sábado, fevereiro 26, 2011

Tiririca rides again!

Com a indicação de Tiririca, nosso nobre Legislador, para a Comissão( porcentagem não declarada) de Educação e Cultura da Câmara, fica muito claro o recado dado pelo nosso inoperante Congresso Nacional: o eleitor só é usado mesmo para colocar-nos aqui, regiamente remunerados. Depois, fazemos o que bem nos interessa! Esse é o Estado do nosso Direito.

Eleito por um milhão e trezentos mil boçais inguinorantes, com a candidatura aceita por alguns poucos boçais supostamente não inguinorantes, posta-se lá o digno Deputado, na função de Legislador. A escrever severas leis, com não tão severo cumprimento. 

Tiririca foi eleito na onda de "não precisa ser alfabetizado para governar", instituída pelo grande Líder natural, o Mula. O que é até alguma meia-verdade, em se tratando do Executivo. Porém, quando se fala em Legislativo, onde ficcionalmente se elaboram leis a serem seguidas por todo um absurdo País, feito integralmente de boçais, uns inguinorantes outros não, a distância é imensa. Ressalte-se aqui que a boçalidade generalizada reputada  é uma inferência não minha, mas daquele Congresso Nacional, que inclui a sua pessoa leitor, e a minha também. Como Deputado Federal apenas São Paulo, que o elegeu, amargaria a sua patética e divertida e triste atuação parlamentar. Alçado à Comissão de Educação e  Cultura, a coisa fica assustadoramente nacional. Ele então poderá, por exemplo, opinar sobre quais livros de Machado de Assis podem ser indicados para compor o ensino básico. Uma divina comédia! Dar pitacos também no Ministério da Educação, em vestibulares e Universidades. Afinal, agora a Praça é nossa! Autorizado por seus milhões de votos, poderá também opinar sobre Villa-Lobos e decidir também sobre a nossa sofrida ortografia, qual o Mula também fez, por dominar amplamente o assunto.
O que, paradoxalmente, dá-nos um pouco de alento é que ele provavelmente faltará a muitas sessões, cujas convocações são feitas por escrito. Ler não é muito a praia do nosso Tiririca. Para suprir tal lacuna na comunicação, fica então re-lançada a modalidade dos Ledores de El-Rey na Idade Média, a anunciar verbalmente (estes tinham que saber ler, pois não eram eleitos) as vontades dos soberanos de então. Decididamente o nosso Brasil fincou pé mesmo no Feudalismo e nada muda isso...  

Em priscas eras, cantava-se: Brasil: pátria amada, salve, salve! Evoluímos para um estágio de: Deus salve o Brasil! Num depois: Brasil, só com milagre! Depois: Brasil? Deus nos livre! Agora que o Mula surrupiou o crucifixo da Sala da Presidência, a exclamação pode baixar para um palavreado mais chão, menos divino, mas bem mais verdadeiro: Brasil? que bosta!  
Se isso é a tal democracia conquistada, onde é que eu reclamo? Nesse ponto, temos que acabar concordando com a brilhante atuação política da nossa Presidanta: Brasil mesmo, só pegando em armas.
 
 


sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Nenhum homem é uma ilha?

A Ilha

Por esses tempos, em fevereiro de 2004, eu via o meu  bendito nome na Lista da Fuvest. Pastinha debaixo do braço, lá fui eu fazer a minha matrícula nas Arcadas. Aquele Pátio, já meu tão ansiado e antigo conhecido, agora era o meu Pátio! E uma sensação de deslumbramento se apossou de mim de forma definitiva, para sempre. 

Para um feito desses, entrar na São Francisco, merecia eu um presente à altura. Lá fui eu então para Fernando de Noronha. Para descobrir e desfrutar de todo aquele Paraíso. E também para descobrir incríveis semelhanças entre o sonho realizado e o prêmio recebido: as Ilhas. 
A Ilha



Há uma Lista de espera para entrar na Ilha. Certo está que não há vestibular para isso, mas a lista existe. E estar na lista custa caro. Muito caro. Estar lá também custa muito caro. Seria até um roubo, se as coisas não funcionassem lá perfeitamente. Tudo funcionava. Não há ali pessoas que ousem dizer que não estão gostando da visita. Se havia, tinham sido internadas por insanidade antes da minha chegada. Ali se sente a presença de Deus. Diz-se até que Deus fez o mundo como a um treino. Quando ficou bom na coisa, fez Fernando de Noronha. E fez dali a Sua morada. Você sente a Sua presença ali. Se tiver olhos para O ver, verá. A eventual incredulidade do leitor não muda a realidade das coisas. Há algo também muito especial: representa o fim da sua carreira de turista. Tudo o que se vier a conhecer no futuro será tudo muito bom. Porém, quando menos se espera, compara-se o que se vê com A Ilha. Dai tudo fica menos. Dado que fomos feitos a Sua imagem e semelhança, por vezes nos esquecemos disso. Ao estar ali, na Sua presença, lembramo-nos. E, tal Pai tal filho, sentimo-nos Deus também. Verdadeiro espírito santo.

Estava então apto eu a viver cinco mais do que maravilhosos anos de Arcadas. Uma Ilha de Excelência. Cercado de uma mar de mentes brilhantes. Distante de uma realidade de mediocridade que assola esse nosso Brasil. A sensação de circular pelos corredores e Pátio, como sendo aquilo tudo meu, por merecimento. Uma sensação de deslumbramento e orgulho de inscrever o nome na História, meramente por ser seu aluno. E  a oportunidade de efetivamente não ser só um expectador que aplaude ou critica, mas ator, fazendo essa História. São Francisco: não existe um lugar assim no mundo! Inútil explicar a quem não conhece e inútil explicar a quem dela faz parte. Ser Batizado nas puras águas da Sé nos instila o espírito franciscano, indelevelmente e para todo o sempre. Viver no olho do furacão, festas, conviver com pessoas geniais, festas, Pinduras, festas, Vigília, festas, jogos, festas, calouros, festas, A LATRINA, festas,  Pênix, festas, Centro Acadêmico, festas, o Mantra do XI, festas,  Loucademia de Letraz, festas. E a Peruada. Ah, a Peruada. Oba! Além de outras festas, sempre sobra um tempinho para a Faculdade de Direito. Que se faz excelente, pela excelência dos alunos, docentes e discentes. Realmente, um Universo à parte.  
Feita a última, a mais linda e mais triste das festas, a formatura: em cada canto do Largo, eu largo o meu coração.  
Não largo!
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A Pós-graduação, em especialíssimo  na São Francisco, cumpre alguns papéis dignos de nota. O mais comédia é de permitir a alguns alienígenas dizerem-se alunos, quando nunca conseguiram ser calouros nas Arcadas. Isso você vai encontrar nos escritórios e até no STF. Que não culpem franciscanos por serem então vilipendiados pela fraude legal, mas imoral.  Há o louvável, quando alunos-atletas precisam continuar alunos para competirem, e ganharem, em jogos pela Gloriosa. Toda-poderosa Sanfran. Há o admirável, quando alunos precisam galgar degraus necessários para serem antigos alunos a ministrarem aulas aos mais novos. E há o mais sublime e ininteligível aos que Dela não fazem parte: apenas e tão-somente continuar nas Arcadas.     
Disposto a cumprir mais esses papéis, excetuado, graças ao bom Deus o primeiro, faça-se então a pós-graduação.  
Mais uma vez, como troféu compatível: Fernando de Noronha, here I go.  Diz-se que "em time que está ganhando não se mexe". E que a gente se acostuma rápido com aquilo que é bom. Principalmente um franciscano.
De uma beleza absurda e intacta, A Ilha. Estranhamente agora, enfeiada por singelas observações: quebrou; estragou e não foi consertado; não tem manutenção; não tem mais, etc, etc, e etc. Sinal dos tempos. Parece que virou Brasil também. Exceto porque não tem bolsa-família. Talvez até por isso. Sendo que se cobra por dia de permanência, a "diária" deveria reverter em benefícios. O que ocorria. Agora parece que o arrecadado vai para algum caixa dois, como sói acontecer no resto desse País filho Dilma anta. Assim, para rimar com a Beleza da Ilha, a tristeza. Uma rima pobre, certamente. 

Já há algum tempo, correm pelas Arcadas sussurros de uma insatisfação manifesta, porém latente, surda. Alunos são certametne parcela da população geral. Trazem com eles reflexos do que ocorre para fora dos muros desse nos Jardim de Pedras. 

E o que ocorre lá fora é uma mediocridade espantosa, o povo sendo conduzido feito boiada no pasto, a hipocrisia do politicamente correto reinando absoluta, onde "matar os pais a paulada pode e é normal, mas fumar passou a ser crime hediondo". A tão combatida lei do mais forte substituída pela lei do mais esperto. Uma política de pão-e-circo, tão antiga quanto o Imperio Romano, é-nos apresentada como a criação genial de um analfabeto. Certo é que o Brasil não prima por ser nada notável nos últimos quinhentos anos. Mas tenho certeza absoluta que há uma grande orquestração mundial para manter esse famoso paisinho de merda como sendo um paisinho de merda eternamente. E até isso já é previsto pelos espertos: recebe o nome de Teoria da Conspiração. E fica tudo por isso mesmo. E o povo todo, subserviente em sua absoluta ignorância deposita o seu voto, certamente trocado por alguma benesse, confirmando a continuação da pobreza de espírito e da mediocridade de uma república das bananas. Somos agora colônia da China. 


Sem novidades, até então. Sempre houve, mediocridades à parte, certa pequena parcela desse povo absurdo que tinha um cérebro pensante. Verdadeiros cidadãos, que assim podiam ser chamados, realmente. Não burro no pasto.  Dessa parcela dsurgiam os alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Uma elite pensante. a Inteligência Brasileira. Mentes brilhantes, esses franciscanos.

Na vigência da Lei do Mais Esperto ficou vergonhoso ter o que comer. Por falta de palavras, virou moda a ridícula repetição da frase para encher linguiça, hodiernamente sem trema. Copiemos entâo: ficou vergonhoso ter emprego, ficou vergonhoso ser elite de alguma coisa, ficou vergonhoso ser "branco", ficou vergonhoso ser hetero-alguma-coisa, ficou vergonhoso ser inteligente, ficou vergonhoso principalmente ser pensante.   O que dá status mesmo é ser miserável, é ser ignorante e analfabeto, é precisar de cotas para  substituir o esforço próprio, é ser negro coitadinho, é sempre ser de alguma forma dependente do poder público, para reelegê-lo eternamente.


E parece que passou então ser vergonhoso ser franciscano. Ser uma elite pensante da sempre melhor escola do País. Parece haver uma "culpa" em sermos melhores. Uma força maligna que puxa para baixo, para o mais fundo dos infernos. E assistimos então a unibanalização das Arcadas. Isso o que corre surdo pelos corredores.


Turma CLXXXIV


Dizem alguns que esse processo cíclico ocorre feito a ondas, ao longos dos anos. Desses últimos 184 anos. Espera-se que sim. Por isso, quando chega o mês de fevereiro, diferentemente dos brasileiros em geral que esperam o carnaval, esperamos os novos calouros franciscanos. Sangue novo nas Arcadas. 
Apostando neles a satisfação de constatar que habitamos ainda a mesma Ilha de Excelência que nos permite comemorar  naquela nossa tão similar Ilha de Beleza, até nas ondas. 

Nenhum homem é uma Ilha? Somos.


Arcadas, XI de fevereiro, CLXXXIV

sábado, janeiro 15, 2011

A incrível estória do lobo mau e o passaporte vermelho



Mula, o Imperador do Mato Virgem, cujos poderes são atribuídos diretamente pelo Divino, reservou para a sua sagrada dinastia o Passaporte Vermelho. Nada de anormal que seus fiéis súditos possam ter estranhamento. Seres instituídos por divindade estão isentos de prestar contas à ralé da vassalagem. Esporádicos episódios de rebeldia são absolutamente normais e esperados. E prontamente apaziguados os insurretos. Remunerados a vista. 

Sabem os Iluminados que a plebe é assim mesmo. Locuplete-se-lhes. Dê-se-lhes então o pão. Aos não esfaimados, dê-se-lhes circo. E tudo  tornará à quietude da subserviência. 
Já em outros lugares menos evoluídos, a coisa é bem diferente. Harry Truman, após os seus anos na Presidência dos EUA,  deixou a Casa Branca, atravessou a rua e entrou em seu próprio carro, dirigindo-se a sua casa de sempre, não mais a Branca. Sem seguranças também, pois que ex volta a ser pessoa comum, mortal como todos os demais. Já é parte da História a visita que os reis da Suécia  fizeram ao Brasil.  A viagem feita em avião comercial. Certo que, devido as suas reais posições, cometeram o abusado privilégio de viajarem na primeira classe. Isso causou certa perplexidade no Congresso em Escocolmo. Além disso, foram também acompanhados de um representante do país e um tradutor. Claro que estes vieram de classe econômica. Mesmo assim, sob o apupo dos parlamentares suecos, indignados com tais privilégios. Só porque são o Rei  e a Rainha? Há também estórias de outros povinhos. Filhos e netos da Rainha da Inglaterra combateram nas Ilhas Malvinas e também foram mandados ao Iraque. Netos da Rainha não são a Rainha. São cidadãos. Visitando ainda outras republiquetas, na França encontramos o Presidente, devidamente processado em seu primeiro dia civil, após terminar o mandato presidencial. Já em outro paisinho de terceira linha, podemos encontrar o Ministro sentado no metrô ao nosso lado, na Alemanha.

Porém, todas as Nações citadas são da direita fascista reacionária, de capitalismo selvagem, com a exploração do trabalho pelo Capital. Há opressão dos menos favorecidos e a desigualdade social. Onde todos são iguais e assim tratados, com suas desigualdades desigualmente consideradas.

O que não ocorre no Brasil. Os iguais tomam o poder para tornarem-se desiguais, defendendo a igualdade para outrem. Consequentemente, a malfadada desigualade precisa ser depositada carregada nas cuecas e bolsetas. Você sabe com quem está falando? Temos a Constituição mais cidadã do mundo, que inclusive tpor isso em direito também ao Passaporte vermelho. A (facção que rouba com a) esquerda brasileira fez triunfar o socialismo e vivemos num regime que tende, em futuro próximo, à perfeição do comunismo. Aquele mesmo que todos os povos  desistiram de buscar, posto ser a sereia dos regimes. No Brasil vingou a silenciosa revolta do proletariado oprimido. Elegemos a nossa primeira mulher presidente. Embora haja divergências. Como o título do cargo não tem feminino, fica sendo mesmo A Presidanta. Isso feito pelo voto direto do povo, democraticamente obrigatório. A um custo bastante barato até: cem reais para toda a massa ignara. Para outros, um empreguinho aqui, um carguinho ali. uma cota para vagabundo acolá.  Aos obreiros empreendedores, um banco estatal distribuindo fortunas. Sem juros, óbvio, que isso é coisa de capitalista. A serem transferidas para outros paraísos além do nosso. Fiscais, neste caso.  Aos detentores do poder de eventual veto, chamados pelo povão de pra-lamentar, um estímulo pecuniário mensal. Tido como absolutamente legal e moral. Completando o dantesco quadro, a oposição só pode apoiar, já que ela faria e fará o mesmo. Em time que está ganhando não se mexe, diz o povão. Intelectuais preferem a pompa do modus operandi do status quo. 

Assim são os gênios. Adam Smith descobriu que, para ficar rico na Bolsa,  o segredo é comprar na baixa e vender na alta. Marx descobriu que quando a gente não tem nada e precisa até mandar até a filha fazer miché, o melhor sistema a ser proposto é fazer com todos os que têm muito dividam... comigo. E o Mula, muito mais genial do que Montesquieu e Tocqueville juntos, percebeu que é mais fácil preencher o bolso do eleitor obrigatório, do que ficar tentando convencê-lo com ideologias bestas que ele não vai entender jamais. O ovo de colombo eleitoral.  Enquanto a sociedade pensava em financiamento público de campanha, ele apresentou pronto o projeto realizado de Eleição por voto comprado. Sistema bem mais eficaz pois, efetuado o depósito em conta, prescinde de eleição e já se prepara a posse. E todo o processo de campanha, necessário por ser pecuniário, possiblita outro caixa dois, tornado institucional. E ainda, de forma também genial, respeitou a Representatividade do Estado de Direito: para um povo de bandidos em potencial, elegeu uma assaltante de bancos, que lutava ferrenhamente pela redistribuição de renda alheia.  Santa e genuína representatividade. Montesquieu descobriu que o povo é ignorante. Mula percebeu que ele quer dinheiro: é só depositar em conta e preparar a posse. 

Como criticá-lo, ser oposição, se ele descobriu para mim como fazer na próxima eleição?  

O povo costuma dizer hoje, após oito anos de destemperanças: é melhor estar ao lado do Mula. Se segui-lo, ele te caga. Se na frente dele, ele te fode. Melhor ao lado então.  

O Mula não pegou um Passaporte vermelho para si próprio, porque pensou que Passaporte fosse whisky - ele só conhecia o odieiti - e ele gosta  é de pinga com limão. Por isso, ele merece, mesmo já como ex, como mentor da revolução do proletário ele-mesmo e dinastia,  realizar o tão desejado sonho de consumo da classe média... dos anos sessenta: imagina só, cumpanhero! Eu, passando uma semana inteira de férias no Guarujá? Tudo di grátis e ainda protegido pelos milico? Vixe! Isso é que é um sistema du bão mermo!



sábado, dezembro 11, 2010

FGV, a melhor Faculdade de Direito?

            Pela primeira vez nos exames da OAB, alunos da GV, por expressiva aprovação, colocaram a sua Faculdade em primeiro lugar em São Paulo e em segundo, em termos nacionais. Congratulações! Parabéns, mesmo!

Para fazer um breve passeio por esse episódio, vamos desconsiderar que também é a primeira vez que a FGV organiza os exames aqui considerados. E que, clonados da excelente Faculdade de Direito de Harvard, verdadeira Sanfran da Commonwealth, há que se considerar um excelente merchandising aos futuros calouros de 20XI, que lá entrarão. Contribuindo com a bagatela de quatro mil reais. Mensais. Para poucos. Difícil de estar, não de entrar. Clonada também a essência do Capitalismo. A mim me parece ótimo. Um dia esse nosso encantado país teria mesmo que sair do Feudalismo e entrar finalmente na Era Capitalista. Ainda que com trezentos anos de atraso. Parabéns então, de novo à FGV, por essa abertura dos portos! Nosso povo vassalo fica lhes devendo essa. O que é um bom começo. Ressalte-se, mais uma vez que, apesar de isso ser fato consumado, não tira o mérito dos alunos aprovados e da conseqüente colocação da Faculdade, em termos estaduais e nacional. 

E onde entra a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco nessa estória? Não entra. Quando Paul McCartney decidiu vir ao Brasil, pouco se lixou para a existência do atual sucesso do Restart. Nome que é um pseudônimo. O nome verdadeiro é Delete. Muito embora exista uma Kombi de  windows 7 admiradores do trash, ficamos nós lá, apinhados no Morumbi, naquelas noites memoráveis. Para ser grande, sê inteiro(infernando pessoas).

O intrincadíssimo painel de um avião, por vezes mal-comparado ironicamente à lógica da mente feminina, permite que se faça uma viagem de sucesso. Desde a decolagem até à aterrisagem. Cada componente pertinente àquele sucesso é continuamente monitorado. Todos eles têm que funcionar, independentes e sincronizados. O resultado final, o sucesso esperado. Ou não.

Os adoráveis calouros que aterrisam, feito às águas de março, nas Arcadas têm que ter sido admiráveis. Para estar no extremo direito da curva de Gauss, ser parte de dois por cento sobrenadante em um caldo de feras tem mesmo que ser a nata. E passar a viver nas nuvens, a trinta mil pés de altura... e de distância dos minúsculos terráqueos, vivendo com os pés no chão.

E é ai que pode nascer o engano. Um passo tão grande, diante da viagem, será apenas o start. Não Restart, não se confunda. A viagem de/ao sucesso não tem piloto automático. Cada maldito reloginho do imenso painel  deve ser checado a todo instante. A envolvente e deslumbrante vida nas Arcadas pode fazer com que diminuta parcela de franciscanos eventualmente se descuide. Talvez uma ressaca tardia da maravilhosa Peruada entorpeça mentes. Ou ainda o amargo sabor de entregar o XI obnubile certos grupos. E eles então venham a constituir os XI% que não cumpram a tarefa de averiguar um dos relojinhos, qual a provinha da OAB.

           Na meritocracia, privilégios  conquistados trazem grandes responsabilidades. A paisagem externa, acima das nuvens, mais perto de convívio com Deus e distante da pequeneza dos homens, o fascínio que exerce essa jóia multifacetada chamada Arcadas, o convívio entre mentes brilhantes, o exercício diuturno do animus jocandi, a incessante luta para manter a humildade.  Essas e outras são coisas que podem momentaneamente fazer com que alguns poucos franciscanos percam a noção de que a viagem, muito mágica com seus mistérios só se coroa de êxito com a aterrisagem. E no retorno à estranha sensação de passar a viver com os pés no chão, que não são o familiar Jardim de Pedras. E a rotina não mais se faça entre brilhantes, mas com terráqueos, agora não mais microscópicos, dada a proximidade. . Enfim, o treinamento nas alturas foi feito para se aprender a viver a viagem real, aqui embaixo mesmo.

           E nada desse circunlóquio tira o mérito dos aprovados da FGV, que continuam a merecer cumprimentos pela façanha alcançada. Inclusive agradecimentos especiais, pois é sempre bom lembrar que alguns tapinhas brasileiros em algum relojinho emperrado possa trazer tudo ao status quo ante. Por outros 183 anos mais.

             Mas, e quanto ao título desses escritos: FGV, a melhor Faculdade de Direito?
               

Bazinga!!!!!!!!!!!!!


Arcadas, XI de dezembro, CLXXXIII
Leia o Livro
Arcadas: segredos, magia e estórias

quinta-feira, novembro 25, 2010

Lovely Paul: o show e a Beatlemania

Um abraço MUITO especial

Três quilos em suor, atividade saltitante aeróbica comparável aos quatro mil orgasmos de Blackburn, Lancashire, treze horas de overdose alucinógena suficientes para uma Magical mistery tour . E três horas do mais puro amor com 64 mil pessoas ao som hipnotizante de um garoto: Sir  James Paul McCartney. Para todos, apenas Paul. Eis o domingo, indescritível, incrível, inenarrável e maravilhoso, 21 de novembro de 2010.
       
Depois disso, quatro noites de um sono inconciliável, acompanhado de uma frenética e compulsiva captação de todas as imagens e sons buscáveis na net, para uma pastinha singelamente denominada: domingo.
Por fim, diante dos olhos, da mente, do espírito e, principalmente do coração, a resposta. Isso sempre teve um nome, perdido no labirinto dos tempos: BEATLEMANIA. I've just seen a face I can't forget the time where we just met.
Não havia exagero na Beatlemania. Ela já era a própria expressão do exagero. Com tudo o que se tem agora disponível em comunicação para tornar o Planeta Terra um ovo, fica muito difícil imaginar como é que se sabia quase que imediatamente tudo o que ocorria  no mundo todo, no que se referia aos Beatles. Havia, nesse nosso sub-imundo Brasil, o rádio. Talvez uma telepatia emocional. Talvez qualquer coisa. Mas, com certeza, uma coisa: sabia-se quase que instantaneamente de tudo. E embora não tenhamos tido a sagrada graça daqueles meninos por esse nosso fim de mundo daqui, a Beatlemania tomou conta de tudo, feito a um tsunami. Quando da apresentação do filme A Hard day's night(aqui chamado de os Reis do ié-ié-ié, motivo de riso para os fabfour)  houve, nos cinemas por onde passou, uma quebradeira generalizada. Alguns ficaram completamente destruídos. Quantos, não sei dizer. Mas, com absoluta certeza, dois. Como testemunha ocular e partícipe.
Por que é que pessoinhas quebram tudo, assistindo a um filme, por sessenta e sete vezes, de quatro malucos na tela? Sabe-se lá!
Por que é que alguém acaba sendo preso por roubar uma capa, apenas a capa, de um LP, porque a foto era inédita? Mais tarde, muito mais tarde, vim saber que havia sido liberado por via do princípio da bagatela. Mas a bagatela está muito bem guardada comigo. 
Por que é que de cada três habitantes da Terra, um tem algum disco dos Beatles? Algo em torno de dois bilhões de discos vendidos. E um Guinness particular, apenas para eles. Como compilar um inusitado disco contendo 27 primeiros lugares que se torna o 28º?
Por que a compulsão de ter tudo, saber tudo e querer tudo o que se refere aos Beatles? 
São infindáveis as perguntas sem resposta. Pergunte à Beatlemania. Como ela não é uma pergunta, mas uma resposta, cria-se uma tautologia adorável.  
1964
 Enfim, a Beatlemania, um alucinógeno em overdose natural, torna a vida uma absoluta loucura insana agradável de ser vivida, abre as portas da percepção e da criação e nos leva para uma mágica e misteriosa viagem por longos e sinuosos caminhos. Como naquele Maracanã, com suas noventa mil pessoas cantando, chorando e pulando junto
Quem, naquele domingo esteve ali, sabe o que tudo isso significa.  Mesmo as mais poderosas câmeras não conseguiam captar com nitidez as imagens. Mas a nossa retina muito bem as captou e guardou-as no coração. O sentimento chamado Beatlemania não é para ser contado ou explicado, mas apenas para ser vivido.
Obrigado, Paul! Por existir, por ter sido e ser a Beatlemania e por tê-la nos trazido de volta, mesmo que por fugazes 180 minutos, para esse estéril, árido e desolado mundo de 2010, que pede por Socorro!

Luiz Gonzaga

domingo, novembro 14, 2010

Uma noite memorável

Uma noite memorável, o XI/XI. Iniciando-se às 18:27h o lançamento Nacional do livro As Arcadas: segredos,  magia e estórias. 

Hideo, o Arauto da Morte, o anunciador de eventos na São Francisco, geralmente necrológicos, já havia comunicado aos quatro ventos. A Associação dos Antigos Alunos já havia comunicado, coincidentemente aos antigos alunos. Os corredores do Pátio das Arcadas já haviam comunicado, numa das magias desveladas no livro, a todos quantos por ali circulam. Sem sequer dizer palavra, posto que corredores supostamente não falam. Corredores normais, ressalte-se. A imprensa foi comunicada.

O Migalhas, destacando-se, anunciou o Lançamento de maneira bastante peculiar e sintomática: Acontece mais uma estudantada na São Francisco. Desta vez, editorial. As Arcadas, o Livro, será lançado na Livraria Martins Fontes, dia XI/XI, às 18:27h (!).

É interessante notar que a expressão estudantada é um verbete coletivo, delineado ao longo de quase dois séculos, por alunos do Largo aprontando mais uma das suas. Por serem inclusive alguns deles, o povo do Editorial do Migalhas sabe bem das coisas. Parece até que já leram o livro. E leram.

As gentes, quando querem entrar na São Francisco, afora alguns que a acham “a” Escola de Direito, da usp, fazem-no porque querem estar na Faculdade da História. Depois de alguns parcos segundos aqui, querem saber que História é essa. E ficam sabendo que a sua página deverá ser escrita pela própria pena. Significa singelamente, no mínimo, participar de mais uma das suas.   

O poeta Cazuza se inspirou na minha pessoa, quando escreveu “eu sou mesmo exagerado”. Certeza.  Só que ele diminuiu um pouco, para não assustar. Levei ao pé da letra a expressão. Escrever a estória de própria pena não necessariamente significa escrever, claro.  O que para alguns é um encargo imenso, para mim, uma diversão. Por vezes, tenho pena da minha pobre pena! E quanto a participar de mais uma das suas, uma cansativa e salutar tarefa, overdose também. Disso tudo, restou uma coleção de memórias coletivas bicentenárias. Não minhas, já que a ninguém interessam as minhas memórias. Nem a mim mesmo. 

Por isso, o anúncio do Lançamento. Engraçado ter que explicar a alguns, o porquê do XI/XI. Pior ainda o porquê dos 18:27h. O Livro é mesmo muito necessário! A idéia central era anunciar que havia alguém das Arcadas aprontando mais uma das suas. É preciso que saibam, para se certificarem que As Arcadas continua a mesma. Por mais estranho que pareça escrever As Arcadas no singular. Mas forço a barra da sintaxe, em licença poética, dado que é singular. Singularíssima. Mas isso também é um outro assunto. Daí a ser anunciado como uma estudantada é uma diferença tamanha. Um orgulho e satisfação.  Algo coletivo sendo feito individualmente. Daí a epifania: havia eu colocado a minha necessária página naquela que é a mais maravilhosa História, a das Arcadas. Dever cumprido.E, aos quantos prometeram o puxadinho no Túmulo, a cobrança da sua contra-prestação naquele pacto sinalagmático.

Além disso, muito gente deu o prazer e a honra de comparecer ao Lançamento. Muita alegria e emoção. Autografar livros para pessoas a quem deveria eu pedir o autógrafo é algo de inusitada felicidade. De livro que deveria ser lançado em XI de agosto de 20XI, antecipado por razões que aqui não cabem, ficará a satisfação de ocorrer como “segunda edição”. 

E, conforme já explicado, o exagerado vai longe. As Arcadas deve se tornar um livro de produção coletiva. Você vai pôr a sua estória ali (por isso, mande-a para mim). Dessa maneira, aquele sacrossanto postulado de que a História das Arcadas é escrita por seus próprios alunos deixará de ser uma simbologia, para ser algo real e concreto. Há o Livro, onde aquele desavisado calouro que pisa nesse Pátio pela primeira vez e toma conhecimento desse encargo, tenha a sua parcela de compromisso em fazer algo, mais uma das suas, e inseri-la nele a sua estória. Não pelas Arcadas que prescindem dele para isso, mas para a sua própria grandeza.

R. Porter
Em cobertura exclusiva para a PÊNIX
XI/XI – o Lançamento d'As Arcadas, o Livro. Uma realidade fantástica

terça-feira, novembro 02, 2010

Uma luz no fim do túnel

Retirei todas as postagens que se referiam ao processo eleitoral. E retirarei este também, tão logo receba as cerca de mil visitas, quando de novas postagens. Este blog se presta, se é que presta, a outros fins que não a politicagem brasileira, muito embora a pertinência o nome A LATRINA.
Após um dia para digerir tão nefasto resultado, é bem propício o Dia de Finados para aclamar a vencedora de tão renhida eleição: a vergonha de ser brasileiro. Como se costuma dizer, por exemplo, "não existe um dia das Mães. Todos deveriam ser o seu dia" assim estamos com o resultado: conviver diuturnamente, por mais quatro anos com a indefectível vergonha de ser brasileiro.  
O grande Estadista Mula serviu para nos indicar a esperançosa luz no fim do túnel: um trem que vem em sentido contrário...
Costumam aclamar Mula como "um homem do povo". Pergunto eu: quem não veio do povo? Mas, com ele a coisa ficou bem clara, transparente: o eleito pelo povo nada mais é do que o seu espelho. Portanto, um ignorante, analfabeto, bêbado e aproveitador. Brasileiro da gema. Decorrente dele, o mesmo povo dando aval a todo tipo de maracutaia e safadezas mil. Por nunca saber de nada, uma aprovação ampla, total e irrestrita. Um país comandado por bandidos, acobertados por seu líder maior, igualzinho. Logo, na eleição seguinte, aquele mesmo espelho: a eleição de um bandido. Tem lógica. Sendo o brasileiro um gérson de plantão, nada mais legal do que um sistema onde ele tenha maior chance de arranjar uma boquinha. Esse negócio de meritocracia é burocracia desnecessária. Para que o suor, se na agora Dilmalândia basta ter carteirinha do pt?

A melhor expressão de triunfo que se viu, nas infindáveis manifestações de vitória: "Chupa Brasil! Dilma presidente". A visão tosca do brasileiro, que trata assuntos como esse como se fora o resultado de uma partida de futebol.
Nas minhas idas e vindas por essa vida afora, oriundo de uma miséria escabrosa, aprendi desde logo que não se deve correr atrás do dinheiro. O dinheiro é algo muito mais caprichoso do que uma fêmea no cio. É preciso que você conheça e cumpra o ritual da dança na sua extensa e intrincada totalidade. Um único movimento, gesto ou atitude fora do expressamente determinado, e você está fora. É algo como o cachorro correndo atrás do rabo. 
O que se precisa é correr atrás do conhecimento. Este sim é acessível e quanto mais você o explora, mais ele se mostra. 

domingo, outubro 24, 2010

Os dois filhos de Francisco (ou: o Forum no XI)

Jornalistas escrevem assim: Forum da Esquerda vence em primeiro turno as eleições para o XI. Não sou jornalista. Aliás, um dos meus hobbies preferidos é apontar as suas frases ambíguas no twitter.

Sabe-se que existe uma região logo acima dos joelhos que, quando fletido a noventa graus e sendo pressionada pelos cotovelos, aciona uma desconhecida região cerebral que nos conduz ao devaneio, verdadeira viagem lisérgica. Esse fenômeno prescinde de intrincadas comprovações científicas, mas tem a sua realidade constatada assim que todos os mortais, e até os imortais, assumam essa postura. Nessa posição, jornal só vai servir mesmo é para encerrar ato tão necessário. Mas isso apenas em caso de banheiros públicos, fim de balada, coisa e talz.   Por isso que o abordado pela A LATRINA se presta, se é que presta para alguma coisa, a viajar lisergicamente pelo ai da coisa. Uma frase você lê em qualquer lugar.

Preliminares realizadas, podemos nos adiantar na coisa. Após o pagamento de resgate por três anos seguidos, agora franciscanos em liberdade abrimos caminho por um mar vermelho. Dilema equivalente só mesmo os norte-americanos têm, quando decidem pegar aquela auto-estrada que liga Boston a Chicago. Sai de uma e cai na outra. E vice-e-versa. Talvez franciscanos, na ressaca pós-Peruada, tenham  confundido entre “ébrios” e “hebreus”. Pode acontecer, sabia? Em se falando em Peruada, tudo pode acontecer...

Filhos da São Francisco são mesmo dois. Posto que as Arcadas andam muito doente, suprimi o “são”. Começarei a desenhar o perfil pelo grupo de menor número. Já que hoje o enfadonho politicamente correto manda defender as minorias.  E também porque estou eu no grupo, o que me facilita, e em muito, discorrer sobre. E também porque é muito mais entusiasmante. E também porque eu apenas quis isso. Poderia ter começado pelo outro grupo e tudo bem também. Vamos a eles.

Apenas lembrando: esses gorgulhos involuntários que você agora se apercebe comprovam a  não-ortodoxa teoria de que é preciso divagar mesmo sobre as coisas, para que sejam-lhe companhia em momento tão sublime. Ou outra marca qualquer, visto que aqui não cabe o merchandising. Para uma dieta tão mal-equlibrada, só mesmo longos textos para acompanhar.

As Arcadas são a casa do franciscano. E ele desfila orgulhoso pelo Pátio, como se uma delas fosse-lhe dedicada. Não está, mas é. E ele a ama de uma maneira peculiar e única. É um amar-se tão grande que consta que Freud, quando desenvolveu a sua teoria do Ego, teve que desenvolver outra, para descrever um franciscano: o super-ego. Que mal cabe no Território Livre. A situação mais incômoda por que passa, visto que não tem problemas, mas apenas soluções, é acomodá-lo com os demais, em coexistência pacífica, embora em ebulição perene. Tradição e História permeiam suas atitudes e pensamentos, num rigor intransigente e absoluto: antes de tudo, as Arcadas. Posto que dela lhe germina a grandeza incipiente. Esse Universo Arcadas é o conteúdo inusitado desse continente ímpar chamado Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Que, convenhamos, é a excelência incomparável que sabemos. Transpor seus umbrais na condição de aluno abre mesmo as portas da percepção e do espírito. E brilha todo, porque alto pensa. É temerária a afirmação que são Deus. Mas que são a Sua semelhança, ah, isso são!

Lá pelos idos de fevereiro, a São Francisco é invadida, agora de maneira legítima e maravilhosa, por um amontoado de calouros. Com suas pastinha característica, os pais sorridentes debaixo do braço, cara de abestado, ávido por confirmar sua matrícula no “Direito usp”. Para alguns, certamente que algum deslumbrado familiar já lhe conseguiu a disputadíssima condição de “estagiário”, garantindo um brilhante futuro, antes mesmo que ele conheça o “campus”. A “facul”, a melhor da América Latrina, a faculdade do Castro Alves acaba por se mostrar nem tão boa assim. Tão cheia de problemas. Professores arrogantes. Ninguém a lhe guiar, segurando-o pela mão.  Depois, para se dedicar ao estafante trabalho de servir cafezinho no escritório não se permite nem ao menos quase que freqüentar aulas. Acaba aprendendo mesmo é no escritório, com o estagiário um ano “na frente”, no Direito. Talvez nas filas do Forum.  Lentamente, começa a achar muito estranho aquele pessoal todo que perambula pelo Pátio, que vai às intermináveis festas, Porão, festas, Jurídicos, festas, Peruada e outras festas mais. Com a sua promoção automática, vai se apercebendo a chegada da reta final, o quinto ano. E arrasta-se, consumido pelo escritório, já agora tendo conseguido ganhar realmente dinheiro, algo em torno de dois salários mínimos, e aquela outra sensação de que não agüenta mais, que é preciso acabarem logo esse cinco longos anos. Inclusive porque já nem conhece mais ninguém, dado que “daqui pra lá só tem calouros!”. Mesmo os seus pares, colegas de turma são lhe muito estranhos mesmo. Causa-lhe estranheza isso de umbiguismo, de adoração às Arcadas, quando o que lhe mais interessa é poder pegar o diploma, prestar a oab e ser efetivado. Depois disso, faculdade nunca mais! Eventualmente, levado pelo mais elementar dos instintos humanos, por mera curiosidade resolve então, num estertor agônico, experimentar olhar para o próprio umbigo. E constata que não o possui. Mais hora menos hora, vai descobrir que ele entrou nas Arcadas, mas as Arcadas não entraram nele.

Pode-se depreender então que são gêmeos não univitelínicos, idênticos. Tão diferentes em sua igualdade. Um gera artigo oficial permitindo-lhe explicitamente o culto ao Pindura. O outro tem medo de fiscal do cigarro. Para um o tempo é exíguo, o que para o outro é interminável. Uma crucial disparidade entre eu sou o mundo e eu sou do mundo. O querer ser diferente e o querer ser igual. Tantas e tantas diferenças a enumerar que é melhor deixar para o intuitivo de mentes tão peculiares.

Esse colossal desbalanço fraternal explica a unibanalização do Largo. A mesmice, a vulgaridade, o modorrento marasmo e uma equalização deplorável que prevalece faz lembrar as noites mal dormidas, ou nem dormidas, sonhando em estar na São Francisco. Afinal, para isso nem precisava de esforço algum. E empreguinho tem pra qualquer um, bastando querer trabalhar. E explica também porque nem ao menos houve uma via alternativa, entre o cansaço do funcionalismo público de um resgate e a sandice utópica de um forum. Há que se mudar as mentes franciscanas, antes que nos disponhamos a mudar o mundo. O Pátio é o nosso quintal e o nosso mundo. Ele pode e precisa ser mudado. Já para o outro mundo, as bandeiras de mudança são meras apelações hipócritas para conquistar o poder, sabemos todos.

Ainda assim se pode dizer que podem ser feitas ambas as coisas. Afinal, uma diretoria não deve ser  o reino de uma parcela que a elegeu, mas a representatividade do todo.  Nada contra apoiar e participar da Parada Gay. Mas, façam também um "Manifesto hetero" no Largo. Seria divertido. Tragam o monge tibetano Genoíno no Roda Viva do XI para versar sobre valores morais, tais como Honestidade, Lealdade e Verdade.  Mas, no dia seguinte, tragam a o Tiririca, para deleite geral. Ou um Marcos Caruso, franciscano, para nos contar sobre como ser grande, fora das Arcadas. Ou seja: contemplem a todos, é o que pede a representatividade conquistada de algo tão caro a nós todos, como o "XI de Agôsto". Contra as opressões que assomam um peito franciscano fundamentalista, a terapêutica é elementar e simples: um pouco de muita festa; animus jocandi a gosto (de XI, óbvio); vida inteligente pulsando no Pátio; e, claro, overdose de Buchecha ou equivalente, como deu na Peruada. Cabral, Cabral, segue  sua nau. No mais, a opulência das Arcadas alimenta o seu espírito.

É tempo então de parabenizar o Forum pela expressiva vitória, desejando que todos os nossos sonhos se tornem realidade.  É o que desejam e esperam os filhos de Francisco, da gestão que estará à frente do XI, nesse nosso tão cabalístico 20XI.

Arcadas, 24 de outubro, ano CLXXXIII

sábado, outubro 16, 2010

As Peruadas

Peruada é sempre igual. Por outro lado, cada uma delas é absolutamente ímpar e diferente. Caso esse conceito lhe seja estranho, atribua a explicação a isso: são coisas da São Francisco! E tudo estará pacificado e esclarecido. 
Sabe-se que, inclusive para facilitar a vida de adeptos, o Dia da Peruada será declarado "feriado universal no reino de Deus e adjacências". Projeto de iniciativa do nosso ínclito Legislador Tiririca. Da lavra, mas não de sua pena. Coisa feita por algum aceçor afeito às letras.
Por isso é que as imagens chegam à retina instantaneamente no presente, mas a História está lá, toda ela inscrita, em corações e mentes. 
Acompanhe:
O Grito do Peru
"Ha um parenthesis de alegria nesta cidade carrancuda de arranha-ceus sombrios, cada vez que a rapaziada da Escola promove as classicas festividades com que os "veteranos" recebem os Novos collegas. 
Tá! Ali tá o espírito

As passeatas que então se organisam, culminando na já celebre "peruada", deixam após si uma multidão de dentes á mostra, numa gargalhada gostosa ou num sorriso fino, ironico. 



É Peruada, X.I!

De uns annos a esta parte, sobretudo, o "trote" dos academicos tem assumido um carater todo especial, 
A Peruada precisa voltar  ao Pátio das Arcadas
que faz com que o espetaculo agrade a quantos o assistam e não apenas aos que delle participem: é que a passeata dos "calouros" vem dando opportunidade a uma série fecunda de "charges", principalmente politicas,
O Mote

 que têm, entre outras, a vantagem de pôr de lado umas tantas brincadeiras mais ou menos violentas, as quaes já provocaram reacções á altura.
De mais a mais, é bem facil aos moços lançar mão do "ridendo castigat mores".
Sempre presente

 Assim foi hontem. Depois dos indispensaveis preliminares, (banhos de farinha e de outras coisas de outras cores), que duraram cerca de um mez, os "veteranos" da Faculdade de Direito julgaram os seus "calouros" aptos a formarem com elles uma "frente unica", sahindo á rua uns e outros, de mãos dadas, para a "peruada". 
Ipiranga
 O cortejo, bizarro, excentrico, esquisito, carnavalesco, irradiando a satira por todos os lados, deixou o largo de São Francisco 
A São Francisco

ás 8 horas e meia, mais ou menos.
E até ás 13 horas o centro da cidade viveu momentos inesqueciveis. Bom humor, alegria franca; irnonia, fina, fininha, muito cortante...; passagens jocosas, de fazer rir a bandeiras despregadas, como se diz na rhetorica velha; e, pairando sobre tudo isso, ao lado de tudo isso, misturado com tudo isso, - o Ridiculo. Quando o ajuntamento do Largo São Francisco 
O Largo e o povo
conseguiu formar um cortejo que se espichava pela rua São Bento, e dobrava a rua Direita, vinha á frente da rapaziada um distico - "Faculdade de Direito" - encimando um veterano montando um burro. Burro de "verdade" e não calouro, como se possa pensar. Burro de verdade, cujas orelhas compridas quasi se misturavam com as barbas compridas do "cavalleiro". Uma turma de batedores abria alas. E em seguida uma banda de "bersaglieri", cheios de pennas, ar marcial, mas não muito, fazia ouvir a "Giovinnezza" a tres por dois. Mais um bando de veteranos e calouros, e, atrás, tres dos cavalleiros do Apocalypse (o quarto seria o da frente? ou o que fechava o cortejo?). Montados em cavallos bem esqueleticos, escolhidos a dedo: Peste, Guerra, Fome...
Depois disso, uma vacca, tambem "de verdade". Magra, como convém aos tempos de hoje. Têtas murchas, "murchissimas", faziam alguem, que estava na calçada, pensar, talvez, sem a menor malicia, em certos thesouros. A vacca se arrastava a custo. Sobre o seu dorso, uma enorme aranha.
Fazendo o que? Pergunta-se o que que ha e a resposta vem logo atrás da vacca: um "calouro" caracterisado de forma bizarra, camisa preta, cigarro no canto da boca, vasta cabelleira, saudando "á fascista", ladeado por dois leiteiros; um distico - "Assim falou o leiteiro: entésa o braço varonil, sacode a juba leonina, faze-te o "Dux do Brasil", e depois outro - "Sem a força, que valor a "lei...teria?" - Nas mãos, fazendo delle uma petéca, o estranho "Dux" brinca com um xuxú. Um calouro maltrapilho conduz um letreiro: "Assim, eu vou..." Logo depois vêm mais xuxús: é "miss Xuxú, ao lado de "miss Constituinte", num carro
Um caminhão de Buchecha
puxado por vinte e um calouros com as faixas dos Estados.
Ha ainda - estranha inspiração! - mais xuxús: em outro carro vê-se um homem que dorme, á sombra de um carramanchão de xuxús. Vela o seu sonho um calouro, "culote" e perneiras, busto nú, e abanando as moscas com uma vassoura. E ahi ainda um distico - Dorme, que eu velo, seductora imagem..."
Sobre uma carroça ha dois militares que brigam, brigam, e de repente se abraçam, se beijam, e tornam a brigar. Tambem alli um cartaz: "Amigos, amigos... negocios a parte." "E mais este - "Devemos agir "Chinicamente" - o "h", riscado com lapis vermelho.
Outra carroça é um "carro allegorico" dedicado ás calouras. 
Calouras

Trás o distico - "Advocacia das calouras - especialistas em direito de familia...", e vem cheio de panellas, berços, bebês. Sobre uma carroça está sentado um calouro, "disfarçado" de lente. Lê um formidavel livro, ao lado do seguinte cartaz: "Felizes os pobres de espirito".
Ha um truculento militar a cavallo. 
Se tivéssemos essa segurança todos os dias...

Em vez de dragonas tem - ainda... - xuxús. Fuma e bebe.
Sobretudo bebe.
E por fim outro grupo. 
São João
Carregado por meia duzia de rapazes, um estandarte, onde se vê uma fieira desenrolada, tendo na ponta um pião. "Sem commentarios", diz ainda esse estandarte. Fechava o cortejo a "legião dos condemnados": uma porção de calouros semi-nús.
Quando a passeata entra na rua Direita espoucam rojões. E ha uma choradeira geral em frente ao palacio do governo, 
Clamor em frente à Câmara, para um bando de surdos
onde os moços foram render suas homenagens. Choraram muito e dalli prosseguiram: ruas João Briccola, Libero, Viaduto do Chá, praça da Republica, 7 de Abril, Viaducto e largo S. Francisco, onde o cortejo se dissolveu, após uma "maxixada" geral".

Transcrito de "O Estado de São Paulo"

Revista O “XI de Agôsto”
Ano XXX, maio de 1932, Num. 1, pp. 110-112.

Como queríamos demonstrar: os anos passam, mas As Peruadas ficam. Todas imensamente diferentes em sua paradoxal igualdade.  
Aqui, a letra completa da música: : 
Arcadas, XVI de outubro, anno CLXXXIII

domingo, julho 11, 2010

C O N V I T E

Dia XI de agosto será um dia especial, além da conta.

Na Semana no XI,
No Pátio das Arcadas
(Você sabe: Largo de São Francisco, 95)
às XI:08h
e

às 18:27h

será lançado o livro
As Arcadas: segredos, magia e estórias

Estará disponível , após o dia XI, na
http://saraiva.com.br
e Lojas Saraiva
http://allprinteditora.com.br
e pelo email
luiz.gonzaga.rodrigues@usp.br


E no dia XI, no lançamento.
Mais barato, pois estragarei o Livro com a minha assinatura, caso você insista.


Eu espero você lá.


XIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXI

um pouco do livro:




Uma psicografia digitalizada do espírito franciscano, Roy Babbosa.
Pelo minimum Luiz Gonzaga.

Após os meus 1827 dias de "XI de Agôsto", é preciso agora cumprir uma outra tarefa: contar as estórias dos  tempos de um aluno nesse Jardim de Pedras. Qualquer aluno em qualquer tempo. Não são minhas memórias, pois elas não interessam a ninguém. Nem a mim mesmo.  Muito menos a você. Além do que, apenas transcrevo o que recebi do Roy. Eu sou o minimum, posto que principiante nessa  espirituosa tarefa.


Porém, não espere nada dessas inqualificáveis e despretensiosas sangradas escrituras. É um ornitorrinco na Literatura.Não é Memórias, não é História, não é Direito, não é humor, não é Poesia, não é Prosa, não é Filosofia, não é Sociologia, não é Medicina, não é arcaico, não é moderno, não é real e nem psicografia é. É, sem ser. Mas não é, apenas. 
 
Arriscaria até a dizer que não se trata de um livro de um jovem autor e nem mesmo de um autor jovem. Mas tenho certeza que você sabe que isso já foi dito e muito bem dito.



Compareça ao Lançamento
Leia o Livro.
Espero que goste. E que me escreva depois.

Arcadas, XI de agosto, CLXXXIII

sábado, maio 15, 2010

SALA PRIVADA "João Grandino Rodas"


Diante do inequívoco espírito franciscano ao lidar administrativamente com as coisas das Arcadas, inclusive contemplado com a ascensão ao posto de Reitor, creio ser de bom alvitre os alunos realizarem uma singela homenagem ao ex-diretor, indicando o seu nome para uma Sala, perpetuando assim o nosso eterno reconhecimento e gratidão ao seu valor e a sua grandeza.
Considerando que a oferta do número de salas é exíguo, o que encarece inclusive o preço no mercado de venda de salas homenageadas;
Considerando que as mais destacadas e nobres Salas já atingiram alto preço no leilão recentemente realizado, inclusive sob a égide do presentemente sugerido a ser homenageado;
Considerando que os méritos então considerados referem-se tanto à obra em vida realizada pelo antigo aluno quanto o vultoso valor de cotação, em transparente processo licitatório, inclusive no que concerne à esdrúxula contrapartida num ato de doação;
Considerando que a homenagem ora sugerida não levará em conta o valor pecuniário de nossas estimadas Salas, resta o atributo do valor da obra realizada pelo homenageado, na função de dirigente maior da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco;
Considerando que, em sua indigitada Gestão, o presentemente sugerido a homenageado, em relevante serviço de expansão da área da Faculdade, obteve êxito na aquisição de um Aquário;
Considerando que no conquistado Aquário insistiu por transpor os queridos e valiosos livros da Biblioteca, na heroica e louvável tentativa de higienizar os livros, após duzentos anos de manuseio pelos Alunos;
Considerando que, ciente e orgulhoso de sua inusitada contribuição, deixou um valente assecla na vice-diretoria, professor Gazella, como guardião de suas medidas, na tentativa de evitar impugnações por parte dos Alunos,
 
fica então indicada a Sala localizada no Hall dos Calouros como

SALA PRIVADA


João Grandino Rodas

Deve-se enfatizar publicamente que tal homenagem em nada tem a ver com doações em dinheiro para a obtenção da aposição de um nome em sagrado solo das Arcadas. Que a homenagem refere-se estritamente ao reconhecimento à obra em si, a placa será inscrita, não em letras douradas, que poderiam inclusive aludir ao poder do vil metal, mas com o material decorrente mesmo da obra que se realiza no interior da Sala escolhida, nas LATRINAs existentes. 

Finalizando, resta lembrar que toda a mobilização dos nobres colegas franciscanos tem sido de uma dedicação  e unidade admiráveis, mas que, a despeito de tudo, dos Atos, reuniões, votações, assembléias, depoimentos e tudo o mais, OS LIVROS CONTINUAM LÁ, sobrenadantes no Aquário das Arcadas. E que tal situação exige menos burocracias e mais ação. Tal como os alunos mesmos irem buscar os tais livros. Em qualquer lugar que os deixemos, estarão melhor do que no lugar onde estão agora.

Resta lembrar que franciscanos estão mais afeito à ferramenta do animus jocandi  no  realizar coisas. Essa a nossa principal e mais potente bandeira.

O sucesso é sempre é garantido. Tal já não se pode dizer quanto ao manuseio das leis e do Direito. Sendo assim, a empreitada de retorno dos livros deve ser feita mais com o uso do bom humor do que com petições mil. Isso já foi feito em n oportunidades, sempre com resultados altamente positivos e doces também. Como o mel que saboreamos, feito sob a herma do Álvares/Fagundes. Quem sabe agora, saciemos nossa sede de Saber, ao desfrutarmos da Sopa de Letrinhas em que se transformou a nossa Biblioteca, naquele malfadado Aquário?

A mídia é uma arma muito poderosa. Sabedores disso, colocam gente MUITO esperta para as reportagens. O nosso contato com eles deve estar à altura disso. Para não ser manipulado, como vem acontecendo.
Para quem gosta de cargos, ter um Assessor de Imprensa muito bem preparado é vital, nesses casos. 

Portanto, chamem a mídia e façamos a transposição da São Francisco. Dos livros, melhor dizendo.

AAArcadas, XV de maio, CLXXXIII
Luiz Gonzaga
Décio Pignatari - 06.05.2010



terça-feira, maio 04, 2010

Biblioteca das Arcadas: sopa de letrinhas?

Já me contaram que, para conhecer o prestimoso grupo "político" Paradilma, digo, Paradigma, é preciso ser indicado por alguém do grupo. Como se fosse fácil achar um. Depois, é preciso uma carta pedindo autorização para participar, apenas como ouvinte calado, a uma reunião. A carta, digitada e sem rasuras, deve ser em três vias. Com a assinatura devidamente autenticada e reconhecida a firma. Após isso, aguardar a vacacio legis: 45 dias constitucionais, para que o seu nome saia publicado. Se houver sido homologado o pedido, haverá a convocatória. Se não, apenas a negativa sumária. A publicação é feita no Diário Oficial dos Burocratas de Plantão da Gloriosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Não aquela Sanfran , mas a modelito grêmio estudantil, vigente após o poderoso resgate de saudosas tradições.

Ai, meu São Francisco! Com nossas mudanças climáticas, ventos estranhos sopram também pelo Largo.

O modorrento e o sempre-quase-nada-lido "jornalzinho do XI" agora faz licitação e concorrência pública para Conselho Editorial. É mole? E isso tudo é prá escrever resenha de filmes e outros quetais. Que se lê bem melhor em publicações especializadas. Franciscano quer ver, quando quer, textos inéditos de alunos, suas criações, poesias e tudo o mais. Está pouco se lixando para a visão e opinião de um outro franciscano sobre as mazelas mundias. Deixem com o Júlio de Mesquita o que é do Júlio de Mesquita. Ou do Otávio Frias, antes que ele suicide.

Uma avalanche de burrocracia. Coisa estranha nas Arcadas. Plebiscito para constatar o óbvio. Contestação do resultado pela baixa adesão, o que é sempre óbvio. Franciscano apenas adere à própria idéia. Ego de elefante, quem não sabe?

E o XI pedindo, pedindo. Lembra mais intermináveis pedidos de Moisés para o Faraó. Há que se lembrar que judeus são o povo escolhido de Deus. O resto é resto. E Ele mandou as pragas e ficou tudo resolvido. No nosso caso, a praga é bem menor, já que franciscanos são apenas semi-deuses. Menos. Alguns empedernidos alunos que ainda teimam renitentemente em acreditar que está chegando o momento em que teremos também a nossa Geyse. Valha-me Deus!

Assim, teimosamente quisemos participar do egroup que se formou acerca do famigerado assunto "Biblioteca". Uma burocracia cibernética. Melhor que nada. Ali dei a minha sugestão para a resolução imediata do assunto. Não surtiu efeito. Talvez porque não tinha assinatura digital, não estava em três vias e outras necessidades modernas.

Então transcrevo aqui a minha sugestão, desburocratizada, deslavada e fundamentalista. Mas genuinamente franciscana, sem resgate de coisa nenhuma e nem espírito de movimento-estacionário-estudantil-sócio do DCE:

Um grupo de alunos, munidos apenas de seu bom-humor e o animus jocandi que sempre caracaterizou as Arcadas deveria se dirigir ao Anexo IV e, cada qual trazendo uma caixa de livros, restituiria os livros para o local de onde nunca deveriam ter saído: a Sanfran.

Uma fila indiana-franciscana. Para que a coisa fique mais alegre, alunos poderiam vestir camisetas com as cores da Gloriosa: alternadamente, um de camiseta preta, outro de camiseta vermelha. Perdoem-me aqueles que vão optar pela camiseta preta, pela despesa extra. Já as camisetas vermelhas a gente sabe bem que já existem. Não sei se vermelhinhos topariam algo assim. Nem mesmo o São Marx previu  isso. Não está escrito n'O Capital. Então não sei. Mas não custa tentar, né?

Sendo que as caixas são pesadas, solidariamente dois carregariam uma caixa. Um de preto e outro de vermelho. Não seria bonitinho? Até seria. Bonitinho ou não, a coisa ficaria resolvida. Sem memorandos, sem plebiscito, sem intermináveis reuniões, sem resgate de coisas que se desconhece, sem movimento estudantil de nada. E DE UMA MANEIRA TIPICAMENTE FRANCISCANA.

Foi assim com a estátua do Beijo Eterno. Foi assim com a herma do Alvares Fagundes de Azevedo Varela. Foi assim com o Menino e o Catavento. Estão no Largo.

Se querem deixar mais interessante, chamem a mídia. Eles adoram isso. Usem o politicamente correto e clamem pelo absurdo que é o descaso para com a Cultura. Jamais nesse país aconteceu algo assim. Chamem a Dilma. Mas não chamem pela mãe dela não, que é palavrão. Chamem que ela vem. O Mula veio em 2002. Tinha até uma carta que ele pediu para alguém escrever, dizendo que a São Francisco é mó legal e que não sabia, entre tantas outras coisas que não sabe, que o tal santo era advogado também. Linda a cartinha.  Tem uma letra linda o asceçor dele. Só vendo! 


Os livros devem voltar para as Arcadas, antes que virem sopa de letrinhas. A Turma CLXXXIII que ainda não conseguiu ver nada, poderia fazer esse favorzinho. 

AAAcadas, V de maio, CLXXXIII