domingo, junho 26, 2011

O Português virou piada

A gramática da língua portuguesa, brasileira, estabelece:


"Ente" é um sufixo designativo do agente que realiza a ação do verbo.  (assim como, por extensão, o "ante" e o "inte"). Quem ouve é ouvinte, quem estuda é estudante.

Assim, quem confere é conferente, quem gere é gerente, quem escreve é escrevente, etc. Até chegarmos ao último exemplo: quem preside é presidente. Sim, porque as normas gramaticais são inteligentes, levando em consideração apenas o que deve ser levado. Pouco importa se o agente tem uma vagina ou um pênis, ou o que ele costuma fazer na cama, quando acompanhado, desde que ele cumpra a ação que o verbo denota. Por isso o gênero é comum.

A Gramática estabelece normas flexíveis para a língua culta de um povo. Ela não é um instrumento de tortura e dominação utilizada pelos satânicos donos do poder para manipular a massa ignara. Tanto é assim que ela é disponibilizada em todas escolas, inclusive as públicas. Ou seja, se é que é uma arma, é uma arma disponível a todos, indistintamente. O que a dona Gramática não contava é que uma multidão vai à escola apenas para comer a merenda, já que em casa a panela está de cabeça para baixo. E isso desde sempre. Nunca nesse país a panela esteve cheia, disponível para todos. A bolsa família não é suficiente para comprar comida, apenas votos. E, mesmo assim, até um preto, gago, favelado, esfaimado, pobre e epiléptico aprendeu a escrever. E a escrever bem, esse tal de Machado de Assis.


O Brasil tem mesmo um povo muito esquisito. A admitirmos que  a, feminina e gramaticalmente falando, Presidente, por ser feminino, passe a ser chamada de Presidenta, poderíamos dizer então que ela, em sua adolescência, como uma adolescenta seria uma delinquenta, era uma assaltanta? Tem a ver a gramática com as lutas sociais, com modos de prática de ilícitos? O fato de termos uma primeira Presidente mulher tem o seu valor histórico. Mas tem poder para mudar a gramática? Os apoiadores do governo pensam que sim. A Oposição acha que não, não por razão de Gramática, mas por ser oposição.

Que modificação podemos então esperar, quando um transexual, bi ou qualquer de tantas variações, subir a rampa do Palácio do Planalto? Será que nos referiremos ao Presidente como o quê? Presidenta, Presidente, Presidento, Presidentoa, Presidentao ou o quê? E se ele for um hermafrodita real, com malformações genéticas, seria o Presidentro? E se ele trocou de sexo? E se ele trocou de sexo, mas sua anima continua gostando mais de esfiha mesmo do que do quibe? E se ele for um religioso, piamente adepto da pedofilia como fartos exemplos nos mostram, Presidente-infante? Um Presidoente?


É muita complicação para cabeças tão ignorantes! Seria muito mais simples e fácil comparecer a algumas aulinhas de gramática para que o Português não vire piada, aqui também. E deixem as mudanças sociais, as conquistas, as lutas e tudo o mais, inclusive a hipocrisia total, fora da evolução natural da língua. E deixa a muié, a Presidente, trabaiá, genti!


É e sempre foi de bom tom, à aquele envolvido na questão, não participar de  questionamentos, julgamentos ou mudanças de situações. Regra costumeira, para evitar parcialidades. Mas isso também foi abolido. O Mula jamais poderia participar da edição da Lei Seca. Puro contrassenso, para um esponja. Jamais poderia ter participado da edição da "Reforma Ortográfica", posto que não é chegado, perguntando até se Gramática tem a ver com criação e alimentação de bois e tudo o mais. Não, não deveria apôr suas lindas impressões digitais em tal reforma. Ou alguém pode explicar como se pronuncia "a questão é que o inconsequente semeia a ideia que o trema aguenta a feia pecha de  bichopapão, por equidade".
Vivemos mesmo em um tempo de Desconstrução! Quando todos sabemos, aqueles que não faltaram às aulinhas, que uma civilização sai da barbárie, atinge o seu auge e experimenta a decadência. A civilização brasileira, pra variar, é a única que saiu direto da barbárie para a decadência! Nunca atingimos o auge. E passamos a descontruir o pouco que já havia. Estamos no tempo do Deus Sol, com a Estupidez sendo a nossa Faraó. Ou seria Faraona? De quebra, uma pirâmide de estultices e barbarismos. O Montesquieu que se dane, eu quero decidir em nome do Supremo Tribunal, porque é amigo meu.  Se os EUA tiveram um impeachment, nós aqui, macaquitos, também temos que ter um. E outras tantas vergonhas internacionais. Num próximo passo, a criação do Ministério da Verdade. 

O Monteiro Lobato escreveu, na década de 40, o Presidente negro. Mas, por enquanto,  isso só se realizou nos EUA, não por aqui. Então, vamos tornar verdade o "1984", e criar o Ministério da Verdade. Ai, meu São Francisco, qual será a próxima pérola? A do Português foi terrível. Conta outra.

segunda-feira, abril 25, 2011

Jogos Jurídicos 2011


                                                                         Fair play, direitos de consumidor,  congratulações e bullying


Os Jogos Jurídicos sempre se definiram como competição poli-esportiva entre a São Francisco e algumas faculdades. Dado que a vida é curta e a carne é  fraca, entre os jogos sempre houve muita festa, algum pouco e moderado (dizem) consumo de bebidas alcoólicas e muitas e estreitas relações humanas (e até às vezes animal) entre todos os participantes.  Com a criação dos JJE, conforme consta em Gênesis 11.69, Deus disse: isso é bom. Bom demais, até!  
E assim foi, até que a semente do Mal foi implantada. O maldito Capitalismo dos infernos, recém-descoberto e distorcido por brasileiros invadiu tudo, até os Jogos Jurídicos, imagine você!  No embalo da diversidade de bolsas governamentais de todo tipo, algumas  faculdades  não fizeram direito: bolsa-diproma. Passaram a contratar profissionais, na tentativa de ganhar alguns jogos. E eventualmente algum Jurídicos. Dai que o embate ficou desigual, não? Alunos que brincam de atletas contra atletas que brincam de alunos. Uns jogando por amor à camisa. Outros prá quitar boletos. Como mensalidade é alto o preço, mas como remuneração profissional é uma merreca, certo? Ser cinco vezes campeão e receber como paga um diploma da Direito What?. Uma verdadeira exploração, trabalho escravo ou coisa que o valha, dado o desvalor da paga! Fica aqui a sugestão para que aqueles valorosos atletas malremunerados em seus subempregos procurem o nosso Departamento do Direito do Trabalho para fazerem valer os seus direitos trabalhistas! Ah, em horário comercial e em trajes compatíveis com as Arcadas, por favor.
Mas o maldito demônio do Capitalismo não parou por ai. Transformaram os Jogos Jurídicos em uma grande Peruada, entremeada com alguns jogos para atrapalhar. Ai onde entram os direitos do Consumidor por propaganda enganosa! E propaganda burra, por sinal. Somos induzidos a comparecer aos Jogos, mas na realidade o que se encontra é algo muito melhor: um verdadeiro louvor à Balada, Bebida e Putaria! Pô, meo, se avisassem antes, com certeza não iriam só aqueles 600-700 não. Esse negócio de Jogos é muito chato. Tem que acordar cedo, ficar lá torcendo, ouvir a  maravilhosa BAISF eternamente continuar cantando que fomos bem no Vestibular e etc. E inclusive perder, já que o adversário é profissional. 

Ano que vem, caso não acabe o mundo, acabem-se os Jogos Jurídicos e permaneça a tão saborosa Balada, Bebida e Putaria! Uma Peruda Caipira. Muito mais legal! Se tiver algum gaiato que queira ir lá bater uma bolinha prá descontrair, tá liberado! Mas não precisa ser de manhãzinha, logo depois da balada não.  Final da tarde tá bom. E não conte com torcida. Que aliás nem precisa, né? Vamos gozar a droga da vida em sua etílica plenitude então. Assim fica muito melhor e não representa propaganda enganosa, além de burra. Divulguem a coisa direito. 

Nada contra e até muito pelo contrário, a bendita existência das baladas em geral. Tudo o que não pode é ter atletas amadores que precisam e muito do apoio de uma torcida que os estimule à vitória. Os adversários não precisam de torcida, já que tanto a Bateria quanto os jogadores são empregados-escravos exercendo o seu papel. Eles ganham o jogo sem um único torcedor, como foi visto em Sertãozinho. O que seria a torcida deles então pode se dar ao luxo de  estar na Arena,  que sabemos fica melhor denominada por Celeiro. Mas, quanto  à Sanfran, se eles trouxas foram lá para dar o sangue e a alma nos Jogos, a torcida foi para  as baladas e para o Arcadas Bar, que tem esse horrível nome, em detrimento de BARcadas, muito mais compatível.  Os atletas da Gloriosa foram impecáveis. Os poucos pontos que nos separaram do Caneco Geral foram aqueles que deixaram de ser ganhos pela Torcida Nota XI. Momentos emocionantes que vivemos quando a Torcida estava em peso. A Torcida, embalada pela BAISF é o nosso "gol de Minerva". Franciscanos que foram veranear no Celeiro, ou melhor, Arena, participaram do jogo... deles. A tal de Arena-celeiro foi criada para tirar o melhor jogador da São Francisco: a Torcida. Deram ouvidos para os orelhudos.
Por essas e por outras é que o fairplay passa longe nos Jurídicos. Jogaram um pouco de sua torcida no meio da quadra! Teve que limpar, claro!  Matéria para A LATRINA. Ter profissionais ali é  equivalente a liberar o uso de doping, só para uma equipe. Mas isso é assunto para a cartolagem, que está mais preocupada com as receitas e finanças do que com essa banalidade de jogos e seus resultados. "Ora, os Jogos!", diria a Maria Antonieta se estivesse lá, tão chegada a uma Peruada. Caipira que seja. Maldito Capitalismo tupiniquim!
Finalmente, só resta mesmo parabenizar os atletas campeões pelo seu profissionalismo. Muito embora mal e porcamente remunerados, cumpriram o seu papel com seriedade, chegando mesmo até a conseguir algumas vitórias. Nesse ano, campeão geral. Torçamos para que continuem evoluindo e passem efetivamente ao profissionalismo merecido e condignamente remunerado em espécie, em suas respectivas modalidades esportivas, prescindindo assim da seara jurídica. Vai ser difícil sobreviver com a condenação: Direito  What?. Já  aos componentes remunerados da excelente bateria, não sabemos o que augurar. Desejar-lhes uma excelente carreira jurídica pode até soar como bullying, o que anda censurável ultimamente.   

Pinguim, 25 de abril, CLXXXIV 
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segunda-feira, abril 11, 2011

Brasil, um país FECAL

Dado que o mundo quase não apresenta problemas a serem solucionados, os teóricos, economistas, sociólogos e etc estão com um problema seríssimo em relação ao nosso querido Brasil. O País apresenta dados estatísticos econômicos e sociais que já o elevam da posição de "emergente", muito embora ainda não tenha atingido o patamar de "desenvolvido", haja vista ser o país do futuro, algo que ainda está para chegar.  Essa a grande razão da insônia dos nossos intelectuais. Já até cobraram o cidadão que criou as siglas BRIC e PIG. Enquanto que BRIC todos já sabem  quem são, o PIG continua no anonimato. Não gostaram dessa sigla, achando-a na verdade uma porcaria. Talvez por isso ele tenha ficado temeroso em apresentar o nome sugerido para o status mundial que atinge o nosso País: FECAL.
Cheio de razões ele. Enquanto BRIC por simbologia lembra algo que sempre tende a afundar, PIG remete diretamente ao que europeus em geral pensam daqueles três países componentes da sigla. São portanto siglas de uma similitude ímpar. E agora a grande novidade: o Brasil, um país FECAL. Tudo com muita consistência. Poder-se-ia acrescentar: com odor característico. Mas ele não entrou nesses detalhes. Restringiu-se a detalhar a sigla. Um país com institutos tipicamente feudais, praticando os rudimentos de um Capitalismo recém-descoberto e também Liberal. Taí lançada então a nossa atual condição: FECAL. De Colônia passamos  a i-mundo. Depois subesenvolvidos e depois ainda a emergente. Agora, finalmente boiaremos nas águas.
O mentor intelectual da sigla demonstra ser profundo conhecedor da nossa História. Com apenas cinco letras contou-a, de cabo a rabo. E desse fim tirou a ideia da sigla. E, de quebra dissecou nossa cultura, analisou nossos mais profundos valores morais, bem como o espírito comunitário que nos identifica. Isso tudo em um cidadão que nem brasileiro é. Talvez até por isso. 
Em um País às avessas, com tudo de pernas para o ar, pode-se começar pelo fim.  Tanto faz. Quando se vai ao Inferno, dança-se com o Capeta. Mais que tudo e sob qualquer sistema, o Brasil é um país Liberal. Radicalmente Liberal, cjegndo-se à Libertinagem franca. Caminha profetizou: em se plantando tudo dá. Só que para plantar dá trabalho. Então tropicalizou-se a profecia: em sendo amigo do rei, tudo pode. A Lei não deixa? Mudem-se as leis. A Lei da Gravidade impede? Revoguem-na. A Lei da Oferta e da Procura atrapalha? Crie o BNDES e mudem-na. A Lei dos Grandes Números é impagável a todos? Dê apenas um bolsa-família aos miseráveis eleitores, que são a maioria. E que aos demais impere a Dura Lex: inimigos, pobres, pretos e prostitutas. Veio à tona algo tido como crime de amigo?  Espere prescrever e pronto! Cansado de se defender da pecha de não ser um país sério, foi então institucionalizada a questão, elegendo-se alguém que sabe que o povo não é mesmo sério: uma gargalhada geral. Só quem  ficou tiririca mesmo com a coisa foram algumas crianças, aquelas que não enxergam a roupa de um rei pelado. Mas elas crescerão e certamente receberão um cala-a-boca. Um País Liberal, a dar lições ao mundo boquiaberto. O Parlamento funciona muito bem, haja vista que parlare é sua origem. E eles ficam lá, falando, falando. falando, cumprindo essa digna função. Por isso esse Estado de Direito é repleto de leis. Tudo previsto. A Constituição, uma linda sereia e seu belo canto. Todo cidadão tem o legítimo direito de cometer o seu primeiro crimezinho: é réu primário. Quando não mais primário, será preso. E será solto com indulto para o Dia das Mães, aproveitando a folga para matar a mãe. É lícito ao preso querer fugir. Não o seria não querer voltar?  Para se entender como um preso foge pela porta da frente de um presídio de segurança máxima, utilize-se do mesmo instituto que rege que "o governo é governado por organizações não-governamentais". E tudo fica claramente explicado.  Mas nunca se pode esquecer que é o País do Liberalismo radical. Se o cidadão não tem a Ficha Limpa não poderá ser eleito. Exceto se for para Presidente da República, já que revogaram o latrocínio, sequestro e o terrorismo como crimes, para o caso em questão. Por ser mulher, feriria o pudor público se desfilasse como com as roupas do rei. Então ela aparece vestida sim, mas experimentando receitas de bolo. E a plateia extasiada aplaude, pedindo bis. Fundamentada na Libertinagem reinante, é preciso que se mude novamente as leis ortográficas, cabendo agora o que nunca teve feminino, "o Presidente". Ao invés de Presidenta, algo que não existe, sugere-se então a Presidanta. Algo que também não existia, até que elegeram uma. E é muito mais conforme.


 O criador da sigla genial não fica por aí, só dando nome aos burros. Segue analisando o difundido e dominante aspecto Feudal de nosso estamento. O Preito da Vassalagem já vigente consuetudinariamente, foi institucionalizado, recebendo hodiernamente o codinome de Mensalão.  Como o país apresenta apenas os rudimentos do que virá a ser um banco, o dinheiro aos agraciados é carregado em malas, pacotes. Quando não suficiente, colocado nas meias e cuecas. As Banalidades representam para o cidadão a metade do que honestamente ganha trabalhando, verdadeiro confisco, recebendo o eufemístico nome de Imposto. O Imperador desse Mato Virgem pode tudo. Modifica números, publicando milagres. Paga regiamente o apoio com recursos do tesouro. A Oposição é comprada com tráfico de influência e também dólares, que a carne é fraca e custa caro. O Imperador sai pelado pelas ruas, mas a mídia toda vende, posto que comprada também, as belas vestes imperiais. Algumas crianças reconhecem o quadro, mas são criancinhas inocentes apenas. Crescerão e acabarão por ver a roupa do rei. Não sobra ao cidadão nem o privilégio da Primeira Vez, posto que, dadas as modernidades, tal privilégio já é usufruído bem precocemente, em passado distante. Nascemos para ser Colônia, com o desígnio de fornecer riquezas à Coroa, qualquer que seja o nome dado a ela, no transcorrer dos séculos. Primeiro, deram-nos espelhos. Mas nossa indústria já fornece os parafusos mais grosseiros para a tecnologia de ponta que recebemos com a abertura dos portos. Tal é o avanço que hoje o que mais impera são as ferramentas foice e martelo, apetrechos que já Leonardo da Vinci tratou de modernizar, por ultrapassados. Competindo com a nanotecnologia vigente, o País cultiva "nanatecnologia", por ser um gigante adormecido. Talvez autista. Assim, dentre outras infinidades de modos e costumes, o país vive bem o seu Feudalismo, com a graça de Deus e a benção do Carnaval.
Com esse cenário, o País recepciona o Capitalismo. Talvez com algum atraso, atribuído ao fuso horário. Com a adoção, o Escambo fica restrito aos trâmites palacianos e seus apaniguados. Aos demais, fica instituído que se deve produzir vender e comprar. O Imperador, do alto de sua sapiência declara aos súditos que estamos em uma nova Era. Revela que produzindo mais, pode-se vender mais barato. Além disso, para produzir mais, mais cidadãos terão trabalho e capacidade de comprador. E isso alimentará a produção, que venderá mais. E é então aplaudido de pé. O próprio presidente dos EUA anuncia que "esse é "o cara". Com essa nova doutrina, faria inveja até mesmo a Adam Smith, caso tivesse dito isso há quatrocentos anos. Mas tem o fuso horário, complicador de tudo. Enfim, a despeito de tudo, está implantado o novíssimo sistema: o Capitalismo. Não viraríamos o seculo XX sem essa novidade. Agora, caso o Capitalismo faça água, conserte-o e remende-o com o que se tem às mãos, os institutos feudais. Com essas providências tomadas na calada da noite, todo tsunami vira marolinha. Desde que se prepare bem a seleção para a próxima Copa do Mundo. 

Percebe-se facilmente que a fundamentação poderia ser discorrida ad infinitum, mas tornaria mais maçante ainda a leitura. E também por desnecessário. Mesmo o pouco apresentado já excede: realmente é o Brasil um País FECAL. Por isso vejo bons auspícios para esse blog A LATRINA. Pode até ser que sejamos convidados a recepcionar as régias mensagens  do "depois-do-café-com-a-Presidanta" e descarregá-las aqui. Um patrocínio claro que sem licitação, dada a excepcionalidade da relação conteúdo-continente. 

quinta-feira, março 24, 2011

Oráculo

Conheça o novo blog que inicio:


ORÁCULO

Questões em Medicina Desportiva
http://gonzagaresponde.blogspot.com



É comum ocorrerem muitas dúvidas e questionamentos quando se fala em iniciar e /ou praticar qualquer atividade física. Para isso, o blog. A finalidade é que ele seja interativo com você. Responder as questões dos leitores, enviadas via post. A resposta virá em um texto abordando o tema, não uma resposta direta ao leitor. Claro que o respondido não corresponde e nem substitui a consulta médica. São apenas orientações gerais, que costumam inclusive serem esquecidas quando se consulta um facultativo.  

O respondido no blog não pretende também dar aulas de Medicina. Sempre que você tiver qualquer sintomatologia decorrente da prática desportiva (ou mesmo antes de iniciá-la ) deve procurar um especialista.  E é dai que surge a lacuna. Em muitos casos, o médico consultado não é um Especialista em Medicina Desportiva. Segundo eles, após os exames, você poderá ter uma "saúde de ferro". Mas se for correr na chuva vai enferrujar. E então você manda a sua pergunta ao blog. Espero a sua dúvida. 

Ao contrário d'A LATRINA, que pretende ter uma visão bem humorada dos fatos do mundo, o ORÁCULO é algo sério. Muito sério. Com a Saúde e com a Medicina não se pode brincar. 

Ao prestigiar com a sua visita ao blog, compartilhe e divulgue. Pode ser útil a mais alguém.

sexta-feira, março 11, 2011

Projeto "Casa nova"

Uma caminhada se inicia com um passo. Depois, a mera repetição dele. 



Ao adquirir o Livro
As Arcadas: segredos, magia e estórias

do seu preço final de R$ 30,00, serão destinados R$ XI,00 à Casa do Estudante a título de DOAÇÃO. Tal valor coincidentemente representa os direitos autorais. Portanto, a doação é minha e SUA.

Você pode adquirir o Livro aqui mesmo. Conforme está ao lado, via Pagseguro. 

Porém, por indicação SUA, a doação ALTERNATIVAMENTE poderá ser destinada à
Academia de Letraz da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - para custear a edição da Revista Anual, Phoenix

ou ainda para o
DJ - Departamento Juridico

Peço que você participe dessa iniciativa. Compre o seu exemplar, divulgue para os amigos. Dê de presente para os seus clientes. Para colegas e amigos que fizeram outra Faculdade. Mas, principalmente, divulgue também para os inimigos, já que certamente são em maior número. Compartilhe nas redes sociais e etc. Enfim, ajude a divulgar o Evento. 
Não é uma campanha para Criança-esperança e nem para eliminar algum inútil do Paredão do Big Brother, mas é causa válida: a Casa do Estudante continua ruindo, enquanto desocupados continuam fazendo reuniões, em busca de uma solução mirabolante e mágica.  Que não existe. Quem sabe, outros que tenham grandes fortunas não se sensibilizam com essa doação minúscula e fazem também as suas doações, já que isentas do Leão? 

Além disso, espero que você leia o Livro e que goste dele.
Ao final dele, há endereços de contato com o Autor, para onde você poderá encaminhar as suas considerações, sugestões e críticas. Se tiver uma boa estória, mande também. A segunda edição do Livro conterá estórias extraordinárias e esdrúxulas de atuais ou antigos alunos. É evidente que não há censura para os relatos. Mas, se você escrever que foi a uma festa e pegou alguém, informo que isso não é uma estória, é mera obrigação.  Com relatos, tempos e autores diversos, a finalidade é que, no futuro o Livro passe a ser uma "obra de criação coletiva". E que o Calouro, ao entrar nas Arcadas tenha como meta própria um dia ter uma estória sua registrada no Livro, classificado pelo INL como "Realidade Fantástica". Perfeitamente compatível com a vida no Jardim de Pedras. 

Eu sei que sou um sonhador, mas não sou o único.
E também sei que você conhece essa frase. Don't worry!
Também sei que o sonho não acabou. Quem me garantiu isso foi o português da padaria.
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A Casa do Estudante, um prédio de XI andares, foi construída em seis anos, na década de 40. Logo, não foi "obra de uma gestão maravilhosa do XI". Alunos faziam festas para arrecadar fundos. O Baile das Américas era um deles. A preços escorchantes, não por exploração meramente mercantilista, mas com a renda com destino certo e conhecido. Tornaram-se eventos não restritos a alunos ou antigos alunos, mas à população em geral. E as doações surgiram espontaneamente. A Casa era válida.

A Casa destinava-se, e destina-se, a abrigar alunos que efetivamente não tinham  condições de manutenção em São Paulo, durante os cinco anos. Aqueles ousados e sonhadores alunos de então não previram que tal requisito pudesse eventualmente ser burlado ou mascarado, de alguma forma.  

Certamente que a iniciativa das doações utilizando-se da venda do Livro como ferramenta não tem a ilusão de resolver todo o problema. Além de aliviar algumas necessidades mais imediatas, tem principalmente a finalidade de despertar outros que efetivamente têm realmente condições de fazerem as suas doações. Sabe-se que aquele lindíssimo diploma que orgulhosamente ostentamos na parede tem originado grandes fortunas por esse Brasil afora. Inclusive de antigos moradores da Casa. Não vamos aqui apelar para o discurso do "compromisso moral". O vocábulo moral, com todas as suas implicaçõe e conotações faz parte do português arcaico, totalmente em desuso.

Certamente também que o "problema Casa" não se retringe ao econômico. Faz-se necessário e urgente uma revisão naqueles pré-requisitos, sua comprovação e permanência da condição, bem como o tempo de permanência, valores de "aluguel" e etc. Mudaram-se os tempos. Na década de 40 nem existia a figura do "estágio remunerado", como é hoje usual. Porém, todos esses aspectos saem totalmente fora da minha competência, sendo uma tarefa a ser realizada pelo Centro Acadêmico "XI de Agôsto", tão preocupado com os assuntos do mundo. Que cuidemos primeiro do nosso quintal. Paradoxalmente, o nosso quintal é uma Casa. Coisas da Sanfran. 

Por essa razão o título de "Casa nova". Um Projeto que pretende conquistar você.

Por isso,  separei muito bem os assuntos. O que a mim me compete é a doação proposta, com o(s) exemplar(es) que você vai adquirir. Além de divulgar a ideia. O meu lucro ficará por conta de ter o prazer de ser o contador de um pouco das estórias das Arcadas por esse mundo afora. Como aliás já tem acontecido, mesmo sem projeto de doação nem nada. Para meu orgulho e satisfação. 
Você pode imaginar leitores d'As Arcadas em locais como China, Indonésia, Canadá, Finlândia, Índia, Moçambique, Austrália, Croácia, etc? Só não chegamos ainda em Portugal porque os tradutores daquele país encontram-se em greve. E que também foi proibido na Argentina, já que eles não possuem algo com a grandiosidade das Arcadas para comparar. Ah, e quem ainda não leu foi o Mula. Por razões técnicas, não  foi falta de dinheiro.


Luiz Gonzaga
Arcadas, XI de março, CLXXXIV

sábado, fevereiro 26, 2011

Tiririca rides again!

Com a indicação de Tiririca, nosso nobre Legislador, para a Comissão( porcentagem não declarada) de Educação e Cultura da Câmara, fica muito claro o recado dado pelo nosso inoperante Congresso Nacional: o eleitor só é usado mesmo para colocar-nos aqui, regiamente remunerados. Depois, fazemos o que bem nos interessa! Esse é o Estado do nosso Direito.

Eleito por um milhão e trezentos mil boçais inguinorantes, com a candidatura aceita por alguns poucos boçais supostamente não inguinorantes, posta-se lá o digno Deputado, na função de Legislador. A escrever severas leis, com não tão severo cumprimento. 

Tiririca foi eleito na onda de "não precisa ser alfabetizado para governar", instituída pelo grande Líder natural, o Mula. O que é até alguma meia-verdade, em se tratando do Executivo. Porém, quando se fala em Legislativo, onde ficcionalmente se elaboram leis a serem seguidas por todo um absurdo País, feito integralmente de boçais, uns inguinorantes outros não, a distância é imensa. Ressalte-se aqui que a boçalidade generalizada reputada  é uma inferência não minha, mas daquele Congresso Nacional, que inclui a sua pessoa leitor, e a minha também. Como Deputado Federal apenas São Paulo, que o elegeu, amargaria a sua patética e divertida e triste atuação parlamentar. Alçado à Comissão de Educação e  Cultura, a coisa fica assustadoramente nacional. Ele então poderá, por exemplo, opinar sobre quais livros de Machado de Assis podem ser indicados para compor o ensino básico. Uma divina comédia! Dar pitacos também no Ministério da Educação, em vestibulares e Universidades. Afinal, agora a Praça é nossa! Autorizado por seus milhões de votos, poderá também opinar sobre Villa-Lobos e decidir também sobre a nossa sofrida ortografia, qual o Mula também fez, por dominar amplamente o assunto.
O que, paradoxalmente, dá-nos um pouco de alento é que ele provavelmente faltará a muitas sessões, cujas convocações são feitas por escrito. Ler não é muito a praia do nosso Tiririca. Para suprir tal lacuna na comunicação, fica então re-lançada a modalidade dos Ledores de El-Rey na Idade Média, a anunciar verbalmente (estes tinham que saber ler, pois não eram eleitos) as vontades dos soberanos de então. Decididamente o nosso Brasil fincou pé mesmo no Feudalismo e nada muda isso...  

Em priscas eras, cantava-se: Brasil: pátria amada, salve, salve! Evoluímos para um estágio de: Deus salve o Brasil! Num depois: Brasil, só com milagre! Depois: Brasil? Deus nos livre! Agora que o Mula surrupiou o crucifixo da Sala da Presidência, a exclamação pode baixar para um palavreado mais chão, menos divino, mas bem mais verdadeiro: Brasil? que bosta!  
Se isso é a tal democracia conquistada, onde é que eu reclamo? Nesse ponto, temos que acabar concordando com a brilhante atuação política da nossa Presidanta: Brasil mesmo, só pegando em armas.
 
 


sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Nenhum homem é uma ilha?

A Ilha

Por esses tempos, em fevereiro de 2004, eu via o meu  bendito nome na Lista da Fuvest. Pastinha debaixo do braço, lá fui eu fazer a minha matrícula nas Arcadas. Aquele Pátio, já meu tão ansiado e antigo conhecido, agora era o meu Pátio! E uma sensação de deslumbramento se apossou de mim de forma definitiva, para sempre. 

Para um feito desses, entrar na São Francisco, merecia eu um presente à altura. Lá fui eu então para Fernando de Noronha. Para descobrir e desfrutar de todo aquele Paraíso. E também para descobrir incríveis semelhanças entre o sonho realizado e o prêmio recebido: as Ilhas. 
A Ilha



Há uma Lista de espera para entrar na Ilha. Certo está que não há vestibular para isso, mas a lista existe. E estar na lista custa caro. Muito caro. Estar lá também custa muito caro. Seria até um roubo, se as coisas não funcionassem lá perfeitamente. Tudo funcionava. Não há ali pessoas que ousem dizer que não estão gostando da visita. Se havia, tinham sido internadas por insanidade antes da minha chegada. Ali se sente a presença de Deus. Diz-se até que Deus fez o mundo como a um treino. Quando ficou bom na coisa, fez Fernando de Noronha. E fez dali a Sua morada. Você sente a Sua presença ali. Se tiver olhos para O ver, verá. A eventual incredulidade do leitor não muda a realidade das coisas. Há algo também muito especial: representa o fim da sua carreira de turista. Tudo o que se vier a conhecer no futuro será tudo muito bom. Porém, quando menos se espera, compara-se o que se vê com A Ilha. Dai tudo fica menos. Dado que fomos feitos a Sua imagem e semelhança, por vezes nos esquecemos disso. Ao estar ali, na Sua presença, lembramo-nos. E, tal Pai tal filho, sentimo-nos Deus também. Verdadeiro espírito santo.

Estava então apto eu a viver cinco mais do que maravilhosos anos de Arcadas. Uma Ilha de Excelência. Cercado de uma mar de mentes brilhantes. Distante de uma realidade de mediocridade que assola esse nosso Brasil. A sensação de circular pelos corredores e Pátio, como sendo aquilo tudo meu, por merecimento. Uma sensação de deslumbramento e orgulho de inscrever o nome na História, meramente por ser seu aluno. E  a oportunidade de efetivamente não ser só um expectador que aplaude ou critica, mas ator, fazendo essa História. São Francisco: não existe um lugar assim no mundo! Inútil explicar a quem não conhece e inútil explicar a quem dela faz parte. Ser Batizado nas puras águas da Sé nos instila o espírito franciscano, indelevelmente e para todo o sempre. Viver no olho do furacão, festas, conviver com pessoas geniais, festas, Pinduras, festas, Vigília, festas, jogos, festas, calouros, festas, A LATRINA, festas,  Pênix, festas, Centro Acadêmico, festas, o Mantra do XI, festas,  Loucademia de Letraz, festas. E a Peruada. Ah, a Peruada. Oba! Além de outras festas, sempre sobra um tempinho para a Faculdade de Direito. Que se faz excelente, pela excelência dos alunos, docentes e discentes. Realmente, um Universo à parte.  
Feita a última, a mais linda e mais triste das festas, a formatura: em cada canto do Largo, eu largo o meu coração.  
Não largo!
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A Pós-graduação, em especialíssimo  na São Francisco, cumpre alguns papéis dignos de nota. O mais comédia é de permitir a alguns alienígenas dizerem-se alunos, quando nunca conseguiram ser calouros nas Arcadas. Isso você vai encontrar nos escritórios e até no STF. Que não culpem franciscanos por serem então vilipendiados pela fraude legal, mas imoral.  Há o louvável, quando alunos-atletas precisam continuar alunos para competirem, e ganharem, em jogos pela Gloriosa. Toda-poderosa Sanfran. Há o admirável, quando alunos precisam galgar degraus necessários para serem antigos alunos a ministrarem aulas aos mais novos. E há o mais sublime e ininteligível aos que Dela não fazem parte: apenas e tão-somente continuar nas Arcadas.     
Disposto a cumprir mais esses papéis, excetuado, graças ao bom Deus o primeiro, faça-se então a pós-graduação.  
Mais uma vez, como troféu compatível: Fernando de Noronha, here I go.  Diz-se que "em time que está ganhando não se mexe". E que a gente se acostuma rápido com aquilo que é bom. Principalmente um franciscano.
De uma beleza absurda e intacta, A Ilha. Estranhamente agora, enfeiada por singelas observações: quebrou; estragou e não foi consertado; não tem manutenção; não tem mais, etc, etc, e etc. Sinal dos tempos. Parece que virou Brasil também. Exceto porque não tem bolsa-família. Talvez até por isso. Sendo que se cobra por dia de permanência, a "diária" deveria reverter em benefícios. O que ocorria. Agora parece que o arrecadado vai para algum caixa dois, como sói acontecer no resto desse País filho Dilma anta. Assim, para rimar com a Beleza da Ilha, a tristeza. Uma rima pobre, certamente. 

Já há algum tempo, correm pelas Arcadas sussurros de uma insatisfação manifesta, porém latente, surda. Alunos são certametne parcela da população geral. Trazem com eles reflexos do que ocorre para fora dos muros desse nos Jardim de Pedras. 

E o que ocorre lá fora é uma mediocridade espantosa, o povo sendo conduzido feito boiada no pasto, a hipocrisia do politicamente correto reinando absoluta, onde "matar os pais a paulada pode e é normal, mas fumar passou a ser crime hediondo". A tão combatida lei do mais forte substituída pela lei do mais esperto. Uma política de pão-e-circo, tão antiga quanto o Imperio Romano, é-nos apresentada como a criação genial de um analfabeto. Certo é que o Brasil não prima por ser nada notável nos últimos quinhentos anos. Mas tenho certeza absoluta que há uma grande orquestração mundial para manter esse famoso paisinho de merda como sendo um paisinho de merda eternamente. E até isso já é previsto pelos espertos: recebe o nome de Teoria da Conspiração. E fica tudo por isso mesmo. E o povo todo, subserviente em sua absoluta ignorância deposita o seu voto, certamente trocado por alguma benesse, confirmando a continuação da pobreza de espírito e da mediocridade de uma república das bananas. Somos agora colônia da China. 


Sem novidades, até então. Sempre houve, mediocridades à parte, certa pequena parcela desse povo absurdo que tinha um cérebro pensante. Verdadeiros cidadãos, que assim podiam ser chamados, realmente. Não burro no pasto.  Dessa parcela dsurgiam os alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Uma elite pensante. a Inteligência Brasileira. Mentes brilhantes, esses franciscanos.

Na vigência da Lei do Mais Esperto ficou vergonhoso ter o que comer. Por falta de palavras, virou moda a ridícula repetição da frase para encher linguiça, hodiernamente sem trema. Copiemos entâo: ficou vergonhoso ter emprego, ficou vergonhoso ser elite de alguma coisa, ficou vergonhoso ser "branco", ficou vergonhoso ser hetero-alguma-coisa, ficou vergonhoso ser inteligente, ficou vergonhoso principalmente ser pensante.   O que dá status mesmo é ser miserável, é ser ignorante e analfabeto, é precisar de cotas para  substituir o esforço próprio, é ser negro coitadinho, é sempre ser de alguma forma dependente do poder público, para reelegê-lo eternamente.


E parece que passou então ser vergonhoso ser franciscano. Ser uma elite pensante da sempre melhor escola do País. Parece haver uma "culpa" em sermos melhores. Uma força maligna que puxa para baixo, para o mais fundo dos infernos. E assistimos então a unibanalização das Arcadas. Isso o que corre surdo pelos corredores.


Turma CLXXXIV


Dizem alguns que esse processo cíclico ocorre feito a ondas, ao longos dos anos. Desses últimos 184 anos. Espera-se que sim. Por isso, quando chega o mês de fevereiro, diferentemente dos brasileiros em geral que esperam o carnaval, esperamos os novos calouros franciscanos. Sangue novo nas Arcadas. 
Apostando neles a satisfação de constatar que habitamos ainda a mesma Ilha de Excelência que nos permite comemorar  naquela nossa tão similar Ilha de Beleza, até nas ondas. 

Nenhum homem é uma Ilha? Somos.


Arcadas, XI de fevereiro, CLXXXIV

sábado, janeiro 15, 2011

A incrível estória do lobo mau e o passaporte vermelho



Mula, o Imperador do Mato Virgem, cujos poderes são atribuídos diretamente pelo Divino, reservou para a sua sagrada dinastia o Passaporte Vermelho. Nada de anormal que seus fiéis súditos possam ter estranhamento. Seres instituídos por divindade estão isentos de prestar contas à ralé da vassalagem. Esporádicos episódios de rebeldia são absolutamente normais e esperados. E prontamente apaziguados os insurretos. Remunerados a vista. 

Sabem os Iluminados que a plebe é assim mesmo. Locuplete-se-lhes. Dê-se-lhes então o pão. Aos não esfaimados, dê-se-lhes circo. E tudo  tornará à quietude da subserviência. 
Já em outros lugares menos evoluídos, a coisa é bem diferente. Harry Truman, após os seus anos na Presidência dos EUA,  deixou a Casa Branca, atravessou a rua e entrou em seu próprio carro, dirigindo-se a sua casa de sempre, não mais a Branca. Sem seguranças também, pois que ex volta a ser pessoa comum, mortal como todos os demais. Já é parte da História a visita que os reis da Suécia  fizeram ao Brasil.  A viagem feita em avião comercial. Certo que, devido as suas reais posições, cometeram o abusado privilégio de viajarem na primeira classe. Isso causou certa perplexidade no Congresso em Escocolmo. Além disso, foram também acompanhados de um representante do país e um tradutor. Claro que estes vieram de classe econômica. Mesmo assim, sob o apupo dos parlamentares suecos, indignados com tais privilégios. Só porque são o Rei  e a Rainha? Há também estórias de outros povinhos. Filhos e netos da Rainha da Inglaterra combateram nas Ilhas Malvinas e também foram mandados ao Iraque. Netos da Rainha não são a Rainha. São cidadãos. Visitando ainda outras republiquetas, na França encontramos o Presidente, devidamente processado em seu primeiro dia civil, após terminar o mandato presidencial. Já em outro paisinho de terceira linha, podemos encontrar o Ministro sentado no metrô ao nosso lado, na Alemanha.

Porém, todas as Nações citadas são da direita fascista reacionária, de capitalismo selvagem, com a exploração do trabalho pelo Capital. Há opressão dos menos favorecidos e a desigualdade social. Onde todos são iguais e assim tratados, com suas desigualdades desigualmente consideradas.

O que não ocorre no Brasil. Os iguais tomam o poder para tornarem-se desiguais, defendendo a igualdade para outrem. Consequentemente, a malfadada desigualade precisa ser depositada carregada nas cuecas e bolsetas. Você sabe com quem está falando? Temos a Constituição mais cidadã do mundo, que inclusive tpor isso em direito também ao Passaporte vermelho. A (facção que rouba com a) esquerda brasileira fez triunfar o socialismo e vivemos num regime que tende, em futuro próximo, à perfeição do comunismo. Aquele mesmo que todos os povos  desistiram de buscar, posto ser a sereia dos regimes. No Brasil vingou a silenciosa revolta do proletariado oprimido. Elegemos a nossa primeira mulher presidente. Embora haja divergências. Como o título do cargo não tem feminino, fica sendo mesmo A Presidanta. Isso feito pelo voto direto do povo, democraticamente obrigatório. A um custo bastante barato até: cem reais para toda a massa ignara. Para outros, um empreguinho aqui, um carguinho ali. uma cota para vagabundo acolá.  Aos obreiros empreendedores, um banco estatal distribuindo fortunas. Sem juros, óbvio, que isso é coisa de capitalista. A serem transferidas para outros paraísos além do nosso. Fiscais, neste caso.  Aos detentores do poder de eventual veto, chamados pelo povão de pra-lamentar, um estímulo pecuniário mensal. Tido como absolutamente legal e moral. Completando o dantesco quadro, a oposição só pode apoiar, já que ela faria e fará o mesmo. Em time que está ganhando não se mexe, diz o povão. Intelectuais preferem a pompa do modus operandi do status quo. 

Assim são os gênios. Adam Smith descobriu que, para ficar rico na Bolsa,  o segredo é comprar na baixa e vender na alta. Marx descobriu que quando a gente não tem nada e precisa até mandar até a filha fazer miché, o melhor sistema a ser proposto é fazer com todos os que têm muito dividam... comigo. E o Mula, muito mais genial do que Montesquieu e Tocqueville juntos, percebeu que é mais fácil preencher o bolso do eleitor obrigatório, do que ficar tentando convencê-lo com ideologias bestas que ele não vai entender jamais. O ovo de colombo eleitoral.  Enquanto a sociedade pensava em financiamento público de campanha, ele apresentou pronto o projeto realizado de Eleição por voto comprado. Sistema bem mais eficaz pois, efetuado o depósito em conta, prescinde de eleição e já se prepara a posse. E todo o processo de campanha, necessário por ser pecuniário, possiblita outro caixa dois, tornado institucional. E ainda, de forma também genial, respeitou a Representatividade do Estado de Direito: para um povo de bandidos em potencial, elegeu uma assaltante de bancos, que lutava ferrenhamente pela redistribuição de renda alheia.  Santa e genuína representatividade. Montesquieu descobriu que o povo é ignorante. Mula percebeu que ele quer dinheiro: é só depositar em conta e preparar a posse. 

Como criticá-lo, ser oposição, se ele descobriu para mim como fazer na próxima eleição?  

O povo costuma dizer hoje, após oito anos de destemperanças: é melhor estar ao lado do Mula. Se segui-lo, ele te caga. Se na frente dele, ele te fode. Melhor ao lado então.  

O Mula não pegou um Passaporte vermelho para si próprio, porque pensou que Passaporte fosse whisky - ele só conhecia o odieiti - e ele gosta  é de pinga com limão. Por isso, ele merece, mesmo já como ex, como mentor da revolução do proletário ele-mesmo e dinastia,  realizar o tão desejado sonho de consumo da classe média... dos anos sessenta: imagina só, cumpanhero! Eu, passando uma semana inteira de férias no Guarujá? Tudo di grátis e ainda protegido pelos milico? Vixe! Isso é que é um sistema du bão mermo!



sábado, dezembro 11, 2010

FGV, a melhor Faculdade de Direito?

            Pela primeira vez nos exames da OAB, alunos da GV, por expressiva aprovação, colocaram a sua Faculdade em primeiro lugar em São Paulo e em segundo, em termos nacionais. Congratulações! Parabéns, mesmo!

Para fazer um breve passeio por esse episódio, vamos desconsiderar que também é a primeira vez que a FGV organiza os exames aqui considerados. E que, clonados da excelente Faculdade de Direito de Harvard, verdadeira Sanfran da Commonwealth, há que se considerar um excelente merchandising aos futuros calouros de 20XI, que lá entrarão. Contribuindo com a bagatela de quatro mil reais. Mensais. Para poucos. Difícil de estar, não de entrar. Clonada também a essência do Capitalismo. A mim me parece ótimo. Um dia esse nosso encantado país teria mesmo que sair do Feudalismo e entrar finalmente na Era Capitalista. Ainda que com trezentos anos de atraso. Parabéns então, de novo à FGV, por essa abertura dos portos! Nosso povo vassalo fica lhes devendo essa. O que é um bom começo. Ressalte-se, mais uma vez que, apesar de isso ser fato consumado, não tira o mérito dos alunos aprovados e da conseqüente colocação da Faculdade, em termos estaduais e nacional. 

E onde entra a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco nessa estória? Não entra. Quando Paul McCartney decidiu vir ao Brasil, pouco se lixou para a existência do atual sucesso do Restart. Nome que é um pseudônimo. O nome verdadeiro é Delete. Muito embora exista uma Kombi de  windows 7 admiradores do trash, ficamos nós lá, apinhados no Morumbi, naquelas noites memoráveis. Para ser grande, sê inteiro(infernando pessoas).

O intrincadíssimo painel de um avião, por vezes mal-comparado ironicamente à lógica da mente feminina, permite que se faça uma viagem de sucesso. Desde a decolagem até à aterrisagem. Cada componente pertinente àquele sucesso é continuamente monitorado. Todos eles têm que funcionar, independentes e sincronizados. O resultado final, o sucesso esperado. Ou não.

Os adoráveis calouros que aterrisam, feito às águas de março, nas Arcadas têm que ter sido admiráveis. Para estar no extremo direito da curva de Gauss, ser parte de dois por cento sobrenadante em um caldo de feras tem mesmo que ser a nata. E passar a viver nas nuvens, a trinta mil pés de altura... e de distância dos minúsculos terráqueos, vivendo com os pés no chão.

E é ai que pode nascer o engano. Um passo tão grande, diante da viagem, será apenas o start. Não Restart, não se confunda. A viagem de/ao sucesso não tem piloto automático. Cada maldito reloginho do imenso painel  deve ser checado a todo instante. A envolvente e deslumbrante vida nas Arcadas pode fazer com que diminuta parcela de franciscanos eventualmente se descuide. Talvez uma ressaca tardia da maravilhosa Peruada entorpeça mentes. Ou ainda o amargo sabor de entregar o XI obnubile certos grupos. E eles então venham a constituir os XI% que não cumpram a tarefa de averiguar um dos relojinhos, qual a provinha da OAB.

           Na meritocracia, privilégios  conquistados trazem grandes responsabilidades. A paisagem externa, acima das nuvens, mais perto de convívio com Deus e distante da pequeneza dos homens, o fascínio que exerce essa jóia multifacetada chamada Arcadas, o convívio entre mentes brilhantes, o exercício diuturno do animus jocandi, a incessante luta para manter a humildade.  Essas e outras são coisas que podem momentaneamente fazer com que alguns poucos franciscanos percam a noção de que a viagem, muito mágica com seus mistérios só se coroa de êxito com a aterrisagem. E no retorno à estranha sensação de passar a viver com os pés no chão, que não são o familiar Jardim de Pedras. E a rotina não mais se faça entre brilhantes, mas com terráqueos, agora não mais microscópicos, dada a proximidade. . Enfim, o treinamento nas alturas foi feito para se aprender a viver a viagem real, aqui embaixo mesmo.

           E nada desse circunlóquio tira o mérito dos aprovados da FGV, que continuam a merecer cumprimentos pela façanha alcançada. Inclusive agradecimentos especiais, pois é sempre bom lembrar que alguns tapinhas brasileiros em algum relojinho emperrado possa trazer tudo ao status quo ante. Por outros 183 anos mais.

             Mas, e quanto ao título desses escritos: FGV, a melhor Faculdade de Direito?
               

Bazinga!!!!!!!!!!!!!


Arcadas, XI de dezembro, CLXXXIII
Leia o Livro
Arcadas: segredos, magia e estórias

quinta-feira, novembro 25, 2010

Lovely Paul: o show e a Beatlemania

Um abraço MUITO especial

Três quilos em suor, atividade saltitante aeróbica comparável aos quatro mil orgasmos de Blackburn, Lancashire, treze horas de overdose alucinógena suficientes para uma Magical mistery tour . E três horas do mais puro amor com 64 mil pessoas ao som hipnotizante de um garoto: Sir  James Paul McCartney. Para todos, apenas Paul. Eis o domingo, indescritível, incrível, inenarrável e maravilhoso, 21 de novembro de 2010.
       
Depois disso, quatro noites de um sono inconciliável, acompanhado de uma frenética e compulsiva captação de todas as imagens e sons buscáveis na net, para uma pastinha singelamente denominada: domingo.
Por fim, diante dos olhos, da mente, do espírito e, principalmente do coração, a resposta. Isso sempre teve um nome, perdido no labirinto dos tempos: BEATLEMANIA. I've just seen a face I can't forget the time where we just met.
Não havia exagero na Beatlemania. Ela já era a própria expressão do exagero. Com tudo o que se tem agora disponível em comunicação para tornar o Planeta Terra um ovo, fica muito difícil imaginar como é que se sabia quase que imediatamente tudo o que ocorria  no mundo todo, no que se referia aos Beatles. Havia, nesse nosso sub-imundo Brasil, o rádio. Talvez uma telepatia emocional. Talvez qualquer coisa. Mas, com certeza, uma coisa: sabia-se quase que instantaneamente de tudo. E embora não tenhamos tido a sagrada graça daqueles meninos por esse nosso fim de mundo daqui, a Beatlemania tomou conta de tudo, feito a um tsunami. Quando da apresentação do filme A Hard day's night(aqui chamado de os Reis do ié-ié-ié, motivo de riso para os fabfour)  houve, nos cinemas por onde passou, uma quebradeira generalizada. Alguns ficaram completamente destruídos. Quantos, não sei dizer. Mas, com absoluta certeza, dois. Como testemunha ocular e partícipe.
Por que é que pessoinhas quebram tudo, assistindo a um filme, por sessenta e sete vezes, de quatro malucos na tela? Sabe-se lá!
Por que é que alguém acaba sendo preso por roubar uma capa, apenas a capa, de um LP, porque a foto era inédita? Mais tarde, muito mais tarde, vim saber que havia sido liberado por via do princípio da bagatela. Mas a bagatela está muito bem guardada comigo. 
Por que é que de cada três habitantes da Terra, um tem algum disco dos Beatles? Algo em torno de dois bilhões de discos vendidos. E um Guinness particular, apenas para eles. Como compilar um inusitado disco contendo 27 primeiros lugares que se torna o 28º?
Por que a compulsão de ter tudo, saber tudo e querer tudo o que se refere aos Beatles? 
São infindáveis as perguntas sem resposta. Pergunte à Beatlemania. Como ela não é uma pergunta, mas uma resposta, cria-se uma tautologia adorável.  
1964
 Enfim, a Beatlemania, um alucinógeno em overdose natural, torna a vida uma absoluta loucura insana agradável de ser vivida, abre as portas da percepção e da criação e nos leva para uma mágica e misteriosa viagem por longos e sinuosos caminhos. Como naquele Maracanã, com suas noventa mil pessoas cantando, chorando e pulando junto
Quem, naquele domingo esteve ali, sabe o que tudo isso significa.  Mesmo as mais poderosas câmeras não conseguiam captar com nitidez as imagens. Mas a nossa retina muito bem as captou e guardou-as no coração. O sentimento chamado Beatlemania não é para ser contado ou explicado, mas apenas para ser vivido.
Obrigado, Paul! Por existir, por ter sido e ser a Beatlemania e por tê-la nos trazido de volta, mesmo que por fugazes 180 minutos, para esse estéril, árido e desolado mundo de 2010, que pede por Socorro!

Luiz Gonzaga

domingo, novembro 14, 2010

Uma noite memorável

Uma noite memorável, o XI/XI. Iniciando-se às 18:27h o lançamento Nacional do livro As Arcadas: segredos,  magia e estórias. 

Hideo, o Arauto da Morte, o anunciador de eventos na São Francisco, geralmente necrológicos, já havia comunicado aos quatro ventos. A Associação dos Antigos Alunos já havia comunicado, coincidentemente aos antigos alunos. Os corredores do Pátio das Arcadas já haviam comunicado, numa das magias desveladas no livro, a todos quantos por ali circulam. Sem sequer dizer palavra, posto que corredores supostamente não falam. Corredores normais, ressalte-se. A imprensa foi comunicada.

O Migalhas, destacando-se, anunciou o Lançamento de maneira bastante peculiar e sintomática: Acontece mais uma estudantada na São Francisco. Desta vez, editorial. As Arcadas, o Livro, será lançado na Livraria Martins Fontes, dia XI/XI, às 18:27h (!).

É interessante notar que a expressão estudantada é um verbete coletivo, delineado ao longo de quase dois séculos, por alunos do Largo aprontando mais uma das suas. Por serem inclusive alguns deles, o povo do Editorial do Migalhas sabe bem das coisas. Parece até que já leram o livro. E leram.

As gentes, quando querem entrar na São Francisco, afora alguns que a acham “a” Escola de Direito, da usp, fazem-no porque querem estar na Faculdade da História. Depois de alguns parcos segundos aqui, querem saber que História é essa. E ficam sabendo que a sua página deverá ser escrita pela própria pena. Significa singelamente, no mínimo, participar de mais uma das suas.   

O poeta Cazuza se inspirou na minha pessoa, quando escreveu “eu sou mesmo exagerado”. Certeza.  Só que ele diminuiu um pouco, para não assustar. Levei ao pé da letra a expressão. Escrever a estória de própria pena não necessariamente significa escrever, claro.  O que para alguns é um encargo imenso, para mim, uma diversão. Por vezes, tenho pena da minha pobre pena! E quanto a participar de mais uma das suas, uma cansativa e salutar tarefa, overdose também. Disso tudo, restou uma coleção de memórias coletivas bicentenárias. Não minhas, já que a ninguém interessam as minhas memórias. Nem a mim mesmo. 

Por isso, o anúncio do Lançamento. Engraçado ter que explicar a alguns, o porquê do XI/XI. Pior ainda o porquê dos 18:27h. O Livro é mesmo muito necessário! A idéia central era anunciar que havia alguém das Arcadas aprontando mais uma das suas. É preciso que saibam, para se certificarem que As Arcadas continua a mesma. Por mais estranho que pareça escrever As Arcadas no singular. Mas forço a barra da sintaxe, em licença poética, dado que é singular. Singularíssima. Mas isso também é um outro assunto. Daí a ser anunciado como uma estudantada é uma diferença tamanha. Um orgulho e satisfação.  Algo coletivo sendo feito individualmente. Daí a epifania: havia eu colocado a minha necessária página naquela que é a mais maravilhosa História, a das Arcadas. Dever cumprido.E, aos quantos prometeram o puxadinho no Túmulo, a cobrança da sua contra-prestação naquele pacto sinalagmático.

Além disso, muito gente deu o prazer e a honra de comparecer ao Lançamento. Muita alegria e emoção. Autografar livros para pessoas a quem deveria eu pedir o autógrafo é algo de inusitada felicidade. De livro que deveria ser lançado em XI de agosto de 20XI, antecipado por razões que aqui não cabem, ficará a satisfação de ocorrer como “segunda edição”. 

E, conforme já explicado, o exagerado vai longe. As Arcadas deve se tornar um livro de produção coletiva. Você vai pôr a sua estória ali (por isso, mande-a para mim). Dessa maneira, aquele sacrossanto postulado de que a História das Arcadas é escrita por seus próprios alunos deixará de ser uma simbologia, para ser algo real e concreto. Há o Livro, onde aquele desavisado calouro que pisa nesse Pátio pela primeira vez e toma conhecimento desse encargo, tenha a sua parcela de compromisso em fazer algo, mais uma das suas, e inseri-la nele a sua estória. Não pelas Arcadas que prescindem dele para isso, mas para a sua própria grandeza.

R. Porter
Em cobertura exclusiva para a PÊNIX
XI/XI – o Lançamento d'As Arcadas, o Livro. Uma realidade fantástica

terça-feira, novembro 02, 2010

Uma luz no fim do túnel

Retirei todas as postagens que se referiam ao processo eleitoral. E retirarei este também, tão logo receba as cerca de mil visitas, quando de novas postagens. Este blog se presta, se é que presta, a outros fins que não a politicagem brasileira, muito embora a pertinência o nome A LATRINA.
Após um dia para digerir tão nefasto resultado, é bem propício o Dia de Finados para aclamar a vencedora de tão renhida eleição: a vergonha de ser brasileiro. Como se costuma dizer, por exemplo, "não existe um dia das Mães. Todos deveriam ser o seu dia" assim estamos com o resultado: conviver diuturnamente, por mais quatro anos com a indefectível vergonha de ser brasileiro.  
O grande Estadista Mula serviu para nos indicar a esperançosa luz no fim do túnel: um trem que vem em sentido contrário...
Costumam aclamar Mula como "um homem do povo". Pergunto eu: quem não veio do povo? Mas, com ele a coisa ficou bem clara, transparente: o eleito pelo povo nada mais é do que o seu espelho. Portanto, um ignorante, analfabeto, bêbado e aproveitador. Brasileiro da gema. Decorrente dele, o mesmo povo dando aval a todo tipo de maracutaia e safadezas mil. Por nunca saber de nada, uma aprovação ampla, total e irrestrita. Um país comandado por bandidos, acobertados por seu líder maior, igualzinho. Logo, na eleição seguinte, aquele mesmo espelho: a eleição de um bandido. Tem lógica. Sendo o brasileiro um gérson de plantão, nada mais legal do que um sistema onde ele tenha maior chance de arranjar uma boquinha. Esse negócio de meritocracia é burocracia desnecessária. Para que o suor, se na agora Dilmalândia basta ter carteirinha do pt?

A melhor expressão de triunfo que se viu, nas infindáveis manifestações de vitória: "Chupa Brasil! Dilma presidente". A visão tosca do brasileiro, que trata assuntos como esse como se fora o resultado de uma partida de futebol.
Nas minhas idas e vindas por essa vida afora, oriundo de uma miséria escabrosa, aprendi desde logo que não se deve correr atrás do dinheiro. O dinheiro é algo muito mais caprichoso do que uma fêmea no cio. É preciso que você conheça e cumpra o ritual da dança na sua extensa e intrincada totalidade. Um único movimento, gesto ou atitude fora do expressamente determinado, e você está fora. É algo como o cachorro correndo atrás do rabo. 
O que se precisa é correr atrás do conhecimento. Este sim é acessível e quanto mais você o explora, mais ele se mostra. 

domingo, outubro 24, 2010

Os dois filhos de Francisco (ou: o Forum no XI)

Jornalistas escrevem assim: Forum da Esquerda vence em primeiro turno as eleições para o XI. Não sou jornalista. Aliás, um dos meus hobbies preferidos é apontar as suas frases ambíguas no twitter.

Sabe-se que existe uma região logo acima dos joelhos que, quando fletido a noventa graus e sendo pressionada pelos cotovelos, aciona uma desconhecida região cerebral que nos conduz ao devaneio, verdadeira viagem lisérgica. Esse fenômeno prescinde de intrincadas comprovações científicas, mas tem a sua realidade constatada assim que todos os mortais, e até os imortais, assumam essa postura. Nessa posição, jornal só vai servir mesmo é para encerrar ato tão necessário. Mas isso apenas em caso de banheiros públicos, fim de balada, coisa e talz.   Por isso que o abordado pela A LATRINA se presta, se é que presta para alguma coisa, a viajar lisergicamente pelo ai da coisa. Uma frase você lê em qualquer lugar.

Preliminares realizadas, podemos nos adiantar na coisa. Após o pagamento de resgate por três anos seguidos, agora franciscanos em liberdade abrimos caminho por um mar vermelho. Dilema equivalente só mesmo os norte-americanos têm, quando decidem pegar aquela auto-estrada que liga Boston a Chicago. Sai de uma e cai na outra. E vice-e-versa. Talvez franciscanos, na ressaca pós-Peruada, tenham  confundido entre “ébrios” e “hebreus”. Pode acontecer, sabia? Em se falando em Peruada, tudo pode acontecer...

Filhos da São Francisco são mesmo dois. Posto que as Arcadas andam muito doente, suprimi o “são”. Começarei a desenhar o perfil pelo grupo de menor número. Já que hoje o enfadonho politicamente correto manda defender as minorias.  E também porque estou eu no grupo, o que me facilita, e em muito, discorrer sobre. E também porque é muito mais entusiasmante. E também porque eu apenas quis isso. Poderia ter começado pelo outro grupo e tudo bem também. Vamos a eles.

Apenas lembrando: esses gorgulhos involuntários que você agora se apercebe comprovam a  não-ortodoxa teoria de que é preciso divagar mesmo sobre as coisas, para que sejam-lhe companhia em momento tão sublime. Ou outra marca qualquer, visto que aqui não cabe o merchandising. Para uma dieta tão mal-equlibrada, só mesmo longos textos para acompanhar.

As Arcadas são a casa do franciscano. E ele desfila orgulhoso pelo Pátio, como se uma delas fosse-lhe dedicada. Não está, mas é. E ele a ama de uma maneira peculiar e única. É um amar-se tão grande que consta que Freud, quando desenvolveu a sua teoria do Ego, teve que desenvolver outra, para descrever um franciscano: o super-ego. Que mal cabe no Território Livre. A situação mais incômoda por que passa, visto que não tem problemas, mas apenas soluções, é acomodá-lo com os demais, em coexistência pacífica, embora em ebulição perene. Tradição e História permeiam suas atitudes e pensamentos, num rigor intransigente e absoluto: antes de tudo, as Arcadas. Posto que dela lhe germina a grandeza incipiente. Esse Universo Arcadas é o conteúdo inusitado desse continente ímpar chamado Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Que, convenhamos, é a excelência incomparável que sabemos. Transpor seus umbrais na condição de aluno abre mesmo as portas da percepção e do espírito. E brilha todo, porque alto pensa. É temerária a afirmação que são Deus. Mas que são a Sua semelhança, ah, isso são!

Lá pelos idos de fevereiro, a São Francisco é invadida, agora de maneira legítima e maravilhosa, por um amontoado de calouros. Com suas pastinha característica, os pais sorridentes debaixo do braço, cara de abestado, ávido por confirmar sua matrícula no “Direito usp”. Para alguns, certamente que algum deslumbrado familiar já lhe conseguiu a disputadíssima condição de “estagiário”, garantindo um brilhante futuro, antes mesmo que ele conheça o “campus”. A “facul”, a melhor da América Latrina, a faculdade do Castro Alves acaba por se mostrar nem tão boa assim. Tão cheia de problemas. Professores arrogantes. Ninguém a lhe guiar, segurando-o pela mão.  Depois, para se dedicar ao estafante trabalho de servir cafezinho no escritório não se permite nem ao menos quase que freqüentar aulas. Acaba aprendendo mesmo é no escritório, com o estagiário um ano “na frente”, no Direito. Talvez nas filas do Forum.  Lentamente, começa a achar muito estranho aquele pessoal todo que perambula pelo Pátio, que vai às intermináveis festas, Porão, festas, Jurídicos, festas, Peruada e outras festas mais. Com a sua promoção automática, vai se apercebendo a chegada da reta final, o quinto ano. E arrasta-se, consumido pelo escritório, já agora tendo conseguido ganhar realmente dinheiro, algo em torno de dois salários mínimos, e aquela outra sensação de que não agüenta mais, que é preciso acabarem logo esse cinco longos anos. Inclusive porque já nem conhece mais ninguém, dado que “daqui pra lá só tem calouros!”. Mesmo os seus pares, colegas de turma são lhe muito estranhos mesmo. Causa-lhe estranheza isso de umbiguismo, de adoração às Arcadas, quando o que lhe mais interessa é poder pegar o diploma, prestar a oab e ser efetivado. Depois disso, faculdade nunca mais! Eventualmente, levado pelo mais elementar dos instintos humanos, por mera curiosidade resolve então, num estertor agônico, experimentar olhar para o próprio umbigo. E constata que não o possui. Mais hora menos hora, vai descobrir que ele entrou nas Arcadas, mas as Arcadas não entraram nele.

Pode-se depreender então que são gêmeos não univitelínicos, idênticos. Tão diferentes em sua igualdade. Um gera artigo oficial permitindo-lhe explicitamente o culto ao Pindura. O outro tem medo de fiscal do cigarro. Para um o tempo é exíguo, o que para o outro é interminável. Uma crucial disparidade entre eu sou o mundo e eu sou do mundo. O querer ser diferente e o querer ser igual. Tantas e tantas diferenças a enumerar que é melhor deixar para o intuitivo de mentes tão peculiares.

Esse colossal desbalanço fraternal explica a unibanalização do Largo. A mesmice, a vulgaridade, o modorrento marasmo e uma equalização deplorável que prevalece faz lembrar as noites mal dormidas, ou nem dormidas, sonhando em estar na São Francisco. Afinal, para isso nem precisava de esforço algum. E empreguinho tem pra qualquer um, bastando querer trabalhar. E explica também porque nem ao menos houve uma via alternativa, entre o cansaço do funcionalismo público de um resgate e a sandice utópica de um forum. Há que se mudar as mentes franciscanas, antes que nos disponhamos a mudar o mundo. O Pátio é o nosso quintal e o nosso mundo. Ele pode e precisa ser mudado. Já para o outro mundo, as bandeiras de mudança são meras apelações hipócritas para conquistar o poder, sabemos todos.

Ainda assim se pode dizer que podem ser feitas ambas as coisas. Afinal, uma diretoria não deve ser  o reino de uma parcela que a elegeu, mas a representatividade do todo.  Nada contra apoiar e participar da Parada Gay. Mas, façam também um "Manifesto hetero" no Largo. Seria divertido. Tragam o monge tibetano Genoíno no Roda Viva do XI para versar sobre valores morais, tais como Honestidade, Lealdade e Verdade.  Mas, no dia seguinte, tragam a o Tiririca, para deleite geral. Ou um Marcos Caruso, franciscano, para nos contar sobre como ser grande, fora das Arcadas. Ou seja: contemplem a todos, é o que pede a representatividade conquistada de algo tão caro a nós todos, como o "XI de Agôsto". Contra as opressões que assomam um peito franciscano fundamentalista, a terapêutica é elementar e simples: um pouco de muita festa; animus jocandi a gosto (de XI, óbvio); vida inteligente pulsando no Pátio; e, claro, overdose de Buchecha ou equivalente, como deu na Peruada. Cabral, Cabral, segue  sua nau. No mais, a opulência das Arcadas alimenta o seu espírito.

É tempo então de parabenizar o Forum pela expressiva vitória, desejando que todos os nossos sonhos se tornem realidade.  É o que desejam e esperam os filhos de Francisco, da gestão que estará à frente do XI, nesse nosso tão cabalístico 20XI.

Arcadas, 24 de outubro, ano CLXXXIII

sábado, outubro 16, 2010

As Peruadas

Peruada é sempre igual. Por outro lado, cada uma delas é absolutamente ímpar e diferente. Caso esse conceito lhe seja estranho, atribua a explicação a isso: são coisas da São Francisco! E tudo estará pacificado e esclarecido. 
Sabe-se que, inclusive para facilitar a vida de adeptos, o Dia da Peruada será declarado "feriado universal no reino de Deus e adjacências". Projeto de iniciativa do nosso ínclito Legislador Tiririca. Da lavra, mas não de sua pena. Coisa feita por algum aceçor afeito às letras.
Por isso é que as imagens chegam à retina instantaneamente no presente, mas a História está lá, toda ela inscrita, em corações e mentes. 
Acompanhe:
O Grito do Peru
"Ha um parenthesis de alegria nesta cidade carrancuda de arranha-ceus sombrios, cada vez que a rapaziada da Escola promove as classicas festividades com que os "veteranos" recebem os Novos collegas. 
Tá! Ali tá o espírito

As passeatas que então se organisam, culminando na já celebre "peruada", deixam após si uma multidão de dentes á mostra, numa gargalhada gostosa ou num sorriso fino, ironico. 



É Peruada, X.I!

De uns annos a esta parte, sobretudo, o "trote" dos academicos tem assumido um carater todo especial, 
A Peruada precisa voltar  ao Pátio das Arcadas
que faz com que o espetaculo agrade a quantos o assistam e não apenas aos que delle participem: é que a passeata dos "calouros" vem dando opportunidade a uma série fecunda de "charges", principalmente politicas,
O Mote

 que têm, entre outras, a vantagem de pôr de lado umas tantas brincadeiras mais ou menos violentas, as quaes já provocaram reacções á altura.
De mais a mais, é bem facil aos moços lançar mão do "ridendo castigat mores".
Sempre presente

 Assim foi hontem. Depois dos indispensaveis preliminares, (banhos de farinha e de outras coisas de outras cores), que duraram cerca de um mez, os "veteranos" da Faculdade de Direito julgaram os seus "calouros" aptos a formarem com elles uma "frente unica", sahindo á rua uns e outros, de mãos dadas, para a "peruada". 
Ipiranga
 O cortejo, bizarro, excentrico, esquisito, carnavalesco, irradiando a satira por todos os lados, deixou o largo de São Francisco 
A São Francisco

ás 8 horas e meia, mais ou menos.
E até ás 13 horas o centro da cidade viveu momentos inesqueciveis. Bom humor, alegria franca; irnonia, fina, fininha, muito cortante...; passagens jocosas, de fazer rir a bandeiras despregadas, como se diz na rhetorica velha; e, pairando sobre tudo isso, ao lado de tudo isso, misturado com tudo isso, - o Ridiculo. Quando o ajuntamento do Largo São Francisco 
O Largo e o povo
conseguiu formar um cortejo que se espichava pela rua São Bento, e dobrava a rua Direita, vinha á frente da rapaziada um distico - "Faculdade de Direito" - encimando um veterano montando um burro. Burro de "verdade" e não calouro, como se possa pensar. Burro de verdade, cujas orelhas compridas quasi se misturavam com as barbas compridas do "cavalleiro". Uma turma de batedores abria alas. E em seguida uma banda de "bersaglieri", cheios de pennas, ar marcial, mas não muito, fazia ouvir a "Giovinnezza" a tres por dois. Mais um bando de veteranos e calouros, e, atrás, tres dos cavalleiros do Apocalypse (o quarto seria o da frente? ou o que fechava o cortejo?). Montados em cavallos bem esqueleticos, escolhidos a dedo: Peste, Guerra, Fome...
Depois disso, uma vacca, tambem "de verdade". Magra, como convém aos tempos de hoje. Têtas murchas, "murchissimas", faziam alguem, que estava na calçada, pensar, talvez, sem a menor malicia, em certos thesouros. A vacca se arrastava a custo. Sobre o seu dorso, uma enorme aranha.
Fazendo o que? Pergunta-se o que que ha e a resposta vem logo atrás da vacca: um "calouro" caracterisado de forma bizarra, camisa preta, cigarro no canto da boca, vasta cabelleira, saudando "á fascista", ladeado por dois leiteiros; um distico - "Assim falou o leiteiro: entésa o braço varonil, sacode a juba leonina, faze-te o "Dux do Brasil", e depois outro - "Sem a força, que valor a "lei...teria?" - Nas mãos, fazendo delle uma petéca, o estranho "Dux" brinca com um xuxú. Um calouro maltrapilho conduz um letreiro: "Assim, eu vou..." Logo depois vêm mais xuxús: é "miss Xuxú, ao lado de "miss Constituinte", num carro
Um caminhão de Buchecha
puxado por vinte e um calouros com as faixas dos Estados.
Ha ainda - estranha inspiração! - mais xuxús: em outro carro vê-se um homem que dorme, á sombra de um carramanchão de xuxús. Vela o seu sonho um calouro, "culote" e perneiras, busto nú, e abanando as moscas com uma vassoura. E ahi ainda um distico - Dorme, que eu velo, seductora imagem..."
Sobre uma carroça ha dois militares que brigam, brigam, e de repente se abraçam, se beijam, e tornam a brigar. Tambem alli um cartaz: "Amigos, amigos... negocios a parte." "E mais este - "Devemos agir "Chinicamente" - o "h", riscado com lapis vermelho.
Outra carroça é um "carro allegorico" dedicado ás calouras. 
Calouras

Trás o distico - "Advocacia das calouras - especialistas em direito de familia...", e vem cheio de panellas, berços, bebês. Sobre uma carroça está sentado um calouro, "disfarçado" de lente. Lê um formidavel livro, ao lado do seguinte cartaz: "Felizes os pobres de espirito".
Ha um truculento militar a cavallo. 
Se tivéssemos essa segurança todos os dias...

Em vez de dragonas tem - ainda... - xuxús. Fuma e bebe.
Sobretudo bebe.
E por fim outro grupo. 
São João
Carregado por meia duzia de rapazes, um estandarte, onde se vê uma fieira desenrolada, tendo na ponta um pião. "Sem commentarios", diz ainda esse estandarte. Fechava o cortejo a "legião dos condemnados": uma porção de calouros semi-nús.
Quando a passeata entra na rua Direita espoucam rojões. E ha uma choradeira geral em frente ao palacio do governo, 
Clamor em frente à Câmara, para um bando de surdos
onde os moços foram render suas homenagens. Choraram muito e dalli prosseguiram: ruas João Briccola, Libero, Viaduto do Chá, praça da Republica, 7 de Abril, Viaducto e largo S. Francisco, onde o cortejo se dissolveu, após uma "maxixada" geral".

Transcrito de "O Estado de São Paulo"

Revista O “XI de Agôsto”
Ano XXX, maio de 1932, Num. 1, pp. 110-112.

Como queríamos demonstrar: os anos passam, mas As Peruadas ficam. Todas imensamente diferentes em sua paradoxal igualdade.  
Aqui, a letra completa da música: : 
Arcadas, XVI de outubro, anno CLXXXIII