domingo, abril 05, 2009

XI razões para NÃO IR aos Jogos Jurídicos







Dos 31 Jogos Jurídicos ganhamos 23. Já fomos Undecacampeões, Eneacampeões. Agora partimos para o 24º título. Só pelo número, você já percebeu: vão dar prá franciscano!
Esporadicamente, a gente deixa alguém levar o caneco, que é pra eles não desistirem de vez. A política de boa-vizinhança do belisca-e-assopra.
Esse é um roteiro prático para instruir aquelas pessoas indecisas, que não sabem se cospem ou engolem, pensadores em geral. Não há o que pensar:
Jurídicos foi feito prá franciscano ganhar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A nossa tarefa mais difícil mesmo é ter que ir até Araraquara pra buscar mais um troféu. Ganhar é só uma conseqüência natural.
Não se preocupe: as pucanas armam a tenda, que é o nosso self-service: a gente vai lá, come à vontade. Depois vamos pro nosso BARCADAS e enche o caneco. E então vai prá quadra, ao som da maravilhosa BAISF, cantar nosso amor à Sanfran e levar os nossos atletas à vitória. Toda-poderosa Sanfran. Simples assim.
Mesmo assim, eis algumas dúvidas e desculpas que recebemos na caixa de mensagens d’A LATRINA. Com a nossa interpretação e recomendação.
Como o texto é longo, a sugestão: como auto-ajuda, leia um tópico por dia.
Daqui a XI dias você Vai aos Jurídicos!
XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI
Se você não teve a felicidade de ser franciscano, adapte esse texto para a sua... “facul”. Não vai adiantar muito. Mas, no desespero, toda tentativa é válida!
XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI XI

I desculpa: meu chefe não vai me liberar.
Hermenêutica: você “se acha” mesmo, né ? No seu escrotório, o único que acha que você tem alguma importância é você mesmo. Eles fazem de conta que se importam com você apenas por educação. Ah, e porque você também trabalha de graça, na condição de semi-escravidão. Não percebeu ainda ?
Recomendação: VÁ AOS JURÍDICOS ! Na segunda, lá pelas 14 horas você liga pro seu querido chefinho. Diz que estava voltando às pressas pra trabalhar, mas que o seu avião caiu! Você e uma pucana foram os dois sobreviventes e que estão perdidos numa mata fechada da Amazônia, divisa com a Colômbia. Tão que é só o pó. E na hora em que baixar a fome, a pucana já suplicou para que você a comesse. Essa parte da desculpa não tem nada a ver com a estória, mas é o que elas mais fazem, também durante os Jurídicos.

I I desculpa: você é calouro e está preocupado porque ainda não conseguiu entender como é que faz pra ler o Kelsen. Assim que entender, precisa começar a ler, porque todos os seus colegas da sala já leram.
Considerações: Calouro é burro mesmo ! O livro está de cabeça para baixo! Parece até pucânus, na prova da fudest: faz tudo errado! Primeiro, porque acha que vai conseguir ler o Kelsen; segundo, porque acha vai entender o Kelsen; terceiro porque não sabe que ele próprio não concordava com o que escreveu, então mudou de idéia; e, quarto, porque acredita que todos os colegas já leram. E mais: o Kelsen nunca foi aos Jurídicos. Por isso morreu virgem, mesmo tendo passado a vida debruçado sobre a Norma. Vai entender!
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Porque temos boas notícias pra você, que não sabia porque calouro é calouro e tudo burro mesmo. Peça prá Tomika Gano, aquelazinha que anota todas as aulas pra pôr o caderno na Xerox do XI. Até o quinto ano provavelmente você vai ter cerca de dois metros de altura em xerox. Que não vai ter lido. Mas estão lá, feito pucanas: prontas pro abate!

I I I desculpa: você é um completo boçal.
Considerações: Não se deprecie. Por mais boçal que seja um franciscano, ele jamais será como uma mack-orelhas, um completo boçal. Respeitamos a sua deficiência mental, inclusive por saber que os computadores da fudest ainda não conseguem detectar anomalias nos genomas dos candidatos, tornando franciscano, eventualmente, algum deles. Como é o seu caso. Com os avanços da informática, a sua espécie estará então em extinção.
Terapêutica: VÁ AOS JURÍDICOS ! Araraquara, pacata cidade interiorana tá cheia de asnos, burros, jumentos e mulas, que ficam passeando pela praça e arredores. Têm também os que vêm de fora e se reúnem na Tenda dos pucânus. Bom, ai já é overdose. Cercado de tanta burrice, você recupera rapidamente a sua auto-estima. Teve um que quis ser fotografado. E virou a manchete dessa matéria d’A LATRINA (foto acima).

I V desculpa: você é um entusiasta franciscano, mas teve um probleminha: sofreu um acidente. Perdeu as duas pernas, os dois braços, ficou surdo, mudo, cego e está atualmente em estado vegetativo. E o que lhe sobrou de cérebro está pensando que o seu estágio como “peso para segurar petições” corre perigo, caso você falte na segunda feira.
Considerações: caro cotoco, você deve conhecer a antiga máxima: nem só de pão vive o homem. Conhece, né ? Então. Embora isso nada tenha a ver com o caso, não venha com desculpas esfarrapadas. Não seja pessimista. Acidentes acontecem. Se te sobrou alguma parte do cérebro franciscano, você ainda tá melhor que pucânus e orelhudos. Procure IMAGINAR o lado bom da vida: você, pelo seu reduzido tamanho, pode servir de vibrador pra alguma pucana perdida. É só você, depois de introduzido, ir cantando, a plenos pulmões: Toda-poderosa Sanfran! Pronto. Ela vai se deliciar! E você fará história: será o primeiro franciscano-OB das Arcadas !
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Qualquer um vai ter vaga no porta-luvas pra te dar carona. Na Torcida Nota XI, a gente te coloca no estojo de um tamborim e tudo bem. No Aloja’s (quem inventou o apóstrofo?) a gente arruma um travesseiro pra servir de cama. Você só precisa ter uma precaução: deixe a língua de fora, pra gente te tirar de lá.

V desculpa: você bem que gostaria, mas não pode ir. Está comendo uma nova pucana e não quer “discutir a relação” com ela por causa dos jogos, perdendo assim o seu FGTS (Fucking Garantida Toda Semana).
Análise: o seu gesto é parcialmente louvável, no aspecto de colocar a pucana em seu devido lugar, isto é, deitada. Agora, não pode se esquecer que vai ser corneado logo mais. Porque, quando ela arranjar estágio no escritório de um franciscano, vai liberar pra ele também. Sobram pra você duas opções: você será corneado e pegará a sopa daquele nobre colega causídico ou larga a mão de ser imbecil e troque uma pucana daqui por 11,8 pucanas de lá.
Depois você explica que estava estudando para aquele concurso prá Magistratura. Como pucânus chegam , no máximo, a Delegado, ela nem vai saber do que você está falando. E vai mudar de assunto, ainda achando que você é genial. Simples, não ?

Sentença: VÁ AOS JURÍDICOS !

V I desculpa: Eu já fui a um Jurídicos e acho que já está bom.
Considerações
: é verdade! Dentro dessa sua brilhante lógica aristotélica então, supostamente você já deve ter dado a sua primeira bimba na vida. Então tá bom. Chega. Parta agora pra outras experiências. Temos várias sugestões, porém, só pessoalmente.
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! E para de viadagem.

V I I desculpa: eu morri.
Considerações: Caro zumbi, não venha com auto-piedade por aqui ! Isso acontece com qualquer um. São coisas da vida que você precisa superar. A morte é apenas uma passagem. Que seja então para Araraquara!
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Você vai se sentir à vontade. Durante os jogos, os nossos adversários são todos uns mortos, mesmo aqueles que ganham bolsa. Na realidade, deveriam ganhar um caixão, não a bolsa. Já depois dos jogos, nossos insuperáveis atletas é que ficam mortos de cansados. E não ficam aí, reclamando como você, por causa dessa besteira insignificante. Morrer se morre uma vez. Por isso, dessa você já está livre.

V I I I desculpa: eu só assisto aulas, não conheço ninguém na Sanfran, não pego ninguém, não jogo nada, não bebo, não gosto de baladas e estou mais interessado na minha formação profissional. Prá que ir aos Jurídicos?
Considerações: caro franciscano-metalúrgico, você tem futuro. Mire-se no Mula: analfabeto e cachaceiro, mesmo assim conseguiu emprego no Palácio do Planalto. A gente entendeu perfeitamente que você é um inepto. Muito semelhante ao item VII, o Morto, sendo que ele tem uma grande vantagem: já fechou os olhos e deitou. É o que tá te faltando. Mas no meio da maravilhosa Torcida Nota XI ninguém vai perceber isso. A gente te fornece alguns chicletes e você fica mascando, fingindo que tá cantando. Igual aos jogadores da seleção, cantando o Hino Nacional. Depois você vai poder contar pros netos que, pelo menos uma vez na vida, você fez alguma coisa que prestou: foi aos Jurídicos! Para você, nada como aquele ditado também: viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.
Palpite: VÁ AOS JURÍDICOS ! A gente notou que você ta velho antes dos vinte. Faça ao menos uma coisa que preste.

I X desculpa: Eu nem sei se a gente vai ganhar.
Considerações: captamos perfeitamente o brilhantismo da sua percepção das realidades da vida. A Torcida Nota XI é composta por brilhantes franciscanos, porém poucos têm o seu toque de gênio. Já aprendemos com o Galvão Bueno que existem as possibilidades da vitória, da derrota e do empate. Já aprendemos com a Luciana Gimenez a dar um giro de 360º na vida. Porém, contando com a sua abissal percuciência, podemos alertar nossos valorosos atletas sobre as demais possibilidades que só você pode enxergar. Quem sabe você não passe a fazer parte da nossa Comissão Técnica ?
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS !

X desculpa: Eu acho que VOCÊS estão cantando vitória antes da hora.
Considerações: não vai dizer que você também acha que o fogo queima ? E que a água molha ? É claro que nós estamos cantando vitória antes da hora. A razão, que passou despercebida por tão arguta mente, no caso a sua, é absolutamente simples: você percebeu que os Jurídicos ainda não começaram ? Por isso, é claro que é antes da hora!
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Lá você vai perceber porque “nós”, que inclui você, cantamos vitória ANTES da hora, NA hora e DEPOIS da hora. Nós vamos lá é pra buscar o Caneco.

X I desculpa: eu não concordo que franciscanos fiquem xingando pucânus, mack-orelhas e toda aquela periferia jurídica nos Jurídicos. Coitados! Eles já são tão ruinzinhos, né? Ficar ainda massacrando os anencéfalos é demais! Penso que deveríamos nos integrar mais, para unir forças e tornar o Brasil melhor, com mais justiça social e menos desigualdades. Afinal, todos somos da mesma classe, a de estudantes de Direito e...
Contraditório: caro comunista, desculpe interromper. É que senão, até você terminar o Kit Um do Manuel, desculpe, Manual do Comunista Mirim, o povo já dormiu. Mas concordamos com você em gênero, número e degrau. Saiba que os Jurídicos têm uma função social muito importante sim. Você consegue imaginar que o consumo de goró que ocorre ali gera muitos empregos? Que tem que duplicar a produção de preservativos, pagando horas-extras, melhorando a distribuição de renda, pagando mais impostos ? E quem disse que não nos unimos ? Experimente ir nas baladas, que você vai ver todo o mundo coladinho. Já a força é moderada e progressiva. Exemplar!Então, boneca ! Relaxa! Você não vai acreditar, mas, na realidade, a gente só faz os Jurídicos e essa coisa toda é pra melhorar a condição do povo brasileiro. É o exercício da cidadania responsável e a nossa cota de sacrifício, né !
Sugestão: VÁ AOS JURÍDICOS ! Junte-se a nós nessa luta, companheiro!

Luiz Gonzaga _______________________________ Arcadas, XI de abril, CLXXXII

segunda-feira, março 23, 2009

Efeméride

A LATRINA - Um jornal que não é nenhum Diário Oficial, mas tem o mesmo conteúdo

A Número Um da Sanfran, fuvest-2009, foi parabenizada pelos pai. Mas quem não foi? Só que ela é diferente, né? Saiu no Diário Oficial! Uau!!!

Congratulação Oficial


Quando eu entrei na Sanfran
Pensava que eu era o tal
Meu pai chorou de contente
Faltou botar no jornal

Tivesse eu sido primeiro
Tivesse um pai conselheiro
Seria de fato legal
Ter a foto no Diário Oficial

Imagina se a moda pega
Do jeito que tem reaval
Contando desde o princípio
As contas do município
Dariam lugar sem refrega
As suas depês no jornal

Mas isso até não é nada
Outubro já tá pra chegar
Seria muito engraçado
Ter fotos da Peruada
Ela, em plena manchete
Notícia no Tribunal

Prá quem foi primeiro essa trova
Um preito de justa homenagem
Que o que ela fez, maravilha
E o que ele fez, sacanagem

Caloura, não me leve a mal
O que você fez foi bacana
Seu pai é que foi bem sacana
Um caso pra Tribunal.


Arcadas, XI de março, CLXXXII

R. Porter
Correspondente também no Diário Oficial do Município d’Além da Imaginação Tem uma filha no prezinho. Noticia que tá indo muito bem.

segunda-feira, março 16, 2009

A Vigília e a Batalha da Riachuelo: um diálogo expressionista

Em 19 de outubro de 2007 seria a Peruada. Como sói acontecer, na véspera acontece a Vigília. Uns poucos franciscanos que ainda sonham com a volta da Peruada dentro das Arcadas. Como ela nunca acontece, resta-nos passar a noite em estado de contemplação e êxtase, desfrutando da presença inconteste de nossos ilustres companheiros antepassados. O Pátio fica então superpovoado: uma overdose de espírito franciscano. Vigiadíssima por todo uma aparato de segurança, para proteger esse Monumento Histórico de eventuais excessos dos alunos. Medida desnecessária: o único excesso cometido era o de exaltação e reverência às Tradições e História da Gloriosa Academia. Vê-se que movidos apenas por um platônico amor às Arcadas. Além de outros vapores etílicos que nem vem ao caso.

Em meio à noite, uma cena inusitada: dois alunos carregando uma escada dupla de quatro metros de altura, banheiro adentro. Dado o caráter inconteste heterossexual dos dois, o fito não era trepar ali, na escada. Mesmo com toda a ambigüidade que a frase carrega. A singela intenção era a de fazer entrar, via Riachuelo, mais três ardorosos Vigilantes, deixados de fora. Ressalte-se que os portões das Arcadas se fecham às XI:08 h. Ficaram de fora, algo inconcebível. Na árdua tarefa são flagrados pela sizuda segurança. O Diálogo:
- O que é que vocês estão fazendo com essa escada aqui no banheiro, pelo amor de Deus ??????????????????
Gonzaga: Prince , o que é que nós estamos fazendo com essa escada aqui no banheiro ?
Prince, mineiramente: ah, sei lá !
Gonzaga: bom, já que a gente não sabe, então vamos voltar.
Prince: é. É melhor então.
E voltamos. Continuamos apenas a sonhar Poesia.

E tudo continuou igual debaixo do Sol. E a Peruada debaixo de chuva.

DINO SAULO – um antigo aluno

domingo, fevereiro 15, 2009

A prova da OAB: que gabarito!

Nessas minhas andanças pela seara do Direito, tinha mesmo que passar um dia por essa cancela. Verdadeiro mata-burros, literalmente: a prova da OAB.

E é verdade mesmo. Logo mais vai ter festa. Quando abrirem mais trinta cursos de enganação em Direito, nesse Brasilsão do deus-me-livre, estaremos completando o incrível e cabalístico número: 1108 ! É mole ? É “facul” demais pra cabeça, companheiro!

Lá vamos nós então: a prova da OAB. Fontes fidedignas me confidencnaram que a dita prova é feita com consulta, porque pucânus e mack-orelhas acharam que assim fica mais fácil. Dá pra passar, afinal. Porque, se não fosse assim, quem mais poderia passar ?

E chega de prolegômenos. Vamos à prova. Vamos à peça. Eu fui condecorado com ser o causídico, contratado pela dona Ana. Simpática senhora, nos seus lustrosos 64 anos, que me contratou com um escandaloso sorriso nos lábios: havia sido estuprada! E eu então deveria fazer a modorrenta justiça tupiniquim começar a funcionar.

Com algumas idéias na cabeça, sem lenço e sem documento, uma mala com cinqüenta (sem trema) quilos de verborragia jurídica, tinha que preparar... preparar o que mesmo? Uma queixa-crime contra o José, valente e corajoso autor daquela conjunção carnal constrangida, sob ameaça. Não é por nada não, mas eu gostaria de ter sido uma testemunha.

O delegado me argüiu se, nesse caso específico, não seria um caso de Apelação. Todo mundo sabe que delegado geralmente é pucânus. Parece que é o sonho maior deles. Caso típico de nulidade absoluta. Talvez um fator limitante cerebral, sei lá. Mas, dessa vez, tive que anuir. O cara tinha algo de animus jocandi. Realmente, era apelação mesmo !

Um cidadão, em sã consciência, estuprar uma donzela de 64 anos? Ah, faça-me o favor, não? Certamente que iria colocar esse fato como indicativo para aumento de pena. No mínimo o dobro, que o infeliz merece! Fosse lá uma jovenzinha, em seus esfuziantes vinte aninhos, teria lá o meu aval, como diminuição de pena e também atenuante. Ora, pois!

Teve sim testemunhas oculares do grotesco fato. Um casal, casado. Presenciaram toda a cena. Por certo ser-lhes-á indicada terapia, com certeza. Não deve ter sido fácil, não. Ela afirma que a entusiasmada e estuprada Ana gritava, a todos pulmões: me largue, me largue! Já o marido discorda. Confirma que a gritaria, por parte dela era mesmo infernal. Porém, o que era realmente gritava era: milagre, milagre!

Eu cá não sou juiz pra julgar nada , mas por todos os carnavais que já vivi, fico com a versão masculina.

Então eu comuniquei à Ana que precisaria dela uma procuração. Ela ficou espantada com isso. Mas, seu doutor advogado, o senhor tá nessa de “procuração” ainda? Eu também estava, sabia? Procurava, procurava, e nada! Até que me apareceu essa santa alma do José! Mas agora a gente tem que dar queixa, né? Fazer, o quê? Será que a gente não poderia oferecer pra ele aquele negócio de “relação premiada”? Será que eu vou poder visitá-lo na cadeia? Será que se eu oferecer uma indenização para ele, pode haver o caso de reincidência? E crime continuado, como funciona?

Eram muitas as dúvidas da entusiasmada constrangida. Pobre José, quanta violência! Realmente não cabia essa de delação premiada, a despeito da euforia da estuprada. Mas a minha queixa-crime foi um verdadeiro parto. Isso foi! E eu ainda tive que escrever que a vítima, no caso, o José, deveria ser condenado. São ossos do ofício.

Por certo que tenho uma visão não-ortodoxa do Direito, coisa e tal. A julgar inclusive pelos outros brilhantes artigos, tentando criar uma Doutrina só minha, peculiar.

A julgar pelos acessos da Noruega, Moçambique, Suíça, Indonésia, e outros fins-de-mundo, parece mesmo que é esse o destino d'A LATRINA: espalhar merda para o mundo inteiro. É bom isso!

Com tudo isso, fico só pensando: será que fui bem nessa provícula da OAB?

15.04.2008

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Ode ao calouro

Ao ser-lhe outorgado o sagrado direito
De adentrar os umbrais dessa hiperbólica Academia
Por certo baixará humildemente os olhos
Diante da magnificência das Arcadas
E em devaneio, procurará imaginar as pegadas
Dos monstros sagrados, românticos ou não,
Seus nomes inscritos nas majestáticas colunas
E, deslumbrado exclamará: Aqui está a História !
No depois, perambulando entre o Pátio e o Porão
Entre vitórias e descobertas vívidas e vividas,
Em meio às duas mil e trezentas tendências e mentes franciscanas
Numa incrível e indescritível turbulência ímpar
Buscará por onde se permeia o cenário dessa tal História
Ela, aos poucos se revelará vazia, cenário apenas
Chegando a casa, olhar-se-á ao espelho
Ali se deparará com a imagem-resposta
que a Academia nos revela a cada um:
Eis a História ! Eis o Presente !

E ela o espera ávida, cenário apenas,
A preenchê-la com a sua parte, a sua arte
O seu futuro, a dela obra.
Emoldurada em Amizade, animus jocandi e Alegria.

Porém
Aos que chegam e buscam assento
Para, inertes, assisti-la passar
Restará o desconforto e a decepção
De nada assistir, de nada ver, nada criar.
Apenas acreditando que assim seja
O espetáculo que se lhe descortinara.
Pensarão, em suas cabecinhas
Ser então a Sanfran um túmulo com paredes carcomidas
Revivendo anacrônica um passado morto, num presente amorfo.
Para eles, estória apenas.
A Academia, sua medíocre “facul”.
Isso, a imagem que o espelho lhes revela.
O presente amargo, o XI um número. Romano, em esnobismo estéril.
No futuro, restando apenas como boa lembrança.

As Arcadas são sempre as mesmas,
O espelho é sempre o mesmo
O Largo não é estreito
Você, a diferença.

Felício Novo, o poeta calouro

quarta-feira, janeiro 21, 2009

O acordo otorrinolaringo-ginecológico-hortográfico




Que saudade que eu tenho,



do tempo que valia a máxima:



quem não tem competência não se estabelece.








Isso é que é acabar com as desigualdades sociais, conforme promessa de campanha presidencial: a partir de 2009, todos passaremos a escrever errado.
Quando veio aqui um infeliz e disse que o Brasil não somos um país sério, o povo chiou. Mas chiou apenas porque tinha que chiar. Que não é sério, não é mesmo. Fato esse público e notório, desnecessária qualquer tentativa de justificação. Porém, em se sobrando tempo para elucubrações, a gente pode juntar fartos assuntos. Esses não faltam, infelizmente. Como há similitudes gerais, a gente as abarca n’A LATRINA.






Não é fácil viver no País do Mula, pensa! Como explicar para um suíço, por exemplo, que a Lei Seca foi implantada por um alcoólatra? Eu já estava aqui, fazendo mil maquinações para encontrar uma explicação razoável. Talvez uma crise de consciência, prá não dar mal exempro? Não, não tem antecedentes pra isso, não. Será porque agora ele tem motorista particular? Ai sim, já começa a fazer sentido.




Mas, eis que o presidencial gajo vem com outra: agora quer mudar a nossa língua! Seria idioma, mas temos que escrever no mesmo nível. Será que é porque ele troca o L pelo R, quer também que todos o possam? Troco então o F pelo M. Liberdade total.




Já que não temos problemas mesmo, nossas questões todas estão praticamente resolvidas, vamos então cuidar de abobrinhas: acordo hortográfico. Tudo maliciosamente misturado: por que é que tinham que mexer no hímen ? Trema comigo nesses questionamentos:

I – Por que chamam de Acordo, se é só o Brasil que acordou sozinho?

I I – Já andamos tão escassos no assunto, agora querem tiram o pouco hímen que restou? Deve ter algo a ver com o Bush (vixe!!), com aquele negócio de campanha da abstinência sexual. Só pode. O que é bom para os EUA não é bom para o Brasil? Eles lá, querendo preservar o hímen. Aqui, uma festa só, quase todo hímen será retirado. Ainda mais com uma lei que chega um pouco antes do Carnaval! Maquiavélico! Não sobra um prá contar estória!

I I I – Esse negócio de tirar o hímen à força eu acho que é inconstitucional. Taí a Lei Maria da Prenha. Era Penha, mas perdeu o hímen, ficou Prenha. Não pode não, ó Mula! Prá tirar o hímen tem quem ser com consentimento, no maior carinho, não pode ser assim, por Lei, não! Na violência? O que é que é isso, minha gente?

I V – E, depois, ficou uma coisa meio máquina, você não concorda? Tire o hímen, mas não trema ! Que coisa! Quer dizer então que o cidadão vai lá, tãtãrãrã e tal, mas nem uma tremidinha de nada? Lá se foi o hímen, mas tô fora?! Cadê a emoção na coisa?

V – Depois, esse acordo vai é aumentar as coisas em extinção nesse mundo. Já não basta o jacaré de penas verdes, e o mico leão dourado que vive na Serra Pelada. É preciso preservar o Planeta! Já pensou que agora a menina-moça está em extinção? Como é que fica uma menina-moça, sem hímen? Inexiste. Esse Mula, viu! Isso de meninamoça é como ele, doutor Honoris Causa.

V I – Já, saindo um pouco de cima desse assunto, com a camada de pré-sal, tudo bem. A Petrobrás vai lá e mete a broca, arranca o hímen e, beleza! Que vire pressal, mas desde que achem o tal do petróleo salgado, claro. Aliás, tô achando que o petróleo que vão descobrir lá na Bahia deve ser de abaixo da camada de óleo-de-dendê... Pronto, tá errado, é óleodedendê ? Pára, Mula. Tá, tá, para Mula, conforme o acordo hortográfico. Quanta abobrinha, santo Deus!






V I I - Tá vendo só? Até o Bill Gates sabe mais português que o Mula! Nem bem eu escrevi “pressal”, e pronto! Já apareceu aquela cobrinha vermelha embaixo dela. Tá errado. Sabia!

V I I I – Nem bem entrou em vigor o tal do Acordo, já recebi de poetas-escroto, colaboradores dA LATRINA fazendo os seus poemas-piada (com ou sem o hímen, pelo amor de Deus?). Até poderia servir como frase de parachoques de caminhão:






Para o caso de ânus novo



Não trema sobre a linguiça




I X – Na verdade, estou aqui achando que o Mula está mais é querendo causar, sabia? Ele tá querendo subverter a ordem das coisas. Pra disfarçar, já que nem governa mesmo, fica inventando moda. Bebe feito esponja, mas não quer ver ninguém bebendo. Agora mexe ai com esse negócio de palavras, coisa que ele não domina nadinha. Nem mesmo em seus raros momentos sóbrios. Só porque era torneiromecânico (sem hímen, claro), falaram que tinha acento diferencial, pronto! Já achou que era o diferencial do motor. De diferencial eu entendo, ele pensou! E quis mexer nos acentos também.

X – Mas vejo ai uma lógica aristotélica, apesar de vir de onde vem a asneira. Quando tinha que dirigir, era bêbado mesmo e tudo bem. Melhorou de vida, tem motorista, então não pode mais beber e dirigir. Fica fácil assim, não é mesmo? Por outro lado, quando torneiromecânico, andava de ônibus, com muitos assentos. Que aliás lhe era cedido, tal o estado comatoso alcoólico que lhe é peculiar. Agora, mudou de emprego, tem carro particular, assento único. Então pode tirar esses acentos todos ai. Principalmente aqueles que vão no motor, no diferencial.

X I – Então, o pepino atual é essa abobrinha: o acordo hortográfico. Algo insosso e sem finalidade prática, posto que “tire o hímen, mas não trema. E que seja em pé, já que o acento também não tem mais”. Mas, em relação à língua mesmo, não mudou nada. Ainda bem! Parece que todos podemos manter os mesmos hábitos milenares, degustando o que sobrou da última flor do Lácio. Penso que nisso o Mula não mexeu por ser o seu estado atual de possibilidades. Ô vida, viu!




Luiz Gonzaga Arcadas, XV de fevereiro,CLXXXII

sexta-feira, novembro 07, 2008

Uma irrestaurável História

Um dos grandes feitos alardeados recentemente pelo Centro Acadêmico “XI de Agôsto”: a restauração da herma de Álvares de Azevedo/Fagundes Varella, garbosamente instalada no Território Livre, o nosso Largo de São Francisco.

Isso seria muito bom, se não fosse muito ruim.

A Herma está lá por obra e arte de XI etilicamente franciscanos que, na memorável Peruada Noturna de 2006, eufemisticamente surrupiaram-na da Praça da República, onde se encontrava abandonada à própria sorte e Natureza, morada de pombos e abelhas, desde 1907. Seu traslado, epopéia recheada de lances fantásticos, com direito a prisões, ofícios autorizativos fictamente verdadeiros, farta distribuição de mel poeticamente produzido, ao longo de um século - enquanto os homens faziam guerras e chegavam à lua. E a sua honorável implantação no Largo, com cimento e areia. Experimente você, em qualquer outra cidade do mundo que não seja São Paulo, comprar cimento e areia, às quatro horas da manhã. Isso é São Paulo. Franciscanos vivemos um mundo à parte mesmo.

Essa é a São Francisco. Que faz São Paulo e o Brasil.

Nas Arcadas, a tarefa, árdua e adorável, é apenas continuar fazendo História. A cada dia que passa. Estamos ali para fazê-la. Quando menos, senti-la de perto.

Um pouco da água que se misturou ao cimento para colar a herma no Largo proveio de suor e lágrimas de sonhadores franciscanos. Que orgulhosamente apuseram lá suas iniciais e impressões digitais. É certo que ela não está em ângulo reto, mas a Torre de Piza também não. As Pirâmides também estão sujas. Se ela se encontra toscamente esverdeada, foi também por obra e arte de outros etilicamente franciscanos que, retornando de orgulhoso Pindura, resolveram pintar a herma com milagroso verniz, que a retornaria ao puro bronze. Ledo engano. Ela amanheceu verde-em-folha, literalmente. Uma homenagem ecologicamente correta aos nosso virgem colega, poeta que, como nós, sonhou e amou na vida.

Isso é a São Francisco. Isso é História.

Por certo que aqueles teriam suficiência para comprar uma belíssima estátua, tinindo de nova para apôr no Largo. Mas isso qualquer um faz. Isso não é fazer História, é comprar estátua. A História não tem resgate. A gente tem que fazê-la, diuturnamente. Quem pensa comprá-la tristemente se engana. Correndo o risco de se tornar piada para todos os séculos. Como tal foi feito, em 1907, uma estátua do Álvares de Azevedo, com a herma do Fagundes Varella.

Isso é a São Francisco, pura História.

Em restaurando a herma, possivelmente ela ficará mais limpa, mais perpendicular ao solo, sem abelhas em seu interior, com direito até a uma placa de quem pagou a reforma. Mas será apenas isso. Um manequim na vitrine. Essa será a sua pobre história retocada, de segunda mão. Para ser então realmente fiel à estética, à beleza visual e à verdade, coloque a verdadeira herma de Álvares de Azevedo, não Fagundes Varella. Terá então sido despida de seu real e histórico sentido.

Em memória, ao menos aponham nela, a trova que então foi feita:

Te quero prá sempre no Largo,
morada da tua Poesia.
Teu busto defronte às Arcadas,
teu verso na Academia.

Bonita ela é como está, envolta numa aura de autenticidade: testemunha, objeto e prova do feito. O espírito franciscano como autor, por meio do seu animus jocandi, aparentemente brincando. Essa é a verdadeira, incrível e irrestaurável História. Da herma e das Arcadas.

Luiz Gonzaga __________ Arcadas CLXXXI, XI de XI.

domingo, outubro 26, 2008

O Forum da Esquerda na Série B !



Sorria, meu bem, sorria !

Pelo menos nisso eles tinham razão: nosso sonho não faz mesmo silêncio!

http://br.youtube.com/watch?v=HbB36IdPvt0

Enfim, a Semana Santa verdadeiramente franciscana: a Peruada, a Martaxa no lixo e o Forum da Esquerda na Série B!

Isso não é mesmo uma maravilha maravilhosa?

Mas também, jogaram tão mal que foram expulsos logo no primeiro tempo! Ao invés do cartão vermelho, um banho de Coca-Cola!

Os comunistas estão tão desolados, que um já reservou passagens para ir chorar na Alemanha. Outros, esquiando em Aspen, esperam amargar esse reconhecimento de seu imenso valor por um quorum inédito de franciscanos votando. Outros ainda ficarão em reclusão por muito tempo, enclausurados em suas coberturas no Morumbi. Quando se encontrarem para umas comprinhas básicas na Daslu, nada de falar em política. Pelo menos até chegarem os novos calouros...

Ai, minha São Francisco!

Se o quorum daquela magnífica Assembléia do Expurgo de 2007 foi pouco, como alegaram, se não tinha a forma legal prescrita (prescrita onde?), esse quorum foi legal. Muito legal ! Legal demais! Ah, como foi legal!

Mas, perai! Isso pode ser uma Teoria da Conspiração! Será que eles tão querendo perder tudo, só prá ficarem achando que ninguém gosta deles, posando de coitadinhos? Ah, se for isso, meu São Francisco, vou até cantar de novo: sorria, meu bem, sorria! Eles estão prenhes de razão!

Também pudera, né? Nas Arcadas não tem bolsa-família prá comprar votos do povo, empregos prá distribuir no Executivo, o Tesouro Nacional prá comprar o Legislativo, além de sempre dispor de Habeas Corpus, quando necessário do STF. Então, perderam de graça mesmo!

A felicidade é tanta que, imbuído da magnanimidade que caracteriza os franciscanos, ao invés de tripudiar, vou até colaborar. Vou sugerir que, ao mudar de nome (e eles vão mudar de nome, como sempre...), mudem de "chapa" para o sintomático "Chupa" Forum da Esquerda-modelito Série B"! A camiseta pode ser, conforme seus ideais espúrios, preta-e-branca. Mas não meio-a-meio, não. "Tem que ser 4x1, do jeito da minha Hilux!". Sob o patrocínio da Gaviões. Prá copiar-e-colar a carta-programa , prá invasões, semanas grey e outras pautas. Claro, o capovis continua, firme e forte.

Não fica bom assim?

Prá mim tá ótimo! E prá outros 981 franciscanos também!

O Roy Babbosa finalmente conseguiu passar na dp de Romano. Eu, no meu quinto ano. Eles se despedem, nós nos despedimos. Mas, ao contrário deles, saímos pela porta da frente.

Valeu Sanfran, pôr tudo nos comunistas!

Luiz Gonzaga _______________________________Arcadas, XXV de outubro, CLXXXI

domingo, outubro 19, 2008

São Francisco, nunca mais!


A Constituição negativada da nossa Academia de Letraz, tem apenas uma única jocosa e verdadeira norma: aqui, nada de Democracia! Manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Nas Arcadas, a verdadeira Anarquia. Não no sentido distorcido que quiseram dar, de desgoverno, mas o Aristotélico: sem governo.

Franciscanos, somos como que a água de um rio, que corre eternamente; e nunca, num mesmo momento, a mesma. Somos um Território Livre, povoado, qual no Olimpo, por semi-deuses: uns acham que são deus, outros já têm certeza.O passo que nos distancia da qualidade de verdadeiros deuses é a decantada fraqueza, ainda humana, denominada humildade. Temos um idioma próprio, não derivado do indo-europeu, misto de festa com animus jocandi. Quando não, fazemos a Peruada, oba! Nos demais dias do ano, a seriedade de apenas festas normais. Como nos textos bíblicos, vivemos apenas as coisas de cada dia. Como por exemplo, uma festa. Assim como qualquer povo distinto, temos uma religião: “acima de tudo, creio em mim”. Uma vez por ano, eleições para o XI.

Porém, as Arcadas nunca sequer cogitou tornar-se um Estado. Franciscano jamais abriu mão de parcela de sua absoluta liberdade de expressão, em prol da segurança de todos. Não temos sequer candidatos a inimigos. Cada qual é soberano por si. Rei aqui, apenas o Peru. Por essas razões, vivemos em Estado Natural. Quem quiser postar-se em meio ao Pátio, camisa do Boca Juniors e cantar o tosco hino de los hermanos, que o faça. É direito seu. Que se prepare porém, para a manifestação da liberdade de expressão alheia, numa saraivada de pedras , palavras, palavrões, trovas, História, Tradições, Verdades ou invenções que virão, certamente.

Postos esses prolegômenos divagativos, cumpre afirmar que, sempre e sempre, calouro é burro mesmo. Na realidade, franciscano nunca é burro, mesmo sendo calouro. Eles, na verdade, são ignorantes. Ignoram a realidade da vida nas Arcadas. Povos mortais comuns têm Mitologia. Nós vivemos de realidades. Você, que me lê agora, é a Mitologia do Amanhã. Diferentemente de Hércules, temos todos XI tarefas. É Real essa Realidade. Franciscanos, temos esse fardo a carregar: expurgar comunistas hipócritas das Arcadas. E esse pedágio a pagar: termos todos, um dia sido calouros.

Como a tudo desconhecem, desconhecem também que há, no Lá-fora, uma erva daninha que teima em lançar suas teimosas raízes, na forma de franciscanos-comunistas. Porém, tudo bem: têm eles também a sua sagrada liberdade de expressão. Nós, aqui, confiamos que, mesmo vicejando, são logo estirpados de nosso Jardim de Pedras.

Diria eu que são maquiavélicos os gajos. Porém, em memória à genialidade de Maquiavel, corrijo: são diabólicos os gajos. Descobriram que o calcanhar-de-aquiles das Arcadas poderia ser os seus calouros. E fizeram deles o seu alvo de atuação.

Como mentem os comunistas aos pobres calouros! É uma judiação! Como dito, as Arcadas não são um Estado, portanto não temos e nem precisamos de um Governo. Logo, dentro da sua estreita e medíocre visão, não temos e nem precisamos de Esquerda, Direita ou Centro, que é o que sobra. Cada franciscano é um todo em si mesmo. Não temos lutas de classes. Exceção feita ao Interpanelas, claro. Nossa única opressão, maldita opressão é a existência deles, os comunistas. Somos, por óbvio, conservadores, sempre. Queremos conservar a grandeza das Arcadas. Que não os inclui, certamente.

Franciscano não precisa se unir em grupo para tomar o XI, condição para garantir um emprego de assessor de político salafrário quando formado. Ou uma boquinha qualquer, pra mamar nas tetas do Erário Público. Habituados à meritocracia, os fascistas da Direita também conseguem seus bons empregos, tranqüilamente. Somos franciscanos, afinal. Não é preciso vender a alma pra conseguir um emprego.

Então, caros franciscanos abordados pelos comunistas, toda essa verborragia é para apenas lembrar isso. Todos nos sensibilizamos quando temos que passar por sobre moradores-de-rua para poder entrar nas Arcadas. Porém, para externar isso não é preciso hipocritamente verter lágrimas e nem fazer faixas e cartazes e desfilar pela Paulista. Não corrigiremos as mazelas do neocapitalismo pelas “falas da cumpanherada”, após uma Assembléia, repleta de muita hipocrisia, além de faixas do MST, do DCE e até da Gaviões da Fiel. Com os votantes sendo alguns realmente pobres coitados, manobrados ao preço de um pão-com-mortaNdela-e-amanhã-um-suco. Lanche esse transportado em um modesto Audi, claro.

Franciscanos-fascistas-da-Direita habituados com a meritocracia e a real liberdade de expressão reinante nessas Arcadas, vivemos de Realidade, como dito. Temos dificuldade em conviver em um país, cujo presidente outorga uma Nova Ortografia, mesmo desconhecendo a atual. Que, embora sendo alcoólatra decreta a Lei Seca. São-nos fundamentos muito disparatados esses, como todos os demais. Essa, a grande razão da rejeição do que sejam comunistas nas Arcadas.

Uma imagem diz mais do que mil palavras. Falso esse dito, já que expresso apenas em palavras. Mas fazemos isso: veja o link para o youtube, ao final do texto.

São algumas imagens colhidas durante a Invasão das Arcadas, em 21 de agosto de 2007, por falsos movimentos sociais, manipulando aqueles citados e realmente pobres coitados. A então gestão do XI, o Fórum da Esquerda comandando a Invasão, omitida a todos alunos, para não “estragar o movimento”. A isso chamamos Traição, não-representatividade, estelionato. Em chulas palavras, coisa mesmo de filhos-da-puta, se não!

Ela não ocorreu com a permissão, nem a adesão dos alunos, conforme mentirosamente alardeado pelos comunistas aos calouros. Quis a História que não tivéssemos imagens da Assembléia de 925 (?) franciscanos superlotando o Salão Nobre, exigindo, em uníssono, a deposição do então Presidente do XI, na mais legítima expressão de vontade geral. Essa a verdade, a nossa Realidade.

Franciscano cumpriu o seu dever, para ser aluno das Arcadas. Como diz o Direito, quem cumpre o dever, tem uma faculdade. E não abrimos mão Dela. A Faculdade é nossa mesmo.

Tentaram apelar para um historicismo hipócrita, a Tradição de que a Polícia não entra nas Arcadas. E não entra mesmo, se for contra os alunos. Mas, em havendo um incêndio, Bombeiros, que são Polícia, têm que entrar. E em havendo invasão, de retomá-la, aos seus verdadeiros donos. É mais outra hipocrisia apelativa, a alegação de ser as Arcadas espaço público. Ela é dos alunos. Esses sim, porque fazem nela a História do Brasil. Com Direito, sob todos os aspectos.

Fosse eu um jornalista, escreveria tudo isso com algumas poucas palavras. Mas minha crônica intenção é outra. Por isso o passeio histórico e alegórico. Tenho a ousada pretensão de escrever a História das Arcadas. E isso não se faz com lacônicas e jornalísticas frases. Dai longos textos, para relatos fidedignos. Se eu fosse um marqueteiro, poderia apenas argumentar assim, em tempos de eleições para o XI: quem são verdadeiramente os comunistas? São casados ? Têm filhos?

Cuidado portanto, eleitores: a versão comunista de toda a História é porca, suja, vil, abjeta, falsa, ardilosa, traiçoeira, peçonhenta, mentirosa e hipócrita. Querem contornar toda essa realidade, colocando um calouro como Presidente. Mas isso não engana mesmo ninguém. Como também dito, calouro pode ser ignorante de fatos. Mas, por ser franciscano, burro jamais. Por isso, não colocaremos o XI nas ditas traiçoeiras mãos.

Caros comunistas: São Francisco, nunca mais!


Luiz Gonzaga Arcadas, XX de outubro, CLXXXI

http://www.youtube.com/watch?v=ARoyg7LPGj4

sábado, outubro 18, 2008

É Peruada, oba!

É assim a Peruada.

Uma manifestação política dos Estudantes do Largo. Invadidos por estudantes do Brasil inteiro. Mas sem siglas. Invasão essa que é bem vinda, permitida, aceita e querida.

Uma festa ecologicamente correta, preenchida com muito verde. Quando queimada, o efeito estufa é mínimo. Desodorantes a granel. Por onde você passa, alguém lança perfume. E fica tudo inebriante, feito um tango argentino.
Respeitamos estritamente a Lei. Todas as latinhas encontradas pelo caminho estavam, conforme preconiza a Lei Seca, absolutamente vazias.
Como o prefeito proibiu outdoors, as propagandas iam nas fantasias mesmo. No melhor estilo: "bebeu? Pega esse táxi". ou ainda, escrito nas costas: "invista nesse Fundo". Quantos e quantos bafômetros espalhados, para as meninas fazerem o teste. "Eleção? Coloque o seu voto na minha ulna". Um exemplo de cidadania.


Imagine:
O repórte disse que tinham cerca de 150 estudantes na Peruada...


Alguma coisa acontece no meu coração
Quando a Peruadas cruza a Ipiranga e a São João...

Em frente ao prédio do Goffredo, na Avenida São Luís.
Esqueceram de homenageá-lo.
Tudo bem. O Resgate é assim mesmo.

A presença da Academia de Letraz, em imagem.


Em frente à Camara municipal. Lá dentro, políticos.
Ouvi muitas reclamações de roubo de carteiras, celulares e até eventuais virgindades. Haveria ligações ?
Não a dos celulares, já que foram roubados. Mas outras?
A gente ficou esperando ali o Discurso político que justifica a Peruada como Tradição.
Como Tradição, o tal discurso não saiu.
Bom, dai fomos embora, né?



Franciscanos...




O Vitão, subindo a Brigadeiro.

Já em solo sagrado do Território Livre, a Peruada, com seus cerca de 150 manifestantes, conforme disse o tosco e grotesco repórter.


Como era de se esperar, no Eterno Beijo eles continuam se beijando. Eternamente.

Eter na mente?
Eterna mente?
É terna mente?
Mas é assim mesmo: na Peruada pinta a maior química. Irresistível.



O mastro, servindo de pau-de-sebo.
Lá, aparentemente, um Homem das Cavernas.
Se você perguntar o nome dele, rapidamente vai lhe responder: meu nome é Enéas!


Será que foi no Viaduto do Chá que o repórter contou os 150 estudantes?



Na Conselheiro Crispiniano.
Não na sala de aulas. Na Rua.
A trêmula emoção transparece até na foto.


Bom, daqui prá frente as imagens são reservadas, prá não queimar o filme de ninguém.
Ficam fixadas apenas na retina e na memória. Ou melhor, só na retina.
Não se têm "lembranças", mas "esquecimentos" da Peruada.

Ainda bem!


Arcadas, terceira sexta-feira de outubro, CLXXXI


sábado, outubro 11, 2008

Vagas lembranças da primeira Peruada. Oba!


Capítulo V - A primeira Peruada. Oba !

Para um leitor ocasional, alerta-se que esses psicografados escritos são originários de Roy Babbosa, calouro de 1828, o espírito franciscano, por isso onisciente e onipresente. Além do que está em dp de Romano, pois não consegue entender a complexidade do conceito da propriedade horizontal. Conta-nos a gloriosa história da Faculdade da História, como testemunha ocular. Não na forma de notícia de jornal, mas de modo apaixonado, em crônica. Cabe-me apenas e tão-somente transcrevê-lo. Ai vai.

O que agora interessa é a Peruada. Oba ! Que diáfana e sinistra origem teria essa festa, passeando-se pelas cercanias do Direito, metendo a boca em político safado e a boca no gargalo, prá variar ?

Assim foi a primeira Peruada. O mote desse relato: Vamos meter o Peru prá dentro das Arcadas !

Roy fez-se calouro por obra e graça de sua patroa, Domitila. Era feitor nas fazendas da moça, pau-prá-toda-obra. Feitor das escravas e da patroa. Substituía Dom Pedro , que só vinha pontuar a dondoca três vezes por ano, já que a ponte aérea ainda estava por existir. A carne é fraca. Por isso, assume Roy essa tarefa. Logo, Domitila conscientiza-se que Pedro é pouco. Por isso, faz o Imperador criar a Faculdade de Direito: XXXIII vagas ! Um calouro por dia. Três XI ordenados Entre eles, Roy, para coordenar os meninos.

Diariamente, após as aulas (é! A parte maçante da Academia), reuniam-se no centro do Pátio e cada qual recebia um número. O que saísse com o XI deveria comparecer e conhecer” (linguagem bíblica: franciscano também é cultura) a DoMETIla naquele dia. Seria excluído do sorteio. Ficaria até o mês seguinte na saudade. Nada de barangas. Não as havia. Àquele tempo, balada era tiroteio. Mulheres, só dos bandeirantes e outros temíveis desafetos. Melhor não. Mais vale um peru nervoso por um mês que perecer eunuco !

Portanto, o sorteado do dia era o felizardo! Lá se ia ele, rua da Freira abaixo. Nosso relator, Roy, retira-se e vai cuidar das escravas. Era duro com elas. Elas, muito abertas com ele. De suas andanças é que ficou conhecida a expressão atrás-da-moita. Muito ali se fez. Quem dava assistência técnica para toda essa maçaroca de tribulações era o médico Libero Badaró. Fazia o papel de porteiro de boate: trabalhava onde os outros se divertiam. Mas dava também lá as suas marteladas. Na Marquesa e nas escravas. Resumo: especialista em coito e pós-coito.

Assim se passavam os meses: estudava-se Direito e fazia-se sorteio. Vez por outra, uma Dança. Monótonas. Dançava-se mesmo. Nada de conversar lá fora, ver o Sol nascer, passear pelos campos de Piratininga, dar uns pegas, bimbas e quetais . Nada. Por isso, o tédio.

A grande diversão acadêmica se resumia na Visita Domitiliar. Lógico, fazia-se Poesia ali, recitavam-se grandes poetas, filosofava-se e se teorizava um Brasil melhor. Não, não havia comunistas ainda, com a graça de Deus. Mas só isso não acalma o peru. Por isso, ficou ela conhecida como “a Perua”. Um demônio a dita. Acabava com o pobre franciscano. O sorteado voltava que era um traste, feito a uma uva-passa, todo ralado ! Judiava mesmo, sem dó. Reza a lenda que Dom Pedro criou o Poder Morderador em homenagem a ela. Por isso, lá pelos idos de outubro, revezando-se ainda nos sorteios diários, resolveram os franciscanos fazer uma grande festa. Aproveitaram-se do animus jocandi, norma fundamental franciscana, recentemente inaugurada. Era essa a idéia: iriam fazer a visita à Domitila, todos juntos !

Na terceira semana de outubro prepararam-se todos os franciscanos, regados à “água- ardente” prá temperar o clima. Devidamente calibrados, alguém deu a idéia de dar feição de manifestação política à caminhada. Era preciso disfarçar um pouco a empreitada. Surgiram então frases como “Com a sua fé e as nossas fezes, vamos mudar São Paulo”, “Dom Pedro não vem a São Paulo, a gente mete o pau na Marquesa” e outras preciosidades. A frase principal, conhecida dos franciscanos e desconhecida da população era “Vou meter o meu peru prá dentro das Arcadas”. Todos sabiam que as Arcadas eram as Arcadas e pronto ! O que não sabiam é que essa era a jocosa intenção: após trinta e três, ficaria ela até com as pernas arcadas, semelhantemente àquelas do nosso Pátio!

Éramos uma são Paulo de XI mil habitantes, em 1828. Música, só canto gregoriana. Nada de DJ, Disco, Techno, Rock, Axé. Então, prá fazer barulho, como um último Recurso, alguém surgiu com instrumentos musicais e formou-se então a Bateria Agravo de Instrumento da São Francisco, BAISF para os íntimos. Tornou-se o Território Livre uma grande carraspana: franciscanos altamente entorpecidos, ao som do primeiro e então único hino , “Onze, Onze”. Há que se lembrar que não havia ainda a espécime “franciscana”. Um verdadeiro quartel, a Academia! Para despistar, nossos ancestrais resolveram fazer um percurso indireto, aproveitando o fato de que ao ébrio a linha reta é um enorme desafio, saíram por um tortuoso percurso prá percorrer o imenso “triângulo” que era São Paulo.

Lembram-se das filhas dos donos da cidade, as monótonas dançarinas ? No caminho, ao som “acústico” da BAISF, franciscanos traziam para o meio da festa aquelas donzelas e enchiam-lhes o caco com o mais batizado goró. Longe do pai, calibrada pela cachaça, as donzelas o que mais queriam era se desdonzelizar. E dá-lhe moita ! Hoje temos a mulher-melancia, mulher-trepadeira e etc. Naquele tempo, só mulher-capim mesmo. Ao aborcar uma provinciana, franciscano saía cantando “Primeira, Primeira, eu sou da Primeira !” Surge também o que hoje se transformou num jogo de cartas: o truco ! Era assim: chegando o franciscano à décima-primeira donzela pontuada, gritava XI ! Um fuzuê ! Todos o erguiam nos ombros, carregado triunfalmente, ao som do Onze, Onze ! , até que viesse o próximo. Assim por diante. Desde o incêndio de Roma, não havia balbúrdia semelhante ! Todos de fogo.

Chegaram à casa da Marquesa. Porém, àquela altura dos acontecimentos, não teriam condições de consumar o ato, ocorrendo assim apenas o crime tentado. No percurso e com as donzelas tinham deixado toda a sua energia e o máximo que conseguiam era ejacular pela boca, um vômito desmedido. Além do que, lembravam-se vagamente do que realmente tinham ido fazer ali. O que era mesmo ? Por isso, como vazia manifestação, xingaram um pouco o Imperador, só prá constar. Era um germe da esquerda festiva, que grita por gritar e nem ela mesma acredita. Continuaram até voltar ao Largo e às Arcadas, que é a única coisa que lembravam. Dai surge essa tradição de completa amnésia pós-Peruada. E surge também a primeira e tosca trova, curiosamente com o verbo no futuro, pois que passado não havia: Aqui será berço da História/do nosso Brasil, Pátria amada/A gente vem prás Arcadas/querendo fazer Peruada. Coisa de breaco, bem se vê.

Esse, mais um heróico ato franciscano. No dia seguinte, todos os jornais do mundo, o New York Times, a rede lobo, a internet , tudo, noticiavam: Franciscanos fazem a Peruada ! O diretor da Faculdade não queria permitir, mas os franciscanos dormiram, fizeram a primeira Vigília do Peru nas Arcadas, e saíram do mesmo jeito; o prefeito da cidade quis impedir mas não conseguiu já que só levávamos faixas e não outdoor; A Igreja falou que era o fim dos tempos; o presidente americano alertou sobre terroristas, esses franciscanos fundamentalistas; a polícia queria mandar a tropa de choque, mas foram desligados; argentinos, morrendo de inveja, quiseram fazer uma também e, em homenagem a outro animal, criaram a “Viadagem”; cariocas, por não terem outra motivação, promoveram um arrastão; astrofísicos documentaram o surgimento de uma nova estrela e a batizaram Sanfran; muçulmanos reivindicaram a primazia, dizendo ser a sua peregrinação à Meca mais antiga. Esqueceram-se de que a nossa meca é mais gostosa, onde canta o peru-sabiá; doutrinadores do Direito questionaram sobre se a Peruada era um ser, advindo do poder soberano inserido na norma fundamental franciscana; os alunos dos cursos de alfabetização jurídica espalhados por esse Brasil queriam dizer que tinham também participado; religiosos bíblicos confirmaram ter o Sol parado pela segunda vez, prá ver a banda passar; ufólogos viram discos voadores sobrevoando a cidade para assistir a parafernália; o presidente afirmou que essa era realmente uma campanha de fome zero: todo mundo comendo ! O próprio Deus, que todos sabem ser brasileiro e franciscano de carteirinha, abriu uma janela no Céu para apreciar o movimento. Lançou como benção um manto de Amizade e de Alegria sobre as Arcadas, a reinar entre franciscanos. Essa norma eventualmente não tem plena eficácia quando das eleições para o Centro Acadêmico, quando a chapa vencedora exclui o elemento XI. No Universo não ficou pedra sobre pedra !

Por recomendação do doutor-calouro, professor Libero Badaró, a nossa rica história precisa ser contada em doses homeopáticas. Por isso, Roy psicograficamente deixa aqui as suas impressões, como testemunha ocular, sobre o início da tradição dessa Academia de tradições, a Peruada. Não se contam aqui mais repercussões do evento, evitando que se possa pensar que houve qualquer exagero. Ele se desculpa ainda por não ter muito mais detalhes prá dar, tendo em vista a ocorrência de pt, por coma alcoólico, o que lhe resultou em certa confusão mental, alheamento e amnésia.

Roy Babbosa, o espírito franciscano, na única psicografia autorizada, realizada por
Luiz Gonzaga ________________________________ Arcadas, XI de outubro, CLXXXI

domingo, outubro 05, 2008

Carlão avisa: nesse ano, tem Peruada no céu.


Essa Poesia foi escrita como que em despedida num discurso de Formatura. Uma homenagem ao espírito franciscano, que faz diferenciar tanto esses já diferenciados habitantes dessas Arcadas, de quem tanto nos orgulhamos. Dela e deles.

Depois de cinco longos anos, fica muito difícil saber o que é mais, se ter o espírito ou conviver com Ele. Porém, esse é um problema tão maravilhoso que qualquer da Terra gostaria de tê-lo. Feliz de quem os têm a ambos.

E pretendia eu, apresentar a Poesia na Vigília, dia tão especial, noite aliás, em que, alguns poucos, nos dispomos à simples contemplação, reverência, Amor ou sabe-se lá o que mais, aguardar com as estrelas, a chegada da Peruada, nesse sacrossanto Pátio das Arcadas. É uma experiência incrível que convido você também a participar dela.

Leria eu, então a Poesia, uma reverência, em ambiente tão propício.

Quis Deus porém, em seus desígnios tão desconhecidos e a nós tão absurdos, levar um de nós, verdadeiro espírito franciscano.

Dizia-me o Carlão, quando então calouro: “se é como você diz, tem-se o espírito ou não, não vamos adquirindo-o aos poucos, então, pode ter certeza que eu já o tenho comigo. Mesmo antes de ter passado na Sanfran!”. Magníficas palavras essas!
Como um defensor da idéia tão mal-interpretada de que as festas deveriam “vender” a grife Sanfran, era-me bom saber que um calouro levaria à frente o espírito. Ele não só compartilhava da idéia, como as realizou na prática, para espanto dos anti-umbiguistas. Vide o sucesso do Baile do XI.
Nesse seu pouquíssimo tempo entre nós, realizou muito mais do que a maioria, em cinco anos. E meus diálogos com ele sempre foram nesse tom de brincadeira e “cobrança”, acerca do espírito.

Alguém admirável e brilhante, de origem humilíssima, mas que jamais alardeou isso, para mais ou para menos. Não era de palavras, mas de ações. Conseguiu conquistar a Amizade, o respeito e o Amor de todos nessas Arcadas. De tão franciscano, foi-se embora no dia de São Francisco!

E nós aqui, ficamos com as suas lições e a sua Alegria. E com a certeza que realizará a primeira Peruada no céu !

Como uma singela homenagem, dedico então a ele a poesia.

A poesia do Espírito

É uma aura que nos envolve e abrilhanta
Ele nos anuncia antes que cheguemos,
mas também nos denuncia e cobra, só por estar em nós
Ele nos engrandece,
mas pede humildade para que possa se expressar.
Ele nos causa orgulho,
mas jamais poderá ser fonte de arrogância
Ele nos torna uma fortaleza ,
Não para nos enclausurarmos nela
Mas para partilhar com todos essa grandeza.
Ele causa a admiração geral e o respeito,
mas desperta a inveja e o ódio de alguns.
Ele se expressa pelo animus jocandi
Ciente de que o riso
fertiliza o espírito
e germina a criatividade.
Ele expande a mente,
mas apenas se for para expressar o coração.
É fonte da eterna juventude,
porque eterniza a sua obra,
qualquer que seja ela.

Essa, a Poesia. Esse, o Carlão.

Luiz Gonzaga ____________________________Arcadas, IV de outubro , CLXXI

sexta-feira, setembro 26, 2008

Chora, V ano, chora: fraude na eleição de Patrono

Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Mutatis mutandis para esse sacrossanto universo franciscano, a frase fica assim: dize-me o que aconteceu e dir-te-ei quem foi. Afinal, foram passados cinco anos diuturnamente nessas Arcadas convivendo com toda a espécie de recursos que se utilizam para a obtenção de um fim. Os honestos e os nem-tanto.

Marcadas as eleições para os quintanistas votarem em Jurador, Orador, Professores Homenageados, Paraninfo e Patrono. Para a formatura que vem ai, infelizmente.

Fraude! Existe isso? Fraude em eleição para Patrono da Turma CLXXVII? Santa inocência. Estamos na São Francisco, ora pois!

Vai me acompanhando nesse boletim das ocorrências que o seu faro anti-maracutaias já vai matando a charada.

I – o voto por computador, para impedir fraudes, catracamente falando, a senha era incrivelmente o número de matrícula. Algo criptográfico, secreto, ninguém tem acesso, Deus me livre;

I I – A data limite para as votações era o glorioso dia 22 de setembro. Que, como costuma acontecer com os demais dias, termina à meia-noite. E, por ser o último dia, certamente conteria um grande número de votantes, já que estamos no Brasil, certo? Às XI:30, erradamente , claro, foi informado via email o resultado da votação. Fiquei eu aqui pensando que fosse um problema de fuso horário e que a Comissão ainda estivesse sob os eflúvios das Olimpíadas, no outro lado do mundo. Ou os votos já seriam suficientes?

I I I – Alunos que foram votar, obviamente no último dia, depararam-se com uma caixa de diálogos interessante em seu computador: você já votou! Mas, como assim, já votei? Eu não votei. Votaram por mim? Sim. Elementar, meu caro Watson...

I V – Daí, levantou-se a lebre: fraude. Fraude? É, fraude! Quero dizer, ainda não se levantaram as lebres. Pois foram vários os que se depararam com idêntica situação.

V – Denunciada e publicizada a coisa (epa!) a Comissão acertadamente decidiu por anular o pleito. Perfeito. Só que, mui burocraticamente, convocaram uma nova eleição, para corrigir esse erro burocrático-administrativo. Não, não foi um erro. Foi fraude! E exige apuração sobre quem votou e em quem. Absolutamente simples de resolver. O “controller” do site da Stillus, em apenas querendo, em uma fração de segundos, detecta o votante e o votado, a data, com a precisão de milésimos de segundos, o IP do computador utilizado e outras coisas. . Em apenas querendo. Não se precisa ser um Bill Gates da vida para checar uma consulta a uma lista. Mas isso não foi providenciado. Apenas e rapidamente, a nova eleição. Afinal, “comissão” é poder delegado. Pelo grupo total de formandos.

V I – Que tal você ter fornecido um endereço de email para a Comissão, criado exclusivamente para assuntos de Formatura e receber uma mensagem dele pedindo votos, em pleno domingo à tarde? Mas votar em quem, Deus do Céu? Ohhhhhhhh!!!!!!!!!! Em linguagem cibernética, o seu espanto fica mais ou menos assim: [:D]. Ainda mais: você, atendendo àquele apelo, vai então votar e encontra aquele belíssima caixa de mensagem: você já votou! Como assim, já votei? Eu ainda não votei ! Santa inocência. Elementar, meu caro Watson. Todos têm o seu modus operandi, a gente conhece de várias Peruadas.

VII – Aos vencedores, as batatas quentes! Parabéns ao Jack e ao Danilo! A poesia do Danilo é algo brilhante. Sua interpretação dela chega às raias do belíssimo! A única restrição que se pode fazer, como aluno-formando é que, nos CLXXXI anos de existência dessas Arcadas nunca houve uma poesia como Discurso. Algo que aliás foge ao bom entendimento vernacular. Discurso é prosa, ora pois. Nem mesmo na formatura do Olavo Bilac ou Álvares de Azevedo o Discurso foi no formato de Poesia. Os outros tantos e tantos nossos poetas que me apóiem nessa afirmativa. Porém, essa é apenas uma opinião pessoal. E de outros tantos. Mas que, em sendo eleito, seja aceito.

VIII – Ou seja: os vencedores não precisavam de fraude pra vencer. Será então que estariam usando o Danilo como laranja? Isso não! Ai já é demais para o meu pobre coração! O Danilo jamais seria usado como laranja para ninguém! Será que seria altamente interessante para alguém que o Incomparável fosse o Patrono? Ou quem sabe o Beercovixe! como professor Homenageado? A Constelação Oriônica talvez? Será que haveria interessados em levantar o moral, após um eventual e fragoroso bota-fora realizado pelos alunos? Teria algo a ver isso tudo com a futura eleição para o XI?

IX – O que virou moda no mundo e, claro, nos macaquitos brasileiros, é sempre argumentar com a ‘Teoria da Conspiração” quando se faz qualquer tipo de denúncia. Algo como uma frase de efeito. Políticos, quando pegos com a boca-na-botija costumam declarar, estupefatos: isso é uma calúnia! E os fatos costumam se comprovar em seguida à alegação de calúnia. Muito embora acabem dando em nada. No máximo, pizzas. Mas não estamos no mundo, estamos no mundo das Arcadas. Uma comunidade restrita, num universo de elementos conhecidos. Sobejamente conhecidos. Então, que não baste a estupefação. Ou a alegação da Teoria. Basta que se constate, como dito, junto ao “controller” do site. Saberemos os autores, os criminosos, os beneficiários de tal ação criminosa. Nem que seja só para confirmar. Ou para tornar esse boletim de ocorrência uma calúnia. Daí processem o cara, maldito infame!

X – Se preciso, poderíamos chamar a Polícia Federal, para eles deflagrarem aqui uma Operação policial. Fiquei até pensando em algumas sugestões para o nome: Operação catraca-russa? Cujo tiro saiu pela culatra? Operação Feiticeira ? Aqui, uma clara alusão à primeira-dama. Ou ainda: Operação "vai-tomar-no-cu, meu Peru ninguém grampeia"? Não, esse é ‘o” mote da Peruada. Seria plágio. Aliás, coisa comum em nosso meio, ultimamente. Já quando é plágio de si próprio não é crime, é apenas um estilo de fazer, um peculiar modus operandi. Acorda, Watson!

XI – Ah, o que também costumam alegar, diante de qualquer denúncia é que é “coisa de perdedor”. Que seja. Mas que se constate rapidamente, antes da data para a próxima eleição, marcada tão afoitamente. Primeiro as providências, depois as novas eleições. Porque somos sim, todos perdedores, se não aparecerem publicamente os culpados. Perderemos todos, os franciscanos decentes e os brasileiros. Daqui a dois meses eles sairão daqui, diplomados como bacharéis em Direito pela São Francisco, para gloriosamente se juntar aos Lalaus e Mamatos da vida. Ou, mais provavelmente, continuar a carreira política, inflacionando ainda mais o nosso Congresso com seus pares.

Esse texto, multicolorido apenas para indicar o caminho das pedras, é essencialmente cinzento, nebuloso e negro. Chora, São Francisco!

Luiz Gonzaga – V Ano (Deus me)Livre __________ Arcadas, XXVI de setembro, CLXXXI

sábado, setembro 20, 2008

Festa da Entregação-2008


A Tese de Láurea enfim achou uma finalidade: álibi

A maioria dos cursos superiores exige, via MEC, a realização de um Trabalho de Conclusão de Curso pelos alunos. Tal medida visa a dar um mínimo exigido de qualidade ao curso ministrado. Principalmente na área do Direito, com suas mais de 800 “facul” que existem por ai. A Faculdade de Direito de São Paulo dispensa essa exigência, tendo em vista que supera e em muito o que é exigido pelo MEC. Ou por qualquer outro.

Tal exigência, para quem está subordinado à ela, em nada acaba se vinculando à esperada qualidade. Ao contrário, cria mais empregos, como se sabe. Uma enormidade de anúncios vendendo Trabalhos prontos ou semi-prontos. Só aquecer, dar os últimos e retoque e não se esquecer de colocar o próprio nome. Isso se aplica aos alunos e incrivelmente aos Professores também. Enfim, como em tudo o mais, como sói acontecer nesse nosso Brasil, a eficácia da Lei mostrou que não se criaram mais bons cursos, boas faculdades, bons alunos e bons professores. Enfim, bons profissionais. O que a Lei fez foi diplomar escroques, fraudadores e Instituições entregadoras de diplomas. A muito bom preço, claro. Essa, a realidade que conhecemos.

Esse enfoque, mais uma vez não enquadra a nossa Faculdade de Direito. Franciscano, enquanto ainda sob a sombra das Arcadas costuma ter vergonha na cara. Depois, sabe-se lá. Não por qualquer virtude transcendental, mas não há "clima" para o delivery. Fica muito engraçado imaginar se isso acontecer um dia. Seria tão avacalhado e tripudiado que talvez pulasse do terceiro andar sobre as lanças do Túmulo do Julius Frank.
Falamos de graduação. Entretanto, por vezes, pode acontecer de aparecerem Teses esdrúxulas, descaradamente copiadas, sem qualquer referência à origem da colheita de dados. Isso tipifica-se penalmente como fraude. Quando se fala em direitos de Autor, em Plágio. Fortuitamente pode ocorrer em Concursos para Professores. Não se graduaram nas Arcadas, então tentam a última chance, uma pós-graduação ou , quem sabe, concurso para professor. Alguns ainda candidatos, alienígenas que pretendiam aportar por aqui, via Tese suspeita, no mínimo que se possa dizer. Outros ainda, já até empossados, garbosamente ministrando sua sabedoria aos atentos calouros franciscanos.

Desde 2004 sempre defendi que a Tese de Láurea existisse. Mas não com a finalidade de atestar o curso de graduação, já de nível no nosso caso, mas que tivesse uma utilidade prática. Para alunos que apenas desejam se bacharelar não tem utilidade nenhuma. Uma exigência desnecessária. Estariam dispensados dela. Mas, para aqueles que pretendem atuar na vida acadêmica, na pós-graduação, concursos para professor e outros, deve sim ser requisito obrigatório. Porém, além de ser obrigatória, contar como pontuação especial para a obtenção de outros títulos. Ou ser publicada na Revista da Faculdade. Ou as duas coisas. Ou outras mais ainda.
Enfim, são idéias para que a elaboração da Tese de Láurea não seja uma simples TPM (Tensão Pré-Monografia) para os alunos. Uma neura inútil, estéril de finalidade. Algo criado apenas para atenazar a vida de infelizes quintanistas. Para depois ser arquivada e fim. Mas essa será uma excelente pauta no “calendário de lutas” futuras. Quem viver, verá. Quem sabe, quando a Representação Discente acordar para essa lastimável realidade haja um novo rumo.

Por enquanto, a Turma 177 resolveu o problema: a Tese de Láurea tem sim uma finalidade útil. Pelo menos para essa Turma. Serviu de álibi para a realização da Festa da Entregação, no Porão. Para quem não creu, créu! A melhor dos últimos cinco anos. Pelo menos do que eu consigo me lembrar. Que é pouco, muito pouco.

Luiz Gonzaga - V Ano (Deus me) Livre - Arcadas, XIX de setembro, CLXXXI

segunda-feira, setembro 01, 2008

O que eu faria com seis milhões de reais?

Para os mais apressadinhos, já respondo imediatamente: o XI deve comprar TUDO em ações inalienáveis. A idéia não é só minha e é antiga. Vem lá de 1911, quando fizeram isso pela primeira vez. Pronto, está dito.
Daqui pra frente, vou brincar de adevogado: vou defender essa idéia.

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A quantia pertence ao Centro Acadêmico “XI de Agosto”, com os seus cento e seis anos. E que terá outros tantos. Esse é o motivo dessas palavras, que pretenderá fazer uma pequena viagem pelo mundo da Economia, das Finanças, do mundo do dinheiro e da nossa grotesca ignorância como povo brasileiro.

A discussão tem sido feita por alunos, como é óbvio. A ampla maioria tem cerca de 20 anos e, apenas um fato, sem qualquer ofensa, mal sabem gerir a própria mesada. Jamais citei a minha “suposta experiência”, mas nesse caso penso que ela pode ser de alguma valia.
Por certo aparecerão montes de sagazes interessados em dar “um melhor destino” ao valor. Ressalvo que o “melhor” é o melhor pra eles”. Devemos ser muito cautelosos com a ajuda que estão nos querendo oferecer.

Por essa razão escrevo aqui. Não falarei em uma Assembléia, com 30 segundos de tempo. Porém, gostaria da sua atenção para os pontos que pretendo ressaltar. Visam a colaborar com o debate acerca das idéias e sugestões.
Não tenho em absoluto nenhum interesse outro, a não ser o de aluno, que quer ver o XI continuar a ser dono desse patrimônio por mais cem anos.

I – Caso o juiz tivesse julgado de ofício, bloquearia a quantia, assim como todo o restante é bloqueado, inalienável. É óbvio que não foi o caso, mas o espírito deveria ser o mesmo. Afinal, o acessório faz parte do principal, como reza o bom Direito.
E aqui fica a sugestão: por ser um montante decorrente de propriedade inicial em Ações, nada mais óbvio e ululante que deveria ser integralmente revertido em Ações.

I I – A primeira contestação: o mercado acionário é um mercado de risco !
Já imaginou se aqueles franciscanos do começo do século XX tivessem raciocinado assim, como o XI teria sobrevivido durante esses 105 anos ? Ainda mais mal-criando franciscanos, que vêem no XI um pai rico. Querem tudo de graça, o XI tem que fazer benemerência, ajudar os menos favorecidos, cumprir uma função social, defender a Democracia e outros argumentos mais. À custa do quê? Ações. Por isso o XI deve reverter toda a verba recebida em ações. E sobreviver com dividendos e rendimentos. Não se fala aqui em especulação, valor das ações etc. Compra-se e esquece-se. Assim como o fizeram os doadores das ações, há 105 anos. E, claro, inalienáveis, como da primeira vez.

I I I – Vamos ver a origem disso dessa expressão aterrorizante, “mercado de risco”.
O Mercado de Ações é típico de países capitalistas. Hoje não se pode mais fugir dessa realidade. Iniciou-se no Brasil ainda no século XIX por puro modismo brasileiro. Macaquices, como dizem os argentinos. Onde já se viu não termos também uma Bolsa de Valores ? Criou-se uma, então. Um país subdesenvolvido, em pleno feudalismo, latifúndio de monocultura de exportação.Mercantilismo ? Zero indústrias. Mas com uma Bolsa de Valores. Ora, pois.

I V – Tinha que ter, mas não podia funcionar bem. Então, disseminou-se a expressão: “mercado de risco”. Para que ficasse um nicho restrito a uns poucos, como sempre. E o bom brasileiro, dentro da sua peculiar ignorância engoliu mais essa. Não disseram risco do quê. É “risco de ganhar”. O que não acontece com a nossa famigerada “caderneta de poupança” e seus congêneres, “renda fixa” e outros. O depositante tem a segurança... de que nada vai ganhar, exceto correção. Deixa o “risco de ganhar” para os senhores banqueiros, que fazem muito bem o seu papel. Enrolando os desavisados, pega os seus 6 milhões e faz o quê? Paga-lhe 1% e aplica tudo na Bolsa. E ganha vinte, trinta, quarenta por cento. E têm lucros de vários bilhões ao ano.

Lá pela década de 30-40 do século passado, conseguiram fazer com que o brasileiro entendesse “fazer poupança’, com “caderneta de poupança”. E lhes paga a beleza de seis por cento ao ano. Outro exemplo que nada tem a ver com esse assunto, mas demonstra cabalmente como usam da ignorância do brasileiro para que ele viva eternamente esmolando: o FGTS paga o absurdo de três por cento ao ano! Sabe lá o que é isso? Sim. E isso ocorre há 40 anos. E eles continuam vendendo a idéia de que isso é um excelente negócio. Só não esclarecem para quem. Para eles, lógico.

V – O capital do XI foi doação de ações de alunos. Uma boa ação, digamos. Modelo aliás que poderíamos reintroduzir agora. Alunos doando ações para o XI. Acho uma excelente idéia.

Para aqueles que ainda insistem no “mercado de risco”, lembro que a Humanidade já passou por duas guerras mundiais, o Crack da Bolsa de NY, n crises localizadas e mundiais, algumas dezenas de guerras “particulares”, o Brasil já mudou várias vezes de moeda, desvalorizou zilhões por cento a cada mudança. E mesmo assim, o XI acaba de receber uma pequena verba, decorrente de atualizações do capital inicial, lá de cem anos atrás. Sempre lembrando que, no entremeio, viveu 105 anos bancando franciscanos, suas festas, seus ideais e devaneios. Que risco bendito é esse ? Santo risco!

V I – Toda a defesa dessa teoria, tendo-se como pano de fundo um Brasil-colônia, ora de um ora de outro país. Que dizer de um mundo agora sem fronteiras, a dita globalização? O País agora tem que se desenvolver e crescer, mesmo que não queira, mesmo que o seu povo seja ignorante, mesmo que os imortais coronéis tão atuantes assim não o queiram. Estamos tendo prova inconteste disso.

O País cresce, a despeito de ter um bando de democráticos ladrões no seu gerenciamento. Estava tentado a dizer “incompetentes”, mas não é verdade. São altamente competentes. No enriquecimento ilícito, espoliando o Estado. E, apesar deles, o País cresce. Porque assim o mundo o exige. Cresce 4%, a China XI%, mas tudo bem. Se não tivéssemos analfabetos no Poder, seria mais. Mas estamos finalmente entrando na Era da Revolução Industrial. Ufa !

V I I I – E a Bolsa de Valores é característica do Capitalismo que estamos timidamente entrando agora. Um pouco retardados, é certo. Mas, finalmente. E, segurem-se os comunistas de plantão, mas Adam Smith já apregoava que o mercado tem mesmo uma mão invisível que auto-corrige o sistema. E, ao longo de todo esse tempo, criaram-se mecanismos para proteger o termômetro do Capitalismo: a Bolsa de Valores. Melhor prova disso não há: o XI está, em 2008, recebendo valores corrigindo um capital aplicado em 1920. Ou seja, todo o ordenamento jurídico de um País protegendo o capital investido em Bolsa. Isso é risco de ter segurança. Qualquer depósito em Banco, o Sistema apenas protege até 200 mil (cerca de). O resto é risco. E esse é risco de perder.

I X – Existe um comparativo que é feito. A nossa Bolsa de Valores foi regulamentada em 1965. Se naquela data um cidadão tivesse comprado uma casa e outro tivesse aplicado igual valor em ações, hoje um teria uma casa velha, caindo aos pedaços. O outro teria, em dinheiro vivo e disponível, o equivalente a quarenta casas novas, idênticas àquela de 40 anos atrás. Isso ele tendo reaplicado os juros e dividendos das ações. Não se está falando apenas do Capital, que oscila diariamente. É um ótimo exemplo.

X – Já foi aventada a criação de um Fundo de Investimentos. É outra falácia. Pode até ser um recurso para quem tem 10 mil pra aplicar e então não dá pra aplicar sozinho. Tem que se juntar a outros, pra formar um bom capital. Os gestores do Fundo têm lá os seus acertos para comprar essa ou aquela ação. No interesse deles. Se perder, eles pedem “desculpas”. Se ganharmos, eles ganham a maior parte. O risco fica por conta do XI. Sou mais simplista. O XI deve adquirir todo o montante em ações da Petrobrás. Vai pagar 0,5% de corretagem e ponto final. Claro, vai esquecer na Custódia essas ações, para sempre. Mas receberá semestralmente , juros e dividendos do Capital. E, com esse dinheiro, poderá então fazer a sua redistribuição de verbas para as Instituições e etc. Mas nada de ficar sustentando um “Fundo Gestor”, durante cem anos. Sugiro até que, junto com a compra alienada crie-se um a cláusula de revisão: a cada XI anos os alunos da época decidirão então o que fazer.

XI – ouve-se pra lá e pra cá, as Instituições todas das Arcadas se armando de argumentos convincentes pra receber mais verbas. Tudo por causa dos seis milhões. Até considero que seja importante rever a distribuição. Mas esse deve ser um assunto à parte. O investimento do montante é um assunto isolado.
Nem quero também, não tenho essa pretensão, que simplesmente aceitem o que estou aqui tentando dizer. Apenas que os alunos decidam por trazer para a Sala dos Estudantes especialistas no assunto “mercado financeiro”, nas suas mais diversas modalidades. Ouçam e analisem o que eles tenham a dizer. Não números futuros, imaginários. Mas, principalmente, sobre números passados. E então possam tomar a decisão de fazer a única coisa plausível, devido ao montante: a compra de ações.

Luiz Gonzaga Arcadas, XI de setembro, CLXXXI

quarta-feira, agosto 06, 2008

O Pindura do Século !


Pra quem nunca deu, pra quem tá louco pra dar, não sabe como e ainda tem medo de perguntar.


Para ser bastante didático, vou descrever o Pindura do Século XXI! Pode ser válido para calouros e calouros em Pindura. Por incrível que pareça, existem. Assim, além de dar as coordenadas, vou aqui fazendo um pouco de reminiscências de calouro, nessa minha maldita condição de quintanista (Deus me) Livre. Pode isso?

Bom, ocorreu no glorioso ano de 2004 de Nosso Senhor Jesus Cristo.

I - Faça então o seguinte: convoque a imprensa e a TV. Nada de sair escondidinho, com medo, com vergonha, timidez, sabe-se lá o quê. Bote a boca no trombone, bem assim: EU VOU FAZER UM PINDURA!!!!!!!!! Nunca também se esqueça que é no masculino mesmo.

I I - Depois escolha os comparsas, digo, franciscanos em geral. A norma fundamental é: não pode arreglar. Jamais. Chame veteranos, um, dois. Tem que ter veterano no meio, pra não dar caca. Mas não exagere, porque veterano, invariavelmente é chato: no meu tempo.... blablabla. No time dos excluídos, inclua: vegetarianos, defensores dos pobres e oprimidos, dos moralistas, etc. Você me entendeu. Eles vão atrapalhar, com certeza!

I I I - Depois, exclua os “de menor”. Em se tratando do Pindura, dar um é coisa pra gente grande. Mesmo com o imenso respeito que eu tenho por franciscanas de 16 anos, com você não pode, viu, garota! Brincadeira. Mas sério isso.

I V - Reúna mais do que XXI, para quebrar o nosso recorde, incólume até então. Excetuados os menores, rumem-se de quatro, ou melhor, quatro em cada carro, com meninos e meninas, simulando casais, para o Bolinha. Criem um mote, do tipo: "A melhor Feijoada do Brasil, pra melhor Escola do mundo!". Rima rica é comigo mesmo, quem não sabe?

V - Fica muito bom também o povo se perder. Cada um pra um lado, doideira total. Daí que é até bom. O povo vai chegando aos poucos, se assentando distantes uns dos outros grupos. Não faça o social. Nada de cumprimentar amigos e etc. Não seja bandeiroso!

V I - É óbvio que você não pode ir com camiseta da Sanfran, né? Dãããã...Além disso, nada de vestido de loser, bermuda e etc. Nem de terno também, com crachá do Dinheiro Neto. Enfim, vá vestido feito gente. Claro?

V I I - Caso seja argüido pelo maitre, gerente, garçon ou o escambau: é Pindura? Negue até a morte! Estudam Hotelaria e estão lá em trabalho de pesquisa de campo, averiguando in loco, como se faz um restaurante classe A, como aquele. Podemos conhecer a cozinha?
Tá certo: exagerei um pouco. Mas é assim mesmo: eu sou mesmo exagerado...

V I I I - Tenham certeza que estão sendo filmados. Ajeite o cabelo, a roupa. Oriente o cinegrafista que entrou junto com vocês, para filmar tudo. Não deixe passar nada. Mas não mande tchauzinho prá manhê também, né? Você vai sair na TV, para o Brasil e o mundo, em nome das Arcadas. Essa a função de franciscano.

I X – Não beba bebidas alcoólicas. Reduz no preço a pagar e evita a apelação de dizer que você estava bêbado. Atualmente então, nem se fala. Você tem que zerar no Lulômetro, sabia? No transcorrer da refeição, não fique cochichando nada. Fale naturalmente. Claro que nunca sobre Direito e nem sobre futibó. Franciscano é pura classe... Fale sobre amenidades, sobre política, sobre trambiques. Conte piadas com argentinos, que sempre dão muito ibope e risadas. Falando nisso, conheço uma muito legal...

X – Comuniquem-se via celular, com naturalidade e peçam a conta (1.500 tá bom) simultaneamente. Escolha o melhor Orador para ler o Discurso e anunciar o Pindura. Muitos aplausos e muitas trovas. Disponha-se a pagar os 10% e mais nada. Agora, a melhor parte: prepare-se porque eles vão chamar a Polícia. Aquele fuzuê todo: o gerente surtando, garçons zanzando pra lá e pra cá, ameaças mil. Vão dizer que você não vai poder prestar a OAB, não vai poder prestar concurso. Tudo balela. Mantenha-se firme. Não fique parado: acompanhando a confusão, contribua, andando pra lá e pra cá. E, finalmente, todos direto pra delegacia.

X I – Todo esse processo precisa ser filmado, não esqueça. Na DP também. Exija o rigor jornalístico da equipe de TV que vocês convidaram. Dê entrevistas, fale da Tradição Franciscana e só nossa. Use e abuse do animus jocandi. Invente um pouco. Mande a Delegada prender outros que fazem o Pindura, porque é Falsidade Ideológica, crime previsto no CP. Mas afirme sempre que você tem o dinheiro prá pagar. Cartão é dinheiro. Pode inventar bastante, para preencher as quatro ou cinco horas que vocês permanecerão na DP. Depois, passe no Porão pra contar vantagem. E pra se assistir no Jornal das Oito. É o maior legal!

Pronto, muleque! Você então deu o seu primeiro Pindura! Parabéns por manter viva uma das nossas mais nobres e insaciáveis Tradições.

Luiz Gonzaga xixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixixi Arcadas, XI de agosto, CLXXXI

(excerto do Livro As Arcadas: segredos, magia e estórias)