quarta-feira, abril 09, 2008

O Batizado na Sé e o espírito franciscano

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Fernando Pessoa
Mesmo com as veladas ameaças contra sua realização, eis que se faz o Batizado da Sé, dos Calouros-2008.

Cada turma parece que se personaliza por um “grito de guerra”. A desse ano, um poderoso chamado: “181, não é pra qualquer um!”. Muito embora com uma paupérrima rima, que de tão ruim nem rima é. A graça ficou então por conta disso. Mas é poderoso mesmo o chamado.

Tão poderoso, a ponto de conduzir a algumas divagações, indagações e constatações. O Batizado tem o incrível condão de transformar um simples aluno da Faculdade de Direito num espírito franciscano das Arcadas. E essa abismal diferença é visível, não aos olhos.

Estamos tão juridicamente envolvidos com esses assuntos de DNA, genoma, começo da vida, fecundação, que poder-se-ia aqui arriscar um longo e sinuoso caminho para melhor entender a maneira pela qual a grandeza das Arcadas impressionará ou não o franciscano com a sua grandeza.

Fica óbvio que a grandeza que o espírito franciscano traz não é a mesma grandeza das Arcadas. Algo como que potencial, germinal. Havendo a feliz fecundação do espírito contido no aluno com aquele das Arcadas, decorre daí um desenvolvimento, gestação essa de cinco maravilhosos e incomparáveis anos, o exercício diuturno do espírito. Se tudo der certo e nada der errado, brotar-lhe-á no peito uma nova alma, alma franciscana. Que o acompanhará pelo resto da existência. E será essa nova alma que terá então a grandeza das Arcadas.

Diante dessa analogia imbecil e verdadeira, a pergunta é: estaria então o franciscano grávido dele mesmo? E a resposta imbecil para essa pergunta é positiva. Sim. As meninas, por favor, omitam essa verdade em casa. Porém não um clone, mas maior, tal e qual as Arcadas. Que não tem a sua grandeza em si própria, mas decorre da grandeza dos seus alunos que se tornaram grandes.

Eis a analogia. Se você a captou direitinho, peço o favor: explique-ma melhor, que ainda não a captei inteira.

E então, no devaneio já dito, ficamos observando franciscanos. Alguns querem achar a grandeza numa Faculdade que ensina um bom Direito. Errado. A “Faculdade” é apenas um detalhe dessas Arcadas. Os nossos melhores professores encontram-se no Pátio, matando aulas. Outros a achar que o ótimo é que possibilita um bom estágio e depois um bom emprego. Errado. Hoje, você pode ser analfabeto e conseguir um bom emprego até no Palácio do Planalto, com direito à Cartão de Crédito e tudo o mais. Basta formar uma boa quadrilha. Outros ainda a achar um lugar legal, cujos alunos só pensam e fazem festas, umas atrás das outras. Errado. As gestões do XI são tão ruins que nas festas falta cerveja, ou ela já vem quente ou dá diarréia. Há os saudosistas, que acham que a vivência das Arcadas lhes renderá boas memórias. Errado. A melhor das vivências de nada você lembrará dela, a Peruada. Há ainda outros, para nossa felicidade pouquíssimos, que acham grandeza o sentar-se no Porão para beber, fazendo disso a sua atuação única. Errado. Mesa de bar a gente encontra em qualquer bar. E com cerveja mais barata que a cobrada pelo alemão.

O que não há em nenhum outro lugar do Universo são as Arcadas e esse espírito franciscano, num convívio que o torna ímpar. Afirmando isso, a quantidade de grandes que assim se tornaram após convívio nas Arcadas, sem ao menos aluno dela ser. Nomes assim não faltam em nossa História.
A grandeza não está numa parte de um todo. Para ser grande, sê inteiro. Viver a plenitude das Arcadas é viver o todo das Arcadas.

Esse todo processo criará então em sua maioria, bons franciscanos, aptos a externarem a sua grandeza para fora dos muros dessas Arcadas. Lá é que se mostrará a sua grandeza. Não aqui. Nesse Pátio, somos apenas projetos de gente em formação, qual um embrião num útero. Por essa razão fica engraçado quando um tímido chute, demonstrando o sucesso no desenvolvimento, dá ao franciscano considerar-se no direito de já se achar feito. E sai falando verdades por essas sacrossantas Arcadas. Engraçado. Mas nada mais é do que a ansiedade por mostrar-se grande. Isso não é uma anomalia, mas um bom prenúncio.

É certo também que nem sempre a gestação sai a contento. Observamos alguns com cromossomas deletérios, propiciando a criação de débeis mentais e fora-da-realidade. Sem nem a si próprio terem conseguido formado corretamente, acreditam que podem mostrar ao mundo como é o mundo ideal. Pegam as suas bandeiras vermelhas e saem por ai gritando palavras de ordem. Pior de tudo: por saberem-se rejeitados, posto que mal-formados, querem infestar esse nosso Pátio com alienígenas invasores. Anualmente eles mudam de nome, mas a idéia é sempre a mesma: querem estar no XI, para mostrar aos seus amigos que franciscano é mesmo débil mental. Errado. Eles o são. Graças ao bom Deus, Forum embora pra nunca mais voltar.
Numa gestação é amplamente conhecido que drogas causam mal-formações. Formam-se anencéfalos, a alardearem coisas desconexas, como se fossem engraçadas. Esporadicamente, republicam um único exemplar de jornal que conseguiram criar, sempre com a ajuda de XI para compor uma única frase. Pior fica quando tal frase é uma tese racista ridícula, uma brincadeira de mau-gosto como todas as demais, tipificada como crime constitucional. Daí quem nos invade as Arcadas é o Ministério Público e tal. Coisa horrível isso. Para o bem de todos e felicidade geral das Arcadas, tal excrescência somam um máximo de meia dúzia de mal-formados, a escória. Decorrente da falta de cérebros por ação de drogas, acomete-lhes também uma Demência Precoce, vivendo de um suposto passado de glórias. Por isso a singela denominação, Exglória.
Há também aqueles que, Freud explica, para se fazerem aceitos, adoram agradar a todos. Para isso não tem uma idéia, tem logo mil. Uma há de agradar, pelo amor de Deus. E assim, assumem o XI. Mas a marca registrada fica. Querem sempre resgatar o que não são, resgatar a História que desconhecem, resgatar o grande espírito que fracamente lhes habita. É um caso típico de subnutrição do espírito e sua consequente superficalidade e fragilidade. Parecem o Garçon no dia do Pindura, com um eterno sorriso no rosto, do tipo “vota em mim, que eu sou legal”. De uma idéia boa, conseguem uma realização medíocre, pífia. São engraçados e inofensivos. Exceto quando, para eternamente querer agradar, roubam idéias alheias, fazendo parecer aos demais que têm idéias geniais. Já apresentaram maquete do Campo do XI parecendo o Morumbi, já fizeram Congresso que cabia ao DJ. O Diabo, viu, esse Resgate!
Há os que, aqui nem Freud explica, vêem em tudo isso um mero exercício de umbiguismo, que as Arcadas não são nada disso, que é fama de um passado morto, que é um bando de arrogantes e tal. Mas saem correndo para os seus nichos de origem, a se vangloriar humildemente de ser franciscano. Qual crianças que não conseguiram auditório em casa, talvez por concorrência de irmãos mais graciosos, procuram a casa do vizinho para aparecer. De preferência a de um casal sem filhos. E sempre anunciando solenemente ser um franciscano. Há até caso o caso de um que, num sexo casual, não diz à parceira nem mesmo seu nome. Mas segreda que é franciscano. Pode isso ?
Essa maravilhosa diversidade a torna inigualável. Um universo à parte, um diamante com 2299 facetas e uma exclusivamente pra você mostrar o seu brilho. Ou não. Um baú com um tesouro, cuja chave é o espírito franciscano. Você pode usá-lo como a um banquinho, para alardear hipócritas idéias de igualdade entre seres humanos; para implorar um bom emprego; para sentar-se nele e lamentar. Ou simplesmente abri-lo e tornar-se imensamente rico: a grandeza das Arcadas. Só o que não há é uma mão que vá guiá-lo. Esqueça. Se esperava isso, colherá a frustração. Em uma escola de liderança não cabe a pergunta: “o que é que eu devo fazer agora?”

Bem na entrada das Arcadas deveria haver um espelho, com os dizeres embaixo: “aqui, toda a grandeza franciscana”. Ali você enxergará muito mais do que aqui vai escrito. Ou poderá não gostar do que está vendo. São seus os olhos. Mas a imagem também.
Apesar de toda a grandiloquência, ter o espírito franciscano nada mais é do que vestir a camisa da Sanfran. Literalmente, como o fazem nossos atletas.( Nesse ano, com uma pequena falha, ainda não anunciaram a presença da Sanfran nos JJEs, mas apenas a da usp.) Como agora, tendo que ir até Franca, só prá buscar o caneco do Deca-campeonato. Trabalheira, viu ! Nas eleições para o XI vou propor um Jurídicos delivery ! Assim não temos que ficar todos os anos viajando por esse São Paulo, só prá buscar as Taças. Assim: por gentileza, entregar no Largo de São Francisco, 95. Que tal ? Aos que não desenvolveram dotes físicos, defender simbolicamente a camisa da Sanfran nesse nosso mundo social, em quaisquer que sejam os seus amplos aspectos, como sendo a sua própria pele. Porque, em você não fazendo isso, azar o seu! Eles vão esperar de você a grandeza das Arcadas, querendo você ou não. Simples assim, o espírito.
O início dessa Mágica e Misteriosa viagem: o Batizado na Sé. O espírito franciscano? Não é prá qualquer um! Como no início, a frase, mola propulsora de todas essas divagações: “181, não é prá qualquer um!”. Quando uma turma inteira declara isso, em uníssono, já parece um excelente começo. A marca molhada de pés descalços nesse Pátio das Arcadas anualmente, revigora nos já batizados, acima de tudo, a vitalidade desse velho e sempre novo espírito franciscano.

Luiz Gonzaga _____________________________________ Arcadas, XI de abril, CLXXXI

domingo, março 16, 2008

O Forum convida: uma proposta indecente

Eles convidam: vamos falar de política ?
Sim, sim, claro. Vamos aproveitar e chamar todos os calouros, prá gente falar sobre a Invasão das Arcadas, sobre Traição, Deslealdade, do ignorar os resultados da Assembléia com 900 franciscanos, da deposição moral do Presidente do XI.
Vamos pôr na pauta das “falas” o porque durante o ano todo a Sala dos Estudantes foi monopolizada com os profícuos debates entre a Esquerda versus a Esquerda, a E glorificando a E, a E em suas multiplicidade infinitas de facções. Sempre para um seleto grupo de, no máximo, XI.
Podemos rememorar como o Forum conseguiu transformar o nosso sacrossanto Pátio em um campo santo, verdadeiro cemitério de alunos apáticos, no ano de 2007.
Sim, temos muito a reviver para esse novos alunos, sangue novo nas Arcadas.
Que o Canhestro, esporádico jornal do Forum parece que arrumou um revisor de erros. Mas que, conforme demonstrado sobejamente com a funesta gestão do XI, não sabem que Arcadas se escreve com “A” Maiúsculo. Que isso não é apenas um preciosismo de linguagem, mas dar a devida importância para aquilo que tem.
Podemos debater sim, porque o Forum considera que as Arcadas, o Pátio, os Alunos têm assim tão pouca importância. A ponto de ignorá-los. Exceto quando é prá cooptar incautos para a sua “causa”, esdrúxula e anacrônica. Mentindo sempre, óbvio.
Como agora, cerceando calouros, com a mesma ladainha de sempre: a luta contra as desigualdades, as minorias, a exploração do trabalho pelo Capital, a pluralidade, a construção de um mundo com justiça social e etc, etc e etc.
Precisamos debater sim, para que todos saibam que o Fórum, na Gestão do XI negou todo o seu discurso, conseguindo ser a pior gestão de que já tivemos notícias.
E vamos debater, para que isso nunca mais ocorra ! Tá marcado ! Hall dos Elevadores, à esquerda. Vai lá que já tô indo! Não esqueçam do Fidel. Na esquife, claro. Ele e as idéias toscas, prá alimentar a "fala" de vocês.

Arcadas, XI de março, CLXXXI

sábado, março 08, 2008

Mulher: em Prosa e Poesia




Década de Sessenta: o Movimento Feminista

Um texto da Série: “palavras politicamente incorretas”.

As donzelas em 1950 e 1960 imitavam Marlene Dietrich, Ava Gardner e outras. Em roupas, penteados, trejeitos pintura e tantos quetais. Quantos sussurros abafados, quantos orgasmos solitários dedicados a Marlon Brandon, “símbolo sexual” do momento. Ser mulher significava então ser objeto de cama e mesa. Era preciso ser “prendada” para “conseguir” um bom casamento. E manter-se de boca calada, tal e qual as candidatas à Miss Beleza faziam.
Cai o pano.
Aparece Brigite Bardot, verdadeira prostituta, que teve o descaramento de aparecer de maiô em fotos e filmes. Nessas plagas tupiniquins, Leila Diniz. Claro, a Liga das Senhoras Católicas estourou ! Torceram o nariz. Tanto que o nosso Beijo Eterno teve que ser roubado e transplantado aqui para esse Largo, Território Livre. Escandalosamente nus e se beijando ?! Livre inclusive dessas bárbaras preciosidades. Bom franciscano que era, o Presidente Jânio Quadros proibiu o biquíni em praias brasileiras. Mas não a pinga. Um desacato à moral aquilo.
E a coisa foi então tomando forma. As cocotas casadoiras passaram então a querer coisas horrorosas, como se expressar, ter vez e voz, trabalhar, estudar e outras liberdades libidinosas. Pode isso ? Pode, sim senhora ! E a pílula anticoncepcional ofereceu essa abertura ao mundo todo. Mocinhas queimavam seus sutiãs.
É, a coisa já não era mais como antigamente mesmo. Ao som de Norwegian Wood, fumando maconha, sentados no chão, com indefectíveis calças “Lee”, adolescentes rejeitavam todo o modus vivendi de até então. Bandeiras, as mais diversas: um mundo sem fronteiras, um mundo sem guerras. O Amor, na realidade o sexo, enfim, livre. It’s time for bed. Para esse não obteve qualquer resistência. Quando havia coisas do tipo “mamãe não deixa, papai não quer”, bastava recorrer à “ser moderna” e pronto! Ficava resolvido o impasse. Afinal, Hippie vem de hip, quadril.
De toda essa parafernália resulta o Movimento Feminista, com todos os seus pertinentes avanços e retrocessos, algo muito salutar ao processo. Resulta também que a Mulher conquistou o seu direito de ser mais uma a consumir, o que era a intenção sub-reptícia inicial. Conseguiu a igualdade de ser escravo, tal e qual o homem. Woman is the slave of the slaves nos cantou John Lennon. Passou a trabalhar, as estudar, a conquistar e criar novas posições, coisa que antes era apenas resultado da inventividade do Homem. Passaram a aparecer no cenário mundial tanto quanto aparecem nas capas de revista.
Tudo isso foi muito positivo, muito embora possa parecer que haja algo de jocoso no descrever da evolução histórica dos fatos. Positivo e sério, o que não exclui o animus jocandi. É que estamos no século XXI e o movimento feminista completa os seus cinqüenta anos. Em 2008, no Chile, na Alemanha, a Líder maior é mulher. Nos EUA a candidata em potencial também. E até para brasileiros, conhecidos como macaquitos, o Tarzã deu lugar à Jane. A Presidente do STF é uma mulher. Tudo porque a pauta séria do Movimento não era pertinente a “ser mulher” mas a “ser humano”. Como tal, iguais. Perfeito. Claro, com suas necessárias e vitais diferenças perfeitamente superponíveis.
Agora, fica apenas uma questão interessante. Aquela cocotas sonhadoras citadas inicialmente eram adolescentes em 1950/60. Tiveram então lá seus filhos e filhas. Que tiveram então, por sua vez, seus filhos e filhas. Filhas essas adolescentes de hoje. Algumas na São Francisco. Que vivem num mundo em que, por falta de novos valores, voltou os seus olhos e mentes e avidez pecuniária para a Flower Power, a geração Hippie . Haja vista a enxurrada de bandas musicais revolucionárias que nos visitam, com seus crooner caquéticos e septuagenários cantando “Baby, I love you”. Verdadeira clínica geriátrica musical, viramos nós. Mas, salvando a Pátria, diríamos que “música é música” (e vice-e-versa, como querem alguns) e, quando boa, como tal é eterna. Ao contrário dos músicos.
Ao contrário também das reivindicações. É um anacronismo o “retorno pelo retorno” de um Movimento Feminista. Problemas existem por certo, mas distante da condição de “ser mulher”, desenterrando um movimento. Porque, se não, logo mais veremos alguns tirarem do seu velho baú de recordações a carcomida placa “Pelo fim da Guerra no Vietnã” e sair por ai. Ou convidarmos o jovem Roberto Carlos para cantar “Quero que vá tudo pro inferno” na Sala dos Estudantes.
Movimento Feminista, em 2008 ? É mais plausível aqui a aplicação da máxima, em Latim que é pra dar mais autoridade: suum cuique tribuere. Porque os oprimidos são os fracos. Ao se isolar dos fracos como movimento, enfraquecem-se mais.



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Para provar que essas palavras politicamente incorretas apenas são verdades colhidas e não partem originalmente de um horroroso opressor machista, incluo a minha visão da Mulher, feito Poesia. Palavras-verso que dedico às mulheres, franciscanas ou não. Feministas ou não.

E l e g i a

Olhos
Para admirar-te

Corpo
Para amar-te

Alma
Para alçar-te

Verbo
Para louvar-te

Deus
Para criar-te

Femina: arte


Luiz Gonzaga Arcadas,VIII de março , CLXXXI

domingo, fevereiro 17, 2008

A São Francisco só tem nome

Oswald de Andrade foi o mentor intelectual do Modernismo e da Semana de Artes de 1922, da qual participou, juntamente com Luiz Ramos, morto prematuramente, aos 24 anos. Monteiro Lobato criticou duramente as Artes Plásticas dos Modernistas, tendo permanecido à parte do movimento literário.
Um dos grandes escritores brasileiros, Oswald foi estranhamente “esquecido”. Editores explicavam que “poesia não vende”, por isso a sua pouca divulgação.
Em 1915 foi orador de discurso em homenagem especial a Olavo Bilac.
Oswald, Sua obra, seu trabalho e sua genialidade foram dignamente divulgadas apenas após a sua morte, por Álvaro de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari e Antônio Cândido. No Teatro, Zé Celso dirigiu o Rei da Vela, popularizando o nome de Oswald para os reles mortais.
Cumpre ressaltar que todos os nomes aqui citados são de alunos da Faculdade de Direito de São Paulo. Faculdade de Direito ?
Direito vírgula. Uma faculdade que temos, para tornar as Arcadas com tanto nome... de alunos.
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Oswald teve um curso truncado por várias vezes. Formou-se em 1919, tendo sido orador da Turma, com o tema “Árvore da Liberdade”. Como hodiernamente, no seu tempo não havia assiduidade muito grande às aulas. Hoje não se sabe o porquê. Mas no tempo do poeta grassava por aqui a Gripe Espanhola. Então, não se sabia ao certo se o aluno havia faltado ou morrido. Professores faltavam às aulas não por mera vagabundagem ou porque estivessem com uns clientes, mas por justa causa: haviam morrido de gripe. Quem passava a Lista de Presença eram os bedéis. Quando não havia Lista, perguntavam: o bedel faltou ou morreu ? Geralmente era a segunda explicação. O animus jocandi franciscano.
Os primeiros capítulos de “Memórias Sentimentais de João Miramar” foram publicados no jornal do XI.
A Academia de Letraz, criada em 1932, teve em Oswald um de seus idealizadores.

Tales

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Sanfran, a Desejada das gentes

O franciscano Machado de Assis homenageia os calouros da Turma CLXXXI
Sanfran, a Desejada das Gentes


O Calouro aos poucos vai perceber que encontrará por essas Arcadas todos os nomes que ele costumava encontrar por ai, nas placas de nome de rua, e no farto vocabulário nacional. A explicação tão é simples que até calouro entende: são todos franciscanos, regularmente matriculados em algum dos nossos CLXXXI anos.
Machado de Assis é o maior deles, mas ele não passou pelas Arcadas. Por isso é um franciscano au concour. Não que ele não tenha estudado. Presta atenção, calouro ! E também não é que ele não tenha prestado vestibular prá Sanfran porque ainda não existia cota para negros. Nada disso. Na época dele não havia dessas coisas. Mas, em compensação, também não havia o famoso e atual discurso politicamente correto. Bons tempos aqueles.
Por isso, como falamos transportados no tempo, vamos ignorar essa besteira. Ele era gago, epiléptico, pobre e mulato. Só faltou mesmo ser corintiano ! Ah, não teve também qualquer empurrãozinho governamental. Ai então diria o esperto calouro: então é por isso que ele não fez Sanfran !
Ainda não é isso. É que ele era auto-didata, como todos nós. Por isso franciscano. E também que, na sua época não havia listas pra que assinassem. Por isso, tecnicamente podemos considerá-lo orgulhosamente como um dos nossos.
Depois dessa fenomenal forçada de barra, podemos finalmente entrar no assunto: o conto que ele escreveu, em homenagem à Sanfran. É um conto bastante premonitório, haja vista que A Desejada das gentes, a Sanfran, era como ainda é, hoje: todo mundo quer, mas alguns poucos conseguem. Certamente você terá amigos que deixarão de sê-lo, visto terem se perdido pelo caminho, nos meandros da fuvest. Uns escorregaram e viraram pucanos, outros tantos orelhudos-mack e outros que nem é bom falar... Calma, você os encontrará nos Jurídicos. Alguns, nem lá. Deixa quieto, que é melhor assim.
No conto, Machado esteve influenciado pela escola pós-moderna mas não chegava a ser um concretista: a Sanfran era feita inicialmente de taipa. Ele descreve no conto , como sempre magistralmente, as agruras e dissabores, os XI trabalhos de Hércules, que um vestibulando tem que enfrentar para poder perceber que existe vida inteligente, apesar do vestibular. E, passado esse percalço, poder dizer essa sacrossanta frase, agora sua também: eu sou franciscano !
Portanto, seja bem-vindo à Desejada das gentes. E, claro, não deixe de conhecer esse conto de um franciscano que só não o foi, por não ter sido. E qualquer diferença notada aqui com o original e a realidade, atribua a erros de digitação.

Onzaga
um fundamentalista

sábado, novembro 17, 2007

E o Forum ainda quer sair botando placa ?

O Forum da Esquerda foi escorraçado, banido e esfacelado pelos alunos da Faculdade de Direito. Alunos em massa depuseram o seu Presidente, ainda que moralmente. Quando das eleições 2007 eles tiveram menos da metade dos votos que obtiveram para serem eleitos em 2006. Depois das eleições, o máximo que se vê é um ou dois componentes da Diretoria, zanzando pelas Arcadas. Cabeça baixa, claro. A verdadeira legião de iludidos seguidores evaporou-se.

Agora, para se despedir, a divulgação que colocarão uma placa na Salinha do XI, em alusão à “ignominiosa e autoritária invasão da Tropa de Choque”, no fatídico 21 de agosto. Parece que o fôlego deles para cometer desatinos não tem fim.

Para adequar os fatos ao seu restrito discurso querem comparar duas "invasões" absolutamente diferentes, em essência. Podemos acusar a Polícia por ter mandado mais de mil soldados à Peruada ? São comparações absurdas, porque diferentes. Seria o mesmo que acusar alguém que está tentando salvar alguém de afogamento, fazendo respiração boca-a-boca, de assédio sexual. Mesmo vivendo em ridículos tempos de "politicamente correto". Absurdo sempre será absurdo.

Se, apesar de tudo, eles querem insistir em seu discurso vazio e mentiroso, problema deles. Se querem manter a sua anacrônica e falsa ideologia, um direito deles. Se querem tapar o Sol com a peneira, para fazer parecer que saem de cabeça erguida, é até compreensível. Consideremos que tudo aquilo são águas passadas. Respiramos aliviados, porque já vão tarde. Eles estarão fora do XI por alguns bons anos, segundo os realistas. Segundo os otimistas, aos quais me incluo, estarão fora do XI para sempre. Foi um capítulo negro em nossa bela História. Um ano de trevas.

Se querem declarar ao mundo o quão obtusos são , que o façam. Porém, que não seja em meu, em seu nome. A burrice é deles.
Não aceitaremos que queiram eternizar no XI a sua maléfica estada ali.

Nada demoverá os alunos da Faculdade de Direito da defesa de sua História e tão caras tradições. A pedra fundamental para a construção do prédio que demoveria as Arcadas para o campus do Butantã está exposta no Largo. Lá se lê: “quantas forem colocadas tantas arrancaremos”. Esse, o espírito.

Luiz Gonzaga Arcadas, XI de XI, CLXXX.

sábado, novembro 03, 2007

Com quanta$ fraude$ $e faz uma Exglória ?

Ou locupletamo-nos todos ou restaure-se a moralidade.( Jânio Quadros)


Como um crônico franciscano crônico, sempre cantei as belezas e grandezas das Arcadas. Usei e abusei do animus jocandi, arcando por vezes com o ônus do não-entendimento e da análise apressada e superficial de eventuais leitores. O que jamais fiz foi relatar mazelas nossas, posto esses escritos terem ultrapassado os muros da Faculdade de Direito. Não saberão por meu intermédio de quaisquer sombras sobre o gloriosa História da Academia e de seus alunos. Franciscanidades, enfim. Uns gostam dos olhos, outros da remela.
Dada a premência da situação, contarei a estória do que vem a ser o que hoje é chamado de Exglória. Não tudo, mas apenas o suficiente para que você se faça o imenso favor de afastá-los do XI. Antes que possa pairar a suspeita sobre o desavisado coraçaozinho franciscano, alerto que os relatos que aqui se farão têm e muito a finalidade eleitoral. Também.
Uahauauahauahauahauaieêê !!!!!!!!!!!!! A Exglória agora quer posar de “Partido” ! Acredita nisso ????????

I – comecemos logo pela última: publicam uma foto, onde apareço com o grupo. Subrepticiamente querem sugerir que apóio o grupo e também querem lembrar que um dia fiz parte do grupo. Talvez renda alguns votinhos, né ? Não preciso que contem por mim. Eu conto. Fiz parte, desde o meu primeiro dia de Arcadas de todo e qualquer grupo que desejasse banir comunistas daqui. À época eram eles. Juntei-me a eles. Fiz o debate de calouros por eles. Vencemos os comunas. Quanto às fotos, tenho também, além daquela com eles, com o povo da Atlética, do DJ, do JEC, da RD, do NEI, da Casa do Estudante, com os faxineiros, seguranças, professores, diretor, da última festa, da penúltima festa, da antepenúltima festa, da anterior. De todas as festas e eventos. É provável que tenha uma foto com você também. O meu grupo se chama São Francisco. A minha panela tem 2300 alunos. Orgulho-me tanto dos que compõem a Sanfran que faço questão de ser o melhor cliente do Xaxá. E desafio a qualquer um exibir conjunto de fotos semelhante. Por isso, se alguém, um único que seja, iria lhes entregar o seu voto por conta daquela foto e daquele apoio, não o faça. É indução ao erro. É FRAUDE.

I I – Quando os infelizes comunistas do Fórum entregaram as Arcadas, como Judas traiu e entregou o Cristo, não houve um, ao menos um, franciscano que preze um mínimo essas Arcadas que não tenha se sentido traído e indignado com toda aquela palhaçada. Pois bem. Houve a idéia coletiva de se chamar uma Assembléia Geral. Todos ansiavam por isso, para mostrar a sua aversão aos fatos de então. Dada a proximidade das eleições, a Exglória tomou a iniciativa de iniciar a lista que todos queriam. Eu mesmo escrevi, mandei os meus SPAM, pedindo que assinassem a tal lista. Eu assinei a lista. E então eles assumiram toda aquele movimento, que foi uma verdadeira comoção geral, como se fosse apoio a uma iniciativa da Exglória. Não foi. Alunos estavam demonstrando apenas e tão-somente a sua indignação e ojeriza ao grupo que deveria ter nos representado no XI e não o fizeram. Alunos daquele grupo também, como alunos, sem partidarizações. Não houve, naquelas mais de 900 presenças no Salão Nobre alguém que ali estivesse por apoio à Exglória. Estávamos ali sim, exorcizando o Fórum da Esquerda. Mas eles, por conveniência quiseram passar a imagem de que era uma iniciativa sua. FRAUDE. Aproveitadores de plantão.

I I I - Depois de toda essa palhaçada, querem os da Exglória passar a idéia de que são um “Partido”. Isso porque parece que franciscano gosta de votar em um “partido”. Sempre se pautaram em desqualificar o Fórum e seus ancestrais por serem um grupo aparelhado e que aparelhavam calouros, já que os demais se afastavam deles, sempre. Sempre criticaram as “Cartas-Programas” dos comunas, em seu “ctrlC+ctrlV”, ano após ano, com suas promessas escalafobéticas. Sempre acusaram determinada gestão comunista de desvio de verbas do XI. E sempre procuraram se caricaturizar como sendo energúmenos imbecis, cuja ânsia única era a “balada, bebida e putaria”. Pois muito bem. O roto falando do rasgado. A Gagázieta nada mais é, tal e qual aquelas exdrúxulas Cartas-Programa, um copiar-colar, engraçado prá calouro. E só. Já que a seguinte será igual a primeira e assim por diante. Copiam inclusive, erros gramaticais crassos, tal e qual o Canhoto, o Pátio, etc. Enfim, a Gagázieta nada mais é do que o Chátio da Exglória. Isso mesmo precisando de dez dementes para compor uma única frase. FRAUDE.

I V – Para antagonizar o Ruptura e seu clã, adotaram inicialmente o animus jocandi , que, quando bem usado, é altamente salutar. Às propostas utópicas daqueles passaram a ridicularizá-los, com propostas jocosas. Até aqui tudo bem, pois ainda tinham consciência de que não tinham possibilidades eleitorais. Naquele ano de 2004, seu Presidente-vice-diretor-secretário-tesoureiro-suplente Ceará encontrava-se por aquelas plagas, cuidando de sua rede hoteleira. Tudo bem. Quando retornou, os calouros-2004 haviam ganhado a eleição para a Exglória, uma rejeição maciça aos rupturas da vida. Ou seja, a pose de “fodão” do pequeno líder é falsa, posto que não ganhou nada. Ausente ele, assume a Presidência um grande boçal, com suas declarações à mídia fazendo vexame aos franciscanos, dado às imbecilidades declaradas, em nome da Gestão do XI.


V - A gestão no XI que fizeram em muito lembrou a dos comunistas, com invasão das Arcadas inclusive. Com direito ao XI de ser alvo da mídia e do Ministério Público e alienígenas darem-se o direito de invadir essas sacrossantas Arcadas. Se os comunistas pecaram ao apenas permitir uma invasão, eles, muito pior, causaram a invasão com a sua Tese Oito. Ah, trouxeram o Serginho ! Legal, legal mesmo ! Depois, no melhor do copiar-colar que fizeram ? Trouxeram o Serginho ! E depois ? Claro, trouxeram o Serginho !

Copiarão o meu estilo agora, trazendo o Serginho XI vezes ?

Fizeram também um contrato absurdo com o Palhinha que eu continuo insistindo que deve ser anulado. Imagine uma gestão, um ano, renovar um contrato por 8 anos ? Ah, mas foi rentável sim. Não para o XI, como jamais demonstrado. Talvez tenha sido lucrativo em outros aspectos, no melhor estilo ruptura. Ai, que saudades daquela Festa dos Calouros no porão do Shopping Light, a preço de salão nobre ! Mas não é que a diferença do aluguel de tal engano, ao invés de retornar ao XI perdeu-se por ai, nos meandros da burocracia bancária ? Quem sabe algum hacker muito vibe, especializado em avermelhar as contas do XI.
Ou seja, uma gestão tão ruim que nem se candidatou à re-eleição. Esgotaram-se em si mesmos, na ruindade. Mais uma vez se equipararam aos rupturas da vida e sua descendência. Agora mudam a camiseta e sua cor. Como os rupturas comunistas. Tudo por um voto, pelo amor de São Francisco !


V I - Tendo perdido o trono de os “donos da graça e das piadas” deveriam reconhecer a aposentadoria. Mas não. Em ato de puro despeito, inveja e apelação, editaram um vídeo, procurando ridicularizar a mim, em cujo vídeo que fiz eles ao menos foram citados. Foram ignorados, dada a sua insignificância. Ali foi falado apenas da Gestão “nothing done” do Dezgayte e dos comunistas, como sempre. E, na eleição de 2006 foram sepultados, com os seus insignificantes 90 votos. Ultrapassaram a tênue linha do animus jocandi para o mau-gosto, a falta de graça, a imbecilidade pura. Passam então a viver de um suposto passado de glórias. Exglória, enfim. A tão atualmente propalada democracia, com livre atuação dos alunos no XI é falácia. Quem acompanhou aquela gestão de perto sabe do autoritarismo aplicado. Quem não é do núcleo duro do grupelho não apita. É ignorado. Um dos dementes, hoje ocupando o alto posto de suplente na chapa, à época foi elevado à função de atender ao telefone. Dada a insuficiência cerebral, não lhe foi exigido atender ao telefone e dizer “XI de Agosto!”. Muito complicado isso. Melhor, pra não dar merda, dizer apenas “XI!” e, rapidamente passar para o Santo Toninho. Esse esteve e está sempre lá, prá nos salvar de gestões funestas feito a Exglória no XI. Portanto, alunos em geral sempre foram avacalhados e depreciados, além de ignorados, como será dito. Hoje lhes é prometido a Canaã da liberdade, democracia , balada, bebida e putaria. Em troca do voto, além da cerveja ou da sugerida rosquinha, claro. Indução ao erro. Falácias. FRAUDE.


V I I – Respeitando a “área de influência eleitoral” dos comunistas, consistente de calouros basicamente, dirigiram a sua fraude da Assembléia aos alunos dos atuais segundo e terceiro anos, turmas que não viram a sua Gestão no XI. O terceiro era calouro e calouro não sabe de nada. Não conseguem enganar os do quarto e quinto anos, claro. E vendem a utopia da “balada, bebida e putaria”, como os comunistas vendem a utopia “de um mundo melhor”, às custas de infernizar a vida de franciscanos despertos. Balada por balada, alunos iriam em tantas “n” outras que rolam por essa São Paulo afora. E é o que a maioria dos alunos faz mesmo. Os poucos que freqüentam as festas, freqüentam-nas pela amizade que têm com os demais alunos. A putaria, que por sinal não acontece, fica por conta da imaginação daqueles, já que ela só acontece mesmo em suas parcas imaginações. Porém funcionam bem como mote eleitoreiro, e, como tudo o mais, falso. E, para beber, não se precisa ser franciscano. Resumidamente, até o episódio da Assembléia, o grupo Exglória consistia em uma mesa no Porão, com seis alunos, na maioria já-formados, como os criticados rupturas, cuja pauta principal sempre consistiu em xingar e ridicularizar todos os franciscanos. Afinal, quem não é da Exglória é um perfeito demente. Paradoxalmente, pode-se dizer. Ser da Atlética é ser imbecil, ser da RD é ser idiota, ser da Academia de Letraz é ser babaca, ser do NEI é ser trouxa, ser da Casa do Autistas, como eles sempre se referiram aos moradores da Casa do Estudante, é ser boçal. Todos os franciscanos são zebucetas. Apenas eles, aqueles seis, são vibe. Mas, depois a coisa muda. Hoje, ao cooptar tantos desconhecedores daquela real realidade, agora querem se travestir em Partido. Enganando principalmente alunos do segundo e terceiro anos. Acordem, calouros! FRAUDE.

V I I I – No melhor estilo jornalístico “conheça o candidato”, com a ajuda da opinião da minha panela franciscana, traço aqui o perfil do candidato à Presidente, pela chapa Exglória. Trata-se de um assíduo freqüentador da mesa da Exglória no Porão. Ponto. Nada mais ? Nada. Nada ? Nada. Não freqüenta a Faculdade, não vai às Festas, aos Jogos, não convive com franciscanos (todos uns babacas, já se sabe), não participa de nada, enfim. Mas agora lhes pede votos, na ilusão da desgastada e falsa “balada, bebida e putaria”. A única coisa, altamente peculiar a ele é alardear aos quatro ventos a sua opção sexual. Pergunta: o que nos interessa a opção sexual de um candidato à Presidência do XI ? Cada um que dê o que tem pra dar que não é problema meu. O que eu gostaria muito de saber é sobre a São Francisco. Esse o meu, o nosso interesse. Ah, tem mais uma outra coisa em seu vasto currículo: outro dia, depois do primeiro turno, ele nos concedeu a honra de visitar as Arcadas, em plena luz do dia ! É lindo o Pátio à luz do Sol ! Só fica estranho vir desfrutar dele pela primeira vez apenas quando se chega ao terceiro ano e apenas por que é candidato. Esse proceder pode conquistar alguns votinhos do diurno, né ? E mais: nada de passinhos esvoaçantes, olhares maliciosos, frases ambíguas, coisa e tal. Vestido decentemente, olhar compenetrado, pisando duro, estilo militar, postura impoluta. Por que querer esconder agora, como que por vergonha, algo tão alardeado ? Pena que ali não tivesse uma criancinha pobre, com o nariz escorrendo para que ele pudesse beijar e ser fotografado, para a campanha eleitoral. Esse, o candidato ! FRAUDE, claro.

I X - Eles, nesse insano intento de conquistar o XI, perderam-se na noção do animus jocandi. Contadores de piadas em velórios. Pois bem, como usuário contumaz do animus jocandi, posso colaborar com eles, com sugestões. Dada a atual conjuntura, não deveriam mais oferecer cervejas para conquistar alguns votinhos de indecisos. Poderiam mudar o cardápio. Poderiam por exemplo, distribuir biscoitos. Seu Presidente, à porta da Sala dos Estudantes distribuindo rosquinhas pra todos que passassem. Acho que seria mais engraçado. E pertinente. E também seria interessante, pois lembraria a todos que não devemos tê-lo à frente do XI, pois, assim como os comunas, não nos representam. Porém, não devemos apenas rechaçá-los nessa disputa eleitoral pelo XI. Justiça seja feita, são alunos também, apesar de que da banda esquerda da curva de Gauss, mas alunos. Proponho que lhes seja reservada uma mesa exclusiva no Porão, para que possam se reunir e rememorar as exglórias do passado, de ter trazido o Serginho, de ter combatido os rupturas, de ter trazido o Serginho, de ter bebido na maratoma, de ter trazido o Serginho, e varias outras grandes realizações, como a Tese Oito, ter trazido o Serginho, etc. Na mesa, desenhado o que lhes melhor define: um cérebro, superposto por um símbolo de proibido, indicando a falta. Ah, e algumas camisas-de-força, quando lhes faltarem as drogas e anti-depressivos. Definitivamente, não representam e não podem representar alunos da São Francisco. FRAUDE.

X - Sempre me interessei muito pelas coisas da Sanfran. Por isso, fui atrás de pesquisar o porque de tanto interesse em concorrer ao XI. Afim, um pequeno e medíocre grupo de elementos, já derrotados, aposentados, na maioria formados, cujo único assunto, além de ter trazido o Serginho, é falar mal de franciscanos e tentar desdizer a grandeza das Arcadas, o que afinal poderia fazer com que quisessem novamente concorrer ao XI ? Mistério. Mas como as coisas correm rápido, ficamos sabendo, como todos, que o XI está para receber uma vultosa soma, por decisão judicial. Aaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, bom ! Ai então fica tudo explicado. Esse renascer da vontade de se dedicar e trabalhar pelo XI, verdadeira paixão pelas coisas da São Francisco, esse empenho todo. Nós, alunos, verdadeiros donos do XI e de tudo que lhe diga respeito, devemos estar absolutamente atentos, pois onde existe carniça, logo pairam urubus. Se temos por obrigação rechaçar a Exglória, devemos também policiar o Resgate. Pois o que é do XI deve continuar a pertencer ao XI. E não se perder nesse nosso mundo virtual em outras contas bancárias, como sói acontecer. Agora, o povo dos rupturas era mesmo muito safado ! Imagine que até hoje não prestaram contas ? Por que não fizeram como a Exglória que, ao terminar o mandato... também não ? Das festas, da Peruada, de tudo. FRAUDE.

X I – Claro que tentarão desdizer o que vai aqui escrito. Tentarão desqualificar o escrito, e quem escreve. Anônima e covardemente , claro. Certeza absoluta que não terão hombridade suficiente para fazê-lo pessoalmente. Partirão até mesmo para o legalismo e o formalismo , como “cadê as provas?”. Mas o que é de domínio público dispensa provas. E todas essas possibilidades já não me comovem ou amedrontam. É a mais absoluta realidade e verdade das coisas. Por isso, essas palavras. Sou apenas um aluno interessado na São Francisco e que, por isso, sabe das coisas. Coisas que poderiam jazer na tumba da Exglória. Como eles insistem em fraudulentamente renascer, renascem com eles os fatos pertinentes. Você pode tachá-las de denúncia, de relato, de desabafo, do que quiser. A única coisa que você não pode fazer, pelo bem do XI, é votar na Exglória. As Arcadas agradecem. Não estou querendo ensinar ninguém a votar. Estou pedindo para que não votem contra as Arcadas, paixão de todos nós. Não são palavras de encomenda, de apoio ao partido que sobra, o Resgate. Não os apóio também. Porém, sei que, eleitos, pouco ou nada farão. Como da outra vez. Mas, com o quadro atual, é melhor nada fazer do que fazer absurdos, em detrimento do XI e dos alunos. Já dissemos um imenso “não” aos comunistas e suas crenças anacrônicas e obtusas. Agora é preciso um NÃO maior ainda à boçalidade estéril, instituída feito FRAUDE, em nome de um falso animus jocandi, chamada Exglória.

Sou avesso a escrever na primeira pessoa, mas esses escritos não têm pretensões literárias. Está mais para depoimento em inquérito do Ministério Público, como aquele da tese oito da Exglória, surpreendentemente arquivado. Desculpo-me inclusive com aqueles que votaram na Exglória em primeiro turno. Acho que não estavam sabendo das coisas. Agora sabem o que eu sei, e sei que o que sei é pouco. Muito pouco. E é a vocês que dirijo essas palavras que, pelo explicitado não são sobre vocês, mas para vocês. Até bebam as brejas que lhes oferecerem, comam a rosquinha que o Presidente virá oferecer, se preferirem. Mas, no mínimo, anule o seu voto. Aliás, com o voto nulo será o mesmo que ter votado na Exglória. São nulos para a São Francisco.
E depois, preparem-se para trabalhar, e muito, pelo XI. O Resgate é mesmo fraquinho, fraquinho. Como dito em 2006, vamos ter que empurrá-los morro acima. Mas melhor que ver o XI morro abaixo.
Valha-me, meu São Francisco !

Luiz Gonzaga _____________________________Arcadas, II de novembro, CLXXX

sábado, outubro 20, 2007

A Vigília feita Poesia

(Esses versos estão manuscritos em todas as pedras e colunas do Pátio das Arcadas. Porém estão visíveis apenas aos olhos do espírito de quem permanece ali, na noite da Vigília).

Infindas são as maneiras e modos
Por que se faz amada essas Arcadas
Ao conhecê-la, transpondo calouro os seus umbrais
Por fugazes cinco anos que se fazem vida-inteira
Ao ser seu filho, único cada qual
Ao ajudar a fazer e saber sua bela História

Permanecer renitente nesse Pátio
Mesmo quando não há mais nenhum motivo aparente
É gesto de amor
Inteligível apenas aos Dela afeitos

Amamos essas Arcadas
Quando trocamos nossos nomes
Pela condição de seu dileto
Posto que não mais se fala : eu sou o Fulano
Mas a inusitada maneira de amor no dizer: eu sou franciscano.

E todas as tantas e demais maneiras e modos
Os sabemos e fazemos tão bem
Ao festejá-la, cortejá-la, reverenciar seu nome
Inseri-la em nossas vidas e corpos
Como fosse feito o sangue que nos percorre por inteiro
E essa identidade que nos torna ímpar: ter por Lar, essas Arcadas
Na impossibilidade de nos despedirmos dela
Posto a carregar e a ostentar em nosso peito
Pela vida adiante

Porém, a mais bela de todas maneira de amor
Se faz da Vigília que fazemos
Aqui e agora
Posto não ser verbo de ação de amar
Mas um estado de contemplação e êxtase
Que nos imiscui nela, essas Arcadas
Como se fôssemos parte Dela, dessas pedras, arcos e Pátio
Como que fecharmos os olhos
E nos permitirmos apenas nos deleitar
Como o carinho da pessoa amada

Com apenas a luz da lua e do Monumento
A nos iluminar o espírito e o Pátio
- espaço mágico que pára o tempo -,
Cenário que nos chega a Deus
Ao nos transubstanciar em gênese nessa alma nova
Que, somada, permanece Uma.

A Vigília vai além de só confraternizar, estar, festejar
Esperar o Sol e a Peruada
É sim, sobretudo, por ora e para sempre,
O exercício indescritível de
Ser o próprio espírito franciscano.

Arcadas, XVIII de outubro, CLXXX

terça-feira, outubro 16, 2007

Das artes cínicas: imagens - uma homenagem a Paulo Autran

Paulo Autran - merecidamente chamado de "Senhor Teatro" é formado pela São Francisco, turma de 1945. Atuou em 90 peças, sendo a última, "O Avarento". Representou desde autores gregos a Shakespeare, entre tantos outros. Dispensa qualquer tipo de comentários. Só não impede que, franciscano como ele, faça-lhe uma pequena homenagem: o ator, um homem de mil caras. No caso, 90. E a reação da platéia, seu motivo de viver.

Das artes cínicas: imagens


Mais represento os dias
Mais me descubro em faces
Qual agora: o cenar me afeiçoa

Não teatro de moedas pro cofrinho
Mas um palco aberto, impreciso e imprevisto
Uma peça longa, talvez curta
Quanto os dias que me restam
Ou que me faltam

Novo sou nesse tal feito
Pois aflige a mim, a platéia que se assenta
Ora aplausos, ora muda, ora esparsa
Sempre assim, ausente no realizar

E me encarapuço no vilão
O mais de mim me dou prá não falhar
Tendo, no mundo, um inocente
Roubo, atento, violento, abuso
E ela, embasbacada, questiona
Mas assim, sempre sentada
E, no entre-ato, me apupa
Perguntando, ao fim, qual meu intento.

Noutra feita é homem bom
Certo, correto, exemplo
Onde me esvaio em sangue prá não sucumbir
Nessa alada esguia, intempestiva
Assumir status, feito a mais-valia.

A platéia, aflita, orienta
Mal que faz, pode fazer
Esse empenho insano do valorizar !
Mas sentada, sapiente e deusa
Feito à musa que inspira e não faz o fato.

Se mascara agora, um miserável
Sem futuro, só de agora, estar aqui por nada
Marginal, mesquinho, endividado
Ausente em frases, sem afetos, amigos
E a platéia afoita, paternal, em gestos me afaga
Se esfalfa. Assim, o que é que traz ?
Mas sentada, irrita de todo o bom empenho
Quando erguerá em atos, me contradizendo ?
Mas, me diz, sou o ator
Eu que lhe espelhe a claudicância.

Quando ao amor me entrego
Lascivo de corpo, ingênuo na alma
Expandindo em glórias sua exuberância
Consumindo a era num instante
Eis que então, sem medo se apresenta
Não se pode assim se alienar !
Mal ao mundo faz quem se apraz !
Faz, sentada, seu amor contido
Sente, sentada, sua chama frouxa.

Essa peça é toda um todo em suas partes
Exigente, faz do que o perfeito almeja
Ser vil, viril, ser fraco, amante, aposto e contra

E o que mais a mim me louva
Tem no ato que me exige louco
Pena faz, fugaz, ser ato apenas
E me condecoro austero
Pois assim se faz, se representa
Ser num ato o que se é na carne
Entranhada em devaneios
Isso que alucina o que é alucinante
Pois o novo e o presente, a mão nunca se dão
E o ato finda, louco, porém pouco
Mas o povo gosta, aplaude, expande
Se levanta até
Qual que refletindo
Num momento insano, o que nem ousaria ser.
E se assenta lenta, até desajeitada
Por ter sido afoita, assim se levantar
Quando o tempo todo exige
Estar sentada, atada, esperançada.

Quem dera, fosse eu ator sem rumo
Peça mais gente, além de um
Que não ficasse assento isento
Num quebra-quebra de sensato dano
Com toda a sorte lançada no atuar
Sentado até, mas num relance
Em pé, o peito, o braço, a fronte
A mão crispada, não no aplaudir
Mas sim num gesto em crise, já por ansiar
Lugar no palco prá querer fruir
Não apenas um momento, mas por toda a obra
Sem favor de assento

Pois platéia soa qual esmola de quem tem prá dar
Mas só cede um nada, por não ser cobrada.


Luiz Gonzaga

sexta-feira, outubro 05, 2007

A primeira Peruada (oba!)

O espírito das Arcadas - Capítulo V


(Da Peruada não se conta, pois que de nada se lembra. Vive-se. Mas a primeira precisa ser contada. Calouros precisam conhecer)

Para um leitor ocasional, alerta-se que esses psicografados escritos são de Roy Babbosa, calouro de 1828, turma I, o espírito franciscano, por isso onisciente e onipresente. Além do que está ainda em dp de Romano, pois não consegue entender a complexidade da propriedade horizontal. Conta-nos a gloriosa história da Faculdade da História. Mas vamos aos fatos, que ninguém gosta de texto muito longo, além de ser chato mesmo.
O que agora interessa é a Peruada (oba!) .
Que diáfana e sinistra origem teria essa festa, passeando-se pelas cercanias do Direito, metendo a boca em político safado e a boca no gargalo, prá variar ? O mote desse relato: Vamos meter o Peru prá dentro das Arcadas !
Roy fez-se calouro por obra e graça de sua patroa, Domitila. Era feitor nas fazendas da moça, pau-prá-toda-obra. Feitor das escravas, e da patroa. Substituía Dom Pedro , que só vinha pontuar a dondoca três vezes por ano, já que a ponte aérea ainda estava por existir. A carne é fraca. Por isso, assume Roy essa tarefa. Logo, Domitila conscientiza-se que Pedro é pouco. Por isso, faz o Imperador criar a Faculdade de Direito: XXXIII vagas ! Um calouro por dia, três XI ordenados Entre eles, Roy, para coordenar os meninos.
Diariamente, após as aulas (é ! A parte maçante da Academia), reuniam-se no centro do Pátio e cada qual recebia um número. O que saísse com o XI deveria comparecer e “conhecer” (linguagem bíblica: franciscano também é cultura) a DoMETIla naquele dia. Dando a sua, seria excluído do sorteio. Ficaria até o mês seguinte na saudade. Nada de barangas. Não as havia. Àquele tempo, balada era tiroteio. Mulheres, só dos bandeirantes e outros temíveis desafetos. Melhor não. Mais vale um peru nervoso por um mês que perecer eunuco !
Portanto, o sorteado do dia era o felizardo ! Lá se ia ele, rua da Freira abaixo. Nosso relator, Roy, retira-se e vai cuidar das escravas. Era duro com elas. Elas, muito abertas com ele. De suas andanças é que ficou conhecida a expressão atrás-da-moita. Muito ali se fez. Quem dava assistência técnica para toda essa maçaroca de tribulações era o médico Libero Badaró. Fazia o papel de porteiro de boate: trabalhava onde os outros se divertiam. Mas dava também lá as suas marteladas. Na Marquesa e nas escravas. Resumo: especialista em coito e pós-coito.
Assim se passavam os meses: estudava-se Direito e fazia-se sorteio. Vez por outra, uma Dança. Monótonas. Dançava-se mesmo. Nada de conversar lá fora, ver o Sol nascer, passear pelos campos de Piratininga, dar uns pegas, bimbas e quetais . Nada. Por isso, o tédio.
A grande diversão se resumia na Visita Domitiliar. Lógico, fazia-se Poesia ali, recitavam-se grandes poetas, filosofava-se e se teorizava um Brasil melhor. Não, não havia comunistas ainda, com a graça de Deus. Mas só isso não acalma o peru. Por isso, ficou ela conhecida como “ a Perua”. Um demônio, a dita. Acabava com o pobre franciscano. O sorteado voltava que era um traste, feito a uma uva-passa, todo ralado ! Judiava mesmo, sem dó.
Por isso, lá pelos idos de outubro, revezando-se ainda nos sorteios diários, resolveram os franciscanos fazer uma grande festa. Aproveitaram-se do animus jocandi, norma fundamental franciscana, recentemente inaugurada. Era essa a idéia: iriam fazer a visita à Domitila, todos juntos !
Na terceira semana de outubro prepararam-se todos os franciscanos, regados à “água- ardente” prá temperar o clima. Devidamente calibrados, alguém deu a idéia de dar feição de manifestação política à caminhada. Surgiram então frases como “Com a sua fé e as nossas fezes, vamos mudar São Paulo”, “Dom Pedro não vem à São Paulo, a gente mete o pau na Marquesa” e outras preciosidades.
Surgiu ai também a tradição: na Peruada tem que ter um mote. Todos se reuniriam, lançariam os seus motes-candidatos. O melhor, democraticamente eleito, ganhava e era aceito. Diferentemente de hoje em dia, quando a gestão do XI revogou a Democracia. Não importa o que os franciscanos elegeram. Eles outorgam um outro e pronto.

Bom, mas em 1828 ficou assim: a frase principal, conhecida dos franciscanos e desconhecida da população era “Vou meter o meu peru prá dentro das Arcadas”. Todos sabiam que as Arcadas eram as Arcadas e pronto ! O que não sabiam é que essa era a jocosa intenção: após trinta e três, ficaria ela até com as pernas arcadas, semelhantemente àquelas da Academia !
Alguém surgiu com instrumentos musicais e formou-se então a Bateria Agravo de Instrumento da São Francisco, BAISF para os íntimos. Tornou-se o Território Livre uma grande carraspana: franciscanos altamente entorpecidos, ao som do primeiro e então único hino , “Onze, Onze”. Há que se lembrar que não havia ainda a espécime “franciscana”. Um verdadeiro quartel ! Para despistar, nossos ancestrais resolveram fazer um percurso indireto. Aproveitando o fato de que ao ébrio a linha reta é um enorme desafio, saíram por um tortuoso percurso prá percorrer o imenso “triângulo” que era São Paulo.
Lembra-se das filhas dos donos da cidade, as monótonas dançarinas ? No caminho, ao som “acústico” da BAISF, franciscanos traziam para o meio da festa aquelas donzelas e enchiam-lhes o caco com o mais batizado goró. Longe do pai, calibrada pela cachaça, as donzelas o que mais queriam era se desdonzelizar. E dá-lhe moita ! Ao aborcar uma provinciana, franciscano saía cantando “Primeira, Primeira, eu sou da Primeira !” Surge também o que hoje se transformou num jogo de cartas: o truco ! Era assim: chegando o franciscano à décima-primeira donzela pontuada, gritava "XI" ! Um fuzuê ! Todos o erguiam nos ombros, carregado triunfalmente, ao som do Onze, Onze ! , até que viesse o próximo. Assim por diante. Desde o incêndio de Roma, não havia balbúrdia semelhante ! Todos de fogo.
Chegaram à casa da Marquesa. Porém, àquela altura dos acontecimentos, não teriam condições de consumar o ato, ocorrendo assim apenas o crime tentado. No percurso e com as donzelas tinham deixado toda a sua energia e o máximo que conseguiam era ejacular pela boca, um vômito desmedido. Além do que, lembravam-se vagamente do que realmente tinham ido fazer ali. O que era mesmo ? Por isso, como vazia manifestação, xingaram um pouco o Imperador, só prá constar. Era um germe da esquerda festiva, que grita por gritar e nem ela mesma acredita. Continuaram até voltar ao Largo.
Esse, mais um heróico ato franciscano. Nascia assima Peruada.
No dia seguinte, todos os jornais do mundo, o New York Times, a rede lobo, a internet , tudo, noticiavam: Franciscanos fazem a Peruada ! O diretor da Faculdade não queria permitir, mas os franciscanos dormiram nas Arcadas e saíram do mesmo jeito; a gestão do XI quis impedir mas não conseguiu. A Igreja falou que era o fim dos tempos; o presidente americano alertou sobre terroristas; a polícia queria mandar a tropa de choque, mas foram desligados; argentinos, morrendo de inveja, quiseram fazer uma também e, em homenagem a outro animal, criaram a “viadagem”; cariocas, por não terem outra motivação, promoveram um arrastão; astrofísicos documentaram o surgimento de uma nova estrela e a batizaram Sanfran; muçulmanos reivindicaram a primazia, dizendo ser a sua peregrinação à Meca mais antiga. Esqueceram-se de que a nossa meca é mais gostosa, onde canta o peru-sabiá; doutrinadores do Direito questionaram sobre se a Peruada era um ser, advindo do poder soberano inserido na norma fundamental franciscana; os alunos dos cursos de alfabetização jurídica espalhados por esse Brasil queriam dizer que tinham também participado; religiosos bíblicos confirmaram ter o Sol parado pela segunda vez, prá ver a banda passar; ufólogos viram discos voadores sobrevoando a cidade para assistir a parafernália; o presidente afirmou que essa era realmente uma campanha de fome-zero: todo mundo comendo ! O próprio Deus, que todos sabem ser brasileiro e franciscano de carteirinha, abriu uma janela no Céu para apreciar o movimento. Lançou como benção um manto de Amizade e de Alegria sobre as Arcadas, a reinar entre franciscanos. Essa norma eventualmente não tem plena eficácia quando das eleições para o Centro Acadêmico. No Universo não ficou pedra sobre pedra !
Por recomendação do doutor-calouro , professor Libero Badaró, a nossa rica história precisa ser contada em doses homeopáticas. Por isso, Roy psicograficamente deixa aqui as suas impressões, como testemunha ocular, sobre o início da tradição dessa Academia de tradições, a Peruada. Não se contam aqui mais repercussões do evento, evitando que se possa pensar que houve qualquer exagero. Ele se desculpa ainda por não ter muito mais detalhes prá dar, tendo em vista a ocorrência de pt, por coma alcoólico, o que lhe resultou em certa confusão mental, alheamento e amnésia.

Roy Babbosa, o espírito franciscano, na única psicografia digitalizada, autorizada, realizada por

Luiz Gonzaga Arcadas, XI de outubro, CLXXX

domingo, setembro 30, 2007

Uma longa e desastrosa estrada: Forum, 2007.

(conforme edição d'A LATRINA, outubro-2006. Lembra ?)

“Para mudar o mundo, comece pelo seu quintal”

I - O Forum vendia a idéia de serem os arautos da Democracia e a Liga da Justiça, contra todas as mazelas do mundo. Para os mais renitentes em aderir à Luta, usam golpes "abaixo da cintura" para conseguir votos. Duros e molhadas, mas válidos;

I I - E, claro, vence o DEZGAYTE, que é ruim feito à miséria. Apesar destes tergiversarem para não assumir a própria ruindade (a culpa é "dos outros", sempre);

III - Tenta dar golpe na RD, um dia antes da Posse. A ânsia do Poder pelo Poder. Usa a Semana de Calouros prá fazer lavagem cerebral, aparelhar o XI e usar O Chátio prá seus erros de português, de entendimento e de conduta. Hoje, o desabafo de uma das muitas vítimas (ipsis literis): “Estou envergonhada de ter acreditado, quando caloura, neles. Infelizmente, percebi que a única coisa boa que Fórum fez pela Facvldade foi ser oposição!”;

I V - Usurpa a competência do PurpUrina e realiza uma Semana GLSXPTO na Sala dos Estudantes. Sem o mínimo pudor, apoderaram-se de uma das máximas essencialmente Capitalista: a propaganda é a alma do negócio! ;

V - Realiza debates entre a esquerda-moderada versus a esquerda-centro versus a esquerda-da- ponta-direita versus a esquerda-gandula. Nos seus toscos eventos, na Sala dos Estudantes, sempre o quorum é o fórum.

V I - São a favor das cotas, desde que não seja de xerox. Só prá lembrar: o Forum queria, em 2006, uma cota própria, de R$ 1.700,00 ! Como agora têm o Chátio pra divulgar suas maravilhosas e toscas idéias dos outros, negam cota até prá A LATRINA. Tão inofensiva, tadinha !;

V I I - Disponibilizam uma Salinha pro Saju, para reuniões de cúpula e de cópulas. Exigimos isonomia para todos os alunos e alunas nessa sujeira;

V I I I - Abrem as portas das Arcadas para a sua “cumpanherada” invadir, para que eles as fechem aos alunos que os elegeram. Não como DONOS do XI, mas seus representantes. Atuam contra a democracia franciscana com virulência maior do que a da tropa de choque que tanto combatem;

I X - Transformam-se em legalistas sem conhecer a Lei: negam-se a reconhecer decisão soberana em assembléia de alunos, alegando que são minoria. Minoria de 900. Como dito, na Moral é mais Legal: o Sapeca não é nosso Presidente. Aliás, nunca foi. Quem mandava e manda ali é a primeira-dama;

X - A Tradição franciscana sempre lhes foi mero umbiguismo. Coisa de pequeno-burguês, metido a besta, que vive no passado. Mas agora aferram-se às tradições, para não acatar decisão democrática de alunos sobre o mote da Peruada. Não devemos falar de merdas internas ! Ué, alguém ai fez alguma merda ? E o mote de 2002, do Ruptura (e que Deus os tenha!): a ruptura continua ?

X I - Mesmo assim, são os primeiros a ter a cara-de-pau de lançar candidatura para 2008.

Com isso, fazem o Dezgayte querer parecer diferente de um zero à esquerda, conforme demonstrado em 2006. Não. Não nos esquecemos de que NADA fizeram quando gestão do XI. Exceto talvez alguma placa comemorativa no JEC, elogiando a si próprios. Ruins mesmo. Até para admitir que franciscanos preferiram votaram nos comunistas, por falta de opção.

E, mais incrível, Fórum de tantas merdas, despertou até a vã tentativa de ressuscitar a EXGLÓRIA , uma legião vibe de dois interditados mais meio-líder, morta por overdose de álcool, drogas anti-depressivas e outras. Principalmente overdose de mediocridade.
Ah, sim ! Especialistas em copiar-colar. Nas provas, na ga-gazeta, no youtube. Bom, escória entende ?

Esses dois, querendo posar de bonitinho perante os alunos, aproveitando-se da ilegalidade do Forum.
Querendo me enganar, mané ?

Ô ano comprido ! Ô Sanfran, que me surpreende a cada dia !!!

Na próxima, eleja um representante do XI, para o XI. E que não sejam eles.
Como hoje o XI não tem mais $$$$$$$$$$$$, talvez nem tenha candidato. Cuidado !

Luiz Gonzaga ______________________________________Arcadas, I outubro, CLXXX

sexta-feira, agosto 31, 2007

Na Moral é mais Legal !

A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco é o templo do ensino do direito positivo, por esse mundo afora. Assim se edificou toda a sua História.

Paradoxalmente, a gloriosa História das Arcadas, suas incontáveis estórias e suas mais sagradas tradições são feitas, respeitadas e transmitidas por um direito consuetudinário. Nada há de escrito, exceção feita por franciscanos crônicos feito este que escreve aqui, que teimam em documentar os tempos. Tudo é oral. E tudo tem o seu precedente. Absolutamente respeitados e cultuados, até por aqueles aparentemente indiferentes a essa vigorosa realidade.

Por isso é que as coisas ficam até fáceis, andando por essas Arcadas. Sabe-se a que horas será tal evento, tal festa, tal cervejada, sabe-se quantas vezes o sino dobra no Pátio, sabe-se a sua metragem ou o número de pedras que compõem o cada arco das Arcadas. Dúvida ? XI, claro.
O que é raríssimo ver é algum grupo discursando calorosamente sobre temas jurídicos em suas diversas escolas hermenêuticas. Em acurado levantamento realizado nos últimos CLXXX anos de vida, parece-me que... talvez nenhum.

Como se disse, tudo é arraigadamente fundamentado em um precedente que fez História. Seria um viver do Passado, se não vivêssemos nas Arcadas. Parece mesmo que a cada dia aqui faz-se a História. Por isso, recomenda-se nunca faltar. Às aulas ? Não, não: ao Pátio.

Fomos invadidos por uma Gestão do XI que não queríamos. Como nada um dia depois do outro, mostraram a que vieram, esses. Traíram a confiança de todos os alunos, ignoraram os seus anseios, mostraram a que vieram: entregar essas Arcadas nas mãos dos seus financiadores presentes e futuros, aproveitadores politiqueiros profissionais. Quando questionados de que lado estavam, mostraram que não era ao lado dos que os elegeram, para representá-los. Absurdamente, puseram-se contra.
Costuma-se dizer que o ego do franciscano é aproximadamente XI vezes o tamanho do Território Livre. E cutucaram a fera com vara curta ! A letargia causada pela presença funesta da gestão com seus falsos e canhestros valores então, quase que num passe de mágica feriu aquele ego e acordou o então apático aluno que perambulava acabrunhado pelo Pátio.
O que se assistiu naquela manhã de 22 de agosto, misto de surpresa, indignação, pasmo e revolta, parece que lembrou a todos a sua unidade na dignidade franciscana: na calada da noite, qual num beijo de Judas, famigerados da Gestão, donos de toda a Verdade, haviam entregue as Arcadas nas mãos de seus apaniguados, sem qualquer aviso aos alunos.
O que se viu então era algo emocionante e aterrador. Emocionante a reação de coesão de todos em torno de uma única causa, a de defesa dessas Arcadas e do Território Livre. Aterradora, além de patética, a reação daqueles componentes da Diretoria do “XI de Agosto”: ao invés de conduzirem–se na humildade de quem cometeu um crime, o da não-representatividade, e retratarem-se perante o quadro total de alunos, dispuseram-se a enfrentá-los. Aferraram-se mais e mais na postura de donos da Verdade, em seus dogmas anacrônicos. Somos nós todos os errados. Acompanhados, claro, de todos os adjetivos de seu kit “socialmente-responsável”.
Como se disse antes, não se pode faltar ao Pátio ! Parece que franciscano acordou e disse: opa, tá na hora de fazer História ! E, em não havendo precedentes, criam-se-lhes.Eis a norma. E toda uma movimentação se fez, numa efervescência digna de todas as estórias que se contam nas Arcadas. E então, em certos momentos, numa verdadeira briga de gato-e-rato, esconde-se covardemente aquele Presidente. Buscam-no os alunos, cobram-lhe uma postura digna, uma resposta, um parecer. Algo como que pedindo-lhe que se desculpasse. Mas a resposta vinha com evasivas e fugas. São perigosos, os donos da Verdade ! Do alto de sua sapiência, um sorriso de escárnio encobrindo o medo. E uma Verdade diferente a cada hora.
Afeitos a sempre lidar com precedentes e não com aquele Direito escrito estudado, franciscanos buscavam avidamente na legalidade de um Estatuto, para fazer o que mais lhe é caro e habitual: o direito costumeiro. Para então consolidar a Destituição daquele Presidente, fato sem precedentes na História das Arcadas, abrem-se as portas do Salão Nobre, pois que nobre é o seu intento maior. E ali se encontraram os “Direitos” que conhecemos: o que estudamos, o positivo, e o que vivemos, nossas Tradições. Em uma assembléia onde se finalmente respirava o espírito franciscano, tão poderoso e tão mitigado, seria votada efusivamente a Destituição do cargo de Presidente, em revoltosa e covarde revelia, estritamente baseado na sua efetiva não-representatividade.
Seria mesmo o local do encontro daqueles Direitos: consuetudinariamente, a imensa maioria optou pela Destituição. Consolidando o Direito, positivado no Código Penal, 171 optaram que não. Essa simbologia retrata muito bem a verdadeira realidade de tudo.
Aplacou-se a ira franciscana e fez-se valer a sua sagrada dignidade e desrespeitada vontade. Podemos então, agora, retornar aos nossos precedentes, fundamentos das nossas mais belas Tradições. Fizemos outra vez a História. Sabemo-nos agora não-representados. Se querem continuar a ocupar o trono, que o façam. Sabendo-o embora vazio de poder. A Moral venceu. Devida e numericamente demonstrada pelo Legal.
Efetivamente, a Moral é mais Legal !

Luiz Gonzaga Arcadas, XXXI de agosto, CLXXX

terça-feira, agosto 28, 2007

Território Livre - a invasão na História e o presente

Para se entender o Presente, faz-se necessário conhecer o Passado. Como presentemente muito se fala sobre o sua função e qual a extensão Território Livre do Largo de São Francisco não custa fazer aqui uma Mágica e Misteriosa Viagem, para conhecê-lo e desvendá-lo, para que seja usado adequadamente e evocado com pertinência.

Nesses tempos em que as palavras são usadas e distorcidas ao bel-prazer de quem as ouve fica importante saber que esse Território Livre, por ser livre para manifestação de idéias, não significa ser res nullius.

A riquíssima História das Arcadas da Academia de Direito do Largo de São Francisco é pontuada de fatos que, por vezes nem fazem sentido e por outras afirmam a sua grandiosidade. A começar pela sua própria criação, em uma cidade absolutamente inexpressiva à época. “Não se poderia vislumbrar nada de bom que saísse de São Paulo”, era o pensamento corrente, contrário a sua criação por essas “terras frias e gente que fala de maneira esquisita”.

Tendo sido a sua criação feita por Decreto Imperial, a área física da Faculdade era território Imperial. Não havia competência do “Governador da Província” para quaisquer assuntos, para atuar sobre ela, ligada que era, diretamente ao Imperador.

Nem mesmo as investidas da Igreja Católica, inconformada com a expropriação do espaço podiam atingir a Academia. Ranço esse permanente, até os dias de hoje e evidenciado quando da morte de Julius Frank. Principiava ali o germe do que seria o Território Livre: se todo o imenso Brasil se curvava ao poderio da “Santa Sé”, o corpo e as idéias do grande Mestre ficaria mesmo nas Arcadas.

As idéias republicanas disseminadas entre os alunos e a ferrenha oposição de Líbero Badaró fizeram com que o Imperador mandasse calar aquela voz. Calou a voz, mas não as idéias: a partir de então, passou a Academia a receber alunos, cujas manifestações passariam a delinear o contorno ideológico deste território geográfico, constitucionalmente livre, incrustado na ainda incipiente São Paulo. Os nomes, todos aqueles que a gente proclama nos Pinduras, desnecessário aqui enumerá-los, muito embora o orgulho deles no incite a fazê-lo.

A história pessoal, as idéias e a atuação que cada aluno iria escrever ao longo de suas vidas, pontuaria o tracejado que forma o delineamento desse Território Livre, no seio das Arcadas. Porém, nunca se foi necessário recorrer ao “argumento de autoridade” de que os atos e idéias partiam dele, para que se fizessem ouvir, posto que ele continuava a ser inquestionavelmente livre.

Com o advento da República, a Academia de Direito continua a ser um território Federal. Portanto livre, dentro da esfera de ação poder Estadual. Há que se lembrar aqui, por ser um relato histórico que, até à gestão do presidente Washington Luís, a Presidência da República mantinha um telégrafo e um telefone ligados diretamente ao Centro Acadêmico “XI de Agosto”.

Foi apenas em 1932, quando da Revolução Constitucionalista que os alunos declararam oficialmente as Arcadas e o Largo como um Território Livre. Agora geográfico e ideológico. E foi aqui mesmo que, além de abrigar a iniciativa das idéias e liderança, esse nosso Pátio recebia a adesão de paulistanos, na guerra contra as manobras do então presidente, Getúlio Vargas. Era o Território Livre cumprindo a sua real função, não sendo de apenas alunos, mas compartilhando com eles os seus ideários. A Liderança sempre caracterizou as Arcadas e os seus alunos. Há no Pátio o Monumento em homenagem aos mortos na causa da defesa, tanto das Arcadas quanto de São Paulo. Porém, para atuar no Largo e nas Arcadas, apenas a força Militar Federal teria competência. Os interventores governantes em São Paulo não tinham competência para entrar , tornando amarradas as mãos da Presidência para combater os opositores.

A forte oposição àquele Presidente, tornado ditador, era congregada nas Arcadas. Ele então arquitetou o plano mais diabólico que se tem notícia na História do Brasil: manipulando os anseios naturais do povo de São Paulo, tentando também arrefecer os ânimos e a oposição ao seu governo, criou e presenteou o Estado com uma Universidade. Agraciando às Arcadas com o posto de primeiro Reitor daquela Universidade, a ser ocupado por um aluno, tornou a São Francisco uma unidade dela. Era o absurdo do “criador tornado criatura”.

Permanece e permanecerá para sempre o Território Livre ideológico, pois que não foi o território geográfico que tornou grande as Arcadas. Ela continua a abrigar a inigualável efervescência cultural dos alunos, permanecendo autônoma ideologicamente, recusando-se, como num retrocesso, a estagnar como simples “criatura”.

Essa, a História. Aos aficcionados em datas e nomes, reportem-se à historiografia. Aqui, apenas uma crônica.

XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI*XI

Posto isso, chegamos ao Presente.

Após um breve interregno de apatia e desencanto, as Arcadas despertam. A quase totalidade de alunos se insurge contra a idéia de que somos uma terra de ninguém. Quando um pequeno grupo de alunos, confundindo representatividade com propriedade, entrega a bandeira do Centro Acadêmico “XI de Agôsto” à revelia dos que os elegeram, permitindo a Invasão das Arcadas. Uma evidente traição, pois que devem nos representar e não agir como se fossem “donos” dela

Irresponsavelmente, ao invés de admitirem o grave crime cometido, ainda tentam sustentar uma tese anacrônica e falsa, com um mesmo discurso também anacrônico e falso. Para esse pequeno e traiçoeiro grupo, quaisquer que divirjam das idéias postas em seus corações e mentes, por meio de lavagem cerebral, somos todos tachados de reacionários, fascistas, racistas, autoritários, opressores, intolerantes, discriminadores e toda uma gama de adjetivos que decoraram e nem ao menos têm noção de sua exata valoração. Apelativamente, recorrem a frases feitas, distorcendo-as ao seu intento. Incrível como na São Francisco temos cinqüenta donos da Verdade absoluta, que são eles, e 2250 verdadeiros imbecis !

Com uma postura infantil, ingênua e burra, querem deter para si o monopólio de serem os únicos preocupados com todas as mazelas do Brasil. Para defender o que chamam Direito, cometem crimes, esquecendo-se que Liberdade e Democracia pressupõem deveres e não só direitos. E querem manter o antagonismo mentiroso e hipócrita que existe na sociedade em geral: a luta entre o Bem e o Mal, sendo eles, obviamente o Bem. Isso não cabe nas Arcadas. Nunca fomos e nunca seremos manipulados por interesses escusos, que se utilizam dos chamados “movimentos populares” para lograrem seus reais e sorrateiros interesses. Agitadores profissionais aportaram aqui, travestidos de “coitadinhos”. Um intento mentiroso jamais terá a adesão de alunos, como não teve. Por não sermos passíveis de subserviência, utilizaram-se e manipularam os membros da gestão do “XI”.

Disseram que não somos donos das Arcadas. Pelo menos nisso têm razão. Somos passageiros, posseiros pacíficos, a justo título, conquistado com o ingresso pelo vestibular e o Território Livre é o local designado para as nossas legítimas manifestações. Ou outras, às quais nos irmanarmos.
Quando optaram pelo omissão da verdade aos alunos, a pedido dos manipuladores dos movimentos sociais, mostraram muito bem de que lado estão: votaram por eles. Pois que fiquem com eles, então. Permitiram que as Arcadas fossem invadidas por líderes aproveitadores. Numa trágica mudança histórica, desta vez a força Estatal entrou aqui, não como antes, que nunca entrou efetivamente. Mas atendendo a louvável pedido do Diretor da Faculdade, no interesse dos alunos e em proteção a esse sacrossanto solo das Arcadas.

Esse antagonismo que quere criar não cabe aqui. É elementar que, em havendo antagonismo entre representante e representado, fica simples a questão: retira-se a representatividade por ela não ter sido por eles efetivada. Antes, traída.

Por essa razão, deve a Gestão do “XI de Agosto” fazer uma retratação pública, sendo esses membros tornados inelegíveis.

Quanto aos demais alunos, que fique o apelo para que, nas próximas eleições, não se deixem mais uma vez enganar por falas mansas e traiçoeiras, nem por aproveitadores de última hora, votos de amizade, propostas faraônicas e mentirosas e etc.

Tudo o que queremos é a São Francisco para os franciscanos. Só isso, nada mais. Mostre a sua cara e defenda essas Arcadas.

Luiz Gonzaga Arcadas, XXVIII de agosto, CLXXX

sábado, agosto 25, 2007

XI do Baile

(O "anônimo" é inconstitucional. Portanto, comentários assim serão desconsiderados)

Quando INVADIMOS ontem o Baile do XI ficamos CHOCADOS e confirmamos algumas coisas:

I - Se a Gestão tivesse o mínimo de bom-senso, retratar-se-ia diante dos alunos. Porém, é falta de bom-senso esperar bom-senso desse pessoal. Ai, ao invés de eles caírem na real, preferem manter aquele treinado sorriso de escárnio e fazer cara feia aos seus opositores. Que coisa feia !

I I - Na Invasão das Arcadas tinha pão-com-mortandela e um copo de Tang. No Baile tinha um pedaço de crepe e um naco de sorvete. Com a diferença que a invasão foi de graça para os invasores e nós pagamos 55. Isso é que é ter mentalidade capitalista !

I I I - Acho que o crepe estava no inconsciente coletivo da Gestão. Afinal, eles são pequeno-burgueses e, na Revolução Francesa, mandaram comer brioches os descontentes. O Marx mandou dar pão-com-mortandela. Daí deu pane nos poucos neurônios funcionantes da cumpanherada. Na dúvida, prevaleceu o que realmente são: pequenos burgueses, travestidos de benfeitores da humanidade.

I V - Eu sou um otimista. Estou aqui acreditando que o Fórum fez essa imensa cagada apenas pra aparecer na mídia. Com esse marketing extra, venderam todos os convites para o Baile do XI. Isso é que é ter mentalidade capitalista ! É isso: por mais que usem o kit-discurso marxista, lá no fundo aparece a verdadeira intenção da cumpanherada. São mesmo, capitalistas-da-gema !

V – Parece que a pequenina e feia comunista que fez o test-drive inaugural do Trepódromo da Salinha do Saju durante a Invasão não conseguiu estar presente no Baile do XI. Como eles têm um imenso e demonstrado espírito franciscano, ela certamente deveria estar em casa, cantando aquela nossa graciosa paródia: Pomada ! Pomada ! Pomada ! Vou, passar pomada eu vou...

V I – Eles cometem erros grosseiros em seus escritos, Canhestros, O Pátio, etc, e tal. Não colocam o nome da São Francisco n’O Pátio. Assim, erraram até o nome da Rua, no convite do Baile. Mas eu acredito que o erro foi ideológico. Para estar mentalmente afinados com os seus consentidos-invasores, escreveram: Rua Quat, que fica em Ferraz de Vasconcelos. Afinal, eles tinham que mostrar o convite pra cumpanherada. Vila Olímpia, nem pensar ! Bairro da classe pequeno-burguesa, exploradores, etc, etc, etc. (Vide kit-comunista completo: não dá pra reproduzir que é muito longo). Tão perto aliás de suas próprias casas, no Morumbi e cercanias.

V I I – O público do Baile era mais do que o dobro do que havia em 2006. Bom. Bom. Muito bom. Mas esse fato positivo não vai entrar nem como atenuante para a pena do grande crime de não-representatividade cometido contra os franciscanos. Faremos sim, uma Assembléia Geral sim. É, sim, o vocabulário deles é chato, sim, porque eles são comunas sim e falam sempre assim, sim.

V I I I – Como naquele interminável Lost, para eles nos somos “os outros”. Inimigos deles. Só que eles estão lá pra nos representar. Nós temos o direito de considerá-los como realmente são, “os outros”. Eles não. No Baile, todos confraternizavam indiscriminadamente, apesar de outras naturais divergências, pois que festa na Sanfran é pra isso mesmo. Enquanto isso, “os outros” permaneciam grudados, feito arroz mal-feito, confraternizando entre si, quase à porta de saída. Bom, eles estão mesmo à porta de saída. Da gestão.

I X – Fidel podia discursar durante horas a fio, pois os pobre cubanos eram e são obrigados a engolir. Não têm nada mais prá engolir. Mas com a gente, a coisa é diferente. Nosso nobre (não, não é pobre. É nobre mesmo), aristocrático e travestido de defensor-dos-frascos-e-compridos Presidente quis teimar em discursar. Já disse que é difícil cobrar bom-senso desse pessoal. E dá-lhe vaia. Que língua a nossa ! Sempre me perguntei se filologicamente, o verbete “vaia” não seria uma redução da expressão toda, qual “vaiàputaquetepariu”, “vaiàmerda” e outras variações. Em resumo, a vaia, com toda a pertinência. Ô burrice, viu !

X – Mais uma vez, digo que sou um incorrigível otimista. Até o dia 20 de agosto, a Sanfran mais parecia uma OniOnze da vida. Tudo morno, tudo apagado, tudo muito comunista pro meu gosto. Tanto que dava-me mais prazer estar no Túmulo do que no Pátio. Ai a (indi)gestão pensou: vamos fazer isso aqui voltar a ser a efervescência que é, a verdadeira Sanfran ! E arquitetaram essa imensa palhaçada. Agora sim, depois do choque, acordamos todos e estamos vivendo um clima de acordo com nossos tão criticados umbigos, desreprimiu-se de todo o imenso ego franciscano, coisa e tal. Essa, uma teoria. Que tal ? Você não acha que foi apenas e tão-somente uma cagada mesmo ? Tá bom. Concordo, sem otimismo.

X I – Por culpa da Gestão, franciscano agora recebe mensagens aos montes em sua caixa de mensagens. SPAMs em XI itens, toda hora: leia o blog ! leia o blog ! Os funcionários d’A LATRINA estão fazendo hora extra, não-remunerada. Uma total exploração ! Isso porque tanta merda não caberia em apenas uma edição. Mas espera-se que essa crise passe rapidamente. É só tirar essa Gestão do XI e pronto. Por isso, assine a Lista pedindo a Assembléia.

Luiz Gonzaga, com olhos de ressaca ---------- Arcadas, XXV de março, CLXXX

sexta-feira, agosto 24, 2007

Informe Extraordinário

O Forum da Esquerda, muito embora não costume divulgar aos alunos os assuntos de seus interesses, EXCEPCIONALMENTE informa:

I - Não é mais necessário PAGAR pelo convite para o Baile do XI.
Basta chegar lá e INVADIR. Eles apóiam.

I I - No Baile do XI, será servido também o "pão-com-mortandela" que sobrou. Reciclagem, para um mundo franciscano sustentável.

I I I - A (indi)gestão do Forum declara: não consideramos a Sanfran como a nossa Casa, porque nossa casa, uma cobertura triplex no Morumbi e muito melhor. Dá inclusive prá refletir melhor sobre a pobre vida dos pobres e oprimidos. Com a vantagem de que não vai ser invadida: temos segurança particular.

I V - O Forum da Esquerda revela, finalmente, A VERDADEIRA FUNÇÃO da Salinha do SAJU:
transformou-se no TREPÓDROMO oficial daquela Liga de Justiça, a favor dos frascos e comprimidos.
Na invasão, enquanto a Gaviões da Fiel liderava os Movimentos Sociais , os movimentos sexuais corriam solto naquela salinha. A liberdade de ir e vir também.
Como é mesmo o nome daquela comunistazinha clone da Maga Patalógica ? Pois então... ahuahauahauahauahau. Ela finalmente conseguiu ! Viva ! E saiu de lá totalmente transparente, como os atos da Gestão !

Se eles informassem sempre aos alunos, diriam a verdade, para que queriam a salinha. Teriam adesão total dos franciscanos !

Isso sim é que é ISONOMIA ! Igualdade para todos. Tínhamos o Porão, a salinha do RD, da Academia de Letraz, os banheiros do Prédio Anexo, as cortinas da Sala dos Estudantes. Agora, o trepódromo do Saju.

Nem tudo é feio nessa vida comunista. Que bonito isso !

Por isso é que o franciscano diz: estamos fudidos com essa gestão !

V - O Forum da Esquerda resolveu definitivamente a questão de vagas para a Sanfran: como eles acham uma GRANDE MERDA a gente ter direito adquirido, porque conquistamos uma vaga nas Arcadas por mérito legítimo no vestibular, eles DELIBERARAM então:

vão DOAR as suas vagas, por meio de sorteio.

Isso será ótimo, porque resolveremos DOIS problemas: o das cotas e nos livrarmos deles também. eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeebaaaaaaaaaaaa!!!!

V I - Depois da Invasão, os calouros acordaram e estão em estado de CHOQUE. A debandada é geral ! E olha que esse negócio de ser EX-comunista era coisa que só acontecia a partir do segundo ano. Agora, vemos uma multidão de calouros pulando fora dessa barca furada.

Isso sim é bonito !

Acorda, calouro !!!!!

Valha-me meu São Francisco. Atendeu às minhas preces !

V I I I - Fórum declara: Nós fazemos istória ! Foi às custas de gestões como as nossas que formou-se o ANIMUS JOCANDI. Palhaçada por palhaçada, é melhor escrever A LATRINA do que propor algo que seja sério. Com isso, não é pra menos que o Zé Simão seja franciscano. Rárárárárá. E tem o Lalau e sua TROPA que também aprovava INVADIR o erário.

I X – Na Pauta dos 18 pontos, o Fórum propõe mais um: que as franciscanas deixem de se depilar. É tudo pêlo social.

X – – Nosso dupla de líderes se queixa: isso de os franciscanos se rebelarem, foi um golpe baixo: acertaram a minha testa e quase quebraram o meus enfeites. Já isso pegou outros companheiros por trás. Mas ai eles gostaram.

X I - Quando a gente tiver mais coisas pra informar aos alunos, se os nossos patrões da une, mst, gaviões, etc, permitirem, a gente informa. Deus é fiel. A Gaviões é Fiel. A gente também somos FIDEL.

é isso ai, cumpanherada !

Luiz Gonzaga
Agora, membro do movimento VIXI !– Vamu invadi u XI
Que, como testemunha ocular, vê até o que nem precisava.
E que, se é prá baixar o nível, não faz a mínima cerimônia !
E se diverte.

quarta-feira, agosto 22, 2007

(que seja o último) Fora da Esquerda !

“A invasão está muito bonita e foi um sucesso total. Né, companherada ?”
(palavras do Sapeca, digníssimo Presidente do CA)

O Diretor Rodas estava cumprindo o seu dever, quando pensava em preservar tanto as Arcadas em si, quanto o patrimônio. A Polícia Militar estava cumprindo o seu dever quando, atendendo ordens, desocupou a Faculdades dos invasores. Apenas o Fórum da Esquerda não sabe o que é cumprir o seu dever: avisar antecipadamente os alunos de tal invasão.

Para aqueles que ainda teimam em não reconhecer: esse pessoal que se auto-denomina de esquerda (muito embora desfilem de Audi e passem férias em Cancun) não têm o espírito franciscano. Quando deviam dar satisfação aos alunos, deram-na para os apaniguados da Gaviões da Fiel, liderança entre os invasores, nessa grande “luta pela educação”, a qual têm toda a pertinência: afinal é uma Escola... de samba. Ao não avisar os alunos, “para não atrapalhar a invasão” mostraram bem de que lado estão jogando. Conforme queríamos demonstrar, seus corações e mentes estão voltados para tudo o que não seja Sanfran. Pensar nas Arcadas é ser umbiguista, dizem eles.

Os alunos que os elegeram, elegeram-nos para serem seus representantes. Não para ser representante de nada mais. Eles sim é que estão enganados. Quem foi que disse, alguma vez na História, que o Centro Acadêmico “XI de Agosto” tem que ser o arauto de alguma coisa ? Se for prá defender alguma “causa” que seja de interesse nacional, com a concordância dos alunos, então deve sim o XI se manifestar. Mas só assim. Fora isso, o “XI” deve cuidar das Arcadas e dos alunos. Ter o espírito franciscano” não é algo sobrenatural É, apenas e tão-somente, priorizar essas Arcadas e seus alunos. Dar-lhes satisfação e solicitar autorização para quaisquer atos externos é o mínimo que uma gestão decente deve fazer aos que os elegeram.

Após essas palavras, vamos aos fatos realmente ocorridos e presenciados, até 1:15h:

- Por volta das 18h, os invasores estrategicamente ocuparam inicialmente a Passarela, impedindo o livre trânsito de quaisquer que não eles próprios: professores, alunos, ou funcionários, etc. Isso é crime contra o direito de ir e vir.
- Ocuparam a entrada principal do Largo e também a da Rua Riachuelo, com o mesmo proceder. Isso também é o mesmo crime.
- Por meio de “coação moral irresistível” obrigaram alunos a saírem das salas de aulas. Isso é crime.
- Eles se auto-imputaram o direito de exigir identificação de alunos para entrar na faculdade. Isso é crime de falsidade ideológica, pois não têm essa competência.
- É mentira que um funcionário pediu identificação de um aluno, pelo fato de o mesmo ser negro. Por um simples fato: eles “permitiam” que apenas os seus ficassem nas citadas entradas. Não havia funcionários nas entradas, como nunca houve. Pelos menos nos últimos 180 anos. Aliás, mencionemos o nome: Vinícius Mota de Jesus. O mesmo que, ano passado, chutava a cabeça de franciscano caído no chão. Ano passado era apenas mais um comunista covarde. Hoje, além de covarde é deslavadamente mentiroso.
- Eles tentaram (e não conseguiram) expulsar alunos da Sala dos Estudantes. Isso é uma estupidez !
- Alunos que apóiam manifestantes, manifestantes o são. E eles eram um pequeno grupo, constituído da própria Gestão e de alguns seguidores. Eles, junto com os agitadores profissionais sobejamente nossos conhecidos, de todas as manifestações, líderes dos “movimentos em nome dos populares” estavam comemorando no Porão, no Chopp do XI, para a alegria do Alemão, que lhes fornecia incontáveis garrafas de cerveja. No ar, não tinha só alegria. Mas também um cheiro bastante característico empesteando o ar. Arriscaria até a dizer que era maconha, sei lá ! É muito importante frisar que foi esse o cenário que a Polícia encontrou no “cândido e ingênuo” Centro Acadêmico. Não poderiam mesmo entrar distribuindo rosas...
- Quando da chegada da Polícia, alunos foram abordados e inquiridos. Ao se identificarem como alunos e não fazendo parte dos invasores, foram orientados, sem qualquer violência, a se retirar. A Faculdade seria esvaziada, como deveria estar, desde às 23:45h como normalmente acontece. Voltando ao afirmado acima, a Polícia, no cumprimento hierárquico do dever deveria retirar os manifestantes. E, também como referido, aluno-manifestante manifestante é. Impedir a ação policial é crime.

Alunos que chegaram pela manhã, informados, ou não do ocorrido, mostraram-se indignados pela ocupação, pela desocupação e, muito mais: indignados por terem sido enganados pela Gestão. Parece que é mesmo um mal dessa nefasta esquerda que assola o Brasil. Afinal, eles sabiam ou não sabiam da tal invasão ? Ora diziam que sim, ora diziam que não. Diante da estupefação dos alunos e da sua insatisfação, o Fórum da Esquerda propôs uma Assembléia na Sala dos Estudantes. E o que aconteceu ali foi patético.

O que era pra ser uma assembléia de alunos mais parecia uma reunião do Fórum da Esquerda. Que antes se realizava no Hall dos Elevadores e hoje, infelizmente, ocorre na Sala dos Estudantes. Foi um desfilar de “companheiros” se revezando indefinidamente, no mais das vezes aplaudidos de pé, pela imparcial audiência. Com os “n” companheiros, a fala de sempre. Bingo ! Sim, sim, você acertou. Tudo aquilo, de sempre. Recuso-me a repetir. Cansei.
Por culpa da Gestão tivemos realmente que suportar uma intervenção policial em local que nem mesmo o Exército jamais entrou. Mas, aqui, mais uma vez, entram eles, pra distorcer os fatos de como eles realmente o são. A ação policial de desocupação não foi contra os estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Não há que se apelar para os velhos chavões de repressão à liberdade de pensamento e de expressão do tempo do governo militar. Aqueles eventos eram realizados por alunos. A intervenção policial era então, contra os alunos. As quais, obviamente, somos todos contra. Mas agora a situação é outra. Mais uma vez, o Fórum da Esquerda quer distorcer os fatos e, utilizando-se daquelas frases de efeito, isentarem-se da responsabilidade de terem mentido aos 2300 (menos eles) alunos das Arcadas. A ação policial ocorreu para tirar da Faculdade quem não deveria estar lá. Infelizmente, essa a realidade.

Repetindo o que foi dito na pseudo-assembléia: o que vimos foi uma gente muito feia, feia e ameaçadora, tentando nos coagir a sair das aulas, sair da Sala dos Estudantes, sair das Arcadas. Por óbvio, não conseguiram. Se a visão era feia, o que ouvimos também era feio: “a-há, u-hu, a São Francisco é nossa !” . Não, a São Francisco não é deles,. É nossa, dos seus alunos. Ou pelo menos deveria ser, não fosse a funesta omissão do Fórum da Esquerda. E aqui não têm nada de racismo ou discriminação, como quiseram fazer parecer, distorcendo as coisas, mais uma vez. Tenho eu o sagrado direito de achar pessoas e atos feios ou bonitos. Achei-os feios !
Foi isso que aconteceu. Ipsis litteris.

A São Francisco para os franciscanos é o que sempre defendi. Se alguns ainda achavam que a paráfrase da Doutrina Monroe era apenas animus jocandi, está provado agora que não. Devidamente comprovado pelos lamentáveis fatos. Sente-se agora, nos olhos do franciscano a sua indignação e anseio: queremos a Sanfran de novo pra nós !
Para tanto, colheremos tantas assinaturas quanto necessário para que seja feita uma Assembléia Geral de alunos, cuja pauta é a destituição do Fórum da Esquerda da Gestão do “XI de Agosto” e sua conseqüente inegibilidade, fundamentado na sua não-representatividade da vontade geral dos alunos. Assine.

Luiz Gonzaga, testemunha ocular dos fatos Arcadas, XXI de agosto, CLXXX

sexta-feira, agosto 03, 2007

O PINDURA - prá quem quer dar e não sabe como

Resolveram fazer uma Palestra intitulada “Tradições Franciscanas”, na Sala dos Estudantes. Muito bom, isso ! É preciso ensinar os calouros. O Prof. Otávio, como bom Peruólogo, discorreu sobre a Peruada (oba !). O Professor Modesto filosofou sobre a Antropologia e outros quetais, sobre as nossas mais queridas e saudáveis tradições.
E então, como não poderia deixar de ser, uma excelente aula de falsidade ideológica: alguém que não é franciscano, e muito menos professor, como sugeriu ser, dissertando alegremente sobre o Pindura. Pode ter sido engraçado, mas verdade não é. Restaria também pensar se tal show, embora fundamentado em irrealidades e falsidades, não teria o fim de conseguir o resgate de alguns votos para as eleições de outubro. Em assim sendo, não teriam o meu, dada a má-fé da proposta.
Por isso resolvemos colaborar.
Como dito, é preciso orientar os calouros, não mentir pra eles. Pode não ser tão engraçado, mas é tudo verdade
Esse roteiro tem o fim de orientar, se for necessário, os calouros, nessa nossa árdua tarefa de manter viva a tradição do Pindura. Comemoração exclusiva de alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
Afinal, aniversário das Arcadas! Temos que atender aos diversos convites recebidos dos Restaurantes, para essa comemoração.


Pindura
o ascendere para que o calouro seja elevado à condição de franciscano.

I. O infeliz do calouro, pra dizer que é da Sanfran tem que ter dado ao menos um Pindura.
II. Pegue vários ofícios, se na salinha abandonada tiver alguém. Corrija a trova que diz “...cobrar o XI”. Não é cobrar “o”, mas “do”. É que a periferia jurídica também se arrisca em alguns penduras por ai. Como não podem dizer “do XI”, porque não são alunos, cantam “no XI”. Coisas da vida! Eu mesmo, em minhas andanças por diversas delegacias, já orientei a incautos delegados que mandassem prender pucanos, orelhas, fmuhhhs da vida que, fraudulentamente, queria se locupletar, comemorando um aniversário que não é deles. Sugiro façam o mesmo !

III. Escolha um bom restaurante. Nada de miséria. Esfiha, sanduíche, não é Pindura, é pobreza de espírito. Junte grupos com meninas e meninos, na máximo meia dúzia. Para um restaurante grande, pode juntar um, dois ou mais grupos. Adicione um veterano, para não sair merda. Ele conhece o script.

IV. Entre no maior estilo. Se perguntarem se é Pindura, jure por todos os deuses que não é. Uma boa pergunta nessas horas é: que é esse negócio de Pindura?

V. Sente-se tranquilamente. Nada de ficar cochichando, olhando pros lados, ficar assustado. Aja naturalmetente.

VI. Peça pratos sem olhar os preços (já que você não vai pagar), mas não seja morto de fome. Peça apenas aquilo que deseja realmente comer. Sem exageros. Peça sempre um ótimo prato. Se for bebida, nada de cerveja. É coisa de miserável. Desculpe: de pessoas hipo-suficientes economicamente, pra ser politicamente correto.

VII. Aja como se você comesse em restaurantes de bom nível todos os dias. A gente sabe que você dá perdidos até no Bandejão, mas esqueça. Uma vez na vida, aja como se você tivesse classe.

VIII. Nem por um segundo pense Direito, não fale de Direito, de vestibulares, de pucanos. Nada. Nada. Fale de futebol, do Iraque, do cacete a quatro, mas nada de Direito.

IX. Se bebeu bebidas alcoólicas, como vinhos de ótima qualidade, saiba que você vai pagar isso. E também os dez por cento dos garçons. Esses dois itens são sagrados. Peça a conta. Separe o dinheiro da bebida e dos 10%. Mas não seja maloqueiro. Nada de se debruçarem todos sobre a conta, ficar fazendo contas e etc. Isso é coisa de pobre. Você está comemorando ser a elite, não se esqueça disso ! Calculadora, nem pensar. Coloque o dinheiro na caderneta da conta, incluindo o Ofício. Chame o garçon.

X. Cantem todos: "garçon tira a conta da mesa e ponha um sorriso no rosto . Seria muita avareza cobrar do 'XI de Agosto'". Em tempo: a trova deve ter os versos repetidos, não esqueça. O orador deve se levantar e dirigindo-se ao público, agradecer o honroso convite feito pelo Restaurante, para que pudéssemos comemorar em alto estilo o aniversário das Arcadas. Afinal, não é todo dia que se comemora ter 180 anos ! Ressalte também a hospitalidade e as grandes qualidades e fama daquele restaurante. Agradecer pela oportunidade de comemorar o aniversário das Arcadas naquele ótimo restaurante. Todos aplaudem. Em seguida, se não aceitaram a Festa, exija que todos devem ir para a Delegacia. Continue cantando outras trovas. Não repetir as trovas. Não dê, outra vez, uma de maloqueiro: nada de “Ô, leleô, leleô...”, nada disso. O Aniversário é das Arcadas. Cantemos as trovas !

XI. Não pode arreglar de jeito nenhum. Eles vão querer ameaçar, dizer que é crime, que não vai poder prestar concursos e outras besteiras. Tudo baboseira. Na delegacia diga que tem o dinheiro para pagar, mas que é uma comemoração e que isso não tem preço. Por isso não vai pagar. Não faça acertos. Você não está pedindo desconto, está comemorando. Vai pagar a bebida e os 10% e só. Nada de acordos, de pagar parte, etc. Isso não é Pindura, é esmola. Agora, algo muito importante: comporte-se na Delegacia como se estivesse em uma delegacia. Lá não é lugar prá brincadeirinhas e palhaçada. Porque você, agindo assim, terá que permanecer outras boas horas lá. Seja sério com o Pindura: faça certo !

Pronto. Depois de algumas horas de delegacia, você estará pronto pra voltar para o Porão e contar o fato e todas as vantagens que quiser acrescentar. E reunir um outro grupo, para um novo Pindura. Mude apenas o bairro, para não cair na mesma delegacia e ouvir aquela frase conhecida : você, de novo ?
Ah, importante: guarde o Boletim de Ocorrências, para anexar ao seu Histórico Escolar Franciscano.

Algum folclore sobre o Pindura:


I - Não é Pendura. É Pindura.

I I - Começou em cerca de 1850, quando donos de Pensões, Pousadas e restaurantes ofereciam um almoço especial aos franciscanos, no dia XI de agosto. A finalidade era descolar um bom partido prá suas filhas que serviriam, no caso, de prato principal.

I I I - Depois, como não tinha tanta donzela disponível para a sobremesa, ficaram apenas com o prato principal e passaram a Pindurar a conta. E esquecê-la.

I V - Depois, com o advento de mais 800 pseudo-faculdades, a coisa agora virou putaria e o Pindura é dado como se fosse no Dia do Advogado, 11 de agosto.Não é ! Oriente os delegados para que prendam aqueles orelhas. Isso é falsidade ideológica: querem comemorar o nosso aniversário, XI de agosto.

V - Boletim de Ocorrência não impede de prestar concurso. Você pode ter um BO por "n" motivos: assédio sexual no escritório, por estupro, numa batida de carro, por vomitar pela janela do XIº andar, chegando da Peruada e etc. Ou seja, não é o Pindura que poderia atrasar a sua vida, mas outras merdas que você vai certamente fazer pela vida afora.

V I - Não use a desculpa acima para arreglar na Delegacia. Se você é um cagão, assuma: não faça Pindura. Junte-se a outros franciscanos que gozam o tesão alheio, afirmando ter estado em Pinduras que não fizeram. Se você quer contar prá todo o mundo que quer ser juiz, não precisa usar essa desculpa, conta logo !

V I I - Tire uma cópia de BO e junte-o ao seu Histórico Escolar. Vai aumentar a sua média-com-pão-com-manteiga-ponderada.

V I I I - O maior Pindura foi dado em julho de 1906, quando os franciscanos apresentaram o Santos Dumont em Taubaté e foi feito um grande banquete para toda a cidade. Santos Dumont estava em Paris e mandou carta ao XI, comunicando que tinha feito o vôo no 14, 14. Alguns franciscanos aproveitaram que não tinha televisão, google, internet e fizeram-se passar pela comitiva do nosso Ícaro tupiniquim. Depois, o prefeito ficou um pouco "chateado" com a Sanfran. Mas, dado que o Presidente da República era um franciscano, resolveu deixar prá lá.

I X - O segundo maior Pindura foi o casamento feito no Maksoud, na década de 1980. Absolutamente genial !

X - O maior Pindura do século XXI foi em 2004. XXI franciscanos, no Bolinha, que alegou que também era adevogado, mas que não vinha ao caso onde tinha se formado. Esse Pindura foi divulgado em rede nacional pela Record. Um luxo, digno de franciscanos !

X I - Coloque aqui o novo recorde, no ano de 2007:

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Agora, chega de tanta falação. Vá fazer o Pindura !

(excerto do Livro As Arcadas: segredos, magia e estórias)