sexta-feira, setembro 26, 2008

Chora, V ano, chora: fraude na eleição de Patrono

Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Mutatis mutandis para esse sacrossanto universo franciscano, a frase fica assim: dize-me o que aconteceu e dir-te-ei quem foi. Afinal, foram passados cinco anos diuturnamente nessas Arcadas convivendo com toda a espécie de recursos que se utilizam para a obtenção de um fim. Os honestos e os nem-tanto.

Marcadas as eleições para os quintanistas votarem em Jurador, Orador, Professores Homenageados, Paraninfo e Patrono. Para a formatura que vem ai, infelizmente.

Fraude! Existe isso? Fraude em eleição para Patrono da Turma CLXXVII? Santa inocência. Estamos na São Francisco, ora pois!

Vai me acompanhando nesse boletim das ocorrências que o seu faro anti-maracutaias já vai matando a charada.

I – o voto por computador, para impedir fraudes, catracamente falando, a senha era incrivelmente o número de matrícula. Algo criptográfico, secreto, ninguém tem acesso, Deus me livre;

I I – A data limite para as votações era o glorioso dia 22 de setembro. Que, como costuma acontecer com os demais dias, termina à meia-noite. E, por ser o último dia, certamente conteria um grande número de votantes, já que estamos no Brasil, certo? Às XI:30, erradamente , claro, foi informado via email o resultado da votação. Fiquei eu aqui pensando que fosse um problema de fuso horário e que a Comissão ainda estivesse sob os eflúvios das Olimpíadas, no outro lado do mundo. Ou os votos já seriam suficientes?

I I I – Alunos que foram votar, obviamente no último dia, depararam-se com uma caixa de diálogos interessante em seu computador: você já votou! Mas, como assim, já votei? Eu não votei. Votaram por mim? Sim. Elementar, meu caro Watson...

I V – Daí, levantou-se a lebre: fraude. Fraude? É, fraude! Quero dizer, ainda não se levantaram as lebres. Pois foram vários os que se depararam com idêntica situação.

V – Denunciada e publicizada a coisa (epa!) a Comissão acertadamente decidiu por anular o pleito. Perfeito. Só que, mui burocraticamente, convocaram uma nova eleição, para corrigir esse erro burocrático-administrativo. Não, não foi um erro. Foi fraude! E exige apuração sobre quem votou e em quem. Absolutamente simples de resolver. O “controller” do site da Stillus, em apenas querendo, em uma fração de segundos, detecta o votante e o votado, a data, com a precisão de milésimos de segundos, o IP do computador utilizado e outras coisas. . Em apenas querendo. Não se precisa ser um Bill Gates da vida para checar uma consulta a uma lista. Mas isso não foi providenciado. Apenas e rapidamente, a nova eleição. Afinal, “comissão” é poder delegado. Pelo grupo total de formandos.

V I – Que tal você ter fornecido um endereço de email para a Comissão, criado exclusivamente para assuntos de Formatura e receber uma mensagem dele pedindo votos, em pleno domingo à tarde? Mas votar em quem, Deus do Céu? Ohhhhhhhh!!!!!!!!!! Em linguagem cibernética, o seu espanto fica mais ou menos assim: [:D]. Ainda mais: você, atendendo àquele apelo, vai então votar e encontra aquele belíssima caixa de mensagem: você já votou! Como assim, já votei? Eu ainda não votei ! Santa inocência. Elementar, meu caro Watson. Todos têm o seu modus operandi, a gente conhece de várias Peruadas.

VII – Aos vencedores, as batatas quentes! Parabéns ao Jack e ao Danilo! A poesia do Danilo é algo brilhante. Sua interpretação dela chega às raias do belíssimo! A única restrição que se pode fazer, como aluno-formando é que, nos CLXXXI anos de existência dessas Arcadas nunca houve uma poesia como Discurso. Algo que aliás foge ao bom entendimento vernacular. Discurso é prosa, ora pois. Nem mesmo na formatura do Olavo Bilac ou Álvares de Azevedo o Discurso foi no formato de Poesia. Os outros tantos e tantos nossos poetas que me apóiem nessa afirmativa. Porém, essa é apenas uma opinião pessoal. E de outros tantos. Mas que, em sendo eleito, seja aceito.

VIII – Ou seja: os vencedores não precisavam de fraude pra vencer. Será então que estariam usando o Danilo como laranja? Isso não! Ai já é demais para o meu pobre coração! O Danilo jamais seria usado como laranja para ninguém! Será que seria altamente interessante para alguém que o Incomparável fosse o Patrono? Ou quem sabe o Beercovixe! como professor Homenageado? A Constelação Oriônica talvez? Será que haveria interessados em levantar o moral, após um eventual e fragoroso bota-fora realizado pelos alunos? Teria algo a ver isso tudo com a futura eleição para o XI?

IX – O que virou moda no mundo e, claro, nos macaquitos brasileiros, é sempre argumentar com a ‘Teoria da Conspiração” quando se faz qualquer tipo de denúncia. Algo como uma frase de efeito. Políticos, quando pegos com a boca-na-botija costumam declarar, estupefatos: isso é uma calúnia! E os fatos costumam se comprovar em seguida à alegação de calúnia. Muito embora acabem dando em nada. No máximo, pizzas. Mas não estamos no mundo, estamos no mundo das Arcadas. Uma comunidade restrita, num universo de elementos conhecidos. Sobejamente conhecidos. Então, que não baste a estupefação. Ou a alegação da Teoria. Basta que se constate, como dito, junto ao “controller” do site. Saberemos os autores, os criminosos, os beneficiários de tal ação criminosa. Nem que seja só para confirmar. Ou para tornar esse boletim de ocorrência uma calúnia. Daí processem o cara, maldito infame!

X – Se preciso, poderíamos chamar a Polícia Federal, para eles deflagrarem aqui uma Operação policial. Fiquei até pensando em algumas sugestões para o nome: Operação catraca-russa? Cujo tiro saiu pela culatra? Operação Feiticeira ? Aqui, uma clara alusão à primeira-dama. Ou ainda: Operação "vai-tomar-no-cu, meu Peru ninguém grampeia"? Não, esse é ‘o” mote da Peruada. Seria plágio. Aliás, coisa comum em nosso meio, ultimamente. Já quando é plágio de si próprio não é crime, é apenas um estilo de fazer, um peculiar modus operandi. Acorda, Watson!

XI – Ah, o que também costumam alegar, diante de qualquer denúncia é que é “coisa de perdedor”. Que seja. Mas que se constate rapidamente, antes da data para a próxima eleição, marcada tão afoitamente. Primeiro as providências, depois as novas eleições. Porque somos sim, todos perdedores, se não aparecerem publicamente os culpados. Perderemos todos, os franciscanos decentes e os brasileiros. Daqui a dois meses eles sairão daqui, diplomados como bacharéis em Direito pela São Francisco, para gloriosamente se juntar aos Lalaus e Mamatos da vida. Ou, mais provavelmente, continuar a carreira política, inflacionando ainda mais o nosso Congresso com seus pares.

Esse texto, multicolorido apenas para indicar o caminho das pedras, é essencialmente cinzento, nebuloso e negro. Chora, São Francisco!

Luiz Gonzaga – V Ano (Deus me)Livre __________ Arcadas, XXVI de setembro, CLXXXI

sábado, setembro 20, 2008

Festa da Entregação-2008


A Tese de Láurea enfim achou uma finalidade: álibi

A maioria dos cursos superiores exige, via MEC, a realização de um Trabalho de Conclusão de Curso pelos alunos. Tal medida visa a dar um mínimo exigido de qualidade ao curso ministrado. Principalmente na área do Direito, com suas mais de 800 “facul” que existem por ai. A Faculdade de Direito de São Paulo dispensa essa exigência, tendo em vista que supera e em muito o que é exigido pelo MEC. Ou por qualquer outro.

Tal exigência, para quem está subordinado à ela, em nada acaba se vinculando à esperada qualidade. Ao contrário, cria mais empregos, como se sabe. Uma enormidade de anúncios vendendo Trabalhos prontos ou semi-prontos. Só aquecer, dar os últimos e retoque e não se esquecer de colocar o próprio nome. Isso se aplica aos alunos e incrivelmente aos Professores também. Enfim, como em tudo o mais, como sói acontecer nesse nosso Brasil, a eficácia da Lei mostrou que não se criaram mais bons cursos, boas faculdades, bons alunos e bons professores. Enfim, bons profissionais. O que a Lei fez foi diplomar escroques, fraudadores e Instituições entregadoras de diplomas. A muito bom preço, claro. Essa, a realidade que conhecemos.

Esse enfoque, mais uma vez não enquadra a nossa Faculdade de Direito. Franciscano, enquanto ainda sob a sombra das Arcadas costuma ter vergonha na cara. Depois, sabe-se lá. Não por qualquer virtude transcendental, mas não há "clima" para o delivery. Fica muito engraçado imaginar se isso acontecer um dia. Seria tão avacalhado e tripudiado que talvez pulasse do terceiro andar sobre as lanças do Túmulo do Julius Frank.
Falamos de graduação. Entretanto, por vezes, pode acontecer de aparecerem Teses esdrúxulas, descaradamente copiadas, sem qualquer referência à origem da colheita de dados. Isso tipifica-se penalmente como fraude. Quando se fala em direitos de Autor, em Plágio. Fortuitamente pode ocorrer em Concursos para Professores. Não se graduaram nas Arcadas, então tentam a última chance, uma pós-graduação ou , quem sabe, concurso para professor. Alguns ainda candidatos, alienígenas que pretendiam aportar por aqui, via Tese suspeita, no mínimo que se possa dizer. Outros ainda, já até empossados, garbosamente ministrando sua sabedoria aos atentos calouros franciscanos.

Desde 2004 sempre defendi que a Tese de Láurea existisse. Mas não com a finalidade de atestar o curso de graduação, já de nível no nosso caso, mas que tivesse uma utilidade prática. Para alunos que apenas desejam se bacharelar não tem utilidade nenhuma. Uma exigência desnecessária. Estariam dispensados dela. Mas, para aqueles que pretendem atuar na vida acadêmica, na pós-graduação, concursos para professor e outros, deve sim ser requisito obrigatório. Porém, além de ser obrigatória, contar como pontuação especial para a obtenção de outros títulos. Ou ser publicada na Revista da Faculdade. Ou as duas coisas. Ou outras mais ainda.
Enfim, são idéias para que a elaboração da Tese de Láurea não seja uma simples TPM (Tensão Pré-Monografia) para os alunos. Uma neura inútil, estéril de finalidade. Algo criado apenas para atenazar a vida de infelizes quintanistas. Para depois ser arquivada e fim. Mas essa será uma excelente pauta no “calendário de lutas” futuras. Quem viver, verá. Quem sabe, quando a Representação Discente acordar para essa lastimável realidade haja um novo rumo.

Por enquanto, a Turma 177 resolveu o problema: a Tese de Láurea tem sim uma finalidade útil. Pelo menos para essa Turma. Serviu de álibi para a realização da Festa da Entregação, no Porão. Para quem não creu, créu! A melhor dos últimos cinco anos. Pelo menos do que eu consigo me lembrar. Que é pouco, muito pouco.

Luiz Gonzaga - V Ano (Deus me) Livre - Arcadas, XIX de setembro, CLXXXI

segunda-feira, setembro 01, 2008

O que eu faria com seis milhões de reais?

Para os mais apressadinhos, já respondo imediatamente: o XI deve comprar TUDO em ações inalienáveis. A idéia não é só minha e é antiga. Vem lá de 1911, quando fizeram isso pela primeira vez. Pronto, está dito.
Daqui pra frente, vou brincar de adevogado: vou defender essa idéia.

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A quantia pertence ao Centro Acadêmico “XI de Agosto”, com os seus cento e seis anos. E que terá outros tantos. Esse é o motivo dessas palavras, que pretenderá fazer uma pequena viagem pelo mundo da Economia, das Finanças, do mundo do dinheiro e da nossa grotesca ignorância como povo brasileiro.

A discussão tem sido feita por alunos, como é óbvio. A ampla maioria tem cerca de 20 anos e, apenas um fato, sem qualquer ofensa, mal sabem gerir a própria mesada. Jamais citei a minha “suposta experiência”, mas nesse caso penso que ela pode ser de alguma valia.
Por certo aparecerão montes de sagazes interessados em dar “um melhor destino” ao valor. Ressalvo que o “melhor” é o melhor pra eles”. Devemos ser muito cautelosos com a ajuda que estão nos querendo oferecer.

Por essa razão escrevo aqui. Não falarei em uma Assembléia, com 30 segundos de tempo. Porém, gostaria da sua atenção para os pontos que pretendo ressaltar. Visam a colaborar com o debate acerca das idéias e sugestões.
Não tenho em absoluto nenhum interesse outro, a não ser o de aluno, que quer ver o XI continuar a ser dono desse patrimônio por mais cem anos.

I – Caso o juiz tivesse julgado de ofício, bloquearia a quantia, assim como todo o restante é bloqueado, inalienável. É óbvio que não foi o caso, mas o espírito deveria ser o mesmo. Afinal, o acessório faz parte do principal, como reza o bom Direito.
E aqui fica a sugestão: por ser um montante decorrente de propriedade inicial em Ações, nada mais óbvio e ululante que deveria ser integralmente revertido em Ações.

I I – A primeira contestação: o mercado acionário é um mercado de risco !
Já imaginou se aqueles franciscanos do começo do século XX tivessem raciocinado assim, como o XI teria sobrevivido durante esses 105 anos ? Ainda mais mal-criando franciscanos, que vêem no XI um pai rico. Querem tudo de graça, o XI tem que fazer benemerência, ajudar os menos favorecidos, cumprir uma função social, defender a Democracia e outros argumentos mais. À custa do quê? Ações. Por isso o XI deve reverter toda a verba recebida em ações. E sobreviver com dividendos e rendimentos. Não se fala aqui em especulação, valor das ações etc. Compra-se e esquece-se. Assim como o fizeram os doadores das ações, há 105 anos. E, claro, inalienáveis, como da primeira vez.

I I I – Vamos ver a origem disso dessa expressão aterrorizante, “mercado de risco”.
O Mercado de Ações é típico de países capitalistas. Hoje não se pode mais fugir dessa realidade. Iniciou-se no Brasil ainda no século XIX por puro modismo brasileiro. Macaquices, como dizem os argentinos. Onde já se viu não termos também uma Bolsa de Valores ? Criou-se uma, então. Um país subdesenvolvido, em pleno feudalismo, latifúndio de monocultura de exportação.Mercantilismo ? Zero indústrias. Mas com uma Bolsa de Valores. Ora, pois.

I V – Tinha que ter, mas não podia funcionar bem. Então, disseminou-se a expressão: “mercado de risco”. Para que ficasse um nicho restrito a uns poucos, como sempre. E o bom brasileiro, dentro da sua peculiar ignorância engoliu mais essa. Não disseram risco do quê. É “risco de ganhar”. O que não acontece com a nossa famigerada “caderneta de poupança” e seus congêneres, “renda fixa” e outros. O depositante tem a segurança... de que nada vai ganhar, exceto correção. Deixa o “risco de ganhar” para os senhores banqueiros, que fazem muito bem o seu papel. Enrolando os desavisados, pega os seus 6 milhões e faz o quê? Paga-lhe 1% e aplica tudo na Bolsa. E ganha vinte, trinta, quarenta por cento. E têm lucros de vários bilhões ao ano.

Lá pela década de 30-40 do século passado, conseguiram fazer com que o brasileiro entendesse “fazer poupança’, com “caderneta de poupança”. E lhes paga a beleza de seis por cento ao ano. Outro exemplo que nada tem a ver com esse assunto, mas demonstra cabalmente como usam da ignorância do brasileiro para que ele viva eternamente esmolando: o FGTS paga o absurdo de três por cento ao ano! Sabe lá o que é isso? Sim. E isso ocorre há 40 anos. E eles continuam vendendo a idéia de que isso é um excelente negócio. Só não esclarecem para quem. Para eles, lógico.

V – O capital do XI foi doação de ações de alunos. Uma boa ação, digamos. Modelo aliás que poderíamos reintroduzir agora. Alunos doando ações para o XI. Acho uma excelente idéia.

Para aqueles que ainda insistem no “mercado de risco”, lembro que a Humanidade já passou por duas guerras mundiais, o Crack da Bolsa de NY, n crises localizadas e mundiais, algumas dezenas de guerras “particulares”, o Brasil já mudou várias vezes de moeda, desvalorizou zilhões por cento a cada mudança. E mesmo assim, o XI acaba de receber uma pequena verba, decorrente de atualizações do capital inicial, lá de cem anos atrás. Sempre lembrando que, no entremeio, viveu 105 anos bancando franciscanos, suas festas, seus ideais e devaneios. Que risco bendito é esse ? Santo risco!

V I – Toda a defesa dessa teoria, tendo-se como pano de fundo um Brasil-colônia, ora de um ora de outro país. Que dizer de um mundo agora sem fronteiras, a dita globalização? O País agora tem que se desenvolver e crescer, mesmo que não queira, mesmo que o seu povo seja ignorante, mesmo que os imortais coronéis tão atuantes assim não o queiram. Estamos tendo prova inconteste disso.

O País cresce, a despeito de ter um bando de democráticos ladrões no seu gerenciamento. Estava tentado a dizer “incompetentes”, mas não é verdade. São altamente competentes. No enriquecimento ilícito, espoliando o Estado. E, apesar deles, o País cresce. Porque assim o mundo o exige. Cresce 4%, a China XI%, mas tudo bem. Se não tivéssemos analfabetos no Poder, seria mais. Mas estamos finalmente entrando na Era da Revolução Industrial. Ufa !

V I I I – E a Bolsa de Valores é característica do Capitalismo que estamos timidamente entrando agora. Um pouco retardados, é certo. Mas, finalmente. E, segurem-se os comunistas de plantão, mas Adam Smith já apregoava que o mercado tem mesmo uma mão invisível que auto-corrige o sistema. E, ao longo de todo esse tempo, criaram-se mecanismos para proteger o termômetro do Capitalismo: a Bolsa de Valores. Melhor prova disso não há: o XI está, em 2008, recebendo valores corrigindo um capital aplicado em 1920. Ou seja, todo o ordenamento jurídico de um País protegendo o capital investido em Bolsa. Isso é risco de ter segurança. Qualquer depósito em Banco, o Sistema apenas protege até 200 mil (cerca de). O resto é risco. E esse é risco de perder.

I X – Existe um comparativo que é feito. A nossa Bolsa de Valores foi regulamentada em 1965. Se naquela data um cidadão tivesse comprado uma casa e outro tivesse aplicado igual valor em ações, hoje um teria uma casa velha, caindo aos pedaços. O outro teria, em dinheiro vivo e disponível, o equivalente a quarenta casas novas, idênticas àquela de 40 anos atrás. Isso ele tendo reaplicado os juros e dividendos das ações. Não se está falando apenas do Capital, que oscila diariamente. É um ótimo exemplo.

X – Já foi aventada a criação de um Fundo de Investimentos. É outra falácia. Pode até ser um recurso para quem tem 10 mil pra aplicar e então não dá pra aplicar sozinho. Tem que se juntar a outros, pra formar um bom capital. Os gestores do Fundo têm lá os seus acertos para comprar essa ou aquela ação. No interesse deles. Se perder, eles pedem “desculpas”. Se ganharmos, eles ganham a maior parte. O risco fica por conta do XI. Sou mais simplista. O XI deve adquirir todo o montante em ações da Petrobrás. Vai pagar 0,5% de corretagem e ponto final. Claro, vai esquecer na Custódia essas ações, para sempre. Mas receberá semestralmente , juros e dividendos do Capital. E, com esse dinheiro, poderá então fazer a sua redistribuição de verbas para as Instituições e etc. Mas nada de ficar sustentando um “Fundo Gestor”, durante cem anos. Sugiro até que, junto com a compra alienada crie-se um a cláusula de revisão: a cada XI anos os alunos da época decidirão então o que fazer.

XI – ouve-se pra lá e pra cá, as Instituições todas das Arcadas se armando de argumentos convincentes pra receber mais verbas. Tudo por causa dos seis milhões. Até considero que seja importante rever a distribuição. Mas esse deve ser um assunto à parte. O investimento do montante é um assunto isolado.
Nem quero também, não tenho essa pretensão, que simplesmente aceitem o que estou aqui tentando dizer. Apenas que os alunos decidam por trazer para a Sala dos Estudantes especialistas no assunto “mercado financeiro”, nas suas mais diversas modalidades. Ouçam e analisem o que eles tenham a dizer. Não números futuros, imaginários. Mas, principalmente, sobre números passados. E então possam tomar a decisão de fazer a única coisa plausível, devido ao montante: a compra de ações.

Luiz Gonzaga Arcadas, XI de setembro, CLXXXI

quarta-feira, agosto 06, 2008

O Pindura do Século !


Pra quem nunca deu, pra quem tá louco pra dar, não sabe como e ainda tem medo de perguntar.


Para ser bastante didático, vou descrever o Pindura do Século XXI! Pode ser válido para calouros e calouros em Pindura. Por incrível que pareça, existem. Assim, além de dar as coordenadas, vou aqui fazendo um pouco de reminiscências de calouro, nessa minha maldita condição de quintanista (Deus me) Livre. Pode isso?

Bom, ocorreu no glorioso ano de 2004 de Nosso Senhor Jesus Cristo.

I - Faça então o seguinte: convoque a imprensa e a TV. Nada de sair escondidinho, com medo, com vergonha, timidez, sabe-se lá o quê. Bote a boca no trombone, bem assim: EU VOU FAZER UM PINDURA!!!!!!!!! Nunca também se esqueça que é no masculino mesmo.

I I - Depois escolha os comparsas, digo, franciscanos em geral. A norma fundamental é: não pode arreglar. Jamais. Chame veteranos, um, dois. Tem que ter veterano no meio, pra não dar caca. Mas não exagere, porque veterano, invariavelmente é chato: no meu tempo.... blablabla. No time dos excluídos, inclua: vegetarianos, defensores dos pobres e oprimidos, dos moralistas, etc. Você me entendeu. Eles vão atrapalhar, com certeza!

I I I - Depois, exclua os “de menor”. Em se tratando do Pindura, dar um é coisa pra gente grande. Mesmo com o imenso respeito que eu tenho por franciscanas de 16 anos, com você não pode, viu, garota! Brincadeira. Mas sério isso.

I V - Reúna mais do que XXI, para quebrar o nosso recorde, incólume até então. Excetuados os menores, rumem-se de quatro, ou melhor, quatro em cada carro, com meninos e meninas, simulando casais, para o Bolinha. Criem um mote, do tipo: "A melhor Feijoada do Brasil, pra melhor Escola do mundo!". Rima rica é comigo mesmo, quem não sabe?

V - Fica muito bom também o povo se perder. Cada um pra um lado, doideira total. Daí que é até bom. O povo vai chegando aos poucos, se assentando distantes uns dos outros grupos. Não faça o social. Nada de cumprimentar amigos e etc. Não seja bandeiroso!

V I - É óbvio que você não pode ir com camiseta da Sanfran, né? Dãããã...Além disso, nada de vestido de loser, bermuda e etc. Nem de terno também, com crachá do Dinheiro Neto. Enfim, vá vestido feito gente. Claro?

V I I - Caso seja argüido pelo maitre, gerente, garçon ou o escambau: é Pindura? Negue até a morte! Estudam Hotelaria e estão lá em trabalho de pesquisa de campo, averiguando in loco, como se faz um restaurante classe A, como aquele. Podemos conhecer a cozinha?
Tá certo: exagerei um pouco. Mas é assim mesmo: eu sou mesmo exagerado...

V I I I - Tenham certeza que estão sendo filmados. Ajeite o cabelo, a roupa. Oriente o cinegrafista que entrou junto com vocês, para filmar tudo. Não deixe passar nada. Mas não mande tchauzinho prá manhê também, né? Você vai sair na TV, para o Brasil e o mundo, em nome das Arcadas. Essa a função de franciscano.

I X – Não beba bebidas alcoólicas. Reduz no preço a pagar e evita a apelação de dizer que você estava bêbado. Atualmente então, nem se fala. Você tem que zerar no Lulômetro, sabia? No transcorrer da refeição, não fique cochichando nada. Fale naturalmente. Claro que nunca sobre Direito e nem sobre futibó. Franciscano é pura classe... Fale sobre amenidades, sobre política, sobre trambiques. Conte piadas com argentinos, que sempre dão muito ibope e risadas. Falando nisso, conheço uma muito legal...

X – Comuniquem-se via celular, com naturalidade e peçam a conta (1.500 tá bom) simultaneamente. Escolha o melhor Orador para ler o Discurso e anunciar o Pindura. Muitos aplausos e muitas trovas. Disponha-se a pagar os 10% e mais nada. Agora, a melhor parte: prepare-se porque eles vão chamar a Polícia. Aquele fuzuê todo: o gerente surtando, garçons zanzando pra lá e pra cá, ameaças mil. Vão dizer que você não vai poder prestar a OAB, não vai poder prestar concurso. Tudo balela. Mantenha-se firme. Não fique parado: acompanhando a confusão, contribua, andando pra lá e pra cá. E, finalmente, todos direto pra delegacia.

X I – Todo esse processo precisa ser filmado, não esqueça. Na DP também. Exija o rigor jornalístico da equipe de TV que vocês convidaram. Dê entrevistas, fale da Tradição Franciscana e só nossa. Use e abuse do animus jocandi. Invente um pouco. Mande a Delegada prender outros que fazem o Pindura, porque é Falsidade Ideológica, crime previsto no CP. Mas afirme sempre que você tem o dinheiro prá pagar. Cartão é dinheiro. Pode inventar bastante, para preencher as quatro ou cinco horas que vocês permanecerão na DP. Depois, passe no Porão pra contar vantagem. E pra se assistir no Jornal das Oito. É o maior legal!

Pronto, muleque! Você então deu o seu primeiro Pindura! Parabéns por manter viva uma das nossas mais nobres e insaciáveis Tradições.

Luiz Gonzaga xixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixi Arcadas, XI de agosto, CLXXXI

(excerto do Livro As Arcadas: segredos, magia e estórias) 

segunda-feira, julho 07, 2008

Lições práticas de Direito Penal

Chaves. Ao Mestre, com carinho

Quanto mais nos aprofundamos no seu estudo, mais conseguimos constatar o quanto o nosso Direito Penal não atende à finalidade do bem maior, a paz social. O Ilícito serve, quando muito de matéria para infidáveis estudos, sem aplicação prática. Além de estudos, casos conhecidos por várias fontes nos levam a crer nisso.
Mais ainda quanto temos uma experiência pessoal. Vou relatar aqui uma situação por que passei, recentemente. Farei isso detalhadamente, pois o leitor entenderá que, nesse relato de um único caso, quanto mais detalhes, mais ilícitos encontraremos. Dentre outras sensações, menos racionais e mais intuitivas. Vamos ao ocorrido, com a certeza de que você não acreditará nele.

Certa noite, retornava eu para a minha residência, andando calmamente, quando um carro parou ao meu lado. A motorista, com uniforme de motorista, pediu uma informação. Ao parar para iniciar a explicação de como chegar àquele endereço, desceram do carro, era uma Mercedes SLX, conversível, quatro garotas. Começaram a conversar comigo, todas de uma só vez e foram me conduzindo para dentro do carro, com a explicação de que eu as levaria até o tal endereço.
Repentinamente me apercebi da situação. Estava sendo seqüestrado! Aquilo a que estavam me submetendo era uma coação moral e irresistível. E de uma maneira não-usual conforme nos quer fazer aceitar o nosso Direito Penal, de que os marginais são todos pobres, negros ou as duas coisas. Não. Eram todas moças com roupas caras e, sendo jovens, todas roupas muito justas e curtíssimas. Além do mais, pelo exíguo das roupas, notava-se um bronzeado natural, coisa de freqüentadoras de piscinas e praias. E isso não é coisa de pobres, que se saiba. Mesmo o carro, que poderia ser roubado, não o era, como fiquei depois sabendo. Encontraria lá outros e até melhores. Não eram também garotas esquálidas e feias. Pelo contrário, notava-se uma exuberante saúde, decorrente de uma alimentação saudável e balanceada.
Mesmo com tudo isso estavam me seqüestrando! Como se vê nos filmes e nos noticiários, não me colocaram no porta-malas. Fui colocado no banco detrás, entre elas. Nem me colocaram capuz também. Elas apenas se amontoaram em cima de mim buscando me distrair para que eu não reconhecesse o caminho. Abaixavam a minha cabeça, abraçavam-me todas juntas, deitaram-me no banco, pulavam todas em cima de mim, prendiam minhas mãos entre as suas pernas imobilizando-me completamente. Faziam tudo isso muito alegremente, nada de ordens secas ou amedrontadoras. Por certo, um novo know-how na arte do ilícito!

Enfim, chegamos. Desconhecia o local, mas pude ver, depois passaria lá por vários dias, que era uma casa muito grande, rica e bonita. Mais uma vez falha a descrição típica que fazem de um cativeiro. Geralmente o descrevem como um cubículo improvisado onde o seqüestrado fica ali, com os olhos vendados e trancafiado. Não. A casa, uma mansão na verdade, rodeada por amplos jardins, piscina, quadras de tênis e poli-esportiva. Dentro da casa várias suítes, todas com a sua sauna e jacuzzi para meia dúzia de pessoas. As garotas, de tão auto-confiantes, nem se preocuparam em me imobilizar de alguma forma, algemas, cordas, nada. Elas não se preocupavam com a possibilidade remota de uma minha tentativa de fuga.

Depois de chegarmos, todas beberam e me ofereceram whisky 12 anos, importados. Elas me prometeram um pequeno lanche, que chegaria logo depois. Lagosta e vinho branco. Francês, claro. Na realidade, conforme toda a doutrina que li fazia com que eu me convencesse de que aquilo era cárcere privado, muito embora eu não tenha em nenhum momento tentado escapar dali. Como eu poderia escapar daquela local, daquela forma? Mas elas não usaram de violência física comigo não. O pior ainda estava por vir.

Após o jantar, uma após uma abusaram de mim, sexualmente falando. Senti-me violentado. Quando eu pensava que aquela seria a última, chegavam mais três ou quatro garotas. E todas elas também queriam abusar de mim. Quando pensava que o pior tinha passado, chegavam algumas mais, que se juntavam comigo, duas, três, ao mesmo tempo, obrigando-me a satisfazer a todas elas. Coisa de taras, típicas de mentes distorcidas, um verdadeiro horror.
Passei a entender como se sentem as pessoas vítimas de abuso, que se recusam inclusive a nem procurar a Polícia, pelo vexame de ter que se expor a relatar todo o ocorrido. Eu aqui estou descrevendo tudo minuciosamente com o espírito científico-jurídico, para que o leitor possa embasar o seu raciocínio de quantos podem ocorrer em apenas um, aparentemente um, ilícito penal. E toda essa situação não aconteceu normalmente, apenas na cama, como podem pensar. Obrigaram-me, fui compungido a agradá-las na piscina, na sauna, na jacuzzi, na cozinha, na lavanderia. Não sobrou cômodo da casa que escapasse à fúria delas de me torturar implacavelmente. Sim, juridicamente fui torturado ali. Escoriações localizadas, hematomas por toda a parte do corpo. Lesões corporais, embora não graves. Não matam ninguém. Mas são lesões, juridicamente falando.

Assim transcorreram vários dias. Quando não estava na piscina, tomando Sol ou obrigado a fazer sexo multiplamente, estava sendo alimentado. Camarão, caviar, lagosta, e tudo o mais eu era obrigado a comer. Nem tentei recusar nada daquilo. Submeti-me docilmente. Disso não posso reclamar: não me deixaram passar fome nem sede. Certo está que alguns vinhos não eram franceses, mas não chegou a incomodar não. Para que eu não modificasse a minha compleição física, sauna diariamente, mais de uma vez por dia. Sempre acompanhado por pelo menos três delas para evitar que eu tentasse fugir daquele cativeiro infernal. E, sadicamente como já disse, obrigando-me ao sexo com todas elas, de todas as maneiras.
Eu, sempre com o espírito imbuído da mais pura hermenêutica jurídica, ficava buscando fundamentação para tudo aquilo. Se era um seqüestro, porque não se interessavam em saber endereços ou telefones para fazer contatos? Qual seria então o valor do resgate, para aquelas meninas? Qual seria, ó Deus, o meu fim? Seria o Resgate pura enganação ?
Existem teorias em Psicologia que afirmam que distorções comportamentais têm origem numa infância mal resolvida. E que esses conflitos geram pessoas insaciáveis em seu desejo de suprir aqueles conflitos antigos com ações presentes. Mas não era o que eu observava no comportamento daquelas minhas vorazes seqüestradoras. É certo que me submetiam ao mais cruel suplício de um abuso sexual contínuo. Mas não era algo que podemos chamar de patológico. Afinal, uma garota sadia, jovem e normal querer sexo por cinco a seis vezes por dia é algo perfeitamente esperado e normal. Mesmo que elas sejam incontáveis.

Dentro do meu espírito de pesquisador, quando me sobrava algum tempo, ficava imaginando como é que eu poderia fazer uma queixa-crime contra aquelas garotas. Eu não sabia onde estava, sabia apenas que não era em um muquifo qualquer na periferia. Não sabia quem, e nem quantas, eram aquelas que estavam me mantendo em cárcere privado, em regime de escravidão sexual. Se era um sequestro, não havia qualquer pedido de resgate ou coisa que o valha. Nem era também um sequestro-relâmpago, pelo transcorrer dos dias, muito embora eu tenha esta eletrizado por todo tempo. Ou seja, uma situação totalmente atípica. Não sendo tipificado, deixaria então o Direito Penal de aplicar qualquer pena àquelas incontáveis garotas só porque nenhuma delas contava mais que os esperados vinte-e-um anos? Estariam elas se aproveitando do fato de serem inimputáveis, apesar de todo aquele comportamento, e de todo suposto mal que me estavam causando? Eu, vítima indefesa de tudo aquilo?

Diante da minha lamentável e terrível situação, à mercê daquelas criminosas todas, acabei por me insurgir contra todo o Sistema Jurídico, todo o Direito. Se o Estado chama para si todo o direito de punir, mas cria toda uma legislação que é burlada por criminosas como aquelas, só porque elas eram todas jovens, lindas, ávidas por conjunção carnal e ricas ? Porque todas elas não tinham ainda idade suficiente para serem penalizadas pelo sistema?

Tudo isso me fez sentir uma revolta interior que levou a fazer aquilo que, isso sim, toda a lei me proíbe: fazer justiça com as próprias mãos. No caso em tela, o membro não seria exatamente as mãos, mas falando simbolicamente. Se o Estado não me concede tutela jurisdicional, eu, um cidadão acoimado por todos os lados pelo ilícito iria resolver aquela situação por mim mesmo, fazer eu mesmo a Justiça. Faria uma transação penal, entre vítima e criminosas. Sem a interferência nefasta do Estado. Resolveria a situação ali mesmo, com meus próprios recursos.
Foi o que fiz. A minha proposta, dentro do princípio jurídico da razoabilidade: se elas me mantivessem nessa terrível situação por mais, digamos, seis meses, eu concederia em troca outros seis meses e depois disso eu ficaria livre. Tudo isso num contrato verbal sinalagmático, por um acordo bilateral de vontades. A boa, muito boa vontade e boa-fé. Possibilitando inclusive uma prorrogação do período. Ou ainda com renovação automática, o que beneficiaria reciprocamente as partes, pela previsão contratual antecipada do evento que a gente tem mais o que fazer do que ficar renovando contrato o tempo todo.
Dito isso, fui novamente interrompido. Agora sim tem razão o Sistema em afirmar que o crime é coisa de pobre ou preto. No caso, eram duas afro-descendentes, devidamente miscigenadas nesse Brasil com algum holandês. A esse tipo de descendência a gente costuma chamar de morena-jambo, fruto da terra brasilis, coisa do outro mundo, coisa do demo mesmo, do cão. E lá vou eu novamente me submeter servilmente aos seus anseios criminosos e insaciáveis!
Mas, pelo menos a situação está resolvida. Eu resolvi. Nós resolvemos. Um dia eu me livro de tudo isso! Mas sem pressa, porque a pressa é inimiga da perfeição. E elas cometem um crime perfeito. Por isso o Sistema não tem uma pena pra elas. Assim como elas não têm pena de mim. Ainda mais ao som de “Good morning, good morning”, dos Beatles!

Mas, peraê! Essa música é o meu despertador! É, tá na hora de acordar, não tem jeito. É sempre assim: tensão pré–provas, tempo de pesadelos. Ainda bem que esse foi bem bom. E ainda revisei alguns conceitos pra prova. Beleza! Depois de tanto sofrer, agora vou me dar bem. Na prova.

Roy Babbosa Arcadas, XI de junho, CLXXXI


Esse relato faz parte do Tratado Geral de Direito, uma visão real do jurídico, de-leigo-para-leigo, (afinal, a dp em Direito Romano ainda não permitiu que o autor seja formado em Direito) que inclui, entre outros:
Conversa de Tribunais
A Coisa
O Casamento Putativo

sábado, junho 07, 2008

A Atlética-guerreira precisa de um cartola idem

Daí então a gente se pergunta:

De que vale sermos a Torcida Nota XI?
De que vale o maravilhoso som da BAISF ?
De que valem nossos atletas de ouro darem, não o suor, mas o sangue pela camisa da Sanfran?
Se a Diretoria da Atlética, na hora em que mais se precisa dela, afrouxa e se deixa vencer?
Que nem se fale da absoluta falta de organização de TODOS os Jurídicos. Ficamos sabendo das cidades uma semana antes, ficamos com os piores hotéis, jogos alternados em ginásios diferentes, desnecessariamente. Alojamentos surreais, horrorosos, no meio de favelas e tudo o mais?
Cada qual faz MUITO BEM a sua parte. Atletas nem se fale. E também a Torcida e a BAISF. Menos, sempre, a Diretoria da Atlética. E, pela generalização, perceba que a referência nem é apenas sobre a atual. E, como o tudo mais escrito e avaliado, nunca é pessoal.
Em 2006 não houve Jurídicos. Apenas e tão-somente porque a Diretoria nunca se impõe como deveria. Não basta gritar nas arquibancadas aquela infinidade de musiquinhas desqualificando os adversários. No momento de negociar, escolher, votar, aquele espírito também deve estar presente. Não basta ser atleta e/ou ter boa vontade. Em guerra precisa-se de um marechal-guerreiro. Cartola-guerreiro. Aqui faz-se necessário saber negociar. Coisa de "cartola", que nem todos sabem desempenhar. Competência essa que não é o que observamos. Na quadra é com atletas. No tapetão, um Cartola, com a mesma garra que atletas, torcida, BAISF e tudo o mais.
Nesse 2008, a posição MAIS DO QUE ÓBVIA da nossa Diretoria deveria ser a de se recusar a aceitação da troca da “Credencial Ouro”. Pura e simplesmente isso.

Nota: para os que não sabem, assim como eu não o sabia, cada atlética pode escolher, UM atleta, em qualquer modalidade, independente dos anos de formado que tenha. Isso é a Credencial Ouro. Por ser para todos e antecipado, tudo bem. O combinado não é caro diz a sabedoria popular, que parece não ter chegado aos ouvidos de nossas Diretorias da Atlética.

Assim fica muito fácil. Chega-se à uma final, decisiva. Daí o time então decide trocar o seu atleta com Credencial Ouro. Certos estão eles. Errados estamos nós em aceitar. Larga a mão de ser burro, Presidente!
Logo, todas as honras pela absurda perda dos Jurídicos, o franciscano pode atribuir à Diretoria da Atlética.
E, diante do leite derramado, fica a pergunta: por que é que sempre a Diretoria da Atlética é frouxa assim?
Será por causa da sua esdrúxula forma de eleição ? Sim, para o XI é uma incrível e sangrenta guerra para a eleição, como sempre vivenciamos e participamos. Só que esse clima torna-se benéfico, pois cria responsabilidade da Gestão. Quando isso não ocorre, franciscanos se insurgem, como assistimos no ano de 2007, quando mais de 900 depuseram moralmente o Presidente do “XI de Agosto”. Um show de “cidadania” nas Arcadas. Ao final, temos 2300 alunos em cobrança contínua, exagerada até, às vezes.
Mas com a Atlética é diferente. Uma caixa preta que se nos anualmente nos apresenta uma nova Diretoria, surgida sabe Deus de quais parâmetros. A totalidade dos alunos não tem acesso e poder sobre essa decisão. Então, por isso, pode-se especular à vontade. Diante desse desconhecido, podemos inferir o que quisermos, temos esse direito.
O critério não pode ser o de ser atleta. Todos o são. Ser bom atleta, dedicado, menos ainda, pois todos o são. Sabemos disso. Querer o melhor para a Sanfran muito menos ainda, pois não há um idiota dessa estirpe nas Arcadas, com a graça do bom Deus, que não queira sempre o melhor. Caso haja é só avisar, que passará a não haver mais...
Resta então um último critério, que deveria ser o mais importante a ser levado em conta: a capacidade de administrar, de negociar, de barganhar, de ser “cartola” enfim. Se for esse o critério, então é uma capacidade “depreendida”, “inferida” ou sabe-se lá o quê. O certo é que, em outubro surge sempre uma nova Diretoria. Mesmo os mais interessados nas coisas das Arcadas passam meses ou mesmo toda a gestão sem ano menos saber quem é, o nome do dito que ocupa a Presidência da Atlética! Incrível isso.
Sabemos que um bêbado será um péssimo dono de um bar. Sabemos que não basta boa vontade para se atingir um objetivo. É preciso competência específica. E é o que nunca observamos nas Diretorias da Atlética.

Não seria a hora de se repensar o modelo de eleição na Atlética? Não teriam TODOS os franciscanos que ter o poder de decisão para votar e eleger aqueles que acredita-se serem os mais capazes de exercer essa função, como fazemos no Centro Acadêmico?
Fica aqui a sugestão. De um obstinado defensor das BOAS tradições das Arcadas. E sempre contra o acomodamento justificado por tradições burras. Que seria XI-Campeão se não fosse uma dessas. Sei, sei: undeca-campeão. Sugestão dirigida aos que sabem o quanto isso não é pouco.

Luiz Gonzaga ______________________ Arcadas, XI de junho, CLXXXI

sexta-feira, maio 30, 2008

Torcida Nota XI: Convocação Urgente

Final do Jurídicos – Tênis de Mesa

Dia 31 de maio (sábado)
Ginásio Esportivo BABY BARIONI
Rua Dona Germaine Buchard, 451 – PERDIZES (Travessa da Turiassu)
OITO horas da madrugada. (mas não reclama não! Você teve uma semana inteirinha de férias. E eu não vi você no congresso da cumpanherada. Ta certo que também não fui).

Outras referências: Tem o Minhocão, o Shopping, o campo do Parmêra. Ah, tem uma barraca de importados paraguaios também. Nada mais que preste em Perdizes. Não, não. Puteiro não vou citar. Não é politicamente correto. Agora a coisa é séria. Nada de barangar. A hora é de ganhar !

I - Já foram também intimados a comparecer: homens-bomba talibãs, xiitas fundamentalistas, kamikazes, pilotos da Gol, bandidos cariocas (metade estará fardada), o MST(falamos que é invasão), anencéfalos argentinos, tudo.

O Nardoni já declarou: se a Sanfran não ganhar, joga os outros dois filhos pela janela. A mulher dele disse: já tô lá! A Gaviões vai confirmar pessoalmente porque não conseguiu redigir uma mensagem de resposta (Era: sim). As células-tronco, agora com HC do STF, vão. O Mário também vai.

Como o nosso grito maior será: “VAI PERDER A BOLSA”, muitos políticos se interessaram. Quem sabe não têm uns dólares ali? Paulinho da Força, Garotinho, Zé Dirceu, a terrorista Dilma, o breaco Lula e tantos outros. Enfim, toda a quadrilha-maravilha-de-Brasilha.... Só o tosco do Tosto não aceitou o convite: vai estar do outro lado, o ORELHUDO. Um alerta: cuidado com a carteira!

I I - E, claro, ao som da BAISF, empurrando a Torcida nota XI. Vamos fazer MUITO barulho, porque a orelha deles é grande. E vamos ganhar. No grito ou de qualquer outra maneira. Mesmo que seja honestamente.

Você, franciscano, precisa estar lá. Esqueça provisoriamente suas facções, criminosas ou não.

I I I - Se você é comunista, pense que eles são todos uns pequenos burgueses, exploradores e fascistas. E que pagar boleto é concentração de renda. Um horror! Lembra que vocês estão “na Luta” pelo Direito ao Grito? Então, vá lá e grite muito. Só não coloque a sua maldita camiseta vermelha, please. Ah, não precisa chamar dce, fofolete, nada. A Sanfran é auto-suficiente. Assuma a sua ideologia e pense como o Marx: franciscano unido jamais será vencido !

I V - Se por acaso você é do Resgate, faça como sempre: copie o que todos vão fazer. Nós vamos torcer pela Sanfran. Copie isso também. Se quiser, pode até ir com o uniforme do Chacrinha, mentor intelectual do Movimento "Nada se cria, tudo se copia". Depois, podem até tirar uma foto e colar na Salinha da Gestão, como “mais um grande feito da Diretoria 106ª”.

V - Se, por incrível que possa parecer, você ainda insiste em dizer que é da Exglória, não se preocupe. Tênis de mesa é fácil de aprender: é só mexer os olhos, prá direita e prá esquerda. E gritar. Não tem dificuldade não. Pra você se motivar ainda mais, posso adiantar: todas aquelas escolinhas são uma droga. E depois, sempre tem a possibilidade de explorar essa sua torcida, quando outubro chegar. Só não vale dizer que todo mundo estava lá, gritando por vocês. Gritaremos pela Sanfran. Nada pessoal.

V I - Se você é estagiário e já está brincando de advogado, vá torcer e faça de conta que está na frente do seu chefinho: grite adoidado. No mínimo vai funcionar como terapia para você. Com uma imensa diferença: você, gritando pela Sanfran, estará incentivando os nossos atletas. No escritório, gritar não valerá de nada. Exceto a demissão.

V I I - Se você está pensando nas provas, continue assim. Pensando. E vá torcer. Você jamais iria estudar em um sábado pela manhã que eu sei. E nem à tarde também. Muito menos à noite. Eu sei que todos estudamos na véspera. E sábado é véspera de domingo. Que, comunico oficialmente, não haverá provas. Como não recebi email do Hideo, significa que não morreu ninguém. Então, nem velório haverá.

V I I I - Para aqueles que só pensam em balada, adianto: não haverá balada. Mas ao final, faremos uma carreata pelo Bairro, para cantar a nossa vitória. Há algo mais salutar que um monte, alegre, cantando?
I X - Um último apelo, aos quintanistas da gloriosa Turma CLXXVII, eleita por unanimidade das turmas, como a melhor de todas: nem vem com essa de Tese de Láurea. Se não fez em um ano, desencana e vá torcer pela Sanfran. Que seja a última coisa, né? Claro, depois têm Pindura, Peruada, etc, etc e etc. Vá lá, comemorar o DECA. Que seria XI, se não tivessem fugido...
X - Ou seja: estamos por uma ORELHA. Isso porque elas estão levantadas, contentinhas. Vamos colocá-los em seu devido lugar. Ou seja, em último.
X I - E se, depois disso, você vai, eu também vou.

Luiz Gonzaga ______________________________Arcadas, XXX de maio, CLXXXI

segunda-feira, maio 12, 2008

A INVASÃO ANUAL DAS ARCADAS

A INVASÃO – 2008

Não percam!

Finalmente, é chegada a hora da já tradicional, anual e famigerada

INVASÃO ANUAL DAS ARCADAS!

Nós, alunos, que somos seus reais CONQUISTADORES, por mérito e direito, devemos estar lá, para acompanhar todos os acontecimentos. Compareçam!

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Um breve relato da “A INVASÃO 2007”

Em 21.08.2007, a invasão se iniciou por volta das 17 horas, quando foi “tomada” a passarela para o Prédio Anexo, que foi integralmente obstruída. Verdadeira barricada. Em seguida, quase no horário do início das aulas, as entradas, Principal e Riachuelo, foram dominadas pelos manifestantes, que passaram a controlar a entrada e saída de ALUNOS.

Aos poucos, os assustados alunos foram indo embora, sem nem ao menos assistirem aulas. Alguns estavam achando tudo aquilo engraçado e permaneceram. De uma coisa era certa: ninguém estava entendendo nada. Mas também acabaram indo embora. Eu estava assistindo aula de Civil, na Sala Dino Bueno (20:45h), quando entraram “alguns” manifestantes e gentilmente solicitaram à professora que encerrasse a aula. Eles portavam bandeiras e escreveram essa frase na lousa: QUEREMU COSTAS! (não há erro de digitação).

Após 00:15h os ALUNOS que permaneceram foram o então Presidente da Atlética, na digna posição de eventual preservação de patrimônio e um Diretor de Modalidade. Todos os demais, por um motivo ou outro, foram embora. Excetuo, é claro, os membros da Gestão FORUM DA ESQUERDA que lá estavam todos, com alguns simpatizantes, alegremente confraternizando com a “cumpanherada”, na palavra do então Presidente do XI, o sucesso da invasão.

É importante ressaltar que, durante todo o tempo, por parte dos manifestantes, não houve qualquer espécie de violência ou lesão de patrimônio.

O que houve foram “n” manifestações de hostilidade, sofridas e presenciadas, apenas verbalmente. Desnecessário lembrar, mas, dada o ineditismo das mesmas, podem-se citar algumas: “capitalistas”, “burgueses exploradores”, “filhinhos-de-papai” etc, etc e tal. Tendo saído para ir ao Porão, no meu retorno foi–me impedida a entrada. Ou a tentativa de. Solicitaram a minha “carteirinha de aluno”. Retruquei, pedindo a deles e também querendo saber do seu direito de pedi-la. E entrei.

Cite-se também a tentativa dos organizadores do movimento, incluindo membros do Forum da Esquerda, de retirarem alguns alunos que permanecíamos pacificamente na Sala dos Estudantes. Recusamo-nos a sair. Como alegaram que os assuntos eram confidenciais, eles próprios se retiraram da Sala. Que é chamada “dos Estudantes”. Continuamos lá.

Por volta da 1h foi dado o “Toque de Recolher”. Os manifestantes obedeciam ao silêncio proposto. O representante do dce da USP anunciou que havia chegado o lanche: um pãozinho e um copo de suco. Prometia que, para o dia seguinte, eles já estavam lutando pra conseguir a mortandela. Palavras dele, “universitário”. O lanche não me foi oferecido. Apesar de ser capitalista, fascista, reacionário, elitista, burguês, explorador, também estava com fome. Nada de lanche para mim. Após o lanche, dirigiam-se às suas “camas de campanha”, organizadas nos corredores que ladeiam as Arcadas.

Como teria que acordar cedo, pois teria aulas às 7:25h, até às 13h e depois teria que trabalhar para o meu sustento, pois não recebo qualquer verba ou ajuda governamental, não poderia ficar ali, dormir ali, para apoiar o movimento. E como tudo parecia transcorrer em paz e em ordem nas Arcadas resolvi ir embora. Permaneci no Pátio das Arcadas até às 2:00h. A Tropa de Choque chegou vinte minutos depois.

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Esse foi um relato do que vi e vivi. Sem qualquer juízo de valor acerca da validade da manifestação. Esse juízo é pessoal e é muito provável que você não tenha o mínimo interesse em conhecê-lo. Portanto, não vou penalizar você com mais isso. Basta o relato.

Luiz Gonzaga _____________________________________Arcadas, XI de maio, CLXXXI

domingo, maio 04, 2008

BAISF x BASQUETE – Uma vitória espetacular







DECA? Ainda não conquistamos. Ainda...

Mas aconteceu sim uma vitória espetacular, nesses JJEs de Franca. Essa que vai ai, no título, para os mais apressadinhos. Conto para quem não esteve lá. E também para os que lá estavam, mas alguns vapores etílicos os impediam dessa percepção, além de outras tantas...

Era o sábado maldito. Com um sorriso mais amarelo que a bata dos pucânus assistimos a Gloriosa Sanfran vencer UM jogo. Ufa ! E foi ainda, nada mais nada menos, do que contra a poderosa FAAP ! Pensa o quê ! Nóis num é mole não ! Num handebol feminino que, chegou a estar 12x0, finalmente a Torcida Nota XI pode cantar:
Ô Ô ÔÔ, Toda-poderosa Sanfran ! Tudo isso ao som mais-do-que-maravilhoso da BAISF. Até ai, tudo bem. Esse sempre foi a nossa rotina nos Jurídicos: vencer, vencer e vencer. Pelo menos até então.

Jogo seguinte: Basquete masculino. Um time com o coração na ponta dos dedos contra os bolsistas. A nosso favor, o fato de serem eles orelhudos. Razão até do porque andam com a cabeça baixa: o peso das ditas. BAISF? Não. “Eles” não tocam em jogos de basquete.

Lógico que não! Você não sabia que, no século passado, em um ano qualquer, lá, perdido no tempo, alguns atletas do basquete brigaram com alguns componentes da Bateria? Sim, algo gravíssimo ! Uma briga seríssima. Tão antiga que, dizem as nossas estórias que foi o Barão do Rio Branco e o Ruy Barbosa que brigaram. Um foi até a Etiópia prá se preparar para o duelo, enquanto o Ruy ficava aqui, decorando o dicionário para ofender mesmo o desafeto. Chegado o dia, brigaram xingaram , puxaram os cabelos. Resultados: ficaram ambos carecas, deixando o bigodão prá disfarçar. Outro resultado: cada qual encontrou sua verdadeira vocação. Isso é viagem minha. Sorry...



Mas foi algo do tipo:
- Seu feio !
- Feio é você, viu, seu bobo!

Depois disso, diante de tão fenomenal embate, nunca mais a BAISF tocou em jogos do basquete masculino. Nesse jogo de B's... tas perdia a São Francisco. O engraçado é que hoje, tais digladiadores originários são amigos e se riem dessa horrorosa briga. Cresceram.

Mas o que importa é isso: a BAISF não toca em jogo do basquete ! Por quê? Porque não, ora essa ! Uma tradição imbecil, idiota e nefasta. As Arcadas são a própria tradição. Mas não desse tipo. Confundiram Tradição com teimosia burra.

Esse triste episódio até o mais alienado franciscano conhece, por isso sabemos estar chovendo no molhado. Mas isso é uma homenagem ao frio e à chuva. Francamente ! Depois de dito isso podemos voltar ao presente.

Em seguida ao jogo contra a FAAP, o basquete masculino. Contra o Mackenzie. Devemos enfatizar que era imediatamente após e no mesmo ginásio. Por isso, impossível arranjar qualquer desculpa. Os componentes da BAISF deixam seus instrumentos de lado e sentam-se, meio desenxabidos, para assistir o jogo e torcer. Somos todos franciscanos, afinal. Tocá nóis num toca, mais torcê nóis torce ! E na quadra, um time de desenxabidos. Do outro lado, uma torcida toda de orelhas em pé e uma bateria toda contente por estar tocando sozinha, empurrando muito bem o time deles. Cadê que a bola não entra ? Sabe-se lá o que é ver um jogo de basquete masculino, de ótimos jogadores, chegar ao tempo de 10 minutos, com um placar irritantemente absurdo, de 0x0?

Num determinado momento, algo mágico e emocionante começa a acontecer. Aqueles franciscanos, torcendo ao lado do seu instrumento aposentado, muito timidamente começam a produzir algum som. Sim, algum som. Afinal, do outro lado temos uma bateria a nos desafiar: ai que bom seria, se a Sanfran tivesse bateria! Sabe-se que franciscano tem um ego altamente inflado...

Nesse estranho clímax, digno do mais puro contexto machadiano, num conflito mental entre o histórico “não podemos tocar” e o que o coração manda fazer, cada componente começa a brincar com o seu próprio instrumento. E então, a grande decisão ! Sob a batuta do Grande Líder Fausto, cada qual pega então seu instrumento e a BAISF começa a fazer o deveria ter sido feito desde sempre: tocar, empurrando a Torcida Nota XI e também o time de basquete. Daí que os encantados pontos começam a surgir. Ao final, o agradecimento emocionado do Vini, líder do basquete ao líder da BAISF. Ambos quintanistas, que jamais presenciaram aquela briga idiota, assim como qualquer componente da BAISF ou do time. Ou ainda, da Torcida Nota XI. Isso já não é clima de Machado, mas de Edgar Alan Poe, um surrealismo fantástico... e idiota. Venceu o bom-senso.

A Sanfran venceu esse jogo. Mas a maior vitória, a mais emocionante e espetacular vitória foi do espírito franciscano. Ao final de tudo, prevaleceu tudo aquilo que sentimos pela São Francisco, acima de quaisquer outras coisas. O fato de também termos perdido o xadrez talvez denuncie a burrice e a torpeza de um espírito-de-porco que andava rondando e imperando nas nossas Arcadas, onde picuinhas mil e egos feridos davam o tom. Um tom que não condiz com nada do que somos. Hoje e sempre. Principalmente as esdrúxulas, feito a essa rixa milenar. Espera-se que, daqui por diante, isso tudo seja algo superado. Nos próximos jogos, teremos a BAISF tocando também em jogos do basquete. Ouso até dizer: com apenas essa vitória, mesmo na impensável possibilidade de não sermos DECA, já somos muito mais do que vitoriosos. Pensando melhor, não...




Luiz Gonzaga ____________________________________ Arcadas, IV de maio, CLXXXI

domingo, abril 27, 2008

PERUADA NOTURNA - LAUDO NECROSCÓPICO – nº XI/08


Fruto de uma ges(ta)ção indigitada, a PERUADA NOTURNA foi coerentemente abortada, às 00:30h. Seu término ocorreu no Viaduto do Chá, local que tem tudo a ver com a Gloriosa Academia do Largo de São Francisco, que fica curiosamente um pouco mais adiante.
Tal insucesso deveu-se aos fatores abaixo relacionados:

I - ANENCEFALIA da Gestão do XI diagnosticada, incompatível com o sucesso de qualquer coisa, como o já observado.

I I - Pode-se depreender que o evento anterior mostrou-se letal para a cadavérica, a Peruada Noturna. Tal evento, o CAFÉ LITERÁRIO versou sobre e homenageou GONÇALVES DIAS (justo merecedor de outras homenagens) que, apesar do sobrenome, jamais esteve sequer um dia nas Arcadas. Depois da criação da Gloriosa Academia, em 1827 (anotem ai...) estudar em Coimbra tornou-se algo tão esquálido e nauseabundo quanto hoje o é ser um reles pucânus. O nexo de causalidade aqui encontrado repousa no fato de que o Resgate esta ai pra resgatar. Mas, desconhecendo o que, resgata aquilo que acha que vai agradar. E não consegue;

I I I - A deformidade, decorreu da também ausência do GENOMA da Academia de Letraz, seus membros. Nunca é demais lembrar que uma Récita consiste em apresentação de membros da ALz e também de franciscanos que assim o desejam se tornar, sempre preferentemente com obras de franciscanos. Uma verdadeira exaltação do umbiguismo ! E que já passou da hora que novos se apresentem, com urgência urgentíssima. Tal deleção genética resulta sempre num evento incompatível com a vida ou com qualquer qualidade que se almeje;

I V - Ressalte-se a heróica presença de alguns poucos a tentar declamar algo de Poesia, a contragosto da diretoria do XI que insistia no “mó vibe da hora”, sonorização incompatível também com o evento, porém não tão ruim, comparado com o que ainda estava por vir. O Resgate tem nos sempre demonstrado que o Amanhã será bem pior. Absolutamente fora dos propósitos desse Laudo Técnico, mas sempre lembrando que “além de botar o ovo, é preciso cacarejar”, apresento aqui versos do autor dessas considerações. Uma Poesia–minuto, apresentada na Récita, para os parcos ouvintes. No intuito apenas de trazer algo de alegria à tão patética, triste e cadavérica Peruada, qual a famosa menina, inspiradora:

Do Amor da filial

Toda gente ainda queria
Isabela na janela

Mas seu pai
Causídico jardineiro
À sombra dum jatobá
Quis plantá-la no jardim.
Emma Thomas

V - Com isso, o SER TERATOLÓGICO resultante ficou muito aquém do que deveria ser uma Récita Itinerante que é no que consiste a Peruada Noturna. E que no que deveria consistir, não fosse a inoportuna intervenção da melifluosidade Resgateana. (?!)

V I - Com o evoluir da malfadada Peruada, passou esta então a ser um mero veiculador das preciosas melodias oferecidas pelo Benga-Boys, inquestionavelmente ligados à Academia de Letraz. Talvez pelo Elo Desconhecido;

V I I - Ou seja, um FRIO ELÉTRICO com a vigorosa e competente Diretoria Resgate, que os ausentes franciscanos podem até imaginar. Dispusemo-nos a empurrar a Gestão "Kombi-morro-acima". Mas caminhão não é fácil, não!;

V I I I - DESNUTRIÇÃO AGUDA, causada pela quase-ausência de franciscanos. No auge do desenvolvimento, a presença, talvez de 30. Isso, trinta. Mais triste que isso apenas uma Cervejada marcada pelos comunistas, em 2007, quando então chovia torrencialmente. Estavam lá, eles, da (indi)gestão e mais dois da fofolete. E este que lhes escreve, que recusou-se à tal pouca e ruim companhia. Minha avó já me ensinava que “antes só”. Anteriormente, na INTERUSP 2005, quando a Toda-poderosa Torcida Nota XI consistia em apenas UM, presença teimosa e sobejamente conhecida por todos, escrevendo aqui, agora e sempre. Porém, considerando-se que na Interusp “jogaríamos como nunca e perderíamos como sempre”, tal monolítica platéia não mudou o resultado. Considerando também que aquela marxista cervejada nem constou dos anais da História das Arcadas, A PERUADA NOTURNA RESTA COMO O PIOR EVENTO REALIZADO NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS. Tinha que ser o Resgate !

I X - INFESTAÇÃO externa de verdadeiros vampiros, acompanhando o féretro apenas para degustar o sangue, ou melhor, o vinho oferecido graciosamente. O que salvava um pouco a situação eram algumas fartas seres-melancia, mostrando a sua balouçante VIRADA CULTURAL, a dançar o Créu, velocidade 5;

X - CONCLUSÃO 1 - mesmo não sendo um saudosista e vivendo sempre TODOS os momentos presentes, não podia deixar de sentir eterna saudade da Primeira Peruada, no ano de 2005. E, deixar aqui registrada a necessidade de que se faça uma outra Peruada Noturna, posto que a presentemente realizada e aqui autopsiada não pode constar nos anais históricos do XI como uma irmã daquela. Noutras palavras: Resgate, divulgue esse evento como a “sua virada cultural”. E faça uma Peruada Noturna de e para franciscanos, em junho;

X I - CONCLUSÃO 2 - caso os ausentes tenham ficado em casa para se deliciar com as novidades apresentadas nas ótimas piadas da A PRAÇA é NOSSA saiu lucrando. Pois que parece, o Largo não é, provisoriamente outra vez, mais nosso. Não sabemos dizer o que mais nos causa dores de cabeça: se o vinho ou a gestão Resgate.

Assinam o presente Laudo:

Um Médico Legal – que se locupletou apenas com a idéia de poder emitir seu parecer tecnicamente, abstendo-se de considerações de cunho pessoal.

E, nas lacônicas e desbragadas palavras de

Luiz Gonzaga
Um franciscano fundamentalista: que bosta !

Arcadas, 26 de abril, CLXXXI

quarta-feira, abril 16, 2008

SANFRANCA 2008 - O XI é 10!


SANFRANCA 2008
O XI é 10!
Faça como todo bom franciscano:
NÃO PERCA !

Sonoplastia: BAISF & Torcida Nota XI



XI desculpas esfarrapadas para não ir aos Jogos Jurídicos
I –
A desculpa: meu chefe não vai me liberar.

Considerações: você “se acha” mesmo, né ? No seu escritório, o único que acha que você tem alguma importância é você mesmo. Eles fazem de conta que se importam com você apenas por educação. Assim você trabalha de graça e nem reclama. Não percebeu ainda ?

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Chegue lá na segunda, na moita. Vai ver que eles nem perceberam que você faltou. Caso alguém, querendo fazer você se sentir importante, pergunte o que aconteceu, explique. Diga que faltou porque está seguindo orientações do Partidão. Aquela ministra morta não falou “Relaxa e goza”?. Diga que você estava consolando uma pucana. Já que elas reclamam mesmo: “a gente só vem nos Jurídicos pra se foder!”. E que, então, você, um franciscano prestativo, estava fazendo disso uma realidade. Simples assim.

I I –
A desculpa: Sou calouro. Estou preocupado porque ainda não consegui entender como é que faz pra ler o Kelsen. Assim que entender, preciso começar a ler, porque todos os colegas da sala já leram.

Considerações: Calouro é burro mesmo ! Uma dica: você tá segurando o livro de cabeça para baixo. Depois, você acha que vai conseguir ler o Kelsen? Segundo, você acha vai entender o Kelsen? Terceiro porque não sabe que ele próprio não concordava com o que escreveu, então mudou de idéia e nem te avisou. E mais: você acredita mesmo que todos os colegas já leram?

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Porque temos boas notícias pra você, que não sabia porque calouro é calouro e tudo assim mesmo. A Atlética sabe que a Torcida Nota XI é o atleta franciscano nas arquibancadas. Por isso, organiza grupos de estudos para os alunos não perderem tempo. As atividades são nos intervalos dos jogos, na Sala de Estudos do Hotel. O grupo que estuda o Kelsen, em alemão, claro, é o mais procurado de todos, do primeiro ao quinto. Portanto, você está amparado nesse quesito. Para relaxar esse stress intelectual as pucanas são nossas convidadas especiais para as sessões de massagem tailandesa. E os mack-orelhas servem pra ir buscar mais brejas. É só explicar direitinho duas vezes que eles entendem. No coffee-break você pode brincar de médico com as nossas primas da Unesp. Prima é pra isso, né? No final, as voluntárias, voluptuosas e necessárias da fmu se encarregam de deixar tudo um brinco de limpeza! Esse, o modo de integração franciscana. Franciscano não é 10? É.

I I I –
A desculpa: Eu sou um completo boçal.

Considerações: respeitamos a sua deficiência mental, inclusive por saber que os computadores da fudest ainda não conseguem detectar anomalias nos genomas dos candidatos, tornando franciscano, eventualmente, algum deles. Por vezes, acontece de boçais irem bem na fudest. Como é o seu caso. Você vai ficar completamente a vontade. Na dúvida, vá até a tenda dos pucânus. Ali sim, você se sente em casa !

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Seus problemas acabaram ! A Atlética, em convênio com a Secretaria de Saúde de Sanfranca, conseguiu algumas belas fonoaudiólogas, Com isso, elas darão treinamento intensivo para energúmenos feito você, para que consigam, até o final dos Jogos, articular apenas duas palavras, ainda divididas silabicamente. Vai treinando aí: São Fran-cis-co ! O resto será simples repetição. Garantimos que não é difícil, não. Após 1108 tentativas, a coisa vai que nem quiabo. Vai, beócio !

I V –
A desculpa: eu tive um probleminha: sofri um acidente, perdendo as duas pernas, os dois braços, fiquei surdo, mudo, cego e estou atualmente em estado vegetativo, em coma profundo. E o que me sobrou de cérebro está pensando que o meu estágio como “peso para papéis” corre perigo, caso eu falte na sexta-feira.

Considerações: caro cotoco, você deve conhecer a antiga máxima: nem só de pau vive o homem. Conhece? Então. Saiba que isso nada tem a ver com o caso em tela. Não venha com desculpas esfarrapadas! Não seja pessimista. Acidentes acontecem. O Lula perdeu um dedinho e virou Presidente ! Imagine quando ele estiver como você! Procure IMAGINAR o lado bom da vida. Junte que sobrou de você e...

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS! Qualquer um vai ter vaga no porta-luvas pra te dar carona. Na Torcida Nota XI, a gente te coloca no estojo de um tamborim e tudo bem. No Aloja’s (quem inventou o apóstrofo ?) a gente arruma um travesseiro pra servir de cama. Você só precisa ter uma precaução. Peça para colocarem os aparelhos da UTI no piloto-automático e já pra Franca ! Peça para outro estagiário fechar a janela da sua sala, na sexta-feira. Não tendo vento, sua ausência ali nem será notada na segunda, nessa sua importante função social de peso para papéis.

V –
A desculpa: eu bem que gostaria, mas não posso ir. Estou comendo uma pucana e não quero ter divergências com ela por causa dos jogos, perdendo assim o meu FGTS (Fucking Garantida Toda Semana).

Considerações: o seu gesto é parcialmente louvável, no aspecto de colocar a pucana em seu devido lugar, isto é, deitada. Agora, não pode se esquecer que vai ser corneado logo mais. Ademais, pucana agora, mais do que nunca, tá de quatro. Antes era segunda opção. Depois, com a GV, terceira. Agora, com Ribeirão, tá do jeito que pediu a Deus: de quatro para franciscanos em geral. Nossas músicas nem vão mais dar rima. E mais: quando ela arranjar estágio no escritório de um franciscano, vai liberar pra ele também. Sobram pra você duas opções: você será corneado e pegará a sopa daquele nobre colega causídico ou larga a mão de ser imbecil e troque uma pucana daqui por 11,8 pucanas de lá. Simples, não ?

Sugestão: por isso, VÁ AOS JURÍDICOS !

V I –
A desculpa: eu já fui a um JJurídicos e acho que já está bom.

Considerações: é verdade ! Dentro dessa sua brilhante lógica aristotélica então, supostamente você já deve ter dado a sua primeira transa na vida. Então tá bom. Chega. Parta agora pra outras experiências. Você pode inclusive conversar com os comunas do Forum. Eles têm lá vários eventos que em podem encaixar você. Ou em você. Tem até aquele congresso que eles participam/apóiam que é uma sopa de letrinhas, sabe? Então, querido, escolhe uma letrinha lá prá você. Mas antes disso...

Sugestão: pára de viadagem e VÁ AOS JURÍDICOS !

V I I –
A desculpa: eu morri.

Considerações: não venha com auto-piedade por aqui ! Isso acontece com qualquer um. São coisas da vida que você precisa superar. Morrer faz parte da vida. Nem pense em bobagens. Faça assim...

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Você vai se sentir à vontade. Durante os jogos, os nossos adversários são todos uns mortos, mesmo aqueles que ganham bolsa. Na realidade, deveriam ganhar um caixão, não a bolsa. Já depois dos jogos, nossos insuperáveis atletas é que ficam mortos de cansados. E não ficam aí, reclamando como você, por causa de besteira. Ir aos Jurídicos é morrer de alegrias. Como você já tem experiência então, vai ser fera !

V I I I –
A desculpa: eu só assisto aulas, não conheço ninguém da Sanfran, não pego ninguém, não jogo nada, não bebo e não gosto de baladas e estou só interessado na minha formação profissional.

Considerações: a gente entendeu perfeitamente que você é um inepto. Muito semelhante ao item VII, sendo que ele tem uma grande vantagem: já fechou os olhos e deitou. É o que tá te faltando. Mas no meio da maravilhosa Torcida Nota XI ninguém vai nem perceber isso. A gente te fornece alguns chicletes e você fica mascando, fingindo que tá cantando. Igual aos jogadores da seleção, cantando o Hino Nacional. Depois você vai poder contar pros netos que, pelo menos uma vez na vida, você fez alguma coisa que prestou. Para você, nada como aquele ditado também: viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Depois você pode mentir pra todo mundo, dizendo que aprontou isso, fez aquilo e o escambau. Pode até incluir que comeu uma pucana. Faz parte. Ninguém vai te desmentir. mais: quando contar pros netos, não entre em detalhes. Pra eles não perceberem que você é um velho, desde os vinte anos.

I X –

A desculpa: eu nem sei se a gente vai ganhar.

Considerações: captamos perfeitamente o brilhantismo da sua capacidade de percepção das realidades da vida. A Torcida Nota XI é composta por brilhantes franciscanos, porém poucos têm o seu toque de gênio. Já aprendemos com o Galvão Bueno que existem as possibilidades da vitória, da derrota e do empate. Porém, contando com a sua transcendental ajuda, podemos alertar nossos valorosos atletas sobre as demais possibilidades que só você pode enxergar. Quem sabe você passe a fazer parte da nossa Comissão Técnica. O que você, em toda a sua genialidade não sabe, é que todos os anos, o nosso maior trabalho é ir até a algum lugar, só pra buscar o Caneco. Um tédio ! Por isso, não é questão de cantar vitória adiantado. É uma questão de lógica! Ou de tempo.

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS !
Nas Eleições de outubro vamos propôr a criação dos JURÍDICOS DELIVERY. Assim, eles mandam entregar o Caneco no Largo e a gente não tem que ficar viajando por todo esse lindo interior paulista.

X – Aqui, uma pausa. Vai treinando ai:

Êêê leleô, leleô, leleô , X I ! – repita DEZ vezes.
SANFRAN é DECA-CAMPEÃ

Dessa vez, A LATRINA vai fazer o maior sucesso !
Antes que reclamem das “piadas internas”, ou trocadilhos tão difíceis de entender, ajudamos: a DECA fabrica privadas, vasos sanitários. Também chamadas de latrinas. Entendeu direitinho ?

Voltando à dura realidade:

A desculpa: Eu acho que VOCÊS estão cantando vitória antes da hora.

Considerações: Luciana Gimenez, não vai dizer que você também acha que o fogo queima ? E que a água molha ? É claro que nós estamos cantando vitória antes da hora. A razão, que passou despercebida por tão arguta mente, no caso a sua, é absolutamente simples: você percebeu que os JJurídicos ainda não começaram ? Por isso, é claro que é antes da hora.
Sugestão: Não se exclua. Não são “vocês”, somos “nós”. A constatar que cantamos vitória ANTES da hora, NA hora e DEPOIS da hora. Faça o seguinte:

Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS !


X I -
A desculpa: Nós somos todos iguais. Eu não concordo que franciscanos fiquem xingando pucânus, mack-orelhas e toda aquela periferia jurídica nos Jurídicos. Franciscano pensa que é Deus. Deveríamos nos integrar mais, para unir forças e tornar o Brasil melhor, com mais justiça social e menos desigualdades. Precisamos nos reunir, reclamar do Resgate, fazer oposição. Nem que seja pelo simples prazer de fazer Oposição. Afinal, todos somos da mesma classe, a de estudantes de Direito e...

Considerações: cara comunista, desculpe interromper. É que senão, até você terminar o Kit Um do Manuel, desculpe, Manual , o povo já dormiu. Mas concordamos com você em gênero, número e degrau.
Por isso, algumas coisas. Nós não somos todos iguais! Nós somos DECA. Eles, apenas assistentes de nossas vitórias. Tá certo que eles têm lá o seu valor: o de perder prá gente.
E também esse negócio: franciscano pensa que é Deus. O que é isso, companheiro? Só a metade acha isso. A outra metade já tem certeza.
Mas nós só fazemos essa zona toda nos Jurídicos é porque temos consciência social. Você consegue imaginar que o consumo de cerveja que ocorre ali gera muitos empregos ? Tudo isso é prá ajudar a melhorar a condição do povo brasileiro. A produção de Jontex decuplica, pagando horas-extras, melhorando a distribuição de renda, pagando mais impostos. Essa é a nossa cota de sacrifício, sabia? Então, boneca.Relaxa !

Sugestão: por isso, junte-se a nós nessa luta, companheirada: VÁ AOS JURÍDICOS !
Quanto ao Resgate, não se preocupe. Eles não vão fugir de lá, não. A não ser que sejam expulsos. Lembra daquela vez que a gente expulsou o Presidente ? Então, muleke sapeca... Relaxa.
Vamos providenciar, quando voltarmos às Arcadas. Vamos colocar um ringue no meio do Pátio. Daí vocês se digladiam à vontade. Só não vale trazer platéia de fora, ainda mais quando a gente não tá sabendo de nada. Tá bom, lindinha ?

SanFrancamente seu

Luiz Gonzaga ______V Ano (Deus me) Livre ______________Arcadas, XI de abril, CLXXXI

quarta-feira, abril 09, 2008

O Batizado na Sé e o espírito franciscano

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Fernando Pessoa
Mesmo com as veladas ameaças contra sua realização, eis que se faz o Batizado da Sé, dos Calouros-2008.

Cada turma parece que se personaliza por um “grito de guerra”. A desse ano, um poderoso chamado: “181, não é pra qualquer um!”. Muito embora com uma paupérrima rima, que de tão ruim nem rima é. A graça ficou então por conta disso. Mas é poderoso mesmo o chamado.

Tão poderoso, a ponto de conduzir a algumas divagações, indagações e constatações. O Batizado tem o incrível condão de transformar um simples aluno da Faculdade de Direito num espírito franciscano das Arcadas. E essa abismal diferença é visível, não aos olhos.

Estamos tão juridicamente envolvidos com esses assuntos de DNA, genoma, começo da vida, fecundação, que poder-se-ia aqui arriscar um longo e sinuoso caminho para melhor entender a maneira pela qual a grandeza das Arcadas impressionará ou não o franciscano com a sua grandeza.

Fica óbvio que a grandeza que o espírito franciscano traz não é a mesma grandeza das Arcadas. Algo como que potencial, germinal. Havendo a feliz fecundação do espírito contido no aluno com aquele das Arcadas, decorre daí um desenvolvimento, gestação essa de cinco maravilhosos e incomparáveis anos, o exercício diuturno do espírito. Se tudo der certo e nada der errado, brotar-lhe-á no peito uma nova alma, alma franciscana. Que o acompanhará pelo resto da existência. E será essa nova alma que terá então a grandeza das Arcadas.

Diante dessa analogia imbecil e verdadeira, a pergunta é: estaria então o franciscano grávido dele mesmo? E a resposta imbecil para essa pergunta é positiva. Sim. As meninas, por favor, omitam essa verdade em casa. Porém não um clone, mas maior, tal e qual as Arcadas. Que não tem a sua grandeza em si própria, mas decorre da grandeza dos seus alunos que se tornaram grandes.

Eis a analogia. Se você a captou direitinho, peço o favor: explique-ma melhor, que ainda não a captei inteira.

E então, no devaneio já dito, ficamos observando franciscanos. Alguns querem achar a grandeza numa Faculdade que ensina um bom Direito. Errado. A “Faculdade” é apenas um detalhe dessas Arcadas. Os nossos melhores professores encontram-se no Pátio, matando aulas. Outros a achar que o ótimo é que possibilita um bom estágio e depois um bom emprego. Errado. Hoje, você pode ser analfabeto e conseguir um bom emprego até no Palácio do Planalto, com direito à Cartão de Crédito e tudo o mais. Basta formar uma boa quadrilha. Outros ainda a achar um lugar legal, cujos alunos só pensam e fazem festas, umas atrás das outras. Errado. As gestões do XI são tão ruins que nas festas falta cerveja, ou ela já vem quente ou dá diarréia. Há os saudosistas, que acham que a vivência das Arcadas lhes renderá boas memórias. Errado. A melhor das vivências de nada você lembrará dela, a Peruada. Há ainda outros, para nossa felicidade pouquíssimos, que acham grandeza o sentar-se no Porão para beber, fazendo disso a sua atuação única. Errado. Mesa de bar a gente encontra em qualquer bar. E com cerveja mais barata que a cobrada pelo alemão.

O que não há em nenhum outro lugar do Universo são as Arcadas e esse espírito franciscano, num convívio que o torna ímpar. Afirmando isso, a quantidade de grandes que assim se tornaram após convívio nas Arcadas, sem ao menos aluno dela ser. Nomes assim não faltam em nossa História.
A grandeza não está numa parte de um todo. Para ser grande, sê inteiro. Viver a plenitude das Arcadas é viver o todo das Arcadas.

Esse todo processo criará então em sua maioria, bons franciscanos, aptos a externarem a sua grandeza para fora dos muros dessas Arcadas. Lá é que se mostrará a sua grandeza. Não aqui. Nesse Pátio, somos apenas projetos de gente em formação, qual um embrião num útero. Por essa razão fica engraçado quando um tímido chute, demonstrando o sucesso no desenvolvimento, dá ao franciscano considerar-se no direito de já se achar feito. E sai falando verdades por essas sacrossantas Arcadas. Engraçado. Mas nada mais é do que a ansiedade por mostrar-se grande. Isso não é uma anomalia, mas um bom prenúncio.

É certo também que nem sempre a gestação sai a contento. Observamos alguns com cromossomas deletérios, propiciando a criação de débeis mentais e fora-da-realidade. Sem nem a si próprio terem conseguido formado corretamente, acreditam que podem mostrar ao mundo como é o mundo ideal. Pegam as suas bandeiras vermelhas e saem por ai gritando palavras de ordem. Pior de tudo: por saberem-se rejeitados, posto que mal-formados, querem infestar esse nosso Pátio com alienígenas invasores. Anualmente eles mudam de nome, mas a idéia é sempre a mesma: querem estar no XI, para mostrar aos seus amigos que franciscano é mesmo débil mental. Errado. Eles o são. Graças ao bom Deus, Forum embora pra nunca mais voltar.
Numa gestação é amplamente conhecido que drogas causam mal-formações. Formam-se anencéfalos, a alardearem coisas desconexas, como se fossem engraçadas. Esporadicamente, republicam um único exemplar de jornal que conseguiram criar, sempre com a ajuda de XI para compor uma única frase. Pior fica quando tal frase é uma tese racista ridícula, uma brincadeira de mau-gosto como todas as demais, tipificada como crime constitucional. Daí quem nos invade as Arcadas é o Ministério Público e tal. Coisa horrível isso. Para o bem de todos e felicidade geral das Arcadas, tal excrescência somam um máximo de meia dúzia de mal-formados, a escória. Decorrente da falta de cérebros por ação de drogas, acomete-lhes também uma Demência Precoce, vivendo de um suposto passado de glórias. Por isso a singela denominação, Exglória.
Há também aqueles que, Freud explica, para se fazerem aceitos, adoram agradar a todos. Para isso não tem uma idéia, tem logo mil. Uma há de agradar, pelo amor de Deus. E assim, assumem o XI. Mas a marca registrada fica. Querem sempre resgatar o que não são, resgatar a História que desconhecem, resgatar o grande espírito que fracamente lhes habita. É um caso típico de subnutrição do espírito e sua consequente superficalidade e fragilidade. Parecem o Garçon no dia do Pindura, com um eterno sorriso no rosto, do tipo “vota em mim, que eu sou legal”. De uma idéia boa, conseguem uma realização medíocre, pífia. São engraçados e inofensivos. Exceto quando, para eternamente querer agradar, roubam idéias alheias, fazendo parecer aos demais que têm idéias geniais. Já apresentaram maquete do Campo do XI parecendo o Morumbi, já fizeram Congresso que cabia ao DJ. O Diabo, viu, esse Resgate!
Há os que, aqui nem Freud explica, vêem em tudo isso um mero exercício de umbiguismo, que as Arcadas não são nada disso, que é fama de um passado morto, que é um bando de arrogantes e tal. Mas saem correndo para os seus nichos de origem, a se vangloriar humildemente de ser franciscano. Qual crianças que não conseguiram auditório em casa, talvez por concorrência de irmãos mais graciosos, procuram a casa do vizinho para aparecer. De preferência a de um casal sem filhos. E sempre anunciando solenemente ser um franciscano. Há até caso o caso de um que, num sexo casual, não diz à parceira nem mesmo seu nome. Mas segreda que é franciscano. Pode isso ?
Essa maravilhosa diversidade a torna inigualável. Um universo à parte, um diamante com 2299 facetas e uma exclusivamente pra você mostrar o seu brilho. Ou não. Um baú com um tesouro, cuja chave é o espírito franciscano. Você pode usá-lo como a um banquinho, para alardear hipócritas idéias de igualdade entre seres humanos; para implorar um bom emprego; para sentar-se nele e lamentar. Ou simplesmente abri-lo e tornar-se imensamente rico: a grandeza das Arcadas. Só o que não há é uma mão que vá guiá-lo. Esqueça. Se esperava isso, colherá a frustração. Em uma escola de liderança não cabe a pergunta: “o que é que eu devo fazer agora?”

Bem na entrada das Arcadas deveria haver um espelho, com os dizeres embaixo: “aqui, toda a grandeza franciscana”. Ali você enxergará muito mais do que aqui vai escrito. Ou poderá não gostar do que está vendo. São seus os olhos. Mas a imagem também.
Apesar de toda a grandiloquência, ter o espírito franciscano nada mais é do que vestir a camisa da Sanfran. Literalmente, como o fazem nossos atletas.( Nesse ano, com uma pequena falha, ainda não anunciaram a presença da Sanfran nos JJEs, mas apenas a da usp.) Como agora, tendo que ir até Franca, só prá buscar o caneco do Deca-campeonato. Trabalheira, viu ! Nas eleições para o XI vou propor um Jurídicos delivery ! Assim não temos que ficar todos os anos viajando por esse São Paulo, só prá buscar as Taças. Assim: por gentileza, entregar no Largo de São Francisco, 95. Que tal ? Aos que não desenvolveram dotes físicos, defender simbolicamente a camisa da Sanfran nesse nosso mundo social, em quaisquer que sejam os seus amplos aspectos, como sendo a sua própria pele. Porque, em você não fazendo isso, azar o seu! Eles vão esperar de você a grandeza das Arcadas, querendo você ou não. Simples assim, o espírito.
O início dessa Mágica e Misteriosa viagem: o Batizado na Sé. O espírito franciscano? Não é prá qualquer um! Como no início, a frase, mola propulsora de todas essas divagações: “181, não é prá qualquer um!”. Quando uma turma inteira declara isso, em uníssono, já parece um excelente começo. A marca molhada de pés descalços nesse Pátio das Arcadas anualmente, revigora nos já batizados, acima de tudo, a vitalidade desse velho e sempre novo espírito franciscano.

Luiz Gonzaga _____________________________________ Arcadas, XI de abril, CLXXXI

domingo, março 16, 2008

O Forum convida: uma proposta indecente

Eles convidam: vamos falar de política ?
Sim, sim, claro. Vamos aproveitar e chamar todos os calouros, prá gente falar sobre a Invasão das Arcadas, sobre Traição, Deslealdade, do ignorar os resultados da Assembléia com 900 franciscanos, da deposição moral do Presidente do XI.
Vamos pôr na pauta das “falas” o porque durante o ano todo a Sala dos Estudantes foi monopolizada com os profícuos debates entre a Esquerda versus a Esquerda, a E glorificando a E, a E em suas multiplicidade infinitas de facções. Sempre para um seleto grupo de, no máximo, XI.
Podemos rememorar como o Forum conseguiu transformar o nosso sacrossanto Pátio em um campo santo, verdadeiro cemitério de alunos apáticos, no ano de 2007.
Sim, temos muito a reviver para esse novos alunos, sangue novo nas Arcadas.
Que o Canhestro, esporádico jornal do Forum parece que arrumou um revisor de erros. Mas que, conforme demonstrado sobejamente com a funesta gestão do XI, não sabem que Arcadas se escreve com “A” Maiúsculo. Que isso não é apenas um preciosismo de linguagem, mas dar a devida importância para aquilo que tem.
Podemos debater sim, porque o Forum considera que as Arcadas, o Pátio, os Alunos têm assim tão pouca importância. A ponto de ignorá-los. Exceto quando é prá cooptar incautos para a sua “causa”, esdrúxula e anacrônica. Mentindo sempre, óbvio.
Como agora, cerceando calouros, com a mesma ladainha de sempre: a luta contra as desigualdades, as minorias, a exploração do trabalho pelo Capital, a pluralidade, a construção de um mundo com justiça social e etc, etc e etc.
Precisamos debater sim, para que todos saibam que o Fórum, na Gestão do XI negou todo o seu discurso, conseguindo ser a pior gestão de que já tivemos notícias.
E vamos debater, para que isso nunca mais ocorra ! Tá marcado ! Hall dos Elevadores, à esquerda. Vai lá que já tô indo! Não esqueçam do Fidel. Na esquife, claro. Ele e as idéias toscas, prá alimentar a "fala" de vocês.

Arcadas, XI de março, CLXXXI

sábado, março 08, 2008

Mulher: em Prosa e Poesia




Década de Sessenta: o Movimento Feminista

Um texto da Série: “palavras politicamente incorretas”.

As donzelas em 1950 e 1960 imitavam Marlene Dietrich, Ava Gardner e outras. Em roupas, penteados, trejeitos pintura e tantos quetais. Quantos sussurros abafados, quantos orgasmos solitários dedicados a Marlon Brandon, “símbolo sexual” do momento. Ser mulher significava então ser objeto de cama e mesa. Era preciso ser “prendada” para “conseguir” um bom casamento. E manter-se de boca calada, tal e qual as candidatas à Miss Beleza faziam.
Cai o pano.
Aparece Brigite Bardot, verdadeira prostituta, que teve o descaramento de aparecer de maiô em fotos e filmes. Nessas plagas tupiniquins, Leila Diniz. Claro, a Liga das Senhoras Católicas estourou ! Torceram o nariz. Tanto que o nosso Beijo Eterno teve que ser roubado e transplantado aqui para esse Largo, Território Livre. Escandalosamente nus e se beijando ?! Livre inclusive dessas bárbaras preciosidades. Bom franciscano que era, o Presidente Jânio Quadros proibiu o biquíni em praias brasileiras. Mas não a pinga. Um desacato à moral aquilo.
E a coisa foi então tomando forma. As cocotas casadoiras passaram então a querer coisas horrorosas, como se expressar, ter vez e voz, trabalhar, estudar e outras liberdades libidinosas. Pode isso ? Pode, sim senhora ! E a pílula anticoncepcional ofereceu essa abertura ao mundo todo. Mocinhas queimavam seus sutiãs.
É, a coisa já não era mais como antigamente mesmo. Ao som de Norwegian Wood, fumando maconha, sentados no chão, com indefectíveis calças “Lee”, adolescentes rejeitavam todo o modus vivendi de até então. Bandeiras, as mais diversas: um mundo sem fronteiras, um mundo sem guerras. O Amor, na realidade o sexo, enfim, livre. It’s time for bed. Para esse não obteve qualquer resistência. Quando havia coisas do tipo “mamãe não deixa, papai não quer”, bastava recorrer à “ser moderna” e pronto! Ficava resolvido o impasse. Afinal, Hippie vem de hip, quadril.
De toda essa parafernália resulta o Movimento Feminista, com todos os seus pertinentes avanços e retrocessos, algo muito salutar ao processo. Resulta também que a Mulher conquistou o seu direito de ser mais uma a consumir, o que era a intenção sub-reptícia inicial. Conseguiu a igualdade de ser escravo, tal e qual o homem. Woman is the slave of the slaves nos cantou John Lennon. Passou a trabalhar, as estudar, a conquistar e criar novas posições, coisa que antes era apenas resultado da inventividade do Homem. Passaram a aparecer no cenário mundial tanto quanto aparecem nas capas de revista.
Tudo isso foi muito positivo, muito embora possa parecer que haja algo de jocoso no descrever da evolução histórica dos fatos. Positivo e sério, o que não exclui o animus jocandi. É que estamos no século XXI e o movimento feminista completa os seus cinqüenta anos. Em 2008, no Chile, na Alemanha, a Líder maior é mulher. Nos EUA a candidata em potencial também. E até para brasileiros, conhecidos como macaquitos, o Tarzã deu lugar à Jane. A Presidente do STF é uma mulher. Tudo porque a pauta séria do Movimento não era pertinente a “ser mulher” mas a “ser humano”. Como tal, iguais. Perfeito. Claro, com suas necessárias e vitais diferenças perfeitamente superponíveis.
Agora, fica apenas uma questão interessante. Aquela cocotas sonhadoras citadas inicialmente eram adolescentes em 1950/60. Tiveram então lá seus filhos e filhas. Que tiveram então, por sua vez, seus filhos e filhas. Filhas essas adolescentes de hoje. Algumas na São Francisco. Que vivem num mundo em que, por falta de novos valores, voltou os seus olhos e mentes e avidez pecuniária para a Flower Power, a geração Hippie . Haja vista a enxurrada de bandas musicais revolucionárias que nos visitam, com seus crooner caquéticos e septuagenários cantando “Baby, I love you”. Verdadeira clínica geriátrica musical, viramos nós. Mas, salvando a Pátria, diríamos que “música é música” (e vice-e-versa, como querem alguns) e, quando boa, como tal é eterna. Ao contrário dos músicos.
Ao contrário também das reivindicações. É um anacronismo o “retorno pelo retorno” de um Movimento Feminista. Problemas existem por certo, mas distante da condição de “ser mulher”, desenterrando um movimento. Porque, se não, logo mais veremos alguns tirarem do seu velho baú de recordações a carcomida placa “Pelo fim da Guerra no Vietnã” e sair por ai. Ou convidarmos o jovem Roberto Carlos para cantar “Quero que vá tudo pro inferno” na Sala dos Estudantes.
Movimento Feminista, em 2008 ? É mais plausível aqui a aplicação da máxima, em Latim que é pra dar mais autoridade: suum cuique tribuere. Porque os oprimidos são os fracos. Ao se isolar dos fracos como movimento, enfraquecem-se mais.



*************************************************************************************
Para provar que essas palavras politicamente incorretas apenas são verdades colhidas e não partem originalmente de um horroroso opressor machista, incluo a minha visão da Mulher, feito Poesia. Palavras-verso que dedico às mulheres, franciscanas ou não. Feministas ou não.

E l e g i a

Olhos
Para admirar-te

Corpo
Para amar-te

Alma
Para alçar-te

Verbo
Para louvar-te

Deus
Para criar-te

Femina: arte


Luiz Gonzaga Arcadas,VIII de março , CLXXXI

domingo, fevereiro 17, 2008

A São Francisco só tem nome

Oswald de Andrade foi o mentor intelectual do Modernismo e da Semana de Artes de 1922, da qual participou, juntamente com Luiz Ramos, morto prematuramente, aos 24 anos. Monteiro Lobato criticou duramente as Artes Plásticas dos Modernistas, tendo permanecido à parte do movimento literário.
Um dos grandes escritores brasileiros, Oswald foi estranhamente “esquecido”. Editores explicavam que “poesia não vende”, por isso a sua pouca divulgação.
Em 1915 foi orador de discurso em homenagem especial a Olavo Bilac.
Oswald, Sua obra, seu trabalho e sua genialidade foram dignamente divulgadas apenas após a sua morte, por Álvaro de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari e Antônio Cândido. No Teatro, Zé Celso dirigiu o Rei da Vela, popularizando o nome de Oswald para os reles mortais.
Cumpre ressaltar que todos os nomes aqui citados são de alunos da Faculdade de Direito de São Paulo. Faculdade de Direito ?
Direito vírgula. Uma faculdade que temos, para tornar as Arcadas com tanto nome... de alunos.
* * * * * * * * * * *
Oswald teve um curso truncado por várias vezes. Formou-se em 1919, tendo sido orador da Turma, com o tema “Árvore da Liberdade”. Como hodiernamente, no seu tempo não havia assiduidade muito grande às aulas. Hoje não se sabe o porquê. Mas no tempo do poeta grassava por aqui a Gripe Espanhola. Então, não se sabia ao certo se o aluno havia faltado ou morrido. Professores faltavam às aulas não por mera vagabundagem ou porque estivessem com uns clientes, mas por justa causa: haviam morrido de gripe. Quem passava a Lista de Presença eram os bedéis. Quando não havia Lista, perguntavam: o bedel faltou ou morreu ? Geralmente era a segunda explicação. O animus jocandi franciscano.
Os primeiros capítulos de “Memórias Sentimentais de João Miramar” foram publicados no jornal do XI.
A Academia de Letraz, criada em 1932, teve em Oswald um de seus idealizadores.

Tales

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Sanfran, a Desejada das gentes

O franciscano Machado de Assis homenageia os calouros da Turma CLXXXI
Sanfran, a Desejada das Gentes


O Calouro aos poucos vai perceber que encontrará por essas Arcadas todos os nomes que ele costumava encontrar por ai, nas placas de nome de rua, e no farto vocabulário nacional. A explicação tão é simples que até calouro entende: são todos franciscanos, regularmente matriculados em algum dos nossos CLXXXI anos.
Machado de Assis é o maior deles, mas ele não passou pelas Arcadas. Por isso é um franciscano au concour. Não que ele não tenha estudado. Presta atenção, calouro ! E também não é que ele não tenha prestado vestibular prá Sanfran porque ainda não existia cota para negros. Nada disso. Na época dele não havia dessas coisas. Mas, em compensação, também não havia o famoso e atual discurso politicamente correto. Bons tempos aqueles.
Por isso, como falamos transportados no tempo, vamos ignorar essa besteira. Ele era gago, epiléptico, pobre e mulato. Só faltou mesmo ser corintiano ! Ah, não teve também qualquer empurrãozinho governamental. Ai então diria o esperto calouro: então é por isso que ele não fez Sanfran !
Ainda não é isso. É que ele era auto-didata, como todos nós. Por isso franciscano. E também que, na sua época não havia listas pra que assinassem. Por isso, tecnicamente podemos considerá-lo orgulhosamente como um dos nossos.
Depois dessa fenomenal forçada de barra, podemos finalmente entrar no assunto: o conto que ele escreveu, em homenagem à Sanfran. É um conto bastante premonitório, haja vista que A Desejada das gentes, a Sanfran, era como ainda é, hoje: todo mundo quer, mas alguns poucos conseguem. Certamente você terá amigos que deixarão de sê-lo, visto terem se perdido pelo caminho, nos meandros da fuvest. Uns escorregaram e viraram pucanos, outros tantos orelhudos-mack e outros que nem é bom falar... Calma, você os encontrará nos Jurídicos. Alguns, nem lá. Deixa quieto, que é melhor assim.
No conto, Machado esteve influenciado pela escola pós-moderna mas não chegava a ser um concretista: a Sanfran era feita inicialmente de taipa. Ele descreve no conto , como sempre magistralmente, as agruras e dissabores, os XI trabalhos de Hércules, que um vestibulando tem que enfrentar para poder perceber que existe vida inteligente, apesar do vestibular. E, passado esse percalço, poder dizer essa sacrossanta frase, agora sua também: eu sou franciscano !
Portanto, seja bem-vindo à Desejada das gentes. E, claro, não deixe de conhecer esse conto de um franciscano que só não o foi, por não ter sido. E qualquer diferença notada aqui com o original e a realidade, atribua a erros de digitação.

Onzaga
um fundamentalista