sexta-feira, agosto 03, 2007

O PINDURA - prá quem quer dar e não sabe como

Resolveram fazer uma Palestra intitulada “Tradições Franciscanas”, na Sala dos Estudantes. Muito bom, isso ! É preciso ensinar os calouros. O Prof. Otávio, como bom Peruólogo, discorreu sobre a Peruada (oba !). O Professor Modesto filosofou sobre a Antropologia e outros quetais, sobre as nossas mais queridas e saudáveis tradições.
E então, como não poderia deixar de ser, uma excelente aula de falsidade ideológica: alguém que não é franciscano, e muito menos professor, como sugeriu ser, dissertando alegremente sobre o Pindura. Pode ter sido engraçado, mas verdade não é. Restaria também pensar se tal show, embora fundamentado em irrealidades e falsidades, não teria o fim de conseguir o resgate de alguns votos para as eleições de outubro. Em assim sendo, não teriam o meu, dada a má-fé da proposta.
Por isso resolvemos colaborar.
Como dito, é preciso orientar os calouros, não mentir pra eles. Pode não ser tão engraçado, mas é tudo verdade
Esse roteiro tem o fim de orientar, se for necessário, os calouros, nessa nossa árdua tarefa de manter viva a tradição do Pindura. Comemoração exclusiva de alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
Afinal, aniversário das Arcadas! Temos que atender aos diversos convites recebidos dos Restaurantes, para essa comemoração.


Pindura
o ascendere para que o calouro seja elevado à condição de franciscano.

I. O infeliz do calouro, pra dizer que é da Sanfran tem que ter dado ao menos um Pindura.
II. Pegue vários ofícios, se na salinha abandonada tiver alguém. Corrija a trova que diz “...cobrar o XI”. Não é cobrar “o”, mas “do”. É que a periferia jurídica também se arrisca em alguns penduras por ai. Como não podem dizer “do XI”, porque não são alunos, cantam “no XI”. Coisas da vida! Eu mesmo, em minhas andanças por diversas delegacias, já orientei a incautos delegados que mandassem prender pucanos, orelhas, fmuhhhs da vida que, fraudulentamente, queria se locupletar, comemorando um aniversário que não é deles. Sugiro façam o mesmo !

III. Escolha um bom restaurante. Nada de miséria. Esfiha, sanduíche, não é Pindura, é pobreza de espírito. Junte grupos com meninas e meninos, na máximo meia dúzia. Para um restaurante grande, pode juntar um, dois ou mais grupos. Adicione um veterano, para não sair merda. Ele conhece o script.

IV. Entre no maior estilo. Se perguntarem se é Pindura, jure por todos os deuses que não é. Uma boa pergunta nessas horas é: que é esse negócio de Pindura?

V. Sente-se tranquilamente. Nada de ficar cochichando, olhando pros lados, ficar assustado. Aja naturalmetente.

VI. Peça pratos sem olhar os preços (já que você não vai pagar), mas não seja morto de fome. Peça apenas aquilo que deseja realmente comer. Sem exageros. Peça sempre um ótimo prato. Se for bebida, nada de cerveja. É coisa de miserável. Desculpe: de pessoas hipo-suficientes economicamente, pra ser politicamente correto.

VII. Aja como se você comesse em restaurantes de bom nível todos os dias. A gente sabe que você dá perdidos até no Bandejão, mas esqueça. Uma vez na vida, aja como se você tivesse classe.

VIII. Nem por um segundo pense Direito, não fale de Direito, de vestibulares, de pucanos. Nada. Nada. Fale de futebol, do Iraque, do cacete a quatro, mas nada de Direito.

IX. Se bebeu bebidas alcoólicas, como vinhos de ótima qualidade, saiba que você vai pagar isso. E também os dez por cento dos garçons. Esses dois itens são sagrados. Peça a conta. Separe o dinheiro da bebida e dos 10%. Mas não seja maloqueiro. Nada de se debruçarem todos sobre a conta, ficar fazendo contas e etc. Isso é coisa de pobre. Você está comemorando ser a elite, não se esqueça disso ! Calculadora, nem pensar. Coloque o dinheiro na caderneta da conta, incluindo o Ofício. Chame o garçon.

X. Cantem todos: "garçon tira a conta da mesa e ponha um sorriso no rosto . Seria muita avareza cobrar do 'XI de Agosto'". Em tempo: a trova deve ter os versos repetidos, não esqueça. O orador deve se levantar e dirigindo-se ao público, agradecer o honroso convite feito pelo Restaurante, para que pudéssemos comemorar em alto estilo o aniversário das Arcadas. Afinal, não é todo dia que se comemora ter 180 anos ! Ressalte também a hospitalidade e as grandes qualidades e fama daquele restaurante. Agradecer pela oportunidade de comemorar o aniversário das Arcadas naquele ótimo restaurante. Todos aplaudem. Em seguida, se não aceitaram a Festa, exija que todos devem ir para a Delegacia. Continue cantando outras trovas. Não repetir as trovas. Não dê, outra vez, uma de maloqueiro: nada de “Ô, leleô, leleô...”, nada disso. O Aniversário é das Arcadas. Cantemos as trovas !

XI. Não pode arreglar de jeito nenhum. Eles vão querer ameaçar, dizer que é crime, que não vai poder prestar concursos e outras besteiras. Tudo baboseira. Na delegacia diga que tem o dinheiro para pagar, mas que é uma comemoração e que isso não tem preço. Por isso não vai pagar. Não faça acertos. Você não está pedindo desconto, está comemorando. Vai pagar a bebida e os 10% e só. Nada de acordos, de pagar parte, etc. Isso não é Pindura, é esmola. Agora, algo muito importante: comporte-se na Delegacia como se estivesse em uma delegacia. Lá não é lugar prá brincadeirinhas e palhaçada. Porque você, agindo assim, terá que permanecer outras boas horas lá. Seja sério com o Pindura: faça certo !

Pronto. Depois de algumas horas de delegacia, você estará pronto pra voltar para o Porão e contar o fato e todas as vantagens que quiser acrescentar. E reunir um outro grupo, para um novo Pindura. Mude apenas o bairro, para não cair na mesma delegacia e ouvir aquela frase conhecida : você, de novo ?
Ah, importante: guarde o Boletim de Ocorrências, para anexar ao seu Histórico Escolar Franciscano.

Algum folclore sobre o Pindura:


I - Não é Pendura. É Pindura.

I I - Começou em cerca de 1850, quando donos de Pensões, Pousadas e restaurantes ofereciam um almoço especial aos franciscanos, no dia XI de agosto. A finalidade era descolar um bom partido prá suas filhas que serviriam, no caso, de prato principal.

I I I - Depois, como não tinha tanta donzela disponível para a sobremesa, ficaram apenas com o prato principal e passaram a Pindurar a conta. E esquecê-la.

I V - Depois, com o advento de mais 800 pseudo-faculdades, a coisa agora virou putaria e o Pindura é dado como se fosse no Dia do Advogado, 11 de agosto.Não é ! Oriente os delegados para que prendam aqueles orelhas. Isso é falsidade ideológica: querem comemorar o nosso aniversário, XI de agosto.

V - Boletim de Ocorrência não impede de prestar concurso. Você pode ter um BO por "n" motivos: assédio sexual no escritório, por estupro, numa batida de carro, por vomitar pela janela do XIº andar, chegando da Peruada e etc. Ou seja, não é o Pindura que poderia atrasar a sua vida, mas outras merdas que você vai certamente fazer pela vida afora.

V I - Não use a desculpa acima para arreglar na Delegacia. Se você é um cagão, assuma: não faça Pindura. Junte-se a outros franciscanos que gozam o tesão alheio, afirmando ter estado em Pinduras que não fizeram. Se você quer contar prá todo o mundo que quer ser juiz, não precisa usar essa desculpa, conta logo !

V I I - Tire uma cópia de BO e junte-o ao seu Histórico Escolar. Vai aumentar a sua média-com-pão-com-manteiga-ponderada.

V I I I - O maior Pindura foi dado em julho de 1906, quando os franciscanos apresentaram o Santos Dumont em Taubaté e foi feito um grande banquete para toda a cidade. Santos Dumont estava em Paris e mandou carta ao XI, comunicando que tinha feito o vôo no 14, 14. Alguns franciscanos aproveitaram que não tinha televisão, google, internet e fizeram-se passar pela comitiva do nosso Ícaro tupiniquim. Depois, o prefeito ficou um pouco "chateado" com a Sanfran. Mas, dado que o Presidente da República era um franciscano, resolveu deixar prá lá.

I X - O segundo maior Pindura foi o casamento feito no Maksoud, na década de 1980. Absolutamente genial !

X - O maior Pindura do século XXI foi em 2004. XXI franciscanos, no Bolinha, que alegou que também era adevogado, mas que não vinha ao caso onde tinha se formado. Esse Pindura foi divulgado em rede nacional pela Record. Um luxo, digno de franciscanos !

X I - Coloque aqui o novo recorde, no ano de 2007:

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Agora, chega de tanta falação. Vá fazer o Pindura !

(excerto do Livro As Arcadas: segredos, magia e estórias) 

sexta-feira, julho 20, 2007

Muito embora, Amigos

Assim como tantas outras coisas
A Amizade é algo que só ocorre entre seres humanos
Muito embora haja muito cachorro por ai, cheio de amigos

Amigo não tem sexo mesmo sem serem anjos
Muito embora algumas situações inusitadas eventualmente aconteçam
Para o nosso conforto e deleite

Ter amigos é como ter dinheiro
A gente o quer e muito
Muito embora eles não sejam aceitos em caixas de shoppings ou assemelhados

Amigo tem algo de Deus
Pois é ele que escolhe você
Muito embora, e talvez por isso, o melhor disfarce do Demônio seja o com cara de amigo.

O Amigo não é aquele igual a você
O que concorda com tudo o que você diz
Mas tem aquela maldita mania de sempre ser do contra
Muito embora a gente sempre acabe achando que ele tem razão

Amigo é aquele que sempre achamos não ter problemas
E que sua orelha é em formato de lata-de-lixo
Pronto para enchê-la com as nossas estórias
Muito embora no dia seguinte ocorra a o contrário.

Amigo não é aquele para horas de “tristeza ou de alegria”
Pois em real Amizade não há divórcio
Muito embora, em certas horas, você deseje mandar o Amigo pra casa da mãe dele

Ganhar um novo Amigo é como ganhar na loteria
E, com cada um deles, somos um novo-rico
Muito embora, e melhor, essa riqueza nova não venha descontada do Imposto de Renda

Amigo é aquele cuja mulher é a árvore do-bem-e-do-mal
Posto que você não possa trepar nela
Muito embora acidentes sejam inevitáveis e compreensíveis.
Afinal, Amigo é pra essas coisas.

Amigo mesmo
É aquele que lê o que você escreve e
Sinceramente, declare que você
Já escreveu coisas melhores.

Enfim, ter amigos é tão bom quanto estar vivo
Muito embora, haja amigos que sejam de morte !

Amigo mesmo não fala sempre bem de você
Exceto quando de algum interesse
(aliás, estou precisando muito falar contigo...)
Muito embora falar mal não seja boa referência
Pois que senão teríamos milhões de amigos.


20 de julho - Dia do Amigo - 2007

Envie essa mensagem para os seus Amigos.
Aproveite e mande para os inimigos também. Daí vai aumentar bastante o número de mensagens. hehehehehehe

quarta-feira, junho 13, 2007

O Casamento PUTATIVO e as especialidades jurídicas

Hermenêutica - IMPUTÁVEL à Montes de Piranda
É uma difundida (literalmente) instituição em nosso meio, dado que historicamente no Brasil “aqui, tudo dá”. Muito se especula sobre as suas origens, mas é de fácil depreensão que o respeitável brasileiro se deu mal. Aí então surgem as especialidades jurídicas, com o fim de pacificar a demanda. Tudo vai depender do animus (o seu e o dela, da putativa), para o enquadramento desse casamento geralmente desastrado e desastroso, em um ou mais ramos desse nosso Direito que a tudo se presta, principalmente a quem não presta.

Direito Civil

Esses são os casos mais simples, onde você descobre que o que se mostra putativo hoje já o era, antes de você cair nessa roubada. Então, a você, um incorrigível e desavisado romântico, o direito se presta a desenfeitar a sua testa. Saiba você que ela ficará com a azienda, os fundos de comércio, subvertendo a máxima romana de que o Principal ficará com a Acessória. No caso, sua ex.

Direito Comercial
Suponha-se que você, um experimentado Varão, já sabia dos pendores putativos de sua amada. Mas resolve desposá-la, com o nobre fim de incrementar a renda familiar. Ai já é o caso de um Contrato Social, ao invés de Certidão de Casamento. Você Administra e ela comercializa o negócio, visando gerar o capital. Para quaisquer desavenças, basta um Distrato e tudo resolvido. Ante que você perceba que le montou uma extensa rede de franchising e que você não está recebendo os seus royalties por isso.

Direito Empresarial

Um caso mais sofisticado do que no Direito Comercial, já que a putatividade apenas se dará entre Executivos. Caso a linda consorte seja mesmo boa-de-bolas, você pode até vender o passe dela a um deles, com um ganho extra, a título de luvas. Trouxa nasce toda hora. Vide você.
Você entrou sem querer em uma sociedade anônima pensando ser personificada. A única boa ação preferencial é vender a ordinária.

Direito Constitucional

É um recurso, quando a sua eleita é do tipo Raimunda. Com os proventos colhidos devido a sua putatividade, há que se investir no visual. Com os recursos da Medicina, via silicone, peeling, drenagens, lipos e outras parafernálias, não há mais feias. O que há são as sem dinheiro prá deixar com os Cirurgiões Plásticos, visando a remodelar a sua Constituição. Você deve fazer um pacto ante-nupcial, pois que, em caso de um Distrato dos vínculos, ela não poderá devolver os incrementos. Falsos, muito voluptuários, mas agora parte do principal. Você, como acessório, deverá estipular a sua parte em dinheiro mesmo. A carne pode ser fraca, mas não é mais sua. Aliás, nunca foi.
Direito do Trabalho
Há ainda incautos que se dirigem a essa tão respeitável instituição chamada casamento com o intuito de arranjar uma boa empregada, no melhor estilo cama-mesa-e-banho. Vai notar que a espécie está em extinção, da maneira mais penosa que há. O feijão vai queimar, na hora da cama estará com dor de cabeça e banho ela vai tomar no... vizinho. Daí que você dançou, camarada ! E não adianta a demissão alegada por justa causa, porque, na frente do juiz ela ainda vai afirmar chorando que você, na hora H, arreia. E já faz seis meses que está na maior secura ! Nessa hora, muito cuidado, caso o juiz queira consolá-la. Ela pode sorrateiramente passar-lhe o celular... E tenha absoluta certeza: ela fará isso em altos brados, pra todo o prédio escutar. Além de cabeça-de-viking, vai ser fichado como broxa. Você, que a contratou por uma ninharia, como se fora uma simples estagiária, apenas para o serviço básico, vai perceber que ela tem muitos bons anos de experiência, num serviço altamente especializado. Não registrada, claro. O melhor é sempre um bom acordo: você fica com as maravilhosas e doces lembranças e ela ficará com os seus bens.
Direito Ambiental
Nosso hodierno e odioso Direito protege tudo: a fauna, a flora e tudo o mais que é difuso. Difuso para você, porque prá ela será muito objetivo: levará todo o seu verde, depositado em algum cofre de banco. Saberá você da proteção jurídica que tem todo o tipo de trepadeira, vacas, cadelas, piranhas e outros bichos e plantas. Quando a putatividade ocorre no seu casamento abarcando uma qualquer desses tipos de consorte, azar o seu. O seu caso poderá ser resolvido por esse ramo do Direito, o Ambiental. Mas tenha muito cuidado ! Nada de se afobar. Qualquer ato impensado pode ser fatal! Lembre-se que mexer com essas coisas é crime inafiançável. Daí que vai amargar dez anos de cadeia e ter que liberar pros companheiros de cela aquilo que você não conseguiu da dita.

Direito Tributário
Esse é o caso daquele infeliz desavisado que foi se meter, e além de tudo, casar, com uma comunista, cuja mãe era hyppie, nos longínquos anos 60. Eles têm estranhos modos, dos quais você não está familiarizado, como socializar com todos, ter experiências as mais diversas, focadamente no âmbito sexual. Mas você a conhecerá em algum trabalho na comunidade. Achará lindo, tudo isso. Só mais tarde é que vai perceber a mudança capitalista implantada naquela cabecinha vazia: o fato gerador dela não é unívoco. Ou seja, você a compartilha com toda a tribo. Por isso, apele então para o Direito Tributário. Você será então o fato gerador do seu advogado, que ficará com o resto que ela lhe supostamente deixou, mas que ficará para ele. Descobrirá amargamente que a putatividade não ocorre só na relação matrimonial, mas também na relação causídico-cliente. Quando você é o cliente, lógico. E é melhor pagar logo, porque correm juros, atualização monetária, multa e outras coisas mais, a serem criadas.

Direito do Consumidor

Tem neguinho que ainda se acha esperto ! Foi lá, casou-se com uma putativazinha e ainda quer se dar bem. Ao chegar em casa, encontrando a cama quente, pensa logo em resolver a questão. Procura logo o Direito do Consumidor, pensando que você é que é o consumidor final. Afinal, você é quem se alimenta ali e dali. Mal sabia que ela é um self-service da melhor. Vai também descobrir que não é você o consumidor, mas ela. Será ela que vai consumir todo o seu capital, amealhado após duros anos de estágio, trabalho semi-escravo e depois, lentamente conseguindo poupar alguns tostões. Ser-lhe-á totalmente consumido, cada um deles, você verá. Ser-lhe-á provado por “a + b” que ela é a hipossuficiente, pois na sua relação com ela, você é quem ficava por cima. Um abuso isso ! O verdadeiro contrato leonino. Ainda com o agravante de que, por não ser boa comida, tinha que se submeter ao vexame de procurar entre todos os seus amigos e não amigos, em cujo prato se refestelavam. Não na sua cara, claro, mas na dela.

Direito da Propriedade Intelectual

Quando ocorre um casamento putativo, o cidadão pensa que registrou a linda e dada consorte no INPI, com exclusividade propriedade intelectual, mental, espiritual e tudo o mais. Pode até ser. Mas carnal não. Nunca! E vai descobrir isso, rapidinho. E não vai adiantar espernear que foi você que ensinou tudo a ela, que toda a tecnologia que ela usa nacional e internacionalmente é propriedade intelectual sua. Ela vai apelar ao juiz que você a obrigou aos programas mais vexativos, que você causou um monte de badblocks no HD dela , que cada dia tem que fazer uma nova formatação com um técnico diferente, etc e tal. Você vai logo perceber que um Causídico especializado nessa área de Propriedade Intelectual é o mais indicado. E nessa hora é que vai saber que não há motivo nenhum pra ter inveja do Bill Gates. O prejuízo dele seria muito maior. Ela vai te fazer um update na conta bancária. E então você vai voltar ao INPI pra se auto-registrar como um sistema independente, porem falido.Porque o que você julgava sua propriedade era de domínio público.
Direito Agrário
Caso o casamento resulte numa putatividade em que sua amada se sinta uma semente que goste de germinar em tudo quanto é terra fértil que encontre. Como já dito, redito e maldito, aqui,tudo dá. Ou seja, haja terra fértil ! Portanto, a sua graciosa sementinha vai te dar um trabalho danado, dando prá todo esse imenso latifúndio chamado Brasil. E pode se preparar, porque ela, ajudando a reflorestar toda a nossa mata, ainda vai dar uma de MST e invadir o seu pequeno pedacinho de terra e se apossar de todas aquelas verdinhas que você guarda tão carinhosamente, como pé-de-meia.
Direito Penal
Quando, em um casamento putativo, você ainda vai saber que a dita virou advogada e é uma verdadeira jararaca, aí a coisa se complica. A sugestão é que você faça uma segunda lua-de-mel para a Índia. Depois, aplique-lhe três facadas nas costas. Alegue inconsolado que sua querida e saudosa consorte suicidou. Aproveitando o álibi da Índia, alegue que, se não foi um real suicídio, houve um pequeno acidente, quando ela experimentava deitar em uma cama de faquir, improvisada com facas, pois que no Brasil, não há camas-de-faquir à venda em supermercados. Você ficará livre de mealhar com ela, e ainda de passar a vergonha de ter que pagar os honorários também para ela, já que ela estaria advogando em causa própria. Reserve porém alguns milhares, pois há toda uma corrente de dignos funcionários públicos que precisarão ter as suas respectivas mãos molhadas, para que suas impolutas e incorruptíveis consciências permitam-lhes conduzir o caso a seu contento. Demora, viu !
Montes de Piranda - 69

domingo, maio 27, 2007

A má-fé da gestão Forum da Esquerda

(A pergunta: haverá manipulação TAMBÉM no Plebiscito ?)
XIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXI
Seria de bom alvitre que o novo Ombudsman exercesse a sua função calcado em sua fase inteligente, ou seja, pós-esquerdista. Parece haver, e há, uma escala evolutiva permeando as brilhantes mentes que circulam por essas Arcadas. Pois que se sabe, o grande amigo, todo ex-calouro já não mais acredita naquelas hipócritas mentiras todas. E o Ombudsman recém-eleito, tendo já percorrido todos esses longos cinco anos bem o sabe de tudo isso. Por isso suas palavras não retratam a realidade, quando descrevem a gestão do Fórum.

Se o "partido" Fórum da Esquerda insiste em viver nas nuvens, que tenha as suas crenças, fetiches, se seus membros o máximo que sonham é a mediocridade de fazer carreira de aprendiz de feiticeiro e como assessor de algum salafrário ex-esquerdista lá fora das Arcadas, esse é um grave problema, porém que a eles apenas compete e que inclusive respeito. Posso ser contra os seus ideais, mas defendo até à morte o seu direito de tê-los. Isso não fui eu quem disse, mas assino embaixo, como se fosse.
Porém, a Gestão do "XI de Agosto" é eleita para defender alunos e interesses dessa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Ponto final.
Mas não é assim que vem se portando a (mal) dita gestão. O Mula que está em Brasília demorou muito tempo, até avisarem pra ele que ele não podia usar um brochinho com uma estrela vermelha, na figura do Presidente da República. O Presidente é do Brasil, eleito pelo povo e aceito, deve ser assim aceito, inclusive por quem não votou nele. O Fórum da Esquerda está gerindo o XI como se fora deles. Não é.
E como o XI não é sua propriedade, para atingir seus objetivos ideológicos de Partido, usam e abusam da má-fé. O último grande exemplo, a Assembléia Geral.
No Diurno, iniciada às XI horas, com cerca de 400 alunos. A votação seria esmagadora CONTRA alguma coisa. O importante é que o SIM fazia parte de seus planos. Afinal, têm que dar satisfação à usp, ao dce, ao pt ou sei lá o que mais. O que fazer então ? Simples: seus membros, em nome do direito ao grito ficaram se revezando ao microfone. Até às 14:30h, quando então, tinha, no máximo 130 alunos na sala, em sua maioria seus coniventes.
Ingenuamente, alunos, membros do Movimento Resgate Arcadas entraram no engodo de "ser oposição" e discursavam claro, o oposto defendido pelo Fórum. Faziam assim o seu jogo de "ganhar tempo" e esvaziar a sala de votantes.
Daí então, democraticamente se vota. E se ganha, claro. E é tornado oficial: os alunos da São Francisco apóiam sei lá o quê. Mentira.
Esse mesmo criminoso recurso é usado em outras assembléias, por esse Brasil afora, no Congresso Nacional inclusive. Não importando a matéria, a má-fé é usada para o dirigismo da resposta que se quer obter. O sim ou o não vai depender do interesse do momento. Lá, para fazermos alguma coisa, deveríamos mudar as leis, o que compete a eles, não a nós. Logo, nada a fazer. Nas Arcadas, a coisa é diferente, compete a nós, mudar o estado de coisas.
Em sua grande maioria, alunos amam essas Arcadas (inclusive aqueles que se negam a declarar isso). Porém, amam outras coisas também, como trabalhar, estudar e tantos outros afazeres. E foram embora, cuidar de suas vidas. Alguns voltaram, em suas horas-de-almoço, na vã tentativa de votar. Mas lá estavam os membros do Fórum, revezando-se ao microfone, indefinidamente defendendo o direito à fala. Usando de má-fé, ostentando a condição de aluno, fachada que lhes possibilita ir lá fora, em todos os lugares, angariarem posto na hierarquia do seu grande Partidão, usufruindo assim a diferença que ser franciscano lhes dá, mas que insistem em humildemente negar. A má-fé outra vez, mesmo contra seus próprios camaradas. Por isso, a dedicação exclusiva, o tempo sobrando. E a paranóica vontade de obter um SIM aos seus propósitos. O exercício da má-fé. Nas Assembléias, sobejamente demonstrado.
Ao se falar em exercício, pressupõem-se outros. São muitos os exemplos. Aliás, iniciou antes mesmo da indefectível posse deles. Quem não se lembra do triste episódio da RD na Congregação, no dia anterior à posse do Fórum da Esquerda ? Uso e abuso da má-fé. Decisões tomadas durante as férias; reuniões do Jornal às 8:00 h, em janeiro; a absoluta falta de tempo para auxiliar a Atlética nos Jogos Jurídicos, mas o tempo disponível para participar da organização da Parada Gay; a ilegal omissão do nome da Faculdade no seu O Chátio; o uso do pseudo-jornal para doutrinar calouros e fazer bonito lá fora das Arcadas.
Ou seja, não apenas um episódio da má-fé, mas a sua contumácia. São muitos e muitos. Isso porque apenas ainda estamos em maio. É quase certo que, antes mesmo de esse texto ser veiculado, já tenham cometido outro ato de diabólica má-fé. Não é preciso premonição, bola-de-cristal, telepatia ou o que seja de sobrenatural. Eles são totalmente previsíveis em seu uso.
A acho que última de uma incrível seqüência de absurdos, para quem andava as voltas com a expressão "onde está Wally ?", a resposta: ei-lo ! A patética aula aos calouros do ruptura travestido de monitor, no meio do Pátio, com direito a aplausos e tudo. Aplausos a ele ? Claro que não ! Os aplausos eram para o sagrado direito do exercício da greve. Em tempo: a aula seria para ser de Economia (?!). O bom-senso não, mas má-fé explica.
E o nosso direito, onde é que fica ? O direito de ser representado dignamente pelo XI e não de ser usado pela gestão, na plenitude da má-fé, para atingir os seus fins espúrios que em nada tem a ver com nossas vidas, como alunos dessas Arcadas ?
Calouros têm o "direito provisório" de se encantar com as baboseiras mentirosas da esquerda, já que, até o ano passado entretinham seus corações e mentes com a Barbie e vídeo-games e, como num passe de mágica fuvestiana, hoje é-lhes apresentada a armadura para lutar pelos fracos e oprimidos. É perfeitamente desculpável e inteligível o fascínio pelo canto da sereia, pois que afinal, somos todos eternos calouros. É certo que não é muito agradável aceitar isso. Mas é um fato. Era preciso um pouquinho mais de visão para resistir. Tal não aconteceu com o nosso querido Ombudsman que, inteligentemente depois se redimiu. Uma mentira em breve desmascarada, verão.

O exaustivo uso da expressão má-fé não se configura erro, mas visa a espelhar o estado de espírito de quem está sendo por ela escorraçado, a ponto de evitar estar nas Arcadas, ao menos até outubro. Assim como tantos e tantos outros.

Restam, além da maioria dos calouros que não caiu nesse engodo, os alunos do segundo ao quinto, a imensa maioria, para dar um basta a tudo isso, gestão fundamentada exclusivamente na má-fé, sob discursos de direitos, democracia e outras bonitas e distorcidas palavras, para transformar as Arcadas em um grande picadeiro. E nós, em seus palhaços.

Experimente você abrir O Chátio no metrô. Tente explicar ao simpático e faceiro passageiro ao seu lado, as razões e motivos por que uma Faculdade de Direito vai sediar a Semana Gay, divulgando isso em primeira página, num imenso e colorido arco-íris. Caso você o convença, sem má-fé, eu voto no Forum em outubro. De boa-fé.
Arcadas, XI de junho, CLXXX

domingo, maio 13, 2007

A COISA

A coisa - manipulada exaustivamente com os recursos da língua.


Muito se fala sobre a Coisa. Praticamente todo as leis são sobre ela, ao lado dela, embaixo dela, dentro dela, etc. Ou seja, há uma infinidade de posições, jurídicas ou não, possíveis com ela. Então, os afeitos ao universo jurídico só falam dela. No outro extremo, todos querem e usam a Coisa, mas têm muito interesse em saber mais, claro. Então, é comum a pergunta: o que é A Coisa ? Por isso, essa hermenêutica.

Consta que Deus, quando criou o mundo, fez a Luz e disse: isso é bom. E quando terminou de fazer o mundo, descansou. Mas antes, quando fez a Coisa, entretanto, disse: isso é bom. Rapaz, isso é bom demais ! E gozou junto. Esses versículos não aparecem no Gênesis por não ser politicamente correto. Mas que foi, foi. Teologias de lado, voltemos ao jurídico da Coisa.

A Coisa é uma denominação dita gramaticalmente como "comum-de-gênero", pois uma mesma denominação se refere à duas coisas absolutamente diferentes. Graças a Deus ! Esse caso, talvez único, tenha ocorrido porque ambas as coisas de ajustam perfeitamente uma dentro da outra. Afinal, a filologia deve respeitar a anatomia. E quando elas estão perfeitamente encaixadas, ái de quem tentar separar o que Deus criou e o Diabo deu um jeitinho de juntar ! Para tanto deve-se seguir apropriadamente a Lei de Introdução. É antiga, mas continua válida e eficaz.

O pressuposto básico é que a leitora é a Princesa, portanto tem direito real sobre a coisa, afinal ela é sua. Com ela, você pode usar, gozar e fruir. É incrível a importância que tem o conhecimento dessa doutrina quando se está a fim da coisa de alguém. Enfim, quando se quer fazer um negócio com a coisa.

É muito importante diferenciar entre o dar e o emprestar. Caso você queira dar e o gajo queira emprestado, pode significar que ele quer um vínculo que você não deseja, pois quer dar prá mais alguém. Como está emprestada, pode queimar o filme. Logo, esclareça que você quer dar, mas não emprestar. Senão quem emprestou a coisa vem logo com toda aquela estória das obrigações. Você tem a toda a faculdade prá dar e não pode ficar perdendo tempo. E as outras faculdades, então ? Só de Direito são mais de 800...

A relação pode ser jurídica ou não. Você pode ser do tipo que não come a carne onde estuda o pão. Então deverá ter relações extra-jurídicas e manter assim a imunidade. O povo fala bastante... Para isso é que servem os Jogos Jurídicos, por exemplo. Ou também, nos casos extremos observados durante a Peruada. A verdadeira apologia da Coisa ! Uma festa dos Anjos. Caídos, mas Anjos.

A tradição é quando você dá a coisa, seja longa manus ou brevi manus. Tá não mão e é o que importa ! Essa palavra é ambígua, pois não se pode confundir com "tradição", no sentido de que "quem dá uma vez a coisa, deve dar sempre". Aplica-se parcialmente esse conceito, pois não se pode restringir a um único, mas a outros, dando-se sempre a coisa. É o princípio da inesgotabilidade da incidência no suporte fático, dar. Pode-se (e deve-se) dar indefinidamente, que é como se fosse a primeira vez. O vocabulário jurídico adotou o verbete "tradição" com um único sentido, mas evidentemente sabendo que existem dois. A idéia inicial era realmente causar a confusão, a ambiguidade. Pois que se fica pensando, pensando, e quando percebe, já era. Deu a Coisa e nem se apercebeu disso. Maquiavelicamente perfeito.

O negócio precisa ser lícito. Quer mais liceitude do que fazer o negócio sempre e bem feito, usando a coisa ? O objeto também precisa ser possível. Não se impressione se você ouvir boatos de que existe um Varão na festa. Pode ser apenas linguagem técnica. O Varão é o outro lado, oposto à Princesa, pois ambos têm a coisa. Por isso a importância da ação, num processo de conhecimento, para avaliar a capacidade de plena satisfação de gozar a coisa. Há casos em que, o negócio, por incrível que pareça existe, e embora muito pequeno, é válido (fim-de-balada, fazer o quê ?), mas é ineficaz. Você incide a coisa, mas o suporte fático é insuficiente. Caso típico do inadimplemento no usufruir da coisa. Você não será satisfeita, embora haja uma grande manifestação de vontade. Porém, não vale aqui o princípio da insignificância. E o estado de necessidade, como é que fica ? Muito embora a coisa lembre mais um salário-mínimo não há que se suspender o processo e ficar literalmente na mão. É melhor pingar do que secar, ditado romano que eu não faço a mínima idéia de como o seja, em latim. Mas fica a lembrança. Alguém ai sabe como é ?

Há também os casos em que o objeto é de doer. Ou seja, o Príncipe ainda está na fase do sapo ou a Princesa é uma verdadeira mocréia. Feio como a miséria. É o caso de tomar mais tequila. Ou de colocar uma camiseta da Sanfran na cara e vai tudo pelo amor às Arcadas. Aí a coisa vai. E vem !

Já no caso do nu-proprietário há uma condenação terrível, pois o gajo está lá, peladão, é o legítimo proprietário da coisa, mas não pode usar e nem gozar dela e nem nela. Pode apenas dispor, ou seja, permitir que outro desfrute da coisa. Isso é uma grande injustiça, diga-se de passagem.
Importante frisar a importância da pretensão resistida. Não é porque se tem o interesse de agir, para dar ou emprestar a coisa que se deve se abrir feito pára-quedas. É preciso valorizar. Por isso, diga não, ao menos meia vez. Depois, dê a coisa, empreste, faça alguma coisa. O que não pode é zerar. A não-ser que você tenha uma reserva legal, o que até a Constituição garante.

Sob nenhuma hipótese, depois de se aproximar da coisa, chame-a de meu bem, sob o risco irrecorrível de ficar falando sozinho o resto da noite, principalmente antes de consumar o negócio.
A relação entre as Coisas deve sempre ser a título gratuito e apenas eventualmente oneroso. Muito embora aquilo que a princípio se revela gratuito, ao deixar de ser eventual e adquirir continuidade, fatalmente vai cair na Sucessão. Não pense você que Sucessão aqui vai significar que você está fazendo um "grande sucesso". Ledo engano. Você, que antes contribuía apenas com a incidência sobre a coisa e o depósito aleatório do seu patrimônio genético, vai agora deixar prá dona da Coisa metade do seu patrimônio... bancário.
Tudo vai depender das esferas. Vale sempre a máxima de que é melhor uma na mão do que duas no sutiã. Dentre as posições, geralmente é viável as simples, muito embora ocorram algumas inusitadas. As posições complexas devem ficar para situações mais oportunas. Há correntes doutrinárias porém, que defendem o fruir da Coisa em posições complexas, independente do contexto. Bastante aplicada por aqueles que encaram o dito negócio entre as Coisas como um esporte radical, fundamentando a questão.

Há aqueles casos de direito de superfície, em que se vai usar e gozar da coisa sem se aprofundar nela. Poder-se-ia até intitular esse tópico de Direito das Preliminares. Uso parcial. Recomenda-se que, nesses caso, mantenha-se contato, pois o futuro a Deus pertence e, logo mais, ela já estará disponível para usar integralmente a coisa. Aqui também se aplica quando a Coisa de ambos os lados seja idêntica e a Princesa seja mais afeita a Princesas do que a Príncipes. É o verdadeiro direito de um mundo novo. Nesses casos, além de fruir apenas a superfície, o uso do subsolo apenas de aprofunda com recursos ditos artificiais complementares.

Toda essa teorização fundamenta-se em que todos têm a coisa, mas quer a de outrem. Pode-se fazer de tudo com a coisa, todos os negócios são possíveis, lícitos ou ilícitos, melhor ainda, pois ao final, aplica-se o brocardo rebus sic standibus. No melhor do vernáculo dessa última flor do Lácio, lavou tá novo.

Montes de Piranda - textículo 69

sexta-feira, maio 04, 2007

O revoltado recado de uma pucana aos franciscanos

Minha intenção primeira ao escrever o texto era conseguir mobilizar ao menos XI que eventualmente pretendessem Não Ir aos Jurídicos. Essa, a minha parte. Queria ver 1108 franciscanos em rePouso Alegre. Afinal, sonhei com isso por dois longos anos. Lá, fiquei sabendo que tinha conseguido isso e mais até. Poucos no mundo estão habituados a realizar sonhos e eu os tenho realizado vários nessa Gloriosa Sanfran, sendo Ela própria o maior deles.

Agora só nos resta esperar a “Cervejada da Vitória” no Campo do XI, que a Atlética prometeu.. Cobre você também deles, como eu venho fazendo.

Tenho estado em contato com UM MONTE de Faculdades de Direito por esse Brasilzão afora, divulgando o blog. Por puro diletantismo, puro prazer, claro. E também pra levar a eles, notícias (minhas) das Arcadas. Aos descontentes, o telefone para reclamações é 0800-11-11-11.
Ao retornar daquela horrorosa cidade, já um legítimo eneacampeão, tive outra grande e grata satisfação: o blog tinha tido mais de 1.300 visitas para ler o texto ! E uma mensagem com um comentário, que transcrevo abaixo literalmente, dando-lhe a autenticidade necessária. Inicialmente pensei em correções gramaticais e tudo o mais, mas me daria MUITO trabalho, você vai notar. Isso só comprova mais ainda que ela é pucana mesmo. Portanto, ei-lo, na íntegra.
(Mas não resisti: pus observações entre parêntesis). A pucana ficou irada, meo ! É assim mesmo. Essa a nossa função: fazê-los infelizes. A deles, nos divertir. hahahaha

Aos que lerem, pergunto: ela é só analfabeta ? ou é também revoltada, frustrada, mal-comida, mal-informada, mentirosa e outras coisas mais ? Essas pucanas, viu... Será que agora ela, só de raiva, vai querer matar os pais ?
Conforme sábias palavras desse poeta franciscano no poema:

À PAULA ADA

Entre pauladas e beijos
O mortal amor nem Freud explica
Fê-la querer ser órfã-induzida
Agora pobre, coitada, arrepende:
Por que é que não fez direito ?

Mateos Pais


Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem
"XI razões para NÃO IR aos Jogos Jurídicos":
Caro franciscano.. (observe o respeito)
Noto q ateh agora vc nao conseguiu nenhum comentário... (e o dela ?)
Será q eh pq o povo ja t conhece e sab q nao vale a pena nem ler o tanto d merda q vc escreve?? (escrevi sobre a puc) Porém, um comentário deve ser feito, aliás, uma correção: a hipótese do item V jamais ocorreria, visto q nenhum de vcs tem a menor capacidade de pegar uma pucana.(ué ! e ela?) Segundo consta, vcs, da gloriosa (olha aqui a reverência e o respeito), nao passam de bando de bernys, de físicos estranhos (seremos advogados, não físicos. hahaha) e cansados de aparência, além de não terem o menor jeito pra chegar nem pra pegar uma mulher. As pucanas, ao contrário, e que há mto ja se sabe, são as mulheres mais lindas de todas as faculdades de direito, logo, não há aqui nenhuma compatibilidade. Assim tb, nao tem vc nenhuma experiência pra falar sobre aquilo q fazem as pucanas na posição horizontal(são poucas as possibilidades, na horizontal, né?) , isso eh coisa que deve apenas ficar na imaginação cheia de vontades dos pobres nerdes franciscanos. (uma dica, podem fantasiar bastante, pq isso eh uma das mtas coisas q as belas mulheres da Puc fazem muuuuito bem!!) (a gente sabe disso, querida...)
Sugestão: imaginem td isso qdo vcs estiverem praticando com as gordas bigodudas do campus (Não temos campus. Nós temos o Largo do Território Livre) de vcs!E aqui vai uma explicação, ja que o ponto VII está corretíssimo (não estava tudo errado ?): os adversários estão sempre mto cansados pra jogar (a nao ser aqueles que precisam de bolsa)( vai perder a bolsa ! vai perder a bolsa !), pq nas noites passadas, enqto vcs estao mto cansados (discupinha por nao beber nem pegar ninguém, neh??), os pucanos estao se exercitando muuuito. E no dia seguinte, ta todo mundo mto bebado pra jogar direito. Aliás, esse eh o objetivo dos Jogos. Pq ninguém vai nos Jurídicos pra jogar e ganhar, vai??(a Sanfran sim ! E ganha todo ano. hahahaha) Ah sim! Os bernys franciscanos!!
Ass: uma pucana

quinta-feira, abril 26, 2007

XI razões para NÃO IR aos Jogos Jurídicos

I – Meu chefe não vai me liberar.

Considerações: você “se acha” mesmo, né ? No seu escritório, o único que acha que você tem alguma importância é você mesmo. Eles fazem de conta que se importam com você apenas por educação. Não percebeu ainda ?

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Na segunda, lá pelas 14 horas você liga pro seu querido chefinho e diz que você está no Aeroporto, desde as 5 da manhã, mas os malditos controladores de vôo continuam em “operação-padrão” e você não faz a mínima idéia de quando vai conseguir pegar o seu vôo (o fato de saber se lá existe um aeroporto é detalhe sem importância).

I I – Você é calouro e está preocupado porque ainda não conseguiu entender como é que faz pra ler o Kelsen. Assim que entender, precisa começar a ler, porque todos os seus colegas da sala já leram.

Considerações: Calouro é burro mesmo ! Primeiro, porque acha que vai conseguir ler o Kelsen; segundo, porque acha vai entender o Kelsen; terceiro porque não sabe que ele próprio não concordava com o que escreveu, então mudou de idéia; e, quarto, porque acredita que todos os colegas já leram.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Porque temos boas notícias pra você, que não sabia porque calouro é calouro e tudo burro mesmo. A Atlética organiza grupos de estudos para cada sala de cada ano, para os alunos não perderem tempo. As atividades são entre os jogos, na Sala de Estudos do Hotel. O grupo que estuda o Kelsen é o mais procurado de todos. Portanto, você está amparado nesse quesito. Um dos ônibus é destinado a transportar a nossa querida Biblioteca, fazendo circular o conhecimento jurídico por esse Brasil afora.

I I I – Você é um completo boçal.

Considerações: respeitamos a sua deficiência mental, inclusive por saber que os computadores da fuvest ainda não conseguem detectar anomalias nos genomas dos candidatos, tornando franciscano, eventualmente, algum deles. Como é o seu caso.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Seus problemas acabaram ! A Atlética, em convênio com a Secretaria de Saúde de Pouso Alegre, conseguiu algumas belas fonoaudiólogas, Com isso, elas darão treinamento intensivo para energúmenos feito você, para que consigam, até o final dos Jogos, articular apenas duas palavras, ainda divididas silabicamente. Vai treinando aí: São Fran-cis-co ! O resto será simples repetição. Garantimos que não é difícil, não. Após 1108 tentativas, a coisa vai que nem quiabo. Vai, beócio !

I V – Você é um entusiasta franciscano, mas teve um probleminha: sofreu um acidente, perdendo as duas pernas, os dois braços, ficou surdo, mudo, cego e está atualmente em estado vegetativo. E o que lhe sobrou de cérebro está pensando que o seu estágio como “peso para petições” corre perigo, caso você falte na segunda feira.

Considerações: caro cotoco, você deve conhecer a antiga máxima: nem só de pão vive o homem. Conhece, né ? Então. Embora isso nada tenha a ver com o caso, não venha com desculpas esfarrapadas. Não seja pessimista. Acidentes acontecem. Procure IMAGINAR o lado bom da vida.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Qualquer um vai ter vaga no porta-luvas pra te dar carona. Na Torcida Nota XI, a gente te coloca no estojo de um tamborim e tudo bem. No Aloja’s (quem inventou o apóstrofe ?) a gente arruma um travesseiro pra servir de cama. Você só precisa ter uma precaução. Peça para outro estagiário fechar a janela da sua sala, na sexta-feira. Não tendo vento, sua ausência ali nem será notada na segunda.

V – Você bem que gostaria, mas não pode ir. Está comendo uma pucana e não quer ter divergência com ela por causa dos jogos, perdendo assim o seu FGTS (Fucking Garantida Toda Semana).

Considerações: o seu gesto é parcialmente louvável, no aspecto de colocar a pucana em seu devido lugar, deitada. Agora, não pode se esquecer que vai ser corneado logo mais. Porque, quando ela arranjar estágio no escritório de um franciscano, vai liberar pra ele também. Sobram pra você duas opções: você será corneado e pegará a sopa daquele nobre colega causídico ou larga a mão de ser imbecil e troque uma pucana daqui por 11,8 pucanas de lá. Simples, não ?

Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS !

V I – Você já foi a um JJurídicos e acha que já está bom.

Considerações: é verdade ! Dentro dessa sua brilhante lógica aristotélica então, supostamente você já deve ter dado a sua primeira na vida. Então tá bom. Chega. Parta agora pra outras experiências. Temos várias sugestões, porém, só pessoalmente. Anota aí meu celular...

Sugestão: pára de viadagem e VÁ AOS JURÍDICOS !

V I I – Você morreu.

Considerações: não venha com auto-piedade por aqui ! Isso acontece com qualquer um. São coisas da vida que você precisa superar. Prá isso, a

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Você vai se sentir à vontade. Durante os jogos, os nossos adversários são todos uns mortos, mesmo aqueles que ganham bolsa. Na realidade, deveriam ganhar um caixão, não a bolsa. Já depois dos jogos, nossos insuperáveis atletas é que ficam mortos de cansados. E não ficam aí, reclamando como você, por causa de besteira.

V I I I – Eu só assisto aulas, não conheço ninguém da Sanfran, não pego ninguém, não jogo nada, não bebo e não gosto de baladas e estou mais interessado na minha formação profissional..

Considerações: a gente entendeu perfeitamente que você é um inepto. Muito semelhante ao item VII, sendo que ele tem uma grande vantagem: já fechou os olhos e deitou. É o que tá te faltando. Mas no meio da maravilhosa Torcida Nota XI ninguém vai nem perceber isso. A gente te fornece alguns chicletes e você fica mascando, fingindo que tá cantando. Igual aos jogadores da seleção, cantando o Hino Nacional. Depois você vai poder contar pros netos que, pelo menos uma vez na vida, você fez alguma coisa que prestou. Para você, nada como aquele ditado também: viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.

Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS ! e mais: quando contar pros netos, omita o seu currículo, por favor. Pra eles não perceberem que você é um velho, desde os vinte anos.

I X – Aqui, uma interrupção necessária:

Êêê leleô, leleô, leleô , X I ! – repita NOVE vezes.
SANFRAN – ENEACAMPEÃ DOS JURÍDICOS
Pronto, pode reclamar, abra o seu coraçãozinho:

Eu nem sei se a gente vai ganhar.

Considerações: captamos perfeitamente o brilhantismo da sua capacidade de percepção das realidades da vida. A Torcida Nota XI é composta por brilhantes franciscanos, porém poucos têm o seu toque de gênio. Já aprendemos com o Galvão Bueno que existem as possibilidades da vitória, da derrota e do empate. Porém, contando com a sua transcendental ajuda, podemos alertar nossos valorosos atletas sobre as demais possibilidades que só você pode enxergar. Quem sabe você não passe a fazer parte da nossa Comissão Técnica ?
Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS !


X – Aqui, outra pausa.
Precisamos ir treinando (e alguns aprendendo):
SANFRAN – DECACAMPEÃ 2008
Aí A LATRINA vai fazer o maior sucesso !
Antes que reclamem das “piadas internas”, ajudamos: a DECA fabrica latrinas. Entendeu ?

Voltando à dura realidade:

Eu acho que VOCÊS estão cantando vitória antes da hora.

Considerações: Luciana Gimenez, não vai dizer que você também acha que o fogo queima ? E que a água molha ? É claro que nós estamos cantando vitória antes da hora. A razão, que passou despercebida por tão arguta mente, no caso a sua, é absolutamente simples: você percebeu que os JJurídicos ainda não começaram ? Por isso é claro que é antes da hora.
Sugestão: por isso, para constatar que cantamos vitória ANTES da hora, NA hora e DEPOIS da hora, faça o seguinte: VÁ AOS JURÍDICOS !


X I - Eu não concordo que franciscanos fiquem xingando pucânus, mack-orelhas e toda aquela periferia jurídica nos Jurídicos. Penso que deveríamos nos integrar mais, para unir forças e tornar o Brasil melhor, com mais justiça social e menos desigualdades. Afinal, todos somos da mesma classe, a de estudantes de Direito e...

Considerações: caro comunista, desculpe interromper. É que senão, até você terminar o Kit Um do Manuel, desculpe, Manual o povo já dormiu. Mas concordamos com você em gênero, número e degrau.
Você consegue imaginar que o consumo de cerveja que ocorre ali gera muitos empregos ? Que a Johnson&Johnson tem que duplicar a produção de Johntex, pagando horas-extras, melhorando a distribuição de renda, pagando mais impostos ?
E quem disse que não nos unimos ? Experimente ir nas baladas, que você vai ver todo o mundo coladinho. Já a força é moderada e progressiva. Exemplar !
Então, boneca ! Relaxa ! Você não vai acreditar, mas, na realidade, a gente só faz os Jurídicos e essa coisa toda é pra melhorar a condição do povo brasileiro. É o exercício da cidadania responsável e a nossa cota de sacrifício, né !

Sugestão: por isso, junte-se a nós nessa luta, companheiro: VÁ AOS JURÍDICOS !

sábado, abril 21, 2007

A USP finalmente consegue a sua Faculdade de Direito


A Universidade de São Paulo criou no dia 27 de março último, a sua Faculdade de Direito, a ser instalada no campus de Ribeirão Preto. Com uma grade curricular atualizada e ampla, ampliada também a carga horária para período integral. Só podemos augurar sucesso, tanto à nova Faculdade quanto aos alunos que de lá forem egressos.
A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco , criada por Decreto Imperial, aos "XI de Agôsto de 1827" tem, em sua longa História um rol incontável de criações. Se por um lado demonstra a excelência de seus alunos no transcorrer de séculos, por outro o faz como a sua tarefa primeira, a de construir um Estado brasileiro. Sendo assim, em sua personalidade ímpar, a Academia sempre foi o criador e nunca criatura (exceto o ato da própria criação).
As criações da Faculdade entretanto, por meio dos seus alunos, a iniciar pelo próprio Estado Brasileiro, estão aí, vigentes, e portanto sujeitas a todo o tipo de avaliações e interpretações, nos mais variados enfoques que a Ciência possibilita. O que não lhe tira o mérito de criadora.
A criação da Universidade de São Paulo, em 1934, em um contexto histórico extremamente adverso ao Estado, veio mais a título de “reparação” pelas mazelas originárias de um regime autoritário, cujo líder maior foi e é persona non grata, a despeito daquela criação.

Diz a verdade universal que todo o mal traz em si o germe de um bem equivalente. A sociedade paulista e brasileira ansiava pela criação de um centro de excelência em ensino e pesquisa científica. A tal ponto de, mesmo com a criação da Universidade, não haver professores para obter aquele intento, buscados que foram então no exterior. Por isso, tal anseio veio ao encontro e coube sob medida para aquele ato de reparação ditatorial ao Estado de São Paulo. À Faculdade De Direito, à Academia, então com cento e dez anos de existência , caberia então viabilizar intelectualmente aquela criação, posto ter sido sempre criadora, sua tarefa essencial. Para dirigi-la como Reitor, um aluno egresso da São Francisco. E outros, posteriormente.

Dentro então de um novo contexto histórico nacional, adveio então a medida que mostrar-se-ia um impasse, paradoxal e insolúvel: tornar a criadora uma criatura. Fazer da Faculdade de Direito uma unidade da Universidade de São Paulo. Se tal aconteceu nos vínculos administrativos, burocráticos e econômicos, nunca aconteceu na prática. Nem sequer fisicamente. Permanece no Largo de São Francisco a pedra fundamental e lá permanecerá para sempre, qual está escrito: quantas forem colocadas, tantas arrancaremos. Certamente, ao longos dos setenta anos transcorridos de sua criação, a USP, a sociedade, a mídia e até parcela ínfima de alunos fizeram por confundir o inconfundível, o criador pela criatura. Essa não é uma visão emotiva dos fatos, mas apenas os fatos, reais como se mostram.
Por isso, parabenizamos a Universidade de São Paulo pela criação da efetiva primeira Faculdade de Direito, em Ribeirão Preto.

Então, atendo-nos exclusivamente aos fatos, os alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco devem exigir, por isonomia normativa constitucional, que seja também contemplada com os avanços da unidade criada, como a paridade curricular e o ensino em período integral, entre outros. Não nos deve caber questionar a conveniência e a oportunidade da criação daquela Unidade, posto não nos dizer respeito. Cabe-nos sim exigir, mutatis mutandis, a equiparação. Todo bem deve ser copiado.

Essa, a paridade exigida e possível. Tudo o muito mais, a História, as tradições, a excelência discente e docente, o espírito, isso não se consegue por decreto. Permanecerá cativo no Pátio das Arcadas.

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Essa, uma visão. Porém, proponho que outros façam o mesmo, exponham a sua visão. Não como uma crítica ao que aqui vai escrito, mas simplesmente a sua visão. E a veicule pelas Arcadas.
Por ser um contexto inédito na História da Faculdade, proponho também que o Centro Acadêmico "XI de Agôsto" promova um debate interno geral , para que tenhamos "opinião oficial" sobre o assunto. Isso, a despeito de ser sabedor da diversidade ideológica que compõe esse universo ímpar.
Essa é uma das funções primordiais do Centro Acadêmico, como representante e porta-voz dos alunos.

domingo, abril 08, 2007

O gol de placa

Esclarecimentos prévios necessários: para participar do concurso de contos, o mote era: futebol e sexo, na paisagem do Rio de Janeiro. Não deu outra, deu essa: dar a “milésima”” na cidade maravilhosamente perdida, feito balas. La vai !

Se existe um visual belíssimo é o da chegada aérea ao Rio de Janeiro. Curiosamente, a cidade foi chamada de maravilhosa em uma visão de chegada marítima que mal se vê alguma coisa. Sendo portugueses, tudo bem. O Cristo, com seus braços abertos. Estaria ele sendo assaltado ? Não, não. Saúda a todos os que lá estão e os que, como eu, chegam. Penso que não só ele deve estar de braços abertos à minha chegada. Precisa ter mais alguém, totalmente aberta e receptiva. Não que eu seja um espião, terrorista, empresário ou coisa assim, mas tenho uma grande tarefa a cumprir nestas lindas plagas.
Nas minhas andanças por esse mundo afora, muita coisa a preencher as retinas, as lembranças, a mente e o coração. Muitas passagens e paradas, num afogadilho de leve, feito a um cartão-postal sentimental. Para embelezar ainda mais as paisagens maravilhosas que se têm no mundo, nada melhor do que com a pessoa humana.
Nessas alturas do campeonato, a estória dos meus vai-e-vem, literalmente, chega ao cabalístico número de novecentas e noventa e nove. Como todas as grandes conquistas geralmente são de pequenas coisas, o mimo especial. Nada como sacramentar o jogo sexual com um milésimo gol em plena Rio de Janeiro, cidade do Maracanã, de muita partida memorável e gols belíssimos.
Tal dito, vê-se que não pode ser uma pelada qualquer, do tipo vira três, acaba seis. Ou ainda do tipo: três, vira, três; cigarro e whisky. Esse gol merece ser especial. Nada de pênalti. Não que todos os jogos tenham sido vencidos. Algumas derrotas fragorosas, acabando inclusive com a velha desculpa de que isso nunca havia acontecido comigo antes. Muitas vitórias e grandes goleadas também, com a graça de Deus. Embora toda essa estória não me tire a humildade: reconheço os gols impedidos; os feitos com a mão, estilo Maradona, talvez num afogadilho de um metrô lotado ou uma viagem de ônibus prá Cuiabá, onde a partida toda e seu gol foram resolvidos na ponta dos dedos, reciprocamente. Pênaltis perdidos, feito o Zico. Embaixadinhas aconteceram na Câmara de Comércio Exterior, mas com toda a diplomacia. Fora esses, a maioria, feitos na raça mesmo, quando tudo já se considerava perdido e o Sol querendo aparecer, para dar o seu apito final, num jogo sem gol. Gols na prorrogação, tipo morte súbita. Enfim, cada jogo uma história, cada gol um prazer.
Você está me acompanhando, né ?
A comissária de vôo me tira de meus devaneios, avisando que chegamos e dá as boas-vindas. Numa rápida avaliação, sinto saudades das aeromoças de antigamente. Essa não dá jogo.
Pronto, entramos em campo. “Estamos bem preparados, com uma equipe treinada e bem entrosada”. “Temos que dar tudo de si”. “A torcida é grande, maravilhosa e merece um grande espetáculo”. “Esperamos fazer uma boa partida e conseguir um excelente resultado. Afinal, clássico é clássico e vice-e-versa”. Bem se vê que em futebol e em sexo nem sempre se usa uma boa língua. Isso seria eu dando entrevistas, com respostas-padrão a perguntas cretinas. Vamos fazer esse milésimo gol, que goleador é prá isso mesmo. Chega de firulas e quiprocós. Aos finalmentes, que não tô aqui prá brincadeiras.
Do aeroporto ao hotel e daí direto prá praia. Nada como uma boa caminhada pela orla, prá relaxar. Não há alguém mais disponível que andarilhas e corredoras de plantão. Estão ali para o que der e vier e, principalmente, para o que vier e der. Assim como eu, haveria outras. Com um olho na pista e outro nas brancas areias. Anda que anda, com inspiração visual suficiente para centenas de garotas de ipanema, voley e tantas outras peladas.
Ei-la ! A presa, a vítima, a felizarda, a escolhida, sei lá. É ela, é ela!, diria Álvares de Azevedo que, no caso, não sou eu. Bendita malhação ! Sob o Sol que Deus mandava, a garota se esmerando nos alongamentos e relaxamentos. Após algumas gracinhas de praxe, fico sabendo ser ela atleta e que irá competir em jogos internacionais. A modalidade não poderia ser mais convidativa e sugestiva: salto com vara. Perfeito ! Digo ser turista, ao que ela assente como óbvio: meu amarelo-escritório. Diz que treina no Maracanã, todas as manhãs. Convido-a a me convidar para conhecer aquele, o maior estádio do mundo. Diante dessa insistência de um único convite, ela aceita. Ó o gol se delineando aqui. Lá vamos nós ! ‘Tamos no caminho certo.
Entramos no estádio, com ela se sentindo em casa, conhecida. A todos um sorriso, um cumprimento, uma palavra gentil. Na pista de atletismo, os preparativos para o seu treino. Faço eu as vezes de seu personal trainner, e assisto-a saltar. Uma verdadeira campeã ! Finalmente, em direção ao vestiário, passamos por uma escada, com um aviso: proibido trepar aqui. Epa ! Placa colocada devido aos muitos e muitos acidentes que ocorrem por esses estádios do mundo todo, com a torcida passando de um lugar ao outro. Aqui, não ocorreriam. Havia a placa, alertando sobre isso. Ao que parece, não se dirigia a mim, ao meu caso.
E foi ali mesmo, sob a sombra daquele aviso intimidador, tornado inoperante, que entramos em campo, uniforme impecável, nuinhos em pelo. E, mesmo sem o apito do árbitro, mas no calor dos hormônios, inicia-se a pelada, a partida, a milésima ! Dribladas todas as resistências, invadindo uma fraca defesa, avançando pela direita, pela esquerda, pelo centro, lençóis, elásticos, pedaladas e um chute certeiro: bolas no meio das pernas ! E foi só correr pro abraço: Brasil, sil, sil, sil ! De longe, até o Cristo se comove e sai de sua posição de sempre: aplaude. “Ê, leleô, leleô, leleô ! É mil !”. Sabe-se lá a emoção de ser aplaudido e comemorado pelo próprio Cristo Redentor, meu ? Tem gente que não gosta dele, mas que é famoso, la isso é ! Nem tanto quanto o John Lennon, mas é. Mas isso também já deu polêmica adoidado. Mas não vem ao caso e não é da história. Furtivamente, uma comovida lágrima me percorre as faces suadas. Desculpe, essa frase me saiu de um “copiar-colar” de uma outra estória mais brega. Não cabe aqui, não ! A exaustão não me permite a correção, porém. Deixa ela aí que ‘tá de bom tamanho.

Foi assim, o milésimo gol, a milésima. Um legítimo e merecido gol de placa ! Andrada o sobrenome dela, mas não uruguaia, goleiro da Copa de 50, traidor. Soou-me a elogio, que nem sou Pelé, nem nada, mas que ele milesimou em cima de um Andrada. Eu também, literalmente, em cima. “Foi realmente um grande jogo, com o adversário na mesma altura, já que estávamos na horizontal. Tive a felicidade, num lance individual, de enfiar a bola por baixo, sem defesa. E, nesse momento solene quero lembrar das criancinhas abandonadas. Se cuidarmos delas, não teremos tantos marginais no futuro”. Não me ouviram, quem tinha que ouvir. Nem ao Pelé também. Agora temos todos eles, nesse governo aí. Tudo bandido. Qué que isso, minha gente ! Pronto, essa frase também surge solta, componente de outra estória quem nem vem ao caso. Mas que são bandidos, ah !, isso são. Que fique, então.
Esse foi um conto, cujo conteúdo principal, para a premiação, deveria conter “futebol e sexo, na paisagem carioca”. Atendido. A omissão de detalhes brilhantes, lambuzados, suados, escorregadios e lubrificantes, embora óbvia foi proposital. Tal evento será lançado mundialmente em dvd, com os ensaios, as cenas erradas, as descartadas, inclusive cenas não descritas, mantendo o devido suspense. Como extra, um compacto, apenas com as cenas mais interessantes. Haverá, como encarte, um “Manual de como Obter a Mesma Marca”, ilustrado até. Nele, em orientações masculinas, explico como. Nas femininas, explico: como. Depois, o empresário garante uma turnê mundial, com palestras nas melhores Universidades e bordéis do mundo todo, incluindo work-shops. Menos na Dinamarca, porque me disseram que lá a molecada atinge essa marca no jardim-da-infância. Sei lá! Mas, fica aqui avisado: menos na Dinamarca. Depois, vai ter até entrevista na Hebe Camargo e estudos estão sendo feitos, pra passar no horário nobre, que crianças não assistem. Cenas para a próxima novela educativa da Globo. A minha contribuição à cultura brasileira. Esses escritos, um script apenas. Veja em cores. Em breve, nas bancas: O gol de placa. Não perca !

Zaga Gol’Arte

terça-feira, março 27, 2007

A LATRINA - em rápidas descargas

A vida privada franciscana

I - Antes, havia o período eleitoral: em outubro, franciscanos engalfinhavam-se pelos corredores e Pátio. Agora, a palhaçada começou já com a Matrícula dos Calouros. É um estado eleitoral. Haja !

I I - Foi criado o Partido MAnarquia. Acho que a coisa está se revelando.

I I I - Com o fim do verão, quem sabe a gestão pára de dar Sol quente nas festas.

I V - Enfim, o Dárcio deu a sua primeira trepada: no pescoço do veterano.

V - Comunistas fazem a Festa dos Calouros na Broadway. Por uma questão de coerência ideológica, não deveria ser em Moscou, Petrogrado ou coisa que o valha ? Teriam eles aderido ao bom e velho capitalismo ?

V I - Já que a Gestão gosta tanto de “publicizar” as coisas, porque é que não vão atrás da publicidade dos outdoors do Campo do XI ?

V I I I - Quem anda ruminando um odiozinho básico é a Escória. Losers dos losers dos losers, conforme a sua própria classificação. Tá difícil digerir um quarto lugar, com noventa votos !

I X - Quatro “O Pátio” por mês, ao custo de R$ 8.000,00 não é fácil. Mas a verba mensal da Casa do Estudante é logo R$ 600,00. Bom, pelo menos o jornal está ótimo, com matérias incríveis. Todo o mundo lê. Franciscano espera ansiosamente pela próxima edição. D’A Latrina.

X - O Movimento Resgate tá parado. Na frente do Hall dos Calouros. Sorridentes, claro. E altamente amigáveis. No melhor estilo “eu sou muito legal , eu amo a Sanfran. Você vota em mim, pelo amor de Deus ?”. Cadê o spray de pimenta, cadê ?

X I - Agora a moda é falar em Casa do Estudante. Esqueceram do Campo do XI. Inclusive a Gestão. A pergunta que não quer calar: o Resgate não fez uma grandiosa apresentação, com maquete e tudo, no dia do debate ? Iam construir um estádio para um milhão de pessoas e etc ? Eram mentiras de campanha ? Vai entender...

hahahaha... qual é a graça ?

Luiz Gonzaga - Um franciscano fundamentalista em Arcadas

quarta-feira, março 07, 2007

Elegia

Uma poesia em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
E em especial às franciscanas, tão lindas e inteligentes.

E L E G I A

Olhos
para
admirar-te

Corpo
para
amar-te

Alma
para
alçar-te

Verbo
para
louvar-te

Deus
para
criar-te

Femina: arte

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Ode ao calouro

Ao ser-lhe outorgado o sagrado direito
De adentrar os umbrais dessa hiperbólica Academia
Por certo baixará humildemente os olhos
Diante da magnificência das Arcadas
E em devaneio, procurará imaginar as pegadas
Dos monstros sagrados, românticos ou não,
Seus nomes inscritos nas majestáticas colunas
E, deslumbrado exclamará: Aqui está a História !

No depois, perambulando entre o Pátio e o Porão
Entre vitórias e descobertas vívidas e vividas,
Em meio às duas mil e trezentas tendências e mentes franciscanas
Numa incrível e indescritível turbulência ímpar
Buscará por onde se permeia o cenário dessa tal História
Ela, aos poucos se revelará vazia, cenário apenas

Chegando a casa, olhar-se-á ao espelho
Ali se deparará com a imagem-resposta que a Academia nos revela a cada um:
Eis a História ! Eis o Presente !
E ela o espera ávida, cenário apenas,
A preenchê-la com a sua parte, a sua arte
O seu futuro, a dela obra.
Emoldurada em Amizade, animus jocandi e Alegria.

Porém
Aos que chegam e buscam assento
Para, inertes, assisti-la passar
Restará o desconforto e a decepção
De nada assistir, de nada ver, nada criar.
Apenas acreditando que assim seja
O espetáculo que se lhe descortinara.

Pensarão, em suas cabecinhas
Ser então a Sanfran um túmulo com paredes carcomidas
Revivendo anacrônica um passado morto, num presente amorfo.
Para eles, estória apenas. A Academia, sua medíocre “facul”.
Isso, a imagem que o espelho lhes revela.
O presente amargo, o XI um número. Romano, em esnobismo estéril.
No futuro, restando apenas como boa lembrança.

As Arcadas são sempre as mesmas,
O espelho é sempre o mesmo
O Largo não é estreito
Você, a diferença.

Felício Novo, o poeta calouro

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A História das Arcadas - A Criação

Capítulo I I - Da criação da São Francisco, como a primeira e única.

É preciso esclarecer a respeito da figura do Roy Babbosa: na realidade, só vou contar aqui porque ele me autorizou (e vocês nem sabe de que maneira. É uma outra estória...). Ele é o primeiro franciscano da turma de 1828. Só que está por aqui, onipresente desde então, e só agora ele se manifestou diretamente (ele foi vítima de uma maldição que... bom, isso é também uma outra estória). Aliás, frise-se bem: na estória da História da Academia de Direito sempre há uma estória a mais. Quando você andar pelas Arcadas, absolutamente sozinho e sentir que não está sozinho, eis a comprovação da sua presença: ele é o Espírito Franciscano.
E então ele me contou, para que eu contasse prá vocês. O assunto é de extrema importância e inédito, por isso faço do conhecimentos de todos : pela vontade Imperial, a São Francisco foi a única a ser criada. O porque saíram duas é que é o motivo desse relato.
Ele foi o primeiro franciscano, não porque tenha sido primeiro lugar. Isso de Fuvest só viria acontecer mais tarde. Acontece que o Roy era feitor na fazenda da Maria Domitila. Com ele era assim: prá escravo, o chicote; prá escrava, o cabo. Aliás, foi um dos principais colaboradores para o surgimento dessa deliciosa espécime chamada morena jambo (mas isso já é lá também outra estória). A Maria, diante de tão espetacular desempenho, quis provar também do massaguassu dele. Saibam todos que a Domitila plantava café, mas também adorava plantar a mandioca. Assim, ele se tornou um fornecedor desse insumo básico prá patroa.
Nessas de plantar café, piquenique em Santos, noitadas nos puteiros do porto, a nossa heroína (que ainda não era uma droga) acabou conhecendo quem ? O estagiário-de-Imperador Dom Pedro. Conhecido nas bocas, como o Pedrão toscafumo. Logo ele entrou a provar as delícias do café da Domitila (o "em teu seio, ó liberdade" foi inspirado nela). Vai que dá uma, vai que dá outra, o imperial gajo passou a fazer parte da agenda (que futuramente viria a ser agenda telefônica) da moça.
O grande fato histórico acontece: ela inventou de criar uma Faculdade de Direito, bem perto alí da sua casa, no Largo do Capim (viria a ser Largo de São Francisco para dignificar o local da Academia). Calma, calma, eu explico (pô, ninguém tem paciência comigo !). Ela, como incansável guerreira, precisava ter sempre à mão um soldado com a sua armadura. Para conseguir esse suprimento contínuo e de bom nível, teve uma brilhante idéia: a "última moda" no Brasil era mandar seus moços a estudaire Direito, em Lisboa e Coimbra. Algo assim como hoje a obrigatoriedade de conhecer a Disneylândia... Coisas de mentalidade de colônia, você sabe... Ela, loiramente raciocinou: ao invés de exportar tanto virilidade virgem e in natura, a ser usufruída pelas bigodudas damas da Corte, ela induziria o seu dileto toscafumo a criar uma faculdade aqui, segurando então a rapaziada. Assim, ela teria material humano suficiente para usufruir da boa-vida, cada dia um soldado, com uma armadura diferente.
Porém, ela teve que esperar um bom tempo. Naquele tempo, o Pedrão ainda era estagiário de Imperador. Nessa importante função e também por ser filho do chefe, ele só ficava indo prá lá e prá cá. Não aprendia nada, mas circulou bastante. Estagiário mesmo ! E também ficou conhecendo o povo brasileiro, isto é, a pova brasileira. Ele iria se especializar em assuntos ambientais, como o os matos e as moitas. Conta-se até que, atrás da moita surgiram muitos neologismos, enriquecendo ainda mais a língua tupi-guarani. As índias que se submetiam (e sobremetiam também) ao apetite imperial guturalmente emitiam sons que, futuramente seriam incorporados à língua (e aos demais órgãos sexuais), podendo ser fracamente traduzidos para o português como "aí, Pedrão", "manda que eu guento", “tô ficando atoladinha” e outras preciosidades.
Bom, o assunto é tão rico (afinal, é o Imperador !) que eu começo a viajar...
Quanto mais se aproximava a época em que o estagiário Pedrão seria efetivado na função, mais crescia o amor da Domitila. E crescia também o aparato dele. O Roy, nosso herói, fazia as vezes de suprir as lacunas da lei. A lacuna da Domitila. A lei era o Pedrão. Na ausência dele era o Roy que vigorava. A insaciável moça exigia a incidência plena da eficácia do competente futuro-franciscano. E haja vigor, prá domar a moça !
Quando ele (O Pedrão) finalmente foi efetivado, desde logo quis fazer pro Brasil uma grande moda, vigente nas Europas: uma Constituição. Assim, o país seria uma grande Nação também.
Como, àquele tempo, o "desde logo" demorava um pouco, dois anos depois, a dita foi ejaculada. Ou melhor, ele copiou uma. Escrever ia dar muito trabalho. E ele já tinha muito trabalho com a Domitila. Seu material de tese de pós-graduação, as cocotes da Corte, escravas e índias não lhe deixavam tempo livre. Ele dava um duro danado ! Não iria permitir que o pau-brasil entrasse em extinção ! Como o povo era analfabeto e, quem sabia alguma coisa era em um português ruim, compilou algumas coisas daqui e dali, das Constituições de "umas línguas esquisitas" e desconhecidas destas plagas. Finalmente, o "copy-and-paste" ficou pronto. Ele, todo orgulhoso, agora efetivado como o Imperador, quis mostrar a sua obra prá Domitila. Na realidade, a sua obra ele já tinha mostrado prá ela. Queria mostrar agora a Constituição que havia feito (ela nem ficou sabendo que era uma compilação feita às pressas). Quando ela chegou prá ver, ele estava deitado, repassando algumas coisas. Ela ficou tão entusiasmada com a obra dele e com as outras partes também, que comemoraram a tarde inteira. Decorrente disso, a Constituição ficou um pouco rasgada, alem das manchas inevitáveis. Por esse motivo, ela ficou conhecida depois como a Constituição da Mandioca. E também criou a tradição brasileira de copiar leis que nem se sabe direito como funcionam, redigidas na base da sacanagem e depois ter que remendar um monte. Ainda assim, doutos estudiosos da Lei ficam procurando hermeneuticamente a sua essência e coerência. O espírito do Legislador tresandava com as peripécias da Domitila, saibam eles.
Você, que está tendo uma paciência de Jó de me acompanhar nessa estória maluca, deve estar perguntando (se está prestando atenção, claro), onde é que entra o Roy, a São Francisco, etc. Não se apresse. Esse é um estilo esquartejador: vamos por partes. O bom e o gostoso é ir devagar, sem pressa, usufruindo o momento, etc e tal. Aliás, esse era um dos segredos do nosso ex-estagiário Pedrão-toscafumo e agora efetivado como o sagrado Imperador.
Enquanto isso, a Domitila tinha se instalado: dormia no palácio do Cacete, isto é, do Catete, e até já deixava as calcinhas no banheiro. Domínio total. Mas, era chegada a hora ! Precisava adequar a agenda. O Imperador, tão ocupado. O Roy se dividindo entre ela, as escravas e índias. Ela, com os estivadores de Santos. Não era suficiente. Não custa lembrar que nesse tempo o comércio internacional era pequeno, poucos navios, e, basicamente feito por ingleses e portugueses. Sabe-se que ingleses são mesmo meio boiolas e português é burro, e não jumento. Com isso, a Domitila já andava dando assistência pro povo, com o Flaubert na cama. Não, não era sexo grupal. Enquanto o valente exercia sua hidráulica função, ela se deleitava com "Madame Bovary", "Mulher de trinta anos", etc. Enfoda. Diga-se, enfado ! Principalmente com os portugueses. Com os ingleses era mais um rock !
Ela, com todos os meios legais (e, principalmente os meios) que tinha, convenceu o seu amado Imperador a instaurar em São Paulo uma Faculdade de Direito. Dizia ela: "Olha, Pê, nosso querido Brasil merece ter uma Escola de Direito. Com isso, Vossa Majestade fará uma grande Nação, respeitada diante dos demais países. Seremos uma Nação de primeiro mundo ! Chega de colonialismo ! Por que vamos mandar nosso cérebros (na realidade ela estava pensando em outro órgão, mais embaixo) estudar em Portugal, se já somos uma Nação independente e você, o nosso Defensor Perpétuo ? Vamos manter nossos moços aqui, fazer uma lei só nossa. Você vai criar a melhor Faculdade do mundo. Aliás, uma Academia, tendo em vista a sagacidade e inteligência do nosso povo, seus súditos. Pense nisso ! Todas as mulheres do mundo vão se curvar prá você ! "
Pronto ! Estava dita a palavra mágica. Diante desse argumento poderoso de que teria todas as mulheres do mundo curvadas diante dele, ele despertou. Disse que iria pensar a respeito. O outro argumento, também fortíssimo era que Domitila fazia suas apregoações de maneira entrecortada, visto estar praticamente deglutindo o bilro imperial. Ela continua: "A Academia vai ser lá no Largo do Capim. Você muda o nome para Largo de São Francisco, onde ficam os frades. É lá que mora a amizade e a alegria (a alegria referida dizia respeito ao ânimo com que fazia as suas visitas na Igreja para orar a Deus e pedir perdão pelos pecados que iria cometer com os frades, logo após a confissão). A Academia terá trinta e três alunos, um para cada dia do mês. Enquanto você estiver na Corte, à cada dia, um aluno ficará exaltando e manipulando as graças do nosso Imperador. Eu não sou uma graça ?”.
Assim, o nosso Imperador se rendeu diante desses irrecusáveis argumentos da Domitila e pensou na lei que iria redigir. Ela saiu assim, no imperial pensamento:
“CREAR-SE-Á o curso de Sciencias Juridicas e Sociaes na cidade de São Paulo e, no espaço de cinco anos se ensinarão as materias seguintes:”. (Isso mesmo: espaço de cinco anos. Vê-se logo como é terrível a vida de um amante da última flor do Lácio. Espaço mede-se em centímetros, tempo em segundos. Logo, não existe “espaço-de-tempo”. Mas, fazer o quê ? Até a Bíblia contém essa asneira. Não há livro, até Nobel, que não cite besteira tamanha. Exceção feita, exclusivamente a Machado de Assis, claro. Mas, o que tem isso a ver com o texto, o contexto, a estória da História ? Nada. Apenas é um desabafo ! Portanto, volte-se ao relato:)
Como foi dito, a Domitila estava ali, a exercer a sua função que seria futuramente uma tecnologia exportada para o mundo e popularizada pela Monica Lewinski. Com isso, o nosso defensor perpétuo, acompanhando atentamente os trabalhos por ela realizados e, participando também ativamente, vez por outra emitia algumas palavras desconexas, alguns neologismos tupi-guarani criados pela índias, como é praxe acontecer nessas horas. A grande infelicidade histórica é que o imperial cidadão, ao invés de se dedicar a gozar o momento exclusivamente, além disso, ia escrevendo o artigo da lei. Ficou tão entusiasmado com a idéia, tão convencido com os argumentos linguísticos de Domitila que o texto ficou entrecortado, confuso e prolixo. Assim:
"Crear-se..........ahhhhhhhh! ôôôÔÔô............. cursosssssssssssssss ! de Sciencias Juridicas e Sociaes na Cidade São Paulo e ............outro %$&+++++!#$%! ¨!!! ..............oh! linda !..........ssssssss !#$$!%¨*!"? no espaço de cinco anos e em nove Cadeiras se ensinarão as matérias seguintes: ".
Com essa brilhante defesa oral da idéia, Domitila conseguiu extrair do Imperador o rascunho da Lei que criaria então a Academia de Direito do Largo de São Francisco. Ela também conseguiu extrair algumas gotas mais dele, porém a matéria extraída em nada tem a ver com o desenrolar da nossa História. Logo, ela cuspida fora. Não sem antes, a eterna dúvida entre cuspir-ou-engulir. No caso concreto, conta-se que ela cuspiu. Logo, cuspiu.
Você sabe que nossos leis são imensas ? Pois deve saber também que elas são aprovadas bem menores. Depois de aprovadas, parlamentares incluem artigos que lhes beneficiam diretamente. São coisas bem nacionais, você sabe... Pois saiba que isso começou com a edição oficial do artigo que viria a criar a nossa Academia de Direito.
Quando o Visconde de São Leopoldo pegou o rascunho da lei, não teve dúvidas. Preencheu as lacunas, acertou aqui e ali e a lei ficou assim:
Crear-se-ÃO (lembra do hummmm!!! ?) DOUS (para dar concordância verbal) cursoS (lembra do sssssssssss!!! ?) em São Paulo e OLINDA (lembra do Oh ! Linda !) etc, etc, etc.
Então, além da Academia em São Paulo, surge de uma canetada uma outra, por obra e graça de tal Visconde. Procurou os políticos de Pernambuco e, diante de uma módica doação de um terço das terras do Estado para ele, vendeu-lhes a possibilidade da criação de uma Faculdade de Direito no Estado. E ele queria, pessoalmente, escolher a cidade: teria que ser Olinda. Os políticos de lá, apesar de não entenderem direito o que estava acontecendo, aceitaram a idéia no ato. Afinal, a terra que seria "doada" não era deles mesmo ! Haviam apenas se apropriado delas, ficando tidos como donos. E ainda nem havia um movimento de sem-terras. Então, dar algo obtido de graça era uma ótima transação. Inclusive porque, com isso, ganhariam as próximas eleições. Imagine: assim, do nada, surgir uma Faculdade de Direito, em Olinda ? Certo é que teriam que explicar qual seria a utilidade prática de se estudar Direito ali. Algo assim, como comprar, numa promoção, um sapato dois números maior, apenas porque é mais barato.
Dessa situação, criou-se também a tradição política de formar um balcão de negócios com as situações criadas no poder (e no foder): vende-se o apoio, vende-se a oposição, vende-se a desistência da oposição, vende-se a desistência do apoio, vende-se uma segunda interpretação de uma lei, vende-se uma distorção da lei e etc. Tornou-se uma prática tão contumaz que, posteriormente evoluiu para apenas "vende-se". O agente da passiva se negocia depois. O que importa é ser eleito pela sagrada vontade do povo e revestir-se do direito de ser "vendedor de benefícios" e criador-de-dificuldades-para-vender-as-soluções".
Havia já o Carnaval. Nesse período todo o povo não pensa em outra coisa. Época excelente para editar, em plena terça-feira, uma leizinha, que ninguém vai notar. Isso também virou hábito parlamentar: enquanto o povo se esfalfa na folia, futebol e feriado, eles aprovam leis se auto-locupletando.
Quando chegou o Carnaval, de madrugada, ele escreveu do jeito que havia vendido a lei e divulgou, em nome do Imperador (que tinha ido passar o feriado prolongado em Búzios, fantasiado de pau-brasil):
Lei de XI de Agôsto de 1827:
Dom Pedro I, por graça de Deos e Unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional do Brasil.
Fazemos saber a todos os nossos subditos que a Assembleia Geral decretou a lei seguinte:
Art. 1º - Crear-se-hão dous curso de Sciencias Juridicas e Sociaes, hum na cidade de São Paulo e outro na de Olinda.....
Com isso, apesar das trapalhadas, das safadezas e sacanagens políticas (não as de Dom Pedro e Domitila) ficava criada a Gulosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Era conhecida assim pelos íntimos. Para todo o mundo, era a Gloriosa. Ela, a única Academia criada pela manifestação de vontade do nosso Magnânimo Imperador. Vontade essa manifestada duramente por ele, cujo teor saiu de sua boca Imperial, estimuladas pela língua da Domitila.
Você, atento leitor desses relatos, há de ter-se feito uma pergunta, sagaz e inteligente que é: trinta e três, um para cada dia do mês ?! Sim. Domitila sabia que a Prudência é a mãe da Sabedoria. Dá de um afrouxar, faltar ou qualquer intercorrência ! Por isso, dois reservas.
Seriam esses trinta e três valentes que fariam leis, defenderiam idéias novas, seriam escritores, poetas, presidentes, enfim, seriam a liderança e a inteligência brasileira: fariam a História do Brasil. Não sem antes fazer as delícias da Maria Domitila. Quanto ao Roy, seria um dos primeiros trinta e três. Estava ali como fiel escudeiro da patroa, pois que já sabia fazer direito. Iria organizar a coisa. Mas essa já é outra estória.

Roy Babbosa - psicografado digitalmente

XI de agosto, CLXXVII

domingo, janeiro 28, 2007

A Química e a Política Acadêmica

É comum o uso da expressão “química” para referir-se à empatia, no relacionamento interpessoal. Teria ela o mesmo significado, em se tratando de política acadêmica ? Pelo observado no transcorrer do processo eleitoral para o “XI de Agôsto”, parece que sim.
Houve uma profusão de alegações-droga entre os partidos, utilizadas como argumentos eleitorais. Sabe o leitor que química ou bioquímica em nada tem a ver, principalmente na Faculdade de Direito, mas foi um fato consumado, observado. Vejamos.
· O Alporão, foi acusado de se utilizar de viagra. Teriam os oponentes medo da dura e real eficácia por longo tempo dessa droga, a lhes dilacerar a existência e os esfíncteres ? Ignoraram o apelo de que ser fundamentalista em Arcadas é, por si, um euforizante natural.
· O Foruim da Esquerda sabidamente se utiliza de hormônio do crescimento, visando a apresentar uma chapa à altura de ser gestão.
· A Escória, inconformada com o fim do seu lapso de glória, insiste no uso de anti-depressivos, e tantas outras drogas para conviver com essa dura realidade. E já teve também o seu tempo de uso de hormônios do crescimento, sem qualquer efeito visível. Há até quem diga que são o verdadeiro placebo: suas piadas não têm mais efeito.
· O Grupo Ruptura, por suas tendências comunistas declaradas toma também certas coisas. É a favor de tomar terras de seus legítimos donos, dinheiro dos ricos, estatizar a Petrobrás, etc. Qualquer coisa que seja se dar bem sem ter que ter que trabalhar.
· O Resgate, verdadeira droga hilariante, achou que ganharia com certeza. Mostra evidente que desconhece a comunidade franciscana: 2300 partidos. Mas passaram o processo todo em risadas. Riram por último, contradizendo até o ditado popular.
· O Forum tomou também a droga de decisão: Forum por Forum, que seja à Esquerda.
· O Purpurina também toma, desde que seja no formato GG de supositórios, preferencialmente muscular.
Por essas e por outras é que o resultado final foi a conhecida overdose. Ao invés do debate sobre o que seria o melhor para o XI, as Arcadas e os alunos, foi uma campanha sobre drogas, em uma época tão flagrantemente anti. Por isso venceu uma droga vencida, anacrônica e sem qualquer dos efeitos prometidos na bula, isto é, no decantado programa. O letal efeito é que teremos que viver um longo, muito longo 2007 comprimidos sob os seus efeitos colaterais, terríveis para aqueles que sabidamente têm alergia a droga de comunistas.
Devido a esses grave ocorrido, seria de bom tamanho que a RD providenciasse a inclusão urgente de aulas de Química no currículo. Assim, franciscanos poderão ao menos votar em uma droga que funcione.


Arcadas, CLXXX, XI de fevereiro

quinta-feira, dezembro 21, 2006

A São Francisco e o Segundo volume do Código Da Vinci

Uma resenha literária
O livro, em seu primeiro volume, investiga o que seria o verdadeiro Santo Graal. Alguns não gostaram, outros falaram que o texto é muito longo, que poderia ser mais conciso e etc. O certo é que a maioria gostou: vende barbaridades.
No segundo volume do Código Da Vinci, vamos encontrar finalmente a resposta para a magia que tem a Academia do Largo. Ainda não lançado no Brasil. Se demorarem muito prá lançar, rapidinho que a gente encontra uma edição pirata chinesa em qualquer camelô, a dois real.
Não pretendo aqui tirar o seu gostinho da sua leitura, mas, enquanto o dito não sai, conto prá você, ao menos a parte que nos toca, franciscanos que somos, interessados em conhecer as Histórias incríveis dessas Arcadas. Essa garanto ser a maior delas. Acompanhe. Não reclame que o texto é longo, que isso ou aquilo. Isso é uma resenha e são muitas as idéias. Paciência.
No Capítulo XI, o autor nos leva ao caminho que demonstra cabalmente que passa pela Sanfran o Santo Graal. Isso é coisa que umbiguista nenhum poderia imaginar. Então, a magia não tem nada de magia, nem de feitiçaria, nem de nada. É pura coisa do Divino !
Para levar você, nada melhor do que as palavras de Roy Babbosa, calouro da primeira turma da Gloriosa, 1828. Afinal, ele viveu tudo, sabe de tudo. Ou quase, já que mantém dp naquele misterioso direito da propriedade horizontal. Diz ele que esse ano vai ! Vamos aos fatos.
Lá pelos idos de 1800, reinava literalmente a rainha, “Maria a Louca”. Na realidade a augusta madame era louca, mas era “louca prá transar” adoidado. Como não pegava bem tal qualificativo para uma Rainha, encolheram a adjetivação, para “a Louca”. Ficava lá o Dom João com seus afazeres e a Maria pelo aí da vida. Diz-se que era pau prá toda obra, incansável. Conforme Freud explique, embora naquela época nem houvesse nascido, o gajo arranjou uma esposa idem, imagem da mãe, até no nome. Disso sobrevieram-lhe vários pimpolhos. Afirma o autor do Da Vinci que a Maria, agora a outra, a querida esposa, certa vez cismou de esquiar nos Alpes suíços. Na realidade não sabia esquiar, a Antonieta. Espanhola que era, gostava de lubrificar a castanhola. Então, ficava lá, transando com um, transando com outro e etc. Aquela monotonia. Disso sobrevieram-lhe vários pimpolhos. Uma de suas vítimas foi um nobre da Dinastia Merovíngea que, segundo o Código, é descendente direto da filha de Maria Madalena com Jesus Cristo. O Sangue Real, o Sangraal, o Santo Graal. Decorre que, à essa época, nada de camisinha, nada de pílula, de tabelinha e outros recursos. Por isso, nasce-lhe um legítimo filho da puta, mas com sangue real: Dom Pedro. Que seria Primeiro, posto não haver outro anteriormente. Afinal, já éramos brasileiros e não mais portugueses. Nosso Defensor Perpétuo, o criador da Escola de Sciencias Sociaes e Jurídicas de São Paulo, a nossa Sanfran. Outros detalhes sobre a criação você terá em capítulo próprio, no livro A História Apócrifa das Arcadas. Mas aqui fica o que interessa: a Academia foi criado pelo sangue real. Logo, ter o espírito franciscano é mero bom senso, conhecer os fatos.
Como Imperador, o nosso Dom Pedro fazia muito uso do seu poder moderador, principalmente focado nas dondocas da corte. Especializou-se tanto nesses afazeres que, quando retornou a Portugal, deram-lhe o título de acordo com o local onde mais permanecia ou trabalhava: Dom Pedro, Quarto. Com o uso de seu democrático poder, consta então que espalhou rapidamente esse sangue real (na forma de outras secreções) pelos quatro cantos do país chamado Brasil.
Logo logo esses meninos iriam fazer o quê ? Estudar Direito naquela insignificante cidade de São Paulo, à época com a incrível marca de doze mil habitantes. Delineava-se a tarefa de continuar com eles a cuidar desse seu legado, ser a inteligência e o espírito da Nação. Por isso viria a ser conhecida como o Ninho de Águias, as Arcadas. Pululava por aqui, vindos dos mais extremos lugares, o tal do sangue real. Daria boa coisa, por certo. Deu.
Mais tarde, talvez por um gen mais tímido, manifestar-se-ia o espírito da mãe. Entrariam moças nas Arcadas também. Assim pode-se explicar o porque dos bigodes das franciscanas. Seria herança mendeliana da Maria Antonieta ?
Sete de abril é o Dia do Fico, homenagem a Dom Pedro, que se foi. Deixou porém sua semente, sangue real, em Dom Pedro Segundo. Esse então, um avião, em pleno século XIX. Durante longos quarenta anos deixou parcelas significativas de sangue real nas moças dos coronéis. O verdadeiro culto da vassalagem, chamado Banalidades. Num casamento, antes, a primeira era dele. Especula-se inclusive que aquele canto que temos hoje, paródia até: “Primeira, Primeira, eu sou da Primeira” remete-nos a ele. Não me pergunte o que fazia aqui um hábito da Idade Média. Vivemos ainda hoje, pleno século vinte e um na idade média. Eta paisinho atrapalhado !
O sangue real, que percorria a Europa em gotas, por séculos, no Brasil virou enxurrada, enchente, Tsunami. E, sabe como é, um cidadão que tenha o sangue real correndo nas veias, não iria querer, nada mais, nada menos do vir estudar nas Arcadas. Jamais aceitaria uma segunda opção. Com isso, tivemos e temos o afluxo de um sem-número de franciscanos com o dito sangue real. Por isso, para esses, fuvest se tira com um pé nas costas. Um divino aproveitamento.
Por certo não sou um desses divinos, descendentes diretos do Filho de Deus. Vá lá que foi com uma prostituta, mas sem discriminações. Dona Maria não ficou prá trás. Maria Domitila não deixou por menos. A Peruada taí, prá não deixar mentir.
Assim e por isso essa aura, magia que paira sobre as Arcadas. Besteira quando se fala em Olinda, criada depois. Pergunto: caso hoje se descobrisse que Einstein tinha um irmão gêmeo, o que ele seria mais, além de ter sido irmão do irmão dele ? Absolutamente nada. Ser irmão de um gênio, mesmo gêmeo não lhe garante genialidade. Por isso, quis o divino desígnio que o sangue real se dirigisse para as Arcadas e foi aqui que ele germinou, cresceu, criou e tornou sacrossanto esse Pátio que pisamos.
Tudo isso, ou quase isso, afirma-nos o autor, em seu capítulo XI. Diz mais, até: que a prisão do Mestre ocorreu porque a Santa Ceia não foi nada mais nada menos do que um Pindura bem dado. Em não havendo delegacias à época, levaram-nO ao Sinédrio. Que os que o acompanhavam, agiram feito calouros, amarelaram e fugiram. Houve até um, covardão que fugiu e foi lá, sorrateiramente, pagar a sua parte na conta. Ficou com medo da lenda que diz que ser incluído no BO poderia atrapalhar a sua carreira, concurso público e etc. Isso é balela. O próprio Pôncio Pilatos criou o precedente da não-tipificação como delito. No Inquérito afirmou: não vejo crime nesse Homem. Quer mais ? Com isso, liberou geral. Formou-se o precedente. Como aquele outro foi afoito, fez besteira. Amarelar no Pindura é grave, mas também não era o caso de se enforcar por isso. Queimou o próprio filme, prá sempre. Era só ir lá e dar outro Pindura corretamente e pronto. Mas parece mesmo uma sina: todo ano calouro faz isso. Medo. Teve até aquela caloura ficou espetada nas lanças do Julius Frank. Um exagero.
Ainda há outra coisa a considerar, quanto ao Pindura naquela santa ceia. Primeiro, não consta que tenham cantado a trova. Depois, dado que o suicida pagou sua parte, em trinta dinheiros, infere-se que a conta total nem chegou a quatrocentos. Uma bagatela, convenhamos. Talvez pelo número: conta-se que estavam em doze. O recorde, nesse nosso século vinte e um é de 21. Porém, não devemos querer tirar o mérito daquele. Afinal, foi o primeiro e dado pelo próprio Mestre. Um ensinamento que não está escrito, como todas as tradições franciscanas.
Diz também que o Batismo do Jordão não foi mais do que um prenúncio do que viria a ocorrer hoje, com o Batizado na Sé, quando o calouro é ungido franciscano. Coisa que dá até sindicância da Diretoria. Noutra passagem, relata que a noite passada em orações no Monte das Oliveiras originaria a Vigília do Peru, quando franciscanos heróis esperam dentro das Arcadas a chegada da Peruada. Conta também que o gênio Da Vinci, ao pintar a Monalisa, aquele sorriso maroto não era previsto, mas ela assim sorriu, enigmaticamente, ao vislumbrar cenas do que viria a ser a Peruada. Enfim, o história do Santo Graal mais parece a História das Arcadas. Impressionante !
Com todos esses indícios, podemos prognosticar alguns erros elementares na postura de alguns franciscanos: esse negócio de cuidar dos males do mundo, tal a imensidão, é coisa só pra Deus mesmo. Que valores essenciais e absolutos como o Belo, o Justo, o Bom, o Santo, a Beleza, são perenes e atemporais, não cabendo qualquer tipo de resgate, retorno a eles. Eles são, sempre. Tendo esses valores fundamentalmente como pauta de conduta, o presente torna-se igual a um passado grandioso e um futuro auspicioso, posto que são sempre a mesma coisa. Já para beber cerveja no Porão não precisa nada disso. É só chegar meia hora mais cedo.
Chega, não conto mais. Vão ficar, leitores afoitos, pensando que essas são coisas minhas e vão querer me crucificar. Apenas transcrevo psicograficamente o que vai no livro, em seu segundo volume. Por ser absolutamente fundamentalistas em valores das Arcadas, compreendo e respeito quaisquer outras manifestações fundamentalistas em relação a outros valores contidos nos assuntos do livro, ao qual me restrinjo a viajar sobre ele. Portanto, fica frio, don’t worry, be happy...
Apenas para variar, cito que Dom Pedro Segundo, em suas andanças pelo Nordeste, instilou lá também um pouco do seu sangue real. Parece que também nas cercanias de Garanhuns. Por isso, especula-se se o Mula não teria aquele sangue real. Porque, de mecânico a Presidente, reeleito, só assim mesmo. E que ele ainda por cima exporta seu sangue real: deposita-o religiosamente nas Ilhas Caymann, juntamente com o sangue e o suor de cada qual de nós, brasileiros. Os que o ainda defendem, ficam bravos, pedindo: deixa o homem trabalhá ! Aí o leitor pode perguntar o que tudo isso a ver com a história. Digo: nada. São divagações. Retornemos.
O que vai acima é a total expressão da verdade do que se depreende das possibilidades aventadas pelo autor do Código Da Vinci. Ou não.
O que não consta é que onde há Deus, há o Diabo. Disso nem mesmo a São Francisco escapa. E que nem o Apocalipse poderia prever tamanha insanidade, prenúncio inequívoco do fim dos tempos: deixar os comunistas tomando conta do XI. Aí já é demais...

Roy Babbosa
Uma psicografia digitalizada
Arcadas, XI de dezembro, CLXXIX