quarta-feira, agosto 29, 2012

Coisa de preto no STF


O Ministro

O ministro Joaquim Barbosa deve ter sido indicado ao STF por meio de Cotas. Cota para Dignidade, Decência, Moralidade, Intelectualidade, Competência, Honradez e outros quesitos semelhantes, tão fora de moda nesse nosso Brasil de Liberdades falsamentes Democráticas e do Direito dos Mais Iguais. Esse tipo de cota todo brasileiro apoia. E que deveria ser de 100%. Talvez até como já está escrito: pessoa ilibada e de notável saber jurídico. O quesito: "ser da trupe do presidente" passou a vigorar depois e não está, por óbvio, escrito em lugar nenhum. Por isso não há provas.


A mera existência de negro tão admirável corrobora a tese de que cor da pele não deve servir para justificar coisa nenhuma, muito menos para obter benesses supletivas, a fim de preencher lacuna na competência. Cota nada mais é do que "pecha", de alguém que precisa de favores. Nenhum cidadão precisa de favor; precisa de oportunidades iguais. "Só" isso, nada mais.

A cor da pele também não pode servir de "fachada" para que um grupo de aproveitadores saia em sua "defesa", com o fim único de se locupletar, política, econômica e financeiramente. Inclusive, utilizando-se de um "mote" de seres inferiores. Os "defensores da igualdade racial" demonstram ser os maiores interessados em perpetuar a diferença econômica-social que, essa sim, existe.

Para quem precisa de esmola declarada de 20% está implícito nisso que o máximo que ele vai obter é os 20%. Quem foi que disse a esses cidadãos que ser negro é ser inferior? O nosso admirável Ministro deu prova cabal de que, se houvesse a tal "cota" para o STF, assumida ironicamente, a título de argumentação, 20% é muito pouco. Tenha certeza que hoje, cada um dos brasileiros(excetuando-se a imensa quadrilha que se formou para fazer um arrastão, dominar e dilapidar o Brasil) estaria muito feliz se a inusitada cota para negros no STF fosse de 100%, uma obrigação. Candidatos ao STF: pessoa ilibada, de notável saber jurídico e negro. Desde que o quesito "negro" se reportasse à notável envergadura moral do Ministro Joaquim Barbosa e não à quantidade de melanina que ele possui na pele.

E, no mesmo momento em que o Ministro Joaquim Barbosa dava ao Brasil essa mostra de civilidade, no Palácio do Planalto, uma branca assinava uma Lei, determinando que, de agora em diante, negros têm, no máximo, direito a 50% das vagas. E tenha certeza que tem muita gente que vai comemorar. São os interessados em perpetuar e institucionalizar a alegada inferioridade.
Por isso que o título dessas palavras, "coisa de preto" tem sido dado como uma expressão racista. Mas, afirmo aqui: precisamos que no Brasil tenha mais "coisa de preto). Pretos como o admirável Ministro, que deu mostras do que significa ser um cidadão decente. Pretos como o Pelé, a quem o Itamaraty deveria, em sua entrada, erigir uma estátua, como o nosso melhor Embaixador. Pretos como Machado de Assis, momento único em nossa Literatura quando o mundo "civilizado" reconhece que, nele, o Brasil não tem complexo de vira-latas ou de quinto mundo. E de tantos outros pretos também que, caso você não conheça, deveria conhecer. Do Brasil e do Mundo. Para poder usar a expressão com autoridade. Realmente, precisamos urgentemente de muitas coisas de preto nesse nosso lamentável país.
Pessoa ilibada e de notável saber jurídico?  Não. Ex advogado do PT. Amigo do rei. 

E precisamos também muito de menos coisas de brancos, como as que estão sendo julgadas naquele mesmo STF. Onde pelo menos um dos julgadores advogava até ontem pela quadrilha que alí está sentada na condição de réu. Ou seja, era parte da quadrilha que ora julga... inocente. Isso é coisa de branco. E outras tantas que ainda persistem acobertadas. Sempre sem provas escritas. Claro, nunca as há. Em um leilão também não. Basta um sinal qualquer para concluir um contrato. Um país inteiro não pode tornar-se refém de uma quadrilha, mesmo que ela tenha se institucionalizado.E o Ministro Joaquim Barbosa deu provas que essa libertação é possível, porque Decência não faz parte da cor da pele, mas molda o caráter.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Pindura: é tempo de dar.

Uma excelente iniciativa, a de um Workshop Pindura no Pátio das Arcadas. Com uma excelente demonstração prática apresentada pelo eminente e caro Mestre Professor Simão. 

Aproveitando a deixa, e na tentativa de colaborar para embasar histórico-juridicamente os ainda calouros em Pinduras, republico aqui algumas dicas sobre como dar, no caso, o Pindura. Deixe de lado todas as teorizações etílico-filosóficas acerca de o Pindura ser isso, ser aquilo ser aquilo outro ou muito pelo contrário. Apenas dê o Pindura. Depois a gente conversa sobre isso, ok?
Parabéns às Arcadas, por 185 anos de brilhantes Pinduras
 Pindura
o ascendere para que o calouro seja elevado à condição de franciscano.

I. O infeliz do calouro, pra dizer que é da Sanfran tem que ter dado ao menos um Pindura.
II. Pegue vários ofícios, se na salinha abandonada tiver alguém. Corrija a trova que diz “...cobrar o XI”. Não é cobrar “o”, mas “do”. É que a periferia jurídica também se arrisca em alguns penduras por ai. Como não podem dizer “do XI”, porque não são alunos, cantam “no XI”. Coisas da vida! Eu mesmo, em minhas andanças por diversas delegacias, já orientei a incautos delegados que mandassem prender pucanos, orelhas, fmuhhhs da vida que, fraudulentamente, queria se locupletar, comemorando um aniversário que não é deles. Sugiro façam o mesmo !

III. Escolha um bom restaurante. Nada de miséria. Esfiha, sanduíche, não é Pindura, é pobreza de espírito. Junte grupos com meninas e meninos, na máximo meia dúzia. Para um restaurante grande, pode juntar um, dois ou mais grupos. Adicione um veterano, para não sair merda. Ele conhece o script.Más, ó, um só, tá? Veterano é muito chato! Se em mais de um, vão querer conduzir os papos para "no meu tempo..." Boring!

IV. Entre no maior estilo. Se perguntarem se é Pindura, jure por todos os deuses que não é. Uma boa pergunta nessas horas é: que é esse negócio de Pindura?

V. Sente-se tranquilamente. Nada de ficar cochichando, olhando pros lados, ficar assustado. Aja naturalmetente.

VI. Peça pratos sem olhar os preços (já que você não vai pagar), mas não seja morto de fome. Peça apenas aquilo que deseja realmente comer. Sem exageros. Peça sempre um ótimo prato. Se for bebida, nada de cerveja. É coisa de miserável. Desculpe: de pessoas hipo-suficientes economicamente, pra ser politicamente correto.

VII. Aja como se você comesse em restaurantes de bom nível todos os dias. A gente sabe que você dá perdidos até no Bandejão, mas esqueça. Uma vez na vida, aja como se você tivesse classe.

VIII. Nem por um segundo pense Direito, não fale de Direito, de vestibulares, de pucanos. Nada. Nada. Fale de futebol, do Iraque, do cacete a quatro, mas nada de Direito.

IX. Se bebeu bebidas alcoólicas, como vinhos de ótima qualidade, saiba que você vai pagar isso. E também os dez por cento dos garçons. Esses dois itens são sagrados. Peça a conta. Separe o dinheiro da bebida e dos 10%. Mas não seja maloqueiro. Nada de se debruçarem todos sobre a conta, ficar fazendo contas e etc. Isso é coisa de pobre. Você está comemorando ser a elite, não se esqueça disso! Calculadora, nem pensar. Coloque o dinheiro na caderneta da conta, incluindo o Ofício. Chame o garçon.

X. Cantem todos: "garçon tira a conta da mesa e ponha um sorriso no rosto . Seria muita avareza cobrar do 'XI de Agosto'". Em tempo: a trova deve ter os versos repetidos, não esqueça. O orador deve se levantar e dirigindo-se ao público, agradecer o honroso convite feito pelo Restaurante, para que pudéssemos comemorar em alto estilo o aniversário das Arcadas. Afinal, não é todo dia que se comemora ter 185 anos! Ressalte também a hospitalidade e as grandes qualidades e fama daquele restaurante. Agradecer pela oportunidade de comemorar o aniversário das Arcadas naquele ótimo restaurante. Todos aplaudem. Em seguida, se não aceitaram a Festa, exija que todos devem ir para a Delegacia. Continue cantando outras trovas. Não repetir as trovas. Não dê, outra vez, uma de maloqueiro: nada de “Ô, leleô, leleô...”, nada disso. O Aniversário é das Arcadas. Cantemos as trovas! Apenas as trovas!

XI. Não pode arreglar de jeito nenhum. Eles vão querer ameaçar, dizer que é crime, que não vai poder prestar concursos e outras besteiras. Tudo baboseira. Na delegacia diga que tem o dinheiro para pagar, mas que é uma comemoração e que isso não tem preço. Por isso não vai pagar. Não faça acertos. Você não está pedindo desconto, está comemorando. Vai pagar a bebida e os 10% e só. Nada de acordos, de pagar parte, etc. Isso não é Pindura, é esmola. Agora, algo muito importante: comporte-se na Delegacia como se estivesse em uma delegacia. Lá não é lugar prá brincadeirinhas e palhaçada. Porque você, agindo assim, terá que permanecer outras boas horas lá, por perturbar a ordem pública. E isso não é Pindura! Seja sério com o Pindura: faça certo!

Pronto. Depois de algumas horas de delegacia, você estará pronto pra voltar para o Porão e contar o fato e todas as vantagens que quiser acrescentar. E reunir um outro grupo, para um novo Pindura. Mude apenas o bairro, para não cair na mesma delegacia e ouvir aquela frase conhecida : você, de novo ?
Ah, importante: guarde o Boletim de Ocorrências, para anexar ao seu Histórico Escolar Franciscano.

Algum folclore sobre o Pindura:


I - Não é Pendura. É Pindura.

I I - Começou em cerca de 1850, quando donos de Pensões, Pousadas e restaurantes ofereciam um almoço especial aos franciscanos, no dia XI de agosto. A finalidade era descolar um bom partido prá suas filhas que serviriam, no caso, de prato principal.

I I I - Depois, como não tinha tanta donzela disponível para a sobremesa, ficaram apenas com o prato principal e passaram a Pindurar a conta. E esquecê-la.

I V - Depois, com o advento de mais 800 pseudo-faculdades, a coisa agora virou putaria e o Pindura é dado como se fosse no Dia do Advogado, 11 de agosto.Não é! Oriente os delegados para que prendam aqueles worelhas. Isso é falsidade ideológica: querem comemorar o nosso aniversário, XI de agosto.

V - Boletim de Ocorrência não impede de prestar concurso. Você pode ter um BO por "n" motivos: assédio sexual no escritório, por estupro, numa batida de carro, por vomitar pela janela do XIº andar, chegando da Peruada e etc. Ou seja, não é o Pindura que poderia atrasar a sua vida, mas outras merdas que você vai certamente fazer pela vida afora.

V I - Não use a desculpa acima para arreglar na Delegacia. Se você é um cagão, assuma: não faça Pindura. Junte-se a outros franciscanos que gozam o tesão alheio, afirmando ter estado em Pinduras que não fizeram. Se você quer contar prá todo o mundo que quer ser juiz, não precisa usar essa desculpa, conta logo!

V I I - Tire uma cópia de BO e junte-o ao seu Histórico Escolar. Vai aumentar a sua média-com-pão-com-manteiga-ponderada.

V I I I - O maior Pindura foi dado em julho de 1906, quando os franciscanos apresentaram o Santos Dumont em Taubaté e foi feito um grande banquete para toda a cidade. Santos Dumont estava em Paris e mandou carta ao XI, comunicando que tinha feito o vôo no 14, 14. Alguns franciscanos aproveitaram que não tinha televisão, google, internet e fizeram-se passar pela comitiva do nosso Ícaro tupiniquim. Depois, o prefeito ficou um pouco "chateado" com a Sanfran. Mas, dado que o Presidente da República era um franciscano, resolveu deixar prá lá.

I X - O segundo maior Pindura foi o casamento feito no Maksoud, na década de 1980. Absolutamente genial !

X - O maior Pindura do século XXI foi em 2004. XXI franciscanos, no Bolinha, que alegou que também era adevogado, mas que não vinha ao caso onde tinha se formado. Esse Pindura foi divulgado em rede nacional pela Record. Um luxo, digno de franciscanos!

X I - Coloque aqui o novo recorde, no ano de 2012.O "seu" Pindura!

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Agora, chega de tanta falação. Vá fazer o Pindura! Não deixe que o mundo acabe, sem que você tenha tido esse prazer genuinamente nosso.

quarta-feira, julho 11, 2012

A Partícula de Deus








“Existem n imagens da Monalisa em melhores condições do que essa. Mas essa imagem é de uma foto que uma grande amigo fez, quando a visitou no Louvre. Onde é proibido fotografar a moça. Pelo delito, por se lembrar de mim, por me dedicar uma foto, dessa foto ser a Monalisa e o dito amigo ter feito qualquer tipo de analogia entre a lembrança da minha pessoa e uma obra do Leonardo da Vinci, apresenta-se-me mais como um inimaginável elogio do que um mero presente. Por isso, ei-la!”

Existe um Ser que me acompanha. Não o posso dizer imaginário, posto que tem existência real. Ou melhor, é, para mim, uma realidade. Esse Ser, que convencionei para mim mesmo que é Feminino, é irritantemente assexual, no sentido de Masculino ou Feminino. É mais ainda irritantemente atemporal. Acompanha-me pela vida toda, mas não envelhece. Nunca foi criança, nunca foi senil. É, simplesmente. Ela me ouve, pacientemente. Mas, ao final em pouquíssimas palavras, determina o que eu devo fazer. Isso, eu não chamo de uma conversa, um diálogo. É alguém bom ouvinte, mas que determina imperativamente. Ponto.
A lembrança voluntária e pessoal mais antiga que tenho é a de eu estar sentado, aconchegado, no colo de minha mãe. Eu, com cerca de três anos. Ela, sentada em uma cadeira de madeiras, dessas, da mais comum que existe. Estamos em uma sala completamente vazia. Em um ângulo diametralmente oposto há um homem em uma escada, pintando a parede. Enquanto isso, ela conversa com ele. Principalmente, dá palpites e ordens.  É uma singela lembrança. E muito simples, não fosse o fato de que essa cena, exatamente essa, aconteceu realmente, segundo ela. Só que ela ainda era gestante e eu estava muito bem acomodado em seu útero. A pintura da casa era um dos últimos retoques na casa, que seria inaugurada com a nossa mudança, após o meu nascimento. E eu ainda não existia, nessa vida extra-útero. Daí então é que a coisa complica um pouco.
Esse Ser que me acompanha está sentado elegantemente em uma cadeira, dessas de madeira a mais comum, em uma sala completamente vazia. E é nela que eu mantenho os meus monólogos e recebo as determinações, em voz alta e em bom som. Mas, a despeito de quaisquer teorias psiquiátricas que pode haver, e as há, o Ser não é a minha mãe. E a sala que ela habita não é a sala da minha lembrança. Inclusive porque, salas completamente vazias tem o incrível dom de serem muito parecidas.
Ao longo de toda a minha vida, esse foi um mistério que sempre procurei explicar. Não desvendar, coisa que me tem parecido impossível. Mas haveria de haver, no conhecimento do mundo, alguma explicação plausível para isso. Eu os obtive todos, acho que todos. Busquei e continuo a buscar. Mas há apenas o fato e a Presença, a despeito de não-explicações, explicações obtusas, outras edrúxulas, outras fantasiosas, outras ignorantes, outras simplesmente mentirosas e com segundas intenções. Eu, apenas com esse dado, poderia tranquilamente abrir uma igreja e criar toda uma teorização conveniente para os meus fiéis. No mínimo, ficaria isento do imposto de renda. 
As explicações passaram pela mais simples, a minha “consciência”. Não. Passaram também por explicações em fases freudianas. Acabei por concluir que o próprio Freud tinha lá as suas fixações e procurou estabelecê-las para todo o mundo. Algo até muito semelhante ao que parece que estou fazendo agora. Mas ele certamente tinha consciência, assim como eu, da Presença. Não,não era o meu lado feminino que um brilhante dia, numa epifania deslumbrante eu finalmente sairia do armário. Nada.
Devido às incursões pelo mundo da escrita e da Poesia, passei a considerar essa Presença como sendo a minha Musa. Num primeiro momento, tornei-a Mulher. Depois, Bela. Imensamente Bela. O seu sorriso, que não é minha criação, mas algo dela, tem um enigma que deixa qualquer Monalisa com inveja. Talvez o Leonardo tenha tido lá as suas experiências semelhantes com a Presença. Sua voz é muito suave e de uma fala compassada. Jamais alterou o seu tom de voz, para mais ou para menos. Não que ela seja inteligente; ela é imperativa. Não há a encantada Sabedoria no que diz; há uma ordem. Ordem que eu sigo. Sempre segui. E é com ela que treino ser um bom discípulo. Faço exatamente, no que me é humanamente possível. Por vezes, extrapola. E esse mundo exterior me lembra o quanto ela está sempre certíssima. Mas, apesar de fantasiar assim, ela não é uma Mulher de quem eu seja apaixonado. Eu não a amo. Ela me ama.
Nas minhas andanças pelo mundo teológico fiz-me por certo tempo, crer ser ela o Espírito Santo. Ele, entre eu, filho e Deus, Pai. Isso nos moldes em que se conhece popularmente por Deus que acreditam. Apenas com a diferença que eu a trato como Pai. Sem ser aquele filho inconveniente e incompetente. Que a ele só se dirige para pedir coisas ou para reclamar da vida. Não. Apenas sigo suas determinações e faço o que precisa ser feito. E em sendo bem sucedido, o sucesso serve-me de oferenda, em agradecimento aos seus ensinamentos. No insucesso, sinto-me envergonhado. Isso porque, em todos os casos, ocorreu porque não segui exatamente o que me foi determinado. Sempre nas minhas conversas com Ela. Não há nada e nem ninguém na sala que descrevi. Apenas Ela e eu, que chego. Não há intermediários nisso. Certa vez fiz com ela uma viagem pelo mundo da Alma humana, ou que assim a denominam.  Algo branco, imenso e ofuscante como as geleiras do Polo Norte. Sem fim. Não era a alma dela. Era a minha própria. Ela fez com que eu a olhasse nos olhos para que, em reflexo e enxergasse os meus próprios olhos. Realmente, os olhos como a porta da alma. Open up the doors.  E então, experimentei algumas vezes realizar isso com olhos outros. E eu, por mim mesmo, consegui fazer a mesma mágica viagem pela alma daqueles olhos. Algo indescritível e deslumbrante. Em função disso, passei a não querer mais olhar as pessoas no fundo dos olhos. Apenas um olhar superficial. Porque não me interessam as almas de outrem. Segundo, porque eu as visitei absolutamente iguais. Incrivelmente iguais.
Por experiências com substâncias que alteraram por vezes temporariamente, por vezes definitivamente a minha mente, cheguei a explicá-la como um Super Id, que seria superior e controlador do Ego, do Superego e de todas essas coisas. Pois que era sempre ela que me conduzia e acompanhava em viagens alucinógenas, incríveis, absurdas e por vezes ameaçadoras. Mas ela fez-me ver que aquelas coisas, visões inumanas não eram realidade, mas apenas distorções, no processo de expansão elástica da minha própria mente. Uma alma de borracha, o que temos. Rubber Soul. E os olhos, a porta da percepção.
Ainda por campos do espiritismo, eles têm lá suas explicações. Que em absoluto me interessam, por serem grotescas e esdrúxulas. Alan Kardec por certo parece que andou viajando nesse mesmo trem, conhecendo a Presença. Mas também parece que nada entenderam e enveredaram por caminhos obtusos. O mundo tem dessas coisas, ignorâncias. O ventilador foi desenvolvido e criado para fazer o ar circular. Por isso ele deve ser dirigido ao teto, posto que o ar se aquece e é esse que deve ser circulado e expulso do ambiente, para que o ar inferior suba, limpando e resfriando o ambiente. Mas as pessoas dirigem o fluxo do ventilador para a sua cara. E isso se faz em todo o mundo, em todos os tempos, depois da criação do dito cujo. Se o mundo não entende o mecanismo simples da ação e função do ventilador.,como entenderiam assuntos da Alma humana, disso que nem sei se se pode chamar Alma? A Presença. Um lampejo de Energia, a presença de Deus no Humano, para que ele seja viável. Mas insistiram em falar sobre o que não sabem. E falam asneiras, inexistentes.
Ainda nos primórdios de minha existência, quando ainda nada mais era do que uma massa amorfa, inóspita, insípida, vazia e nula, embarquei numa mágica e misteriosa viagem, cujo condutor era um ser incrivelmente humano, chamado John Lennon. Seu brinquedo genial, chamado Beatles, levou a minha mente a esferas nem mesmo alcançadas pelas viagens alucinógenas. Porém de uma elasticidade sem retorno. Alma de borracha. Rubber soul. Para fazer jus àquela genialidade tamanha dele, utilizando-me também do ar despretensioso e jocoso, passei a dar um nome para a Presença. Uma brincadeira com um nome  que já existe, apenas que se lhe modificando uma letra. Ele trocou um “e” por um “a”. Transformou o beetle em beatle. E eu troquei um “e” por um “i”. E transformei a Beatriz em Beatlis. A musa que conduz-me ao Paraíso, feito Dante, que certamente foi outro que perambulou também por essas paragens  da Presença, que procuro descrever. A Presença era então, Beatlis. A Presença: eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Beatlis, a Presença: eu sou o Carinho, a Vaidade e a Vida.
São explicações que eu tento inutilmente dar para a existência da Presença. Tive uma filha e dei a ela o nome de Beatlis, com toda a simbologia restante, na vã tentativa de ter no mundo uma pessoa humana que representasse a Presença. Para me lembrar sempre dela. Tentativa vazia, dado que a Presença me é presente durante todo o tempo. Vã tentativa, posto que a Presença não é a condensação do Nada. É o próprio Nada. Mas a Beatlis-filha existe em minha Vida. Adoravelmente.
Numa fatídica noite, pedi, implorei à Presença que fizesse com que a Presença, se é que havia, naquele John Lennon tão importante para mim , tornasse para mim aquela Presença que era minha. Como já dito, jamais pedi nada a Ela. Nem antes e nem depois disso. Ela não atende a pedidos, ela determina. Mas ela acedeu e me atendeu. E me sorriu. Um sorriso profundo, o qual jamais havia entendido e que não entenderia por um longo tempo. Como também já disse, enigmático. Mas a minha tristeza de então era tamanha que em nada estava disposto a entender um sorriso. E ela pôs-se diante de mim e fez com que eu a olhasse nos olhos, profundamente. Tão profundo a ponto de fazer aquela viagem pela alma que já havia feito e inclusive desistido de praticar outras vezes. Nessa viagem a um branco monotamente infinito, de um brilho indescritível, vi o que jamais ela me havia permitido: eu vi a Presença. Presença que não era minha, mas produto do meu pedido atendido. A Presença que havia tornado possível um John Lennon. E aquela Presença era Ela própria, sem ser ela. Absolutamente a própria. E idêntica à minha.
Com isso aprendi algo realmente fascinante: a emulação. Viajar por mentes alheias. Sendo que sempre, a anfitriã é a Presença. Não a minha, mas a do outro. Presença que é a própria minha, sem ser. Num depois, vim a saber que Aristóteles falava estranhamente em emulação. Em sendo quem é, deveria ser também um que a praticava. Com a emulação faz-se possível viajar por mentes alheias, conhecer-lhes o conteúdo, sendo que há sempre e sempre a presença da Presença. Incrivelmente idêntica à minha própria. Algo como que um clone. E me vi experimentando sair eu mesmo fora de mim. Sai realmente, sendo conduzido pela Presença, para fora do corpo. Senti um medo tamanho. Incomensurável. Help! Procurei agarrar-me desesperadamente à Presença. I wanna hold your hand. Temi desvincular-me o meu estado sei lá se de energia, em definitivo do meu corpo humano. Jamais quis repetir a experiência. Temi ser carregado pelo vento, analogia feita às coisas desse mundo daqui. Não tente fazer isso em casa!
     
Pela vida toda tentando explicar a mim mesmo o que vem a ser a Presença. Dei-lhe feições humanas, sexo, nome e tantas coisas. Porém, assim como o diagnóstico obtuso dos médicos, de “virose”, fiz muito e fiz nada. O mistério continua. Eu a conheço muito e ela sabe de tudo sobre mim. Vivo a minha vida segundo os seus desígnios. Mas nada sei exatamente sobre Ela, exceto as minhas divagações como respostas.
No maravilhoso mundo dos computadores, existe um ícone, que nos faz acionar um programa, para que realizemos algo. Mas não sabemos o Programa. Não conhecemos a sua linguagem, não sabemos “dialogar” com ele. Muito menos criá-los. E mesmo assim, fazemos uma infinidade de coisas, por meio dele, na mais completa ignorância sobre ele. Faz-me parecer que os humanos assim o são. Dada a incrível similitude que há entre o computador o e o ser humano. Inclusive já tendo, em seu início, sendo chamado de “cérebro eletrônico”. O que eu crio, a partir dele, pode e é, totalmente diferente do que outro criou. Então, a Presença poderia ser o “programa” que nos rege, fazendo eu a minha vida do jeito que tem que ser, eventualmente igual ou diferente da de outros humanos. O “Programa” é o mesmo.  O que haveria de diferente é o consciência da existência, a possibilidade de dialogar ou monologar com ele, entender a sua linguagem e até mesmo a consciência da linguagem e a possibilidade de ler e reproduzir os comandos. Uma explicação incrível, plausível. O nosso desenvolvimento, elasticidade de alma, nos levaria a essa consciência. Sim, plausível. Inclusive acessado por alguns poucos, como os nomes que já disse aqui. Mas que ainda continua a não explicar a Presença em sua amplitude.
Não vivo para explicar a Presença. Vivo-a, simplesmente. Apenas que estou aqui descrevendo os processos investigativos. E porque hoje o Martim completa os seus trinta anos de existência e precisa saber disso como deve ser. Com os conhecimentos todos que havia obtido sobre, com e por ela, a Presença, impus-me como objetivo que falaria à Presença que por certo deveria existir nele. Idêntica à minha, sem ser. Intangível isso. Não bastava que apenas nomeasse com trejeitos de genialidade, como fizera com a Beatlis. A Presença não é humana. Não pode ser. E eu a ele, Martim,  sempre me dirigi como quem se dirige à Presença. Como a Presença a mim se dirige. Condescendente, complacente, mas de uma imperatividade implacável. Mas isso não é humano. É a linguagem da Presença. Que me ama, sei disso, mas que jamais me fez um afago, um gesto humano, apesar de Ela ser a própria expressão do Amor. Quis fazer uma vida dirigida a sua Presença, para que ela, a Vida, fosse, diferentemente dos demais, elástica. Alma de borracha. Que, num depois, vai saber que um gesto, apesar de aparente beleza e cheio de significados, pode ser falso. Como geralmente o é. O Beijo de Judas.   Esse, o trecho que lhe cabe, pelo aniversário. O conhecimento que precisa, por herança e continuidade. Por expansão. Foi preciso uma disciplina rígida e implacável para transmitir a mensagem de ser Filho de Guerreiro, etmologia tupi-guarani do nome Martim. Tal rigidez de comandos, hoje vejo que na vida fenomênica prescindiu do calor humano, do gesto de carinho, do afago e tudo o mais. Tão necessários à Vida humana. Mas essa ausência não nega o Amor. Amor que transcende o Humano, posto que por dação divina. A Presença.  Isso sei que fiz em plenitude, como um bom discípulo. Se errei na dedicação humana, por pouca demonstração de Amor, peço perdão. Mas ele existe. Amo mesmo muito você, Martim. Tanto que esse bilhete, verdadeiro codicilo pode e deve representar um comando para a sua vida que se inicia. Quem me estimula a lhe passar esse comando é também o orgulho que sinto de você.

Por esses dias, andam falando sobre a “descoberta” da Partícula de Deus. A energia que gerou a matéria. Escritos hindus de há mais de cinco mil anos já afirmavam que tudo o que existe é uma mera condensação do Nada. Feito à fala da Presença, não era uma suposição ou hipótese ou algo que o valha. Era uma afirmação. Nada há de novo sob o Sol.
A Presença então é a Partícula de Deus. Tão igual e tão idêntica e tão diferente, que desconsidera o grau de percepção que dela temos, para que exista. Permite que possamos fazer qualquer coisa, qual uma extensão do que somos. Sem qualquer dificuldade, já que somos de origem comum.
A Presença

A Presença então é o nosso Anjo da Guarda, que não é nosso em particular, posto que cada qual o temos, todos idênticos, sem sexo e sem forma, como eu poeticamente tornei a minha, nomeando-a Beatlis. Algum outro, poeticamente cismou de colocar-lhe um par de asas. Pois que seja. É a Sabedoria a que se referia Salomão, anterior ao Homem e ao mundo. É o Espírito Santo de Deus a que se referem os religiosos. A fagulha de uma energia cósmica resultante do Big Bang, como o querem os astrofísicos. Para mim fica sendo como que a partícula unitária de Deus, presente em cada uma de todas as coisas, dando-lhes Vida. Positivamente não é Aquele a quem se dirigem fiéis em toscas orações vazias, por vezes intermediada por um desfilar enorme de santos. Isso não é Deus, é um clubinho.  

Leonardo da Vinci pintou-a. Daí aquele maldito sorriso que tão bem conheço, mas que desconcerta quem o vê. Ele nominou-a Monalisa e o quadro apresenta também simbolicamente os dois níveis possíveis. Os que têm e os que não tem conhecimento da Presença. Sempre lembrando que conhecê-la não significa sabermos dela, nada mais do que a Presença. Não nos é dado entendê-la, posto que somos criatura e ela faz parte do Criador. Ela portanto nos extrapola. Assim como os níveis de conhecimento nada tem a ver com o que usamos como “ser melhor”, “evoluir para”. Não. Há a Sabedoria na Matemática. Há a Sabedoria na Harmonia Musical, muito embora nela eu jamais tenha conseguido discernir. A Seqüência de Fibonaci, os produtos notáveis da Matemática são apenas indícios, entroncamentos que levam a ela, sem mostrá-la. Os meridianos de acupuntura são expressão da Presença nos humanos. Por essa razão temos seres humanos que não são “perfeitos” no sentido humano, como a Síndrome de Down e outras coisas, mas que tem um agudo senso matemático, uma memória absurda. Ou seja, há a expressão da conexão direta com a Presença, expressando-a, mesmo sem ter plenitude em outras funções. Mozart ouvia aos cinco anos uma Sinfonia e chegava em casa e a reproduzia completamente. Por vezes até corrigindo e acrescentando coisas. Portanto a Presença não cria gênios, tais quais os conhecemos, conforme os vários nomes citados. Pela razão que todos têm a Presença e não é ela quem os diferencia. O mundo naquele momento é quem os possibilita gênios, fora do normal, fora do que todos somos. Há Sabedoria, há a Presença na Natureza. Há a Presença na agricultura desenvolvida pelo Homem, posto que intervem na Natureza tal qual é, fazendo-a produzir e criar aquilo que lhe é conveniente. Há coisas que conhecemos que são impossíveis de terem acontecido por evolução, por conhecimento acumulado e etc. Então, há de ter ocorrido de um humano, há milênios atrás, sabedor e consciente da Presença, ao se identificar com a Presença existente naquele vegetal, recebeu dela a informação, a “inspiração”, de que deveria agir de tal maneira para que obtivesse “x” resultado. Se não, como explicar que se tem que espetar algo na transição entre a raiz e o caule de uma planta para que ela produza tal fruto? Foi um feliz acaso ou um sem-número de tentativa realizadas por um único indivíduo, devidamente orientado pela Presença.Há, pois, a Presença na Natureza. O mesmo Da Vinci afirmava aprender mais observando a Natureza do que um dia em uma biblioteca. A Presença ensina, informa, expões, esclarece. Há a Presença, Sabedoria na linguagem. No caso da linguagem humana por mais que tenhamos “n” idiomas e dialetos, a raiz, a origem é a mesma. A presença da Presença, na configuração da linguagem para a comunicação. Nos animais a linguagem é plena, sem modificações ou “evolução”, tal qual encontramos nos humanos, com a sua teoria da Matriz Indo-europeia para todas as línguas. Mas os animais, apesar de não demonstrarem a capacidade ou a necessidade de modificar a sua própria linguagem, conhecem a linguagem alheia. Não em seus meandros, mas como uma linguagem alheia. Por essa razão, algumas vertentes religiosas utilizam a expressão “falar na língua dos anjos”. Acaba sendo verdade, pois que é a origem da origem, a Presença. Quando criança, ao ser alfabetizado, cerca de 7-8 anos, passava horas no quintal da minha casa, com um giz roubado à escola sorrateiramente a escrever palavras na cerca de madeira que havia. Não me lembra as palavras, mas hoje sei que eram palavras criadas, inexistentes, ao menos na língua portuguesa, a que mal conheço. No meu mundo e no mundo real. Mas que devem fazer parte de algum idioma por esse mundo afora. Fazia aquilo sob a influência de estar magnificado com a descoberta das palavras e de seu significado. E ficava então a criar outras. A primeira linguagem por certo foi concedido ao humano pela Presença. Ela não evolui, mas involui ao longo do tempo, algo avesso ao uso, mas usual no comportamento humano, o emburrecer-se.   
Enfim, a Presença é sempre a mesma, já que representa a Sabedoria, que é a fagulha de Deus nas coisas. A Partícula de Deus como querem agora. O oxigênio e todas as outras partículas que existem, ao adentrar a um organismo, passam a conter a Inteligência da Sabedoria e não são iguais aos que estão fora. Agem como que comandados agora, subservientes a um Sistema que o dirige. Há uma mesma Presença, a Sabedoria regendo todas as coisas. Apenas o que muda é a “configuração” que é dada. Ao mapearem genomas diversos, concluíram que o genoma humano é 98% igual ao de um vírus. Erraram. Depois perceberão que não são 98%, mas 100%. Apenas com uma configuração diferente. Talvez até por essa razão, e dizendo-a real e verdadeira, quando leem os meus escritos os tais me tacham “o chato”, que nunca termina. Ou seja, eu, apesar de humano ajo, ao escrever, com a configuração de um chato, para quem assim pensa. Assim como eu tacho de anta aqueles que acham essas idéias uma pura viagem. Um humano que tomou contato com esses meus escritos, mas não tem a condição mental de acompanhar a minha longa viagem, age como uma anta. Somos cada qual como se fôssemos um elétron, com uma região de orbital no qual estamos. Há uma única possibilidade de mudança de orbital e ele é finito, mas a nós parecendo infinito, dado a diferença de dimensão entre nós e eles. Elétrons são todos idênticos. Algo como a imensa geleira branca que enxergo na visualização daquilo que chamei de alma humana. É o espaço orbital. Não se vê o segundo estado, posto que não há dois, mas apenas um estado de ser, em um ou outro. Não é um “espaço percorrido”. Há um estar. Quando hindus falavam sobre o que existe ser uma mera condensação do Nada explicavam corretamente aquilo que, depois de tanto tempo os nossos astrofísicos nominaram de “a partícula de Deus”. Há maneiras de agregação e elas são finitas, assim como as notas musicais entram em repetição, acima de determinada conformação. E essa agregação do Nada em forma de matéria é que vai formar os componentes químicos que conhecemos. Conformação essa que é única e que vai entrar em repetição. Por essa razão existem mesmo os universos paralelos. Não como os quer o Homem, que tenhamos uma réplica de um Luiz Gonzaga em outros universos. Não há. Isso é possível mas improvável. Haja! Não há uma repetição, mas há infinitas repetições, posto que um elétron tem o seu espaço orbital. Outro eletro, absolutamente igual tem o seu espaço orbital absolutamente idêntico. Mas que não são o mesmo. O conceito matemático de igualdade e identidade. 
 
O grande erro que é cometido é supor que a Presença atue no mundo fenomênico, criado. Não, não atua. A Presença é personalíssima, fazendo com que sejamos cada um como que água, na forma de um cubo de gelo. Uma conformação determinada que passou a existir. A morte representando nada mais do que a desconformação, voltando a ser “água”. A água toda é a Vida, a fagulha de Deus. A Vida não se extingue. No exemplo, a Presença atuou como temperatura, agregando a água. Por essa razão o universo criado pelos ditos “espíritas” nada mais é do que a tentativa de supor a Presença como algo que existe e que “toma conta de um corpo” e depois de outros e etc. Não. A Presença é a fagulha, a partícula de Deus. Não há matéria, não há forma. Ela existe em mim e deixará de existir em mim. Nesse intervalo existirá em mim a Vida, a configuração de um sistema que está em funcionamento, representado pela Presença. A Presença é o “On” de que o sistema operacional está em funcionamento. Assim como a projeção de um filme em uma tela. Não há vida na tela e nem no espaço em que a imagem é projetada. Ao deixar de ser projetada deixa de existir, existindo apenas em uma película, a origem. A vida então, como nada mais sendo que a expressão energética da fagulha, fagulha essa absolutamente idêntica em tudo o que conhecemos. Manifestando-se diferente, conforme uma “configuração”, que não me venha você perguntar como é tão diferente e ampla. Não sei.
Não se pode querer fazer equivaler o indivíduo e sua Presença com o mundo do Homem, o que o Homem criou, chamando-a “sociedade”. Enveredando por esse equívoco é que  o ser humano cria uma série de grupos, seitas, religiões, e etc, com a finalidade de tentar fazer com que aquele certo indivíduo saia da condição de desconhecedor para conhecedor da Presença, como nos dois únicos modos possíveis, retratado por Leonardo da Vinci, simbolicamente de maneira tão brilhante. Essênios, templários e outros tantos grupos, até à atualidade seguiram e seguem pelo mesmo caminho, o de "despertar" para a Presença. O despertar é interior, não se apreende de fora. Há até, em certas épocas, a existência de comuns e de nobres. Nobres sendo aqueles privilegiados que tem conhecimento e noção da Presença. Não há essa diferenciação em níveis de “qualidade de ser”. Há o conhecer e o não-conhecer. Assim como há o ligar e o desligar. Não há uma evolução, um processo. Há uma condição de estado. Como já dito, aqueles nomes citados são conhecidos como gênios, mas jamais pela atuação da sua Presença no mundo. Uma vã tentativa, por erro na essência da coisa. Não há essa evolução. Há a identificação da Presença. E não será por influência externa. Não é porque eu estou aqui há séculos falando sobre a Presença que existe em mim e que por certo existe em você, que você então dirá: “está bem, agora eu sei sobre a Presença”. Não, não será assim. Ou você se aperceberá da Presença ou não. A Presença não forma gênios. Todos a têm. Nesse exato instante, há milhares, milhões no Planeta que têm consciência da Presença. E não são gênios. Mas a consciência da Presença não atua nesse nosso mundo criado, não lhes concede ascensão na hierarquia social, intelectual, nada, nada. Não há um Caminho, uma escolha de um melhor Caminho. Há um único Caminho. Que não se ensina e que não se aprende. Portanto, seitas inválidas. Inválidas em finalidade. Podem existir quando quiserem, como um aglomerado de pessoas, com alguns convictos da Presença, outros não, independente do que aprendam. A Sabedoria não é acumulação de conhecimentos, mas mera percepção da existência da presença.
Outras tentativas há, quando falam erradamente em “temor de Deus”. Que é facilmente entendido e distorcido para o temor como estado de medo. Não. Temor é reverência, não é medo, temor, receio. A reverência como quando utilizada como instantânea, naquele momento de reverência. A Presença só se faz perceptível em estado contínuo de reverência. Por isso ela é imperativa. Ela ignora completamente o meu querer e as minhas razões. Eu devo aceitar ser ela para que ela se manifeste. Algo como quando você instala um programa em seu computador na maneira “manual” e não aquela determinada aprioristicamente por quem o elaborou. Você tem essa possibilidade. Sabendo que esse sistema é falho e nada abrangente. O “arbítrio” humano é isso: um desejo pedido de se tornar capaz de ser menos. Eu posso comandar. Mas vou me tornar uma sequência interminável de erros, por vezes incorrigíveis. A Presença exclui o meu arbítrio. Devo ser ela. Para tanto, em estado perene de reverência e aceitação.
Há na Medicina demonstrações da atuação da Presença na vida humana, de forma desconexa como resultado. Pessoas que afirmam ouvir vozes e outras coisas do gênero. E elas ouvem mesmo. E é a manifestação da Presença em suas vidas. Não há Haldol que resolva isso, por mais que assim o queiram os psiquiatras e a Psiquiatria. O que ocorre é um conflito de comandos entre os mandamentos, orientações e comandos sociais de comportamento e ações com aquele “sistema Operacional” em funcionamento para que a vida seja possível, cujo “ícone” é representado pela Presença. Certa vez, eu tinha três computadores em rede. Na central, coloquei o sistema em comando para “desfragmentar” o disco rígido. Para que isso ocorra, faz-se imperativo que não se utilizar o computador para mais nada. O que faz todo o sentido. Como se é possível verificar e corrigir um Sistema quando em funcionamento? Não o é. Faz-se então preciso que não esteja sendo utilizado. Pois bem, sabedor disso, fui para um outro computador, para continuar a escrita desses meus escritos viajantes. Quando retornava à central, o indicativo da desfragmentação acusava: 0%. Repetia a operação e ele começava a desfragmentar outra vez: 0... 1... 2%... E eu voltava para os meus escritos no outro computador. Lá pela décima primeira vez que eu voltava e estava estancado em 0%, recebi uma bronca terrível e para mim inimaginável do computador: “Por favor, decida de você quer efetuar a desfragmentação ou se pretende utilizar o computador. Não é possível realizar simultaneamente as duas tarefas”.  Eu fiquei vermelho de vergonha! Obviamente, terminei a desfragmentação. Pois muito bem: humanos estão sob o comando da Natureza por meio da Presença. Os comando da vida em sociedade, por muitas vezes iguais ou semelhantes aos comandos da Natureza, em outras conflitam com eles. A pessoa está sob comandos então distintos. Sob o comando social ela é frágil, pois desconhece ou não tem poder sob os comandos, por insuficiência, econômica, social, intelectual e etc. Por outro lado, pelas mesmas insuficiências, se ela desconhecer também e simultaneamente o sistema operacional dessa fagulha de Deus, cujo ícone é a Presença o veículo, que é o seu corpo, vai entrar em conflito e, analogamente aos computadores, vai travar. E é nesse ponto que os queridos psiquiatras vêm com os seus Haldol, Fluoxetina, Carbamazepina, Lítio e tudo o mais. Não.  Talvez então esses escritos tenham alguma utilidade. Quando eu digo que a Presença fala, tem voz, expressão enigmática e etc estou utilizando uma analogia com o nosso mundo fenomênico, onde há voz, expressão, etc. Tenho plena consciência de que não ouço vozes. Mas eu ouço a voz da Presença. Porque tenho consciência da existência dela, como algo paralelo às coisas do mundo criado pelo ser humano. Inclusive que são comandos distintos, que podem, eventualmente ser conflitantes. Por muitas vezes o são. E eu domino isso. Porque domino. Por alguma razão que desconheço, sei da Presença em minha existência. Como já dito fartamente, essa consciência de sua existência independente de qualquer cultura, conhecimento ou evolução. Existe, simplesmente. Por essa razão, essas pessoas ditas “doentes mentais” que ouvem vozes e tudo o mais nada têm de doença: tem de desconhecimento da Presença. Ou do conflito dos comandos. E entrarão em conflito real, somaticamente. Talvez lhes faça bem não tomar Haldol, mas ler essas minhas sangradas escrituras.

Essa convincente explicação me permite descansar em paz. 

11.07.2012

segunda-feira, junho 11, 2012

O fim do mundo, num dilúvio de hipocrisia

Eu tenho já a presença confirmada na Festa do Fim do Mundo, em 21 de dezembro, veiculada no Facebook. Está garantido que não haverá festa melhor. Mesmo porque, após ela, não haverá festa alguma. 

Já escrevi aqui mesmo, sobre o fim dos tempos. Só que lá, na visão, bastante ou totalmente impregnada com a descrição escatológica do Apocalipse. Visão que amedronta a humanidade há séculos, com anjos, trombetas, acerto de contas e tudo o mais. Acontece que, nesses tempos de agora, o Apocalipse virou videogame para criancinhas bem principiantes. A realidade é bem mais escatológica do que qualquer descrição futurística ou ficcional.
Os Maias preveem o fim dos tempos no dia 21 de dezembro desse nosso então derradeiro 2012. Para os judeus, cinco mil e tralalá. Para os chineses, sabe-se Deus lá quanto. Confesso que tenho certa ojeriza de escrever nos moldes de um "escrito científico". Recuso-me a citações de fontes e referências bibliográficas. Quem sabe, sabe. Quem não, que procure saber. Ora essas!  São esses alertas que sempre postergam eu iniciar a discorrer sobre algo. Mas, tendo dito, vamos a essa outra visão de fim do mundo.
A tal descrição maia refere-se ao fim de uma "era", fundamentando-se no percurso das estrelas e tudo o mais. Apesar de ser uma ideia literalmente viajante, é muito mais factível. Afirmam que, de alguma maneira, esse trânsito galáctico interfere em nossa vidinha aqui na Terra. E que, de tempos em tempos, finda-se um ciclo, iniciando outro. Isso sim é que é bem legal!
Imagine você: a nossa história ocidental conhecida é bem curta, astronomicamente falando. E é toda ela impregnada de um tom de estória da carochinha. Vai que vai e esbarra-se em uma afirmação mais inexpugnável que a Muralha da China: o conhecimento oriental. Revise aí os seus escritos e você vai constatar isso, caso não acredite no que aqui está sendo dito. É vero, creia.  Está lá falando-se do conhecimento filosófico aristotélico quando, cita-se, "seus conhecimentos adquiridos em viagens ao oriente".
Pois bem: crei para mim que o tal de Fim do Mundo será esse, o fim do império do conhecimento ocidental. Ainda bem, porque ele carece de fundamentação. Fundamentar que vem do Oriente não basta. Como é o conhecimento do Oriente?
Parece-nos então que iniciamos uma nova Era; saberemos, finalmente, em final apoteótico, como é o conhecimento oriental! Chega de intermediação!
Se você bem se lembra das aulas da dona Ermenegilda, no terceiro ano primário, o astrolábio, - recém-utilizado nas tais Grandes Navegações -, era invenção "oriental". A bússola também. A pólvora também. A Imprensa também. O Galileu também apresentou as suas novidades, com conhecimentos oriundos da famigerada "cultura oriental". E tantos outros "também", que não me lembra ou que não sei mesmo. Aos árabes coube algumas inovações na escrita e na Medicina, devido ao "seu estreito contato com o mundo oriental", em certa época. Que você vai consultar suas fontes, para saber quando. A escrita parece que chega à Grécia por meio dos fenícios em seu contato comercial com... o oriente. Aos judeus, por sua eterna andança diásporica pelo mundo afora, que certamente devem ter feito alguma clientela para o proibido além-Muralha da China.  Sempre claro, travestido de "turco", para todos os efeitos. Um vendedor nato e um agiota por consequência, num silogismo ímpar, de origem desconhecida. E não oriental. Defensores de uma estranha eugenia por se tratar de filhos diletos de deus, amargam vez por outra o sabor do próprio veneno, aplicados pelos gentios, o "resto". A distorção decorre da apreensão do conceito de casta, vindo também do oriente.
Pelo exposto, a cultura ocidental não sabe nada, nadinha. Resulta então que  nada  mais é do que uma cópia, uma tradução da "cultura oriental". Dado o ditado "tradutor traidore", ficamos com a versão acabada de algo que não temos como acessar o original, para confrontação de fidedignidade. Só sabemos agora que, após tudo devidamente copiado, foi acrescentado um novo ingrediente: o "direito autoral", que penaliza a cópia. Uma regrinha deveras engraçada: "é proibido copiar a minha cópia". Regra essa que tem se tornado difícil fazer-se cumprir, na atualidade. E, por paradoxal que possa parecer, é a "cultura oriental" que tem tornado difícil fazer valer essa regrinha da ilegalidade da cópia. E a gente compra cds e devs na esquina, a dois real, para o arrepio da indústria de som e imagem.
Diz a cultura popular, não sei se também oriental, mas "em todo mal há a semente de um bem equivalente". Isso, de certa maneira, reconforta-nos. Só não se sabe quando, nem como. Como a Justiça Divina: ela será inexoravelmente feita. Só não sabemos quando. Nem como. O que é uma injustiça desbragada!
E o fim do Mundo como o conhecemos resulta da germinação da semente, da Justiça Divina, da ação elementar da Natureza como não a conhecemos: o avesso do avesso, avesso não é. A Humanidade será regida pela cultura oriental. Eis o novo ciclo.
A nossa cultura ocidental, tudo depois de devidamente copiado, criou também outra coisa muito legalzinha: o Capitalismo. Um sistema genial, mas que confronta seriamente com qualquer outro, pois faz necessário supor a existência de um novo deus criado: o poder do dinheiro. Para o seu reinado, a existência também de uma ferramenta nova: a necessidade de adquirir algo, sempre mais, visando a um suposto conforto material. Não há mal nenhum, quando o aceitamos como um ser criado, para o nosso regozijo. Acontece que a vaga já estava ocupada, erroneamente interpretada. Já havia um deus criado anteriormente, só não se sabe se por influência de alguma cultura oriental. O fato é que já havia um deus. E, segundo esse, não há vaga para nenhum outro. Uma arbitrariedade ditatorial divina, digamos. Nada de concorrência.  Disso gerou-se o conflito. Que, como penso que bem explicitado, um erro grosseiro de avaliação.Você pode perfeitamente seguir os ditames de ambos: reze para um e compre do outro. Mas não, aquele deus criou mais um ditado: não se pode servir a dois senhores. Pode sim, senhor deus. Claro que pode! Dada a força empresarial que esse vingativo deus tem, fica então valendo o que chamamos de "reserva de mercado". Diz ele que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um servo do outro deus entrar no reino dele.

O fato é: criaram uma cultura dita ocidental, não para contrastar, mas fazendo de tudo para que ignorássemos por séculos a tal cultura oriental.

O Capitalismo é um tsunami e quer engolir tudo. E foi feita a besteira: ensinaram aos chineses a fazer a boneca Barbie (são produzidas lá, a baixíssimo custo). Eles gostaram da ideia. E copiaram o Capitalismo por inteiro. Com uma vantagem: aquele bom Capitalismo do Adam Smith, tal e qual foi criado. Sem as distorções criadas depois. Distorções que fizeram com que o preço da barbie saísse de um dólar, venda com lucro, para 500 dólares. Ou mais. Eles continuam a fazer a Barbie, com nomes tipo Parbie, só que a dois dólares. O distinto e paciente leitor dessas minhas divagações já observou que a frente dos automóveis orientais tem a "cara" com os olhos puxados? Considentando os farois como sendo os olhos, claro. Então, meu querido, os carros orientais já dominam o mundo, certo?

Com essas e com outras, chegou então o grande momento: a cultura oriental vai engolir a ocidental, com a mesma arma criada pelo ocidente, copiando o oriente. Eles copiam o ocidente, que copiaram o oriente. Enrolado isso, não?

Então: diz-se que "quando se está pronto, parece que o Universo conspira a favor". Veio um suposto Bin Laden e, com um canivete, fez desmoronar não apenas duas torres, mas o pilar maior da atual cultura ocidental: o senso de superioridade dos norte-americanos. Com a derrocada, a crise em dominó do ocidente. Com a crise, tudo fica baratinho que é uma coisa! E são de pronto arrematada... pelos orientais. Considere que a falência é de Estado e não de empresas. Com isso vão, aos poucos, tornando-se donos do mundo, materialmente.

Como queria demonstrar: sem terremotos, tsunamis, catástrofes nem Apocalipse. Apenas ingerindo do próprio veneno. Um fim de mundo paciente e silencioso, sem barulho. Coisa típica... oriental. E, seguindo os ditames das estrelas, entramos em uma nova era: a da cultura oriental. Que enfim conheceremos. Talvez o dia 21 de dezembro marque a data em que eles tomarão posse oficial de tudo. Com o seu modelo peculiar de Estado assumirão Estados em frangalhos em um sistema falido. Ah, será bem legal essa festa, viu!

Pelo pouco já demonstrado, os donos do poder ocidental tem mesmo que estar com muito, muito medo. Imagine você que é pena de morte para tráfico de drogas. Pena de morte para corrupção. Pena de morte para a traição à Pátria. E preparem-se para pagar a bala da execução! Levando-se em conta que eles não tem um deus tirano e vingativo, com uma indústria religiosa rançosa e exploradora do sentimento de culpa, isso anula o moralismo hipócrita. E se a moda pega, vai ficar difícil sobrar alguém para puxar o gatilho.

O pano de fundo que facilita e em muito as coisas para tal transferência de domínio consiste na degenerescência do paradigma do Estado ocidental(*). Ao ruir o pedestal do maior deles, os demais, ancorados neles, afundam-se em efeito cascata. Já no Brasil é em efeito cachoeira:  momento em que os três Poderes deixam de ser poderes republicanos na lição de Montesquieu e adotam o modus operandi de quadrilhas organizadas, formaradas para meramente espoliar o Estado, com exclusividade concedida pelo inocente voto daqueles que serão expoliados. Acredito até que o Fim do Mundo esteja agendado para o dia 21 a pedido de brasileiros: finalmente é sexta-feira! Mas aqui é diferente: o fim do mundo já impera há quinhentos anos.

 Como um arremedo, não custa lembrar que a cultura oriental é isenta do nefasto componente da eugenia, em torno da qual, e com o qual, erigiu-se toda a dita cultura ocidental que conhecemos e que cujo fim é recebido com tanto augúrio. Não porque a sequente possa ser melhor, mas apenas por ser dessa diferente.

Brindemos pois. Rei morto, Rei posto! Vida longa ao Rei!

* = frase atribuível a um eminente Mestre na Faculdade de Direito. 

sexta-feira, maio 11, 2012

Elegemos uma Posta?


“Pós-pronunciamento da Presidente eleita:

Meu primeiro ato como Presidente da República é pedir um favor ao povo brasileiro: gostaria de ser chamada Presidenta.

A língua portuguesa não contempla a função com o feminino, o que já tem uma representação simbólica importante do domínio masculino para o cargo. A nossa eleição engrandece ainda mais a conquista feminina na vida nacional. Não pretendo aqui praticar, portanto, o terrorismo com o idioma, a despeito de competência comprovada na área, criando um neologismo, em causa própria. A homenagem será a todas as mulheres. Nem pretendo impor um erro crasso por meio de decreto, muito embora meu partido seja exímio praticante do autoritarismo com máscara de democracia. Consciente que não sou dona do cargo e nem do País como um todo. Sei também que fui um poste eleito pelo meu antecessor, para permanecer no Planalto por um período de quatro anos e que depois terei que deixá-lo, sem levar nada, nem um crucifixo, nada. Nem mesmo aquelas metralhadoras do Exército que conheci lá e que eu gosto tanto e de que tenho tão ternas recordações.
É nessa condição que faço o pedido. Se o povo brasileiro entender o meu pedido e quiser me chamar de Presidenta, em nome do todo exposto, agradecerei. E se assim for, passarei então, somente após essa aceitação explícita e com o aval do povo que represento, a referir-me a mim em todos os documentos oficiais, como Presidenta. Se o povo assim não quiser, respeitarei a sua vontade, assim como respeitarei os limites do meu cargo e também do nosso idioma. Obrigada!”

Tivesse sido esse o discurso da Presidente, ou algo que o valha, seria eu o primeiro, acompanhado de milhões de brasileiros a acatarem o pedido da Rainha. Que mal teria, em nome do grande feito? Nenhum, ora bolas! Crie-se então o neologismo provisório: habemus Presidenta! E Camões repousaria em paz.

Mas não: “eles” têm por hábito o feito autoritário. Governam e legislam praticando atos de terrorismo, até mesmo contra a inofensiva última flor do Lácio. Uma mudança na Língua Portuguesa proposta por Lei. Existe isso? Para o PT existe. Só faltava mesmo era ser uma Emenda Constitucional. Além do absurdo linguístico, ficamos ainda com o absurdo jurídico: uma Lei com poderes retroativos. Existe isso? Claro, para o petismo existe, posto crerem que não foram eleitos, mas tomaram de assalto o Poder como algo próprio.  

Com a aprovação da Lei, tenho que providenciar algo que me é muito particular, mas que aqui acabo por ter que declarar. Acontece que o orgulho da minha família quatrocentona é o diploma de Técnico em Artes Diversas, obtido pela bisavó da minha bisavó, lá pelos idos de 1800. Pretendo, munido do texto da presente Lei, buscar o local onde foi emitido o tal diploma, que não sei se passa a se chamar diplomo, quando for para homem, para que haja essa clamorosa manifestação contra o sexismo na linguagem: a bisavó da minha bisavó era uma Técnica. E não um técnico, como lá consta. Daí está promovido o imbróglio: cadê a tal Escola? Como posso providenciar a modificação para “Técnica em Artes Diversas”? A quem devo responsabilizar isso? Ao bisavô do bisavô do dono atual da tal escola? E no caso do diplomado ter uma opção sexual grotescamente diferente daquela que a Santa Mãe Natureza lhe outorgou, qual gênero devemos escolher? E se o bisneto do bisneto, dono da escola na atualidade não cumprir a famigerada Lei? Qual será a sanção? Será ela penal ou civil?

Não por acaso que leis nunca podem ser retroativas. Mas o séquito de bajuladores busca sempre obtusamente apoiar incondicionalmente as barbáries cometidas pelos seus ditadores de plantão, com justificativas injustificáveis. Apelam sempre à famigerada obediência ao Estado de Direito, obediência essa que será cobrada quando da edição de leis esdrúxulas e absurdas, sempre em benefício próprio.   

Já o Monteiro Lobato, com dons proféticos admiráveis, além da previsão de um negro para a Presidência dos EUA, também já matutava tormentas semelhantes às minhas, com a sua personagem que nasceu por um erro de colocação de pronome. Mesmo ele, magistral em sua ficção não conseguiu prever que entraríamos o Brasil em uma Era Mintológica, cujo Rei nunca sabe de nada do seu reino de barbaridades e, a despeito disso, cria uma comissão (o “quanto” de comissão ainda a ser determinado) para buscar a Verdade, que é obviamente diferente do seu modo de fazer as coisas. Por ter aplicado um receita com todos os componentes do populismo, tornou-se a voz inquestionável desse nosso paisinho inominável. Conseguiu até mesmo, com o aparato do dinheiro estatal, que deveria ser nosso, eleger um poste. Ou, como ela quer agora, uma Posta.

Sendo assim, dona Presidenta, a sua assistenta pode deixar de ser estudanta da matéria e mandar um relatório, ou uma relatória, já que relata sandices femininas, explicando que nunca houve sexismo em linguagem ,exceto é claro ao sexo oral. Havia e há uma determinada e infensa convenção, há séculos e séculos, amém. Mas que agora há sim, não só um sexismo, mas verdadeira sodomia com o idioma, cuja violência aplicada faz presumir, conforme o nosso Código Penal ter havido um hediondo crime denominado estupro. E, como também prevê tal estamento, torna-se lícito abortar a tal lei 12.605, verdadeira anencefalia cultural e jurídica. Que foi editada em 3 de abril, mas certamente caberia ter sido editada no dia Primeiro de Abril. Aí sim, todos riríamos da brincadeira.  

quinta-feira, abril 12, 2012

A descriminalização do abortamento

A mortalidade materna por tentativa de abortamento ou consequente a ele é uma questão de saúde pública, endemia no Brasil. Nesse momento, em algum lugar desse nosso imenso e ignorante País há uma gestante morrendo em decorrência de um abortamento feito sem as mínimas condições de higiene e conhecimentos específicos. 

Antes de defender uma ideia, há que se defender o vernáculo, a pobre e sofrida língua portuguesa. Abortamento é o ato de abortar. Aborto é o concepto. O que o ordenamento jurídico brasileiro criminaliza de maneira vetusta é então o Abortamento. Só por esse motivo já podemos inferir a ignorância que açambarca os fazedores de leis: legislam sem conhecer as realidades fáticas, com uma linguagem que também desconhecem. 

Defender a Descriminalização do Abortamento não traduz uma visão moral, religiosa, de direitos segmentários ou quaisquer outros movimentos em voga. Trata-se de Saúde Pública. Trata-se de defender a Vida e a Dignidade Humana de milhares de mulheres que, já vítimas de uma gravidez indesejada, tornam-se também vítimas de um sistema punitivo canhestro e burro. 

Aos puristas do Direito e escravos de um legalismo cego, há que se lembrar da Antinomia: uma norma que leva a morte é decorrente de uma constituição que veda a pena de morte.A criminalização do Abortamento leva pessoas a procurarem soluções que as conduzem à morte. Num simples silogismo aristotélico então, a criminalização representa a pena de morte.

Aos moralistas que hipocritamente defendem a Vida, a Dignidade, que ficam buscando querer cronometrar bioquimicamente o início da Vida para então criar o fantasma do homícidio de uma vida em potencial, é antes preciso defender a Vida e a Dignidade de uma vida já plena, castigada pelo infortúnio, socialmente execrada e criminalizada pelo Direito: a gestante de uma gravidez indesejada que busca o Abortamento como solução. Num simples raciocínio: dos males o menor. 

O raciocínio do recurso "dos males o menor" é desconhecido daquelez que vivem em seus gabinetes atapetados criando leis para "situações em hipótese" e também dos magnânimos senhores doutores doutrinadores de um Direito absolutamente distante da realidade dos fatos. Desconhecido também por aquele que senta em trono de ouro, gerenciando a exploração do sofrimento humano pelo mundo afora. Pessoas comuns do povo vivem tal e qual em um campo minado, desviando-se de um "certo-ou-errado" criado sem realmente conhecer os fatos da vida real. Não vivem, mas sobrevivem. Nesse contexto, o Abortamento entra como solução. Não a melhor, pois não a tem, mas a possível.

A criminalização do Abortamento é mesmo verdadeira Pena de Morte, num País que hipocritamente se auto-idolatra por condená-la. Além das milhares vidas que ceifa, ainda cria as situações tão vexatórias quanto absurdas de bebês serem encontrados em lixões, ou abandonados à própria sorte em qualquer lugar, vítimas de um Abortamento mal-sucedido. Serão, em futuro próximos, vítimas de um sistema que os marginalizará.

Pelos meandros do poder há os que impedem e são contra a descriminalização por um outro crime surdo, muito maior: seus interesses pecuniários em manter o Abortamento como ato ilegal. Pessoas qualificadas para realizarem os mesmos Abortamentos, só que em ambiente cirúrgico asséptico, em clínicas suntuosas, a custos astronomicamente distantes daqueles que conhecemos dessa vidinha aqui, do SUS. O Ilegal é mais caro, argumenta-se. Para essas distintas e privilegiadas gestantes, a Lei se cala. Assim como todo o aparato repressivo estatal, diante da anestesiante presença de uma porcentagem pré-estabelecida. Porcentagem essa que é rateada e percorre os mais variados caminhos, até desaguar no custeio da eleição daqueles que manterão a Criminalização, como um supremo valor moral a ser defendido em palanques. Um ciclo vicioso, além de asqueroso.   

Há ainda que se lembrar que descriminalizar não significa obrigar. Significa que àquelas que optarem pela manutenção assim o poderão fazer. Porém, não torna criminosa aquela que não deseja a manutenção, pelas razões de foro íntimo que à ninguem deve satisfação. O absurdo "direito gestacional" é e deve ser considerado como um direito subjetivo da gestante, com a faculdade de conduzir a gestação da maneira que melhor lhe convier. Inclusive interrompê-la. Para tanto, não importa inclusive a razão que levou à decisão: violência sexual, quaisquer anomalias (genéticas, mal-formações como a polêmica Anencefalia,  ou quaisquer outras) ou pura e simplesmente o exercício do seu inerente direito de interromper a gestação.      
 
Por essas razões, há que ocorrer a Descriminalização do Abortamento, apenas fundamentada em algo digno, real e palpável, a Saúde Pública. A real e concreta vida da mãe, que deseja a interrupção com segurança e sem ter se tornado por isso alvo de um sistema jurídico anacrônico. Porque, as demais razões que o criminalizam, tais como morais, religiosas ou mesmo a pura hipocrisia são mais criminosas que o crime que criaram.



quarta-feira, abril 11, 2012

XI razões para NÃO IR aos Jogos Jurídicos

                           
wack
PUC
   
Seguinte: com o chaveamento já realizado, temos a grata satisfação de informar à toda a comunidade franciscana que GANHAREMOS OS JOGOS JURÍDICOS de 2012. Portanto, arrumem as malas. É só uma questão de ir buscar o caneco. Pra cima deles, XI!

Caso você, como um perfeito alucinado, ou até mesmo um calouro, tiver alguma das idéias abaixo, e tiver um lampejo de ideia de Não ir aos Jurídicos, apenas leia, mas não conte para ninguém. E mude de idéia.


I – Razão: meu chefe não vai me liberar.

Considerações: você “se acha” mesmo, né ? No seu escritório, o único que acha que você tem alguma importância é você mesmo. Eles fazem de conta que se importam com você apenas por educação. E também porque você trabalha de graça, principalmente. Não percebeu ainda?

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS! Na segunda, lá pelas 14 horas você liga pro seu querido chefinho e diz que você está no Aeroporto, desde as 5 da manhã, mas o clima está horrível. Quem mandou os caras ficarem mexendo com o clima do Planeta? Eu, hein! Por isso, você não faz a mínima idéia de quando vai conseguir pegar o seu voo (o fato de saber se lá existe um aeroporto é detalhe sem importância).

I I – Razão: você é calouro e está preocupado porque ainda não conseguiu entender como é que faz pra ler o Kelsen. Assim que entender, precisa começar a ler, porque todos os seus colegas da sala já leram.

Considerações: Calouro é burro mesmo! Primeiro, porque acha que vai conseguir ler o Kelsen; segundo, porque acha vai entender o Kelsen; terceiro porque não sabe que ele próprio não concordava com o que escreveu, então mudou de idéia; e, quarto, porque acredita que todos os colegas já leram.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS! Porque temos boas notícias pra você, que não sabia porque calouro é calouro e tudo burro mesmo. A Atlética organiza grupos de estudos para cada sala de cada ano, para os alunos não perderem tempo. As atividades são entre os jogos, na Sala de Estudos do Hotel. O grupo que estuda o Kelsen é o mais procurado de todos. Portanto, você está amparado nesse quesito. Um dos ônibus é destinado a transportar a nossa querida Biblioteca, fazendo circular o conhecimento jurídico por esse Brasil afora.

I I I – Razão: você é um completo boçal.

Considerações: respeitamos a sua deficiência mental, inclusive por saber que os computadores da fuvest ainda não conseguem detectar anomalias nos genomas dos candidatos, tornando franciscano, eventualmente, algum deles. Como é o seu caso.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS! Seus problemas acabaram! A Atlética, em convênio com a Secretaria de Saúde, conseguiu algumas belas fonoaudiólogas, Com isso, elas darão treinamento intensivo para energúmenos feito você, para que consigam, até o final dos Jogos, articular apenas duas palavras, ainda divididas silabicamente. Vai treinando aí: São Fran-cis-co! O resto será simples repetição. Garantimos que não é difícil, não. Após 1108 tentativas, a coisa vai que nem quiabo. Vai, beócio!

I V – Razão: você é um entusiasta franciscano, mas teve um probleminha: sofreu um acidente, perdendo as duas pernas, os dois braços, ficou surdo, mudo, cego e está atualmente em estado vegetativo. E o que lhe sobrou de cérebro está pensando que o seu estágio como “peso para petições” corre perigo, caso você falte na segunda feira.

Considerações: caro cotoco, você deve conhecer a antiga máxima: nem só de pão vive o homem. Conhece, né? Então. Embora isso nada tenha a ver com o caso, não venha com desculpas esfarrapadas. Não seja pessimista. Acidentes acontecem. Pense positivo: sua bagagem será mínima!  Procure IMAGINAR o lado bom da vida. Você, igual ao cara que fez o pedido para o gênio da lâmpada, está com o bilau chegando até o chão. Está reclamando do quê?

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS! Qualquer um vai ter vaga no porta-luvas pra te dar carona. Na Torcida Nota XI, a gente te coloca no estojo de um tamborim e tudo bem. No Aloja’s (quem inventou o apóstrofo?) a gente arruma um travesseiro pra servir de cama. Você só precisa ter uma precaução. Peça para outro estagiário fechar a janela da sua sala, na sexta-feira. Não tendo vento, sua ausência ali nem será notada na segunda. E fica garantida a sua vaga de peso para papéis. De estagiário, claro.

V – Razão: Você bem que gostaria, mas não pode ir. Está comendo uma Wackenzista e não quer ter divergência com ela por causa dos jogos, perdendo assim o seu FGTS (Fucking Garantida Toda Semana).

Considerações: WACK??? Parabéns! O seu gesto é parcialmente louvável, no aspecto de colocar a wakc-orelha em seu devido lugar, e como ela tanto se orgulha: de quatro. Agora, não pode se esquecer que vai ser corneado logo mais. Porque, quando ela arranjar estágio no escritório de um franciscano, vai liberar pra ele também. Sobram pra você duas opções: você será corneado e pegará a sopa daquele nobre colega causídico ou larga a mão de ser imbecil e troque uma orelha daqui por 11,8 orelhas de lá. Simples, não?

Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS!

V I – Razão: você já foi a um JJurídicos e acha que já está bom.

Considerações: é verdade! Dentro dessa sua brilhante lógica aristotélica então, supostamente você já deve ter dado a sua primeira bimba na vida. Então tá bom. Chega. Parta agora pra outras experiências. Existem hoje tantas opções...  

Sugestão: para de viadagem e VÁ AOS JURÍDICOS!

V I I – Razão: você morreu.

Considerações: não venha com auto-piedade por aqui! Isso acontece com qualquer um. São coisas da vida que você precisa superar. A morte nada mais é do que a liberação do espírito desse corpo que nada vale. Deixe que ele apodreça aqui, enquanto você vai para curtir os Jogos Jurídicos e buscar aquela Taça que já é nossa, por antecipação e direito! . Com isso você tem até vantagens: não pagará pedágio, hotel, nada. Leve apenas você, com tudo o que é necessário: o espírito franciscano.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS! Você vai se sentir à vontade. Durante os jogos, os nossos adversários são todos uns mortos, mesmo aqueles que ganham bolsa. Na realidade, deveriam ganhar um caixão, não a bolsa. Já depois dos jogos, nossos insuperáveis atletas é que ficam mortos de cansados. E não ficam aí, reclamando como você, por causa de besteira. Morrer faz parte da vida, calouro!

V I I I – Razão: eu só assisto aulas, não conheço ninguém da Sanfran, não pego ninguém, não jogo nada, não bebo e não gosto de baladas e estou mais interessado na minha formação profissional.

Considerações: a gente entendeu perfeitamente que você é um inepto. Muito semelhante ao item VII, sendo que ele tem uma grande vantagem: já fechou os olhos e deitou. É o que tá te faltando. Mas no meio da maravilhosa Torcida Nota XI ninguém vai nem perceber isso. A gente te fornece alguns chicletes e você fica mascando, fingindo que tá cantando, ao som da maravilhosa BAISF, a melhor bateria que existe! Igual aos jogadores da seleção, cantando o Hino Nacional. Depois você vai poder contar pros netos que, pelo menos uma vez na vida, você fez alguma coisa que prestou. Para você, nada como aquele ditado também: viva cada dia como se fosse o último; um dia você acerta.

Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS! e mais: quando contar pros netos, omita o seu currículo, do tudo que você não fez, por favor. Pra eles não perceberem que você é um velho, desde os vinte anos. Conte apenas: a SANFRAN ganhou os Jurídicos 2012!!!!!!!!!!!!!!


I X – Razão: pra que comemorar? Eu nem sei se a gente vai ganhar!

Considerações: captamos perfeitamente o brilhantismo da sua percepção das realidades da vida. A Torcida Nota XI é composta por brilhantes franciscanos, porém poucos têm o seu toque de gênio. Já aprendemos com o Galvão Bueno que existem as possibilidades da vitória, da derrota e do empate. Porém, contando com a sua transcendental ajuda, podemos alertar nossos valorosos atletas sobre as demais possibilidades que só você pode enxergar. Quem sabe você não passe a fazer parte da nossa Comissão Técnica?

Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS! Você pode não saber, mas a sua presença lá é uma garantia a mais que nós vamos ganhar realmente. Homem de pouca fé!

X –Razão: eu acho que VOCÊS estão cantando vitória antes da hora.

Considerações: Buciana Gimenez, não vai dizer que você também acha que o fogo queima? E que a água molha? É claro que nós estamos cantando vitória antes da hora. A razão, que passou despercebida por tão arguta mente, no caso a sua, é absolutamente simples: você percebeu que os JJurídicos ainda não começaram? Por isso é claro que é antes da hora. E depois, que estória é essa de “vocês”? Franciscanos somos todos. Principalmente quando é para ganhar os Jurídicos.

Sugestão: por isso, para constatar que cantamos vitória ANTES da hora, NA hora e DEPOIS da hora, faça o seguinte: VÁ AOS JURÍDICOS!

X I
- Eu não concordo que franciscanos fiquem xingando pucânus, wack-orelhas e toda aquela periferia jurídica nos Jurídicos. Penso que deveríamos nos integrar mais, para unir forças e tornar o Brasil melhor, com mais justiça social e menos desigualdades. Afinal, todos somos da mesma classe, a de estudantes de Direito e...

Considerações: caro comunista, desculpe interromper. É que senão, até você terminar o Kit Um do Manuel, desculpe, Manual de Enrolação comunista, o povo já dormiu. Mas concordamos com você em gênero, número e degrau. Você consegue imaginar que o consumo de cerveja que ocorre ali gera muitos empregos? Que a Johnson&Johnson tem que duplicar a produção de Johntex, pagando horas-extras, melhorando a distribuição de renda, pagando mais impostos ?
E quem disse que não nos unimos? Experimente ir às baladas, que você vai ver todo o mundo unido, coladinho. Já a força aplicada é moderada e progressiva. Exemplar!
Então, boneca! Relaxa! Você não vai acreditar, mas, na realidade, a gente só faz os Jurídicos e essa coisa toda é pra melhorar a condição do povo brasileiro. É o exercício da cidadania responsável e a nossa cota de sacrifício, né!

Sugestão: por isso, junte-se a nós nessa luta. Pelo menos nos dias de Jurídicos, carregue a bandeira que não é apenas vermelha, mas branca e preta também: SÃO FRANCISCO!!! Compañero: VÁ AOS JURÍDICOS!

Com tudo isso visto e acertado, VÁ AOS JURÍDICOS e grite a plenos pulmões: TODA PODEROSA SANFRAN! Mas grite, grite alto, para que eles nos ouçam e entendam. Porque eles têm as orelhas grandes, mas o cérebro é pequeno de tudo, coisa mínima mesmo!


Arcadas, XI de abril, CLXXXV

domingo, abril 01, 2012

A minha conversão socialista

É incrível o poder que um livro tem de mudar a vida de um cidadão! Após ler tantos e tantos livros por essa vida afora, por mera curiosidade, decidi ler O Capital. Karl Marx, até então, para mim, o Mestre dos comedores de criancinhas. 

Feito a Saulo em seu caminho para Damasco, eis que vislumbro uma Luz ofuscante que me diz: por que me persegues? Mas, mutatis mutandis, não vi um jovem cabeludo hippie, mas um sorridente senhor careca. Isso mostra claramente como me afastei dessa obsoleta moral judaico-cristã. Agora sou Paulo! 

Devidamente filiado a um partido político que defende a grande causa dos fracos e oprimidos, fiz mais. Cumpri a promessa de ir de joelhos até Aparecida do Norte pela milagrosa cura do nosso Lula! Ia me desfazer de todas as joias que mantenho em casa, incluindo o meu tão querido Rolex. Mas, por via das dúvidas, ao invés de vendê-los e distribuir o dinheiro entre os pobres, resolvi penhorar tudo na Caixa Econômica. Com uma pequena parte, bem pequena mesmo, comprei um carrinho 1.0. De hoje em diante, nada de sair por ai com a minha Mercedes SLS 550 conversível. Apenas com um carrinho popular. Para as reuniões de fim-de-semana realizadas pelos companheiros do partido, para analisar mais a fundo os ensinamentos do nosso amado Mestre.

Nunca me apeguei em ter as coisas de memória, já que posso tê-las arquivado em algum lugar. Por isso, estou tendo certa dificuldade em assumir um novo vocabulário. Mas isso passa com o tempo. As técnicas utilizadas pelos nossos experimentados orientadores são infalíveis. Dentro de pouquíssimo tempo vou estar falando no tempo verbal certo. Eu e nossos companheiros vamos então estar podendo defender a Causa. Os pobres, em sua pobreza, são muito ricos em coisas que preciso aprender. É um pouco difícil, por ser algo teórico, já que não se deve aproximar deles, apenas usá-los como temas em nossas reuniões. 

Mas, juro mesmo, comecei a vislumbrar um mundo maravilhoso, sem Capitalismo, governado pelo povo, com todos tendo os mesmos direitos. Sem obrigações. Ah, é muito excelente! Como será bom viver em um mundo em que todos serão iguais. Claro que, fazendo parte da liderança intelectual do movimento, serei mais igual que os outros. Não posso perder meu tempo em trabalhar, já que há muitas reuniões, mas um bom salário eles vão me conseguir no Congresso. Sem aquela burocracia tosca de ter que prestar concurso, ter ir lá todos os dias. Nada disso. tudo ágil, desburocratizado e rentável como deve ser esse nosso Admirável Mundo Novo.  

Assim que conseguir assimilar melhor alguns conceitos, volto a escrever aqui para você. Quem sabe consigo levá-lo para conhecer melhor nossas ideias e ideais. Por exemplo, ainda não consegui conciliar a ideia de representação do povo, como maioria e passar a defender as minorias. Minoria por minoria deveria então defender os ricos. Isso é minoria de verdade. Mas, defendendo minorias, como posso ser o defensor dos ignorantes, que são a maioria? É preciso defender o Direito, mas desvinculá-lo desse conceito banal e capitalista de Honestidade. Ah, peraí que acho que já tô começando a entender a coisa...

São Paulo, primeiro de abril, desse último ano de 2012.