, para uma sexta à noite, até o éter esteja congestionado. Nem mesmo uma linhazinha cruzada com alguma disponível à esta hora da noite. Nada.

Depois de tudo, consigo então chegar à Vila Madalena. Fica difícil encontrar o lugar, já que o Kassab mandou retirar todos os cartazes, letreiros, outdoors e etc. Fico pensando se ele fosse candidato a Prefeito em Las Vegas ou Nova Iorque. Can you imagine?

Deduzi então o endereço. Procuro estacionar o carro. Mas cadê vaga? Se eu fosse, como sou, afro-descendente poderia pleitear uma cota para uma vaga ou algo parecido. Mas, não. Caio na mão dos flanelinhas, que cobram a bagatela de 30 “cruzeirinhos”, para estacionar na rua. O valor se refere à compra da isenção a que eles não depredem o carro. Ou o furtem.

 Entro no dito bar, após uma longa fila para pagar 20 pratas prá entrar. Finalmente encontro os amigos. E esse é um momento de alegria. Feitos os cumprimentos e as festas habituais, vamos ao bar. Outra alegria: uma cerveja. Cinco reais, mas tem que pegar com um guardanapo. Não para não molhar a mão. Para não queimar os dedos, já que a dita cuja está quente. Penso até que ela seja vendida quente, porque a gente nem pode beber. Na saída tem um bafômetro. Conseqüentemente com uma multa. Grande Kassab!

Depois de uma cerveja, claro que vem um cigarro. Não, não pode. Fumante virou criminoso, bandido, marginal e persona non grata. Como todo antigo fumante, o Serra é um atual chato. Mas, como virou governador, adquiriu o direito de institucionalizar o chato do ex-fumante. Cadê os direitos das minorias? Se quiser, tem que sair do bar. Fumar, só na calçada. Agora elas estão vazias, porque o Kassab proibiu os bares de colocar cadeiras nas calçadas. Como paguei para entrar, ganho um belo carimbo no punho e um segurança me conduz, por uma porta lateral, à gloriosa calçada. Não a calçada inteira, lógico. Com uma corda, fizeram um chiqueirinho para os detestáveis fumantes. Cerca de dois metros quadrados. Como tinha cerca de trinta pessoas ali, imagina-se a maravilha! Nem mesmo em  presídio dos piores que há por ai a concentração humana é maior.

Já a cocaína, crack, ecstasy e outras drogas mais leves, isso pode. Estão até providenciando para que traficantes seja descriminalizados. Para facilitar as transações, claro. Fumar cigarros , não. É out!

Volto então, para as mesas ajuntadas dos amigos. A essas alturas, não havia mais cadeiras. Peço uma ao garçon, que diz que vai providenciar. Volta com uma banqueta com três pernas. Uma das quais está bamba. Prefiro então permanecer em pé.  

Já que não posso beber mesmo, decido brilhantemente por uma Coca-cola. O garçon me informa então que só tem Pepsi.

Desisto! Despeço-me dos amigos e retorno para casa, pela pista da direita. A 30 km/h. Que devo reduzir, já que tenho que parar. No pedágio.

Puto da vida como estava, o melhor lugar a me dirigir, seria naturalmente a um puteiro. Mas o Kassab é mais chegado ao quibe do que à esfiha, como todos sabem. Portanto, deu-se ao direito de fechar os puteiros. Na vã ilusão de diminuir a concorrência, talvez. Caso nossa próxima prefeita seja lésbica, a regrinha passará a ser muié cum muié ? E nosoutros aqui, como é que ficamos?

Fico então pensando, já que a isso posso recorrer, sem medo de ser multado ou impedido: caso o próximo governador seja vegetariano, seremos todos condenados a morrer comendo apenas alfafa e coentro? Comer carne será proibido e sujeito a multas?

Se a nossa próxima presidenta, que era assaltante de padarias (e continua carreira, mas em Brasília), conseguir usurpar o trono, seremos proibidos de ser honestos?

Na Era Mula institucionalizou-se a ignorância. Nesse reinado do Imperador do Mato Virgem o que é Direito não vale um dedo mínimo. Já que um analfabeto apoderou-se do Planalto, qualquer um se dá ao direito de dizer o que bem entende e é dado como certo. Nos tempos da boa e velha Medicina, Pneumonia era causada por um bichinho chamado pneumococos. Hoje quem provoca pneumonia é o cigarro. Está escrito nos maços de cigarros. Pode?

Noutros tempos, o dedo do rei era a medida oficial do reino. Mas isso era um regime absurdo de absolutismo da vontade de um ou de uns poucos. Então inventaram um estado e apelidaram de democracia. Passou-se então para o reinado da vontade geral. Legal, muito legal. Mas no Brasil, peculiarmente, como sempre, passamos de um “O Estado sou Eu”, para um “O Estado é nóis!”.  


Diante de tudo isso, peço encarecidamente a você: caso queira me convidar para a sua festa de aniversário, avise-me com antecedência. Ofereço gentilmente a minha casa e pago a sua festa. Sairá mais barato para o meu bolso e muito mais para a minha paciência. Mas só que terá que ser à tarde. Porque às 22 horas começa a lei do silêncio. E seremos multados.

AAArcadas, XI de dezembro, CLXXXII


sábado, outubro 17, 2009

... e Peruada? Obas!





Quis Deus, o Destino ou a Comissão de Pós-graduação, que a Lista de Aprovados no Mestrado das Arcadas para 2010 saísse exatamente no dia da Peruada. Obassss! Assim, esse breve relato será com o tom esfuziante de um novamente feliz calouro. Eterno aprendiz. Mesmo sendo a VI Peruada. Dessa maneira, quando se ouvir por ai o “assim falou o Mestre”, agora poderá ser verdade.

Acontece que jornalistas continuam com problemas com números. Contaram 1100. Seria problema de óptica, apesar das fotos? Seria problema de cotas? O certo mesmo é que estavam errados. Éramos, no mínimo, 1108. Muito mais do que 1827. Penso que eles contaram foi o número de policiais. Ai sim, tinha mais que isso.

Para vigiar uma comemoração de franciscanos, enaltecendo a Amizade e a Alegria, não seria preciso tantos. Quando a quadrilha MST invade propriedades por esse Brasil afora, nunca tem tantos policiais. Nem mesmo Polícia tem. E, quando chamam o Choque, eles reclamam. Não é muito estranho isso? Quando na mira das lentes da TV fazem cara de coitadinhos e reclamam da truculência. Só porque eles querem invadir, roubar e matar, chamam a Polícia! Isso é autoritarismo da direita reacionária, só pode ser!

Reinava, como sempre, um clima feliz de Peruada. Se é que se pode chamar uma fina garoa de felicidade. Ainda bem que ela foi rapidinho embora. Parecia até os comunistas, com suas camisetas vermelhas. Chegam e dão uma avaliada. Como não dá prá conquistar votos em meio aquela fuzarca toda, deixam alguns “embaixadores” e vão-se embora. Não podem fazer o feio de não comparecer à nossa maior festa. Permanece apenas o capovis. Ah, isso tinha bastante! Contabilizei ali bem uns cinquenta votinhos que comunistas depositaram em suas suadas urnas, para a eleição do XI. Ainda bem que, mesmo assim, mesmo dando, ainda não vai dar. Ô sorte!

A Peruada é o exercício da Arte do Reencontro. Gentes que não vemos com tanta frequência desfilando pelos corredores das Arcadas, a gente encontra exibindo suas grotescas fantasias na Peruada. E, se até mesmo Deus ou o Diabo não são unanimidade, a recepção varia conforme o gostar de cada um. Têm os que desviam os olhos, tem as meninas que parece que temem uma roçadinha em público, tem aqueles do apenas “eae?”. E, claro, aqueles cujo reencontro é uma festa, de destilada e pura Amizade e Alegria. Tem inclusive alguns franciscanamente exagerados. Fazendo rápidas contas, parece que são mesmo XI% de Amizade e Alegria.

Os restantes 89%, atribuo a uma pucanice desvairada, descontando comunistas que de mim não gostam, gratuitamente.  Eu, que lhes quero tanto bem, repudio apenas suas idéias canhestras. Suas pessoas me são caras, por serem franciscanos, tal e qual. Só porque não gostamos que nos traiam e à confiança de todos ? Só porque não queremos que entreguem as Arcadas nas mãos de invasores? Só porque achamos  que existem meios mais honestos e dignos de arranjar emprego de assessor de vereadores–suplentes do que querer tomar o XI para conseguir apenas isso? Só porque corrigimos os seus textos, cheios de imprecisões e erros mesmo? Só porque achamos que a sua Carta-programa é pior  que o da Hebe? Só porque farejamos um comunismo de fachada e griffe (e cobertura nos jardins)? Só porque queremos a São Francisco para os franciscanos? Por ter eterna alma de calouro, desgosto de vê-los ludibriando a meninada? Porque sentimos a má-fé na “brincadeirinha” de lançar a idéia do “trote diferido” entre os quintanistas, fazendo surgir, quem sabe, alguns votinhos? Não. Mas é só comigo a mal-querença. Eu, que sempre lhes reservei espaço-VIP na A LATRINA? Mas eles não têm paciência comigo!

Como um deles, ao se aperceber da minha presença, começou a cantar alegre, mui  alegremente: “vai, vai, vai, o Gonzaga vai embora!”. Não é uma graça de criatividade? Eu achei. Mas achei também que denunciou a sua alma comunista. Eles são sabem e nem querem saber o que se passa realmente nas Arcadas. Querem apenas tomar o XI e nada mais. Ou melhor, para entregá-lo, num depois, para o DCE, MST, Gaviões da Fiel e quetais. Aquele marquistóide alienado e lesado não sabia de nada. E nem sabia agora como vou gonzagá-lo: vão ter que me engolir por mais três anos! Tudo bem que engolem (ou cospem) numa boa, embora demonstrando certa relutância...

Parem tudo que parou a música! Por que parou a música ? Por que parou? Pronto, pronto, já voltou!

Em frente à Câmara, o discurso de sempre, desgastado de sempre, inútil como sempre. Mas, tá valendo! Da peruada, como manifestação político-circense-etílica fico com o etílico, que desce mais suave.

E um impagável e crescente scrum, em pleno Largo? São coisas de coisas que vou dizer uma coisa!

Além disso, as calourinhas que queriam saber se eu era mesmo real, de verdade. Deixei-as à vontade, para demonstrar que sou inclusive palpável. Argumentei filosoficamente que penso. Logo, existo. Com isso elas abaixaram também a guarda. 

Após a passagem pelo Largo, deixo apenas imagens, impressas digitalmente. Sem palavras. Deixo o link para quem quiser saboreá-las. Outras tantas mais, impressas apenas na memória, já que eu mesmo perdi o link com a realidade das coisas. Ficaram na Peruada.


XI-H
AAArcadas, XVI de outubro, CLXXXII

segunda-feira, outubro 12, 2009

Arcadas, século XXI: compre a sua sala




Marcelo Tas, apresentador do CQC, foi o primeiro entrevistado do Roda Viva do XI. Para quem não sabe, o “programa” foi devidamente expropriado em sua forma, daquele feito pela TV Cultura. Quando estava sentado em sua cadeira giratória, no meio do palco, no meio do Pátio das Arcadas, antes de iniciar o “programa” em si, deu vários giros, admirando aquele visual ímpar. Quando parou, com a mão segurando o queixo, fez um comentário, quase que para si mesmo: isso aqui é de uma magia sem igual! Apenas ouvi porque estava sentado ali, a sua frente.

Todos sabem que essas Arcadas são motivo da visita diária de uma infinidade de pessoas que aqui vêm para contemplá-las, tirar fotos para a posteridade e também para contar vantagens por aí. Cada franciscano, em seu primeiro dia, e esse a gente jamais esquece, sabe o frio na espinha que sentiu, ao se saber agora “um deles”. “São agora também minhas essas Arcadas” é a típica frase, talvez a primeira, a inflar o ego de cada calouro, iniciando por torná-lo, o ego, muito mais largo que o Largo. Não sabemos ao certo se alma tem forma. Mas, se tiver, a do franciscano é em forma de Arcadas. Disso eu tenho certeza.

Cada uma dessas Arcadas tem o seu nome. E o nome está lá porque foi aluno dessa Academia de Sciencias Jurídicas e Sociaes. E que, num depois, foi homenageado, por algum feito, ou pela vida toda, tendo ali eternizado o seu nome, postumamente. O caminho dos atuais alunos é pavimentado e ladeado pelos antigos alunos, qual a lhes dirigir os passos.

Assim como cada uma das salas da Faculdade, leva o nome de algum aluno ilustre. Sabidamente, são muitos os alunos ilustres e poucas as salas. Por isso, escolha dos nomes a serem homenageados se cristalizava pelo tempo. Nos últimos dez anos, apenas duas: Thomas Marky e Miguel Reale. Não se encontrará em qualquer estatuto, norma, portaria, regimento ou o que seja, critérios para a escolha, ou competência para tanto. Todas as infindáveis Tradições da São Francisco são feitas de maneira consuetudinária. Nada é positivado. Muito embora cada uma delas seja seguida como se fora uma cláusula pétrea.

Todo esse contexto ocorreu ao longo dos 182 anos de memorável História, sempre dentro de um espaço físico definido e imutável. Nos dias presentes, com a ampliação física da Faculdade e também com a bem-vinda prática de doações financeiras para a ampliação e modernização, tem-se um inédito problema: quem dará os nomes às novas salas? Quem pagou pela sua criação ou reforma? Quem o mecenas indicar? Quem o santo Diretor indicar? A Congregação? Quem os alunos indicarem? Quem, quem, oh, meu São Francisco?

Sabe-se, de longa data, que franciscano polemiza até sobre a previsão do tempo. Com os nomes “saláveis” não seria diferente. Surgem então as mais profícuas defesas, os ferrenhos ataques, as adesões, os conchavos, etc e tal. Apenas para condimentar mais o tempero, não custa lembrar que as Arcadas foram criadas para serem a Inteligência brasileira e disso fez-se a sua Tradição.

Reverenciando então a Tradição, com a peculiar Inteligência, tal impasse parece resolver-se com a única solução: a sala deve mesmo conter uma “micro-placa” indicativa do mecenas, benfeitor da obra. Nada mais justo. Porém, o nome da sala é de competência exclusiva da “comunidade franciscana”, abrangida por alunos, professores, Congregação e tudo o mais.

Qualquer solução fora dessa vai levar as Arcadas a se transformar em um balcão de negócios, onde “pagou, levou”. Isso é inadmissível. As Arcadas nunca foram um local para auto-exaltação. Exceto entre os alunos, mas isso já é lá outra história...

Se fôssemos criar uma faculdade de direito hoje, poderíamos buscar patrocinadores, com cada sala recebendo o respectivo nome.. Ficaria mais ou menos assim: Sala PT, que bancaria a sala e também a atividade dos forum da esquerda, entre os alunos. Sala McDonald’s, bancando uma sala e o Bandejão. Sala Johntex, bancando a Sala dos Estudantes e as Baladas. O Porão, patrocinado pelo Jack Daniels. Assim por diante. Uma verdadeira Faculdade Hall da Fama. Não existiria problema nenhum nisso.

Mas a Faculdade que temos nas Arcadas, anexa ao Pátio, ao Porão, à Academia de Letras tem uma Tradição e uma linda História. Que seja respeitada, então.

Aquele olhar de admiração daquele visitante, citado no início, é o mesmo que o nosso, não só no nosso primeiro dia como alunos, bem como nos demais de nossa inteira vida. Olhar de admiração, de contemplação. E de orgulho.

Se querem vender nomes de salas, pois muito que bem! Podemos também então começar a vender jazigos. Julius Frank lá está enterrado. Podemos vender um espacinho do Pátio prá mais alguém, que pague mais, claro. Um cemitério com a griffe Arcadas !

Podemos construir mais Arcadas, prá vender prá outros Presidentes também. Certamente o Lula arremataria duas. Pagando com o caixa dois, óbvio.

Já que vendemos as salas, vendemos jazigos de cemitério, vendemos Arcadas, que tal vender curriculum de aluno para alienígenas? Não temos lista mesmo ! Bedéis foram aposentados! Tranqüilamente podemos enxertar nomes estranhos àqueles das listas originais do vestibular! Zé Dirceu, antigo aluno. (Ai o Mula não pode: todos sabem que ele fez senai). Os “heróis” fujões do Araguaia, antigos alunos. A Dilma, antiga aluna (e, nas horas vagas, assaltante de padarias). Faríamos assim uma nova História, a personificação da estória do Ali Babá.

Aproveitando também a grande liquidação, para os menos bem-colocados financeiramente, mas dispostos a serem abençoados com algo de franciscano, poderíamos leiloar cada pedra do Largo. Uma Simonia. Uma entrada para o reino dos céus.

Não, não e não. Se Harvard é a Faculdade mais nem conceituada no mundo da Commonwhealth, a São Francisco o é desse nosso grotesco mundinho do Direito Romano-germânico. Como tem muito franciscano, em seu eterno espírito de colônia, indo fazer a sua pós-graduação em Harvard, quer trazer de lá coisas que só cabem para lá. Nosso pseudo-capitalismo, mesclado com pitadas de feudalismo e emoldurado no rançoso obscurantismo inquisitorial católico não nos permite apenas copiar. Em Harvard, antigos alunos deixam suas fortunas como herança para o seu berço intelectual, em última análise possibilitador da primeira moeda. Uma reverência admirável como oferenda. Se isso ocorrer aqui, será uma verdadeira farra-do-boi. Há que haver o mutatis mutandis para tanto. E ele é o respeito à tradição na escolha dos nomes que farão as nossas vistas, de eternos alunos das Arcadas. Lá, os nomes dados são impregnados do ter. Aqui, nessas Arcadas, do ser. É a nossa História.

Luiz Gonzaga
AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII

domingo, outubro 11, 2009

Plantão Médico Extraordinário

Plantão Médico nas Arcadas
Noite de 15 de outubro de 2009

Escolhido aleatoriamente, o dia 15 de outubro verá acontecer um Plantão Médico no centro do Pátio das Arcadas. Não se trata de uma homenagem ao dia dos Professores, muito embora eles o mereçam.

Todos sabem que recentemente passamos por uma epidemia de gripe HI NI. A finalidade desse plantão é fazer a prevenção da Gripe HI XI, a Peruada!, que sabemos não é aquela porcaria da outra gripe. Essa gripe é originária do Peru, seus eventos e seus fiéis seguidores. O Peru nos vence primeiro no Grito. Por isso, queremos que todos possam segui-lo tranquilamente, sem quaisquer impedimentos burocráticos administrativos, tais como aulas, provas ou até outras atividades laborativas menos dignificantes. Que eles arranjem outro gaiato para servir o cafezinho.

Portanto, atenção! Você pode precisar.

Nim serviço de utilidade pública, relacionamos alguns principais sintomas da Gripe HI XI, a Peruada:

I - Ao contrário de todas as demais gripes, a HI XI - a Peruada - acontece em outubro.

I I - Apesar de durar apenas um dia, ela se fazer presente durante todo o ano. Uma sensação de ansiedade. Por isso, quando acontece, todos  gritam em uníssono: Peruada, oba!

I I I - Causa amnésia. Seja porque você não se lembrará de nada mesmo ou até um esquecimento conveniente. Essa a razão porquê só se fala da próxima Peruada. A passada já passou e restou apenas aquela perguntinha inconveniente: o que foi mesmo que aconteceu ali?

I V - Ocorre uma exacerbação de hormônios. Assim, toda a lascívia acumulada causará uma explosão incontida e você sairá por ai, fazendo coisas, por vezes inusitadas. Nesses casos, o melhor a fazer é cantar "deixa a vida me levar", e seja o que Deus quiser! 

V - A Peruada causa muita sede. Antes, bebia-se de graça. Hoje, o preço já não tem a mínima graça. Que não seja por isso. Não fique na sede. Beba muito líquido. Se não tiver, que seja em gel mesmo.

V I - Um espírito ecológico repentinamente se fará sentir. Os mais ávidos carnívoros, tornam-se vegetarianos. Um efeito interessante. Por isso, uma dieta rica em ervas faz muito bem e é recomendada. Essa sim, pode ser de graça. Ao chegar ao Porão, apenas inpire profundamente. Mas não pare por ai. Compartilhe.

V I I- A Peruada causa um odor característico, inclusive pelo grande número de afetados. Por isso, é comum encontrarmos muitos com perfume, que se lança desbragadamente. Aproveite. É um coadjuvante importante.

V I I I - Apesar daquele cheiro característico de aglomerados humanos, o pessoal não deixa por menos. Talvez até seja pelo perfume que se lança no ambiente. Uma tendência biológica mantém corpos bastante próximos, unidos, atados, colados. Interpenetram-se. Comum é ver casais trocando de cepas do vírus. Nem que, para isso, seja necessário sorvê-lo de onde estiver. Sabe-se que os mesmos se alojam por todas as portas de entrada do organismo. Se o próprio nome já diz que é de entrada mesmo, que se entre, então. Eis o lema. 

I X - Caso você ainda não esteja no clima, talvez porque esteja ainda desidratado. Beba mais. Ou pode ser porque foi pouco infectado e precisa de uma quantidade maior do vírus a lhe percorrer o sangue. Nesse caso, releia o item X.

X - Alguns lesados e alucinados podem até pensar: "já tive uma Peruada em minha vida  e  é o bastante". Cada qual pode pensar como queira, a gente reconhece e respeita. Mas, dessa vez você está definitivamente errado. Talvez não tenha contraído a HI XI como se deve. A Peruada causa uma dependência desconhecida. Tudo o que se sabe é que melhor que uma Peruada é só outra mesmo. Portanto, sugerimos que você compareça mesmo ao Plantão Médico. Para viver a Peruada. Depois a gente encaminha você para um psiquiatra. Relaxa! Algo de muito mal deve estar ocorrendo com você.
 

X I - Por essas e por outras que a Peruada é algo que é impensável perder. Se é que é uma doença, morra-se por causa dela. Por isso mesmo é que se montou um Plantão Médico. Para que você sobreviva e participe de mais uma epidemia. Mesmo que nada permaneça em sua memória, para contar para os netos. Eles que, se quiserem, sejam franciscanos também. Certo? 

AAArcadas, XI de outubro, CLXXXII

sexta-feira, setembro 11, 2009

Help!


O beatlemaníaco é xiita. Ele quer o que os Beatles fizeram, como fizeram e como quando fizeram. O tempo congelado na década de sessenta. Isso dizem os que costumam tachá-los, pejorativamente.

Sob a visão de um deles (de um beatlemaníaco, não de um Beatle), nada mais natural que isso. Afinal, só perduram pela genialidade do que fizeram, como fizeram e quando fizeram.

Certamente hoje, qualquer adolescente, aprendiz de guitarra, tocará melhor do que John Lennon. Porém, nem o hoje, do século XXI, nem qualquer outro século produzirá outro John Lennon.

Portanto, quando quero (e sempre quero) ouvir Beatles, reporto-me aos meus bons e velhos, porém originais, long-playings de vinil. Qualquer versão acaipirada, techno, hip-hop, zouk, ou o que seja, são puro lixo.

Palavras de um xiita.

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Sou essencialmente fundamentalista em relação às Arcadas. Pelo exposto acima, tenho prática nisso. E estou bastante longe daquele famoso adágio: “não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”. A razão, bastante também simples: busco as coisas que amo. E a elas dedico o meu amor, não porque as conquistei, mas porque busquei-as para amá-las. Uma lógica compreensível apenas a quem está acostumado a realizar sonhos.

Usando frase devidamente expropriada, posto que em domínio público: ser aluno das Arcadas é mais do que realizar um sonho. É viver um sonho. Sua insondável e inesgotável História está impregnada e se faz de uma grandeza ímpar, apenas comparável à grandeza da história individual de seus alunos, que farão a grandeza dela.

No Caminho de Santiago existe um monte, onde está, no topo de um mastro, uma cruz, símbolo do venerado percurso. Tal monte é composto de pequenas pedras. Pedras estas que foram depositadas, uma a uma, por cada um dos que ali estiveram.

Isto é Arcadas. O fundamentalismo franciscano fica por conta de aqui estar para apreender a sua grandeza para torná-la sua. E depois, ao construir a sua própria História, ser mais uma, nesse Jardim de Pedras. Fazendo parte Dela.

A analogia com os Beatles é apenas parcial. Para me imiscuir nesse sonho posso apenas fazê-lo ouvindo-os. Platéia. Aprendiz. De maneira xiita, essencial, fundamentalista, sorvendo apenas o mais puro original deles, tal qual viveram aquela mágica e misteriosa viagem, na qual fui passageiro (contemplado com um Ticket to Ride).

Para completar a analogia: ser aluno das Arcadas é como se, numa operação esdrúxula e surreal, pudesse eu me tornar um deles. Pois o real nome da Faculdade da História é Faculdade (da soma das nossas) História. Assim como cada pedra depositada no monte do Caminho de Santiago.

Por isso, para um franciscano fundamentalista toca o mais fundo do coração, ao ver passar meninos e meninas que vieram em busca da História da Faculdade. Não a encontrarão. Esqueceram de saber que lhes era condição vir apreendê-la para fazer a sua própria história, que seria dela. Aqui vieram apenas porque é uma escola muito-bem-paga-antecipadamente gratuita, que possibilita bons empregos e que é fácil passar de ano. Ah, e que aqui estudaram o Álvares de Azevedo, Fagundes Varella e Castro Alves!

Sairão dela como quem ouviu uma versão resmasterizada, adaptada, estilizada e “atualizada” de uma canção dos Beatles, em ritmo de forró, achando que conheceram a sua obra. Como diria o Batman: santa inocência!

Escrevo essas palavras ao tempo em que relançam, pela enésima vez, a coleção dos 13 discos dos Beatles. Agora estilizada, remasterizada, e o pior de tudo: “atualizada”. Para tentar acompanhar a genialidade daqueles fabulosos garotos, o cabalismo da data do lançamento: 9.9.9. Nove de setembro de 2009. Sem genialidades. A mim me lembra mais o espelho da Besta. Propala-se que, com as inovações tecnológicas, há melhora na qualidade, com eventuais correções. Desconsideram que a genialidade dos garotos fazia por superar, com o talento, qualquer inovação. Daí a maravilha da obra. Daí a permanência para todo o sempre.

Vivemos na Era do Replay. Mas com muita tecnologia. Isso sim! Obviamente comprarei a coleção. Mas, desta vez, apenas para constatar o crime que cometeram, ao corrigir as distorções geniais e propositais de Tomorrow never knows. Que Deus lhes perdoe. Não sabem o que fazem.

É garantido que, com um programa Autocad, pode-se projetar um monte muito mais belo e simétrico, naquele Caminho de Santiago, com as cores das pedras muito mais realistas do que a própria realidade. Não se duvida disso. Mas nada substitui aquele tosco pedaço de papel onde você esboçou, apenas com a ponta dos dedos, sujos de poeira e do próprio sangue, a visão do local onde você depositou a sua pedra, a compor o monte.

Por isso é que ser franciscano fundamentalista significa não apenas entrar para as Arcadas, mas ser parte integrante, atuante e criativo parcial de sua História. Aqui fica mais bem mais próprio o termo: XIita.

A consternação nessa lisérgica viagem analógica que faço, fica por conta de constatar a banalização dos genais garotos transeuntes franciscanos, tal e qual fizeram com a genialidade daqueles outros garotos, estes de Liverpool. É preciso torná-los assimiláveis ao grande público. Ao franciscano é preciso aparar as arestas da brilhante irreverência. É preciso banalizá-los, para que se tornem, tal e qual a manada subserviente, tão facilmente conduzíveis em sua passiva mediocridade.

Cruel a verdade daqueles versos: primeiro entram em seu jardim e lhe rouba uma flor... Esse foi o sentimento aflorado e germinador desses escritos: a implantação no Território Livre da bandeira que deveria ser da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas não é.

Sim. Primeiro, o Presidente do Povo providenciou a estratégica passagem das Arcadas ao domínio administrativo estadual. Depois tornou-se criatura da qual foi Criadora. Depois quiseram levá-la de seu berço esplêndido. Agora, fincaram a bandeira, possessivamente. Num depois, elegerão um franciscano para a gerência daquela. Franciscano esse não daqueles necessários, XIitas, fundamentalistas, mas um banalizado e “corrigido”. Depois, como não se disse nada, como nunca se disse nada, providenciarão a mudança das Arcadas para o Butantã. Franciscanos, que fizeram a História como atores, agora como mera platéia, estudantes de uma boa Faculdade.

E no Largo permanecerá um grande vácuo, vazio. Tal e qual o Ground Zero, depois do 11 de setembro. Talvez o prédio seja transformado em Museu. Exposto a visitantes curiosos, que nada enxergarão, além da beleza natural desse Pátio. Monitores contarão aos extasiados turistas com suas câmeras digitais sobre uma lenda que, nas sombras dessas Arcadas, existia o espírito franciscano que rondava por todo o prédio, iluminando cada aluno um brilhantismo muito especial. Certamente uma lenda apenas. Comprovado inclusive porque o espírito não saiu na foto. E sairão de lá felizes, acreditando que obviamente não existe mesmo nenhuma diferença entre aqueles Beatles intocáveis pelo tempo e os Oásis de hoje. E que franciscano é mesmo apenas um universitário como qualquer outro.

XI-h

AAArcadas, XI de setembro, CLXXXI